As causas referentes ao direito do consumidor tem tomado conta dos juizados especiais. Para o integrante do Conselho Nacional de Justiça, José Guilherme Werner, hoje os juizados são verdadeiros tribunais de consumidores. “No Rio de Janeiro, 93% das demandas submetidas aos juizados especiais cíveis são de consumidores. Há uma individualização das demandas que, na verdade, são demandas de massa. O defeito no celular, o contrato no banco, envolvem um tratamento individual, mas os Procons podem ser as primeiras portas de atendimento”, disse. As informações são do jornal Correio Braziliense.
De acordo com a Associação Brasileira de Procons, oito em cada dez casos são resolvidos por meio da conciliação.
No mês passado, o Executivo enviou à Câmara um Projeto de Lei (PL 5196/2013) que dá mais poderes aos Procons. Os órgãos poderão aplicar medidas corretivas em caso de infraão às normas de defesa do consumidor pela proposta. A intenção do governo é reduzir o número de ações nos tribunais.
A secretária Nacional de Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Juliana Pereira da Silva, defendeu a aprovação do projeto por deputados e senadores. Segundo ela, o Código de Defesa do Consumidor prevê que, “os Procons podem fechar um estabelecimento, cassar um alvará, mas não podem determinar a devolução de R$ 10 para o consumidor”.
Já a presidente da Associação Brasileira de Procons, Gisela Simonia, destacou algumas fragilidades do órgão. Segundo ela, além dos 27 órgãos estaduais e no Distrito Federal, o Brasil tem 647 Procons municipais, significando cobertura de menos de 10% das cidades brasileiras.
“Quando é feito um acordo no Procon, e ele não é cumprido imediatamente, é porque a empresa pediu prazo. Quando isso acontece, e ela cumpre [o que foi acordado], ótimo. Mas quando não é cumprido, o consumidor tem que ir ao Judiciário para garantir o seu direito. É um problema para os Procons, no que diz respeito a sua eficiência. Apesar da multa, você tem uma situação para aquele cidadão de não resolução da demanda”, disse à publicação.
O presidente da Comissão de Atualização do Código de Defesa do Consumidor, senador Rodrigo Rollemberg (PSB), pretende votar em plenário, até o início de julho, três projetos que atualizam a lei. As propostas tratam de ações coletivas, comércio eletrônico e proteção ao superendividamento do consumidor.
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, atualmente, as operadoras de telefonia e os bancos são os campeões de reclamações entre os consumidores.