Opinião

Matéria em quadro negro

Publicado por Branca Alves, em 1.04.2015 às 09:53

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Dos 49 deputados estaduais, apenas 27 votaram a favor do projeto de lei do Executivo, que trata do piso do magistério. Membro da base, Everaldo Cabral votou contra a proposta e outros ausentaram-se, entre os quais Lula Cabral, que contou com apoio maciço do Palácio para disputar a 1ª secretaria. Lula justificou que estava em entrevista à CBN. De qualquer forma, o placar não foi lá tão folgado para o governo. Sobraram vaias nas galerias, após aprovação. Do lado de fora, professores combinavam que repetirão astúcia de 2009: espalhar, nas escolas, fotos dos parlamentares contrários ao pleito da Educação. Em 2009, tensão semelhante tomou conta da relação com o governo Eduardo Campos e desembocou em greve. Paulo Câmara era titular da Administração e participou da negociação. Agora, ele aposta na data-base para distensionar. Os professores estão impacientes e o governo acuado pela condição do próprio cofre. Nem a base pareceu segura sobre jogar para frente a discussão.

O magistério, desde 2008, é regido pelo piso, cuja atualização, como pretendia a categoria, dispensaria o reajuste futuro, em junho

Outras categorias…
A impaciência dos professores tem a ver com um detalhe: o Estado não nivelou profissionais do Ensino Médio com os de nível Superior em nenhuma outra carreira. E, recentemente, deu promoções a Polícia Militar, o que torna mais difícil entender o achatamento da carreira docente. “A morte da falta de Educação é lenta e invisível”, observa a deputada Teresa Leitão.

…conseguiram – Teresa, cuja explanação foi alvo de elogios do líder do governo, Waldemar Borges, ontem, compara pleito da Educação com o da área de Saúde. “Eles (o Estado) têm medo da morte que sangra (na Saúde), mas não têm da morte lenta, do obscurantismo, dos professores desestimulados”.

Não…- Pior do que ver achatamento da carreira, na visão dos professores, foi a expectativa, gerada por Paulo Câmara, durante a campanha eleitoral.

…crie – Não que achassem que ele dobraria o salário, como prometeu, mas nutriram esperança de que contariam com solidariedade especial. Estão decepcionados.

Apesar de – Líder do governo, Waldemar Borges foi só elogios a Teresa Leitão. Disse que ela faz defesa da categoria “com muito senso de responsabilidade” e “consistência”.







Sopa de letrinhas e crivo eleitoral

Publicado por Branca Alves, em 31.03.2015 às 15:50

Luciano Siqueira*

A expressão do título não é das mais felizes. Mas costuma vir à tona quando se menciona a quantidade de legendas partidárias vigentes legalmente no Brasil – mais de 30, e mais de meia dúzia atualmente em busca de registro.

A Constituição valida a intenção de cidadãos e cidadãs se organizarem em partidos, inclusive fundando novos.

Daí a relativa facilidade com que surgem novas siglas – ou se refundam algumas preexistentes, como o PL.

Apenas relativa a facilidade, pois a julgar pela demora da Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-senadora Marina Silva, em conquistar o volume de assinaturas de apoiamento necessário, em torno de 230 mil, não é empreitada tal simples.

E já surge uma dissidência da Rede Sustentabilidade, denominada Raiz Movimento Cidadanista, em busca de assinaturas.

Não se trata tão somente de exigências legais. Trata-se, sobretudo, de consistência política, base social e capacidade de arregimentação, mesmo que a agremiação em vias de fundação careça de sólida fundamentação programática.

Em geral a crônica política associa o número aparentemente exagerado de partidos a acordos eleitorais frágeis, imediatistas, costurados em função de uma eleição. Numa próxima, novas alianças são celebradas sem qualquer relação com a anterior.

Por isso se dá destaque a regras restritivas – com a adoção de cláusula de barreira – para a representação parlamentar, como forma de inibir o surgimento de novas legendas. Diz-se combater, assim, a pulverização partidária.

Caminho falso – como todo atalho institucional desconectado da realidade concreta.

A solução real está na adoção de listas partidárias preordenadas para a disputa de cargos legislativos. O eleitor, ao votar na legenda em função das propostas programáticas que apresenta, estará alçado à condição de juiz da viabilidade desta ou daquela agremiação.

Na Espanha, por exemplo, com a queda do franquismo, de pronto surgiram pouco mais de 200 partidos, de caráter nacional e regional. As sucessivas eleições cuidaram de reduzir esse numero aos 14 hoje existentes. O eleitor fez o crivo.

