Opinião

Cunha dá lugar a novas vidraças

Publicado em 26.05.2016 às 08:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

No diálogo com Romero Jucá, o primeiro da série de conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e divulgadas pela Folha de São Paulo nos últimos dias, o delator já alertava, ao presidente nacional do PMDB: “Na hora que cassar o Eduardo (Cunha), que ele (Renan Calheiros) tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não”. Dito e feito. Divulgado o áudio de Jucá, palavras de Renan Calheiros, ditas ao mesmo interlocutor, em reserva, vieram à tona. E mesmo que Eduardo Cunha controle, ainda, movimentações no Congresso Nacional por “controle remoto”, como definem parlamentares, com a ida dele para casa, outros peemedebistas viraram vidraça. O presidente do Senado e o senador Romero Jucá, estão entre eles, além do ex-presidente da Casa Alta, José Sarney. Ao deixar o ministério de Temer, Jucá foi definido, pelo ministro Eliseu Padilha, como “um grande player”. Era tido como cérebro de um governo que fala, sobretudo, para o Congresso Nacional, levando em conta a montagem do ministério. Se a popularidade não é o forte do presidente interino, os tentáculos no Congresso começam a ser minados.

A Renan, Machado vaticinou: “Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum”

Só se for debaixo de água
Diante do lote de gravações, realizadas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e divulgadas, nos últimos dias, tem político lembrando conselho do ex-presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães. Recorda um: “Ele já dizia: “A pessoa só pode conversar dentro da piscina e nu”.

Exemplo > ACM teve conversa sua gravada com o procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, no tempo do escândalo do painel eletrônico.

Sobre Frota > Presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos fez a seguinte avaliação da visita de Alexandre Frota ao ministro da Educação, Mendonça Filho: “Nunca ouvi dizer que Alexandre Frota entendesse alguma coisa de política de educação. Com todo respeito a Alexandre Frota, ele não tem afinidades com o debate das políticas públicas de Educação. É estranho”.

Posse > Como a coluna cantara a pedra, o ato em que o governador Paulo Câmara empossa novos secretários será, hoje, às 11h, no Palácio das Princesas.

Se entendem > Marcelo Barros, que deixa a Perpart  e assume a Secretaria da Fazenda, estudou economia com Paulo Câmara, que já comandou a mesma pasta, da qual Barros também foi superintendente técnico.

Opção > Antes do martelo batido sobre Marcelo Barros, chegou-se a cogitar o nome do chefe da Assessoria Especial do governador, José Neto. “Seria uma solução mais caseira”, ponderou um auxiliar.

Plano B > O PP precisou mudar o nome que havia escolhido para a Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas porque Clóvis Benevides recebeu, ontem, confirmação de convite para integrar a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, segundo o presidente estadual da sigla, Eduardo da Fonte.

Frente 1 > Em ato na noite de ontem, o prefeito Geraldo Julio consolidou o apoio da 12ª sigla do arco de alianças que dará suporte a sua campanha pela reeleição: o PPL. A legenda foi a primeira a declarar apoio ao projeto presidencial de Eduardo Campos.

Frente 2 >
 O PPS e a Rede ainda devem formalizar participação na aliança de Geraldo, somando, assim, 14 siglas ao todo, mesmo número com o qual o socialista contou em 201


Participação e tamanho da bancada

Publicado em 25.05.2016 às 08:32

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Tendo, na Assembleia Legislativa de Pernambuco, uma bancada composta por seis deputados estaduais e contabilizando, na Câmara Federal, dois representantes pernambucanos, o PP trabalhou, nos últimos dias, junto ao Palácio das Princesas, para conquistar espaço na gestão estadual que seja reflexo do volume de representantes que acumulou no parlamento. Até ontem, além de manter o Ipem, a sigla deveria indicar ainda um nome para comandar o Porto do Recife e outro para secretaria executiva de Políticas sobre Drogas (Sepod), que integra a estrutura da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, comandada por Isaltino Nascimento. Os progressistas tem na sua conta o deputado federal mais votado do Estado, Eduardo da Fonte (283.567 votos), e o estadual, também mais votado, Cleiton Collins (216.874 votos). Na Alepe, contabilizam a segunda maior bancada, atrás apenas da do PSB, o que leva os progressistas a entenderem que seu tamanho supera, em número de parlamentares, o PR, o Solidariedade, o PDT, por exemplo, entre outros partidos.

Na Alepe, a bancada cresceu com o ingresso de Claudiano Martins Filho e Eduíno Brito

Passagem por Minas
O nome escolhido pelo PP para comandar a Secretaria Executiva de Políticas sobre Drogas (SEPOD)  é o de Clóvis Benevides. Ele foi secretário de pasta homônima na gestão de Aécio Neves, no Governo de Minas Gerais. É ligado ao deputado estadual Pastor Cleiton Collins. Até ontem, era dado como certo.

Data >
 O anúncio das mudanças no secretariado do governador Paulo Câmara foi marcado para amanhã, às 11h.

Sem pressa > Chefe da Assesoria Especial do governador, José Neto tem o nome ventilado, entre socialistas, para assumir a Secretaria de Planejamento. Pontua-se que seria um caminho viável recompor o espaço, hoje, ocupado por ele, que não exigiria, segundo um auxiliar do Palácio das Princesas, tanta pressa para substituição.

(Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco)

Peso > A Agência de Fomento do Estado de Pernambuco (Agefepe), que deve ficar na cota do PDT, na gestão estadual, possui capital de R$ 50 milhões para emprestar a empresários, micro e pequenas empresas, realçam socialistas.

De volta > Há expectativa de que a Codevasf retorne ao comando do PP. A sigla perdera o espaço após a votação do impeachment na Câmara Federal. Caso reconquiste, a indicação seria, mais uma vez, do deputado federal Fernando Monteiro.

Disputa >
 Há, por outro lado, quem avalie que tendo voto no Senado, onde o processo do impeachment ainda corre, o senador Fernando Bezerra Coelho pode ainda disputar a Codevasf.

Concorda aqui… > Embora em lados opostos, os deputados Edilson Silva, principal opositor do PSB na Assembleia, e Lucas Ramos, vice-líder do governo Paulo Câmara, avaliaram como acertado o recuo do presidente Michel Temer na recriação do Ministério da Cultura. Em discurso, Edilson parabenizou os trabalhadores da cultura pela mobilização que forçou a reviravolta.

Discorda acolá > Como costuma fazer nos casos de supressão de vegetação sem estudo de impacto ambiental, Edilson se absteve de votar o projeto de lei de número 793/2016, que autoriza o desmatamento de 240 hectares nos municípios de Sertânia e Arcoverde, no Sertão, para as obras do Sistema Adutor do Ramal do Agreste.


