Opinião

Evandro é nomeado. Elias adia anúncio

Publicado em 23.06.2016 às 08:23

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Passava pouco tempo do horário do almoço ontem, quando o governador Paulo Câmara recebeu, no Palácio das Princesas, o ex-secretário da Micro e Pequena Empresa, Evandro Avelar. Naquele momento, assinou o ato de nomeação do tucano para a vice-presidência de Suape. Antes de ir ao governador, Evandro esteve, na terça-feira, na casa do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes. Cuidou de comunicar ao gestor, que após analisar a conjuntura daquela cidade e calcular o pouco tempo – três meses – que resta para o pleito, preferiu ocupar o cargo técnico no Governo do Estado e abrir mão de concorrer à prefeitura. De Elias, Evandro não ouviu qualquer apelo adicional. Ainda na manhã de ontem, o, agora, vice-presidente de Suape teve uma conversa com o presidente estadual do PSDB, Antônio Moraes, que não apresentou obstáculos ao caminho escolhido pelo correligionário. O dirigente tucano também recebeu um telefonema do governador, comunicando-lhe o retorno de Evandro à gestão estadual. Na próxima semana, um encontro entre Paulo Câmara e Elias Gomes deve preceder a decisão do prefeito sobre o nome que apoiará à sua sucessão. O anúncio ficou para o dia 1º de julho.

Via Evandro Avelar, Paulo Câmara pediu conversa com Elias Gomes e avisou que a aliança em Jaboatão estará mantida

O peso do tempo
“O tempo foi passando passando. Estamos a três meses da eleição, tempo muito exíguo. Não estou lá (em Jaboatão) no dia a dia. Elias tem outras alternativas. Considerava quatro. Me preocupava muito que dissessem: `Evandro não vai (disputar) e vai acabar com o projeto`. E isso não é verdade”, observa Evandro Avelar à coluna.

(Foto: Cristiana Dias/Arquivo Folha)

Razões > Ele prossegue: “Fiz o que o coração estava mandando. Fui leal com Elias Gomes. Sentia nele apreço por mim, mas dificuldades em definir. Vou ajudar a campanha em Jaboatão. Sob nenhuma hipótese estarei longe da campanha de Jaboatão”. Evandro lembra ainda que, se houvesse alguma insistência de Elias, não se furtaria a repensar.

O jeito > E recorda: “Eu fui candidato a vice-governador sem querer, porque houve apelo de Sérgio Guerra na época (2006)”.

Sem arestas > Presidente estadual do PSDB, Antônio Moraes opinou: “Do meu ponto de vista, não traz nenhum tipo de incômodo”.

Compreensão > O prefeito Elias Gomes considerou que Evandro o “convenceu”. “Achei que não é ruim. É bom para ele, é bom para o governo e para nós. É bom para o Estado que ganha um quadro excelente. É bom para ele que não estava com esse desejo de ser candidato. Eu preferia ele mesmo era sendo candidato. Mas falei, conversei e ele botou as razões dele”.

Privacidade >
 O deputado João Fernando apresentou projeto de lei nº5632/2016, que prevê aplicação da pena de um a três anos de reclusão para quem: revelar ou divulgar, por meio de videos, imagens, internet, ou qualquer outro meio, cena de nudez ou atos sexuais, obtidos no âmbito de relações domésticas.

Argumento > Diante da denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, contra o deputado federal Eduardo da Fonte, o progressista informa que responderá “no tempo e forma devidos”, mas registra, desde logo, que “membros da CPI, que hipoteticamente, se teria desejado encerrar, ofereceram, no 25/11/2009, com a CPI em andamento, 18 representações a esse mesmo Mistério Público acusador, solicitando a adoção das providências “. Pautará defesa nisso.


Turbulência dois anos depois e explicações a dar

Publicado em 22.06.2016 às 08:31

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em agosto de 2014, ainda sob os escombros do desastre que vitimou o ex-governador Eduardo Campos e mais seis pessoas, em nota, o PSB relatara que a aeronave, de prefixo PR-AFA, “teve seu uso – de conhecimento público — autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira”. A justificativa dava-se no momento em que as informações sobre a propriedade do jato soavam conflituosas. Naquele mesmo período, extratos da AF Andrade, empresa que, para a Anac, seria dona da aeronave, entregues à Polícia Federal, davam conta do recebimento de transferências de seis empresas ou pessoas diferentes. Aprofundada pela PF, a investigação dos indicativos de que valores usados na compra da aeronave teriam origem em empresas de fachada resultou, ontem, na deflagração da Operação Turbulência. “A gente começou a perceber que o esquema era muito maior do que uma simples aquisição de aeronave”, observou, em coletiva, ontem, no Recife, a delegada Andréa Pinho. Passados quase dois anos do acidente, os empresários que autorizaram, segundo o PSB, o uso da aeronave, acabaram presos. “Detectamos que o dinheiro que saiu para compra do avião, na verdade, partiu de empresas de fachada e de pessoas vinculadas a esse dono”, detalhou Andrea. Ainda que Eduardo Campos não seja o alvo da investigação, a delegada confirma que campanhas vinculadas ao ex-governador “foram favorecidas ou, pelo menos, tiveram recursos que vieram de empresas apuradas na Turbulência”, cujo foco é uma organização especializada em lavagem de dinheiro, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões. E acabou desbaratinada no rastro do desastre aéreo, que leva o PSB a apresentar explicações até hoje.

Foram presos ainda Eduardo Freire Pessoa Leite e Arthur Roberto Lapa Rosal. Paulo César de Barros Morato está foragido

Habeas corpus
Advogado de Apolo Santana Vieira, Ademar Rigueira, que retornava, na noite de ontem, de São Paulo, deve dar entrada, hoje, em Habeas Corpus. Segundo ele, Apolo prestou depoimento ontem. “Não se furtou a colaborar, explicou tudo. Mas não há fato concreto, além de possível participação dele, que o próprio Ministério Público traz no pedido, de que não é uma participação relevante nesses fatos todos”, informa Ademar à coluna.

Interesse > Ademar assegura que Apolo não comprou o avião. “Na verdade, João Carlos (Lyra Pessoa de Mello Filho) participou diretamente da compra. Mas ele (Apolo) estava interessado em adquirir. Tentou até participar, efetivamente, de empresa, mas não foi aprovado cadastro dele”, relata o advogado.

Participação > Ademar prossegue: “Mas se João Carlos conseguisse, efetivamente, transferir o avião, que a empresa autorizasse uma transferência do financiamento, ele entraria. Ele admitiu isso”.

Sem… > Ademar também é advogado de Aldo Guedes, que foi alvo na Operação Catilinárias, e nega com veemência que seu cliente esteja comprometido com uma delação premiada, como multiplicaram-se especulações, na esteira da Operação Turbulência.

