Opinião

Dias nervosos e decisivos

Publicado por Branca Alves, em 25.05.2015 às 09:15

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

A semana será nervosa. O impacto dos cortes de R$ 70,8 bilhões no Orçamento 2015 (Executivo e Legislativo) ainda estão sendo digeridos pelo País . Mas, em especial, o que importa para o Palácio do Planalto é saber como será a reação dos congressistas aos cortes de R$ 21,4 bilhões nas emendas parlamentares. Certamente, diante disso, as bancadas ficarão “mais sensíveis” . E “sensibilidade”, no sentido negativo, é tudo que a presidente Dilma Rousseff não precisa nesses próximos quatro dias. A agenda carregada da semana pede bom senso e celeridade: na pauta, estão temas fundamentais para o País, como a votação do relatório da Reforma Política, pelo plenário da Câmara, e das duas MPs que tramitam, com dificuldades, pelo Senado. No caso da Reforma Política existe ceticismo. Muitos apostam que o conflito de interesses entre partidos dificultará sua aprovação. Quanto às MPs, se quiser que elas expirem – no dia 2 de junho – o governo terá que ceder e mostrar que está disposto a abrir mão do veto à redução do fator previdenciário.

Resta saber como reagirá o Congresso frente ao corte de R$ 21,4 bilhões nas emendas parlamentares

Movimentos nas ruas
Não bastasse a pauta, os prazos e o fogo amigo no Congresso, o Palácio do Planalto ainda vai ter pela frente uma semana dura, com os adversários. Amanhã, a oposição, capitaneada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), entrega ao procurador Rodrigo Janot uma representação contra Dilma, por crime comum, tendo como foco as pedaladas fiscais.

Manifestantes… Além da manobra legal para tirar-lhe do cargo, a presidente enfrentará os manifestantes do “Movimento Brasil Livre”, responsáveis pela marcha do impeachment que saiu de São Paulo e chegará à Brasília no dia 27.

Cobram - Aliás, não apenas Dilma deve se ver em apuros com os manifestantes. Aécio Neves também terá que se explicar porque desistiu do impeachment. Os líderes da marcha já o acusaram de traição aos mais de 50 milhões de votos na última eleição.







Remando na mesma direção

Publicado por Branca Alves, em 22.05.2015 às 09:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Na segunda parte da agenda de jantares que preparou com a bancada pernambucana, em Brasília, Jarbas Vasconcelos recebeu, na terça, Ricardo Teobaldo, Zeca Cavalcanti, Jorge Côrte Real, Fernando Monteiro e Kaio Maniçoba. Os três primeiros são ligados ao ministro Armando Monteiro, que recebeu, recente, visita do peemedebista no ministério. Os comes e bebes começaram, quando a madrugada já adentrava. O atraso deu-se por conta da votação no Congresso. Na descontração, o ex-governador voltou a ser incensado para disputar a Prefeitura do Recife. O assunto de 2016 também permeara o papo com o ministro. Com mais de 20 partidos, a Frente Popular enfrenta tendência de racha. O detalhe é que, quando o assunto é botar pilha em Jarbas, para catalisar a divisão, aliados do Governo do Estado e oposicionistas têm se juntado no mesmo barco. Mas há muita água para passar até 2016. Ainda que a tese não se concretize, pode acabar virando impulso para outros planos, como o Senado.

O jantar foi até as duas horas da manhã. A primeira parte do encontro reuniu, na maior parte, aliados de Paulo Câmara e Jarbas também fora incentivado a concorrer, naquela ocasião

Seguro na entressafra 
Enquanto 2016 não chega, Jarbas cuida de fazer o dever de casa como deputado federal. Apresentou, esta semana, projeto de lei para conceder seguro-desemprego, na entressafra, ao trabalhador que atua no cultivo da cana-de-açúcar. Só na Zona da Mata PE, onde se estima que haja de 90 a 100 mil trabalhadores empregados nos canaviais, cerca de 2/3 é dispensado na entressafra.

Sintonia - Jarbas, aliás, cumprindo promessa feita, marcou presença na reunião de Renan Calheiros,  com os governadores do Nordeste. Sentou ao lado de Paulo Câmara, com quem trocou figurinhas. Em ida recente do governador a Brasília, tomaram café da manhã juntos.