Intrincado jogo de poder

Publicado em 24.05.2016 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

A revelação da conversa gravada entre Romero Jucá e Sérgio Machado significa muito mais do que o motivo da queda de um ministro do Planejamento com apenas dez dias no cargo.

Puxa o fio do intricado novelo político intrinsecamente relacionado com o impeachment da presidenta Dilma e a disputa entre as duas principais correntes golpistas – o PMDB de Temer e o PSDB de FHC, Serra, Aécio e seguidores.

Espiando tudo e mexendo os cordéis, à sorrelfa, o chamado “mercado”, codinome da poderosa e onipresente oligarquia financeira, que dá as cartas aqui e mundo afora.

Ora, se desde março a Procuradoria Geral da República e o STF já tinham em mãos essa gravação, por que não agiram?

Por que não tiveram a mesma atitude adotada em caso semelhante envolvendo o então senador Delcídio Amaral?

Por que adiaram, só Deus sabe para quando (não fosse a reportagem da Folha de S. Paulo), o exame do assunto, mesmo sendo notório que, àquela altura, se assim tivesse ocorrido, provavelmente mudaria o curso do processo de impeachment sem crime de responsabilidade?

Na conversa, tentando acalmar o aliado Machado, Jucá se refere a ministros do STF a que teria acesso, e não apenas ao notório ministro-militante Gilmar Mendes. Pura bazófia ou verdade?

Também vale observar ter sido justamente a Folha de S. Paulo, o jornal mais vinculado ao tucanato, a divulgar o teor da conversa.

Na partilha do butim, o PSDB recebeu de Temer os principais postos da gestão econômica e financeira, menos o ministério sido Planejamento, igualmente importante, entregue ao “negociador” parlamentar peemedebista Romero Jucá. Contrariou a quem?

Em sua entrevista coletiva, na manhã de ontem, Jucá se vangloriou de ter o respaldo dos “agentes econômicos”, vale dizer, do “mercado”. Terá mesmo?

Diante do barco furado que é o governo interino Temer-Cunha, quiçá o afair Jucá-Machado venha a contribuir para mover, como placas tectônicas, alguns senadores que inicialmente votaram pela admissibilidade do processo de impeachment e agora, diante da evidência dos fatos, venham a mudar de posição.

Assim, se evitaria o placar de dois terços necessário para o afastamento definitivo da presidenta Dilma.

Para que tal aconteça, impõe-se a combinação da pressão das ruas com eficiente articulação política.

Senadores e suas legendas, ou parcelas de suas legendas, que possam vir a se recompor com o campo democrático devem ser bem acolhidos, sem a contaminação do sectarismo ou do preconceito. Vale mais o interesse da nação do que disputas paroquianas.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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*twitter.com/lucianoPCdoB *Instagram lucianosiqueiram


Prazo de validade bem curto

Publicado em 24.05.2016 às 08:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em abril de 2014, a presidente afastada, Dilma Rousseff, em cerimônia no Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, ao lado do, então, presidente da Transpetro, Sérgio Machado, grifara: “A Petrobras jamais vai se confundir com qualquer malfeito, com corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoas das mais graduadas às menos graduadas. Nós, com determinação, estamos aqui nos comprometendo que o que tiver de ser apurado vai ser apurado com o máximo de rigor, o que tiver de ser punido vai ser punido também com o máximo de rigor”. Ontem, a divulgação de um áudio, captado pelo mesmo Sérgio Machado, hoje, ex-presidente da Transpetro, expôs conversa dele com o homem forte do governo do presidente interino, Michel Temer, Romero Jucá. No diálogo, ambos tratavam, exatamente, de um pacto para barrar as investigações da Lava Jato. Áudios piores envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-senador José Sarney, já são esperados por membros da base governista, que creditam o recente vazamento, à delação premiada, negociada por Machado com a PGR. O abalo deu-se com apenas 11 dias do governo interino de Temer. Além de senador e ministro, Jucá  é ainda o presidente nacional do PMDB, partido de Temer, que depositava nele perspectivas de interlocução com o Congresso. Ainda ontem, aliados da administração deixavam muito claro: “Jucá saiu e não volta. Licença é saída honrosa”.

Ministro do Planejamento, Jucá foi obrigado a pedir para sair

Reencontro amigável
No primeiro retorno ao Estado, após assumir o Ministério de Minas e Energia, Fernando Filho dirigiu-se, ao Palácio das Princesas, no sábado, onde teve audiência com o governador Paulo Câmara, por cerca de 40 minutos no sábado. O encontro sela também um entendimento após o deputado ter aceitado o convite, a despeito da posição contrária do governador.

Hora extra > Quem também passou pelo Palácio das Princesas, no mesmo dia, foi o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Dos quatro pernambucanos que assumiram pastas na Esplanada, foi o único que não vivenciou rusgas com o Palácio das Princesas, nos últimos dias.

Prego batido > Na reformulação que o governador Paulo Câmara ficou de apresentar até, no máximo, amanhã, o PMDB assumirá o Lafepe, cujo indicado para o cargo, Roberto Fonteles, é indicado de Fernando Dueire. Com o partido, também ficará a Secretaria de Micro e Pequena Empresa.

Jucepe > A Junta Comercial, que esteve sob o comando de Terezinha Nunes, do PSDB, passará à cota do Solidariedade.

Blindado > Para substituir Danilo Cabral, no Planejamento, estabeleceu-se uma prerrogativa: não mexer em Educação. A pasta fora sempre a menina dos olhos na gestão Eduardo Campos e para ela já há planos de incremento traçados, não cabendo, segundo socialistas, retirada de Fred Amâncio do posto.

Barganha >
 Nos corredores do Governo do Estado, circulara que o PP teria cogitado indicar a vereadora Michelle Collins para a vice da pré-candidata a prefeita, Priscila Krause. O argumento, dizem, teria dado, à sigla, munição. Um secretário lembra que o marido de Michelle, Cleiton Collins, teve 61.125 no Recife, em 2014.

(Foto: George Gianni/Divulgação)


Falta >
 O prefeito Geraldo Julio, razão do recente rompimento do governador com o PSDB, inaugura, hoje, a creche Tancredo Neves, nome do avô do presidente nacional do tucanato, Aécio Neves, que chegou a ser convidado a participar do ato, mas, segundo o prefeito, não deu resposta.


Impeachment entra em uma nova etapa

Publicado em 23.05.2016 às 08:09

Da Coluna Folha Política

O processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff vai entrar em uma nova etapa a partir de amanhã. O relator da comissão especial, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), apresentará o plano de trabalho com os próximos passos a serem tomados.

