Opinião

Entre acertos e erros, lições

Publicado em 10.02.2016 às 19:20

Márcio Didier
Editor do Blog da Folha

O Carnaval acabou e deixou um rastro de alegria para trás e um rol de insatisfações para frente. E, em ano eleitoral, essa segunda parte tem um peso muito mais forte do que a alegria efêmera da festa. Recife e Olinda montaram as suas programações, enfeitaram a cidade, projetaram a festa. Mas tiveram pecados, potencializados pelas redes sociais.

Primeiro, um problema comum às duas cidades. Recorrente, mas que aparece mais forte no Carnaval: a questão do transporte. Em Olinda, dezenas de táxis disputaram as ruas com os foliões, colocando em risco a integridade de quem brinca e provocando uma disputa insana em busca de algum taxista que tivesse disposição de levá-lo. Porque, assim como no Recife, o taxímetro era artigo descartável no Carnaval. Valia, apenas, o preço pré-acertado da corrida.

Engraçado como nenhuma das gestões pensou em organizar essa questão de táxi, dedicando um espaço exclusivo para embarque de passageiros, com filas organizadas e sem dar o direito ao taxista “escolher” o passageiro. O trânsito, os passageiros e a integridade dos foliões agradeceriam.

Se não bastasse a questão do transporte, Recife ainda enfrentou uma forte onda de críticas nas redes sociais por causa de tumultos ocorridos no Marco Zero na noite da segunda-feira (8). A prefeitura apostou na escalação de uma grade de artistas forte, num local que já há alguns meses arrastões aos domingos têm sido frequentes, como tem mostrado as edições da Folha de Pernambuco.

A organização não levou em conta o apelo popular das bandas Nação Zumbi, Jota Quest e o Rappa, cada qual com a sua tribo. Resultado: excesso de um público heterogêneo, somado com vários grupos de pessoas que estavam pouco se lixando com o que estava ocorrendo no palco. Queriam resolver as diferenças com o bando rival. Mas, como foi dito, nada que já não tivesse ocorrido nos domingos no Bairro do Recife.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio, na coletiva que concedeu para fazer o balanço da festa, afirmou que as falhas servem de aprendizado, para que não se repita. Que assim seja para todos os gestores. Não pela imagem da PCR ou da Prefeitura de Olinda, mas pelo bem-estar da população.


Ceder ou não a cabeça de chapa

Publicado em 5.02.2016 às 09:40

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em seu último ano de gestão, o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, mantém relação administrativa com o Governo do Estado, melhor do que tinha na época de Eduardo Campos, mas também nada tão estreito que o faça abrir mão da cabeça de chapa em favor do PSB. “Em 2017, vou sair. Evidentemente, nessa discussão partidária, nós vamos ter que conversar”, ponderou Lóssio à coluna. E prosseguiu: “O PSB não pode querer ser candidato a prefeito do Recife, ser candidato a governador e colocar o PMDB só na vice e lá (em Petrolina) querer a cabeça de chapa e a gente ficar sendo vice lá também. É preciso haver um diálogo em relação a isso. Se for para construir uma relação a nível estadual, a gente sentar e definir”. Lóssio diz que vai consultar o presidente estadual, Raul Henry, e o deputado federal Jarbas Vasconcelos sobre a possibilidade de o PMDB abrir mão da cabeça de chapa por lá. No entanto, Raul costuma dizer que, em Petrolina, quem comanda o diretório é Lóssio e, portanto, ele teria autonomia para resolver sua sucessão.

A despeito da cultura do PSB de não interferir nos diretórios municipais, Lóssio diz que quer ouvir Raul e Jarbas

Lóssio quer saber
Lóssio diz que vai dirigir-se a Jarbas Vasconcelos com a seguinte pergunta: “Olhe, vocês acham que a gente deve abdicar da cabeça de chapa em Petrolina?” Mas e o próprio Júlio Lóssio acha que deve abrir mão? “Todo partido que ter o poder. Inclusive, eu tava lendo (Friedrich) Nietzsche , que escreveu que onde há vida, há briga pelo poder”, devolve.