Em nosso país, cláusula de barreira – artifício já negado pela unanimidade do Supremo Tribunal Federal -, impondo desempenho elevado no que se refere à votação obtida para a Câmara dos Deputados, poderia impedir a presença de correntes políticas representativas, como o PDT, o PPS, o PCdoB, o PV e outros.

Seria um retrocesso antidemocrático.

Uma manobra diversionista lamentável no quesito reforma política, escapando a questões realmente nodais como o fim do financiamento empresarial de campanhas.

Os presidentes da Câmara e do Senado anunciam uma reforma prá já, em torno de propostas que incluem a cláusula de barreira. Oxalá não vingue.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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DEM convoca para falar de fusão

Publicado por Branca Alves, em 31.03.2015 às 09:40

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Com 22 deputados na Câmara Federal, o DEM convocou reunião, para a próxima terça, em Brasília, quando levará, ao debate, a fusão do partido com o PTB, que contabiliza 25 deputados federais. Juntas, as siglas somarão 47 representantes, tornando-se a quarta maior bancada daquela Casa. Os trâmites para fusão avançam e o anúncio, ventila-se, pode ser feito já em abril. Em Pernambuco, o PTB tem seis membros na Alepe, onde o DEM é representado por Priscila Krause. Pelos números, os petebistas prevaleceriam e haveria tendência de o presidente estadual do DEM, Mendonça Filho, abrir mão do comando no Estado. Outra aresta a aparar seria o fato de o DEM participar do Governo do Estado, enquanto o PTB integra a oposição. Nacionalmente, Mendonça lidera o DEM com críticas ferrenhas ao Governo Dilma, enquanto Armando Monteiro Neto é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A relação pessoal é próxima, mas os caminhos políticos trilhados, no momento, são opostos.

Em 2014, Mendonça Filho e Armando Neto chegaram a cogitar a construção de um caminho comum na corrida pelo Governo do Estado, mas a relação do PTB com o PT inviabilizou

Checklist em Brasília
Única deputada estadual do DEM em Pernambuco, Priscila Krause recebeu convite para participar de reunião do partido, em Brasília, na terça-feira pela manhã. Na pauta, a fusão com o PTB. Ela embarca na segunda-feira. “É um xadrez que ainda não decifrei como vai ficar a situação de cada um”, observa ela, que tem boa relação com petebistas na Alepe.







Oposição, agora, vai a Janot

Publicado por Branca Alves, em 30.03.2015 às 09:27

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Depois de serem recebidos pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, os oposicionistas vão à mesa, amanhã, com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O encontro será às 17h. A oposição espera que Dilma Rousseff seja investigada. “A presidente foi citada 11 vezes nas delações”, enfatiza o vice-líder da minoria na Câmara Federal, Raul Jungmann. “Nem o impeachment, nem a inércia”, defende Jungmann, cujo partido, o PPS, protocolou agravo de instrumento para que o STF determine abertura de inquérito contra a presidente. Janot excluiu Dilma do rol de investigados, recorrendo à regra constitucional, segundo a qual não se processa chefe de Executivo por casos ocorridos fora do exercício do mandato. O PPS pede reconsideração com base em jurisprudência do STF – há decisões dos ministros Celso de Mello e do, já aposentado Sepúlveda Pertence indicando que, embora não devam ser processados, os presidentes da República podem ser investigados.

Hoje, Raul Jungmann dará entrada em mandados de segurança contra cinco acordos de leniência relativos à Operação Lava Jato







PE desacelera após recado de Dilma

Publicado por Branca Alves, em 27.03.2015 às 09:22

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Da reunião com a presidente Dilma, o governador Paulo Câmara trouxe, na bagagem, uma regra clara: o Governo Federal não irá avalizar empréstimos internacionais para os Estados. Em outras palavras, havia expectativa de captação de R$ 1,7 bilhão, por essa via, para Pernambuco – valor que, somado a outros recursos, resultariam num total de R$ 3 bilhões previstos para investimentos em 2015. Após o papo com Dilma, a esperança se desfez. “Vamos desacelerar e investir R$ 1 bilhão em 2015”, adverte o secretário estadual de Planejamento, Danilo Cabral. Ao se dirigirem a Brasília, os governadores do Nordeste até estavam dispostos a abrir mão de verbas no OGU, mas pleiteavam autorização para empréstimos no exterior. A presidente nem afiançou o pedido de crédito, nem será possível obtê-lo por meio de convênios e transferências voluntárias. Dilma chamou nove governadores para anunciar nada e transferiu para eles o ônus de convencer o Congresso a aprovar o ajuste fiscal.