Dilma tem até 31 de maio para entregar uma nova defesa por escrito. Acusação e defesa vão juntar provas ao processo. Audiências, diligências e debates também devem ocorrer.

Depois disso, Anastasia vai elaborar um novo relatório para ser votado na comissão e depois no plenário – por maioria simples. Se esse novo relatório for aprovado, o julgamento definitivo será marcado.

O caminho a percorrer é esse. Mas o final da novela depende de outros fatores. Se na Câmara ficou claro que o julgamento foi político, agora o jogo inclui o próprio desempenho de Temer como presidente. Isso também ficou bem claro na fala do agora chanceler José Serra, ontem, ao afirmar que o Governo Temer não pode fracassar.

Erros, o atual Governo tem cometido aos montes, a recriação do MinC é outra prova disso. E a forma como essas trapalhadas serão solucionadas daqui pra frente com certeza vai entrar no foco dos senadores na hora de decidir pela volta de Dilma ao poder ou pela permanência de Temer.

De acordo com o agora chanceler José Serra (PSDB), o Governo Michel Temer não pode fracassar

Os astros e a política 
Uma das Escolas de Astrologia mais antigas do Brasil e da América Latina em atividade, a Academia Castor & Pólux, realiza, na próxima quinta-feira, o evento  “Brasil – O Lábaro que ostentas Estrelado” para comemorar seus 34 anos, com palestra de Eduardo maia. Na ocasião, um estudo sobre o Hino Nacional será apresentado e indicará metas e caminhos para o País. Com entrada franca, o encontro começará as 19h30 e será realizado no Sindsep-PE, na Rua Fernandes Vieira, 67.

Política para mulheres > O PSDB nacional, apoiado pelo PPS e DEM, quer emplacar a tucana Solange Jurema no comando da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério da Justiça. Para os partidos, Solange pode representar o segmento no Governo Temer, bastante criticado pela ausência de mulheres. Ela  presidiu o Conselho Nacional dos Direito da Mulher, em 1999, e foi a primeira ministra de Políticas para as Mulheres, em 2002, no governo FHC.

Juventude no PRB >
 Depois de visitar São Paulo, o deputado Silvio Costa Filho, pré-candidato do PRB à Prefeitura do Recife, cumpre agenda hoje e amanhã no Rio de Janeiro, onde terá encontro com o governador do Rio, Eduardo Paes, e visitará obras e projetos do governo municipal. No último sábado, o ato de filiação realizado pelo PRB Juventude atraiu mais de 100 pessoas ligadas ao movimento estudantil, ao comunitário e movimentos sociais.

Sem Crise > O movimento do Moda Center deve crescer em torno de 8% no São João e no lançamento das coleções de inverno, na comparação com 2015. Para atender a demanda, o parque de confecções expandiu o horário aos domingos e segundas-feiras, passando a funcionar das 7h às 18h até 27 de junho. Na avaliação do deputado estadual Diogo Moraes (PSB)  “o momento é de incrementar a qualidade dos serviços e buscar alternativas para manter o fluxo de clientes”.

OAB Nacional > A advogada Diana Câmara vai integrar a Secretaria Geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Nacional. Ela foi escolhida pelo presidente da instituição, Claudio Lamachia, e representará Pernambuco no Conselho Federal ao lado do advogado Delmiro Campos.


Insistente influência sob julgamento

Publicado em 22.05.2016 às 12:22

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ainda que seja réu no STF e esteja respondendo a ações penais, inclusive por ter participado de suposta tentativa de homicídio, o líder do governo Michel Temer, André Moura, teve sua indicação, para liderança, questionada, em boa medida, não só por ser ele mesmo alvo de investigações, mas, sobretudo, por representar a insistente influência do presidente afastado da Câmara Federal, Eduardo Cunha, sobre os parlamentares. No segundo mandato, André Moura tem sua projeção, nos últimos dias, creditada à atuação de Cunha, que, por sua vez, tem ligação forte com o presidente nacional do PSC, partido de André, o Pastor Everaldo. Na quinta-feira, quando foi ouvido, no Conselho de Ética, Eduardo Cunha tratou de tentar restringir o debate à existência ou não de contas suas no exterior. O deputado federal Betinho Gomes cuidou de apresentar resolução do Banco Central que obriga declaração de trust, sendo Cunha beneficiário. Cunha aproveitou para alegar, ainda, que não poderia ser condenado, uma vez que o processo da Lava Jato não fora concluído. O julgamento, no entanto, lembrou Betinho Gomes, é político, alegando que não precisaria esperar que o Conselho de Ética encerrasse  seus trabalhos. “O julgamento de Dilma foi político, embora tenha base jurídica. Da mesma forma, será o seu”, cravara Betinho.

Em entrevista, na sexta-feira, na Rede TV, Cunha falou em “golpe de sorte” sobre o afastamento de Dilma Rousseff

Corrida para passar bastão
Em meio à crise, tem secretário recorrendo ao bom humor para tratar das mudanças no primeiro escalão do Estado. “Em época de bonança, o cara passa os quatro anos à frente da secretaria. Quando está em crise, é revezamento de 4×100 metros. Em quatro anos de mandato, cada ano, passa um”, sapeca o auxiliar, ao comentar eventual ida do secretário da Fazenda, Márcio Stefanni, para Planejamento, como fora cogitado.

Pacote > Entre os secretários de Paulo Câmara, havia expectativa de que uma reformulação no primeiro escalão fosse fechada até hoje. Com a saída do secretário de Planejamento, Danilo Cabral, já dada como certa, a ideia era de que as demais mudanças previstas fossem anunciadas em um único pacote.

Espera > Se o Lafepe já era dado como certo na nova cota que o PMDB terá na gestão, havia interrogações sobre como se daria a acomodação na secretaria do Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo. Segundo socialistas, o governador teria pedido ao atual titular, Evandro Avelar, que aguardasse até que o martelo fosse batido no nome que o substituirá, razão pela qual ele não teria sido exonerado.

Incógnita 1 > No quarto mandato de deputado federal, Cadoca avalia que a saída para a Câmara, hoje, seria tirar o presidente afastado, Eduardo Cunha, e realizar nova eleição. “Vamos precisar aprovar uma série de reformas. Do jeito que a Câmara está, vai ser possivel?”, indaga.

Incógnita 2 > Na avaliação de Cadoca, “Cunha é um fenômeno”. E completa: “Em ousadia, em cara de pau, pelas articulações, pelas coisas que armou. Ele está prejudicando a vida brasileira”. E defende: “A Câmara teria que cassar ele. Mas como, se o Conselho de Ética não anda?”, realça.

Desativada > Nos corredores de Brasília, pesa a tese de que a escuta, encontrada no gabinete do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, teria sido direcionada, na realidade, ao ministro aposentado, Joaquim Barbosa, em razão do mensalão.