Enquanto não flexibiliza crédito

Publicado em 4.02.2016 às 09:30

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A Desvinculação das Receitas dos Estados (DRE) e a dos Municípios (DRM), propostas pela presidente Dilma, em sua mensagem ao Congresso, representa, para gestores municipais e estaduais, mais liberdade para gastar. Quando muitas prefeituras não conseguem atingir o mínimo de 25% de investimento em Educação e 12% em Saúde, a medida flexibilizaria a aplicação de recursos nessas áreas, até então, preservadas pela vinculação. Se há quem possa comemorar, a iniciativa, por outro lado, gera risco de retração das verbas destinadas a tais setores. Para Pernambuco, o governador Paulo Câmara avalia que a proposta, caso viesse a se concretizar, não faria diferença, uma vez que a administração já investe a mais em Saúde (16%) e Educação (26%). Nas palavras de Dilma: “Proporemos a adoção da DRE e da DRM, ou seja, proporemos uma desvinculação de receitas dos estados e uma desvinculação de receitas dos municípios. As três esferas de governo precisam de mais flexibilidade para gerir o orçamento”. O que os governadores aguardam mesmo é a flexibilização das operações de crédito.

Dilma
 referiu-se ainda à DRE e à DRM como fonte de “novas receitas para dar sustentabilidade à transição do ajuste fiscal à reforma fiscal”


Visita improvável sem receita nova

Publicado em 3.02.2016 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A presidente Dilma vem repisando que está disposta a abrir diálogo. E voltou a usar a expressão, ontem, durante a leitura da mensagem ao Congresso. Empenhada, foi até o plenário falar aos parlamentares, mas a recepção não foi tão calorosa – levou vaias. O mau humor dos espectadores foi acionado pela receita que a petista apresentou para o déficit nas contas: cobrar mais imposto. Insistiu na CPMF, como “ponte necessária entre a urgência do curto prazo e a necessária estabilidade fiscal do médio prazo”. Apelou à boa vontade dos parlamentares que, a depender das vaias, não é das maiores. Pregou ação contra o zika vírus, que desafia a saúde pública, cujo ministério é comandado pelo PMDB como resultado de uma articulação política em busca de apoio ao governo. Dilma não apresentou agenda, nem soluções inéditas e voltou a pautar a reforma da previdência, tema rejeitado por petistas. Promessas de reformas vêm sendo feitas pelo PT, que já está no 14º ano de governo, o que impõe à Dilma a condição de causa dos problemas, tornando maior seu desafio atrair apostas às suas sugestões. Ainda mais quando se trata de mais alta de imposto.

A ida ao Congresso foi um gesto, numa tentativa de estabelecer diálogo com os parlamentares, conforme a presidente Dilma Rousseff vem se propondo a fazer


Ouvidoria? Linha direta é a solução

Publicado em 2.02.2016 às 18:46

(Foto: Rinaldo Marques/Alepe)

Márcio Didier
Editor do Blog da Folha

A audiência pública convocada pela oposição na Assembleia Legislativa para debater a crise no sistema prisional do Estado, se nada tivesse de produtivo, ao menos serviu para constatar que o secretário de Justiça e Direito Humanos, Pedro Eurico, continua sem qualquer filtro nas suas declarações, e que o desmantelo na área é crônico e sem perspectiva de melhora a curto prazo.

Ao dizer que fornece o seu número de celular aos presos, ratificando que os aparelhos transitam tranquilamente nos presídios, Pedro Eurico admite a completa incapacidade do Estado em controlar o sistema prisional. Prova que os presos realmente estão acima da lei.

O secretário tentou remendar o que já está esgarçado. Disse que era uma questão de direitos humanos. Que bom. Corria o risco de a gente pensar que os celulares fossem usados pra combinar fugas, tratar de tráfico e falar com os parentes. Felizmente é só questão de direitos humanos.

Mas o secretário fez outra tentativa de compensar. Afirmou que foram apreendidos mais de quatro mil celulares nas unidades. Mas, pensando bem, qual o detento que não gostaria ter um celular para ter uma linha direta com o secretário? Ouvidoria? isso é coisa do passado. Muito melhor linha direta com quem manda.

