Opinião

Duas frentes de luta simultâneas

Publicado por Branca Alves, em 30.06.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Num cenário marcado pela mescla de verdades objetivas e muita tergiversação, tendo como fio da meada a disputa pelo governo da República, trava-se neste instante ingente batalha em duas trincheiras simultâneas.

O governo foi objeto de disputa no pleito de outubro do ano passado, a presidenta Dilma se reelegeu democraticamente, porém as forças derrotadas, na ânsia de reverterem a todos custo o ciclo de mudanças desencadeado em 2003, quando do primeiro governo Lula, pôs em marcha trama ora subterrânea, ora barulhenta, para interromper o segundo do mandato da presidenta.

Isto ao velho estilo udenista, que vitimou Getúlio, tentou impedir a posse de Juscelino e derrubou Jango. Um consórcio reacionário entre partidos capitaneados pelo PSDB e lastreado na grande mídia monopolista.

Uma trincheira tem como destaque a chamada Operação Lava Jato, que poderia operar no sentido do combate real e republicano à corrupção, punindo exemplarmente os corruptos, mas se desvirtua através do desrespeito à ordem jurídica vigente e proporciona escancarado uso político, tanto pelos sucessivos “vazamentos” seletivos de informações, como pela tentativa de atingir, por caminho elíptico, Dilma e Lula.

Concomitantemente, as mesmas forças que dela se beneficiam impedem que a patética reforma política em andamento no Congresso Nacional inclua a supressão do financiamento privado empresarial de campanhas eleitorais, que cortaria pela raiz uma das causas da corrupção institucional.

A outra trincheira mira a economia. O intuito é sabotar o ajuste fiscal indispensável ao equilíbrio das contas públicas e a retomada do desenvolvimento em seguida. A votação no Congresso se dá a conta-gotas e mediante todo tipo de manobra sorrateira e demagógica.

As oposições não oferecem solução para a crise, tentam aprofunda-la, sem qualquer compromisso com o País e a maioria da população.

Sábado último, dirigentes do PCdoB, PT e PSOL e de entidades nacionais como a UNE e o MST realizaram reunião preliminar destinada a constituir o Grupo Brasil, empenhado na defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores e da democracia.

Essa articulação seguirá agora em julho que se inicia.

Pode ser um fator dinâmico de sentido e base popular. E ocupar o vazio relativo decorrente do esgarçamento da coalizão governista.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Jogo não está jogado no PSDB

Publicado por Branca Alves, em 30.06.2015 às 10:10

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Não necessariamente o deputado federal Jarbas Vasconcelos tentará retornar à Prefeitura do Recife, como aliados têm projetado. Geraldo Alckmin, por sua vez, pode, até, não deter o controle do PSDB – hoje nas mãos de Aécio Neves – mas governa o maior eleitorado do País e tem se mexido, ainda que sem sair de São Paulo, em busca de apoios rumo a 2018. O núcleo político do tucano tem feito esse trabalho de convidar lideranças nacionais para trocar de ideias no Palácio dos Bandeirantes. O convidado de ontem, como a coluna antecipou com exclusividade, foi o ex-governador de Pernambuco, que já votou em Alckmin para presidente, em 2006. Referência nacional, Jarbas costuma ver sua voz ecoar, quando solta o verbo. Foi ele, em março de 2012, que plantou a semente do projeto presidencial de Eduardo Campos, em entrevista a Fernando Rodrigues, do UOL. Cravou, ali, que o socialista era candidato ao Planalto e traçou algumas estratégias, as quais Eduardo seguiu. Foi dito e feito.

Na entrevista, em 2012, Jarbas cravara: “Ele (Eduardo Campos) tem que sinalizar que as práticas dele são diferentes das do PT. Porque Lula tem uma boa avaliação, mas o PT não tem”

Com um pouco de arte
Geraldo Alckmin aproveitou a ocasião do almoço para apresentar as obras de arte do Palácio dos Bandeirantes a Jarbas Vasconcelos, que é apreciador e colecionador. Após o encontro, o pernambucano, por meio de nota, resumiu ter tratado “da situação política atual do País agravada com as delações premiadas da Operação Lava Jato”.

Peso 1 -Ex-governador de São Paulo, José Serra já relatou, ao deputado federal Bruno Araújo, se sentir responsável por ter estimulado candidatura de Jarbas Vasconcelos ao governador, em 2010. Disse considerar Jarbas tão importante que deveria ter tido sua história preservada.