PPS espera sentado e Elias insiste

Publicado por Branca Alves, em 21.05.2015 às 09:13

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, chamou o deputado federal Raul Jungmann para uma conversa, na última segunda-feira. Levaram, à pauta, a travessia de pós-comunistas para o PSDB. Até poderiam ter concretizado uma movimentação, não fosse um detalhe: O PPS está prometido, mas o noivo ou a noiva ainda não decidiu se vai casar. Leia-se: depois de se ver isolado dentro do partido, ao rejeitar a fusão, o PSB de Pernambuco não disse mais nada, se resistirá até o fim, ou se vai recuar e aceitar a tese da maioria. Se o PSB-PE, não aceita a fusão, o PPS não pode abrir diálogo com quem não quer. Mas, ao mesmo tempo, não há definição oficial dos socialistas sobre o caso. Os pós-comunistas estão de mãos atadas. Ontem, quando Paulo Câmara almoçava, na sede do partido, em Brasília, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, passou por lá com Beto Albuquerque. Os três saíram para uma conversa. Enquanto o PSB-PE não se resolve, o PPS-PE também não pode dar um passo.

Jaboatão e Cabo estão entre os municípios onde o PPS tem diretório constituído e onde também os pós-comunistas são, estritamente, ligados ao tucanato







Gestos e eventual aceno de Lóssio

Publicado por Branca Alves, em 20.05.2015 às 09:47

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Era dezembro de 2013, quando o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, disparara: “Vou brigar para o PMDB do Estado não ficar com Eduardo Campos”. E emendara: “O PSB me perseguiu de maneira fratricida. Tenho que defender posições!”. Na mesma ocasião, avisara: “Não voto em Tadeu (Alencar). Não voto em Fernando (Bezerra Coelho)”. Lóssio fora alvo de processo de cassação, movido por Fernando Bezerra Filho. De lá para cá, a relação com o Governo do Estado foi sendo amaciada. O prefeito, membro do PMDB do vice-governador, Raul Henry, esteve, inclusive, no Palácio das Princesas, batendo papo com Paulo Câmara. Ontem, o secretário de Turismo, Felipe Carreras, desembarcou, em Petrolina, com seminário para o setor. Foi acompanhado do deputado Lucas Ramos e de auxiliares de Lóssio. Às vésperas de 2016, Lucas é a favor de somar forças com o PMDB por lá. Miguel Coelho, contrário, reagiu, em nota. Resta saber se Lóssio apoiaria candidatura do PSB a sua sucessão. A conferir.

O prefeito de Petrolina não participou do seminário, ontem, porque encontra-se no exterior, em Roma, mas enviou secretários ao seminário







A 10ª. Conferência Nacional e a militância nossa de cada dia

Publicado por Branca Alves, em 19.05.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Navegando em mar revolto, marcado por incertezas, uma miríade ideológica contamina a vida militante.

Multiplicam-se pressões e apelos de toda ordem para confundir e desestimular.

Alguns se deixam abater facilmente, mergulhados em mil dúvidas e respostas precárias e indecisas.

O militante do PCdoB – permitam-me dizer -, diferentemente, conta com orientação clara e segura. O que nos possibilita estar a postos – conscientes, aguerridos – mesmo com o vento soprando contra.

Não somos daqueles que põem a cabeça de fora para sair bem na foto e se escondem quando nosso campo de forças enfrenta dificuldades.

Na quadra iniciada com a assunção de Lula à presidência da República, em 2003, quando realizamos nossa 9a. Conferência Nacional, em junho daquele ano, o Partido considera a complexa, conflituosa e tumultuada travessia da ordem neoliberal herdada de FHC e comparsas a um novo desenho do desenvolvimento do País – de sentido soberano, democrático e socialmente inclusivo.

Traçamos um rumo confirmado pela vida, referendado e aprofundado nos três Congressos que transcorreram no período; e cá estamos, às vésperas da 10ª Conferência, dando conta das mudanças da situação e da renovação da construção partidária.

Isto porque examinamos a realidade concreta no mundo e no Brasil à luz da teoria marxista-leninista e do manancial teórico e político que temos acumulado a partir de nossas vivências particulares, sobretudo do início dos anos sessenta em diante, nas condições específicas da sociedade brasileira.

