PED não garante a unidade

Tudo indica que Teresa Leitão será a escolhida (Foto: Pêu Ricardo/Arquivo Folha)

Por Marcelo Montanini
Da Folha de Pernambuco

Nos últimos tempos, o PT se tornou sinônimo de imbróglio. Desde a prévia, que ocorreu no ano passado na eleição municipal do Recife, o partido tenta juntar os cacos. Os preparativos para o Processo de Eleições Diretas (PED) da sigla e o debate em torno de um nome para disputar o comando estadual da legenda, seriam mais uma oportunidade de criar a tão propagada unidade. Contudo, até então, não é o que vem ocorrendo.

Dois colegiados hegemônicos – um liderado pelo ex-prefeito do Recife, João da Costa, e o outro, pelo senador Humberto Costa e pelo deputado federal João Paulo – dividem as atenções, enquanto outros grupos menores correm à margem do processo. O prazo para as inscrições das chapas e candidatos à presidência estadual da legenda no PED termina amanhã.

Pelo grupo liderado por Humberto e João Paulo, o nome do advogado Bruno Ribeiro já foi lançado. Fato que gerou uma pequena dissidência no bloco. No outro, comandado por João da Costa, embora o nome da deputada estadual Teresa Leitão não tenha sido oficializado, tudo indica que a parlamentar será a representante do grupo. O colegiado é formado por, além do ex-prefeito, os deputados Fernando Ferro, André Campos e Teresa Leitão e o presidente do PT recifense, Oscar Barreto. Eles pregam um discurso de cautela e tentam costurar alianças com tendências menores.

Enquanto as correntes Construindo um Novo Brasil (CNB) – a maior estadual e nacionalmente -, Articulação de Esquerda, Consciência Socialista, Coletivo PT para Todos (CPT) e Esquerda Popular Socialista (EPS) apoiam o nome de Ribeiro, o outro bloco, pretende reunir ao menos 12 tendências, dentre elas, Coletivo PT, Movimento PT Militante, A Democracia Socialista (ADS) e a Organização Marxista. Alianças com outras – O Trabalho e PT de Lutas e Massas (PTLM) – estão sendo discutidas.

Além dos grupos majoritários, outros três podem lançar candidaturas. É o caso de Edmilson Menezes, pela corrente O Trabalho; Prazeres Barros, por um grupo independente, e, possivelmente, Gilson Guimarães, que havia se colocado tanto pela corrente PTLM quanto pelo bloco de João da Costa. Apesar de ter sido ventilado o nome da secretária de Participação Social de Caruaru Louise Caroline, pelo Movimento de Ação e Identidade Socialista (MAIS), ela negou que disputará o pleito.


Câmara pode ajudar em mapeamento de comunidades

Uma proposta que está sendo discutida na Câmara de Vereadores do Recife pode ajudar a resolver a falta de informações sobre o número e localidades vulneráveis da capital pernambucana. De acordo com o vereador Eurico Freire (PV), a ideia é que seja feito, com o apoio de parlamentares, o mapeamento de outras comunidades em situação semelhante a dos Coelhos, atingida por um incêndio na última segunda-feira (5).

Para verde, a Câmara deve participar da discussão para que essas moradias apresentem mais dignidade e os problemas deixem de ser uma realidade tão presente no Recife.

“Isso é uma questão apartidária. A gente tem conversado com os pares. A gente está apoiando, trazendo a realidade, quando necessário, fazendo a crítica também. Apoiando a gestão para que essa solução seja dada o quanto antes. Estamos discutindo que seja feito, através do Executivo e com o apoio, naturalmente, dos vereadores que tenham mais aproximação com essas áreas, o mapeamento de outras comunidades que sejam vulneráveis a episódios semelhantes”, afirmou, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7.

Ontem, a Folha de Pernambuco entrou em contato com algumas secretarias da Prefeitura do Recife (Habitação, Defesa Civil e com a URB) e todas informaram não possuir o levantamento. Sobrou para o ex-prefeito João da Costa (PT) apontar alguns pontos de palafitas na cidade.

O petista explicou que, apesar dos programas, ainda existem esse tipo de moradia na Iputinga, Campina do Barreto, Caranguejo Tabaiares (Zona Oeste), Coelhos, Vila Brasil (Centro) e na Comunidade do Bode, no Pina (Zona Sul).


