Opinião

Troca no PR e reflexos em Jaboatão

Publicado em 29.04.2016 às 08:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política 

No Tribunal Regional Eleitoral, já consta a nova composição da comissão provisória do PR-PE. Como já corria solto nos bastidores, o secretário estadual de Transportes, Sebastião Oliveira, é o novo presidente da sigla, enquanto o deputado Rogério Leão é o primeiro 1º vice-presidente e o irmão de Sebastião, Waldemar de Oliveira, o secretário. Como início da vigência, aparece a data 19 de abril – dois dias após a votação do impeachment da presidente Dilma, na Câmara Federal, quando Sebastião seguiu orientação do PR e se absteve, razão pela qual teria contado, agora, com o gesto do comando nacional da legenda. A posse dele impõe uma “derrota política”, ao deputado federal Anderson Ferreira, “que perdeu força, perdeu poder”, na avaliação,  feita à coluna, pelo prefeito de Jaboatão, Elias Gomes. Em outras palavras, a alteração no comando do PR no Estado pode e deve ter reflexos na corrida pela Prefeitura de Jaboatão, onde Anderson é pré-candidato. Sem o comando da máquina partidária, ele não terá a mesma força de outrora. E há quem não descarte uma saída dele do páreo. Caso isso ocorra, a estratégia de Elias pode ser modificada.

A bancada do PR foi orientada a votar contra o impeachment. Anderson, no entanto, já havia avisado que não mudava seu entendimento e votaria a favor. Manteve a posição

Roda gigante
Anderson Ferreira não chegou a completar dois anos à frente do PR. Ele assumiu a presidência em outubro de 2014, quando o ex-deputado Inocêncio Oliveira foi retirado do comando da sigla. Primo de Inocêncio, Sebastião, agora, deu o troco. Nos bastidores do Palácio das Princesas, já se condenava o tom que vinha sendo adotado por Anderson nas negociações sobre eventual apoio à reeleição de Geraldo Julio.

Endereço > Disputando com Mendonça Filho a participação em eventual ministério de Michel Temer, na cota do DEM, o deputado José Carlos Aleluia (DEM/BA) já morou em Boa Viagem, Recife, no período em que comandou a Chesf, por indicação do ex-governador Antônio Carlos Magalhães.

Varal 1 > O Acampamento Popular pela Democracia, montado pela Frente Brasil Popular e pelo movimento Povo Sem Medo, no Derby, está com uma extensa de programação.

Varal 2 > A agenda vai desde debates até apresentações culturais e artísticas. Hoje, às 19h,  fotógrafos profissionais e amadores vão expor, em um varal, imagens de protestos contra o que definem como golpe.

Varal 3 >
 As fotografias exibidas serão vendidas a preço único de R$10. Toda a renda será revertida para a compra de mantimentos para o acampamento.

Serão 1 > A despeito de a última reunião do secretário de Administração, Milton Coelho, com os representantes da PM e dos Bombeiros ter terminado por volta das 23h da quarta, resultando em acordo, o governador Paulo Câmara ainda permaneceu no Palácio das Princesas, até mais de 3h da quinta.

Serão 2 >
 O interventor de Gravatá Coronel Mário Cavalcanti, pelo tempo que teve de Casa Militar, foi convidado a participar das conversas. Além dele, estavam ainda Antônio Figueira, André Campos, Danilo Cabral, Waldemar Borges e Marcelo Canuto.

Holofotes >
 Teve governista dizendo que o encontro entre os policiais e o secretário Milton Coelho, na tarde da quarta, atrasou porque o deputado Joel da Harpa e o presidente da Associação de Cabos e Soldados, Alberisson Carlos, não paravam de disputar o microfone no trio elétrico.


Perfil político pesa a favor de Evandro

Publicado em 28.04.2016 às 08:26

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

A um auxiliar próximo, o prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, revelou, em conversa recente, que terá que “colocar de lado suas emoções para tomar sua decisão”. Referia-se ao candidato que apoiará para sua sucessão. Tem ponderado que vem fazendo escutas “no sentido de que a decisão não seja sua, pessoal, mas de um conjunto de forças”. Aliados próximos avaliam que o prefeito levará em consideração, sobretudo, o “quadro político”. Nesse caso, o secretário estadual de Micro e Pequena Empresa, Evandro Avelar, seria o nome de “articulação mais ampla a nível das forças políticas do Estado”, observa um auxiliar. Em conversas com um assessor, Elias pontuou: “Se for para radicalização, Conceição Nascimento seria uma solução mais de ponta. Se o quadro viesse a ser de afirmação da gestão, já com unificação dessas forças, Mirtes Cordeiro poderia atender esses requisitos. Mas, caso se torne imprescindível, a unificação de todos esses campos referidos, inclusive, com o deputado Cleiton Collins, Evandro Avelar teria essa característica de ser mais amplo, sem deixar de ser uma pessoa vinculada com a gestão e com o município”.

O prazo final para Elias colocar o time em campo é maio, segundo ele mesmo definiu

Colocando no papel
Entre as características de Evandro Avelar que o tornam mais político aos olhos de Elias Gomes, segundo o mesmo assessor, estão: “Ter sido presidente estadual do PSDB, ter integrado a direção nacional, ter bom trânsito com os diversos partidos, como o DEM, Mendonça Filho, com o PP, de Eduardo da Fonte, boa relação com o PSB, a partir do próprio governador Paulo Câmara”.

Avanço > “As relações de Evandro Avelar com o PSD, André de Paula e com o Solidariedade” também são citadas para endossar o perfil político. “Além de ser bastante respeitado por Jarbas Vasconcelos e Raul Henry”, acrescenta o auxiliar.

Trio 1 > Os três nomes preferenciais de Elias têm “cada qual características bastante distintas”, realça um assessor, grifando o seguinte: “Sua candidata in pectore seria Conceição Nascimento”.

Trio 2 > E detalha: “Pela relação de muitos anos de convivência respeitosa e fidelidade, pelo seu traquejo em trabalhar com massas e com o povo”. Podia ser chamada, diz ele, de “alguém que mora na rua”.

Trio 3 > No caso de Mirtes Cordeiro, Elias tem lembrado que ela foi assessora de Arraes, passou por pastas de Educação, Finanças e Planejamento, “portanto uma operadora, tocadora de gestão”.

Coletiva > Após colher impressões, em reunião da executiva estadual, realizada na última terça, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, está produzindo documento a ser enviado à executiva nacional. O dirigente convocará coletiva para abordar o assunto, assim que concluir.

