Opinião

Imprimindo o DNA do governo

Publicado em 28.08.2015 às 09:40

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ainda que a base aliada do Planalto possa não concordar com o sentido político da “Agenda Brasil”, apresentada por Renan Calheiros, para retomar o crescimento do País, a iniciativa acabou sendo positiva para a presidente Dilma Rousseff, que declarou ter “grande interesse” pelo pacote. Mesmo que tenha colaborado para a virada da pauta negativa, o presidente do Senado acabou ocupando um espaço que poderia ter ficado a cargo do governo. Na última quarta, aliados mais fieis da presidente decidiram dar um conteúdo “mais estruturante”, que inclui reforma tributária, taxação das grandes fortunas e redução dos juros, entre outras coisas, à sugestão de Renan. Da base, 15 siglas engajaram-se na defesa das propostas, definidas como uma “contribuição à Agenda Brasil”, lançadas na quarta-feira. A articulação, comandada pela presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, reuniu líderes do PT, PRB, PP, PR, PROS, PSD, PRP, PRTB, PSDC,  PSL, PMN, PTC, PTdoB e PTN. Renan, nem tão aliado assim, terá que dividir o protagonismo.

O projeto que trata da taxação das grandes fortunas e integra o conjunto de propostas, lançadas na quarta, é de autoria de Jandira Feghali, líder do PCdoB na Câmara Federal

Se houver cúmplices
Líder do PT na Casa Alta, o senador Humberto Costa considera possível que a presidente Dilma Rousseff promova, hoje, no Ceará, “o início de uma conversa, uma sondagem, talvez,” sobre o retorno da CPMF. Ela convocou encontro com governadores do Nordeste. Vai auscutá-los. Há clima favorável? “Não vejo receptividade da parte do Congresso”, observa o líder.

Partilha - A proposta de retorno da CPMF, “se vier a acontecer”, grifa Humberto, “é um recurso compartilhado entre os governos federal, estaduais e municipais”. Humberto prossegue: “É uma partilha na origem”. A presidente, para isso, teria que contar com o engajamento de governadores e prefeitos.


Sem clima de boas-vindas

Publicado em 27.08.2015 às 10:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Antes de ser alvo de duros disparos vindos do diretório do PSDB de Caruaru, ontem, o ex-governador João Lyra ouvira, do presidente estadual do tucanato, Antônio Moraes, que, se ele não se entendesse com o PSB, teria que conversar com os tucanos da capital do Agreste para eventual travessia. “A gente não pode chegar passando por cima”, advertira Moares. O deputado foi convidado, por Lyra, para almoço, no Recife. A ele, Lyra informou que Raquel Lyra é candidata a prefeita, mas espera sinalização do PSB, uma vez que há prazo para filiação. Ingressar no PSDB seria a segunda opção. Como a coluna registrou, ontem, o vice-presidente do PSDB-PE, Elias Gomes, afirmara que Raquel “sabe que tem acolhida no PSDB com toda certeza”. Em reação, o diretório tucano da capital do Agreste enviou nota, ontem, à coluna, vetando, em tom ácido, a hipótese. Por Moraes, o ataque foi considerado “exagerado”. E, segundo ele, não equivale a impedimento. Mas soou como sinal do que aconteceria, caso a travessia acontecesse.

Em Caruaru, o tucanato também trabalha o nome de Djalma Cintra, que estava em São Paulo quando a nota fora enviada. Fala-se, na sigla, que alguns membros do diretório discordaram do tom

Sem nenhuma pressa 
Ao presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, João Lyra informou que sua prioridade era permanecer nas hostes socialistas. O partido, entretanto, já deu sinais de que o jogo, em Caruaru, não pode ser jogado com a antecipação que Lyra deseja. O entendimento dos socialistas é de que não é hora de tirar Jorge Gomes, que foi vice de Miguel Arraes e é vice de José Queiroz, do comando.

Fogo cruzado - Se não obteve garantia explícita do PSB sobre a candidatura de Raquel, João Lyra acabou acusado,  pelo diretório do PSDB de Caruaru, de “incapacidade de gestão, a qual ficou notória nos seus nove meses pífios como Governador”,  tachado de “deselegante” e “desagregador”.

Dois em um 
- João Lyra cuidou de ir à mesa com Sileno Guedes na mesma terça-feira, na qual almoçou com o dirigente do PSDB, Antônio Moraes.