…delação > “Aldo não tem nada a ver com essa operação (Turbulência) de hoje. Não tem nada a ver. Digo a você com certeza absoluta: ´Não tem delação´. Muito menos vinculação com esse caso, que Aldo não tem nada a ver”, assegura Ademar Rigueira. E informa que Aldo encontra-se no Recife, “normal”.


Oscar Vital no comando da Perpart

Publicado em 20.06.2016 às 08:20

Por Daniel Leite
Da Coluna Folha Política

Aos poucos, o governador Paulo Câmara ajusta os espaços em aberto da sua equipe, que começou a sofrer mudanças no início do ano, com a entrada do chefe de gabinete, João Campos (PSB), no secretariado estadual. A alteração chave continua sendo a possível volta do ex-secretário estadual de Micro e Pequena Empresa, Evandro Avelar (PSB), para o Palácio das Princesas. O retorno do auxiliar, contudo, depende da definição da disputa pela Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes. Enquanto a resposta não chega, o gestor vai promovendo as alterações que podem ser feitas até lá. Neste fim de semana, ficou definido que o ex-secretário-executivo da Secretaria da Fazenda, Oscar Vital, assumirá o comando da Perpart. A alteração faz parte de uma verdadeira dança das cadeiras. A presidência da Perpart estava em aberto desde que Marcelo Barros deixou o posto para assumir a Secretaria da Fazenda. Em tempo, Oscar Vital chega à Perpart depois que Bernardo Juarez D’Almeida assumiu seu antigo posto, ao deixar a vice-presidência de Suape, cargo que foi oferecido para Evandro Avelar. Com o tempo, o quebra-cabeças de Paulo Câmara começa a ser fechado. A peça mais importante continua sendo Avelar, cujo o destino é aguardado para esta semana.

O lema entre os governistas é que cada mudança tem seu tempo certo e é preciso paciência para não errar

Encontro 

O governador Paulo Câmara (PSB) se reunirá, pela primeira vez, com o presidente interino Michel Temer (PMDB), hoje, em Brasília. O socialista espera acenos do interino sobre recursos para serem utilizados em projetos no Estado. Nas últimas reuniões com a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), o chefe do Executivo estadual não obteve sucesso.

O “rei dos selfies” > Num País dividido entre “coxinhas” e “mortadelas”, ter lado tem suas vantagens. Um dos principais defensores da presidente afastada Dilma Rousseff, o deputado federal Silvio Costa acabou se transformando quase num “popstar” da política. Por onde passa, é convidado para uma foto. “Realmente são muitos pedidos, mostra que nossa atuação foi correta”, afirma Silvio, após mais uma selfie no São João da Macambira, no sábado.

Pergunta repetida > E por falar na festa promovida pelo ex-governador João Lyra Neto, um dos mais assediados no ato foi o ex-secretário Evandro Avelar. Perdeu as contas de quantas vezes recebeu a pergunta: “Vai ser candidato?”. Misterioso, afirmava que não tinha nada certo ainda sobre a sua candidatura ou não à Prefeitura de Jaboatão.

Além da falta de verba > Com pouco mais de um mês no comando do Ministério das Cidades, Bruno Araújo avalia que os problemas no metrô do Recife não são causados apenas por falta de recursos, mas também pela má gestão no órgão. Para provar, mostra uma foto que tirou de um trecho dos trilhos, na qual o lixo se acumula. “Não venha me dizer que isso aqui é falta de dinheiro, não!”, dispara, apontando para a imagem no celular.

Matemática > Presidente estadual do PSDB, o deputado estadual Antonio Moraes, afirmou, durante passagem por Caruaru, na sexta-feira, que o partido vai “arrebentar a boca do balão” no Agreste do Estado, além de ter um bom desempenho na Zona da Mata e no Grande Recife. “No Sertão, no entanto, não tivemos tempo de nos organizar melhor”, avalia.


Evandro e Mirtes entre papo e sorrisos

Publicado em 17.06.2016 às 08:26

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Os dois são potenciais candidatos à sucessão do prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, e dividiam a mesa, ontem, em uma festa de São João da Secretaria da Fazenda e Planejamento daquela cidade. Mirtes Cordeiro, recém-exonerada da pasta, telefonou, pessoalmente, para Evandro Avelar o convidando para a comemoração, que ocorre todo ano. Ele, prontamente, compareceu ao Bar da Galinha. Trocaram sorrisos e ideias ao longo da noite. Ele é filiado ao PSDB, ela ao PPS. Nada impede que possam compor uma chapa. Mas a lógica foi invertida nos últimos dias. Se era o prefeito Elias Gomes que pensava sem pressa em quem apoiaria para sucedê-lo, agora, é Evandro que pede tempo para decantar a ideia de ser a opção preferencial. Julga ser necessário fazer consultas a amigos, familiares, lideranças e dirigentes partidários. De uma coisa, Elias tem certeza: “Até sexta (a próxima) antes de a fogueira ser acesa, vai ter fumaça”. Faz analogia com o símbolo da escolha de um novo papa. A conversa mais contundente entre Evandro Avelar e Elias Gomes deu-se essa semana. A partir daí, Evandro passou a ouvir nomes como Cleiton Collins, que figura entre os principais eleitores da cidade. Ouvirá ainda Mendonça Filho, Jarbas Vasconcelos, Eduardo da Fonte…Agora, é ele quem avalia melhor. Tem até a sexta-feira para se posicionar.

Segundo fontes presentes à comemoração, ontem, Conceição Nascimento não teria comparecido

Galinhada
O local é batizado de Bar da Galinha, mas o cardápio traz mesmo é crustáceos. O prefeito Elias Gomes não marcou presença porque estava com problemas nas cordas vocais. A comemoração do São João, promovida pela Secretaria da Fazenda, já é tradição. Esse ano, a despeito da crise, a gestão estará antecipando os salários de junho e o 13º, o que renderia motivos. Mas o destaque acabou sendo Evandro e Mirtes juntos.

Menu > A presidente afastada Dilma Rousseff chega, hoje, ao Recife. E há expectativa de que haja um almoço reservado entre ela e alguns petistas. A previsão é de que o encontro se dê entre a agenda da UFPE e o ato no Pátio do Carmo.

Tamo junto > Um dos principais conselheiros da presidente afastada, Dilma Rousseff, Giles Azevedo, que comanda a equipe que acompanha a petista no Palácio do Alvorada telefonou, ontem, para o ex-prefeito do Recife, João Paulo. Giles o convidou a acompanhar a agenda toda da petista.