Agora, encarando uma correlação de forças adversa e o ingente desafio de costurar uma ampla frente de resistência pela democracia e pela continuidade das mudanças em curso desde 2003, do ponto de vista dos trabalhadores, também afirmamos o “lugar próprio” do PCdoB no espectro partidário – em sintonia com o nosso caráter de classe, nossa índole revolucionária, nossa linha programática e tática e de construção partidária.

Demais, num lance ousado e consequente, nesta 10ª Conferência, realizamos a sucessão na presidência do Partido, significando isto a confiança do coletivo militante em uma geração mais jovem de quadros testados na luta teórica e prática.

A passagem do bastão de Renato Rabelo para Luciana Santos exibe a face visível do PCdoB proletário, revolucionário, de massas, contemporâneo e moderno.

Um partido cuja alma e disposição de luta o colocam em condições de arrostar os imensos desafios do momento presente.

Em meus quarenta e oito anos de militância, nunca me senti tão renovado quanto agora. Pela sua matriz teórico-ideológica e política, de sua larga experiência de lutas e de sua capacidade de se manter sempre atual, o PCdoB nos faz a todos sempre jovens e prontos para o combate.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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Risco é gerar nova frustração

Publicado por Branca Alves, em 19.05.2015 às 10:45

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

“O medo, aí, é que a montanha se reúna e não consiga parir nem um rato”. O alerta parte do deputado federal Jarbas Vasconcelos, em referência à Reforma Política. A preocupação é com os próximos passos, em plenário. Nem o PMDB tem maioria para aprovar o distritão, sistema eleitoral que defende, nem o PT possui, para aprovar a lista fechada, e nem o PSDB, para emplacar o distrital misto. O quórum é superqualificado, de três quintos, equivalente a 308 votos. Se o debate der em nada, mais uma vez, seria mais um desgaste para o Congresso. Há expectativa de se derrubar, na comissão especial, o distritão, para que a proposta não chegue forte ao plenário. O sistema, que funciona no Afeganistão, na Jordânia e numa ilha do Pacífico, é considerado “um tiro no escuro”. No entanto, a manutenção do proporcional com correções – entre elas, a cláusula de desempenho – mudaria pouca coisa. Caso estivesse em vigor, deixaria apenas 10 deputados de fora da Câmara Federal.

Pela cláusula de desempenho individual, ninguém se elege com menos de 15% do quociente eleitoral, que, em Pernambuco, seria de 30 mil votos







Corrida para votar relatório

Publicado por Branca Alves, em 18.05.2015 às 09:50

Por Danielle Romani
Da Coluna Folha Política

Os parlamentares envolvidos com a votação do relatório da Reforma Política, na Comissão Especial criada especialmente para o tema, na Câmara dos Deputados, estão preocupados com o cronograma, uma vez que esta etapa, tem que ser concluída amanhã, sob pena do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), interferir e atropelar o andamento do processo. Desde o início da implantação do debate, o prazo dado para esta fase foi de 40 sessões, que se encerram exatamente, nesta terça-feira. Cunha já deixou claro quais são suas posições sobre a matéria. Em especial, a preferência pelo distritão – sistema eleitoral que privilegiaria os políticos que obtiverem a maior votação na cidade ou no estado, e que segundo muitos, tornaria a vitória em eleições numa primazia dos que já estão no poder e dos que têm dinheiro.  O problema é que o relatório final, apresentado pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) na última terça, foi modificado por ele mesmo, duas vezes. Muita gente ficou confusa com esse bota e tira.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, promete interferir e conduzir proposta caso ela não seja concluída amanhã

O melhor possível 
Apesar da polêmica em torno de vários pontos, o deputado Tadeu Alencar (PSB-PE), vice-presidente da Comissão Especial, afirma que foi feito o melhor, dentro do possível, e que muito se ganhará com a atual proposta, no formato como ela está. Entre os avanços, Alencar aponta o fim da reeleição.

Embate duro - Apesar do otimismo de Tadeu, as horas que antecederão a votação do relatório serão de intensas conversações. Isso porque os defensores e os críticos à proposta do “distritão” estão, afirmam  integrantes do colegiado, em números iguais.

