*Por Leonardo Lemos

Nesta quinta-feira (28), pela manhã enquanto atravessava a ponte Motocolombó, bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife, um ônibus em alta velocidade, no sentido Mascarenhas de Moraes, passou por uma poça d’água e me molhou.

Com a pressa de chegar antes que o sinal fique vermelho, a grande maioria dos motoristas da cidade parece perder a humanidade quando pega no volante – neste caso, em especial, pensei se tratar de algo ainda mais grave: é um trabalhador que “não tem dignidade nem respeito na sua função”, com carga horária de trabalho absurda e nenhum acompanhamento dos Barões do Transporte Público ou Governo; um coitado que nem direito a greve teve…

Mas e eu, pedestre, terei que me transformar em motorista para ter o mínimo de dignidade no meu ir e vir?

Ambos, motoristas e pedestres, são cidadãos cheios de direitos na teoria, mas com a pouca prática dos mesmos no dia a dia, resta o abuso por parte de alguns em detrimento aos outros.

A quem posso recorrer para ter meu direito de ir e vir respeitado? Em dias de chuva, como posso me locomover? A quem posso recorrer sobre esse episódio específico?

Aos juízes, que estão ocupados, preocupação com diárias e metas do CNJ? E as metas com o cidadão?

Ou aos Deputados e vereadores? Estes devem estar mais preocupados com seus auxílios ou recesso!?

Recorro a Prefeitos? Não, esses estão ocupadíssimos com alianças políticas e reeleições de si e aos seus…

O cidadão, na Gestão Pública, está em segundo plano: precisa protocolar uma reclamação, reunir provas, ir ao dia marcado ao atendimento para que sua solicitação possa ser verificada e… se eu ficar doente, o sistema público de saúde terá um médico para me atender? Num tempo razoável ou apenas se minha pele pegar uma grave infecção?

Sem levar em consideração a falta de estrutura mínima das cidades , em episódios sazonais, como a chuvas torrenciais que causam um transtorno imenso de Norte à Sul.

Em ano de eleição essas são perguntas que deveriam ficar mais explícitas no noticiário e nas rodas de conversa do dia a dia. Não sobre a quem recorrer, mas sobre o tamanho da cidadania de cada um.

Porém, aprisionados a uma lógica democrática de viver pelo que decide uma maioria, infelizmente somos dependentes de uma maioria que está alienada ou pouco preocupada com a dignidade do humano, é uma parcela da sociedade que talvez nem tenha tempo de pensar nos outros, porque ninguém pensa por eles, ou até podem pensar nessas “coisas de cidadania e etc, mas é mais legal pensar em futebol e cerveja…” ou no sinal de trânsito que deve ficar vermelho logo e por isso tenho que andar mais rápido que a velocidade permitida…

Diante destas, indago: O verdadeiro sentido da palavra cidadania, onde fica?

*Leonardo Lemos é Jornalista