Rédea > Quem também desembarca por aqui é o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Ontem, corria, entre petistas, rumores de que ele estaria disposto a tomar atitude dura, caso o diretório municipal tentasse tumultuar o processo.

Dieta > Presidente do PT em Pernambuco, Bruno Ribeiro, correu tanto, ontem, em reuniões com a Frente Brasil Popular e com a equipe precursora de Dilma que o único tempo que teve para fazer um lanche rápido foi às 16h.

Mortadela > O que deu para comer rápido foi um sanduíche de queijo mussarela com mortadela. “Foi um gesto de coerência”, brinca o presidente estadual da sigla.

Lançamento > Depois de Nova York, os cientistas políticos Antonio Lavareda e Helcimara Telles montam lançamento do livro “A Lógica das Eleições Municipais” no Conselho Europeu de Pesquisas Sociais da América Latina, em Salamanca, na Espanha, dia 29 de junho.

Retrospecto > Secretário executivo de Articulação do Governo do Estado, André Campos aponta erro no fato de João da Costa não ter sido candidato à reeleição em 2012. Avalia que ele teria vencido.


Tempo curto para esticar a corda

Publicado em 16.06.2016 às 08:30

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Presidente nacional do PT, Rui Falcão chega ao Recife amanhã para reunião com lideranças locais. Até ontem, representantes de diferentes correntes da sigla no Estado não haviam chegado a um consenso em torno da tática a ser adotada no pleito municipal. E havia quem apontasse avanço dos planos do petista José de Oliveira de lançar candidatura, o que sugeriria a realização de prévias. O detalhe é que como o ex-prefeito do Recife, João Paulo, nome defendido pelo diretório estadual, já avisou que não disputará prévias, a sedimentação de uma candidatura de José de Oliveira poderia significar a saída de João Paulo do páreo de imediato. Ainda que o diretório estadual tenha o entendimento de que prévias não seriam um bom caminho, o municipal, presidido por Oscar Barreto, não cravou posição ainda, embora o dirigente registre que vem trabalhando para não haver embate. No entanto, Oscar não descarta que José de Oliveira se coloque na disputa. A outra hipótese seria um apoio à candidatura do deputado estadual Silvio Costa Filho, alternativa que, na leitura feita por parte dos petistas, poderia acabar beneficiando o atual prefeito do Recife, Geraldo Julio. O momento não está permitindo, ao PT, disputa interna. E o tempo, até amanhã, quando haverá debate com Rui Falcão, é curto. Na presença de Rui Falcão haverá decisão? “Não. Teremos discussão”, devolve Oscar Barreto, em sinal de que a corda pode ser esticada.

Membros do diretório estadual do PT apostam numa definição até amanhã

Defesa
Oscar Barreto faz a seguinte análise sobre eventual candidatura de José de Oliveira: “Ele tem o direito e eu defendo que ele tenha esse direito. Ele está no debate”. E pondera: “Para não ter prévia, é preciso que a unidade seja bem construída”.

Números >
 Oscar adverte: “Às vezes, a gente sai ganhando e perde. A tendência das pessoas é achar que quem está à frente vai ganhar. Primeiro que isso não é uma corrida de cavalo”.

Patrulha 1 > Se cortou da presidente afastada, Dilma Rousseff, o uso de aviões da FAB, o governo interino do presidente Michel Temer, por outro lado, não abriu mão de enviar, aos atos protagonizados pela pela petista, uma equipe de segurança.


Patrulha 2 >
 O assunto foi tratado, ontem, em reunião da equipe precursora de Dilma, com o presidente estadual do PT, Bruno Ribeiro. Seis membros do governo interino de Michel Temer acompanharão a agenda de Dilma, no Recife, amanhã. “Sob pretexto de fazer a segurança”, ironiza Bruno.

Caristia >
 “A gente tinha chegado em um orçamento razoável, mas subiu um terço para atender caprichos. O acréscimo está estimado em 30% a mais. No meu sentimento, isso vem para criar dificuldades”, avalia Bruno Ribeiro e dispara: “Se segurança fosse valor relevante, ela estaria num avião da FAB”.

Cotinha >
 Dilma Rousseff vem em avião fretado pela Frente Brasil Popular. Não pernoita no Estado, mas terá direito a hotel para descansar entre a agenda na UFPE, às 13h, e o ato no Pátio do Carmo, onde ela deve chegar por volta das 17h. O hotel também está sendo bancado por meio de um mutirão.

Carta… > 
O deputado estadual Silvio Costa Filho tem mantido conversas com o deputado federal Anderson Ferreira. Os diálogos podem acabar rendendo aliança entre o PSC e o PRB no Recife.

…na manga > Anderson poderia ter o apoio do PRB em Jaboatão e teria como fazer a ponte com o PSC, presidido por seu irmão, André Ferreira, na capital.


No dia em que Teori deixou Cunha à parte

Publicado em 15.06.2016 às 08:26

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A conta chegou nos oito meses, configurando o processo mais longo da história do Conselho de Ética. A essa altura, o presidente, José Carlos Araújo, pediu calma aos integrantes do colegiado: “Senhores, por favor, já chegamos até agora, os nervos não podem estar mais à flor da pele”. Se julgava que escaparia no Conselho de Ética, Eduardo Cunha, após ver aprovado, por 11×9, o parecer a favor da cassação de seu mandato, seguiu, em nota, afirmando que reverterá tal quadro no plenário, hipótese que deputados consideram improvável. No texto, Cunha fala ainda em “manobras para adiamento” e encerra dizendo ser “inocente”. “O choro é livre”, disparou o deputado federal Betinho Gomes. O detalhe é que, no mesmo dia em que Cunha se viu derrotado no Conselho de Ética e teve a indisponibilidade de seus bens decretada pela Justiça Federal do Paraná, foi ele o único que ficou de fora de uma decisão do ministro do STF, Teori Zavascki. Teori negou, ontem, os pedidos de prisão, feitos pela PGR, do presidente do Senado, Renan Calheiros, do senador Romero Jucá e do ex-presidente da República José Sarney. Sobre Cunha, ainda não tomou decisão definitiva, deu prazo de cinco dias para manifestação do peemedebista, o que deixa em aberto a hipótese de a Justiça passar à frente da Câmara Federal mais uma vez, enquanto Cunha recorre à CCJ e o assunto ainda vai a plenário, após extensos oito meses.

“Se me perguntasse até domingo, achava que Eron votaria a favor de Cunha”, observou o deputado Kaio Maniçoba

Na torcida
Voto mais esperado, o de Tia Eron (PRB/BA) foi amplamente comemorado pelos colegas. Sentado perto dela, o deputado Júlio Delgado fechou os punhos e vibrou, como quem vê seu time vencer em final de campeonato. Tia Eron chegou à comissão em substituição a Fausto Pinato e era tida como alinhada a Cunha.