PTB já não descarta candidatura própria

Publicado em 21.05.2016 às 12:44

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

No momento em que vários partidos já lançaram pré-candidaturas majoritárias no Recife, o PTB nem apresentou candidato próprio e nem definiu quem apoiará. Se tem relação estreita com siglas como o PT e o PRB, a legenda também tem diálogo aberto com representantes do PSDB e do DEM. Na análise do senador Armando Monteiro Neto, líder-mor da sigla no Estado, o processo, no Recife, “é mais complexo” e ainda será necessário “discutir cenários”. Mas nada impede que haja, ainda, um ingrediente novo nesse debate. “O deputado José Chaves tem todas as credenciais para ser candidato a prefeito. Isso é indiscutível”, avalia o senador, à coluna. E prossegue: “Se o deputado José Chaves se colocar, por que não? Ele é um grande quadro”. Já conversaram sobre isso? “Não conversamos, mas ele tem credenciais. Isso significa que o processo está aberto ainda”, devolve Armando. As conversas com os petistas João Paulo e Humberto Costa têm sido frequentes, mas, por outro lado, ele lembra: “Temos Silvio Costa Filho (PRB) como uma pré-candidatura posta e temos, com ele, relação política antiga e consolidada. Ele se apresenta com muitas credenciais, de perfil novo, e possibilidade de ampliar o leque partidário”. As hipóteses “mais prováveis”, Armando deixa claro, são os caminhos que levam a Silvio Costa Filho e ao PT. O detalhe é que o próprio PT ainda não bateu o martelo sobre a candidatura própria na capital.

Sobre Olinda, Armando crava: “O PTB tem muita disposição de apoiar Teresa Leitão”.

Conversas mais avançadas
Em Olinda, as articulações do PTB parecem mais avançadas. Ontem, a deputada estadual Teresa Leitão, pré-candidata majoritária naquela cidade, foi à mesa com Armando. “Temos que esperar que o partido oficialize, mas ele (Armando) disse que tem todo apreço. Para mim, isso foi bom, porque o PT mostra, com isso, que não está isolado em Olinda”.

Sem briga > 
Teresa contabiliza ainda o apoio do PTN, de Ricardo Teobaldo. Mas lembra não ser sua intenção ir ao enfrentamento com PCdoB, em Olinda. “Podemos ficar em palanques diferentes, o que não vai significar ruptura, porque temos dois turnos”, explica ela.

Cenários… > No Recife, Teresa lembra que o PCdoB apoia o adversário do PT, que é o prefeito do Recife, Geraldo Julio. “Não dá para depender uma coisa da outra”, registra ela, referindo-se à falta de conexão entre definições do PT em Olinda e no Recife.

…distintos > “Se eles quisessem nos apoiar no Recife, seria bom. Mas eles descartam, porque vão manter aliança com o PSB”, contextualiza Teresa.

Porquinho > Em Maceió, durante a reunião dos governadores do Nordeste, os nove secretários da Fazenda, sentados juntos, se definiam como “o grupo dos lisos assumidos”. O titular da pasta em Pernambuco, Márcio Stefanni, diz que o clima era de “até quando a gente chega”. Leia-se: até onde os cofres suportam.

SPA > Stefanni, que teve nome cotado para assumir Planejamento, afirma estar “bem feliz“ em seu posto atual. “O cansaço foi tirado e estou tocando desafio enorme, trabalhando pelo Estado”, comemora.

Prepara 1 > A Fundação Liberdade e Cidadania, vinculada ao Democratas, realiza hoje (09h às 17h) e amanhã (09h às 12h), no Recife, curso de formação para candidatos a vereador. O ex-ministro Gustavo Krause e a deputada estadual e pré-candidata à Prefeitura do Recife, Priscila Krause, estão entre os palestrantes.

Prepara 2 >
 Haverá palestras sobre a capacidade transformadora do poder local, o papel do vereador, a política na era da internet, as redes sociais como instrumento de campanha e, por fim, as questões jurídicas. Será no Hotel Canarius.


Da bancada, 25% é de PE. Falta sintonia

Publicado em 20.05.2016 às 08:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O governador Paulo Câmara deve sacramentar, até a segunda-feira, o retorno do secretário de Planejamento, Danilo Cabral, à Câmara Federal. A movimentação tem relação direta com a opção que o presidente interino, Michel Temer, fez, ao montar um ministério congressual, visando a aprovar reformas, como a previdênciária, por exemplo. Em outras palavras, a expectativa é de que o Congresso volte a ter protagonismo do ponto de vista do processo legislativo. Governadores que têm força junto às bancadas têm, por tabela, nos ministérios e no governo. Nos últimos dias, pesou, entre governistas pernambucanos, a percepção de que a bancada federal do PSB, embora contabilize, agora, oito nomes de Pernambuco, tomou uma distância do executivo estadual, o que ficou nítido diante dos movimentos desalinhados entre o governador, o, então, líder, Fernando Filho, e seus liderados. Alguns expoentes da bancada, hoje, a exemplo de Danilo Forte (PSB/CE), ex-PMDB, e Heráclito Fortes (PSB/PI), ex-DEM, ingressaram na sigla, no contexto da campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos e conseguiram “se impor”, na análise dos próprios socialistas, a ponto de se “desconsiderar a linha orgânica e histórica que estava sendo decidida na reunião da Executiva Nacional”. Considerando que 25% da bancada socialista é de Pernambuco, a movimentação guarda uma lógica de que a busca pelo apoio da ala pernambucana deverá passar pelo crivo do governador. A necessidade de alinhar a atuação da bancada com as intenções do chefe do executivo estadual, inclusive, foi sugestão dada pelo deputado federal Jarbas Vasconcelos, na condição de ex-prefeito e ex-governador, durante o encontro que teve, na última sexta-feira, com o governador Paulo Câmara, conforme a coluna registrou com exclusividade.

Socialistas identificam “atropelos” nos últimos dias

Novo governo…
As pautas dos governadores do Nordeste, que reuniram-se, ontem, em Maceió (AL), não mudaram. A diferença é que, embora o grupo tenha levado os mesmos pleitos ao governo Dilma, por mais de uma vez, não foram atendidos. A expectativa, agora, é de que o novo governo esteja mais propenso ao diálogo.

…mesmas cobranças > Ao deixar o encontro,  Paulo Câmara listou cobranças que, agora, serão direcionadas a Michel Temer, entre elas, a liberação das operações de crédito, priorização de obras hídricas e debate sobre subfinanciamento da saúde.

Missão 1 > Se o secretário de Planejamento, Danilo Cabral, retorna à Câmara, o secretário de Turismo, Felipe Carreras, que também teve o nome ventilado para voltar a Brasília, fica, garantem socialistas.