Tópicos > O material, explica Sileno, foca em quatro pontos: a não participação em eventual governo Temer, o engajamento da bancada do PSB no movimento para retirar Eduardo Cunha da presidência da Câmara, uma nota de repúdio à fala do deputado Jair Bolsonaro, lembrando ter sido Miguel Arraes, uma das vítimas do regime militar e o quarto ponto, a posição de independência da bancada federal”.

Dia longo > Já passava das 22h, ontem, quando o secretário de Administração, Milton Coelho, encerrou a última reunião com os representantes da PM e Bombeiros. Proposta acordada mais cedo foi “ligeiramente” alterada. Após 12 horas de negociações, Milton resumiu: “Estamos em paz”. Líderes que encabeçaram o movimento por greve, como Joel da Harpa e Alberisson Carlos, devem ter cautela para, em tempo de crise, não serem responsabilizados por convulsão social.


Dias de tensão em Pernambuco

Publicado em 27.04.2016 às 08:40

Da Folha de Pernambuco

Quer seja incentivado pelo momento político nacional ou pelas reivindicações de classe, os próximos dias em Pernambuco prometem ser tensos. Acampados desde a segunda-feira na Praça do Derby, integrantes da Frente Brasil Popular fizeram ontem uma ação de bloqueio nos principais acessos ao Recife. O transtorno causado, segundo o presidente da CUT, Carlos Veras, ainda foi pequeno diante do que eles pretendem fazer enquanto tramita o impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. “Vamos parar o Estado do Sertão ao cais”. Paralelo a isso, integrantes da Polícia Militar e dos Bombeiros fazem assembleia hoje para definir se optam ou não pela decretação da greve. Em 2014, um movimento similar trouxe o caos ao Estado. Situação que pode ser potencializada com os atos que estão sendo pensados pelos movimentos sociais em defesa do mandato da presidente Dilma.

CARONA > Em 2014, os líderes da greve da Polícia Militar em 2014 aproveitaram a exposição do movimento como trampolim para as eleições para a Assembleia Legislativa. Dos que disputaram, apenas Joel da Harpa obteve sucesso nas urnas.

OLHO NA URNA >
 Assim como em 2014, pelo menos um dos líderes do movimento da Polícia Militar está de olho nas eleições de outubro. O presidente da Associação de Cabos e Soldados, Alberisson Carlos, estaria inclinado a disputar uma cadeira na Câmara do Recife.

APOIO DE FORA > Não bastassem os líderes do movimento em Pernambuco, a assembleia da  PM pode contar com um dos cabeças da greve da corporação na Bahia, o deputado estadual Prisco (PPS).  Ele é aguardado para o encontro, que ocorre na frente da Assembleia Legislativa.

PELO UBER >
 Em meio a tanta confusão, um abaixo assinado começa a correr na internet pedindo a autorização oficial dos serviços Uber, T81 e afins no Recife. A cada dia surgem casos de confronto entre taxistas e concessionários desse serviço.

“A GENTE PODE” > Com o slogan “A gente pode”, Fernando Holanda lança, hoje, sua campanha a pré-candidato a vereador do Recife, pela Rede Sustentabilidade. No evento, que acontece a partir das 19h, no Nós Coworking, no Marco Zero, Holanda vai comandar um debate sobre as alternativas que a população dispõe para melhorar a cidade. Uma de suas propostas é construir uma visão compartilhada, por meio do engajamento dos cidadãos em uma “campanha colaborativa”. Holanda tem experiência na iniciativa privada e grande atuação em organizações da sociedade civil.

OPERAÇÃO > Pré-candidato a prefeito do Recife pelo PMN, Sérgio Magalhães vê o prefeito Geraldo Julio “dando demonstrações de que vai fraco para a reeleição”. E acrescenta: “Ele passa o tempo todo, gastando força para retirar candidaturas do páreo em vez de procurar a população e se explicar, porque as obras estão atrasadas. “Ele está com medo de disputar a eleição. Isso mostra fragilidade. Está numa operação quase de guerra para não ter adversário”

NEGOCIAÇÃO > Operadores do tão decantado Modelo de Gestão do Governo de Pernambuco, os Gestores Governamentais Administrativos (GGOVs) não estão tendo a atenção merecida do secretário estadual de Administração, Milton Coelho. Há tempos, os GGOVs tentam, sem sucesso, marcar uma reunião com o titular da pasta. O objetivo é discutir uma pauta que visa melhorias tanto para a carreira quanto para o serviço público pernambucano.

FEIJÃO E MARIA > No próximo sábado, Maria do Céu (PPS), vice-presidente do Instituto Boa Vista e empresária ligada à causa LGBT, promove uma feijoada para movimentos sociais e instituições não-governamentais. Pré-candidata a uma vaga na Câmara de Vereadores do Recife, Maria quer ouvir grupos que trabalham com Direitos Humanos e que são ligados a políticas públicas de gênero e sexualidade. A feijoada está marcada para o meio-dia no Clube Metrópole.


Contraste midiático e conflito social

Publicado em 26.04.2016 às 13:30

Por Luciano Siqueira*

Navego por portais noticiosos e sites dos mais importantes jornais da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul.

Faço o mesmo com a grande imprensa nativa.

Meu foco é o noticiário e colunas de opinião acerca da crise brasileira.

Um tremendo contraste: aqui a mídia hegemônica trata o andamento do pedido de impeachment da presidenta Dilma como algo normal, de acordo com a ordem constitucional — omitindo sistematicamente que a presidenta não cometeu crime e sequer é indiciada; fora do país, analistas de diversas correntes políticas, chefes de Estado e dirigentes de organismos internacionais apontam a ruptura da ordem jurídica, nesse processo, em flagrante golpe jurídico-parlamentar-midiático.

O principal jornal da França, Le Monde, chegou inclusive a pedir desculpas aos seus leitores por inicialmente ter de apoiado, na análise do que se passa no Brasil, na mídia brasileira — reconhecidamente como nitidamente parcial e tendenciosa.

Uma das redes de TV norte-americana – a CNN – chegou a divulgar reportagem (“Golpe é a chance de quem não consegue vencer a eleição”) na qual afirma que, desde a queda do regime militar, os brasileiros se imaginavam livres de golpes. Agora amargam a tentativa desavergonhada de ruptura institucional.

Essas manifestações que se repetem e se avolumam no exterior, entretanto, não parecem encontrar acolhida no Congresso brasileiro. A nação agora se dá conta do fracasso das eleições parlamentares de 2014, do ponto de vista democrático e civilizacional.