Lista Negra >
 Entre os que estavam sentados próximo a Tia Eron o deputado federal Betinho Gomes observou a lista que ela carregava em mãos. Pelo que ele notou, o papel continha o nome dos deputados que dispararam contra ela nos últimos dias. Mas concentrou a artilharia maior sobre Nelson Marchezan,  que chegou a ironizar que ela fora “abduzida”.

Planilha > O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, deve receber, hoje, o encaminhamento da bancada pernambucana sobre os cargos do Governo Federal em Pernambuco, o que há de acordo e o que há de conflito.

Compartilhado > A Codevasf desperta o interesse de até quatro nomes. Os deputados Fernando Monteiro, Kaio Maniçoba, Adalberto Cavalcanti pleiteiam espaço, mas há interesse ainda do grupo do senador Fernando Bezerra Coelho.

Imbróglio 1 > Não se descarta a hipótese de até dois parlamentares dividirem o espaço da Codevasf. Outro nó estaria relacionado à Funasa. Nacionalmente, o órgão está na cota do PTN. “Mas isso não verticaliza”, realça um parlamentar, em  reserva.

Imbróglio 2 > Parlamentares questionam o fato de o deputado Ricardo Teobaldo pleitear o espaço, uma vez que ele votou contra o impeachment.

Posse > O secretário de Micro e Pequena Empresa, Alexandre Valença, assume também o cargo de 1º vice-presidente da Fiepe na próxima segunda. A solenidade de posse será na sede da  Federação.  A nova diretoria contará ainda com o presidente Jorge Côrte Real, que permanecerá como delegado representante da Fiepe, junto à CNI.


Com as quatro patas fincadas na realidade

Publicado em 14.06.2016 às 14:05

Luciano Siqueira*

A expressão que dá título a essas breves linhas é de Georgi Plekhanov, revolucionário russo (1856-1918).

Diz respeito à necessidade inarredável de nortear a ação política sobre bases objetivas, concretas.

Melhor dizendo: raciocinar taticamente a partir da correlação de forças real, sem perder de vista os objetivos estratégicos.

No quadro político atual de crise e correlação de forças francamente adversa, o risco é aprisionar o raciocínio tático nos limites do protesto contra o impeachment, sem considerar os desdobramentos da situação.

Vale em dois sentidos: na própria abordagem da luta contra o impeachment; e na construção de alianças no pleito municipal de outubro.

Se ainda há uma chance mínima que seja de deslocar 4 ou 5 senadores da posição pró-impeachment para a resistência democrática, isto implica conversações pacientes, despidas de sectarismo e preconceito. Apenas carimbando-os com a pecha maldita dos que votaram pela admissibilidade do impeachment não chegaremos a lugar nenhum.

Demais, a esta altura do campeonato, está claro que um retorno de Dilma à presidência da República não significaria necessariamente uma retomada de condições de governabilidade. Com a composição atual da Câmara dos Deputados e do Senado isto é impossível.

Daí a absoluta necessidade de se costurar um pacto nacional, com a participação da própria Dilma e setores que lhe fazem oposição, em favor da superação da crise política via antecipação das eleições presidenciais. A fórmula jurídica seria encontrada no processo de pactuação, como bem mencionou em artigo aqui no Vermelho Walter Sorrentino.

Quanto ao pleito municipal, de um partido como o PCdoB – inspirado num projeto estratégico claro e consistente e curtido ao longo de décadas numa compreensão aguçada dos problemas táticos – o que menos se deve esperar é uma leitura mecanicista e estreita das alternativas de alianças.

Eleições municipais são um fenômeno político essencialmente local, com dinâmica própria não nacionalizada, nunca é demais repetir. E no jogo de forças local, furta-cor, a identificação da aliança mais avançada ultrapassa os limites formais das siglas partidárias.

Natural que de parcelas mais progressistas e situadas à esquerda em nosso campo, indignadas com o impeachment e mobilizadas na resistência democrática, surjam apelos a que o PCdoB estabeleça uma linha divisória rígida, excluindo do seu leque de alianças todas as legendas cujos parlamentares em sua maioria votaram pelo impeachment.

Agindo assim – como diria o inesquecível camarada Rogério Lustosa -, “iríamos todos para casa de alma lavada, mas amanheceríamos sozinhos e antecipadamente derrotados”.

Ora, o PCdoB integra frentes partidárias preservando a sua identidade e não abrindo mão do seu projeto estratégico.

Atua feito o óleo na água: juntos, porém plenamente identificáveis a olho nu.

Se a realidade concreta é multifacetada, não nos cabe “acinzentá-la” segundo nossos eventuais desejos subjetivos; mas encará-la como ela é e encontrar a melhor solução tática em cada caso, conscientes de que não há soluções ideais.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Elias pede tempo, mas vê aliança reafirmada

Publicado em 14.06.2016 às 08:23

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Um grupo de tucanos dividia a mesa, ontem, em almoço, no Bistrô & Boteco, no Recife Antigo. A ocasião tinha um propósito: debatia-se, ali, a hipótese de Evandro Avelar voltar a ocupar espaço na gestão Paulo Câmara, na cota pessoal do governador. “Ele (Evandro) não largou a candidatura e disse que não queria mais. Apenas ponderou que essa alternativa para ele era mais confortável, uma vez que ele não tem grandes experiências em eleição”, explicou, à coluna, o prefeito de Jaboatão, Elias Gomes. O gestor tucano anunciaria, hoje, o nome do candidato à sua sucessão, mas, agora, vai precisar de mais uns dias para repensar a estratégia, uma vez que foi comunicado, ontem, oficialmente, sobre os planos do governador. No sábado, Paulo Câmara telefonou para Elias, pedindo que o prefeito tivesse uma conversa com um porta-voz seu, o que ocorreu ontem. Elias pediu, então, um tempo para fazer avaliação interna. Do meio para o final da tarde, passou a fazer consultas. “Se a gente construir uma alternativa rápida e também capaz de unificar, a gente admite a liberação de Evandro. Estou trabalhando isso”, registra o prefeito. De antemão, o tucano informa que, na conversa com o porta-voz, foi “reafirmado que PSB vai estar junto do PSDB em Jaboatão”. Indagado se haveria intenção do PSB de minar o projeto do PSDB naquela cidade, Elias devolve: “Não, de forma alguma”.

Antônio Moraes, Daniel Coelho, Evandro, Elias e Betinho Gomes almoçaram juntos

Na base do entendimento
Indagado se a movimentação do Palácio das Princesas seria uma forma de minar o projeto majoritário do PSDB na cidade e alimentar uma candidatura própria do PSB, Elias responde: “Isso é completamente furado”. E resume: “O governador quer e Evandro viu com certa simpatia (voltar ao governo) e aí não quero atropelar a vontade dele”.