Diante da declaração do secretário Pedro Eurico, fica fácil perceber porque os presos fazem e acontecem nos presídios do Recife. Estão sem limites. Apostam na desordem, que, hoje, soubemos que é consentida pelo Estado.


Cidade orfã da verve de Liberato

Publicado em 14.01.2016 às 09:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da coluna Folha Política

A mesa estava farta para o café da manhã, naquele início de 2015, e a verve do anfitrião, como sempre, afiada. Já perto de completar 100 anos, Liberato Costa Júnior, sem muito esforço, desconcertou os convidados. “Paulo, dê, a Raul, muitas tarefas, porque vice ocioso só faz uma coisa: é conspirar contra o titular”. Dirigia-se ao governador Paulo Câmara, que ouvia atento o conselho. E referia-se ao correligionário e vice-governador, Raul Henry. Foi uma risadagem só. O decano da Casa de José Mariano era habilidoso contador de histórias e formulador de teses de efeito. Ainda ocupava uma cadeira na Câmara de Vereadores, quando recebeu um telefonema de André de Paula: “Vai chegar, na Casa, uma pessoa especial e você vai gostar muito dela”. “Ah! Mas ela é muito espevitada”, devolvera o peemedebista, mais uma vez, gerando risada. A relação com Priscila, marcada pela desconfiança de ambos os lados, dada a diferença de idade, foi crescendo. Foi a democrata, junto com Henrique Leite, que organizou a primeira feijoada de aniversário de Liberato, em 2013, após ele deixar a vereança. Ontem, procurada para dar uma palavra sobre o velho amigo, Priscila chorava muito ao telefone, concordando com a definição de Cadoca, que define Liberato como um dos personagens sem o qual a história do Recife não pode ser contada.

Priscila Krause, que volta, hoje, de Alagoas, onde estava de férias, para o sepultamento de Liberato, recorda: “Ele não abria a boca para falar coisa irrelevante”

Por recomendações médicas
O deputado federal Jarbas Vasconcelos acabou impossibilitado de comparecer ao velório e ao enterro de Liberato Costa Júnior, devido a uma fratura no cóccix, que o levou ao “estaleiro“ pelos próximos dez dias, ao menos.

Diagnóstico – A lesão, resultado de um acidente doméstico, ocorrido ainda em dezembro, só foi identificada ontem, após a realização de uma segunda etapa de exames. Jarbas, no entanto, enviou nota realçando o “espírito público” de Liberato e a ligação dele com o Recife.

Início – Raul Henry conheceu Liberato quando tinha 20 anos de idade, durante a campanha de Jarbas Vasconcelos a prefeito do Recife, em 1985.

Despedida – Foi de Henry a missão de ir até a casa de Liberato, no ano passado, para explicar que não mais exigiria presença na executiva do PMDB, dada suas condições de mobilidade.

Memórias – Priscila Krause dizia muito a Liberato que ele deveria narrar suas história a um jornalista para que isso fosse transformado em livro. “Ele dizia que não queria”, lembra ela.

Café com... – A Paulo Câmara, em meio a café da manhã, no ano passado, Liberato deu um conselho que marcou o governador. “Ele disse para eu ir às ruas, conversar com o povo, não ficar preso no gabinete”, recorda o socialista.

…leite
– Em meio às memórias, o governador observa: “Ele tinha razão. Os governantes têm que ouvir cada vez mais”. E aproveita o gancho da orientação de Liberato para transferir o conselho à presidente Dilma: “Isto vale para todos, principalmente para o Governo Federal”.