Verdade - Enquanto 16 defendem a “verdade eleitoral”, ou distritão, outros 16 querem a manutenção do atual sistema, mas com correções de rumo, como cláusula de desempenho.

Força - O distritão ganhou força depois que muitos caciques, temendo não viabilizar a reeleição em seus distritos, devido aos votos pulverizados, passaram a defender a verdade eleitoral.

Seis - O mandato de seis anos, a fim de igualar as eleições, foi, segundo políticos uma forma de ajeitar o “calendário”. Um arranjo  que vai turbinar 2016.







Jogo duplo para lá e para cá

Publicado por Branca Alves, em 17.05.2015 às 12:34

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Pela conhecida ligação com o PSDB, talvez, fosse mais óbvio que o PPS tivesse optado por uma fusão com o tucanato. A ida do presidente nacional dos pós-comunistas, Roberto Freire, por exemplo, para Câmara Federal, foi viabilizada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mediante convocação de deputados federais para seu secretariado. Alckmin cuida de pavimentar seu caminho rumo ao Palácio do Planalto. Nas coxias, socialistas não hesitam em admitir que a fusão com o PPS partiu de uma jogada do PSB paulista, em comum acordo com o tucanato. Ao lançar o PPS nos braços do PSB, os tucanos buscam amarrar os socialistas na oposição. Dos pernambucanos, um socialista levanta a bandeira da fusão com afinco: o senador Fernando Bezerra Coelho. Ele mantém relação estreita com o vice-governador de São Paulo, Márcio França. A despeito dessa relação, FBC também não esconde a intenção de levar o PSB de volta aos braços do PT – o que seria um caminho diametralmente oposto.

Os vínculos com os tucanos com o PPS já são consolidados. Uma fusão do PSDB com PPS não agregaria nada mais ao tucanato. A fusão do PPS com o PSB traz reforço ao time

Projetos comuns 
Ainda que toda jogada da fusão do PSB com o PPS tenha partido de São Paulo, numa articulação vinculada a Geraldo Alckmin, o deputado federal Daniel Coelho garante que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves – que também tem planos presidenciais – é totalmente a favor. “Aécio é a favor da fusão. Entende que fortalece oposição”, relata Daniel.

Pesos - A fusão do PPS com o PSB pode desequilibrar a balança, no PSB, em favor de Márcio França, que já defendia, desde 2014, o apoio à candidatura de Aécio Neves. A consequência seria o enfraquecimento da ala pernambucana da sigla, que resiste.







Alívio agora, pressão em 2016

Publicado por Branca Alves, em 16.05.2015 às 13:50

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A proposta do mandato tampão de dois anos, gestada na Comissão Especial da Reforma Política, havia gerado corrida dos prefeitos do País aos integrantes do colegiado. A Confederação Nacional dos Municípios e a Amupe mobilizaram-se. “Ninguém quer disputar mandato de dois anos”, sublinha o vice-presidente da Comissão, Tadeu Alencar. A alteração, feita, na quinta, pelo relator, Marcelo Castro (PMDB/PI), esticando o mandato para seis anos, serviu de alívio para os gestores. Se aprovada em plenário, acirrará a disputa, em 2016. Ainda sobram pontos sobre os quais não se tem consenso. E um deles é o distritão. O PSB apresentará destaque, pedindo a supressão. O PT fará o mesmo pelo fim do financiamento empresarial. Os dois tópicos são defendidos pelo PMDB. A falta de consenso entre os 28 partidos é um obstáculo. Mas, na terça, uma das barreiras será superada: o projeto vai ser votado na comissão. Da última vez, com Henrique Fontana como relator, nem até aí se chegou.

Tadeu Alencar define o distritão como “o império dos mais fortes economicamente”

Dá tempo de esquecer
“Se passar o distritão, a governabilidade vai para o espaço”, vaticina Tadeu Alencar. Isso porque os partidos perdem força e a influência financeira deve ficar ainda maior no processo. Tadeu repreende ainda os 10 anos de mandato para senador. O relator, na análise de Tadeu, foi de uma “conduta ímpar”, mas esse mandato de 10 anos foi o “único ponto fora da curva”.