Missão 2 > Nas coxias do Governo do Estado, fala-se que, entre outras motivações, está o fato de Carreras vir articulando uma solução viável para a questão da Arena Pernambuco.

Receita > A pasta do Planejamento tem um histórico de técnicos como titulares. O prefeito Geraldo Julio, por exemplo, passou por lá, assim como Fred Amâncio. Hoje, é o nome do secretário da Fazenda, Márcio Steffani, que aparece entre os cotados para substituir Danilo.

Minha Casa… > Ministro das Cidades, Bruno Araújo definiu, ontem, como já projetava fazer, que terá uma mulher à frente da Secretaria Nacional de Habitação: Maria Henriqueta Alves. Uma pessoa “competente e respeitada”, grifou ele à coluna.

…Minha Vida > A escolhida para ficar à frente do Minha Casa Minha Vida é Consultora Técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, representante da CNI, no conselho curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FTGS). E não deixa ser ser uma resposta à pressão, diante da ausência de mulheres no ministério.


Carimbo de Cunha e racha na bancada

Publicado em 19.05.2016 às 08:34

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Foi o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, que decidiu pelo afastamento do deputado federal Eduardo Cunha, da presidência da Câmara Federal. Considerou que ele “não tinha condições pessoais mínimas” de presidir a Casa. A decisão da Suprema Corte soara como um ponto a favor do presidente interino, Michel Temer, que, em tese, distanciava-se, assim, do vínculo com Cunha, sem precisar ter ele mesmo a iniciativa de trabalhar contra. Agora, a convite do próprio Temer, a gestão peemedebista buscou ligação com Cunha, via novo líder da bancada governista, André Moura. Nos bastidores, corre que o presidente interino teria ficado acuado e aceitara “como fato consumado” a indicação do centrão, bloco de 13 siglas, que inclui partidos como PP, PR e PSD e tem volume de votos que interessa ao governo. A opção, no entanto, levou, ontem, aliados de Temer, a exemplo dos deputados federais Jarbas Vasconcelos e Betinho Gomes, à tribuna, para criticar a escolha. Em outras palavras, mas a administração Temer teve início, e a base governista já está rachada. Da residência oficial, onde se encontra, Cunha mostra que exerce a mesma ou maior influência sobre deputados, a despeito da medida tomada pela Suprema Corte. São três poderes afrontados.

André Moura é acusado em investigações no STF, entre elas, por suposta tentativa de homicídio

Papel carbono
“Se Cunha quer prostituir e acabar de desmoralizar a Câmara Federal, é compreensível. Desmoralizar o Supremo aí já é complicado, presidindo a Casa de dentro de quatro paredes“, disparou o deputado federal Jarbas Vasconcelos, à coluna. “Não vou aceitar a escolha de um papel carbono de Eduardo Cunha”, acrescentou.

Tempos… > Do PSDB, Betinho Gomes, também aliado de Temer, tachou a indicação de André Moura como um “erro político”. E sapecou “Não me incluiria entre os liderados. A Câmara está passando por um momento ruim”.

…difíceis > Leia-se: um presidente afastado, um vice-presidente acusado de incapaz pelos colegas e investigado na Lava Jato e um líder do governo ligado a Eduardo Cunha e investigado na Lava Jato.

(Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR)

Foco > Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra telefonou, na segunda, para o vice-governador, Raul Henry, sugerindo visita a Pernambuco. Psiquiatra, queria conferir programas de apoio às famílias de crianças com microcefalia e compreender ineficiências do Bolsa Família. Quis ainda deixar marca de que o governo Temer não está apenas preocupado com economia, mas foca em programas sociais.

Braçadas > Em visita ao Compaz, ontem, Paulo Câmara, que já defendeu o Estado em provas de natação, disse que queria ser chamado para dar um mergulho na piscina, assim que ela ficasse pronta.

Fiscal > Mal o ministro da Educação, Mendonça Filho, assumiu, a deputada estadual Teresa Leitão já fez duas cobranças. Ontem, na tribuna, pediu que ele cumprisse o Plano Nacional de Educação.

Resposta > Após invasão e pichação da sede do PMDB-PE, ontem, Jarbas Vasconcelos defendeu, a Raul Henry, presidente estadual da sigla, uma “condenação veemente”. E subiu o tom: “É preciso fazer uma vistoria, se quebraram ou roubaram alguma coisa, porque vândalos são capazes de tudo”.


No Recife, PT tem PTB no horizonte

Publicado em 18.05.2016 às 08:26

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Após participar da reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília, o ex-prefeito do Recife, João Paulo, assumiu um tom mais firme sobre os planos do seu partido para disputa municipal. “O Recife caminha para candidatura própria e vai esperar data para anúncio“, declarou o petista, à coluna. Ele está ciente de que as diretrizes traçadas no encontro estreitam, ainda mais, as possibilidades de alianças. Nacionalmente, PDT e PCdoB aparecem como aliados preferencias do PT. No Recife, no entanto, ambas as siglas já estão envolvidas no projeto de reeleição do prefeito Geraldo Julio. Por outro lado, os episódios da última semana, envolvendo o PSB, que “demitiu”, da aliança, o PSDB e o DEM, reduzindo a Frente Popular, soou para João Paulo como um fato inesperado, que sinaliza “fragilidade” do PSB. “O quadro em Pernambuco é um quadro diferenciado. A prefeitura e o governo estão com quatro ministros que não o apoiam. Isso fragiliza. O DEM e o PSDB estão de olho na prefeitura e no governo, Fernando Bezerra Coelho também tem plano majoritário”, reflete João Paulo. Diante do cenário que considera como “delicado”, João Paulo, no entanto, vê chances de o PTB, do senador Armando Monteiro Neto, apoiar o PT, considerando que, em 2014, foi com os petistas que Armando formou aliança para concorrer ao Governo do Estado.

O encontro deu-se nos últimos dois dias. O senador Humberto Costa também passou por lá

Time em campo
Cerca de 20 membros das diretorias dos três maiores clubes de futebol de Pernambuco almoçaram, ontem, com o prefeito Geraldo Julio. O encontro, articulado pelos secretários Fred Oliveira e André Campos e pelo ex-vereador Zé Neves.

Torcida > A proposta foi estreitar o relacionamento entre o socialista e os representantes dos times. Geraldo falou da importância do incentivo ao esporte através dos clubes. Dirigentes se colocaram à disposição para firmar novas parcerias.

Cultura 1 >
 Presidente do PV-PE, Carlos Augusto enviou, aos pré-candidatos do partido, um documento com os 12 valores essenciais, entre eles, o compromisso com  a Cultura.“Um povo sem cultura não tem identidade. O que seria de Pernambuco, sem o frevo, o forró, o maracatu?”, indaga o texto.