Prefeito tenta destravar obras

Gestor se recusa a fazer o debate político sobre a administração passada (Foto: Hesíodo Góes/Folha de Pernambuco)

Por Carol Brito
Da Folha de Pernambuco

Após seis meses de ajustes, o prefeito Geraldo Julio (PSB) começa a voltar as atenções para a herança que recebeu do seu antecessor. Apesar de o socialista se recusar a fazer o debate político sobre o passado, nos bastidores, não faltam críticas ao estado em que as obras foram repassadas para a atual gestão. Com a pressão e cobranças aumentando, a Prefeitura começa a querer mostrar os prejuízos que foram recebidos e o esforço para tirar do papel as benfeitorias.

Grande parte dessas intervenções foram repassadas paralisadas, precisando de reajuste nos projetos ou com problemas nas empresas contratadas. As principais obras de grande porte deixadas paradas ou em ritmo muito lento para a atual administração somam R$ 265,9 milhões. O valor equivale a um quarto do orçamento anual de R$ 1 bilhão da Prefeitura do Recife.

Ao final da sua administração, o ex-prefeito João da Costa alardeava que iria deixar o caixa da gestão com uma margem positiva de investimentos engatilhados – posição resumida na sua famosa frase “todo mundo quer sentar na minha cadeira”. No entanto, a avaliação interna da gestão é bem diferente. Apesar do panorama negativo, Geraldo e o ex-gestor preferem não entrar no embate político, mesmo com críticas nos bastidores. Os dois são aliados no governo e chegaram a fazer uma aliança branca, durante a campanha de 2012.

Questionado sobre a situação das obras, João da Costa disse que “não sabe mais a situação porque não está lá”. A visão é que a situação é complicada porque muitas dessas ações possuem financiamento externo do Governo Federal ou linha de financiamento de bancos, o que implica no cumprimento de prazos para não afetar a captação de novos recursos. Algumas dessas ações chegaram, inclusive, a esgotar a fonte de recursos financiadas, mesmo não tendo sido concluídas.

Outras ações tiveram a contrapartida da PCR elevada consideravelmente quando a equipe socialista foi reavaliar a execução da obra. Paralisada em dezembro, a obra do canal do Guarulhos, em Jardim São Paulo, teve o investimento elevado de 10% para 70%. Com o orçamento inicial de R$ 22,5 milhões, a gestão não divulgou se haverá um aumento no custo da benfeitoria. O canal de Santa Rosa, na Torre, também teve aumento da contrapartida da gestão de 16,47% para 42%.


Petistas querem dividir a fatura

Por Mirella Araújo
Da Folha de Pernambuco

“Essas reivindicações rebateram em todos os governos (Federal, estaduais e municipais). Com toda a política de inclusão social, feita na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as pessoas passaram para um patamar de reclamar pela qualidade dos serviços”. A afirmativa do deputado federal João Paulo (PT) retrata a estratégia da ala petista em mostrar que os serviços básicos (Saúde, Educação, Segurança e Transporte), que viraram pauta nas manifestações que marcaram a semana, não cabem apenas a medidas provenientes do Governo Federal.

De acordo com o petista, o pronunciamento feito pela presidente Dilma Rousseff (PT), em cadeia nacional na última sexta-feira, mostra que o Executivo está indo pelo caminho certo: o do diálogo. “Não temos a ilusão de que essa responsabilidade é só do PT. Nós atacamos muitos desses problemas que estão sendo colocados nas ruas”, frisou o parlamentar.

Questionada se as manifestações que terminaram colocando em evidência a competência administrativa do País poderiam incitar o declínio maior da popularidade da presidente, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) afastou qualquer tipo de co-relação. “Não existe essa relação direta, é um clima geral, até porque o que se tem cobrado nos protestos, já está na pauta de vários setores. Com a mobilização, outros fatores foram se agregando e trazendo mais adeptos a essas bandeiras”, defendeu Teresa.

Para o ex-prefeito do Recife João da Costa (PT), as manifestações não foram direcionadas a nenhum governo diretamente, mas caberia ao Governo Federal vir a público responder. “Nós estamos falando de lutas que também são do PT, mas que levam tempo para se materializarem. Acontece que na democracia nem tudo é consenso. O fato de a presidente ter chamado prefeitos, governadores e querer discutir com os manifestantes mostra que ela está no caminho certo”, pontuou Costa. O petista também afirmou que quem tem credibilidade para apresentar e executar um plano estratégico com as soluções é a presidente Dilma Rousseff.