Peso 2 – No contexto em que fez espécie de mea-culpa, em relação ao palanque armado para ele por Jarbas, em 2010, José Serra ponderou que, se pudesse, teria evitado estimular a candidatura.







Um silêncio que inquieta o País

Publicado por Branca Alves, em 29.06.2015 às 09:28

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

A delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC, foi grave. Ao citar a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, o empreiteiro complica os gestores, afirmando que houve caixa 2 nas últimas campanhas e que parte do dinheiro veio da Petrobras. A reação petista, desesperada, chama atenção. Em vez de tentar provar sua inocência, caciques do partido produziram um documento em que culpam e reprovam a Polícia Federal por fazer o que deve ser feito. Uma forma de desvirtuar a realidade, reproduzindo o discurso batido, e pouco convincente, de que o PT é vítima de perseguição da PF e da imprensa burguesa. O que não cola, convenhamos. Mas o que espanta mais, após revelações tão fortes, é o comportamento da oposição. Até agora, dois dias depois, nenhuma grande liderança política se manifestou para dizer qualquer coisa sobre o episódio. Um silêncio estranho e incômodo. Será que esperam que a Justiça faça alguma coisa? Ou será que  têm algo a temer?

Mas o que espanta, depois de revelações tão fortes, é o comportamento da oposição  que não se manifestou até agora.

Reunião convocada 
Apesar do silêncio aparente,  foram intensos, durante o final de semana, os telefonemas entre parlamentares que querem ver Dilma e os petistas afastados. E amanhã, os representantes da oposição vão se reunir para ver o que farão diante do caso. A reunião deve acontecer no gabinete de Aécio Neves, em Brasília.







Jarbas vai à mesa com Alckmin

Publicado por Branca Alves, em 28.06.2015 às 12:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política 

O mesmo deputado federal Heráclito Fortes (PSB/PI), que ofereceu jantar, no último dia nove, ao governador Geraldo Alckmin, em Brasília, articulou almoço, agendado para amanhã (29), entre o tucano e o deputado federal Jarbas Vasconcelos. Os dois devem ir à mesa, pontualmente, como é costume do ex-governador de Pernambuco, às 12h30, no Palácio dos Bandeirantes. Jarbas fará uma parada em São Paulo, exclusivamente, para isso. Alckmin vinha costurando essa conversa desde maio. Potencial candidato à Presidência da República, em 2018, o paulista deu expressiva votação a Aécio Neves, em 2014, levando o mineiro a superar, em sete milhões de votos, a presidente Dilma Rousseff, em São Paulo. Jarbas, além de ser uma liderança nacional – e o ex-governador José Serra também costumava ouví-lo – tem tido o nome incensado para disputar a Prefeitura do Recife. O detalhe é que não sendo Jarbas ocupante de cargo executivo, não dá muito para dizer que a agenda dos dois será administrativa.

Caxias com a agenda de votação da Câmara Federal, Jarbas avisara que só poderia estar em São Paulo, numa segunda-feira ou numa sexta-feira, o que fez com que o almoço demorasse a ser marcado

Encontros e desencontros 
Faz exatos dez dias que Geraldo Alckmin foi anfitrião do prefeito do Recife, Geraldo Julio, em almoço. Antes disso, há mais de 20 dias, Jarbas Vasconcelos viajara, a passeio, para Buenos Aires, durante o feriado de Corpus Christi. Enquanto conferia antiquários por lá, esbarrou no deputado federal tucano, Daniel Coelho. Os dois acabaram jantando juntos por lá, naquele mesmo dia.

Gás - Nas coxias da política e do meio empresarial pernambucano, circulam apostas sobre uma chapa que uniria Jarbas Vasconcelos e Daniel Coelho, em 2016. O PSDB, durante a convenção municipal, no dia 14, cravou o plano de “eleger o prefeito do Recife”. Muita água vai rolar.

Varinha - Um dos articuladores da quase fusão do PSB com o PPS, que amarraria socialistas ao PSDB – rumo a 2018 – Geraldo Alckmin tem poder de interferir nas alianças municipais.







