Opinião

À mesa com dirigentes

Publicado por Branca Alves, em 4.03.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em Brasília, onde gravou o programa de TV do PSB, ontem, Paulo Câmara reuniu-se, durante a manhã, com o comandante da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, com o presidente do nacional do PSB, Carlos Siqueira, e com o secretário de Planejamento, Danilo Cabral. Fez ainda visita de cortesia ao ministro do STJ, Francisco Falcão. À noite, embarcou para o México.

Café com leite - Paulo avisou que tomaria um café com o senador Fernando Bezerra Coelho, quando estivesse em Brasília. Passou pela capital federal, ontem, para gravar programa do PSB, mas não foi ao gabinete de FBC. Em agenda oficial, a simbologia seria maior do encontro.







Novos atores sociais

Publicado por Branca Alves, em 3.03.2015 às 13:55

Luciano Siqueira*

O repouso é relativo, o movimento é que é absoluto – aprendemos da dialética. A realidade em certa medida é furta-cor, no sentido de que evolui às vezes lentamente, às vezes aos saltos.

Nos últimos doze anos, nos governos Lula e Dilma, ocorreram transformações na sociedade brasileira de certa envergadura, muitas vezes obscurecidas pela penumbra que se ergue na grande mídia em razão da rinha política.

Estima-se em mais de quarenta milhões os brasileiros e brasileiras que ascenderam socialmente no período, saindo da pobreza extrema ou de condições de existência abaixo da linha de pobreza. O equilamente à população da Argentina.

Na esteira desse fenômeno, vêm à luz dados de pesquisa realizada pelo Data Favela, com apoio do Instituto Data Popular e da Central Única das Favelas (Cufa), que revelam um mercado de R$ 68,6 bilhões ao ano, constituído por moradores de comunidades tipificadas como favelas, correspondente a uma população de 12,3 milhões de habitantes.

O que se passa nessa faixa da população urbana brasileira vem sendo intensamente pesquisado pelo Data Popular, cuja carteira de clientes ostenta grandes marcas do comercio varejista e de produtos de largo consumo.

Deve ser também um dos focos de análise das forças políticas, particularmente aquelas ineressadas em prosseguir as mudanças em curso.

Essa parcela da população, parte significativa do que se tem chamado erroneamente de “nova classe média” – quando na verdade se trata de um novo proletariado, fabril e de ocupações assalariadas em geral -, certamente não adquiriu a consciência das razões de sua ascensão na pirâmide social. Sequer tem noção da natureza das políticas públicas que lhes faroverem.

Ao contrário, como o próprio Data Popular tem mencionado em alguns estudos, trata-se de uma extensa camada formada predominantemente por jovens, recém-chegados ao mercado de trabalho, muitos dos quais na condição de primeiro membro da família a estudar numa escola de nível superior.

Essa gente considera que chegou aonde chegou “por esforço próprio”, como conquista individual desvinculada das mudanças políticas, econômicas e sociais em andamento.

Tal percepção resulta num comportamento eleirtoral errático. Extenso contingente provavelmente era votado no candidato Aécio Neves, que representava, no pleito de outubro, a negação da linha de crescimento econômico inclusivo, ameaçando o retrocesso às políticas de cunho neoliberal, que engendram a contração de oportunidades para esse novos atores sociais.

Assim, se pode afirmar que os que governam o País terão incorrido no erro apontado pelo estudioso da guerra clássica, Clausewitz, para quem muitos exércitos terão perdido a guerra porque seus generais esqueceram de proclamar as vitórias conquistadas em seguidas batalhas.

O fato é que, mirando o pleito municipal vindouro, a ninguém será facultada a subestimação desse segmento socialmente emergente.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Um passo até Paulo Câmara

Publicado por Branca Alves, em 3.03.2015 às 09:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Autor dos disparos mais inflamados contra a presidente Dilma Rousseff, durante a campanha eleitoral, o prefeito Geraldo Julio contou, ontem, durante vistoria às obras do Hospital da Mulher, com a presença do líder do PT no Senado, Humberto Costa. Único petista de Pernambuco no Congresso Nacional, ele já cumpre o papel de interlocutor da presidente junto aos parlamentares. Deve avançar, agora, no sentido de ocupar esse espaço diante dos gestores pernambucanos. Até pouco tempo, a missão era responsabilidade do ex-governador Eduardo Campos, que personificava a ponte com o Planalto. Na ausência dele, o senador Fernando Bezerra Coelho passara a investir na função, abrindo diálogos aqui e ali, inclusive, indo à mesa com Lula, na semana passada. A despeito do contato prévio com Geraldo, em agenda administrativa, a pauta política deve ser introduzida, por Humberto, junto ao governador Paulo Câmara, cujo gabinete já cuida de agendar a conversa, a pedido do petista.