A presidente convocou os governadores – sedentos de diálogo desde janeiro – para dizer que, se quiserem negociar, primeiro terão que aprovar ajuste fiscal

Endereço errado
Secretário estadual de Planejamento e Gestão, Danilo Cabral critica a cobrança, feita pela presidente Dilma, a governadores do Nordeste em relação ao ajuste fiscal. “Antes de cobrar apoio dos governadores, ela deveria convencer os parlamentares do PT, no Congresso Nacional, que se recusam a apoiar o ajuste”. E sapeca: “Quem pariu Mateus que embale!”.

Até tu! - Nem o governador Ricardo Coutinho (PB), aliado da presidente, acatou proposta, feita pelos petistas Camilo Santana e Wellingnton Dias, de expressar defesa contundente de Dilma. “Não viemos aqui para fazer defesa incondicional da presidente”, advertiu Coutinho.

Não deu - Na reunião preparatória, os governadores do PT trabalharam para que a carta entregue a presidente Dilma contivesse declaração explícita de apoio a ela.

Nem tanto - “Não houve sentimento de aprovação ou solidariedade a Dilma. Foi ato de solidariedade, em defesa do estado democrático de direito”, dispara Danilo Cabral.







Reunião com Dilma frustra gestores

Publicado por Branca Alves, em 26.03.2015 às 09:50

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O passo foi dado no sentido de cravar a disposição da presidente Dilma para o diálogo. E, naturalmente, a convocação, aos governadores do Nordeste, gerou expectativa nos convidados. Após mais de quatro horas de reunião, no entanto, os gestores saíram com um sentimento comum: frustração. Foi comentário, entre eles, na saída. Na coletiva, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante definiu como “gesto” o compromisso dos nordestinos de conversar com as bancadas de seus Estados, em defesa do ajuste fiscal. Os governadores buscam empréstimos internacionais para manter os investimentos e a presidente prometeu analisar, caso a caso, desde que o pacote fiscal seja aprovado. Mercadante foi explícito: novos investimentos só com a aprovação do ajuste. Ou seja: os governadores da região – onde a presidente obteve 20.176.579 de votos contra 7.967.846 de Aécio Neves – levaram uma série de solicitações, mas receberam foi pedido de mais “gestos” de volta.

O governo federal também sinalizou para a definição de uma política unificada de combate ao crime







Vários trocos do PMDB ao Planalto

Publicado por Branca Alves, em 25.03.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ainda que o PMDB tenha ampliado sua cota, de cinco para seis ministérios, durante o segundo mandato da presidente Dilma, peemedebistas não esconderam a insatisfação por não terem recebido pastas com maior visibilidade. Durante a eleição para presidência da Câmara Federal, o Planalto adotou estratégia, que visava, mais uma vez, a diminuir o tamanho do PMDB. Apostou em candidatura própria, rejeitando apoiar a postulação do peemedebista Eduardo Cunha. Resultado: acabou vendo o petista Arlindo Chinaglia sair derrotado. A intenção do Governo Federal de peitar o PMDB, a despeito da justificável intenção de criar distância da fama de fisiologista da legenda, passou a acarretar dificuldades à presidente. Ontem, os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, respectivamente, ambos do PMDB, lançaram uma “pauta expressa”, avisando que irão votar projetos sem a interferência do Planalto. Dilma vem pagando o preço da tentativa de descolar.

Durante a eleição para a presidência da Câmara Federal, o PT tinha opção de ter feito aliança com o candidato do PSB, Júlio Delgado, mas apostou na construção isolada







Resgate do Pacto pregado por Campos

Publicado por Branca Alves, em 24.03.2015 às 09:25

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ao lançar, em 2013, a primeira edição do FEM, quando sobravam queixas de prefeitos sobre a queda de repasses do FPM, Eduardo Campos sedimentara, ali, um discurso que empregaria ao longo de sua campanha pela Presidência da República: o do novo Pacto Federativo. Na estreia do Fundo, em Gravatá, o ex-governador carregava, a tiracolo, uma escala da redução de gastos da União com Estados e municípios, ao longo dos anos. Hoje, o Governo de Pernambuco continua fazendo a mesma comparação, baseada nos seguintes dados: Se, em 1990, 75% dos gastos com Saúde, eram de responsabilidade da União, 13%, dos municípios e 11%, dos Estados, em 2013, a União reduziu sua participação para 43%. Enquanto isso, os municípios, que bancavam 13%, passaram a 27%, e os Estados elevaram de 11% a 30%. O lançamento do FEM 3, feito, ontem, por Paulo Câmara, simboliza a reafirmação do discurso a favor da descentralização de recursos, bandeira reforçada pelo PSB no programa de TV do partido.