Contratos herdados por Geraldo tiram o sono até julho

Prefeito do Recife precisou firmar acordos para não parar prestação de serviços (Foto: Hesíodo Góes)

O prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), não quer saber de contestar publicamente números ou dados da gestão de seu antecessor, João da Costa (PT). Contudo, o socialista, segundo informações de bastidor, tem sofrido um bocado com a necessidade de renovar contratos herdados para não interromper serviços essenciais como, por exemplo, a coleta de lixo. A agonia do chefe do Executivo recifense, no entanto, tem data para terminar: o mês de julho.

Muitos desses contratos foram questionados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e, após um conjunto de processos de licitação, as empresas beneficiadas deverão deixar de prestar serviço para a PCR. É o que se espera nos corredores do Palácio do Capibaribe.

O grande entrave que se comenta encontrado pelo prefeito Geraldo Julio nessa questão diz respeito ao seu desejo de não realizar dispensa de licitação em casos como esses. Para não correr o risco de pagar ainda mais a essas empresas, o gestor teve que realizar contratos em caráter emergencial com o prazo de seis meses. Antigo modelo adotado na era petista na PCR.

Como as licitações demandam um prazo razoável de tramitação, a gestão entrou em acordo para manter esse tipo de contrato até a conclusão dos certames que programou. A promessa é de que, ao final do processo, a população e, principalmente, quem acompanha as contas do município percebam diferenças significativas. Vamos aguardar.


“A gente não sabe quem é Geraldo e quem é João”

Vereadora afirmou que as duas gestões - do ex-prefeito João da Costa e do atual prefeito Geraldo Julio - estão ficando muito parecidas (Foto: Bruno Campos/Folha de Pernambuco)

Parece que a atuação do prefeito do Recife Geraldo Julio (PSB), que se apresentava como o novo, está sendo confundida com a com a gestão do ex-prefeito João da Costa (PT). Pelo menos foi isso que aconteceu durante entrevista da vereadora e líder da oposição, Aline Mariano (PSDB), à Rádio Folha FM 96,7. Para a tucana, “as coisas estão ficando tão parecidas que a gente não sabe mais que é Geraldo e quem é João”.

Enquanto explicava que a oposição tinha acabado com a trégua ao governo socialista, quando a administração municipal completou 100 dias de atuação, e que a marcação se tornaria mais “cerrada” a partir de então, a vereadora trocou o nome do atual gestor com o do ex-prefeito João da Costa.

Ao ser questionada se a confusão se deu pelos governos serem iguais, Aline Mariano declarou que o motivo é que “os dois estão começando a ficar muito parecidos, apesar do prefeito Geraldo Julio ter se assumido como algo novo, como uma prefeitura nova, como um Recife novo, como o marco de uma mudança e não como um governo de continuidade”.

“As coisas estão ficando tão parecidas que a gente não sabe mais quem é Geraldo e quem é João. Porque é incrível. Se a gente procura saber um pouco mais da gestão passada, se calam os petistas e se calam os socialistas e a gente fica de fato sem essas respostas. Então, é o que está parecendo”, afirmou Aline Mariano.

Ainda segundo a tucana, está na hora de o prefeito Geraldo Julio responder o que é essencial. “Quais são as dificuldades que ele está tendo? Por que ele está tendo essas dificuldades? Pois ou ele rompe agora, e aí eu acho que ainda tem tempo de consertar, ou ele vai pagar esse ônus não só na educação, mas em outras áreas também”, finalizou a líder da oposição.


Enciumados, petistas reclamam de Teixeira

Por Carol Brito
Da Folha de Pernambuco

O formato da visita do secretário-geral do PT nacional, Paulo Teixeira, ao Recife, nesta segunda-feira (27), acabou deixando insatisfeitas algumas das correntes do partido que possuem representação em Pernambuco. A grita quase geral se deve ao fato de o dirigente ter vindo em caráter oficial apenas para se reunir com o senador Humberto Costa (PT), o deputado federal João Paulo (PT) e o ex-prefeito João da Costa (PT).