Humberto costuma ter reniões semanais com a secretaria de Relações Institucionais de Dilma Rousseff e passará a protagonizar o papel de interlocutor oficial, que vinha sendo pleitado por outros







Aproximação, mas sem entrega

Publicado por Branca Alves, em 2.03.2015 às 09:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Não é só em Pernambuco que as movimentações do senador Fernando Bezerra Coelho têm deixado correligionários em alerta. Nacionalmente, lideranças do PSB, no Senado, passaram a prestar mais atenção aos passos do ex-prefeito de Petrolina. A interlocutores, o senador João Capiberibe relatou preocupação com as intenções de FBC. Ainda que tenha defendido, em outubro de 2014, durante a reunião da Executiva Nacional do PSB, o apoio a presidente Dilma Rousseff, no 2º turno das eleições, hoje, ele tem feito ponderações sobre o cenário delicado no qual o PT está inserido e, em conversas com parlamentares, aposta que Fernando está jogando para levar o partido para o ex-presidente Lula. Além dele, a senadora Lídice da Mata, que também declarou apoio oficial à petista, no 2º turno do ano passado, tem feito a mesma observação a aliados. Ainda que adotem posição mais inclinada ao PT, ambos não consideram ser hora de entregar o partido aos braços petistas.

No Amapá, Capiberibe tem o ex-senador José Sarney, aliado de primeira hora do governo petista, na sua cola – são adversários







Debate eleitoral acaba antecipado

Publicado por Branca Alves, em 27.02.2015 às 09:29

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Eram 19h, ontem, quando a PCR formalizou o nome da vereadora Aline Mariano como secretária do Enfrentamento ao Crack e outras Drogas. Antes, por volta das 16h30, o diretório do PSDB do Recife comunicava “a decisão de apresentar, oportunamente, candidatos para a disputa eleitoral majoritária à prefeitura da capital pernambucana, em 2016”. Em outras palavras, o debate eleitoral acabou antecipado. Aline tem um histórico de atuação no setor e levará sua contribuição à gestão. Mas a reação do PSDB foi motivada pela cartada de Geraldo Julio, que não se contentou com uma negativa obtida, ao ofertar a Secretaria de Saneamento, no momento em que parte dos tucanos era contemplada com espaços no Governo Paulo Câmara. O prefeito insistiu em ter Aline em seu primeiro escalão. Com a jogada, abriu um enfrentamento e uma polarização com Daniel Coelho, que cuidou de ir, ontem, ao gabinete do presidente nacional, Aécio Neves, antes de a nota do PSDB ser emitida, no Recife.

A posse dos novos secretários da PCR está marcada para a segunda. Roseana Amorim, do DEM, que assume Desenvolvi­mento Econômico, já trabalhou com Aline Mariano antes

Novos horizontes
O caminho adotado do prefeito Geraldo Julio para atrair o tucanato acirrou os ânimos de parte dos tucanos, que enxergou, na estratégia adotada por ele, “uma afronta”. Nas coxias, ontem, corria que não, necessariamente, Aline Mariano disputaria a reeleição, e poderia, inclusive, ser alçada a vice na chapa majoritária do socialista, o que arremataria a presença do PSDB no palanque.

Por lá – Interlocutores da PCR garantem que o diálogo de Geraldo com Aécio Neves manteve-se aberto. A propósito, o gestor esteve, em Brasília, ontem, onde cumpriu agenda, no Ministério do Esporte, com o ministro George Hilton. Nada impede que tenha trocado ideias com o mineiro.

Resta um – Com a saída de Aline, quem assume é o suplente Wanderson Florêncio, que ficará aliado à base governista. Do PSDB, André Régis ficará na oposição sozinho.

Pode ser – Não está descartado que o apoio do PSB a Aécio Neves na corrida presidencial de 2014 já trouxesse amarrado o apoio do tucanato aos socialistas, no Recife, em 2016.