Novidade - Até a noite de ontem, o vice-presidente estadual do PSDB, Elias Gomes, desconhecia a nota do diretório municipal de Caruaru, na qual o ingresso de Lyra no partido fora rejeitado.

Nem assim - Ainda na terça-feira à noite, o presidente do PSDB de Caruaru, Raffiê Dellon, falou com Elias Gomes, via WhatsApp, para tratar do assunto. Elias avisou que e nada seria feito à revelia do diretório municipal.


Na roda-gigante da política

Publicado em 26.08.2015 às 09:30

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Era setembro de 2014, quando Dilma Rousseff, em campanha pela reeleição, endureceu os ataques a, então, adversária Marina Silva, acusando a socialista de ser sustentada por banqueiros. “Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro, você entende, me sustentando”, arremessara a presidente. Antes, Marina, em reação à propaganda da petista, disparara: “Nunca os banqueiros ganharam tanto como no seu governo”. E prosseguira: “Agora, eles que fizeram o bolsa empresário, o bolsa banqueiro, a bolsa juros altos estão querendo nos acusar, de forma injusta”. Dilma, em suas alfinetadas, referia-se ao fato de Marina ter, como coordenadora de seu programa de governo, a acionista e herdeira do Itaú, Neca Setubal. Quase um ano depois, o presidente do Itaú, Roberto Setubal, defendeu no útimo domingo, com veemência a permanência da presidente à frente do Planalto. A despeito da hostilização do PT aos bancos, em 2014, para os banqueiros, hoje, uma ruptura institucional sai mais caro.

Diante da acusação de Dilma, à época, Neca revidara: “É baixar bastante o nível da campanha”. Ela doara R$ 1 milhão, enquanto pessoa física, ao instituto fundado por Marina


E tem crise mundial?

Publicado em 25.08.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Não precisa ser nenhum doutor em dialética para compreender que os fenômenos têm suas causas externas e suas causas internas. E que num sistema único, cujo funcionamento é permeado por variáveis determinantes, impossível é enfrentar as causas internas à margem e à revelia dessas variáveis.

Em outras palavras, a crise brasileira tem cá suas causas próprias, porém antes de tudo integra o drama mundial que se arrasta desde 2008.

Mas para efeito da política tupiniquim, sobretudo para a oposição partidária e midiática, tudo acontece por obra e graça do governo brasileiro, mais precisamente por culpa da presidenta Dilma.

E quando alguém se refere aos contratempos estruturais e sistêmicos da economia mundial, sempre há um tucano ou um articulista autoproclamado “especialista” na matéria para retrucar que no resto do mundo a economia se recupera, mas aqui não.

Eis que novamente hoje as bolsas de valores do mundo inteiro abrem em queda. As quatro desvalorizações sucessivas da moeda chinesa – o yuan – tiveram repercussões marcantes sobre todas as economias dos países do mundo, principalmente dos mais desenvolvidos.

Uma espécie de recado: a crise global está longe de se resolver, na fase atual atinge duramente os grandes países emergentes e não há espaço para a precarização da luta política.

No Brasil, tucanos e aliados fazem de conta que o Brasil se encontra numa imensa redoma, indene às intempéries mundiais. Da boca pra fora, pois bem sabem o tamanho da enrascada.

Ninguém quer que as coisas piorem, pelo menos quem leva a sério os interesses fundamentais da nação e do povo.

E quem – por outro lado – cuida dos seus negócios e dos seus lucros, como os senhores industriais e banqueiros que têm se pronunciado através de suas entidades representativas ou em nome pessoal.

Neste cenário de ameaças e privações, para que o Brasil ultrapasse o ajuste fiscal e retome o crescimento em bases soberanas e socialmente inclusivas, melhor que gente como Aécio Neves e Eduardo Cunha caia no isolamento para onde caminham celeremente.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Receitas caem, cortes se elevam

Publicado em 25.08.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

No dia em que a presidente Dilma anunciou corte de 10 dos 39 ministérios, atitude que defendida por adversários, na campanha eleitoral, fora tachada, por ela, de “uma imensa cegueira tecnocrática”, o governador Paulo Câmara lançou mão de novo corte de despesas que chega a quase R$ 1 bilhão. A queda da arrecadação atinge em cheio os Estados, cujos gastos obrigatórios se elevam. Em Pernambuco, dos R$ 420 milhões de FPE, esperados para este mês, estima-se que só R$ 360 milhões serão repassados, equivalendo a R$ 60 milhões a menos nos cofres do Estado, em agosto. Há dois meses, os secretários vêm trabalhando para fechar a conta que Câmara previra – inicialmente, estabelecera meta de R$ 600 milhões em cortes. Entre as economias, que já vinham sendo projetadas, está a redução do gasto com energia, em horário de pico, nos orgãos públicos. O Rio Grande do Sul, cujo aperto nas contas fora anunciado em alto e bom som pelo governador, José Ivo Sartori, não está isolado “na UTI”.