Cultura 2 >
 E prossegue: “Portanto, a cultura é um patrimônio que tem que ser preservado. O PV é contra todas as formas de preconceito e discriminação”. O assunto será abordado por Jacques Ribemboim, no Encontro Estadual do PV, no sábado (21), no Hotel Manibu, em Boa Viagem, das 9h às 14h.

Neymar I >
  A CPI da Máfia do Futebol, ouviu, ontem, o empresário Neymar da Silva Santos, pai do atacante  Neymar. Segundo o relator, Fernando Monteiro, espera-se ter mais informações sobre os contratos de mídia, patrocínios e eventos envolvendo a CBF.

Neymar II > Denúncias de supostas sonegação e evasão fiscal, envolvendo o nome do jogador Neymar, foram alvo de questionamentos na audiência. Neymar Santos garante que pagou os tributos corretamente e atribui o problema jurídico a mudanças de interpretação nos critérios de cobrança da Receita Federal.

(Foto: Divulgação)

Eleitoral > Pouco após deixar as hostes do PSDB, a vereadora Aline Mariano, que integrou a gestão Geraldo Julio, viu o PSB romper com o tucanato. Filiada, agora, ao PMDB, deixou o escritório do deputado federal Jarbas Vasconcelos, na segunda, com a missão de reforçar as fileiras da sigla.


Dois riscos na luta que segue

Publicado em 17.05.2016 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Nos dias imediatos à confirmação, pelo Senado, da admissibilidade do processo do impeachment contra a presidenta Dilma e seu consequente afastamento do cargo, dois sentimentos devem ser evitados entre os milhares de líderes e ativistas da luta democrática.

Um é o sentimento de desânimo.

- Tanta luta e não deu em nada!, escreve-me pelo WhatsApp uma jovem militante.

- Nada disso, repondo. – Para os da minha geração, este é apenas um episódio de uma luta de longo curso, ainda que dramático e capaz de determinar os rumos imediatos da nação.

- Para a sua geração – prossigo -, talvez uma das primeiras experiências marcantes de combate por uma causa justa. A luta segue e estaremos todos em nossas trincheiras daqui por diante, na resistência à agenda neoliberal de Temer e em defesa dos direitos do povo e da nação. De fronte erguida e bandeiras alevantadas.

O outro sentimento, igualmente perigoso, é o do voluntarismo sectário.

- Agora o pau vai comer e vamos botar pra quebrar nos coxinhas e em todos os traidores que votaram pelo impeachment!, leio num dos grupos de debate no WhatsApp.

- Isso, companheiro! – reforça outro integrante do grupo. Fora PCdoB, PT e PSOL não sobrou ninguém, diz ele.

Aí vai uma carga imensa de simplificação, mecanicismo e sectarismo que a nada leva além do autoisolamento da esquerda.

Para não irmos longe, cá em terras pernambucanas, não se conhece nenhuma conquista histórica relevante – da Insurreição Pernambucana, que expulsou os holandeses, às eleições de Arraes para o governo estadual -, sem o concurso de frentes amplas e diversificadas.

E assim é na história humana, aqui e alhures.

Então, cabe renovar nova disposição de luta e ao mesmo tempo atiçar nossa sensibilidade tática para explorar toda e qualquer possibilidade de atrair grupos e frações das hostes das legendas que embarcaram na aventura do impeachment – quem sabe os votos de que necessitamos para evitar os dois terços finais no Senado e manter o mandato da presidenta Dilma.

Numa situação adversa como a em que nos encontramos agora, perder o descortino e quedar conformados ao isolamento é fazer o jogo das forças golpistas, em especial do seu núcleo duro, a oligarquia financeira e o complexo partidário-policial-midiático que urdiu e comandou o golpe.

A luta há que seguir – com firmeza e coragem e, ao mesmo tempo, amplitude e habilidade tática. Para que possamos adiante, reconstruídas nossas forças, ir à contraofensiva.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

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*twitter.com/lucianoPCdoB *Instagram lucianosiqueiram


Projeções de plano B, se for preciso

Publicado em 17.05.2016 às 08:19

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O governador Paulo Câmara e o senador Fernando Bezerra Coelho embarcaram no mesmo avião para agenda em Arcoverde, ontem. No discurso, naquela cidade, o senador tratou de dar algumas senhas sobre o atual momento do PSB. “Podemos ter visões distintas. Mas meu empenho é pelo sucesso de Paulo Câmara. Tenho um compromisso inafastável com a Frente Popular e com a liderança de Paulo Câmara. Quem apostar em intrigas e divisões do PSB vai quebrar a cara”, disparou o senador. As palavras vêm após o deputado federal Fernando Filho ter assumido o Ministério de Minas e Energia, a despeito do chefe do executivo estadual ter marcado posição contrária. Entre socialistas, houve quem fizesse projeções de mudanças no xadrez eleitoral de Petrolina, como consequência. Como eventual plano B para aquela cidade, caso a relação do grupo de Fernando com o PSB azedasse de vez, passou-se a falar, nos bastidores, em eventual apoio do senador a uma candidatura do vice-prefeito, Guilherme Coelho, que teria ainda a simpatia do prefeito Júlio Lóssio. E seria, grifa um socialista em reserva, um nome da unidade dos Coelho e do governo Michel Temer, considerando que Guilherme é do PSDB. Mas, pelas palavras de Fernando, ele prefere manter o plano A, a não ser que o governador julgue não ser mais viável, como ocorreu com o DEM e o PSDB.

Paulo e Fernando participaram da inauguração do novo pátio coberto da Feira de São Cristovão

Já sem motivo para…
Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar recebeu um telefonema do deputado federal Betinho Gomes. O tucano queria saber sobre as chances de apoio ao seu projeto majoritário no Cabo. Bivar devolveu: “Mas e, no Recife, você nos apoia?”.

…negar > De Betinho, Bivar ouviu que isso estava “fechadíssimo”. O PSL ocupa a vice do pré-candidato a prefeito do Recife, Daniel Coelho. Bivar pondera que, até então, havia dúvidas quanto ao Cabo, devido a uma possível “resistência” dos Gomes em relação à postulação de Daniel Coelho. “Agora, acabou. PSL vai dar esse apoio no Cabo. Firmamos isso e fechamos apoio a Daniel Coelho no Recife”, assinala o dirigente nacional do PSL.

Boas… > O prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, seguiu para Brasília ontem, e cumpre agenda por lá ainda hoje. Cuida de fazer visitas aos quatro ministros de Pernambuco. Espera que eles possam cumprir uma agenda conjunto no Parque Nacional dos Guararapes. Foi fazer os convites.