(Foto: Hesíodo Góes/ArquivoFolha)

Timing > Houve arrependimento por não ter batido o martelo sobre o nome de Evandro Avelar antes? “Não. Tudo é na hora, no momento certo. Não está descartada a possibilidade de ele ser o candidato. Vamos discutir aqui e, se achar que tem que ser ele, que outro nome não atende no mesmo nível, ele disse que estaria disposto”, diz Elias.

Encontro > Quem também almoçava, ontem, no Boteco e acabou encontrando-se com os tucanos foi a deputada federal Luciana Santos, que está nos preparativos para receber a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira.

Reforma 1 > Consolidado o impeachment no Senado, os primeiros passos de uma reforma política devem ser dados por Michel Temer. Essa é a avaliação do deputado federal Jarbas Vasconcelos, detalhada, ontem, em palestra para advogados no Recife.

Reforma 2 > “Dois pontos da reforma deveriam sair do papel. Um deles é a proibição de coligações proporcionais nas eleições legislativas, que, não ocorrendo, faz o eleitor votar em José e eleger Manoel. Outro é a cláusula de desempenho. É vergonhoso estabelecer que um partido tenha representação parlamentar, caso eleja um único candidato para a Câmara ou ao Senado”, analisa Jarbas

Dívida >
 Em almoço com o deputado federal Kaio Maniçoba, em Floresta, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, prometeu concluir, o mais rápido possível, a construção da Barragem da Ingazeira, no Pajeú, que solucionará a questão da escassez de água na região.


Pré-campanha no ritmo do forró

Publicado em 13.06.2016 às 08:15

Por Márcio Didier
Da Coluna Folha Política

Talvez nenhum outro município do Estado tenha uma pré-campanha tão intensa como Caruaru. Os principais nomes à sucessão do prefeito José Queiroz se movimentam ao sabor dos festejos juninos, um dos principais do País. Na abertura oficial do São João, a cúpula do PMDB esteve presente, reforçando o nome do deputado estadual Tony Gel. No sábado passado, foi a vez de o PSB lançar o vice-prefeito do município, Jorge Gomes, na disputa. Depois de retirada do páreo pelo PSB e migrar para o PSDB, a deputada estadual Raquel Lyra terá o seu ato na próxima sexta-feira (17), com o São João da Macambira.

Tanta ânsia em mostrar o peso do palanque tem razão de ser. Além do fato de o governador Paulo Câmara ter que ficar distante da disputa, por ela incluir tantos aliados, o município terá a sua primeira eleição em dois turnos e o período eleitoral será mais curto. Ou seja, quem ficar marcando passo sai em desvantagem.

Governador Paulo Câmara afirmou que vai tratar com equilíbrio a disputa de Caruaru

Roteiro da visita
Os aliados da presidente afastada Dilma Rousseff se reúnem hoje para definir o roteiro da vista que a petista fará ao Estado na próxima sexta-feira (17). No entanto, uma coisa já foi acertada: Dilma concederá entrevista à TVs públicas no Estado, como a Universitária e a TV Pernambuco.

AÇÕES > Integrante da tropa de choque da presidente afastada, Dilma Rousseff, a presidente nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos, dividirá as atenções nos próximos dias entre a defesa da petista e as tratativas finais para a sua candidatura a prefeita de Olinda. Ela diz que está tendo as conversas finais e que em 15 dias já deverá confirmar o seu nome na disputa.

ATUAÇÃO > O deputado federal Daniel Coelho (PSDB) está relembrando, no Congresso, os tempos em que militava no PV. Ele é titular na Comissão de Meio Ambiente da Casa e em pouco mais de um ano de atuação, o tucano relatou 14 projetos.

CRÍTICA > As sucessivas reeleições de vários atores políticos envolvidos em escândalos de corrupção são motivadas, na avaliação do deputado federal Severino Ninho (PSB), ao desinteresse da população com a atividade parlamentar. “O eleitorado ainda não alcançou a importância do Legislativo”.

DECISÃO > o deputado estadual Ângelo Ferreira afirma que não passará desta semana a decisão sobre se será ou não candidato a prefeito de Sertânia. Ele afirma que tudo está se encaminhado para que entre na disputa, mas ainda falta ouvir alguns aliados.

(Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco)

DE UM LADO > Apesar dos tropeços e troca de membros da equipe, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, considera que o Governo Michel Temer está politicamente consolidado. “Ele mostrou que tem uma boa maioria e terminou o mês mais sólido”, opinou, acrescentando que não crê na volta da presidente afastada Dilma Rousseff.

DO OUTRO > Se Raul Jungmann não acredita que Dilma volte, o senador Humberto Costa tem opinião de que, através de mobilizações, o presidente interino Michel Temer não se sustentará. “Por isso que nós continuamos a protestar e temos que continuar a fazê-lo para que esse governo que balança tanto definitivamente caia”.


Cálculo para não eleger nome do centrão

Publicado em 12.06.2016 às 12:19

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A despeito da resistência do presidente afastado da Câmara Federal, Eduardo Cunha, a renunciar, um outro fator tem sido apontado por parlamentares como inibidor de uma nova eleição para um mandato tampão: a oposição ao governo Michel Temer e membros da base, os quais não integram o chamado centrão, não entram em consenso. Em outras palavras, o centrão tem três nomes cotados para a disputa, mas que não possuem apoio nem PT, nem do PCdoB, nem do PSOL. Integrantes do DEM, PSDB, PPS, PSB também não querem votar em nome do centrão. Se os dois lados que se opõem ao centrão chegassem a um acordo em relação a um nome, isso catalisaria a eleição, na leitura de alguns deputados. Três pré-candidatos vêm sendo considerados pelo centrão: Rogério Rosso, Jovair Arantes e Agnaldo Ribeiro. Rosso foi o presidente da Comissão do Impeachment, Jovair, relator do impeachment e Agnaldo, líder do PP, cuja bancada votou a favor do impedimento. O PT, portanto, não apoiaria nenhum dos três. Da ala que faz oposição a Dilma, fala-se, nas coxias, nos nomes de Rodrigo Maia, Júlio Delgado e Antônio Imbassahy. Não está descartado, segundo parlamentares relatam, que as oposições a Dilma e a Temer se unam em torno de um nome e acabem contando com apoio de dissidentes do centrão. Seria um cálculo para assegurar a vitória.