Em fevereiro,
 o governador anunciou contingenciamento de R$ 320 milhões, perspectiva que, depois, passou a R$ 600 milhões e, agora, alcança R$ 1 bilhão

Cabo de guerra 
Na queda de braço entre União e Estados, instalou-se debate nacional sobre o reforço dos cofres estaduais. Na reunião do Confaz da semana passada, foi, à mesa, proposta de aumento do ITCMD (imposto sobre heranças e doações). O Governo Federal andou se mexendo para puxar para si o tributo, que é base tributável dos Estados. “Alto lá!”, alerta o secretário da Fazenda de PE, Márcio Stefanni.


Uma semana que vai dar o que falar

Publicado em 24.08.2015 às 09:49

Por Monica Crisostomo
Da Coluna Folha Política

A semana que começa será decisiva para que tenhamos um resumo consistente do que deve vir, nos próximos capítulos, desta verdadeira novela em que se transformou a guerra entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o Governo da presidente Dilma Rousseff (PT). De um lado Cunha luta com unhas, dentes e ameaças para se manter no comando da Casa e para isso ainda conta com um certo fôlego, propiciado por um pequeno grupo aliado, que ainda se mantém fiel. Do outro, Dilma, que acaba de ganhar mais uma dor de cabeça, na sexta-feira, com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral, de pedir a investigação de suas contas de campanha, sob a alegação de que “há indícios” de recebimento de recursos oriundos do esquema de corrupção instalado na Petrobras. Será uma semana tensa e agitada. Resta saber quem conseguirá levar a melhor. Esperamos que seja o Brasil.

No Planalto, uma das “boas” pautas aguardadas é o início da votação da Agenda Brasil, que começa a ser apreciada, amanhã, no Senado


Aumento do ICMS segue em setembro

Publicado em 23.08.2015 às 12:37

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Já anunciado pelo governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, o aumento do ICMS, definido por ele como “remédio amargo”, é receita que deve ser aplicada, ainda no início de setembro, também em Pernambuco, conforme a coluna cantara a pedra. Pelo menos, a previsão dos secretários, que estudam o assunto, é de que o projeto, referente ao aumento de impostos, siga para a Alepe nos primeiros dias do próximo mês. A equipe do Conselho de Programação Financeira do Estado calcula que serão necessários mais uns dez dias para que a matéria, que encontra-se na Secretaria da Fazenda, fique pronta. Avançou-se a tal ponto que, segundo análises internas, não há como recuar mais da proposta. Por aqui, o secretário de Planejamento, Danilo Cabral, definira o momento de desaceleração da economia como “delicado”. Já Sartori, decretara que seu Estado “está na UTI”. Em Pernambuco, a elevação da alíquota deverá vir acompanhada de outras medidas, como a redução do horário de expediente dos orgãos públicos.

Antes do aumento do ICMS , a mudança no calendário de pagamentos já havia sido providenciada. A redução do horário de expediente não precisa seguir para a Alepe


Retomada com público limitado

Publicado em 22.08.2015 às 12:22

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Pouco antes de deixar a Presidência, Lula prometera, sobre a Transposição do São Francisco: “Está previsto a gente inaugurar, definitivamente, a obra até 2012, o que será a redenção da região mais sofrida do Nordeste brasileiro”. Com a missão de levar água a 400 municípios de quatro estados, a obra teve início em 2007. A previsão de conclusão, agora, é fim de 2016 ou início de 2017, segundo o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. A despeito do atraso, a obra é emblemática para o Governo. Não à toa, a presidente Dilma entregou, ontem, a primeira estação de bombeamento do Eixo Norte, em Cabrobó. Ao lado dela, Paulo Câmara adotou postura diplomática, pregando “diálogo” no momento de crise. Mais tarde, no evento Dialoga Brasil, fechado para movimentos sociais, ligados ao PT, o socialista levou vaias das claques. No mês passado, a presidente foi alvo de vaias, durante inauguração em Santa Catarina. No esforço para recuperar a popularidade, ela vem priorizando atos fechados, como se deram os de ontem, em Pernambuco.