Previsto – Aline Mariano deve conceder entrevista coletiva, hoje, para falar da nova missão, dos desafios da pasta, do orçamento e da decisão de aceitar o convite de Geraldo Julio







Ação tardia resgata sequelas

Publicado por Branca Alves, em 26.02.2015 às 09:50

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A ação que a OAB-PE protocolou, na Justiça estadual, com o objetivo de impugnar as reeleições do presidente da Alepe, Guilherme Uchoa e do 4º secretário, Eriberto Medeiros, chega tardiamente. A despeito de o assunto ser antigo e vir sendo debatido pela Ordem desde a legislatura passada, a iniciativa, tão alardeada, durou quase um mês para ser consolidada. O processo, distribuído para a 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, de número 0008758-92.2015.8.17.0001 – que visa a anular os atos de homologação das candidaturas, alegando “vício de inconstitucionalidade” – surge quando o debate já esfriou e a pressão, outrora exercida sobre o presidente, que comanda a Alepe pela quinta vez consecutiva, já não resiste mais. A ação, que traz pedido de liminar para que sejam afastados dos cargos os réus, entretanto, traz de volta à pauta os problemas na condução política da gestão Paulo Câmara, que cercaram o referido processo eleitoral, deixando sequelas.

A eleição da Mesa Diretora da Alepe ocorreu no último dia primeiro de fevereiro. A OAB-PE deixou passar o Carnaval e a poeira baixar







Em busca do apoio popular

Publicado por Branca Alves, em 24.02.2015 às 09:51

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Foi depois de conversar com o ex-presidente Lula, em São Paulo, no último dia 12, que a presidente Dilma Rousseff passou a vir a público tratar da corrupção, investigada pela Operação Lava Jato, envolvendo a Petrobras. Além de se posicionar publicamente, na sexta-feira, ela sai da retaguarda e começa, amanhã, pela Bahia, um périplo pelo Nordeste para recuperar a sustentação popular. Antes disso, Lula apresenta-se, hoje, em ato da CUT, no Rio de Janeiro, intitulado “Defender a Petrobras é defender o Brasil”, em defesa da estatal. Junto com Dilma, o ex-presidente passa à linha de frente. Mesmo no Nordeste, reduto do PT, a popularidade de Dilma havia despencado, em fevereiro, de 53% para 19%, segundo o Datafolha. O próprio Lula já debruçou-se sobre a estratégia de rodar o País como forma de acumular força. É o que a presidente fará, agora, ao chegar junto do povo, naturalmente, levando, a tiracolo, um pacote de obras e inaugurações.

Em Pernambuco, a presidente Dilma Rousseff já está certa de aportar, em abril, data da inauguração da fábrica da Fiat







Lei Anticorrupção nas gavetas

Publicado por Branca Alves, em 23.02.2015 às 09:40

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ainda adormecida no Planalto, a Lei Anticorrupção foi sancionada, pela presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2013. Quando chegou ao Congresso Nacional, circulava, nos corredores, que a legislação carregava “padrão escandinavo”, do tipo que daria resultados em locais como Suécia ou Finlândia. Parlamentares observavam que era possível contar nos dedos países que possuíam cinco construtoras de grande porte, como ocorre no Brasil. A Lei 12.846/2013 prevê punições a empresas, que vão de multa até o fechamento. Em tese, deveria ter gerado uma mudança de cultura, na forma de fazer negócios no Brasil. Mas, em tempo de Operação Lava Jato, a Receita Federal aponta, em cálculos preliminares, sonegação estimada em, pelo menos, R$ 1 bilhão, oriundos do esquema envolvendo a Petrobras, valor que deve aumentar, quando contabilizadas as manobras das empreiteiras. Redução e paralisação das obras começam a ocorrer, mas a Lei Anticorrupção continua sem ser regulamentada.

Com a Lei Anticor­rupção, empresas e pessoas jurídicas passam a responder civil e admi­­­nistrativamente quando representantes seus forem acusados de envolvimento com atos de corrupção.