…Vindas > A ideia do tucano é de que eles possam fazer a visita no mesmo dia. Lembra que há ações em andamento na cidade, vinculadas aos quatro ministérios. Ontem, Elias esteve com o ministro da Educação, Mendonça Filho, e com o da Defesa, Raul Jungmann.

Base… > Bem relacionado com o setor industrial armamentista na área militar, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, pretende consolidar parcerias com o Governo de Pernambuco para trazer investimentos.

…industrial >
 “A base industrial de defesa é importantíssima. Vou procurar oportunidades que Pernambuco tem para esse segmento. Acredito que tem porque desenvolve tecnologia e gera emprego”, informa Jungmann.

Liderança >  O deputado federal Tadeu Alencar figura entre os nomes da bancada que tem disposição para assumir a liderança do PSB. Com a chegada de mais dois suplentes socialistas, a bancada pernambucana da sigla deve chegar a nove, sendo a maior.


Epílogo

Publicado em 16.05.2016 às 08:09

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Por Daniel Leite
Na Coluna Folha Política

Eram 10h da manhã. Dia 12 de abril de 2016. Em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, mulheres. “Pisa ligeiro, pisa ligeiro. Quem não pode com as mulheres não assanha o formigueiro”, cantavam. Lá dentro, em uma sala reservada para a coletiva de imprensa de Dilma, mais mulheres, rostos inconformados, pessoas simples, flores. Poucos políticos, claro. Ela havia sido afastada no mesmo dia, justamente por não conseguir apoios dentro do Congresso. Mas, se faltavam “notáveis” naquele ambiente, sobrava gente do lado de fora. Eu assistia atentamente o seu discurso, quando resolvi olhar para trás. Pela enorme janela de vidro que dava para a parte externa do prédio, vi milhares de pessoas, que esperavam ansiosamente para se despedir daquela mulher. Ela desce. Não pela rampa, mas pela lateral. E é calorosamente recebida pelos manifestantes, que carregavam balões em formato de coração e bandeiras do Brasil.

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Horas depois, lá estava eu, na mesma sala. Agora, era a vez de Michel Temer dizer algumas palavras. Mas o lugar não era mais o mesmo. Haviam muito mais paletós e gravatas, raríssimas mulheres. Rostos conhecidos da política tradicional, que não hesitavam em externar o sabor da vitória. Risos, selfies e comemorações. Políticos se espremiam e disputavam espaço para ficar o mais perto possível daquele homem. Tanto que sofreram forte protesto da imprensa, que não conseguia captar a imagem do púlpito, onde o presidente interino daria o ar de sua graça. Nesta hora, mais risos e olhares de desprezo. Durante o discurso de “salvação nacional”, espaço garantido para a palavra “ordem” e orações. “O que nós queremos fazer agora, com o Brasil, é um ato religioso, é um ato de religação de toda a sociedade brasileira com os valores fundamentais do nosso País”. Por instinto, olho novamente para trás. Através daquela mesma janela de vidro, vi mulheres e homens sendo espancados pela polícia, em frente ao Palácio. No chão, ficaram as flores pisoteadas. No ar, a certeza da História.

Dois pesos… > 
Mal assumiu o novo ministério da Fazenda, o interino Henrique Meirelles já cogitou aplicar tributos “temporários”, como a CPMF. Porém, quando a presidente afastada Dilma Rousseff pensou em tomar a mesma medida, em setembro de 2015, a oposição criticou exaustivamente a proposta.

… a mesma medida > 
Na época, um dos que condenaram a recriação da CPMF foi o atual ministro interino da Educação, Mendonça Filho (DEM), que chegou a lançar a campanha “Basta de Imposto”. “Ela apresenta à sociedade soluções superficiais, que não resolvem a crise e vão na direção errada, como a elevação da carga tributária”, disse, na ocasião.

Tudo é… > 
Antes fiel escudeiro de Eduardo Cunha, o deputado Leonardo Picciani (PMDB) protagonizou diversos atritos com o antigo aliado e se aproximou do governo em 2015. E seguida, foi alvo da artilharia de Michel Temer, que articulou sua expulsão da liderança do partido na Câmara.

… uma questão… > 
Com apoio do governo, Picciani deu a volta por cima e garantiu novamente a liderança, este ano, após derrotar o candidato de Cunha. Além disso, votou contra o impeachment de Dilma. Mas, como num passe de mágica, o peemedebista foi escolhido para ser o ministro dos Esportes do governo Temer.

… de coincidência > 
Na carta de rompimento dirigida à Dilma, no final do ano passado, Temer se queixou de ter sido substituído por Picciani nas articulações com o PMDB. O deputado, então, afirmou que “o vice não queria o fortalecimento da bancada”.


Em PE, nova geografia política como reflexo

Publicado em 13.05.2016 às 08:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A primeira reunião do presidente interino, Michel Temer, com sua equipe ministerial está marcada para as 9h de hoje. Na mesa, quatro representantes de Pernambuco terão assento: Mendonça Filho (Educação), Bruno Araújo (Cidades), Raul Jungmann (Defesa) e Fernando Filho (Minas e Energia). A escalação aponta para um dos reflexos imediatos da nova administração do Planalto na esfera local: uma geografia política diferente. A posse dos ministros pernambucanos gera uma pluralidade de polos de poder. Se, até pouco tempo, o ex-governador Eduardo Campos exercera um poder hegemônico com as demais siglas orbitando ao seu redor, a ida do DEM, do PSDB e do PPS para a Esplanada – partidos que, por muito tempo, permaneceram na planície no Estado – altera, em alguma medida, esse equilíbrio de forças. Só o orçamento das Cidades, dirigido a investimento, envolve algo em torno de R$ 13 bilhões. A fragmentação em termos de poder vem acompanhada da movimentação em torno das eleições municipais, que, na quarta, já implicou na ruptura do PSB com o DEM e o PSDB. Em outra ponta, a ida de Fernando Filho para o ministério demarcou medição de forças entre socialistas, que dividiram-se sobre ocupação de espaço no governo do PMDB. Novos desdobramentos ainda podem se dar no plano estadual.

No mais tardar na segunda-feira, o governo Temer deve estar apresentando pacote robusto para economia

“Concorrência para ver quem traz mais”
Secretário da Casa Civil, Antônio Figueira avalia como “muito positivo” a presença de quatro ministros pernambucanos no ministério de Temer. “Mostra a importância política de Pernambuco. Não é singelo o Estado ter quatro ministros”, observa. E aposta numa “concorrência salutar e benéfica para ver quem traz mais ajuda”. Compara com tempo em que Eduardo Campos e Humberto Costa eram ministros de Lula.