Naquele pleito, em razão da miríade de distorções contida na legislação eleitoral e partidária, que permitem o uso e o abuso do poder econômico, o parlamento brasileiro foi verdadeiramente tomado de assalto por uma maioria que ostenta baixíssimo nível de consciência cívica e completa ausência compromisso democrático.

Uma maioria que representa o mais vil corporativismo e interesses pessoais e de pequenos grupos tão inconfessáveis quanto a cada dia mais evidentes.

Ocorre que o espetáculo deprimente das declarações de voto pró impeachment verificado na Câmara dos Deputados no domingo 17, a exemplo da anterior discricionária tentativa do juiz Moro de aprisionar o ex-presidente Lula e posteriormente, pelo mesmo juiz, a exibição em público de grampo telefônico ilegal, arbitrário e criminoso contribuem para expansão crescente da tomada de consciência democrática no país.

Na mesma linha, a nação assiste diariamente ao que se tem chamado “montagem de um possível governo Temer”, também com base num misto de fisiologismo rasteiro e de compromisso aberto com o grande capital rentista.

As forças de oposição, inclusive parte dos seus integrantes que outrora pugnaram pela democracia, certamente não medem a dimensão do que constroem agora: uma profunda divisão da sociedade brasileira, que marca o momento atual e certamente dará o tom do conflito social e político daqui por diante, qualquer que seja o resultado da votação no Senado.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife e escreve no Blog da Folha todas as terças-feiras.

https://www.facebook.com/lucianoPCdoB
*blog www.lucianosiqueira.blogspot.com
*twitter.com/lucianoPCdoB *Instagram lucianosiqueiram


Cautela em ano de crise e eleitoral

Publicado em 26.04.2016 às 08:35

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Em 2014, a greve da Polícia Militar, em Pernambuco, deixou cicatrizes. Foram dias de medo, toque de recolher, saques ao comércio, repartições fechando as portas, assim como shoppings, universidades e escolas. Dois anos depois, a conjuntura no País apresenta-se mais complicada. A crise, que já resulta em mais de 10 milhões de desempregados e inflação perto da casa dos 10%, agrava ainda mais esse quadro. No Estado, a violência é crescente e o próprio governador Paulo Câmara não tem negado. Se, de um lado, o Estado está desafiado a reciclar o Pacto pela Vida e apresentar melhorias na segurança, de outro, em ano eleitoral, o tema se torna ainda mais delicado. E é preciso ter cautela para que a questão não acabe partidarizada, uma vez que as graves consequências sobram para a população. Nos últimos anos, líderes de greves da Polícia Militar no Ceará (Wagner Gomes), na Bahia (Marco Prisco) e em Pernambuco (Joel da Harpa) saíram vitoriosos nas urnas. Policiais militares e bombeiros podem entrar em greve a partir de amanhã no Estado. O movimento se dá em ano eleitoral, o que pode acabar acirrando ânimos.

Um dos deputados que representam o setor de segurança, Antônio Moraes fez apelo, no plenário da Alepe, por “responsabilidade” no atual momento

Sem perspectivas
O Governo do Estado não considera ceder ao pleito dos militares. “A gente não vai fugir da responsabilidade fiscal. Não adianta dar aumento para não conseguir pagar os salários depois. Alguns Estados já estão fazendo isso, atrasando, não pagando inativos ou parcelando, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais”, pondera, à coluna, secretário da Casa Civil, Antônio Figueira.

Caixa > Figueira prossegue: “Todo mundo está reduzindo despesas, salários e esse é o mundo do Brasil. O Estado não é uma bolha. Tem que ter os ajustes. Quais os ajustes que a iniciativa privada faz? Fecha, demite, corta pela metade. Nós não temos como, precisamos manter os serviços”.

Paralelo 1 > O deputado Joel da Harpa, na Alepe, ontem, afirmou que uma entrevista do secretário de Administração, Milton Coelho, da última sexta, colocou “lenha na fogueira“.

Paralelo 2 > Joel grifou que “agora, grande parte da tropa só fala em greve dentro dos quartéis”. Há, amanhã, uma mobilização da categoria marcada para as 14h, em frente à Alepe.

Paralelo 3 > “Ele (Milton) disse que os militares pedem reposição salarial mais um aumento de 25%, o que não é verdade. Pedimos apenas a reposição de 18,53%, podendo chegar a 25%”, defendeu Joel.

Independe > Membro da executiva municipal do PT, o vereador Jurandir Liberal assegura que a situação da presidente Dilma não vai interferir na eleição do Recife, “porque a gente tem posição clara e defende candidatura própria”.

Já viu esse filme >
 Jurandir observa: “É importante que o partido saia unido disso daí. A sempre foi um ponto de referência para se ter sucesso. Quando você vai dividido, já vai perdendo para você mesmo, como na última eleição (2012)”.

Interesse zero > A hipótese, que já correu nos bastidores, de o PT apoiar o PSB, no Recife, “é nula”, segundo ele. “Até porque Geraldo Julio não tem interesse em compor, à medida que procurou todos os partidos, menos o PT. Criou secretarias para o DEM, PSDB, para todos. PSB daqui não quer negócio com o PT e isso está claro”, arrematou. E emendou: “Geraldo quer ganhar por WO. Dançou no PSDB, está dançando com o DEM. Com certeza, pelo menos, no 2º turno, a gente já está”.


As resistências ao Governo Temer

Publicado em 25.04.2016 às 08:33

Por Daniel Leite
Na Coluna Folha Política

De acordo com a nova pesquisa Ibope, divulgada ontem pela coluna de Lauro Jardim, do Globo, apenas 8% dos 2002 entrevistados de 142 municípios brasileiros acreditam que o impeachment de Dilma e a posse de Temer seriam “a melhor forma de superar a crise política“. Por outro lado, 62% acha que solução ideal para o momento seria a saída da presidente e seu vice, seguida de novas eleições. Esta hipótese vem sendo defendida por personalidades como Marina Silva (Rede), mas sofre resistência de governistas, que preferem defender a legitimidade do mandato de Dilma. Apesar de existir uma certa convicção de que o impeachment vingará e Michel Temer assumirá o governo, o peemedebista pode não garantir a estabilidade que o País precisa para sair da crise atual. Além disso, a ida de Dilma à cerimônia da ONU, em Nova York, na última sexta-feira, poderá reforçar a tese de que o impeachment é um “golpe”, patrocinado pela oposição. Por isso, talvez, o PSDB ainda possua dificuldades para fechar apoio aos peemedebistas, pois pretende se preservar da agenda negativa que Temer vivenciará em seu eventual governo de transição.