Menu para Uchoa, Diogo e Francismar

Publicado por Branca Alves, em 15.05.2015 às 09:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

É, sobretudo, de gestos que se faz a política e, nas últimas semanas, o prefeito Geraldo Julio não os economizou na direção dos aliados, que ocupam cadeira na Assembleia Legislativa. Na noite da quarta, o chefe do executivo municipal ofereceu jantar a três deputados: o presidente da Alepe, Guilherme Uchoa, o primeiro secretário, Diogo Moraes, e o deputado Francismar Pontes. O encontro deu-se na PCR, em tom informal. Na sexta passada, Geraldo já havia marcado, como a coluna registrara, conversa com líderanças governistas da Alepe. No entanto, diante das manifestações que ocorreram naquele dia, acabou postergando a agenda para a terça-feira (12), quando terminou precisando ir à reunião do PSB, em Brasília, e, mais uma vez, adiou com os parlamentares. A Alepe já virou palco de debates sobre o Recife. Por lá, circulam potenciais postulantes à PCR, entre os quais, Silvio Costa Filho, Priscila Krause e Edilson Silva. O prefeito observa. Cada vez mais de perto.

Às vésperas de 2016, essa discussão sobre a capital só tende a ser intensificada na Casa de Joaquim Nabuco

Bandeira branca
A poeira, levantada pela turbulenta eleição da Mesa Diretora da Alepe, parece ter baixado. E o fato de Geraldo Julio ter sido o anfitrião de Guilherme Uchoa e Diogo Moraes, na quarta, joga luz sobre isso. Uchoa defendera a condução de Diogo a 1ª secretaria, enquanto o Palácio das Princesas e o prefeito do Recife afiançavam a postulação de Lula Cabral. Reina a paz.

Trocado – Se Geraldo Julio convidou os deputados para conversas, Silvio Costa Filho fez o caminho inverso: foi à Câmara Municipal alinhar discurso com os vereadores. Detalhe: a Reforma Política prevê fim da reeleição. A partir de agora, é uma só chance.







Com o fígado e longe da razão

Publicado por Márcio Didier, em 14.05.2015 às 13:30

Márcio Didier
Editor do Blog da Folha

A caminho de construir um ambiente que possibilite a sua candidatura à reeleição, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), vem derrapando com uma frequência acima do aceitável para quem está se preparando para um pleito que se desenha como complicado, para dizer o mínimo.

Articulações mal conduzidas tanto no campo político como no administrativo têm provocado um desgaste desnecessário e emprestado ao gestor uma imagem contrária a tudo que pregou na campanha de 2012: de alguém capaz de tirar as coisas do papel e liderar uma gestão moderna e eficiente.

O ex-governador e ex-prefeito Joaquim Francisco costuma dizer que alguns políticos são obrigados a amadurecer no carbureto, pelas circunstâncias a que são colocados. Com a morte do ex-governador Eduardo Campos em agosto do ano passado, Geraldo Julio foi obrigado a acelerar ainda mais esse processo de maturação, com os erros que ele carrega. Mas para tudo há limites.

Este ano, o prefeito conduziu um processo de ingresso do PSDB na sua gestão que deixou sequelas e trouxe para 2015 um debate que eleitoral que ao prefeito só era interessante que começasse no ano que vem. Logo após Geraldo anunciar o nome da vereadora Aline Mariano como secretária de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, os tucanos soltaram uma nota informando que o partido teria candidato no Recife. Ou seja, se havia qualquer intenção de amarrar o PSDB para as eleições de 2016, o tiro falhou.

No campo político-administrativo, o prefeito vem cometendo uma série de encaminhamentos equivocados na tramitação do projeto que tratava do Plano Urbanístico para o Cais Santa Rita, José Estelita e Cabanga. Desde quando colocou a proposta em votação extra-pauta. Ora se o prefeito tinha e tem maioria na Câmara de Vereadores, não fazia sentido colocar de forma açodada. Colocava numa sessão comum. O desgaste tenderia a ser menor.

Não bastasse a aprovação, houve a sanção feita quando o prefeito estava em São Paulo. Tudo bem que há mecanismos que permitam isso, hoje em dia. Mas não custava nada esperar dois dias e sancionar no Recife. Não iria alterar em nada o processo e o desgaste existiria, mas, possivelmente, seria menor. Prova disso foi a postura adotada na desocupação da rua em que morava, feita sem maiores danos à imagem.