Recentemente, o ex-presidente Lula advertiu, em encontro com religiosos, que os petistas não podem temer vaias

Plateia aliada 
De um socialista sobre o Dialoga Brasil, comandado pela presidente Dilma Rousseff, na Blue Angel, ontem: “Isso está mais para Monólogo Brasil. Dialoga coisa nenhuma. Queria ver abrir para o povo comum. Deviam se inspirar no Todos por Pernambuco, que é aberto à população e não povoado por claque”.

Sindicatos em peso - Entre representantes do setor empresarial, que reuniram-se na Fiepe, com a presidente Dilma Rousseff, ontem, estavam: Mozart Siqueira (Brennand Energia), Paulo Sales (Baterias Moura), Renato Cunha (Sindaçúcar), Pio Guerra (Presidente da Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco), entre outros.

A bordo - Acompanharam a presidente Dilma Rousseff, no voo para Recife: o senador Humberto Costa, os deputados federais Silvio Costa, Fernando Monteiro e Luciana Santos.

Vizinhos 1 - Governador de Alagoas, Renan Filho participou da reunião que Dilma Rousseff teve com os canavieiros, na Fiepe, antes de receber membros do setor empresarial.

Vizinhos 2 - A agenda da presidente, em Cabrobó, foi acompanhada pelo governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, e pela vice-governadora do Ceará, Maria Izolda de Arruda Coelho.

Dieta Ravenna - Ao falar, no Dialoga Brasil, que uma entre quatro mulheres estão com obesidade, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, ressalvou: “Esse não é seu caso, não é presidente?! A senhora está muito bem!”. Chioro cuidou de grifar que sua esposa não teria ciúmes.

Tropa - Paulo Câmara levou seu staff em peso para o Dialoga Brasil, promovido pelo Governo Federal, que reuniu movimentos sociais, ligados ao PT. Acabou sendo vaiado. Estavam os secretários: Thiago Norões, Felipe Carreras, Milton Coelho, Antônio Figueira e Danilo Cabral.


Pressão incerta da oposição

Publicado em 21.08.2015 às 09:30

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Protocolada numa quinta, no STF, dia em que o movimento de parlamentares, em Brasília, está esvaziado, a denúncia de corrupção contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teria repercussão maior se tivesse sido formalizada no início da semana. Alicerçado em uma tropa de lideranças que se encontram em situação similar a dele, o presidente tem sido útil ainda à oposição. O próprio Cunha tem dito ter em conta 160 companheiros de plenário que possuem problema judicial como ele. Já deu o recado, traduzido nas palavras do líder da minoria, Bruno Araújo, antes mesmo que a denúncia fosse feita. “Uma eventual denúncia e vai acontecer significa que o pleno precisa se reunir para recebê-la. Depois disso, além de Cunha, outros parlamentares, deputados e senadores já respodem ação penal. É preciso saber qual o tratamento que a Câmara e o Senado dá a todos aqueles que o fazem”. Resta saber se a oposição, que tem defendido a saída de Dilma, também vai engrossar o coro pela de Cunha.

“Nós não sabemos quanto tempo isso leva”, pondera Bruno Araújo sobre o tempo para denúncia ser apreciada em plenário

Jarbas admite discutir candidatura
“O importante é fazer a pressão, agora, contra Eduardo Cunha. Eu admito discutir a candidatura (à Presidência da Câmara) depois que se consumar a saída dele”. A afirmação é do deputado federal Jarbas Vasconcelos, que, como a coluna antecipou, ainda em julho, vem tendo uma postulação à sucessão de Cunha incensada por parlamentares, como solução interna do PMDB.

Por partes - Jarbas prossegue: “Para uma pessoa que distorce tudo, como Eduardo Cunha, lançar candidatura, agora, é dar panos para as mangas para ele”. E prega: “A luta, agora, é para sensibilizar as pessoas. Ninguém vai sensibilizar pedindo voto”.

Tempo - Para o ex-governador de Pernambuco, “política tem etapas”. Na avaliação de Jarbas Vasconcelos, a etapa, agora, é de pressionar Eduardo Cunha”.