Em seu eventual governo de transição, Michel Temer não deverá ter paz

Um discurso pertinente
Para Marina Silva, a provocação de novas eleições seria de fato pertinente. Sem “arranhões” na atual crise, defende que os brasileiros não querem Temer no comando do País e “não terá legitimidade para assumir o governo”. Na sua visão, o peemedebista é visto como aliado de Eduardo Cunha (PMDB) e também está com a imagem prejudicada por conta das investigações da Operação Lava Jato.

Pesquisa >
 Para defender sua tese, Marina Silva cita outra pesquisa, divulgada pelo Instituto Datafolha, recentemente: “Hoje 58% defendem que ele também seja alvo de um processo de impeachment. Apenas 1% dos eleitores se lembram dele para presidente”.

Protestos > Nesta semana, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) prepara uma série de atividades contra a aprovação do impeachment de Dilma, no Senado. Ontem, foi montado um acampamento na Praça do Derby, no Recife. Hoje, será realizado um ato no local, com homenagens aos parlamentares que votaram contra o impedimento da petista na Câmara Federal.

Protestos 2 > Por sua vez, o grupo Vem Pra Rua realizou outra manifestação simbólica, neste sábado, em Boa Viagem. Na orla da praia, fincaram faixas e fotos de senadores que votarão contra o afastamento de Dilma.

Posse > Hoje, será realizada a posse do novo secretário-executivo da Secretaria de Ressocialização do Governo Paulo Câmara. Agente penitenciário de carreira, Cícero Márcio de Souza Rodrigues será empossado às 11h, na sede da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.

SOLIDARIEDADE > As deputadas estaduais Priscila Krause (DEM) e Raquel Lyra (PSDB), são as patronesses da 15ª Festa da Solidariedade do GAC-PE que luta pela humanização do tratamento de crianças e adolescentes com câncer. O evento acontece no dia 5 de maio, a partir das 17h, no Armazém Blu´Nelle.

DIREITO >  Durante o último congresso da Amupe, um grupo de advogados de diversas categorias se uniu para criar o Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco. A entidade será presidida pela advogada Diana Câmara, que trabalhará para promover a difusão, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos conhecimentos jurídicos, sociais e gerenciais em Direito Eleitoral, Público e Gestão Pública.


Os 367 batizados de oposição

Publicado em 24.04.2016 às 14:25

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Quando o deputado federal Bruno Araújo começou a fazer contas para verificar o volume de apoios a um eventual impeachment da presidente Dilma, conseguia somar, no máximo, cerca de 70 nomes favoráveis. “Começamos a pregar no deserto”, recorda. Horas antes da votação, que completa, hoje, uma semana, depois de “passar e repassar, umas 60 vezes, a lista dos que votariam a favor do impeachment”, o tucano somava 367 votos. “Havia já uma projeção de que o 342 cairia no meu nome, mas existia, na lista, uns cinco ou sete nomes que eram variáveis”, relata. O parlamentar tucano só deixou de ter dúvidas no final da votação da bancada da Paraíba. “Eu olhei para o lado e tive, na mesma hora, o feedback: `Via, em Nilson Leitão (MT) e Eduardo Cury (SP), os olhos marejados´”. Só duas horas daquilo, já na casa do deputado Paulo Abi-Ackel (MG), Bruno foi rever as palavras ditas e as lágrimas derramadas. Hoje, ele atenta para um detalhe: o movimento transbordou a oposição. “Agora, quem votou contra Dilma é oposição. Esses 367, agora sim, estão batizados de oposição”. E considera que isso pode gerar desdobramentos internos, de acordo com o regimento.

Sozinha, a oposição, segundo calcula Bruno Araújo, teria, no máximo, 150 votos

Portas em automático
No voo fretado que saía de São Paulo, na quarta-feira, em direção a Foz do Iguaçu, levando passageiros para o 15º Fórum Empresarial, promovido por João Dória, o presidente da Agaxtur, Aldo Leone Filho, pegou o microfone para registrar a presença, ali, do deputado que dera o voto de número 342. Bruno foi, logo, abordado para fotos.

Balança > “Um coisa excepcional é que a maioria, hoje, é oposição. Vou ver como está o regimento. Não somos nem mais minoria, somos maioria”, observa Bruno Araújo.

Reunião > Heráclito Fortes, Antônio Anastasia, Romero Jucá e o governador Pedro Taques, entre outros, desembarcaram em Foz de Iguaçu para o 15º Fórum Empresarial.

Nada > Até o momento, o movimento do secretário de Transportes, Sebastião Oliveira, que ficou até a terça em Brasília, não refletiu-se em nota ou confirmação de que terá o comando do PR-PE.

Vínculo > Depois que o PSDB lançou, no Recife, chapa própria, o nome de Evandro Avelar, secretário de Paulo Câmara, passou a ser ventilado como melhor opção para sucessão de Elias Gomes.

Sequência >
 O prefeito Elias Gomes começou a se movimentar, mais nitidamente, sobre sua sucessão um dia depois do anúncio da chapa de Daniel Coelho. Dependendo do comportamento na capital, o PSDB poderia, ou não, ter o apoio do PSB, em Jaboatão. Ninguém desautorizou Daniel.

Polo… >
 Como a coluna cantou a pedra, em janeiro, durante a passagem por Pernambuco, do empresário Edson de Godoy Bueno, a instalação do primeiro centro de robótica do Norte/Nordeste consolida-se, amanhã, no Hospital Santa Joana Recife, com o uso do robô Da Vinci, o Si HD, o que representa reforço ao polo médico da capital.

…médico > A implantação, de acordo com o diretor-presidente do SJR, Eustácio Vieira, vai beneficiar a população, que poderá ter acesso ao que há de mais moderno em tecnologia na área de cirurgia. A instituição é a primeira das duas regiões a realizar cirurgia com a mais moderna versão do robô.


Participação de forma indireta

Publicado em 23.04.2016 às 12:59

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

O PSDB tem reunião da executiva nacional, no dia 3 de maio, quando deve ser definido se ocupará ministérios em eventual gestão Michel Temer. Foi do partido o voto decisivo para aprovação do processo de impeachment, o de número 342, que coube a Bruno Araújo (PE), e foi do tucanato também o último voto a favor do impedimento, o 367, do deputado Pedro Cunha Lima (PB). Internamente, boa parte dos parlamentares da sigla tem defendido a ideia de apoiar o governo Temer, sem assumir cargos. Mas há tucanos argumentando que a participação de técnicos, a exemplo de Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central na gestão Lula, mas já integrou as hostes tucanas, não deixará de ser uma representação do partido. Também aparece cotado o ex-presidente do Banco Central, na gestão FHC, Gustavo Franco. Além de Aécio Neves, governadores da sigla já externaram posição contrária à ocupação de cargos. Ao mesmo tempo, os tucanos demonstram preocupação com possível loteamento que contemple siglas tidas como fisiológicas. A não participação do PSDB, entretanto, pode ensejar, já, alguma desconfiança em relação a um futuro governo Temer.