Um tom mais elevado e claro

Publicado em 27.12.2015 às 12:20

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Na penúltima agenda da presidente Dilma, em Pernambuco, cuja pauta foi o Aedes aegypti, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, levou falta. A despeito do compromisso familiar, o qual apresentou como justificativa, o gestor tem adotado uma postura firme, quando o assunto é a condução do Governo Federal: desde 2014, vem apontando o dedo, de forma enfática, para os erros da petista, sem titubear. É mais duro nas críticas do que o governador Paulo Câmara. Se Paulo chegou a participar de reunião sobre o impeachment, no Planalto, na qual terminou assinando a “Carta pela Legalidade”, que rendeu interpretações de apoio ao governo e o obrigou a se explicar, Geraldo, quando dá, nem chega a ir para encontros com a presidente. Também não compareceu ao Dialoga Brasil, em agosto, ato político do Governo Federal, no qual o governador terminou vaiado. Na entrevista de balanço de 2015 à Folha, Geraldo defendeu que o processo de impeachment “precisa ser instruído para a gente ter uma conclusão sobre ele”. O texto do manifesto que Paulo assinou começa com o repúdio ao impeachment: “Os governadores estaduais vêm, por meio desta, manifestar-se contrariamente ao acolhimento do pedido de abertura de processo de impeachment”.

Na avaliação de Geraldo, os erros do Governo Federal vêm de cinco ou seis anos atrás. Atribui, assim, parcela de culpa também a Lula

Refrescando a memória
“Mantivemos candidatura mesmo com o acidente de Eduardo e não votamos nesse governo no 2º turno”, grifou Geraldo Julio em entrevista à Folha, lembrando posicionamento do ex-governador sobre “condução política equivocada”, como Geraldo define, do Governo Dilma.

Porta-voz - Foi Geraldo o porta-voz, que elevou o tom na campanha de 2014 contra a petista. Em reunião recente da executiva estadual, exibiu entrevista de Eduardo Campos, no Canal Livre, na qual o ex-governador pregava que o Brasil só iria melhorar “se tirasse esse governo que está aí”.

Vídeo – Na entrevista à Folha, Geraldo reforçou a tese, defendida por ele, na reunião fechada da executiva estadual do PSB, quando lembrou, aos correligionários, a posição de Campos.

Defesa – Se é mais enfático, Geraldo, por outro lado, não condenou postura mais diplomática de Paulo Câmara. “Isso não é ficar em cima do muro”, defendeu o aliado.

Diferença – E diferenciou: “Somos contra esse governo e não achamos que esse governo faz bem ao País. Causa desemprego, inflação (…) Mas o processo de impeachment é outra coisa”.

Lacônico 1 - Tanto o prefeito Geraldo Julio como o deputado federal Jarbas Vasconcelos recorrem a respostas bem curtas e enxutas, quando perguntados um sobre o outro. Indagado sobre suposto estremecimento na relação com o deputado federal, o prefeito resume: “Minha relação com Jarbas permanece muito boa”.

Lacônico 2 - No dia que recebeu a visita do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, em sua casa, Jarbas também foi indagado sobre Geraldo Julio e sapecou apenas: “Nossa relação é formal”. Rumores correm, desde que Jarbas não convidou o prefeito para seu aniversário.


Ganhou tempo e provas contra si

Publicado em 26.12.2015 às 12:24

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot usou 190 páginas para elencar, ao STF, seus argumentos que sugerem o afastamento do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha. O STF, no entanto, resolveu levar o material a julgamento só em fevereiro, após o recesso. Janot procolou o pedido no mesmo dia em que a corte começou a julgar o rito do impeachment da presidente Dilma. Agora, a sugestão do procurador pode ganhar reforço, uma vez que o Banco Central abriu processo administrativo para analisar as contas de Cunha no exterior. O parecer do BC, encaminhado à PGE, afirma que o peemedebista se omitiu “por 14 anos do dever de declarar, ao BC, os valores de bens existentes fora do território nacional”. Nova denúncia por lavagem de dinheiro e evasão de divisas pode vir a se consolidar. Responsável por abrir o processo de impeachment contra presidente, Cunha tem sido acusado de tirar a legitimidade do mesmo. Em sua maioria, segundo Datafolha, deputados defendem a saída dele o mais rápido possível. Se ganhou tempo de presente de Natal, levou, de quebra, novos indícios contra si.