O FEM 2015 tem prazo até o final de 2016 para ser aplicado, que coincide com fim do mandato dos atuais gestores

Estratégia para forçar conclusão
No momento que se anuncia o FEM 3, há um saldo ainda de R$ 28 milhões, referentes à primeira edição do Fundo, ainda não aplicados. E há R$ 160 milhões, restantes da edição 2014, também esperando aplicação. Ao condicionar o recebimento do FEM 3 à conclusão das obras referentes aos anteriores, o governador está induzindo os gestores a acelerarem a conclusão de pendências.

Portfólio - Em véspera de eleições municipais, é estratégico, tanto para os prefeitos como para o governador, ter o que mostrar em 2016. A propósito, os gestores da RMR, Renildo Calheiros e Geraldo Julio levaram falta, ontem, assim como Carlos Santana.

Não foi - Outra ausência sentida, durante o 2º Congresso Pernambucano de Municípios, promovido pela Amupe, foi a de Fernando Bezerra Coelho. Teve socialista falando em “mergulho”.







Com a presidente e o ex

Publicado por Branca Alves, em 23.03.2015 às 09:55

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Atendendo solicitação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, conforme a coluna antecipou, Paulo Câmara embarca para São Paulo, na quinta. Vai à mesa com o tucano, no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Antes, na quarta, estará com a presidente Dilma Rousseff, que convocou os governadores do Nordeste, em Brasília.







No meio do caminho de Dilma, o PMDB

Publicado por Branca Alves, em 22.03.2015 às 13:45

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

Foi uma semana “pesada” para a presidente Dilma, a que passou. No domingo, um protesto que levou quase dois milhões de pessoas às ruas. Na quarta, uma pesquisa onde sua performance foi considerada ruim por 62% dos brasileiros, índice próximo ao de Fernando Collor às vésperas do impeachment. No mesmo dia, a demissão de Cid Gomes, agora ex-ministro da Educação. Depois de tudo, a presidente bem que merecia uma trégua, como propôs na segunda-feira à Nação. Mas esse cessar fogo dificilmente acontecerá. Pelo menos, enquanto a presidente contar com aliados do porte dos peemedebistas no Congresso, que trabalham, meticulosamente, na desconstrução da agenda governamental. O bloco liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em especial, que já sinalizou estar pouco disposto a cooperar. A deflagração dessa guerra é ruim para todos: desgasta a imagem do governo e prejudica a própria sociedade, uma vez que com a pauta travada, o governo Dilma não tem espaço para trabalhar.

“Aliados” peemedebistas vêm se empenhando na desconstrução da pauta traçada pelo governo federal

Ordem é não se alinhar
Na quinta, a ala do partido ligada ao deputado Eduardo Cunha fechou posição: após reunião da bancada na Câmara , a ordem é o não alinhamento com o governo. Inclusive, críticas foram feitas ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que teria sinalizado conversações e uma reaproximação com a presidente, apesar das restrições da bancada ao ajuste fiscal.

Revezamento – Aliás, a “briga” entre Renan e Cunha é questionada. A impressão que se tem é que existe um “revezamento” nas críticas e elogios à presidente. Se em um momento Renan pega pesado, no outro Cunha dá uma alisada. É um morde e assopra sem fim…

Difícil – Peemedebistas vêm tendo dificuldade em se identificar com o partido. Jayme Asfora tem dito que o PMDB de Cunha e Renan não o representa. O deputado estadual Ricardo Costa também.







Ao que interessa: pauta positiva

Publicado por Branca Alves, em 21.03.2015 às 12:25

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Dois dias depois de pesquisa Datafolha apontar rejeição de 55% a presidente Dilma Rousseff no Nordeste, a petista convocou reunião com os governadores da região. O governador Paulo Câmara encontrava-se, no Sertão, ontem, na agenda do Todos por Pernambuco, quando recebeu telefonema do chefe do executivo estadual da Paraíba, Ricardo Coutinho, avisando que a presidente receberia os nove gestores na próxima quarta-feira. Ainda em vida, Eduardo Campos repetira, algumas vezes, na pré-campanha, que o Nordeste dera, em 2010, 10 milhões de votos de diferença a petista. Juntando Norte e Nordeste, ela teve 22,2 milhões de votos contra 10,6 milhões de José Serra nas mesmas áreas. No ano passado, obteve vitória folgada no Nordeste – levou 20.176.579 de votos contra 7.967.846 de Aécio Neves. Se em setembro de 2014, a presidente tinha 45% de “ótimo e bom” na região, esta semana apareceu com apenas 16% de aprovação. Acendeu o sinal amarelo e ouvir os porta-vozes de cada Estado é passo decisivo para partir para uma agenda positiva.