Oposições a Temer e a Dilma cogitam acordo visando à eleição para presidência da Câmara

Túnel do tempo
Na mesma entrevista à TV Brasil, na qual propôs plebiscito, Dilma Rousseff atribuiu, a motivos pessoais, a saída do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, de seu governo. Mas ela mesma, em entrevista, em 2014, ao ser perguntada sobre permanência dele, sapecara: “Governo novo, equipe nova”, dando a sensação de demissão. Mantega pregara aumento de impostos.

Alavantú > Pré-candidato à Presidência da República pelo PV, o Senador Álvaro Dias desembarca em Pernambuco no próximo sábado. Terá encontros na Capital, na Zona da Mata e no Agreste.

(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Anarriê > A vinda dele estava prevista para o último dia 21. Por questão de agenda, o senador não pôde comparecer.

Bandeira> No dia 18, Álvaro se encontra com o dirigente do PV em Pernambuco, Carlos Augusto, que é pré-candidato à Prefeitura do Recife.

Balancê > Na capital do forró, Álvaro terá encontro com o deputado Tony Gel (PMDB), pré-candidato à Prefeitura daquela cidade, e que deve ter apoio do PV. Depois, circula pelo Pátio do Forró.

Climão > O deputado federal Daniel Coelho vinha dirigindo sua artilharia apenas na direção do prefeito Geraldo Julio, mas depois que o PSDB foi convidado a se retirar da gestão estadual, não poupa mais o governador Paulo Câmara. Em entrevista, na sexta, disse que a administração socialista “vai mal”.

Café > Em tempo, a coluna digital “No Cafezinho” da semana aborda os cenários da disputa municipal em Petrolina, no Recife e as movimentações no plano nacional, envolvendo o presidente afastado da Câmara Federal, Eduardo Cunha.

Turbulência > Em meio ao processo tumultuado no PSB, em torno da disputa majoritária de Petrolina, os deputados socialistas Lucas Ramos e Gonzaga Patriota seguiram para o Sertão, na sexta-feira, no mesmo voo com o governador Paulo Câmara.


Entre ter a integridade do mandato e encurtá-lo

Publicado em 11.06.2016 às 12:29

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ainda que parte da base aliada da presidente afastada, Dilma Rousseff, viesse defendendo a tese de plebiscito como caminho viável para o retorno dela ao comando do Planalto, o fato de ela própria ter pregado a convocação de uma consulta popular foi vista com surpresa por petistas em Pernambuco. Foi o caso do presidente estadual do PT, Bruno Ribeiro. O dirigente já havia dito que não aceitava tal tese, porque estava focado “defendendo a integridade de um mandato, defendendo a soberania do voto em 2014”. À coluna, ele fizera a seguinte reflexão: “Falar em plebiscito para encurtar mandato. Não é contraditório?”. Foi há cerca de uma semana, antes de Dilma falar no assunto, em entrevista à TV Brasil. Bruno registrara que na Frente Brasil Popular e no PT discordava-se da ideia “com veemência”. Se Dilma abraçou tal lógica, Bruno não muda sua posição, e observa: “Quem tem legitimidade de voto pode estar querendo consultar a sociedade novamente”. E prossegue: “O retorno dela é o marco de restauração da regra democrática. Ela foi eleita e acho que há um Congresso que interditou o governo dela. Se ela sentir que as condições de governabilidade não se dão, ela pode propor”. Bruno só vê uma pessoa com legitimidade para propor isso, que é a própria Dilma. Mesmo assim, “foi um pouco surpresa”, reforça.

Bruno Ribeiro diz ter suas dúvidas ainda sobre tese do plebiscito

Coisas separadas
Com o nome cotado para concorrer à Prefeitura do Recife João a Paulo separa as coisas ao analisar a iniciativa de Dilma de propor um plebiscito. “Minha posição pessoal é uma coisa”, inicia. Na visão dele, “ela dá uma sinalização, que é permitir o resgate da democracia, colocou uma brecha”.

Pé atrás > João Paulo, no entanto, prefere não se aprofundar na hipótese de plebiscito. “A preliminar a ser vencida é a volta dela. Primeiro, se resolve preliminar. Depois se discute isso. Não vou discutir o que nem se concretizou”, diz com cautela.

Pré-requisito > Presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte crava: “O PP vai acompanhar a decisão do governador Paulo Câmara em Jaboatão”. A posição dos progressistas tem peso, porque o deputado estadual Cleiton Collins está entre os principais cabos eleitorais daquela cidade.

Fechado > No Palácio das Princesas e no PSDB, há expectativa de que o cenário de Jaboatão esteja definido até a terça. Dia 15 é o prazo que o prefeito Elias Gomes tem dado para bater o martelo no nome que apoiará sua sucessão.

Plano B > Nos últimos dias, teria havido uma migração da tendência de apoio a Evandro Avelar e os nomes das secretárias Conceição Nascimento e Mirtes Cordeiro teriam voltado a ser considerados com mais força, porque haveria chance de Evandro vir a ocupar espaço na gestão estadual, na cota do governador.

Decidido > O Solidariedade bateu o martelo sobre o candidato majoritário da sigla, em Jaboatão. O escolhido foi Edmar de Oliveira. Havia dúvidas entre o nome dele e o do médico João Paiva. A  decisão, segundo o presidente estadual da sigla, Augusto Coutinho, foi baseada em pesquisa interna.

Na linha > O presidente interino Michel Temer falou, por mais de uma vez, nos últimos dias, por telefone com Paulo Câmara: ligou para combinar a visita ao Estado e depois para desmarcar, em função de votação no Congresso.

Lembrete > No ato contra o presidente interino, Michel Temer, ontem, no Recife, a presidente estadual do PSOL, Albanise Pires, defendeu retorno de Dilma, mas advertiu que a petista precisa voltar “trazendo as pautas que a elegeram no 2º turno”.


Elias volta ao Palácio das Princesas

Publicado em 10.06.2016 às 08:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Com o tempo correndo na direção da realização das convenções, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes, voltou, ontem, a se reunir com o governador Paulo Câmara, às 18h. O gestor tucano trabalha para construir a chapa que disputará sua sucessão. Ele não é daqueles que impõem obstáculos à composição chamada “pão com pão”. Foi defensor, inclusive, da junção Aécio Neves/Aloysio Nunes, ambos do PSDB, na disputa presidencial de 2014. A hipótese de ceder a vice ao PSB pode gerar mais uma divisão interna entre socialistas, uma vez que o nome de Heraldo Selva, atual vice naquela cidade, não une os diferentes grupos. O deputado federal João Fernando Coutinho já disse, a aliados, que não vota no correligionário para prefeito. Ambos têm o nome à disposição para encabeçar, eventualmente, uma chapa. Por outro lado, há uma preocupação de tucanos e socialistas com o empenho que a disputa eleitoral do Cabo, a qual terá Betinho Gomes no páreo, exigirá de Elias. Membros do PSDB e do PSB argumentam que o prefeito não estará em tempo integral em Jaboatão, o que implicará na necessidade de formação de uma ampla frente para dar suporte a eventual candidatura de Evandro Avelar, alternativa que tem simpatia do governador e seria a ponte para atrair o PSB, mas que estará estreando como candidato majoritário.