É dever dos brasileiros, segundo normas do Banco Central, declarar bens, direitos ou valores no exterior, que sejam iguas ou superiores ao limite de US$100 mil

Ritmo brasileiro 
“Isso é coisa do Brasil, só acontece no Brasil. Aí, pergunta-se por que esse desespero, por que esse desencanto? Está aí o exemplo, o porquê de ninguém acreditar nas coisas”. A avaliação é do deputado federal Jarbas Vasconcelos sobre a decisão do STF de só avaliar o pedido de afastamento de Cunha após o recesso.

Sem segredos - “O voto secreto é incompatível com o mundo moderno. Com o eleitor tendo acesso direto, via Whats App e redes sociais, aos parlamentares, ele exige saber o posicionamento do seu representante. A afirmação é de Jayme Asfora, autor do projeto que acabou com voto secreto na Câmara do Recife.

Exemplos - Jayme cita decisões recentes do STF: “Foi assim no caso Delcídio Amaral e foi isso que o STF pacificou na última semana”.

Nesse… - Os parlamentares ainda pretendem questionar o STF quanto a esse voto secreto em específico. O veto foi dirigido a voto secreto para eleição da comissão do impeachment.

…caso - Demais eleições, na Casa e no próprio poder Judiciário, no entanto, costumam ocorrer via voto secreto, para não deixar quem vota exposto. E isso inquieta deputados.


“Alckmin foi sempre gentil com Eduardo”

Publicado em 25.12.2015 às 12:07

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Presidente do PSB paulista e vice-governador de São Paulo, Márcio França guarda uma recordação: “Geraldo Alckmin foi muito correto nos momentos mais difíceis, após o acidente de Eduardo Campos. Todo mundo no PSB tem muita admiração por ele”. O dirigente lembra ainda da “paciência” que teve Alckmin com Marina Silva, durante a campanha presidencial, quando ela não aceitava a aliança do PSB com o PSDB e negou-se a subir no palanque do paulista. “Alckmin foi sempre muito gentil com Eduardo, querendo ajudá-lo”, relata e adiciona Miguel Arraes nessa relação. “Alckmin era muito ligado ao (Mário) Covas, que teve muita relação com Arraes”. A esse pacote, acrescente-se a presença de Márcio na vice de Alckmin. Existe resistência, no PSB, a ter Alckmin como candidato ao Planalto? “Talvez tenha, mas muito pequena”, devolve Márcio à coluna, fazendo a seguinte observação: “Ninguém vai abrir mão do Governo de São Paulo”. Em outras palavras, Márcio considera que as especulações sobre possível travessia de Alckmin para o PSB tem várias razões para existir.

Márcio França
 afirma não haver nada de concreto sobre o ingresso de Alckmin no PSB, mas vê razões que justificam a especulação

Visão de fora do PSDB
“No Congresso Nacional, você percebe que, fora do PSDB, tem muita gente que é Alckmin numa proporção maior que no PSDB”, segue analisando Márcio França. Realça que, no momento de instabilidade, altos e baixos no Congresso Nacional, “a figura política nacional com mais estabilidade é ele”. Alckmin é governador de São Paulo pela quarta vez.

Curinga - “Não temos, nacionalmente, um nome ainda consolidado. Eduardo foi uma construção que fizemos ao longo dos anos. Ele tinha 6%, 7%. Nunca chegou a 12%,14%. Alckmin, hoje, em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Sul, Sudeste, Centro-Oeste, sem contar Minas, é favorito”, diz Márcio.

Jeitão - Márcio observa que, no PSDB, algumas pessoas acham Alckmin “meio caipira, provinciano”. E complementa: “Para algumas pessoas, isso é defeito. Para as pessoas mais simples, é qualidade”.

Bomba - A possível travessia de Geraldo Alckmin para o PSB cairia como uma “hecatombe”, nas palavras de França. Mudaria o xadrez eleitoral em estados e municípios.

Mapa - Hoje, o PSB e o PSDB mantêm alianças e projetos de alianças em Estados e municípios. No Recife, por exemplo, a conversa do prefeito Geraldo Julio vem se dando com Aécio Neves.