Kassab já veio em silêncio

Publicado por Branca Alves, em 27.06.2015 às 12:46

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Antes de desembarcar, para agenda administrativa, em Pernambuco, ontem, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, passou pelo Estado, há cerca de um mês, em “pit stop”, que durou uma hora e meia – apenas para conversar, a sós, com o governador Paulo Câmara. Aquele compromisso não fora divulgado. Kassab, além de ministro, é ex-prefeito de São Paulo, e sua relação com Paulo Câmara foi rapidamente construída em decorrência da afinidade que o pessedista tinha com Eduardo Campos. Kassab costuma dizer que duas pessoas foram muito importantes na construção do PSD: a presidente Dilma Rousseff e Eduardo Campos. Quando havia dúvidas em relação ao tempo de TV que a sigla teria, Campos “colou” o PSB no PSD garantindo, no mínimo, o apoio dos socialistas a quem ingressasse. Kassab é presidente nacional licenciado do PSD e Paulo, vice-presidente nacional do PSB. Após a assinatura dos convênios, ontem, foram à mesa em reunião reservada e, naturalmente, com política em foco.

Ao microfone, o secretário das Cidades de Pernambuco, André de Paula cuidou de ressaltar que Kassab foi o primeiro dos ministros visitados por Paulo Câmara

Ninguém tem paciência comigo 
O prefeito Renildo Calheiros não assinou convênio com o Ministério das Cidades, ontem, mas marcou presença, na cerimônia no Palácio das Princesas. Secretário das Cidades, André de Paula, ao saudar os prefeitos contemplados, esqueceu, por um segundo do gestor comunista e, logo, retratou-se: “Eu ia esquecendo do prefeito mais importante de Pernambuco: Renildo Calheiros!”

VIPs - Renildo não fora beneficiado no pacote dos R$ 303 milhões, anunciado pelo ministro, mas participou da conversa, a portas fechadas, com Gilberto Kassab, após a solenidade. Além dele e do governador, foram à mesa: André de Paula e o presidente da Compesa, Roberto Tavares.

Trio - Assinaram convênio, ontem, na área de saneamento e abastecimento, com o Ministério das Cidades, no Palácio das Princesas: Timbaúba, Garanhuns e Arcoverde.







Quem te viu quem te vê

Publicado por Branca Alves, em 26.06.2015 às 09:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Há cerca de uma semana, o ex-presidente Lula disparou duras críticas à presidente Dilma Rousseff e ao PT, em conversa que vazou. Na terça-feira, a presidente cuidou de saudar a mandioca: “Estou saudando a mandioca. Umas das maiores conquistas do Brasil”. Foi durante o lançamento dos Primeiros Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, quando também enalteceu a bola de folha de bananeira: “Esta bola é símbolo da nossa evolução, porque nós nos transformamos em homosapiens ou mulheres sapiens”. A descontração gerou risadas. A presidente é conhecida pela forma dura de tratar até os aliados. Impôs essa marca ao longo do primeiro mandato, mas colheu tempestade no Congresso. Vem sendo obrigada a ceder. Ontem, na esteira dos fatos curiosos que vem rondando o governo, o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, conhecido por armar derrotas para a presidente resolveu repreender os parlamentares em defesa da gestão. “Tudo tem limite”, advertiu. Quem te viu, quem te vê.

Eduardo Cunha criticou os parlamentaes pela aprovação da emenda que permitiu aumento salarial de aposentados e pensionistas. Defendeu sinalização ao mercado







O que agrava o incômodo

Publicado por Branca Alves, em 25.06.2015 às 09:26

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O desconforto para o PDT pernambucano diante do episódio envolvendo a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) se torna maior por um detalhe: a corrente que apoiou a candidatura de Armando Monteiro Neto ao Governo do Pernambuco foi acomodada em espaços ligados ao Governo Federal. O petebista não saiu vitorioso na disputa, tornou-se ministro, mas seus aliados contaram com a atenção que a outra ala da sigla, que apoiou Paulo Câmara, esperava ter do Governo do Estado. Além de Paulo Rubem Santiago, que foi candidato a vice de Armando, o presidente da Juventude Socialista do PDT, Túlio Gadelha, também foi contemplado. Paulo Rubem assumiu a presidência da Fundaj e Túlio preside a Fundacentro, organismo ligado ao Ministério do Trabalho. Isso torna ainda mais difícil para o presidente do PDT-PE, Wolney Queiroz, justificar ao seu grupo o fato de, até agora, não ter sido atendido no caso da Arpe. Enquanto petistas ainda esperam, pedetistas foram acomodados.