Nessa quarta-feira, a assessoria de Geraldo voltou a falhar. Ao explicar à população que “atos de vandalismo” provocaram danos à Academia Recife, em Boa Viagem, a Prefeitura do Recife voltou a se equivocar. A frase estampada no adesivo que cobre os tapumes – “O vandalismo ocupou um espaço que é seu” – não teria nada demais, não fosse a utilização do verbo “ocupar”, que remete ao movimento que trava uma queda de braço com a PCR, o Ocupe Estelita. Isso sem falar que, ligando a destruição ao movimento, atribui aos manifestantes a pecha de vândalos.

Uma provocação desnecessária, que abre um novo flanco de conflito que a prefeitura não deveria incitar. A frase termina insuflando um movimento que está às turras com a gestão municipal. É procurar um confronto que não rende absolutamente nada à prefeitura. Erros políticos que seriam contornáveis mais facilmente se as questões fossem tratadas com a razão e não com o fígado.







Faltou combinar com os russos

Publicado por Branca Alves, em 14.05.2015 às 10:00

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Faz quinze dias que Dilma Rousseff falou, sublinhou e grifou, em Pernambuco, o teor da sua política de desenvolvimento regional. “Foi escolha certa a política de conteúdo local”, garantira. E enfatizara: “Somos parceiros incondicionais do desenvolvimento do Nordeste”. Foi na Jeep. O esforço do governo petista pela região tem marcas visíveis e a presidente estará, hoje, no Estaleiro Atlântico Sul, para realçar isso. O ruído é que, na terça, o PT votou contra a emenda à MP 663/14, que direciona 30% dos recursos do BNDES para o Norte e o Nordeste. Líder do governo, José Guimarães justificou: “Eu não faço política de discurso fácil. Não sou deputado regional, sou do Brasil e, por isso, não posso pensar em uma região, desvinculada das outras”. Ele é cearense, como o autor da emenda, André Figueiredo. Se não combinou com o conterrâneo, Guimarães também não o fez com Dilma, antes de tachar de “discurso fácil” o que, para ela, é “política de conteúdo local”.

A posição do PT contra a emenda deu-se de forma, praticamente, isolada. A mesma foi aprovada por 244 votos a 199

Me dê motivo
“Caiu a máscara do discurso do PT. Foi o único partido a ficar contra a emenda feita para garantir 30% dos recursos do BNDES para o Nordeste”. A crítica é do deputado federal tucano Daniel Coelho. Ele prossegue: “O PT parece que tem obsessão por mandar dinheiro do BNDES para Cuba. Não querem que seja endereçado ao Nordeste”, ataca Daniel.







Dilma, Bendine e várias páginas

Publicado por Branca Alves, em 13.05.2015 às 09:50

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Aldemir Bendine, o escolhido para substituir Graça Foster, assumiu o comando da Petrobras em fevereiro. De lá para cá, ainda não participou de solenidade ligada à estatal ou subsidiárias ao lado de Dilma Rousseff. A estreia se dará em terras pernambucanas. A presidente estará, amanhã, como a coluna antecipou, no Estaleiro Atlântico Sul, para marcar a viagem inaugural do petroleiro André Rebouças (nona embarcação do Programa de Modernização e Expansão da Frota a entrar em operação) e o batismo do Marcílio Dias (sexto da série de 10 suezmax encomendados ao estaleiro). A petista e o mandatário da estatal comandam o ato, na esteira da devolução dos R$ 157 milhões aos cofres públicos. O montante fora desviado pelo ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. A presidente pretende virar a página. E são muitas páginas. O volume devolvido, até agora, é baixo, considerando o total de mais de R$ 6 bilhões em perdas com corrupção, registradas pela companhia.

Era, exatamente, dia 14, mas de abril do ano passado, quando a presidente Dilma esteve em Pernambuco para entrega do Dragão do Mar à Transpetro







Idas e vindas na busca da unidade possível

Publicado por Branca Alves, em 12.05.2015 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

“É impossível ser feliz sozinho”, ensina Tom Jobim em sua bela canção Wave. No amor e na luta política.

