O governo da Argentina endureceu o discurso contra empresários de supermercados e ameaçou intervenção direta no setor, nesta quarta-feira (5), caso não seja normalizado o abastecimento o quanto antes. Segundo matéria do jornal O Globo, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, telefonou para proprietários de várias redes, fazendo advertência que o goveno poderá multar e até fechar as lojas que não estejam cumprindo o congelamento de preços de 500 produtos, que foi iniciado no último fim de semana.
O não cumprimento do congelamento pode acarretar em multas no valor de até cinco milhões de pesos, de acordo com a Lei de Defesa do Consumidor.
A falta de itens, a exemplo de farinha, açúcar, frutas e verduras, da cesta básica teria irritado Moreno. Ele acusou os supermecadistas de não estarem observando o acordo que prevê a substituição imediata de uma marca por outra, em caso de falta de mercadoria. Mesmo com a determinação, alguns produtos de primeira necessidade vêm sendo reajustados pelos supermercados.
Por outro lado, os empresários alegam que não há desabastecimento, mas racionamento em algumas redes, devido ao aumento da procura.
Na última terça-feira (4), o diretor da Associação Supermercados Unidos, Juan Vasco Martínez, afirmou que o aparente desabastecimento se tratou de uma “certa limitação de compra por consumidor para garantir a venda a todos”. Ele disse que desde o início do congelamento houve aumento expressivo na demanda por esses itens.
Mesmo assim, Moreno não se viu convencido e acusou os supermercados de manter a política de remarcação de preços no dez mil outros produtos não incluídos na lista de congelamento.
E não é só Buenos Aires que sofre com a falta de produtos. A província de Santa Cruz, por exemplo, deve estar sofrendo desabastecimento em torno de 50% a 60% dos produtos incluídos na lista de congelamento.