Feita a solicitação de um nome a Wolney para a Arpe, agora, o Governo do Estado recuou e entregará a presidência da Agência ao prefeito Ettore Labanca. Deu-se o impasse







Sem solução para o PDT

Publicado por Branca Alves, em 23.06.2015 às 12:55

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Como fora combinado, na semana passada, o presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz, foi à mesa, ontem, no Palácio das Princesas, com o secretário da Casa Civil, Antônio Figueira. O martelo não foi batido sobre a acomodação do PDT na Arpe ou em demais estruturas, como fora cogitado. O detalhe é que os pedetistas já vinham com o pé atrás em relação ao Governo do Estado. Demoraram a indicar um nome para a Agência, que, por sua vez, foi das últimas opções que restaram, na máquina estadual, a serem preenchidas. O PDT já não se sentia, de todo, contemplado na PCR, onde indicou o titular de uma secretaria-executiva de Direitos dos Animais, apesar de o grupo dos Queiroz ter enfrentado a cúpula do partido para apoiar a candidatura de Geraldo Julio. Não que o PDT tenha nada contra Ettore Labanca assumir a Arpe, mas, nas hostes pedetistas, há um sentimento de que que a sigla andou escanteada na composição da gestão Paulo Câmara. E, agora, essa sensação foi reforçada.

No PDT, restou a sensação de que o partido foi o último a saber da mudança de planos para o comando da Arpe, que não mais ficará com o partido

Seguem para o forró
O senador Humberto Costa segue, hoje, para Caruaru, vai circular pelo São João da Cidade, na companhia do senador Douglas Cintra e deve ser recebido também pela equipe do prefeito José Queiroz. O senador Armando Monteiro Neto também foi convidado para prestigiar a festa na capital do forró, mas ainda não confirmou a data. O governador Paulo Câmara ficou de ir amanhã.

Verba - O ministro Gilberto Kassab é esperado, em Caruaru, amanhã. Tem audiência com o prefeito José Queiroz sobre a obra da ponte Miguel Arraes. A prefeitura quer tentar viabilizar recursos com o Ministério das Cidades. A ideia vem desde a gestão Eduardo Campos, mas não se concretizou.







Algo de novo nas relações

Publicado por Branca Alves, em 22.06.2015 às 09:24

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

O formato das relações entre o Estado, o capital privado e os politicos foi severamente abalado na última sexta-feira, ocasião em que foram presos dois dos mais importantes executivos do País. As prisões revelam que algo se rompeu no modelo tradicional, que vinha sendo perpetuado desde os anos 1950. Mudança que foi formatada na Constituição de 1989, e que só na última década ganhou dimensão, com o papel assumido pelo MP e pela PF. Nos últimos anos, é com uma certa surpresa que o brasileiro vê figurões, antes intocáveis, serem envolvidos em processos penais e policiais. Afinal, eles foram protagonistas do “desenvolvimento” do País, com seus nomes associados a obras monumentais. Começaram a parceria com o governo JK. Na ditadura militar viveram uma lua de mel: construíram a hidroelétrica de Itaipu, a ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, só para citar algumas obras. Recentemente, foram os responsáveis pelas obras das arenas que sediaram a Copa 2014 e pelos sistemas de mobilidade nas capitais.

Nos últimos anos, é com uma certa surpresa que o brasileiro vê figurões, antes intocáveis serem envolvidos em processos penais e policiais

Um certo Sérgio Moro
Poderosas, as empreiteiras sempre estiveram intimamente ligadas a governos e governantes. Políticos e partidos. Foram essenciais para o desenvolvimento. Mas dele se beneficiaram alem da conta. Essa relação, ao que tudo indica, terá que mudar diante da determinação do procurador Sérgio Moro e de sua equipe. Terá que ser mais transparente. E mais ética.

Tremer - Aliás, além dos empresários, surpreendidos com a dureza da turma de Moro, há quem afirme que o Congresso vai tremer. Agora, asseguram políticos, chegou a vez de parlamentares do PMDB, PSDB e PT, principalmente, encararem a lei.

Ex - Há quem diga que nenhuma instância do Legislativo, Judiciário ou Executivo brecará a ação dos promotores do PR. Isso significa que até ex-presidentes, poderão ser alcançados pela Lava Jato.







A construção que não foi feita

Publicado por Branca Alves, em 19.06.2015 às 10:10

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O dia terminou, ontem, sem que o projeto que revê as desonerações fosse votado, ao contrário do que esperava o governo. E ainda que o ministro Joaquim Levy tenha expressado rejeição a exceções, a saída para o governo foi ceder, menos por falta de apoio da base e mais por ausência de construção política, segundo entendem os próprios aliados. A retirada do incentivo, na análise da deputada Luciana Santos, “merece uma engenharia política muito maior e, já que o governo não fez isso, quem está fazendo é a Câmara, de maneira enviesada”. Na leitura da comunista, o governo “deveria ter pilotado e não precisava ser junto ao parlamento, mas junto ao setor produtivo”. Ela realça que os setores carregam muitas diferenças entre si e que não tem como a cessão ou retirada se dar de forma homogênea. Mas, na ausência dessa construção, a presidente acenou positivamente para os planos de Levy e terminou tendo que ceder, diante da pressão política da própria base.