Antes de viajar aos EUA, representando o Congresso, João Fernando foi à mesa com Paulo Câmara

Nem me chame
Com o cerco se fechando para o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, nomes para um eventual mandato tampão passam a ser ventilados. O deputado Jarbas Vasconcelos já comunicou ao deputado Heráclito Fortes que não topa concorrer nessas condições. E reforça: “Não disputo mandato tampão”.

Enfim > A reunião do PT na qual deve ser batido o martelo sobre a candidatura majoritária de João Paulo à Prefeitura do Recife está prevista para amanhã.

Satisfação > 
Antes disso, havia previsão de que o ex-presidente Lula e o dirigente nacional da sigla, Rui Falcão, tivessem uma conversa com o deputado federal Silvio Costa, que aguarda apoio à candidatura de seu filho, Silvio Costa Filho.

Um por vez > O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho cumpre agendas, no Sertão de Pernambuco, hoje e amanhã. Nesta sexta, terá a companhia de Paulo Câmara e, amanhã, de Raul Henry. Governador e vice não podem voar juntos na mesma aeronave.

Foco > Internamente, no PSB, a candidatura de Miguel Coelho a prefeito de Petrolina é dada como certa. Há socialista lembrando, nas coxias, que tirar o projeto majoritário das mãos do grupo de Fernando Bezerra seria antecipar uma ruptura no Recife.

Curinga > A capital é, hoje, a menina dos olhos da sigla na disputa municipal. De outro lado, há quem observe o seguinte: “Perder em Petrolina, para Paulo Câmara, é ganhar”.

Jogo > O parlamentar refere-se ao fato de não ser interessante para o Governo do Estado que o senador se fortaleça naquela cidade, como também não era que Fernando Filho ocupasse espaço no Ministério de Michel Temer.

Musical > Foi de música a tarde de ontem na Câmara de Vereadores. Natural de Campina Grande, o cantor Genival Lacerda, agraciado com título de cidadão do Recife, quebrou o protocolo e cantou. A vereadora Aline Mariano, autora da proposição, também deu palinha, assim como Cezinha, Almir Rouche, entre outros.


Um dia com Fernando, outro com Gonzaga

Publicado em 9.06.2016 às 08:41

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Se foi a Brasília, ontem, para reunião dos governadores com o presidente do Senado, Renan Calheiros, o governador Paulo Câmara não deixou a Casa Alta sem passar pelo gabinete do senador Fernando Bezerra Coelho, cujo filho, o deputado estadual Miguel Coelho é pré-candidato a prefeito de Petrolina, sem que, no entanto, haja unidade da sigla, naquele município. Há uma preocupação do Palácio das Princesas em consolidar um entendimento, que parece distante, dados os depoimentos dos envolvidos. Por acaso ou não, o governador recebe, hoje, no Palácio das Princesas, à tarde, o deputado federal Gonzaga Patriota. Amanhã, os dois estarão juntos em agenda pelo Sertão. Haverá tempo para dialogar, mas Gonzaga adianta: “Não vou conversar sobre politica em Petrolina – nem Paulo Câmara vai falar comigo, nem eu vou falar com ele. Vou procurar um candidato para ganhar e, com certeza, não vai ser  filho de Fernando”. Gonzaga vai além, em sinal de que a pacificação pretendida pelo PSB, parece improvável: “Se Lucas for apoiar o grupo de Fernando, eu corto relacionamento com ele. E a gente fez parceria em 12 municípios, onde vamos apoiar candidatos a prefeito juntos”. Refere-se ao deputado Lucas Ramos, que, por sua vez, tem dito que, caso Fernando retirasse a candidatura do filho, ele lançaria o nome dele no páreo. O governador quer a construção da unidade, mas as variáveis sugerem uma inequação.

Lucas Ramos também foi recebido recentemente pelo governador

Ministro desembarca em PE

Amanhã, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, visitará Salgueiro. A agenda, no Sertão de Pernambuco, deve ser acompanha pelos governadores Paulo Câmara e Camilo Santana (CE), além de Gonzaga Patriota, que teme pelos municípios que estão à margem do São Francisco, diante do plano de redução da vazão de Sobradinho.

Linha Cruzada >
 No Palácio das Princesas, há pressa por um entendimento em Petrolina, uma vez que as convenções já ocorrem em julho. Ontem, no entanto, fontes palacianas estranharam o fato de Fernando Bezerra Coelho ter informado, em nota, que o apoio do governador a seu filho, Miguel Coelho, estava assegurado, desde já.

Detalhe 1 >
 Na movimentação em que seu partido, o DEM, foi convidado a sair da gestão estadual, alguns aspectos chamaram a atenção da pré-candidata a prefeita, Priscila Krause, entre eles, o teor da nota assinada pelo governador do Estado.

Detalhe 2 > Ela observa: “Na minha opinião, aquela nota poderia ser escrita, deveria ser feita, mas deveria ser assinada pelo presidente partidário, porque, ali, você teve uma confissão de que o Estado monta a sua estrutura e suas alianças para governador, baseado num critério de disputa eleitoral. Então, o espaço do governo é utilizado para isso”.



Likes 1 >
 No ranking de seguidores dos pré-candidatos à PCR, no Instagram, Priscila Krause aparece como quarta colocada, mas registrou o maior crescimento percentual -  passando de 3,8 mil para 5,2 mil entre maio e junho – aumento de 37,4%.

Likes 2 > 
Os números dela começam a fazer sombra para Daniel Coelho (PSDB), que tem 7,6 mil seguidores e 27,7% de aumento, no mesmo período. A pesquisa é da Paradox Zero. Os dados podem ser conferidos em paradoxzero.com/recife2016.

Mais uma>
 O senador Fernando Bezerra Coelho assumiu, ontem, a relatoria do tema “Desenvolvimento Urbano” na Comissão Mista de Orçamento (CMO), um dos colegiados de maior peso no Congresso.


Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Líder da oposição na Alepe, o deputado Silvio Costa Filho, não raro, vê governistas lembrarem que ele precisou deixar a Secretaria de Turismo, na gestão  Eduardo Campos, em razão de irregularidades em convênios firmados com o Ministério do Turismo. Se na análise de socialistas, o tema pode encabular o parlamentar e até impedi-lo de enfrentar uma campanha majoritária, ele mesmo deixa claro que não se furtará ao debate. “Quem mais quer fazer o debate ético com o PSB sou eu. Eu estou morrendo de vontade de debater ética com o PSB”, avisa Silvio Costa Filho. E prossegue: “O PSB que tem esse discurso da nova política, da política com dignidade e com decência, hoje é vítima da Operação Lava Jato”. Na condição de pré-candidato a prefeito do Recife, Silvio guarda como referência um capítulo vivido por Eduardo Campos. “Diziam a mesma coisa do ex-governador Eduardo Campos, que passou por um problema muito maior do que passei, que foram os precatórios (do qual foi absolvido pelo STF). Diziam que Eduardo estava morto na vida pública e, depois de seis anos do episódio, foi governador do Estado”, recordou o deputado, em entrevista à rádio local, grifando que teve, durante a passagem pela secretaria, “as três contas aprovadas por unanimidade pelo TCE”.

Silvio grifa ter sido escolhido pelo trade turístico como um dos melhores secretários do País

Já sem mistério
O detalhe que socialistas veem como trunfo é o fato de ter sido, exatamente, o governador Paulo Câmara o nome escolhido, na época, por Eduardo Campos, para suceder Silvio Costa Filho à frente da Secretaria estadual de Turismo. Mas, antes mesmo que a campanha tenha início, Silvio deixa claro que o assunto não é tabu ao seu ver.

Meritocracia 1 > A decisão do presidente em exercício, Michel Temer, de suspender as nomeações para estatais até que o tema seja regulamentado pela Câmara dos Deputados, está em linha com um projeto de lei apresentado pelo deputado Jarbas Vasconcelos.

(Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Meritocracia 2 > Pela proposta do parlamentar, as diretorias financeiras de empresas públicas e sociedades de economia mista federais só podem ser ocupadas por funcionários das respectivas carreiras, cujo ingresso no emprego tenha sido através de aprovação em concurso público.

Meritocracia 3 > “O projeto visa a acabar, entre outras coisas, com o aparelhamento político nas empresas públicas. Esse projeto é meritório para que se torne obrigatório que o responsável pela gestão financeira de entidade tenha, não somente uma excelente formação técnica, mas também possua raízes com a instituição”, explica Jarbas Vasconcelos.

Drible 1 > Membro titular da CCJ da Câmara, o deputado Betinho Gomes comemora o adiamento da análise do parecer do deputado Arthur Lira (PP-AL), que pode evitar uma cassação do deputado afastado Eduardo Cunha no plenário da Casa.

Drible 2 > O tucano participou diretamente da articulação que resultou na obstrução. A obstrução teve o apoio do PSDB, PT, DEM, PCdoB e PR. A pressão surtiu efeito. O debate ficou para hoje.


Ordem dos fatores pode alterar o produto

Publicado em 7.06.2016 às 08:27

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Por algumas razões, o vice-prefeito de Petrolina, Guilherme Coelho (PSDB), vem recebendo estímulos para concorrer à sucessão de Júlio Lóssio. Aliados do tucano lembram que foi o ex-deputado federal Oswaldo Coelho, que encaminhou Lóssio na política e grifam o apelo emocional que a história de Oswaldo, falecido em 2015 e pai de Guilherme, carrega. Se o grupo do senador Fernando Bezerra Coelho não abre mão da candidatura de Miguel Coelho a prefeito daquela cidade, Guilherme poderia agregar para si o apoio de outro socialista, Lucas Ramos, que teve relação com Oswaldo, cuja família votou nele. Há cerca de 15 dias, Lucas Ramos foi à mesa com Guilherme. O tucano tem procurado ouvir. Na semana passada, esteve na casa do correligionário e prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, que o incentivou a tomar iniciativa de lançar-se no páreo. “Ele disse esperar que o prefeito decida. Mas essa é só uma forma. Outra é você de colocar. Ele tem uma tradição, tem legitimidade. Na minha opinião, deveria se colocar como candidato do PSDB”, avalia o gestor de Jaboatão. O detalhe é que, nessa conta, a ordem dos fatores pode alterar o produto. Se Fernando não abre mão da candidatura do filho, por outro lado, aceita o apoio de Guilherme, que, por sua vez, se não tiver apoio de Lóssio, pode apoiar Miguel, o que resultaria na união dos Coelho.

A regra no PSB é ter candidatura própria em Petrolina. Se Miguel sair do páreo, Lucas ocuparia o espaço

Fila de espera
O ministro as Cidades, Bruno Araújo, está de mãos atadas esperando para ver como pode posicionar o ex-secretário estadual da Micro e Pequena Empresa, Evandro Avelar, quadro que ele tem na conta de um bom executivo. Poderia fazer um convite a Evandro, mas o tornaria inelegível. Bruno aguarda definição do prefeito Elias Gomes, que tem Evandro como um dos potenciais candidatos a sua sucessão.

Chamada > Ainda ontem, Elias Gomes trocou ideia, pelo telefone, com Evandro Avelar, que está viajando. O prefeito terá ainda uma conversa final com o governador Paulo Câmara.

À mesa > À noite, Elias Gomes teve encontro com um socialista, o vice-prefeito Heraldo Selva, que tem o nome no páreo para encabeçar uma chapa, caso o PSB invista em projeto majoritário próprio na cidade.

À porta > Se tem canal aberto com Heraldo, Elias Gomes também tem bom trânsito com o deputado federal João Fernando Coutinho, outro potencial candidato a prefeito de Jaboatão. Elias foi, pessoalmente, à casa de João, há cerca de um mês.

Na dele > A Elias, João Fernando não negou interesse em ser candidato a prefeito, mas grifou que, para isso, seria preciso “haver condições”. “Ele está observando o que vai ocorrer. Não vejo ação dele de forçação de barra para ser candidato”, observa Elias Gomes, à coluna.

Pronto, falei! 1 > A pauta foi, sobretudo, administrativa. Em algum momento da conversa com o governador Paulo Câmara, ontem, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, cuidou de fazer uma fala sobre o que pensava a respeito do convite, feito ao seu partido, para que se retirasse da gestão estadual.

Pronto, falei 2! > “Obviamente, minha fala, em determinado momento, foi dando clareza de que qual era minha percepção. Agora, a crise é tao grave que não vamos ficar, aqui, olhando para trás”, explica Bruno.

Embarque > O ministro quer dar prioridade ao projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe, que considera “emblemático”. Foram gastos, segundo ele, R$ 61 milhões, até aqui, em dragagem. Ele quer dar atenção especial para que o recurso investido não fique só “embaixo d’água”, não vire um “dinheiro aquático”.