Relatório crítico a contrato da Arena

Publicado em 24.12.2015 às 10:38

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Seis meses após a contratação de consultoria à Fundação Getúlio Vargas, o relatório final produzido sobre a Arena Pernambuco será entregue, ao governador Paulo Câmara, no início da próxima semana. Quando o documento estiver nas mãos do chefe do executivo estadual, o vice-governador, Raul Henry, dará por encerrada sua missão, assumida em janeiro. O estudo servirá de subsídio para o governador ir à mesa com a Odebrecht e decidir se vai revisar ou rescindir o contrato. De antemão, o material da FGV é crítico ao contrato. A rigor, a decisão unilateral implica em ônus, mas o Estado pode ainda trabalhar por uma solução amigável, seja via rescisão ou revisão. A escolha deverá ter aval da Procuradoria Geral do Estado. Em 2013, durante a gestão Eduardo Campos, e em 2014, quando o Estado foi comandado também por João Lyra, os custos de manutenção da Arena foram pagos. Este ano, o pagamento foi interrompido. A estimativa de custo anual para as arcas públicas, caso o governo decida manter essa conta, seria de, em média, R$ 50 milhões anuais.

Em agosto a Operação Fair Play da Polícia Federal mirou contrato com a Odebrecht e apontou irregularidades na construção da Arena Pernambuco

Na prática, já houve quebra
O Estado tomou a decisão de não pagar, em 2015, os custos de manutenção, previstos no contrato da Arena, até que ocorresse a revisão ou rescisão. Automaticamente, a iniciativa já significa quebra de contrato. O propósito foi amenizar a agressão aos cofres do Estado. Se houver rescisão, a economia com manutenção é é estimada em cerca de R$ 50 milhões por ano.

Prestação 
- Em dezembro de 2013, foram pagos 75% da obra, equivalente a R$ 388 milhões, valor referente a 2009, mais a correção monetária. Os outros 25% serão pagos ao longo de 33 anos. A conta é de, aproximadamente, R$ 500 mil mensais, segundo o Estado. São R$ 6 milhões anuais.

Ônus 1 
- O maior questionamento, hoje, se dá em relação aos custos de manutenção. Quando as receitas não são realizadas pela Arena, o Estado paga.

Ônus 2  
- A Odebrecht pediu reequilíbrio do contrato. O Estado não deferiu. A empreiteira exige R$ 264 milhões. Isso está sendo discutido em uma Câmara de arbitragem.

Ônus 3 - A consultoria da FGV custou mais de R$ 1 milhão às arcas do Governo do Estado. Representantes da Fundação terão reunião com Paulo Câmara na segunda ou na terça-feira.


Promessa de prazo menos elástico

Publicado em 23.12.2015 às 09:45

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Com as forças renovadas pela decisão do STF – que definiu o rito do impeachment – e pela troca do ministro da Fazenda, a presidente Dilma chegou a Pernambuco, ontem, determinada. E assegurou: “Com a dificuldade que for, nós não deixaremos de concluir essa obra (transposição) no ano que vem. Até porque esse País é grande o suficiente para, ao mesmo tempo que faz equilíbrio fiscal, equilíbrio nas contas do governo, investir em obras como essa”. A Transposição do São Francisco é definida por Dilma como “a obra mais prioritária”. Iniciada em 2007, deveria ter ficado pronta em 2012, segundo prazo estipulado por Lula, um mês antes de deixar o cargo. Inicialmente, a obra custaria R$ 4,5 bilhões.O valor saltou para R$ 8,2 bilhões e a obra se arrasta há oito anos. Se o prazo prometido por Dilma, ontem, não for feito elástico como o anunciado por Lula, até 2016, 12 milhões de nordestinos em 390 municípios serão beneficiados. E estará anulado o risco de mais desvios de recursos na obra, conforme acusa a Operação Vidas Secas.