“Está todo mundo me ligando para reclamar dessa postura dele. O Paulo Teixeira veio aqui, de forma oficial em representando o comando do partido, só para falar com três pessoas.  É como se o PT de Pernambuco tivesse dono. Mas o PT não tem dono”, reclamou Gilson Guimarães, coordenador da corrente PTLM em Pernambuco.

O objetivo da visita de Paulo Teixeira é o de tentar garantir a unidade da legenda para a realização das caravanas partidárias pelo Estado e o seminário de 33 anos da fundação da sigla e os seus dez anos no comando do governo Federal. Após a última celebração dos 33 anos da sigla terminar em confusão e queixas entre petistas, a liderança teme que os desgastes internos voltem a tirar o brilho da comemoração que, desta vez, deverá contar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente Dilma Rousseff (PT).

“Ele já começa errado ao fazer uma reunião excluindo forças do partido. Ele acha que João Paulo, Humberto e João da Costa mandam no partido, mas existem diversas correntes que estiveram com João da Costa nas prévias que não se sentem representadas pelo grupo dele”, relatou.

O PT, mais uma vez, dá mostras de que o atual estágio de acirramento interno não deve mudar tão cedo. A bronca deve continuar pesada por lá.


O efeito político das chuvas no Recife

Assim como o ex-prefeito João da Costa, imagem de Geraldo saiu arranhada com as últimas chuvas (Foto: Hesíodo Góes)

Uma das principais marcas da gestão do PT na Prefeitura do Recife foi ter praticamente “erradicado” as ocorrências com mortes durante os períodos de chuva. Fato que o ex-prefeito João Paulo (PT) se orgulha e propaga até os dias de hoje. Até então, as últimas gestões Jarbas Vasconcelos (1993-1997) e Roberto Magalhães (1997-2001) pouco conseguiram avançar nessa área.

O discurso do seu sucessor, o também petista e desafeto declarado, João da Costa, seguiu pelo mesmo caminho até as  fortes chuvas de 2011. Mais uma vez, a população assistia impotente a barreiras soterrando casas e pessoas.

Nas famosas coletivas de imprensas após esses episódios, os discursos dos prefeitos e secretários continuavam os mesmos: “No passado, o número de mortes era bem maior” ou “Vamos reforçar a limpeza e desobstrução de canais e valas.”

Cansada dessas desculpas e da pouca eficiência dos gestores nesse quesito, a população – principal prejudicada – começou a questionar, reclamar e reivindicar o cumprimento das promessas de campanhas através dos meios de comunicação, principalmente das redes sociais.

Quem sentiu na pele e tem propriedade para falar desse assunto é o ex-prefeito João Costa. O petista viu sua provável candidatura à reeleição ir por água abaixo por inúmeras razões, entre elas, as questões de chuvas e alagamentos.

O estopim aconteceu quando o petista seguiu com toda sua família para um período de descanso na Espanha. Enquanto relaxava, o Recife se acabava de chuva e mais pessoas ainda morriam por conta dos desabamentos.

A VEZ DE GERALDO
Dois anos depois, o atual prefeito Geraldo Julio (PSB) viveu situação semelhante. Enquanto o Recife acordava embaixo de uma verdadeira tromba d’água, o socialista estava em uma visita oficial a um projeto de mobilidade urbana no Rio de Janeiro.

Oficialmente, o gestor, segundo sua assessoria de Imprensa, não teria agenda pública naquela sexta-feira (17) que parou o Recife. Ora, acompanhar de perto projetos que futuramente poderão ser implantados na cidade não seria agenda pública?

Assim que desembarcou no Aeroporto Internacional do Recife, Geraldo Julio não quis ir para casa descansar. “Arregaçou as mangas” e caiu em campo. Acompanhou algumas famílias que foram levadas para abrigos municipais e os trabalhos de limpeza das galerias e canaletas.

Após chuvas, PCR anunciou inúmeros projetos para evitar transtornos futuros (Foto: Bruno Campos)

Na primeira entrevista que deu, “comemorou” o que classificou como rápido escoamento da água. “Três horas depois que a chuva encerrou, a cidade estava seca, com exceção de um ou dois pontos. Mas a cidade secou porque as galerias e os canais foram limpos nestes pouco mais de quatro meses de governo”, garantiu o prefeito Geraldo Julio. Como de praxe, após esse episódio, a PCR anunciou inúmeros projetos para evitar transtornos futuros.