Reativando laços com empresariado

Publicado em 20.08.2015 às 09:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A lista de convidados para o encontro que a presidente Dilma Rousseff comanda, na Fiepe, amanhã, às 15h, incluiu mais de 50 nomes de setores empresariais diversos, incluindo representantes dos Grupos Moura, Fernandes Vieira e JCPM, entre outros. A agenda, organizada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, ocorre na esteira do gesto, feito pelo Planalto, a setores empresariais, na terça, quando foi autorizada a liberação de crédito mais barato, pelos bancos públicos, a empresas. No mesmo dia, Michel Temer negociava com uma frente de empresários, liderados pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o projeto que envolvia a desoneração da folha de pagamentos. Ainda ontem, a presidente ciceroneou outro grupo de empresários, antes do jantar com Angela Merkel. Em busca da estabilidade política e econômica, Dilma afere o sentimento da ala empresarial na esfera nacional e, em Pernambuco, num esforço concentrado para evitar novos traumas.

Antes de chegar ao Recife, a presidente Dilma cumpre agenda, em Cabrobó, onde entrega a primeira Estação de Bombeamento do Eixo Norte da Transposição do São Francisco

Renovando os votos 
No Nordeste, onde a presidente Dilma obteve vitória folgada, em 2014, ela conta com cinco governadores na base: Wellington Dias (PI), Flávio Dino (MA), Camilo Santana (CE), Renan Filho (AL), Rui Costa (BA) e Ricardo Coutinho (PB) – que, embora socialista, é considerado, por petistas, aliado da presidente. O grupo vinha cobrando atenção proporcional ao esforço, feito por eles, na campanha.

Reduto - Às 16h30,  Dilma protagoniza edição do Dialoga Brasil, na Blue Angel, com os movimentos sociais. Depois de ser lançado em Brasília, o programa foi apresentado em Salvador (BA). Em Pernambuco, a presidente prossegue renovando os laços com o Nordeste.

Retomada - Antes de vir a Pernambuco, Dilma Rousseff entregou imóveis do Minha Casa Minha Vida, no Maranhão, no dia 10, e passou pela Bahia, com o Dialoga Brasil.


Com discrição e nome incensado

Publicado em 19.08.2015 às 10:42

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Visto como fiador da estabilidade do governo Dilma Rousseff, o vice-presidente da República, Michel Temer, de postura cautelosa, discreta e diplomática, tem dito esperar que a gestão petista dure mais três anos e meio. Nos bastidores, um alinhamento político em torno do nome dele para assumir o cargo, caso a petista renuncie, passou a ganhar contornos mais claros. A possibilidade passa a ser sugerida, nas entrelinhas, por parlamentares. A interlocutores, Temer vem defendendo a tese de que é difícil a presidente abrir mão de concluir o mandato, mas admite que, havendo alguma insistência, também não julga impossível que ela renuncie. “O compromisso dele é com o ajuste fiscal e o ajuste está para terminar”, adverte um parlamentar, em reserva. O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, a propósito, ainda em julho, assegurara que Temer “nunca” deixaria a linha de frente das negociações entre Planalto e Congresso antes de concluir votações do ajuste fiscal em momento de “crise”.

A despeito do movimento da presidente Dilma Rousseff no sentido de recuperação, parlamentares de partidos diversos passaram a defender um governo de coalizão em torno de Temer

Alvo comum
Uma reunião da bancada do PMDB fora convocada para a tarde de ontem. Antes, um almoço reuniu lideranças do partido, no hotel Mercure, em Brasília. Foram à mesa: Osmar Terra (RS), Darcísio Perondi (RS), Jarbas Vasconcelos (PMDB), Lúcio Vieira Lima (BA), Danilo Forte (CE), Lelo Coimbra (ES) e Baleia Rossi (SP). O encontro já visava a influenciar a reunião da bancada.


Turbulências nas alturas

Publicado em 18.08.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

É nas alturas mesmo a que me refiro, via aérea, e não à altura alcançada pelas turbulências econômicas e políticas que marcam a fase atual de instabilidade no País.

Na economia e na política, mesmo quando prolongadas as turbulências, há sempre uma esperança de que um pouco adiante as coisas se resolvam, de uma forma ou de outra, e a normalidade retome o seu curso.

Assim espero que seja o desdobramento da crise brasileira de agora.

