
Assim como o ex-prefeito João da Costa, imagem de Geraldo saiu arranhada com as últimas chuvas (Foto: Hesíodo Góes)
Uma das principais marcas da gestão do PT na Prefeitura do Recife foi ter praticamente “erradicado” as ocorrências com mortes durante os períodos de chuva. Fato que o ex-prefeito João Paulo (PT) se orgulha e propaga até os dias de hoje. Até então, as últimas gestões Jarbas Vasconcelos (1993-1997) e Roberto Magalhães (1997-2001) pouco conseguiram avançar nessa área.
O discurso do seu sucessor, o também petista e desafeto declarado, João da Costa, seguiu pelo mesmo caminho até as fortes chuvas de 2011. Mais uma vez, a população assistia impotente a barreiras soterrando casas e pessoas.
Nas famosas coletivas de imprensas após esses episódios, os discursos dos prefeitos e secretários continuavam os mesmos: “No passado, o número de mortes era bem maior” ou “Vamos reforçar a limpeza e desobstrução de canais e valas.”
Cansada dessas desculpas e da pouca eficiência dos gestores nesse quesito, a população – principal prejudicada – começou a questionar, reclamar e reivindicar o cumprimento das promessas de campanhas através dos meios de comunicação, principalmente das redes sociais.
Quem sentiu na pele e tem propriedade para falar desse assunto é o ex-prefeito João Costa. O petista viu sua provável candidatura à reeleição ir por água abaixo por inúmeras razões, entre elas, as questões de chuvas e alagamentos.
O estopim aconteceu quando o petista seguiu com toda sua família para um período de descanso na Espanha. Enquanto relaxava, o Recife se acabava de chuva e mais pessoas ainda morriam por conta dos desabamentos.
A VEZ DE GERALDO
Dois anos depois, o atual prefeito Geraldo Julio (PSB) viveu situação semelhante. Enquanto o Recife acordava embaixo de uma verdadeira tromba d’água, o socialista estava em uma visita oficial a um projeto de mobilidade urbana no Rio de Janeiro.
Oficialmente, o gestor, segundo sua assessoria de Imprensa, não teria agenda pública naquela sexta-feira (17) que parou o Recife. Ora, acompanhar de perto projetos que futuramente poderão ser implantados na cidade não seria agenda pública?
Assim que desembarcou no Aeroporto Internacional do Recife, Geraldo Julio não quis ir para casa descansar. “Arregaçou as mangas” e caiu em campo. Acompanhou algumas famílias que foram levadas para abrigos municipais e os trabalhos de limpeza das galerias e canaletas.

Após chuvas, PCR anunciou inúmeros projetos para evitar transtornos futuros (Foto: Bruno Campos)
Na primeira entrevista que deu, “comemorou” o que classificou como rápido escoamento da água. “Três horas depois que a chuva encerrou, a cidade estava seca, com exceção de um ou dois pontos. Mas a cidade secou porque as galerias e os canais foram limpos nestes pouco mais de quatro meses de governo”, garantiu o prefeito Geraldo Julio. Como de praxe, após esse episódio, a PCR anunciou inúmeros projetos para evitar transtornos futuros.
Independente desse argumento pouco esclarecedor o fato é que a imagem política de Geraldo Júlio saiu arranhada. Sua gestão, que até então, ostentava apenas resultados positivos, amargou uma sequela impresumível.
Por sinal, naquela mesma semana, dois outros polêmicos assuntos – rodízio de veículos e a disciplina do acesso às informações públicas com restrições às informações sigilosas no âmbito do Poder Executivo Municipal – estremeceram a “sólida e tranquila” gestão Geraldo Julio. Quem está na chuva, companheiro, precisa se molhar!