Depois de Geraldo Alckmin, os governadores Pedro Taques (MT), Beto Richa (PR) posicionaram-se contra ocupação de cargos

O que foi sem ter sido
Senadores PT, a exemplo de Gleisi Hoffmann (PR), e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, na quinta-feira, não negaram a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff vir a falar em golpe na ONU. Ontem, no entanto, a presidente acabou recorrendo a um tom mais sutil, definindo, ao contrário do que se projetava, a democracia no País como “pujante”.

Mudança >
 Dias antes de fazer o discurso, na sede da ONU, a presidente, em entrevista a jornalistas estrangeiros, falara em golpe, o que provocou reação de ministros do STF. Ontem, não atacou instituições e elogiou o País.

Dia… > Depois de inaugurar o Compaz, duas escolas, Upinha, Via Mangue e três bibliotecas, o prefeito Geraldo Julio se prepara para entregar o Hospital da Mulher.

…das mães > Trata-se da maior unidade de saúde já construída pela prefeitura. O abre acontece em maio, no Dias das Mães.

Regras > Às lideranças, com as quais tem conversado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, tem dito e repetido, sobre o rito do impeachment, que “não vai apequenar” sua biografia.

Chapa > Consta na lista de pré-candidatos a vereador do DEM, no Recife, o nome do oficial de justiça Rogério Magalhães, sobrinho do ex-governador Roberto Magalhães. Militante das campanhas de Priscila Krause à Câmara de Vereadores e à Alepe, Rogério a ajudou na execução do Monitora Recife, desde 2013.

Coincidência > Indagado se sua ausência no lançamento da chapa de Daniel Coelho, que terá Sérgio Bivar como vice, foi intencional ou se faltaria, ao pré-candidato, apoio da nacional, o deputado Bruno Araújo devolveu: “De forma alguma. Não estive presente por conta do desdobramento daquele meu voto no domingo, que me consumiu em Brasília”.

Influência > Vice-líder do governo Dilma, o deputado Silvio Costa conta com quatro ou cinco senadores amigos seus com os quais vai conversar, ao longo desta semana, na tentativa de garantir votos a favor do governo. “Já falei com Jaques Wagner, vou atrás esta semana”.


Sentando logo na cadeira

Publicado em 22.04.2016 às 08:24

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

No final de março, a presidente Dilma cancelou viagem que faria aos EUA para participar da quarta cúpula sobre segurança nuclear, convocada pelo presidente Barack Obama. Até ali, a presidente não enxergava, ao menos publicamente, o vice como golpista e conspirador, características que ela atribuiu a ele no último dia 12, durante evento no Palácio do Planalto. Antes disso, em novembro de 2015, a presidente e o vice alternaram datas de viagens à Turquia e à Angola, respectivamente, para evitar que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, assumisse a presidência. A petista e o vice andavam articulados até àquela altura. Ontem, em meio à separação litigiosa com vice, Dilma embarcou para os EUA, onde participa da assinatura do Acordo de Paris, na sede da ONU, carregando um propósito: conquistar apoio internacional e reforçar a tese de golpe. A estratégia coloca os ministros do STF na condição de terem que se explicar. Mas também deixa em situação delicada a defesa da presidente, que tem recorrido àquela corte, que garantiu a ampla defesa, assim como também ocorreu na Câmara e deve ocorrer no Senado.

Falando ou não em golpe, a presidente, dessa vez, embarcou e deixou o vice, em momento crucial, sentar na cadeira

Descaso em obras públicas
O desabamento, ocorrido ontem, em trecho da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, na Zona Sul Rio de Janeiro, chama a atenção para a questão das obras públicas no País. A ciclovia custou R$ 44,7 milhões e foi inaugurada em janeiro, como parte das melhorias para jogos olímpicos de 2016.

Antecedentes > No momento em que superfaturamento de obras públicas é tema sob holofotes, o episódio vem a ser um agravante. Em 2014, um viaduto em construção desabou, em Minas Gerais, na Região da Pampulha , onde localizava-se o estádio Mineirão, que sediou partida da semifinal da Copa do Mundo.

Largada 1 > O deputado estadual Joel da Harpa tem dito que é, no momento, “o único candidato real (a prefeito) de Jaboatão”.

Largada 2 > Leva em conta os rumores de que Anderson Ferreira poderia não ter legenda na cidade e soma a isso a ausência de uma candidatura sacramentada da gestão Elias Gomes.

Largada 3 > Ele registra que já conta com quatro partidos aliados, reúne o PTN, o PTB, PRB e PTdoB. E lembra que já está com a “pré-campanha na rua”, porque, diz ele, “não tem outro candidato”.

Liderança > Recém-filiado ao PP, o deputado estadual Claudiano Martins Filho assumiu a liderança da sigla na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Com a chegada de Claudiano, que deixou o PSDB, e de Eduíno Brito, a bancada progressista se tornou a segunda maior da Casa. Claudiano tem Everaldo Cabral como 1º vice-líder e como 2º vice-líder, Dr. Valdir.

Maratona > O deputado Bruno Araújo, que deu o voto de número 342 a favor do impeachment, retornou a Pernambuco, na quarta-feira e já embarcou, no mesmo dia, para São Paulo. Prestigia o Fórum de líderes empresariais, promovido por João Dória, em Foz do Iguaçu.


Jogado com ajuda da base aliada

Publicado em 21.04.2016 às 09:40

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

De papel fundamental na defesa da presidente Dilma Rousseff, o deputado federal Silvio Costa tem o cuidado de não opinar demais sobre o andamento do processo de impeachment no Senado, mas, de antemão, avisa que já não guarda o mesmo “otimismo” que nutria na Câmara Federal. Sem arrodear, resume: “O jogo só acaba quando o juiz apita. O juiz não apitou ainda, mas o jogo está difícil”. A essa altura do processo, a visão de Silvio coincide com a do senador Fernando Bezerra Coelho, cujo PSB definiu posição a favor do impeachment. “No Senado, o jogo está jogado”, avalia o socialista, que integrará a comissão do impeachment na Casa Alta. Ontem, o líder do governo no Senado, Humberto Costa, reuniu lideranças de vários partidos, PT, PP, PMDB, PDT, PSB, PPS e PR, incluindo nomes a favor do impeachment, para tratar do processo. “O assunto está liquidado”, enfatiza Fernando Bezerra Coelho, cujo herdeiro, Fernando Filho, já votou pelo impeachment na Câmara. O detalhe é que o processo avançou com participação determinante de siglas da base aliada. A oposição sozinha não alcançaria votos suficientes para aprovar impeachment.