Respeitadas as regras democráticas em vigor, preservado o mandato da presidenta Dilma e recuperadas as condições de governabilidade mediante o entendimento entre as forças que governam e parcelas dos que recentemente têm contribuído positivamente, através do diálogo, em busca de uma agenda que contemple o governo, o Parlamento, o empresariado e os movimentos sociais.

Com a consciência de que o caos institucional comprometeria a retomada do crescimento econômico e a ninguém serviria.

Pois bem. Nas alturas, em pleno voo São Paulo-Recife, atravessamos um prolongado período “de instabilidade momentânea” (segundo informa, com voz melosa, a comissária de bordo), intermediado por solavancos que lembram o catabiu de um carro transitando em rua esburacada.

- São os ventos de agosto, que são muito fortes, diz a senhora ao meu lado, com voz trêmula e visível desassossego.

- Meu Deus!, exclama em seguida, assustada com um balançar mais severo da aeronave.

Confesso que essas turbulências não me incomodam, acostumado que estou com as ditas cujas. Quem vai à Brasília, por exemplo, sabe que por alguns minutos acontecem, invariavelmente.

Não me assustam certamente porque confio na segurança dos voos e, talvez, pela consciência de que nada posso fazer…

O fato é que desta vez me animei a tomar notas para registrar o episódio aqui, para estranheza da assustada passageira:

- Escreva não, moço, espere que “isso” passe, como se a minha indiferença aumentasse o nervosismo dela.

Parei de escrever.

- O senhor não tem medo?

- Não.

- Nenhum medo mesmo?

- Não, isso é normal. A senhora mesmo disse que são os ventos de agosto?

- Eu disse porque ouvi falar, mas morro de medo. Veja como minhas mãos estão geladas…

- Tenha calma, vai passar. Logo voltaremos à estabilidade e a senhora ficará tranquila.

- Tranquila, eu, nunca! Nem olho pela janela, olho mesmo é para o relógio, contando os minutos que faltam para terminar a viagem.

Realmente, para quem teme aqueles movimentos bruscos do avião a uma altura de alguns quilômetros, desta vez foi punk. Demorou uns quarenta minutos.

- Minhas mãos estão secando, avisa minha angustiada companheira de viagem. Mas logo e, seguida, arremata:

- Mas já estão gelando de novo, o senhor não está sentindo que “aquilo” está voltando!?

- Não.

- E está vendo como o vizinho aqui dorme tranquilo, nem liga!, referindo-se ao passageiro do assento da janela, cujo sono profundo, nessas circunstâncias, parece uma irresponsabilidade. Um acinte.

O medo é tamanho, que ela evita falar em turbulência ou instabilidade. Palavras tão graves como câncer e tuberculose, que minha mãe não pronunciava jamais, com receio de chamar doença.

Porém, enfim, seguimos o voo tranquilamente e eu pude voltar ao teclado do iPad sob o olhar desconfiado dela.

Veio o serviço de bordo, trocamos palavras amenas e eu pude observá-la melhor: presumíveis cinquenta anos, bronzeada, olhos esverdeados penetrantes, cabelos louros longos, traços físicos bem desenhados.

O que me leva a perceber o quanto o medo pode ofuscar a beleza de uma mulher. Sobretudo a cinco quilômetros de altura, quando há turbulências a bordo.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Nem tanta pressão, nem popularidade

Publicado em 18.08.2015 às 10:03

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Independente do volume de pessoas que foram às ruas, no domingo, a presidente Dilma bate recorde de reprovação – viu sua popularidade derreter até mesmo em redutos do PT, a exemplo do Nordeste (10% de aprovação). Os baixos índices passaram a ser verificados ainda na faixa da população, que ganha até dois salários mínimos. De acordo com a última Datafolha, os piores índices da presidente estão entre os que ganham mais de 10 salários: 75% consideram o governo ruim ou péssimo. Entre os que ganham menos de dois salários, 69% consideram o governo ruim ou péssimo. Assim como a pior avaliação de Dilma aparece no Centro-Oeste, onde 77% classificam o governo como ruim ou péssimo e, no Nordeste, 66% reprovam a gestão. Com o socorro do PMDB, a presidente respira aliviada. Mas a Lava Jato promete novos capítulos. Se não foi suficiente para fazer a cabeça dos parlamentares sobre o impeachment, a manifestação, por outro lado, não consolida recuperação da popularidade da presidente.