Há pouco mais de dez dias, a PF apontou suspeita de superfaturamento e de uso de empresas de fachada para desviar cerca de R$ 200 milhões da transposição entre PE e PB

Para ver se cola
Dos três governadores presentes, ontem, na cerimônia de entrega da 2ª estação de bombeamento, do Eixo Leste da Transposição, Paulo Câmara era o único que não integra a tropa de choque da presidente Dilma. Anda incomodado com o fato de o Governo Federal ter travado as operações de crédito, mas precisando da presidente, gostando ou não da gestão, ele a elogiou.

Olho nas operações - “Sou testemunha do esforço que o Governo Federal vem fazendo para a obra não sofrer paralisação”, enalteceu Paulo Câmara. Mas alfinetou que os canais não podem servir “apenas como passagem”. Estavam ainda Ricardo Coutinho (PB) e Camilo Santana (CE).

Presente 1 – O deputado federal Kaio Maniçoba acompanhou, ontem, a inauguração da segunda estação de bombeamento (EBV-2) do eixo este da Transposição do São Francisco.

Presente 2 – Kaio é herdeiro de Rorró Maniçoba, a prefeita anfitriã, em Floresta, que, no discurso, ontem, defendeu a manutenção da presidente Dilma Rousseff no cargo.

Presente 3 - O deputado federal Fernando Monteiro e os estaduais Odacy Amorim e Rodrigo Novaes também acompanharam a presidente, além do prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque.


Semana seguinte à rescisão de contratos

Publicado em 22.12.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em maio, quando esteve em Pernambuco para viagem inaugural do André Rebouças – o quinto dos dez navios Suezmax, encomendados pela Petrobras ao Estaleiro Atlântico Sul – a presidente Dilma enalteceu o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), direcionado à revitalização da indústria naval no País. “O que nós queremos é produzir, no Brasil, aquilo que pode ser produzido. Esse foi o lema inicial que levou à reconstrução da indústria naval. Por isso a política de conteúdo local é algo que não pode ser afastado, é o centro de uma política de recuperação”, pregara ela. Passados sete meses, a Transpetro cancelou, na semana passada, a encomenda de dois navios gaseiros ao estaleiro Vard Promar e de 11 petroleiros ao EAS, que já demitiu mais de dois mil funcionários, em consequência da suspensão de contrato com a Sete Brasil, empresa investigada pela Lava Jato. Dilma chega, hoje, a Pernambuco. Vai visitar a Transposição do São Francisco, também alvo da Operação Vidas Secas, deflagrada no último dia 11, contra desvios na obra.

A presidente 
irá a Floresta, às 15h, para conferir a Transposição do Rio São Francisco, mas deve receber cobranças pela desmobilização dos estaleiros

Suspender a suspensão
No dia em que a presidente Dilma volta a Pernambuco para inaugurar a segunda estação de bombeamento da Transposição do Rio São Franciso, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Thiago Norões segue para reunião com a diretoria da Petrobras, no Rio. O objetivo é reverter a decisão da Transpetro que tem sido vista com preocupação no Estado.

Sinal vermelho 
- O governador Paulo Câmara estará, hoje, com a presidente Dilma Rousseff, em Floresta, e pode levar, a ela, as queixas sobre a suspensão dos contratos com estaleiros pernambucanos. “Não estão entendendo a confusão que é isso. Vai destruir isso aqui”, adverte o gestor.

Quem paga 
- Paulo Câmara realça que a suspensão dos contratos pela Transpetro “coloca em xeque os investimentos feitos pelo próprio povo brasileiro”. Lembra que o BNDES é um banco público.


Rejeição a Lula é sinal de alerta

Publicado em 21.12.2015 às 09:29

Por Márcio Didier
Da Coluna Folha Política

A pesquisa Datafolha, divulgada neste fim de semana, se por um lado traz um alento mínimo para o PT, com uma tímida recuperação do Governo da presidente Dilma, que em dois levantamentos caiu de 71% para 65%, por outro, mostra um dado que disparou o alerta: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só aparece em segundo em todos os cenários apresentados, como também lidera a rejeição entre os presidenciáveis, com 48% das citações, contra 26% de Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (PMDB). A preocupação se deve ao fato de o partido não ter outra opção para a disputa presidencial. Lula é o plano A, B, C, D da sigla para 2018. No entanto, o petista e o seu partido vêm sofrendo um forte processo de desconstrução, cujo efeito aparece nesse levantamento. Por vezes acusado de estar descolando da presidente, para não ficar contaminado com os problemas da gestão, Lula parece agora ter que apoiar o barco de Dilma, para não afundar junto com ele.