Silvio fez um levantamento com nome de 81 senadores e disse estar “muito pessimista”

Nem pensar em reeleição
Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar esteve no Palácio do Jaburu, com Michel Temer. A visita deu-se na companhia do líder do PSL na Câmara Federal, Alfredo Kaefer. Bivar chegou a sugerir ao peemedebista: “Você pode até vir a ter um mandato de sete anos e não de três”. Ouviu de volta: “Meu mandato é só tampão. Não sou candidato à reeleição em hipótese alguma”.

Sem nomes > O envio do áudio em que Temer fala como se o impeachment estivesse aprovado voltou à pauta. O vice definiu como um “lapso”. Até para não dar a entender vitória antes do tempo, grifou Bivar, ele não tocou em nomes para ministérios. “Michel é muito equilibrado”, avalia o dirigente do PSL.

Soberana 1 > A nota, assinada anteontem, por líderes e dirigentes de 14 partidos em repúdio às declarações da presidente Dilma à Imprensa estrangeira, é dividida em seis tópicos.

Soberana 2 - O último fala que “a vã tentativa de vitimização, sob a alegação de injustiça, não encontra amparo na soberana vontade da ampla maioria da população brasileira”.

Soberana 3 > O argumento remete a um fato: a presidente foi eleita por vontade soberana também da maioria. É o que tem gerado reação entre os que defendem a manutenção da petista, ainda que críticos do governo.

Aval 1 >
 A ausência de membros da executiva estadual do PSDB no anúncio da chapa, feito por Daniel Coelho, rendeu comentários de que a iniciativa não teria sido validada pelo comando nacional da sigla. Luciano Bivar assegura que Aécio Neves “ficou contente com a chapa”.

Aval 2 > “Nós também queríamos ter a certeza de que está tudo bem”, pontuou Bivar sobre o contato com o dirigente do PSDB. “Foi bom ter conversa com Aécio diretamente sobre isso e ele ficou muito feliz”, relata o dirigente do PSL, explicando que o anúncio foi antecipado, porque Sérgio, seu filho e vice de Daniel, mora em São Paulo.


Precisamos falar de Jean Wyllys

Publicado em 20.04.2016 às 18:45

Deputado Jean Wyllys durante votação do processo de impeachment (Foto: Reprodução)

Por Alex Ribeiro
Do Blog da Folha

O olhar do deputado Jean Wyllys (PSOL-SP) para alguns dos parlamentares que não saíam de perto do microfone na Câmara, no momento da votação do processo do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), no último domingo (17), possui vários simbolismos. Afinal, o uso de um echarpe por um deputado e o seu discurso contra a ordem vigente é um desafio, dentre tantos, para protagonizar uma mudança cultural que ocorre a passos lentos no País.

O sorriso irônico e o burburinho dos parlamentares que estavam ao seu redor não representa só os seus sentimentos, e sim da grande maioria da sua base eleitoral. O discurso homofóbico, em “favor da moral e dos bons costumes” é fruto de uma parcela da sociedade conservadora que é retratada, em sua maioria, por deputados da bancada do Boi, Bala e Bíblia, principalmente essa última, que tem a facilidade de ter acessos a comunidades pouco alcançadas pelo Poder Público e reproduzem suas práticas contra as chamadas minorias.

“O deputado Bolsonaro não é o único que tem essa prática agressiva. Alguns outros começam a xingar o deputado com expressões de baixo calão, principalmente os da Bancada da Bala. Isso é muito comum”, relatou um dos assessores de Wyllys, relembrando a história em que o parlamentar acabou cuspindo em direção ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), depois deste o ter xingado durante a votação do impeachment. Um outro vídeo acabou flagrando o filho do social-cristão, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), tentado cuspir o psolista, logo depois do ocorrido.

Aqui, neste ponto, mostra-se que o debate no Legislativo é interrompido para tentar calar as minorias- que são só minorias mesmo nas Casas Legislativas. Estas que sempre tentam ter voz ativa na história e acabam sendo camufladas pelos grupos que regem as sociedades – como brancos, héteros e de família cristã.

“Como o Congresso é uma instituição masculina e heterossexual, Jean, assim como as mulheres, também são figuras dissonantes naquele contexto. Então, Jean quando entrou ali (para votar contra o impeachment) colocou a mão nos ombros. É de fato de uma espécie de ‘corporificação’ da opressão, uma performance opressora, tanto no ponto de vista das mulheres, quanto dos homens que estão de fora da masculinidade hegemônica. O Congresso parecia um bar, que quando entra uma mulher, uma bicha, é olhada de maneira enviesada”, analisou o doutor em Comunicação e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Thiago Soares.

“Acho essencial para a comunidade sexodiversa a presença e atuação do Jean Wyllys na Câmara porque ele se apresenta talvez como um dos únicos canais de voz dessa comunidade em Brasília. E, num meio tão hostil aos gays, sua voz reverbera de forma essencial e necessária”, defende o professor e mestre em História, Alberon Lemos.

O debate sobre a participação de Jean Willys na Câmara deve ser ampliado para discutir o chamado empoderamento das minorias contra o bonde tradicional da história. Os seus argumentos voltados ao público LGBT podem ser aparelhados ao discurso dos negros e do feminismo. Estes, entre outros setores, se identificam e repudiam o contexto existente na Câmara.

São práticas culturais que são aceitas de forma gradual e lenta, como na maioria das mudanças na história. É um contrassenso a estereótipos de heróis inventados e enaltecidos no País. As vozes das “minorias” aos poucos estão tendo representatividade, e é preciso, no mínimo, respeitá-las, assim como todas as outras.


Uma difícil convivência na raiz do golpe

Publicado em 20.04.2016 às 08:30

Por Luciano Siqueira*

Aeroporto dos Guararapes, ontem, 23h40. Pessoas muito humildes recepcionam seus familiares, que chegam em voos de diversas partes do país.

Pessoas bem trajadas, alguns traços no modo de agir de se vestir próprios de um poder aquisitivo mais elevado, também aguardam familiares.