Independente desse argumento pouco esclarecedor o fato é que a imagem política de Geraldo Júlio saiu arranhada. Sua gestão, que até então, ostentava apenas resultados positivos, amargou uma sequela impresumível.

Por sinal, naquela mesma semana, dois outros polêmicos assuntos – rodízio de veículos e a disciplina do acesso às informações públicas com restrições às informações sigilosas no âmbito do Poder Executivo Municipal – estremeceram a “sólida e tranquila” gestão Geraldo Julio. Quem está na chuva, companheiro, precisa se molhar!


Raul plantará árvores de mangue na Ilha do Zeca

Intenção do vereador é garantir a anulação do decreto do antigo prefeito, João da Costa (PT), que permite a construção de edifícios de até 28 andares na Ilha (Foto: Laila Santana/Arquivo Folha)

O vereador Raul Jungman (MD) anunciou, nesta quinta-feira (16), por meio de sua assessoria de Imprensa, que que plantará árvores de mangue na ainda pouco conhecida Ilha do Zeca, região de preservação ambiental localizada no bairro de Afogados.

O plantio das mudas será realizado no próximo domingo (19), às 9h. Ele estará acompanhado dos pescadores que vivem no entorno da ilha, de representantes da Associação dos Amigos do Mangue do Recife, do Ponto de Cultura Espaço Livre do Coque e do grupo Direitos Urbanos.

“Vamos explorar, conhecer essa região de grande importância para o Recife. Isso é também uma forma de protesto porque é uma área de preservação ambiental”, defende Raul Jungmann.

A intenção do vereador com o ato é garantir a anulação do decreto do antigo gestor do Recife, João da Costa (PT), que permite a construção de edifícios de até 28 andares na Ilha, destruindo, assim, uma zona de preservação ambiental da cidade.

“Nós entramos com um decreto legislativo pedindo uma revogação dos decretos de 2008 e 2012 e também denunciamos à Polícia Federal a suposta grilagem à Ilha,” revela o oposicionista.

Nas últimas semanas, o vereador também promoveu na Câmara Municipal uma Audiência Pública sobre a Ilha do Zeca.


Delegados do OP inseguros com futuro do projeto

Por Carol Brito
Da Folha de Pernambuco

Menina dos olhos dos 12 anos da gestão petista, o programa do Orçamento Participativo ainda é alvo de discussão na administração do prefeito Geraldo Julio (PSB), sobre o formato que o modelo deverá adotar pela administração socialista. Enquanto isso, para os 1.242 delegados empossados pelo ex-prefeito João da Costa (PT), nos últimos dias da gestão, e eleitos pela sua comunidade para representá-los, a situação ainda é de insegurança. Cobrados pelos vizinhos sobre o encaminhamento das obras que já foram aprovadas e o futuro do programa, os líderes comunitários estão desacreditados diante do seu bairro e esperam uma resposta da equipe do gestor. A principal queixa é que, apesar de terem sido empossados, eles ainda não foram chamados para participar da discussão sobre o futuro do projeto.

“Qual a posição do prefeito? Temos várias pendências do governo anterior e a gente não sabe o que se passa na cabeça de Geraldo Julio”, desabafou o delegado de Jardim São Paulo Walmi Ferreira. Com um panfleto do Orçamento Participativo da administração anterior nas mãos, ele mostra as obras que a população aprovou nas plenárias do programa e que até agora não foram tiradas do papel. É o caso da recuperação e requalificação do canal Guarulhos, aprovada em 2003, orçada em R$ 95,3 milhões e que conta com verba do Governo Federal.

Walmi Ferreira, liderança de Jardim São Paulo, questiona qual a posição de Geraldo (Foto: Wagner Ramos)

A matéria da assinatura da ordem de serviço, assinada pelo ex-prefeito João da Costa (PT), está guardada pelo líder comunitário até hoje com a frustração de não vê-la ser tirada do papel. A benfeitoria permanece parada e incompleta, enquanto a população anseia que a nova gestão retome as obras. A pavimentação das ruas Sonolópoles e Brilhante também não foi realizada.