Na segunda-feria, após os protestos, o ministro Miguel Rossetto chegou a afirmar que só os adversários da presidente Dilma foram às ruas. A pesquisa apontou 62% de reprovação







O cafezinho foi com Geraldo

Publicado por Branca Alves, em 20.03.2015 às 09:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O cafezinho foi solicitado por Paulo Câmara, mas quem baixou, ontem, no gabinete de Fernando Bezerra Coelho, em Brasília, para tomar um, foi Geraldo Julio. Da última vez que esteve, na capital federal, Paulo não estava em agenda administrativa e acabou visitando o ministro do STJ, Francisco Falcão. Agora, o governador comanda o Todos por Pernambuco. Na véspera da reunião da Executiva Nacional do PSB, que traçará, hoje, um planejamento estratégico do partido, Geraldo e FBC, integrantes da cúpula nacional, cuidaram de afinar o discurso. Levaram à mesa temas relacionados às eleições de 2016, passando pela possível travessia de Marta Suplicy para o PSB e pelas chances de ela vencer a corrida pela Prefeitura de São Paulo, assim como as de Romário ao concorrer no Rio de Janeiro. Nesse caso, o PSB agregaria o comando de importantes capitais: Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao menos, esse cálculo anda sendo levado à ponta do lápis.

O momento em que o PSB traça metas, na condição de independente, é o mesmo em que Lula procura Paulo Câmara para trabalhar uma aproximação

Perto do prazo final
Marta Suplicy estabeleceu a primeira quinzena de abril como prazo para definir se ingressa ou não no PSB. Ainda falta uma conversa com Lula. Caso dispute a prefeitura de São Paulo pelo PSB, pode vir a ser opção de Geraldo Alckmin no 2º turno. Socialistas contam que o tucano estará jogando com duas cartas, visando a tirar Fernando Haddad do páreo.







Educação na pauta de Unger e Henry

Publicado por Branca Alves, em 19.03.2015 às 09:17

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Era tarde de ontem, quando o tempo fechou na Câmara Federal, resultando na demissão do ministro da Educação, Cid Gomes. Mas enquanto entornava, no Congresso, a agenda negativa sobre o Governo Federal, o ministro Mangabeira Unger, na secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, trabalhava uma pauta positiva envolvendo Educação. À mesa, com ele, estava o vice-governador Raul Henry (PE). Ciente de que o peemedebista é estudioso do assunto, Mangabeira quis ouví-lo e debater projetos para o Nordeste, voltados ao desenvolvimento econômico e social. Mestre em Gestão Pública com tese focada em Educação Pública, Henry foi secretário de Educação, titular da Comissão de Educação e relator da Lei de Responsabilidade Educacional. Unger assessora a presidente no planejamento e formulação de políticas públicas. Raul integra o PMDB – sigla que ameaçou deixar a base, caso Cid permanecesse, e que tem o apoio do grupo de Lula para ganhar espaço na Esplanada.

Com a saída de Cid Gomes, passou-se a ventilar que o ministro Aloizio Mercadante pode ser conduzido para a pasta de Educação

Um alô de Cid na…
Antes de estar com o ministro Mangabeira Unger, Raul Henry foi à mesa com o vice-presidente da República, Michel Temer. Foi a primeira vez que os dois se encontraram, desde 2014, quando o pernambucano coordenara o movimento “PMDB Independente” – contra a aliança do partido com o PT. Enquanto aguardava a audiência com Temer, recebeu telefonema de Cid Gomes.

…antessala - O ministro deixava o Ceará quando discou para Henry, retornando ligação, feita por Raul, há uma semana. Justificou que estava doente e agradeceu o apoio recebido, enquanto estiveram, nos EUA, até 8 de março. Disse que foi um prazer e avisou que seguia para Câmara.

Apoio 1 - Ainda nos EUA, Henry percebera a angústia do ministro com a gravação de suas polêmicas declarações. Admirador do trabalho de Cid na Educação, o peemedebista comprometera-se a ajudar.