A elite dominante e a parcela da chamada classe média alta – fração minoritária da população, mas assim mesmo extensa – não suporta compartilhar o saguão do aeroporto com pessoas muito humildes.

Também na suporta encontrar os mais humildes no salão de embarque. Nem ter no assento ao lado, na aeronave, alguém que mal sabem lidar com o cinto de segurança.

Pior quando se trata da sua empregada doméstica, ou do pedreiro que consertou algo em sua residência ou do porteiro do edifício onde mora.

Na condição de elite e de agregados à elite, essa parcela da sociedade está se lixando para o fato de que o processo de impeachment da presidenta Dilma carece de fundamentação jurídica, vez que a presidenta não responde por nenhum crime, sequer é indiciada.

Importa a todo custo afastar a presidenta do governo da nação.

Importa interromper a ascensão social de cerca de 40 milhões de pobres, bloquear o acesso de milhões a cursos superiores e a escolas técnicas e ao mercado de consumo de bem e serviços.

Importa redirecionar a inserção do Brasil na cena internacional, retomando o antigo status de aliado prioritário e incondicional dos EUA, invertendo a diversificação das relações comerciais e diplomáticas com os países do Bric e nações ascendentes da África, Ásia e Oriente Médio.

Importa restabelecer a relação autoritária e intolerante com os movimentos sociais, assim como dar um paradeiro na participação popular na formatação e no controle de políticas públicas através do sistema de Conferências e Conselhos.

A cena de ontem no Aeroporto dos Guararapes punha lado a lado gente de dois Brasis: o Brasil dos ricos e o Brasil dos pobres, num mesmo espaço.

Ainda que pacificamente, a cena de ontem refletia a diáspora entre os dois Brasis nas ruas do País em função da luta pelo impeachment e contra o impeachment.

Diferenciação social visível a olho nu e comprovada por inúmeras pesquisas realizadas durante as manifestações.

O Brasil há de ser melhor não apenas para as minorias privilegiadas, há de ser melhor, sobretudo, para a maioria que só recentemente passou a ter vez.

Esta é uma das variáveis essenciais da crise política e econômica em curso – que aponta para o caráter prolongado do conflito atual, que não se resolverá com a votação do impeachment no Senado, qualquer que seja o resultado.

A senzala obteve imensas conquistas nos anos recentes – e não abrirá mão dessas conquistas agora nem no futuro mediato, por mais que esperneie a casa grande.

Luciano Siqueira (PCdoB) é vice-prefeito do Recife.

https://www.facebook.com/lucianoPCdoB
*blog www.lucianosiqueira.blogspot.com
*twitter.com/lucianoPCdoB *Instagram lucianosiqueiram


Aliança em meio à fragmentação

Publicado em 20.04.2016 às 08:15

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Entre o PSDB, presidido nacionalmente por Aécio Neves, e o PSL, comandado por Luciano Bivar, paira uma afinidade na Câmara dos Deputados: o líder do PSL, Alfredo Kaefer (PR), saiu das hostes tucanas, a partir de entendimento entre as duas legendas. Na semana passada, em Brasília, Bivar, Aécio e Kaefer tiveram uma conversa que envolveu, ainda, um membro do PSDB pernambucano: o deputado Daniel Coelho. Ontem, Daniel anunciou que terá um dos herdeiros de Bivar, Sérgio, como vice em sua chapa na corrida pela Prefeitura do Recife. Daniel avançou uma casa, considerando que a fragmentação na oposição é grande, o que dificulta a formação de alianças. Entre as pré-candidaturas lançadas, Priscila Krause (DEM), João Paulo (PT), Carlos Augusto Costa (PV), Sérgio Magalhães (PMN) e Edilson Silva (PSOL), nenhum deles anunciou ainda composições. Além do prefeito Geraldo Julio, que já comanda uma frente, só Silvio Costa Filho garantiu o comando do PRB e ainda conta com o PTB. E atrair apoios estando na oposição não é missão das mais fáceis.

Sérgio Bivar nunca disputou eleição, mas vem trabalhando em cima de uma aproximação com movimentos liberais nas universidades

Entre impeachment e novas eleições
O PSB posicionou-se favorável ao impeachment, sem fechar questão. A regra também vale para o Senado. Mas o governador Paulo Câmara advoga ainda a tese de novas eleições. A proposta também é defendida por Marina Silva, com quem o socialista foi à mesa, ontem, em Brasília, acompanhado de Sileno Guedes, presidente do PSB-PE e de Gustavo Fávaro, porta-voz da rede.

Cúpula > Além de passar pela casa de Marina Silva, Paulo Câmara reuniu-se com membros da executiva nacional do PSB. Além de Carlos Siqueira, a conversa incluiu Renato Casagrande, Beto Albuquerque, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Não muda > Ainda que tenha permanecido no PDT, a vereadora Isabela de Roldão disputará a reeleição como dissidente. Não pretende pedir voto para o prefeito Geraldo Julio.

Emprego 1 > Apesar da crise, o secretário estadual da Micro e Pequena Empresa, Evandro Avelar, comemora o bom desempenho das Agências do Trabalho​​.

Emprego 2 >
 A avaliação ​é ​do Ministério do Trabalho, ​que ​colocou a rede em Pernambuco em oitavo lugar no Brasil, com destaque para ​oferta de ​vagas e trabalhadores empregados no sistema Sine.

Ressaca 1 > Há quem diga que Paulo Câmara foi “atropelado” pela postura do secretário Sebastião Oliveira, de pedir exoneração e se abster na votação do impeachment, mas ganhou eco, entre os deputados, a versão de que ele foi, sem celeumas, fazer o contraponto a Anderson Ferreira, dirigente do PR, que ainda não fechou apoio a Geraldo Julio.

Ressaca 2 > “Não tem a menor condição de Anderson não ser candidato (a prefeito de Jaboatão), ainda que ele venha a perder a presidência do PR, o que é improvável, porque tem um monte de deputado que também votou contra a orientação do partido”, garante um aliado de Anderson, em reserva.