A diferença de uma região, onde os índices são melhores, para outra, onde são piores, é pequena, denotando homogeneidade socio-econômica e geográfica. O mesmo se dá entre faixas salariais


Sem falar a língua de todas as classes

Publicado em 17.08.2015 às 09:18

Por Márcio Didier
Da Coluna Folha Política

Pela terceira vez desde março passado, os defensores da saída da presidente Dilma Rousseff do cargo ocuparam as ruas do País. Em número reduzido em relação aos atos anteriores, os manifestantes entoaram o mesmo mote das vezes anteriores, o do “impeachment já”. Os opositores tentam reproduzir a onda de indignação que tomou conta do Brasil em 1992, quando do afastamento do então presidente Fernando Collor, mas não encontram aderência em todas as camadas da sociedade. Ou seja, na camada mais baixa da sociedade. Na prática, os organizadores dos atos não conseguem traduzir para uma linguagem popular a revolta que querem propagar. E sem essa aderência de todas as classes sociais, as manifestações ficam parecendo como sendo apenas de um grupo de pessoas com interesses contrariados, sem a força necessária para atingir qualquer objetivo traçado. Mesmo que seja tirar do cargo uma presidente com a maior rejeição da história.

Em 2013, as manifestações começaram pelas classes populares, em São Paulo

Cuidado com o andor
O deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB) fez o alerta sobre o risco das posturas radicais em virtude do momento que o País está passando. Durante a manifestação de ontem, em Boa Viagem, vários cartazes pediram a volta do regime militar. Alguns foram além, mostrando que muitas pessoas estão perdendo até a racionalidade.

Sem foco - Cinco meses se passaram desde a primeira manifestação no Recife contra o Governo da presidente Dilma Rousseff. Mesmo assim ainda há muita gente que tem dificuldade em explicar o motivo de estar protestando. Quando indagado por que está na rua, usa a resposta padrão: que é contra o PT e a corrupção no País, sem conseguir ir além disso.


Novos ajustes em pacote

Publicado em 16.08.2015 às 10:50

Por Renata Bezerra de Melo
Do Folha Política

A mudança no calendário de pagamentos do Estado e a análise de eventual aumento na alíquota do ICMS não são as únicas medidas da administração estadual para reagir à frustração de receitas. Outra medida que está em estudo e deve entrar em um pacote de mudanças é a redução do horário de expediente dos orgãos públicos. Em outras palavras, o horário de encerramento das atividades pode deixar de ser às 18h e passar a ser às 17h. A lógica é reduzir o consumo de energia em horários de pico (17h às 20h), quando o custo é mais elevado. Estima-se que possa ser alcançada, com isso, uma economia de R$ 3 milhões ao ano. A proposta é fazer uma experiência, no segundo semestre, para avaliar se vale a pena. O martelo ainda não foi batido, mas trata-se de um dos aspectos que vêm sendo debatidos pelo Conselho de Programação Financeira do Estado, diante do aprofundamento da crise. As medidas podem ser anunciadas nos próximos dias.

A medida em estudo para economia de luz não diminiu a carga horária dos servidores do Estado

Temperatura das ruas
Se muitas líderanças políticas divergiam sobre ir ou não para as ruas, hoje, durante os protestos anticorrupção, em um ponto, a maioria parece concordar: a previsibilidade desapareceu. A movimentação de hoje pode materializar, ou não, as interpretações de pesquisas, nas quais a presidente aparece como a mais desgastada da República.

Interrogação – Na passagem que fez pelo Recife, para participar da homenagem a Eduardo Campos, o senador Aécio Neves, que seguia no carro com o prefeito Elias Gomes, para o Palácio das Princesas, sapecou sobre o desenrolar da crise: “Quem disser que sabe o que vai acontecer está mal informado”.

Conselho – Elias Gomes sugere: “Se eu estivesse no lugar de Dilma, não teria dúvida: ´Implantaria o parlamentarismo e o parlamento encontraria um primeiro-ministro”.

Memória – Líder da minoria na Câmara Federal, Bruno Araújo, recorda: “É bom lembrar que a denúncia do Fiat Elba só pôde se materializar depois de uma análise da Justiça”.

Lista – “Nós temos um desmando, temos incompetência administrativa, roubo e chegamos a ter algo, do ponto de vista de pensamento, débil”, dispara Bruno Araújo.