As pendências deixadas pela administração anterior são a principal preocupação do delegado do Alto do Pascoal, Marcos Antônio da Silva, mais conhecido por Marcos Delegado. Para ele, Geraldo Julio deve, primeiramente, tirar do papel as obras que foram aprovadas nos 12 anos de plenárias. Ele cita como exemplo a construção das barragens da Lage do Una (aprovada em 2002) e de um centro comunitário no bairro. Segundo ele, das últimas dez benfeitorias aprovadas pela comunidade por meio do programa, nenhuma foi realizada. O descontentamento com o formato é tamanho que ele pensa em não participar das próximas rodadas do OP. “Não quero voltar para ficar só enxugando o gelo”, disse.

A declaração de Geraldo Julio de que estaria revendo o que faria com as obras herdadas da administração anterior causou desconforto nos delegados. “É estranho que na campanha ele tenha dito que ia manter e até agora nada. Estamos na metade do mandato (de delegado do OP) e não sabemos de nada. O pessoal está apreensivo sobre o rumo que o programa irá tomar e as obras que foram deixadas. A insegurança é muito grande”, destacou o delegado de Igualdade Racial, Ricardo Herculano. A liderança defende a manutenção do projeto, porque ele permite que a população discuta as suas prioridades e não fique apenas dependendo de apadrinhamento político.

O delegado temático de Cultura Erasmo Souza relata que muitos representantes do programa estão sendo maleáveis no início da gestão, mas que no segundo semestre irão cobrar respostas do governo, caso o programa não saia do papel na nova gestão. “Estamos aguardando, dando um tempo porque ele chegou agora. Mas quando passar o São João, vamos botar para moer. Eles não podem tirar isso da gente da noite para o dia. Isso é uma conquista do povo”, defendeu.


Petista: Eduardo não é capaz de se aliar à direita

Ex-prefeito afirma que governador sempre teve lado e não deverá mudar (Foto:Diegro Nigro)

A possibilidade de o governador Eduardo Campos (PSB) ser candidato à Presidência da República com o provável reforço de aliados como o DEM e o MD (fusão entre PPS e PMN) foi descartada pelo ex-prefeito João da Costa (PT). O petista, em entrevista à rádio CBN, afirmou que o socialista não seria capaz de realizar uma mudança de lado só para disputar o Palácio do Planalto. “Ele sempre teve um lado, sempre demonstrou isso. Não acho que ele se juntaria a essas forças que são contrárias a ações e programas, como o Bolsa Família. Que dizem que ele é uma esmola e que pobre é preguiçoso”, cravou.

João da Costa ressaltou que a disputa presidencial do próximo se ano colocara, além da briga eleitoral, um embate ideológico entre os campos antagônicos da política brasileira. “É esse tipo de disputa que se travará. Não será só uma briga eleitoral. Vamos ter uma disputa ideológica, de pensamentos e posições. É essa direita que vai voltar a governar o País? São essas foras?”, questionou o petista.

O ex-gestor acredita que a candidatura do governador Eduardo Campos ainda não é irreversível, o que deixará a janela do diálogo aberta entre o socialistas e petistas. “O PSB ainda tem cargos no Governo Dilma. O PT ainda tem cargos no Governo do Estado. O PT tem cargos na Prefeitura do Recife”, frisou.


Costa vê PT sem condições de disputar o Estado

Apesar de vários segmentos do PT pernambucano defenderem que o partido saía com candidatura própria ao Governo do Estado, devido às movimentações do governador Eduardo Campos (PSB) em prol de sua postulação ao Palácio do Planalto, o ex-prefeito João da Costa não vê a legenda com condições de disputar o Executivo estadual. Conforme o ex-gestor, os petistas ainda não demonstraram a maturidade necessária para resolver seus problemas internos e, por isso, não demonstram o entendimento preciso para construir um caminho diferente ao do que será trilhado pela Frente Popular de Pernambuco.

“O PT não tem condições para ter uma candidatura própria ao Governo do Estado. O PT deve insistir em seguir na composição da Frente Popular”, afirmou, em entrevista à rádio CBN, João da Costa, ressaltando que a sigla precisa, primeiro, discutir o Estado para poder, na sequência, apresentar soluções para Pernambuco. “O partido não pode ficar apenas discutindo o eleitoral. Quem vai ser o candidato ou quem não vai ser. Tem que discutir, sugerir soluções”, complementou.