Luciana lembra que a desoneração da folha de pagamentos integrou o Plano Brasil Maior, que participou da votação e defende “o caminho, lá atrás, deveria ter sido o da construção seletiva”

Aqui e agora 
Se Luciana Santos enxerga déficit de construção política, outro aliado da presidente Dilma, o deputado Eduardo da Fonte percebe como “erro de planejamento”. Na leitura do progressista, deveria ter sido estabelecido prazo, quando deu-se a desoneração. “Não teve nem planejamento, nem construção política. Fizeram isso lá atrás, sem pensar no amanhã”, avalia.

Apoio - Se fosse aprovado como o governo quer, o projeto que revê as desonerações renderia R$ 12 bilhões. “Essa mão de obra todinha que dá para R$ 12 bilhões…O que está em jogo é a classificação de risco do Brasil”, observa Eduardo da Fonte. “O governo precisa sinalizar para o mercado”.







Uma brechinha ali, um jeitinho aqui

Publicado por Branca Alves, em 18.06.2015 às 09:36

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Logo no início do debate, a comissão especial, instituída para debater a Reforma Política, na Câmara Federal, foi atropelada, e o relator foi destituído. Na sequência, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, ligou a seta para o lado do distritão, mas o resultado que obteve foi apenas a manutenção das velhas coligações e a implantação de uma cláusula de desempenho, tachada de “ridícula” por parlamentares (basta ao partido ter um representante em um das duas casas). Ontem, para não deixar a polêmica de lado, a Câmara definiu que terminaria a votação por um tópico, no mínimo, curioso: a possibilidade de o candidato concorrer a dois cargos (um majoritário e um proporcional) na mesma eleição. A emenda é do líder do PMDB, Leonardo Picciani. “Leia-se: de Eduardo Cunha (presidente da Câmara). Ele quer disputar o mandato de governador do Rio de Janeiro e deputado federal”, critica  o deputado federal Jarbas Vasconcelos. E arremata: “Essa é a reforma de Eduardo Cunha”.

“Ser candidato 
a dois cargos foi coisa da década de 50 e acabou lá atrás, quando a opinião pública não era tão organizada”, compara Jarbas Vasconcelos

Reforma às avessas  
Outro item que dividiu a Câmara Federal foi a janela de 30 dias para políticos insatisfeitos mudarem de partido, às vésperas da eleição. “É um casuísmo”, critica Jarbas. E prossegue: “Essa reforma é tão improvisada que o presidente, muitas vezes, parou a sessão, no meio da votação, e foi ao gabinete dele resolver, antes de voltar com a solução. É uma esculhambação geral”.







Ettore dá ok e PDT será ouvido

Publicado por Branca Alves, em 17.06.2015 às 09:24

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ficou agendada para a próxima segunda, no Palácio das Princesas, reunião com o presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz. Ele será consultado sobre a acomodação de seu partido na administração. Inicialmente, o PDT ocuparia o comando da Arpe. A estratégia mudou, mas palacianos defendem que pedetistas continuem na agência, só que à frente de algumas diretorias. “Pode ser que seja possível dar espaço ao PDT em mais de uma estrutura. Vamos ver um espaço para compensar essa questão”, adianta um socialista, em reserva. A movimentação se dá depois que o prefeito de São Lourenço da Mata, Ettore Labanca, acenou positivamente sobre assumir a presidência da Arpe, segundo informam interlocutores de Paulo Câmara. Ettore aceitou a missão, mas estaria alinhavando os detalhes de sua sucessão com o vice-prefeito, Gino Albanez. O sinal de “ok” de Ettore vem a calhar com a decisão do Governo do Estado de manter com o PSB o comando da agência, como a coluna cantara a pedra.

Há expectativa de que a disputa de São Lourenço da Mata seja acirrada, por isso está havendo um cuidado de Ettore ao tratar disso. Ele terá que renunciar







Os trabalhadores fazem a sua parte

Publicado por Branca Alves, em 16.06.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Seria péssimo se, em tempo de crise e de severo ajuste fiscal, os trabalhadores estivessem passivos. Em nenhuma circunstância a nação pode prescindir da presença na cena política dos que vivem do trabalho, através de suas organizações representativas.