Liderança 1 > Não foi a primeira vez que Fernando Filho construiu, junto à bancada, uma posição que não estava, necessariamente, alinhada com a do Palácio das Princesas. Em 2015, disputou a liderança da sigla diante de alguma resistência de membros do governo. Chegou a colher assinaturas, protocolou e acabou líder.

Liderança 2 > Na época, estabeleceu-se algum condicionante entre a posição do irmão de Fernando Filho, o deputado Miguel Coelho, no processo da Mesa Diretora e a questão da liderança da bancada.

Na prática 1 > Ainda que o governador Paulo Câmara tenha trabalhado para que o PSB não tivesse participação na gestão Temer, Fernando Filho virou ministro de Minas e Energia.

Na prática 2 > Como a coluna cantara a pedra, na prática, a vontade da bancada do PSB prevaleceu.

Futuro > Já exonerado da Sudene, João Paulo embarca para Brasília, na terça-feira, onde participa de reunião da direção nacional do PT. O foco deve ser a conjuntura envolvendo Dilma, mas ele não descarta que eleições municipais entrem na pauta. A saída da Sudene foi antecipada. Prazo de desincompatibilização era 2 de junho.

Escanteio > Depois que representantes do DEM e do PSDB foram afastados da gestão Paulo Câmara e deixaram de ocupar espaços na PCR, nos bastidores, houve quem lembrasse que partidos, como o PDT, que se mantiveram alinhados à Frente Popular, acabaram menos contemplado que os, agora, adversários.

Bola da vez > O governador Paulo Câmara vai à mesa com o vice-governador Raul Henry para decidir o novo espaço do PMDB na gestão estadual. Ainda não se delimitou, exatamente, o acréscimo que haverá, mas a ampliação já está no script, como a coluna antecipara.


Na Luta, pelos direitos do povo

Publicado em 12.05.2016 às 20:50

Por Paulo Rubem Santiago
Ex-deputado federal

A consolidação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado da República coloca o país diante de um cenário arriscadíssimo, do ponto de vista do processo democrático e, também, sob a perspectiva da manutenção e expansão das conquistas sociais desenvolvidas desde a eleição de Lula em 2002. No meio disso tudo, é importante registrar que, além do Presidente Renan Calheiros, denunciado diversas vezes pelo procurador geral da República ao STF, quase 1/3 dos senadores responde a ações da mesma natureza, o que demonstra a falta de legitimidade de boa parte dos parlamentares daquela Casa para deliberar acerca do afastamento ou não da presidente Dilma.

Ainda assim, consolidado o afastamento, sustentado numa aliança que se assemelha a um autêntico Frankstein político (PMDB+DEM+PSDB+PP e outros), será urgente a construção de ampla resistência nacional frente às ameaças que se anunciam, com previsão de corte de gastos sociais no orçamento, mudanças nas leis do salário mínimo e sua vinculação ao pagamento de benefícios da previdência, entre outras medidas conservadoras.

Sobre esses aspectos vale salientar que estudo recentemente publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), instituição federal respeitadíssima, aponta que as alterações promovidas no salário mínimo, com sua correção acima da inflação, e sua utilização como base para o pagamento dos benefícios da previdência social foram os dois pilares mais importantes para a acentuada redução da pobreza no país nos últimos anos. Exatamente por isso é que são preocupantes as notícias de que um eventual governo Temer trabalhará, sob pressão dos empresários e dos mercados financeiros, pela mudança dessas regras.

Para enfrentarmos essas ameaças conservadoras, uma nova hegemonia política deve ser construída a partir da crise em curso e de um eventual afastamento de Dilma, por 180 dias ou até 2018. Ao lado dessa nova hegemonia, um novo modelo econômico deve ser debatido às claras, em oposição ao eventual governo provisório, com transparência, diverso das soluções que PMDB-DEM-PSDB e outros querem impor por meio do impeachment.

Através da nova hegemonia no campo das forças de oposição ao golpe, a democracia deve se apropriar do debate econômico, nos sindicatos, nas universidades e comunidades de base no campo e na cidade. Não é mais possível deixar que decisões vitais para o país, decisões que afetam o investimento, a produção, o emprego, a renda e o desenvolvimento sejam debatidas e tomadas pela união criminosa de grupos financeiros nacionais e internacionais.

Impeachment sem crime configurado é golpe, mas com ou sem ele o país precisa com urgência desmontar os dogmas, as armadilhas, as convenções e manipulações do capital financeiro e seus porta-vozes bem pagos na mídia, usadas para favorecer um modelo de acumulação de riquezas contra a maioria da sociedade.

É preciso desmascarar a “teoria” que manipula o diagnóstico da inflação para justificar os altos juros aplicados contra a mesma.

Esse sistema de análise e enfrentamento da inflação é uma manobra a favor dos que ganham com a dívida pública. É preciso reverter o modelo de baixa tributação sobre os mais ricos e suas diversas formas de patrimônio.

É urgente desmontar o modelo onde muitas das relações público-privadas visam mais e mais o enriquecimento ilícito e aumentar o poder político para seus agentes, através da corrupção e da sonegação. O país não pode ser assaltado, não pode ser manipulado, não pode ser reduzido a um satélite das grandes corporações e fundos financeiros, ávidos por nossas riquezas e oportunidades.

O país não pode ver seu projeto de desenvolvimento retroceder e voltar a ser, como outrora, um mero exportador de produtos agrícolas e bens semi-manufaturados, enquanto é forçado a importar tecnologias e bens de capital.

Temos um longo amanhecer pela frente, um projeto de país a construir, com sustentabilidade, com promoção de políticas de investimento, emprego, melhoria da renda, evolução da educação e da saúde públicas com qualidade, bem como consolidação e expansão dos demais direitos sociais.

Nessa caminhada nada nos abaterá, nada. Nada nos manterá submissos, seja ao crime organizado contra o patrimônio da nação, ou ao processo de acumulação financeira que sufoca nossas receitas com a dívida pública e seus encargos parasitários no tesouro nacional. É preciso recompor o diálogo fértil e produtivo entre nossa comunidade acadêmica e nossos agentes políticos, sejam eles os partidos de esquerda, democráticos e populares ou movimentos sociais e sindicais que lutam por direitos, mais e melhores empregos. Com urgência.

Esse divórcio, iniciado alguns anos atrás, enfraqueceu nossa capacidade de intervenção na realidade, tornou-nos reféns da supremacia dos mercados, das alianças fisiológicas sustentadas em orçamento e poder e da manipulação da opinião pública pela mídia concentrada em não mais que meia dúzia de grupos econômicos.

Vamos à luta.

Como nos disse Celso Furtado em 1998: “As soluções só surgem numa sociedade quando existem forças empenhadas nisso”.