Questionado se o PT  também não possui a maturidade necessária para enfrentar e avançar nos seus problemas internos, João da Costa concordou, destacando que o partido, às vezes, fulaniza demais uma discussão que deveria se restringir à instância partidária. “Não se pode dizer que os problemas do PT são apenas se referem apenas aos meus problemas de relacionamento com fulano ou sicrano ou de outras pessoas do partido”, analisou.

João da Costa ainda garantiu que está trabalhando para tentar unir o partido, destacando que o PT necessita rediscutir seu papel na Frente Popular e na sociedade. O ex-gestor destacou que a legenda não pode viver apenas da simpatia demonstrada por uma fatia da sociedade, uma vez que existe um projeto político encabeçado por outra sigla, o PSB, na Prefeitura do Recife.


Costa nega retirada da proteção da Ilha do Zeca

Ex-prefeito assegurou que o decreto assinado por ele aumentou as restrições do local (Foto:Diego Nigro)

O ex-prefeito do Recife João da Costa (PT) procurou o Blog da Folha para rebater as acusações realizadas pelo vereador Raul Jungmann de que ele suspendeu, por meio de decreto, a proteção ambiental da Ilha do Zeca, a última ainda desabitada na capital pernambucana. De acordo com o petista, o dispositivo assinado por ele (de nº 26.723 de 01 de outubro de 2012) garante justamente o contrário. Ou seja, o aumento da restrição na implantação de edificações no local. O parlamentar pós-comunista chegou a protocolar um pedido de investigação por grilagem na Ilha do Zeca na Polícia Federal.

Jungmann vai à PF denunciar suposta grilagem em ilha
PF informa que vai investigar suposta grilagem

“Há um decreto, de 2008, assinado ainda por João Paulo (PT), quando ele era prefeito, que impôs restrições para as prováveis edificações na Ilha do Zeca. Em 2012, eu, também por decreto, aumentei as restrições. O local tem 40 hectares e, antes do meu decreto, 10 deles poderiam ser utilizados pela construção civil. Agora, esse número caiu para 3 hectares. Menos de 10% do total”, detalhou João da Costa.

Você pode conferir aqui a íntegra do decreto assinado pelo petista.

O ex-prefeito também ressaltou que o seu dispositivo passa a torna obrigatória a realização de compensações para quem levantar edificações na Ilha. “Eu não quero saber quem é dono ou quem quer ser dono daquelas terras. O que eu fiz foi deixar obrigatória a construção de um parque público para quem realizar empreendimentos lá. Muita gente fala sem saber”, criticou.

Costa ainda assinalou que o mesmo decreto assinado por ele, que garante a modificação na Lei Orgânica do Município, ainda assegura a instituição do caráter de Área de Proteção Ambiental a outros locais com apelo semelhante na cidade. O ex-gestor citou a Mata do Engenho Uchoa como um exemplo. “É preciso que as pessoas saibam o que ocorreu. Eu não sou um criminoso ambiental. Muito pelo contrário”, assegurou João da Costa.

No entanto, o petista fez a ressalva de que o decreto ainda precisa ser regulamentado para ter validade e que, caso isso não ocorra, uma emenda aprovada pelo atual presidente da Câmara, Vicente André Gomes (PSB), garantirá a volta do antigo perfil da Ilha do Zeca. “O Vicente aprovou essa emenda. Se não houver a regulamentação, a área vai voltar a ser o que era antes”, concluiu. Questionado sobre o assunto, o prefeito Geraldo Julio (PSB) que o seu governo não fez nada na Ilha do Zeca.


Humberto, JP e Costa não se esbarram em ato do PT

Senador (E) e deputado (D) chegaram e saíram antes do ex-prefeito aparecer na reunião (Fotos: Nathália Bormann/Folha de Pernambuco)

Parecia que eles até tinham combinado. Com o PT ainda fragilizado pela derrota sofrida na Prefeitura do Recife (PCR), após um ciclo de 12 anos de poder no município, três das principais lideranças petistas evitaram se cruzar durante a reunião do diretório estadual do partido, neste sábado (6), no hotel Atlante Plaza. Foram eles: o senador Humberto Costa, o deputado federal João Paulo e o ex-prefeito João da Costa.