Só um lembrete
Líder da minoria na Câmara Federal, o deputado federal, Bruno Araújo, realça que a presidente Dilma Rousseff não só sancionou a Lei Anticorrupção. “Ela é autora disso”, enfatiza. “Em outras situações, poderia parecer que ela é desmemoriada. Mas não! Ela é dissimulada. Ela é autora da legislação que prevê punição às empresas que participem de atos de corrupção”.







Ano de mudanças no ninho tucano

Publicado por Branca Alves, em 22.02.2015 às 12:21

Por Danielle Romani (dbromani@gmail.com)
Da Coluna Folha Política

No próximo dia 6 completará um ano da morte de Sérgio Guerra. Momento oportuno para um balanço da trajetória dos tucanos estaduais que viveram, nesse período, mudanças de rotas, revisão de alianças e dificuldades de percursso. Especialmente as provocadas pelo vácuo criado com a saída de cena de uma liderança do porte de Sérgio. Um mestre – goste-se dele ou não – na arte de fazer política. Nesses 12 meses, a aliança com os socialistas abriu espaço na máquina governamental do Estado. Cargos chegaram às mãos tucanas, a exemplo da Secretaria do Trabalho, que tem como titular Evandro Avelar e da Junta Comercial, que abriga Terezinha Nunes. Hoje, faltando pouco mais de um ano para início da campanha de 2016, a coesão tucana começa a desmoronar. Projetos pessoais se sobrepõem aos coletivos, principalmente no que diz respeito às disputas municipais.

Ausência de Sérgio Guerra, que morreu em março passado, é enorme e deixou um vácuo

Posições opostas
Enquanto a preocupação do deputado federal Daniel Coelho é garantir a independência, tendo na mira a PCR, a vereadora Aline Mariano, apesar de não admitir, quer o contrário: ingressar na base de Geraldo Julio. Muitos asseguram que ela será a titular da nova pasta que cuidará da assistência social e da prevenção às drogas. Daniel já afirmou que Aline pode ir, mas não pela cota tucana.

Cabo - Elias Gomes, prefeito de Jaboatão, também alertou Paulo Câmara sobre as lideranças que devem se separar da base socialista, em 2016. Inclusive, ele mesmo pode se tornar um dissidente, caso não receba apoio à candidatura do filho Betinho Gomes para a Prefeitura do Cabo.

Futuro - Sem poder se reeleger, pois está no segundo mandato, Elias começa a traçar o futuro. Deve lutar para ser o presidente estadual do PSDB. Desejo que pode contrariar Bruno Araújo.

Desejos - Daniel pode ter os desejos frustrados, caso o partido dê apoio à reeleição de Geraldo. Diante dessa realidade, é possível que o tucano mude de ninho.

Será?- O novo pouso de Daniel poderá ser no PTB. Circulam versões de que ele teria sido convidado pelo próprio ministro Armando Monteiro Neto para ingressar no partido. O tucano nega o convite.







Bruno: “Não passa de especulação”

Publicado por Branca Alves, em 21.02.2015 às 12:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Nas hostes do PSDB-PE, a possibilidade de o partido ingressar na gestão Geraldo Julio dividira opiniões. Sinalizações em sentidos opostos chegaram a ser dadas pela vereadora Aline Mariano e pelo deputado federal Daniel Coelho. Presidente estadual do tucanato, Bruno Araújo, quebrou o silêncio sobre o assunto e, por telefone, à coluna, expressou posição oficial do partido: “Esse assunto (participação do PSDB na PCR) é algo que, para mim, não é fático, porque não há conversa entre os partidos. Se não há, esse tema não existe, não passa de especulação”. E enfatiza: “Não há nenhuma tratativa entre PSB e PSDB a respeito dessa matéria. Quando ela vier a acontecer, será em outro momento, não agora”. E se um tucano for convidado pelo prefeito? “Se qualquer pessoa ou filiado ao PSDB for participar, vai como cidadão, não vai como integrante do PSDB. Qualquer filiado pode aceitar convite para participar, mas só representa o PSDB se tiver a benção do partido”, devolve.

O prefeito Geraldo Julio anuncia as mudanças no organograma da PCR na próxima semana, quando deve ficar claro se o PSDB terá ou não um nome na gestão

Diferente do Estado
Quando fala em aval do partido, Bruno Araújo cita exemplos da administração estadual, da qual fazem parte os tucanos Evandro Avelar (secretário da Micro e Pequena Empresa, Qualificação e Trabalho) Olavo de Andrade Lima Neto (Porto do Recife) e Terezinha Nunes (Jucepe). “Na administração municipal, esse assunto não está sendo pautado neste momento“, arremata o dirigente.







