Prefeito assiste ao nascimento de movimentos que se contrapõem a sua gestão (Foto: Hesíodo Góes)
Pela primeira vez desde que assumiu o comando da Prefeitura de Olinda, em 2008, o prefeito Renildo Calheiros (PC do B) está vendo sua “aparente” tranquilidade ser ameaçada por um conjunto de fatores que estabelecem um contraponto à administração comunista. Seis vereadores que compõem a bancada governista já se mostraram insatisfeitos com a condução da gestão de Calheiros e instituíram, no último mês, um grupo alternativo no bloco, o chamado G-6. Vale lembrar que o chefe do executivo olindense ainda conta com uma voz claramente de oposição, o social-liberal Arlindo Siqueira. Além da representação legislativa, Renildo observa o surgimento de um grupo social que se apresenta como canal de debate, com participação popular, sobre os problemas da Marins dos Caetés, o “Olindear”.
Em números oficiais, pode-se dizer que o movimento no poder legislativo olindense ainda não chega a assustar, visto que dos 17 vereadores, dez são, de fato, da situação. Mas, sem sombra de dúvidas, começa a incomodar o poder de Calheiro na Casa de Bernardo Vieira de Melo. Caso necessite da aprovação de um projeto de maior relevância, por exemplo, onde serão necessários pelo menos 2/3 dos votos, e os seis vereadores do bloco independente mais o da oposição votarem contra, o pleito do comunista será vetado. Algo inédito até então.
“Penso que Renildo precisa de ‘tesão’, vontade para arregaçar as mangas e ir aonde o problema está, conversar com a população e mostrar as dificuldades, bem como as possíveis soluções que o governo tem para resolver tudo o que está todo dia na imprensa. Olinda precisa de resposta urgente!”, comentou, em reserva, um vereador da cidade que, temendo represálias, preferiu não se identificar.
Um dos motivos para insatisfação de alguns vereadores da cidade com a gestão é porque a grande maioria dos partidos aliados ainda aguarda os cargos prometidos por Renildo durante o último processo eleitoral. “Sinceramente, acredito que o problema em Olinda seja financeiro. A cidade está quebrada e, infelizmente, o prefeito não pode fazer muita coisa. Prometeu, mas não tem condições de cumprir”, complementou o mesmo parlamentar.

Vereador é o único integrante da oposição (Hesíodo Goes)
Representante solitário da bancada oficial de oposição, Arlindo Siqueira atesta que a “ausência de obras significativas” na gestão Renildo Calheiros tem sido o principal ponto de motivação para o surgimento de movimentos contrários ao gestor. “Ele não tem nada para mostrar. A população está cansada disso e há um reflexo natural no legislativo”, arrematou.
No entanto, para o vereador Biai, que lidera a bancada do PC do B na Câmara, o clima na cidade está tranquilo e a gestão seguindo sem nenhum impedimento. “Faço parte da Comissão de Constituição e Justiça, participo regularmente das reuniões do partido e não enxergo esse cenário que a oposição está pregando. Eles querem tumultuar a vida de Renildo essa que é a verdade”, justificou o comunista, cobrando um posicionamento dos vereadores do G-6. “Eles precisam assumir se são situação ou oposição.”
MOVIMENTO POPULAR
Na última quinta-feira (25), um grupo de moradores da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade formalizaram a criação do “Olindear”, movimento que tem como principal objetivo acompanhar diariamente a gestão não apenas do prefeito, como também de todos os 17 vereadores da cidade.

Encontros são marcados pelas redes sociais (Foto:Reprodução/Facebook)
Apesar de pregarem que o “Olindear” não possui cunho político, alguns ex-candidatos a vereadores de Olinda nas últimas eleições estão entre os idealizadores do movimento. “Temos pessoas filiadas a partidos, mas nosso objetivo é outro. É fiscalizar, debater e propor melhorias para a cidade que moramos”, explicou Vlademir Labanca (PR), que em 2012, não conseguiu se eleger para Câmara de Olinda.
“A finalidade desse grupo é melhorar o potencial político dos seus integrantes visando à próxima eleição para vereador de Olinda”, rebateu Biai. A reportagem entrou em contato com a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Olinda. Até o fechamento desta edição não recebemos nenhuma resposta do órgão.