Entre o diálogo e a falta dele

Publicado em 19.04.2016 às 08:28

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Na primeira fala que fez, ontem, após o processo de impeachment ter sido aprovado na Câmara Federal, a presidente Dilma Rousseff registrou ter com os senadores “relação absolutamente diferente” da que mantém com a Câmara Federal. Com os representantes da Casa Alta, a “interlocução é qualificada”, definiu. Indiretamente, desqualificou os 513 deputados que a fizeram amargar, no domingo, o placar desfavorável, aprovando seu impedimento. A ausência de diálogo com o parlamento é um crítica antiga, sobre a qual a presidente chegou a ser questionada, durante a coletiva. Devolveu que ressentimento não é justificativa para impeachment. Em vídeo que divulgou, na última sexta, ex-presidente Lula faz referência a esse déficit nas relações do governo com o legislativo. “Os deputados tem de pensar com muita serenidade sobre isso (impeachment). Uma coisa é divergir do governo, criticar os erros e cobrar mais diálogo e participação. Esse é o papel do legislativo, que deve ser e será respeitado…”. Se na Câmara Federal, a articulação exigia um corpo a corpo com 513, na Casa Alta, são 81, entre ressentidos ou não.

A presidente ainda aguarda, para esta semana ainda, autorização da posse de Lula na Casa Civil, segundo informou no pronunciamento

Seguindo o rito
Na reunião que teve, na semana passada, com deputados da oposição, entre eles, Bruno Araújo e Jarbas Vasconcelos, Renan Calheiros deixou claro que: “Vai seguir o rito normal”, sem antecipação. Bruno acredita que Renan “não vai bancar uma disputa política, vai dar tempo mínimo para prestigiar senadores, mas não algo que sangre o País”.

SUSPENSE - Apesar de Eduardo da Fonte ter garantido que votaria a favor do impeachment, demorou a chegar ao plenário, no domingo, e gerou expectativa na bancada pernambucana. “Apareceu a margarida!”, exclamou um parlamentar, quando o progressista adentrou, já atrasado para a sessão.

RITUAL 1 - Antes de anunciar que estava junto com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, a favor do impeachment, Eduardo da Fonte esteve com o vice-presidente, Michel Temer.

RITUAL 2 - O encontro deu-se na noite do sábado, na presença do dirigente nacional progressista e do deputado federal do PMDB do Rio de Janeiro, Alexandre Santos.

RITUAL 3 - Após a conversa, o progressista – que vinha trabalhando alinhado com governistas – informou que estava a favor do impedimento, como a coluna antecipou, no Blog da Folha.

LADO - “Quando protocolamos o pedido, Temer ainda era articulador de Dilma e operava contra o impeachment”, recorda Bruno Araújo, a quem coube dar o simbólico “sim”, que completou os 342. Em outras palavras, hora nenhuma mudou de posição.

CONSUMIDOR - Presidente PPS-PE, Débora Albuquerque, que deixou o Procon de Jaboatão, o qual chegou a presidir, comemora a marca de 90% das reclamações solucionadas. Dedica-se à pré-campanha de vereadora tendo como principais bandeiras as defesas do consumidor e das mulheres.

PLATEIA - Líder do governo no Senado, Humberto Costa comparou a sessão da votação do impeachment a “um circo de horrores”. “Falou-se de tudo e se mandou recado para todos, filhos, netos, pais, amigos, gato, cachorro, papagaio”, disparou.


Às mãos de outro peemedebista

Publicado em 18.04.2016 às 08:45

Por Renata Bezerra de Melo
Da Coluna Folha Política

Ao bancar a candidatura do petista Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara Federal, já no intuito de diminuir o tamanho do PMDB, a presidente Dilma Rousseff viu o petista amargar derrota, com 136 votos, enquanto Eduardo Cunha alcançara 267. Ontem, sob o comando de Cunha, a petista obteve um voto a mais que Chinaglia na batalha contra o impeachment: 137 votos. O placar foi bem aquém do que o Planalto projetara. Saindo das mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e conforme rito estabelecido pelo STF, a presidente Dilma Rousseff passará, a partir de agora, à tutela de outro peemedebista: o presidente do Senado, Renan Calheiros. Conseguir que a Casa Alta tivesse a palavra final sobre o impedimento foi uma das poucas vitórias que a presidente obteve nos últimos meses. Isso deu, ao governo, um alívio, ao jogar para frente a decisão. Por outro lado, o STF, assim, carimbou o processo, afastando a tese de golpe. Governistas veem Renan “forte” e “firme” ao lado da presidente. O detalhe é que ele também tem ido à mesa com a oposição. Na quarta-feira, recebeu um grupo que defende o impeachment, entre os parlamentares, estava o pernambucano Jarbas Vasconcelos. A conferir.

Depois de peitar o PMDB, bancando candidatura de Chinaglia, o PT voltou ao enfrentamento, negando três votos a Eduardo Cunha no Conselho de Ética, o que acelerou todo processo

Dois lados contam com Renan
Uma das principais articuladoras do governo Dilma, a deputada Luciana Santos avalia que, no Senado, “a correlação de forças é melhor”. Lembra que oposição “tem maioria, mas não tem dois terços”. E confia: “Temos Renan que é forte”. Por outro lado, Jarbas Vasconcelos observa: “Renan não dá murro em ponta de faca”. O peemedebista esteve com o presidente do Senado, na quarta.

MOTIVO - Foi sob pretexto de saber como seria o rito no Senado que deputados de oposição estiveram no gabinete de Renan, às 17h da quarta. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, junto com Romero Jucá, coordenam a articulação pró-impeachment.

FERIADO - Michel Temer deve permanecer em Brasília para manter as articulações ao longo da semana. Detalhe: tem um feriado no meio. José Eduardo Cardozo informou que a presidente Dilma fala hoje.

VOLTA 1 - André de Paula já retorna, hoje, a Pernambuco. Há expectativa de que o governador Paulo Câmara assine, hoje, os atos de nomeação dos três secretários que reassumiram mandatos.

VOLTA 2 - Caso isso se concretize, amanhã, Sebastião Oliveira, Felipe Carreras e Danilo Cabral já assinam livro de posse. Foi programado que os três suplentes reassumam, na Câmara, juntos.

APETITE 1 - Antes de retornar a Pernambuco, na quinta, Cadoca chegou a participar de jantar com Michel Temer. O encontro deu-se na terça. Além dele, estavam outros parlamentares, entre os quais, Rubens Bueno, Heráclito Fortes, Osmar Terra e Romero Jucá.

APETITE 2 - Dessa vez, o anfitrião foi Jarbas Vasconcelos. Diferente do jantar, promovido por Heráclito Fortes, o da terça foi restrito a 15 deputados. Até ali, não existia ainda tranquilidade de quórum.

DETALHE - Ficou mesmo para Pernambuco o voto que fechou a conta de 342 que a oposição precisava. Caiu no colo de Bruno Araújo. Detalhe sobre a bancada pernambucana: Sebastião Oliveira fez questão de reassumir o mandato e acabou se abstendo em razão de pressões internas do PR.