Aqui e alhures, a história jamais registrou vitórias significativas alcançadas a poucas mãos. É sempre imprescindível unir forças – mesmo dispares e contraditórias entre si, em favor de um objetivo comum, ainda que de curto ou médio prazo.

Fora disso, faz-se apenas o protesto. Sem ganhos sequer parciais e de pequeno alcance.

As centrais sindicais protagonizam agora um exercício prático de uma complexa e sinuosa busca de unidade em torno do Projeto de Lei 4.330 (no Senado como PLC 30), que trata da terceirização.

Quando da tramitação na Câmara, elas se dividiram: a Força Sindical e aliadas menos expressivas tomaram partido em favor do empresariado, enquanto a CUT e a CTB e aliadas se posicionaram em favor dos trabalhadores.

Isto a custa de muito atrito entre elas. Clima bélico.

Em que podem estar unidas imediatamente as centrais? Basicamente no combate à terceirização na atividade-fim das empresas e na realização, dia 29, de um ato nacional de protesto contra as medidas consideradas prejudiciais aos trabalhadores, contidas no ajuste fiscal.

Pouco? Talvez sim, tendo em conta a dimensão dos interesses reais dos que vivem do trabalho em nosso país, que abarca pauta bem mais ampla. Além da preservação do emprego, do nível salarial e de direitos trabalhistas essenciais, dependentes da retomada do crescimento, impõe-se a própria defesa da democracia, do mandato constitucional da presidenta Dilma, da Petrobras, da economia e da engenharia nacional; o combate à corrupção com o fim do financiamento empresarial das campanhas.

Mas aí já seria querer demais, agora, tal a dispersão de forças e o conflito de interesses que desenham o atual quadro político e das lutas sociais em âmbito nacional.

Quando a maré não está pra peixe e tem nego beliscando azulejo, como se diz comumente, ganha enorme importância o fato dos dirigentes sindicais estarem à mesa em busca da unidade possível e contribuírem, cada central a seu modo, para as manifestações de rua conjuntas.

Porque a luta política não se dá em linha reta e sempre comporta diferenças e discrepâncias, mais ainda num país como o nosso, de dimensões continentais e imensas diversidades.

De uma forma ou de outra, ainda que como um rio que segue seu curso contornando obstáculos – nesse caso sobretudo de ordem subjetiva -, colocar em movimento trabalhadores e fazer ouvida a voz das ruas constitui um componente fundamental na atual cena política nacional.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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A favor do protagonismo de PE

Publicado por Branca Alves, em 12.05.2015 às 09:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Inicialmente, nem Paulo Câmara, nem Geraldo Julio ofereceram resistência à fusão do PPS com o PSB, processo que evoluiu sob tutela de lideranças de São Paulo. Na reunião com a bancada, em Brasília, no dia 5, o governador e o prefeito não deram uma palavra contrária. Antes, no dia 29, quando a executiva reuniu-se, eles estiveram ausentes. No entanto, desde a semana passada, socialistas pernambucanos passaram a demarcar posição crítica. O primeiro foi o secretário de Administração, Milton Coelho, ao avisar, inclusive, que trabalharia para que não se chegasse ao Congresso Extraordinário. Depois, foi a vez do presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, externar que o diretório pernambucano não é a favor. Hoje, Paulo e Geraldo serão ouvidos pelo presidente nacional, Carlos Siqueira. O risco é combater a fusão e, caso a mesma seja aprovada, terminarem diminuídos e atropelados pelos interesses paulistas. Novamente, está em jogo o protagonismo de Pernambuco no PSB.

Na reunião da bancada, estavam Renato Casagrande, Beto Albuquerque e Carlos Siqueira. Geraldo e Paulo não se manifestaram contra fusão.

Ficou para depois
Em Brasília para reunião do PSB, Geraldo Julio desmarcou reunião que faria, hoje, com os deputados estaduais, como a coluna cantara a pedra. Líder do governo na Alepe, Waldemar Borges explica que a sugestão do encontro partira dos parlamentares. “A Assembleia está com perfil mais urbano, embora ainda muito rural. Por isso precisamos de informações sobre projetos”, justifica.