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Hoje, João Paulo e Humberto chegaram juntos ao local da reunião. A dupla, que formou a chapa do partido na disputa pela PCR, no ano passado, apareceu no hotel por volta das 10h30 e ingressaram no auditório. As duas lideranças ficaram por cerca de 30 minutos e não aguardaram o desfecho do encontro, saindo em seguida. Vinte minutos depois, o ex-prefeito João da Costa marcou presença no evento.

Da última vez que João Paulo e João da Costa estiveram “lado a lado”, em um evento do PT, terminou em confusão. A reunião anterior do partido, em março passado, foi marcada pela briga entre militantes pró-ex-prefeito e pró-deputado. João Paulo foi chamado para compor a mesa de cerimônia, mas Costa não. Petistas invadiram o salão, onde ocorria o evento, e cobraram do cerimonial uma atitude para consertar o constrangimento. O desentendimento terminou em empurra-empurra e até troca de tapas.

Os dois Joões já não se bicam há anos e romperam a relação político-pessoal. Humberto disputou a eleição para prefeito do Recife, em 2012, mas não obteve o apoio de João da Costa porque o ex-prefeito queria ter saído candidato. O petista venceu a prévia do PT, em maio, contra o ex-deputado e ex-petista Maurício Rands, mas viu a direção nacional do partido anular a decisão dos militantes e indicar o senador como postulante do partido.

A reunião do PT, que segue até às 17h, tem, entre as determinações, tentar repactuar o partido, em Pernambuco, com vistas na disputa de 2014. Com a provável candidatura do governador Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República, os petistas buscam a reunificação do partido, depois do traumático episódio eleitoral vivido no Recife.

Com informações de Carol Brito, repórter da Folha de Pernambuco


Costa é, de novo, criticado por ausência na segurança

Ex-prefeito do Recife foi alvo de secretários municipal e estadual de segurança (Foto:Diego Nigro/Arquivo Folha)

A suposta falta de iniciativa da gestão do ex-prefeito João da Costa (PT) em contribuir com programas de redução da violência no Recife foi lembrada durante a abertura da reunião do Pacto Pela Vida no Recife, neste sábado (6). Tanto o secretário municipal da área, Murilo Cavalcanti, quanto o secretário de Defesa Social do Estado, Wilson Damásio, reclamam de uma postura ausente do governo anterior sobre a questão. Cavalcanti, no início da semana, criticou a inexistência de vontade política para ajudar o Executivo estadual no programa Pacto pela Vida.

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“Havia uma ausência do prefeito no Pacto pela Vida estadual e essa presença, agora, a gente passa a participar ativamente e chega de forma consistente e firme”, sublinhou o secretário Murilo Cavalcanti, responsável por abrir o evento no Centro de Formação de Professores Paulo Freire, na Madalena. O auxiliar do prefeito Geraldo Julio (PSB) aproveitou para conclamar que os gestores municipais da Região Metropolitana copiem a iniciativa, com o intuito de reduzir a taxa de homicídios no Estado. “A gente sabe que o crime não tem fronteira”, cravou Murilo.

Já o secretário Wilson Damásio colocou que a ausência da gestão municipal nas discussões do Pacto pela Vida era motivo de reclamação por boa parte da corporação militar. “Essa ausência no Pacto era uma reclamação de mais dos nossos 30 mil homens da corporação (Polícias Militar e Civil), no sentido de reprimir o crime”, destacou o auxiliar do governador Eduardo Campos (PSB). Damásio elogiou a iniciativa do prefeito Geraldo Julio e sugeriu que o modelo que está sendo implantado no Recife deveria ser seguido pelos demais 183 municípios pernambucanos.

Olhar pelo retrovisor
Indagado pelo Blog da Folha se concordava com as opiniões expressadas pelos dois secretários – de que faltou iniciativa na gestão passada no que tange ao cuidado com a segurança pública – o prefeito Geraldo Julio respondeu que sua meta é olhar para o governo e trabalhar para atender os anseios da população. “Tem muita coisa para eu fazer. Tem muita responsabilidade recaindo sob meu governo para eu ficar analisando pelo retrovisor. Quero olhar para o meu governo e para o que a gente tem que fazer agora porque é o que a população está esperando”, sacramentou o socialista.