Apoio 2 - Raul, então, telefonou para os líderes Mendonça Filho, Raul Jungmann e Bruno Araújo. Defendeu que Cid merecia um crédito e que, ele saindo, o Brasil pagaria o preço.

Apoio 3 - Os três admitiram que um pedido de desculpas resolveria. Henry retornou para Cid, que não atendeu. Ontem, como quem já sabia que deixaria o ministério, ligou agradecendo.







Debate e não-debate nas redes

Publicado por Branca Alves, em 17.03.2015 às 13:30

Luciano Siqueira*

Quem frequenta as redes sociais e se liga no conflito político, sabe. Vê, toma partido, opina ou, a depender dos termos em que a peleja se expressa, até se afasta. Porque o mau humor é uma das marcas negativas nesse imenso espaço que se abre ao livre debate.

É o caso da esdrúxula proposta do impeachment.

Quem a defende, em geral usa linguagem agressiva e até desrespeitosa para com a presidenta, o seu partido e os internautas que a apóiam.

Tirante as expressões de baixo nível, entretanto, defender o impeachment é uma manifestação de opinião legítima. Se há pessoas que pensam assim, que tragam à luz o seu ponto de vista.

Qual a base jurídica para um processo de impeachment apoiado fundamentalmente no inconformismo em relação ao resultado das eleições presidenciais? Qual a sustentação política para o preconceito e o ódio? À falta de argumentos, opta-se pelo desaforo.

Do outro lado da rua, os que legitimamente pugnam pelo respeito ao pronunciamento das urnas de outubro e defendem o mandato da presidenta Dilma, têm o dever de apresentar seus argumentos – ao invés de simplesmente desancar os oponentes.

No debate democrático das ideias não vale a consigna “quem com ferro fere, com ferro será ferido”.

Também não dá para circunscrever a disputa a uma guerra de “cards”. Pois se é certo que uma boa imagem às vezes vale mais do que mil palavras, há questões que só se esclarecem se as ideias forem explicitadas.

Ergo aqui a minha faixa: “Menos cards e mais argumentos!”

E dentro das minhas limitações, opino e dialogo com quem opina. Sempre respeitando as diferenças.

Mais ainda agora que o Brasil vive um instante de grandes tensões, refletindo o conflito incontornável de interesses entre a oligarquia rentista e setores mais retrógrados do capital versus os interesses da maioria dos brasileiros. Esse conflito – por trás do biombo do combate à corrupção – é da essência da transição da ordem neoliberal herdada de FHC a um novo projeto de desenvolvimento do país, iniciada no primeiro governo Lula e que prossegue com Dilma.

Ora parece morno, ora se acirra. Nesses doze anos e meses, nunca esteve tão acirrado.

O embate está nas redes. Uma pesquisa encomendada pela BBC Brasil revela que em mais de 2 milhões de citações online nas últimas duas semanas, falou-se quatro vezes mais de temas políticos do que em baboseiras como o Big Brother da Globo.

E ganha as ruas – vide as manifestações de sexta-feira e domingo, que tendem a se repetir.

Que assim seja – de modo consistente, democrático e num ambiente de rico e intenso confronto de ideias.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Ouvindo os que “batem panelas”

Publicado por Branca Alves, em 17.03.2015 às 09:50

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Depois de colocar os ministros Miguel Rossetto, José Eduardo Cardozo e Eduardo Braga para falar e de ver Aécio Neves tachar de “covardia” o seu silêncio, a presidente Dilma Rousseff parece ter percebido que um pronunciamento seu seria indispensável. Se, na semana passada, depositou o tarifaço nas contas da seca e da crise internacional, ontem, ela ensaiou admitir “erros de dosagem”. “É possível que a gente tenha cometido algum”, sugeriu. Os aumentos da luz, do combustível, do gás de cozinha afetam o bolso e o humor da população, sobretudo porque, na campanha, a presidente pregara otimismo. Por coincidência, voltando à tribuna, ontem, 30 anos após deixar a Câmara Federal, Jarbas Vasconcelos apontara como caminho para o governo “admitir os próprios erros”. Aécio e Jarbas integram a oposição, que apresentou liga com a parcela insatisfeita da população. E, se depender do ministro Cardozo, “os que batem panelas devem ser ouvidos da mesma forma dos que aplaudem”.

“Não vislumbro nenhum tipo de risco institucional, como ocorre em outros países vizinhos, assombrados pelo bolivarismo” ressaltou Jarbas Vasconcelos na tribuna