O silêncio, às vezes, funciona mais

Publicado por Márcio Didier, em 20.02.2015 às 16:37

Márcio Didier
Editor do Blog da Folha

Observando desde o ano passado a principal empresa do País, a Petrobras, sangrar e ver o seu valor derreter por causa das denúncias de corrupção, a presidente Dilma Rousseff finalmente se posicionou sobre os escândalos, mas, para isso, usou o discurso da campanha e dividiu a responsabilidade pelos malfeitos com o Governo de Fernando Henrique Cardoso. Citou que se algo fosse feito em “1996, 97” isso não teria ocorrido.

“Veja, a gente olhando os dados que vocês mesmos divulgam nos jornais, se em 1996 e 1997, tivessem investigado e tivessem, naquele momento, punido, nós não teríamos o caso desse funcionário da Petrobras que ficou durante mais de dez anos, quase vinte anos praticando atos de corrupção”, exemplificou a presidente, durante conversa com os jornalistas.

Ficou ruim. Jogar a culpa para o Governo FHC, depois de o próprio partido da presidente ter governado o Brasil pelos últimos 12 anos, soa, no mínimo, esquisito. Poderia olhar apenas o prafrentemente, como dizia Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade de Sucupira, na obra Dias Gomes. Dizer, como disse na mesma entrevista, que o caso está sendo apurado, que todas as providências estão sendo tomadas, coisas assim. E só.

Procurar dividir uma culpa, da forma como foi feita, confirma que o Governo ou já sabia e não agiu por falta, digamos, de vontade política, ou não sabia. Nesse caso, dá uma demonstração de total descontrole em relação à administração da maior estatal brasileira. Nos dois casos, o silêncio adotado até agora seria uma melhor resposta.

Leia também:

Lava Jato: Governo fará tudo dentro da legalidade, diz Dilma







Puxando rédeas da articulação

Publicado por Branca Alves, em 20.02.2015 às 09:18

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Quando o prefeito Elias Gomes deixou o Palácio das Princesas, ontem, após encontro, antecipado pela coluna, o governador Paulo Câmara já esperava outro personagem da cena política para um papo: o deputado federal Raul Jungmann, do PPS, primeiro partido a declarar apoio ao projeto presidencial de Eduardo Campos. Hoje, o socialista vai à mesa com o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio. Na semana que vem, já informou a interlocutores, que terá uma agenda com o deputado federal Jarbas Vasconcelos. Em outras palavras, o governador, de perfil eminentemente técnico, está debruçado sobre o exercício da política, a despeito da discrição. A disposição dele para a tarefa, inclusive, surpreendeu o gestor tucano, a quem Paulo argumentou: “Eduardo Campos fazia muito política e eu tenho obrigação de fazer e vou procurar fazer”. O debate explícito sobre 2016, no entanto, ficou para mais tarde. Mas os canais começaram a ser abertos pelo governador, desafiado a cumprir esse papel.

Elias grifou que não tem definição sobre nomes. “E não podia ser diferente. O PSDB acha legítimo defender a continuidade do projeto do partido em Jaboatão”, sublinhou

“Estamos entendidos”
Diante de Paulo Câmara, Elias Gomes não arrodeou e indagou: “Interessa discutir 2016 agora? É uma coisa prioritária?”. Ouviu um “não” como resposta. O tucano devolveu: “Nesse sentido, estamos entendidos. Esta não é a agenda prioritária, nem da sociedade”. Mesmo assim, o prefeito de Jaboatão se colocou à disposição para “construir” junto com o socialista, que se interessou pelo apoio.