Nenhuma folha se move sem que interesses sociais contraditórios se expressem, nas mais variadas formas e intensidades.

Não há política econômica neutra.

A ascensão social de mais de quarenta milhões de brasileiros nos últimos doze anos, via política de valorização do salário, de expansão do emprego, oferta de crédito, incentivo ao consumo e de inserção em escolas técnicas e cursos superiores, não se deu sem contrariar interesses.

Em algum grau significou transferência de renda.

E na esfera da subjetividade, digamos assim, sacudiu os preconceitos elitistas que contaminam a elite dominante propriamente dita e vastos segmentos médios da população por ela influenciados.

Dividir espaço nos salões de embarque dos aeroportos com a faxineira causa constrangimentos indisfarçáveis.

Personalidades públicas, como o cantor Zé Ramalho, que ao que me consta tem origem simples, sem nenhum pejo têm se queixado “do comunismo do PT” e do incômodo de viajar em avião lado a lado com pessoas de aparência muito pobre.

Nesse ambiente de certa mobilidade social, as camadas populares têm elevado seu nível de aspiração. Querem mais: em novas oportunidades de trabalho e em qualidade de vida. Nas cidades, sobretudo, almejam melhores serviços e um padrão satisfatório de atenção à saúde e das escolas públicas.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Ajusta aqui, desajusta ali

Publicado por Branca Alves, em 16.06.2015 às 10:05

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Secretário de Saúde do Estado, José Iran Costa Júnior estará, hoje, na Alepe, para apresentar o balanço do quadrimestre. De antemão, sinaliza que o ajuste fiscal vai interferir no ritmo de algumas obras, entre elas, a do Hospital Geral do Sertão. A unidade foi prometida, por Paulo Câmara, durante a campanha eleitoral. O bloqueio recente de R$ 21,4 bilhões nas emendas parlamentares, anunciado pelo Governo Federal, implica, segundo o secretário, em perdas da ordem de R$ 5 bilhões para o setor no País. Isso porque deputados e senadores são obrigados a destinar 50% de suas emendas para a Saúde. E, de acordo com José Iran, havia em torno de R$ 10 bilhões em emendas vinculadas a essa regra. Ele cita Sebastião Oliveira e Humberto Costa entre os que colocaram emendas para o Hospital Geral do Sertão. Mas admite que o arrocho nas emendas interfere no projeto voltado para Serra Talhada. “Isso (ajuste) retarda o andamento do Hospital”, avisa José Iran, à coluna.

O secretá­rio de Saúde informa que as emendas colocadas para o Hospital Geral do Sertão serviram para “dar todo gás” aos hospitais da Mulher de Caruaru e do Recife, “porque são prioridades”







Eterna gratidão a Jorge Amado

Publicado por Branca Alves, em 15.06.2015 às 11:14

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

Poucos sabem, mas a instauração do Estado Laico foi viabilizada graças a um dos maiores escritores brasileiros: o baiano Jorge Amado, que apresentou, na época, uma emenda, defendendo a sua criação, e que, como todos sabem, foi aprovada na Constituinte de 1946. Membro da bancada comunista, e alvo de perseguição política no Estado Novo, Amado foi um exemplo de como o respeito aos direitos humanos, às crenças religiosas e às pluralidades de gênero, opção sexual e visão de mundo, é saudável. E deveria ser colocado em prática nas sociedades que se dizem avançadas, ou que querem lá chegar. Antes de ser ateu, o baiano Jorge Amado defendia a cultura brasileira, tão bem representada nos seus personagens e em seus livros que nos mostram a Bahia com toda sua negritude, sensualidade e plurireligiosiodade. O Estado Laico, portanto, deveria nortear e ser o parâmetro para todas as atividades do que diz respeito às questões públicas. Sejam elas no âmbito do Legislativo, Executivo ou Judiciário.

O respeito aos direitos humanos, às crenças religiosas e às pluralidades de gênero, opção sexual e visão de mundo, é saudável.

Até o Papa…
O respeito às crenças e opções pessoais é algo a ser preservado com tenacidade, a fim de que não se repitam, na história do País, episódios como a perseguição policial nos terreiros, o preconceito contra os judeus ou a ignorância contra a cultura muçulmana, hoje erroneamente confundida com os extremismo jihadista. Alias, o Papa Francisco é defensor da diversidade.