Na quarta posição, no índice de rejeição, aparece Geraldo Alckmin, com 21%, seguido por Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PP), que têm 17%

Fechando o cerco
As artimanhas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para manter-se à frente da presidência da Câmara Federal continuam desagradando a população. Do ouvidos pelo Datafolha, 82% o querem sem mandato. Contra a pressão popular, difícil é um político ficar contra.


Alerta de votação para a terça

Publicado em 18.12.2015 às 09:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Fazia pouco tempo que o Supremo Tribunal Federal havia encerrado o julgamento, ontem, sobre o rito do processo de impeachment e a secretaria-geral da Câmara dos Deputados já comunicava, segundo parlamentares, que a nova votação da comissão que analisará o impeachmeant da presidente Dilma Rousseff poderia ocorrer na próxima terça-feira. O martelo não fora batido, mas o alerta já começou a ser feito, via telefonemas, ontem mesmo. A decisão do STF, que dá ao Senado o poder de arquivar o impeachment, fortalece o presidente da Casa Alta, Renan Calheiros, de quem partiu a iniciativa de recorrer ao STF para que o Senado fosse ouvido. Dele, pode depender, agora, em boa parte, o futuro da presidente Dilma Rousseff, que, mais uma vez, está à mercê do PMDB. A intenção do governo era decidir com rapidez, mas a oposição já se prepara para apresentar embargos. Contabilizam prazos para publicação de acordão e outros para protocolarem recursos, o que pode postergar a agonia do governo para depois do carnaval.

Antes 
mesmo que o STF definisse, ontem, o rito do impeachment, Eduardo Cunha havia marcado para segunda a retomada do processo. Levou revés

Placar mais apertado 
Por 6×5, os ministros rejeitaram a votação secreta para eleição da comissão do impeachment, revogando ritual aplicado na semana passada. O ponto pode gerar questionamento da oposição. “Eleições dentro do Judiciário são secretas, dentro da OAB são secretas, no Ministério Público também e, no Congresso Nacional, não são?”, indaga o líder da minoria, Bruno Araújo.

Contra o tempo 
- “O governo teve confirmada sua pretensão no voto aberto e chapas avulsas, mas sepultou a possibilidade de querer começar a enterrar em janeiro. Foi responsável pelo adiamento para o final de fevereiro, início de março”, prevê Bruno Araújo, lembrando do recesso do judiciário.


Sobre o próximo passo

Publicado em 17.12.2015 às 09:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

No mesmo dia que o ministro Luis Edson Fachin leu seu voto – contrário à hipótese de o Senado rejeitar processo de impeachment aprovado pela Câmara Federal – o procurador-geral da Repúlica, Rodrigo Janot, protocolou, no STF, pedido de afastamento do deputado Eduardo Cunha do cargo e da presidência da Câmara Federal. Ontem, deputados já indicavam que, caso a sugestão de Janot seja acatada, quem assume a cadeira da presidência, interinamente, é primeiro vice-presidente, Waldir Maranhão, do PP, que integra a base da presidente Dilma. O progressista já teve o nome citado, no âmbito da Operação Lava Jato, pelo doleiro Alberto Yousseff, entre os beneficiários no esquema de propinas envolvendo a Petrobras. O segundo vice-presidente, Fernando Giacobo (PR-PR), também é citado na Justiça, em inquérito no STF, que apura crimes contra a ordem tributária. Segundo pesquisa da ONG Tranparência Brasil, a única titular da Mesa Diretora que não contabiliza ocorrências  na Justiça é Mara Gabrilli, do PSDB, terceira-secretária da Câmara.

Fora Mara Gabrilli só dois suplentes também não estão encrencados na Justiça: Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e Ricardo Izar (PSD-SP)