Elias vai à mesa com Paulo Câmara

Publicado por Branca Alves, em 19.02.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Até hoje, todos os contatos entre o prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, e Paulo Câmara haviam sido feitos por telefone. O jejum do tête-à-tête será quebrado, hoje, quando os dois vão à mesa, no Palácio das Princesas, às 15h. O tucano leva extensa pauta administrativa a tiracolo. Entre as prioridades, vai cobrar a liberação de recursos para construção da Maternidade de Alto Risco. O cnvênio fora assinado, ainda com Eduardo Campos, em 2012, mas o município não recebeu os repasses, estimados em R$ 4 milhões. A obra toda está orçada em R$ 24 milhões. Elias espera ainda conseguir acelerar os valores referentes ao Mercado de Jardim Jordão, cuja ordem de serviço foi dada em agosto de 2014 pelo Estado. Naturalmente, a política pode pedir passagem nessa agenda administrativa. O tucano tornou seu vice, Heraldo Selva, do PSB, um supersecretário e, em 2016, pode tê-lo como candidato à sucessão, momento em que seu filho, Betinho Gomes, disputará a prefeitura do Cabo.

Recentemente, o gestor fez pedido de doação junto ao boleto do IPTU da cidade, apontando “negligência” do Estado com a Segurança de Jaboatão







Lula, lá, em 2005 e, em 2015

Publicado por Branca Alves, em 13.02.2015 às 09:38

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em meio a um PT atingido por denúncias e em vias de isolamento, o ex-presidente Lula, quando enfrentava os bombardeios do mensalão, nos idos de 2005, foi à mesa, por mais de uma vez, com o, então, governador, Jarbas Vasconcelos. O peemedebista havia votado duas vezes em José Serra – contra o petista. Mesmo assim, Lula procurou Jarbas, inclusive, para tratar de política. Lula esteve com Jarbas, logo após a entrevista de Roberto Jefferson, e em meio a repercussão negativa para o Governo Federal. Na semana passada, novamente em tempo crítico para o PT, desta vez, relacionado à Operação Lava Jato, Lula fez questão de estampar foto com o governador Paulo Câmara. O socialista e seu partido, até há pouco, eram aliados de primeira hora do PT. As duas situações têm o mesmo pano de fundo: governador não deve brigar com presidente da República. Lula não dirige mais o País, mas continua dando as cartas e sendo o articulador-mor do PT. A própria Dilma foi até ele ontem.

Lidando com ambiente hostil no Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff foi, ontem, a São Paulo, ouvir Lula e tratar de política

Administrativo e político
Naqueles idos de 2005, tempo em que manteve contato estreito com Lula, Jarbas Vasconcelos procurava trazer a Refinaria Abreu e Lima para Pernambuco, conversava com o petista sobre a agenda administrativa. Mas Lula, que tinha como aliados prioritários, no Estado, Humberto Costa e João Paulo, chegou a convidar o peemedebista, mais de uma vez, para ser vice dele.







Entre o debate real e o desnecessário

Publicado por Márcio Didier, em 12.02.2015 às 20:15

Márcio Didier
Editor do Blog da Folha

Este texto não tem cor, não tem crença, não gênero, não tem sexo. Não é para condenar ninguém, embora alguns pensamentos mereçam o repúdio. É uma reflexão diante de um fato. Nessa quarta-feira (11), o deputado federal Anderson Ferreira (PR-PE) retomou o debate do projeto de lei 6583/2013, que cria o Estatuto da Família.

Entre as propostas, estão a que define que o núcleo familiar é formado entre “um homem e uma mulher, por meio do casamento ou união estável”, e a proibição de adoção de crianças por casais homoafetivos. Os dois casos contrariam entendimento já estabelecido na Justiça.

Integrante da bancada evangélica, Anderson Ferreira foi um dos maiores defensores do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) que, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, levantou o debate sobre o projeto da Cura Gay. A matéria, proposta pelo deputado João Campos (PSDB-GO), na verdade sustaria resolução do Conselho Federal de Psicologia, que impede os psicólogos de colaborar “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.

Claro que o Estatuto da Família gera polêmica. Mas não é razoável imaginar que o deputado tenha levantado esse debate apenas pela discussão que ela pode causar, pela imagem positiva que poderia levar ao seu eleitorado.

Logo, só há dois caminhos para justificar um mergulho profundo numa polêmica que já transita sem problemas na Justiça: ou uma visão estreita e tacanha do mundo atual e sua diversidade, ou a falta de vontade de levantar debates mais interessantes para a sociedade: o precário financiamento da saúde, a educação sucateada, uma ação para fechar os ralos do dinheiro público que é drenado pela corrupção…

Basta um pouquinho de esforço para encontrar assuntos muito mais importantes e necessários para se discutir no Brasil do que mexer em coisas já resolvidas na Justiça.