OPINIÃO

Empresas vão fechar cerco à corrupção no esporte

Publicado por José Neves Cabral, em 18.12.2014 às 21:11

José Neves Cabral

A notícia foi divulgada nesta quinta-feira pelo Jornal Folha de São Paulo. Empresas que gastam milhões com patrocínios de clubes, federações e confederações estão se articulando para firmar um pacto pela transparência nas entidades que patrocinam.

Mais do que óbvio que o fato motivador é o recente escândalo envolvendo a Confederação Brasileira de Vôlei, bancada durante 24 anos pelo Banco do Brasil. A parceria foi um sucesso, pois nesse período essa modalidade esportiva ganhou medalhas de ouro olímpicas, mundiais e títulos importantes para o Brasil.

Mas o desvio de cerca de R$ 30 milhões, entre outras irregularidades apontadas em relatório pela Controladoria Geral da União, geraram desgaste para o Banco do Brasil, principalmente num momento em que o governo sofre com o assalto aos cofres da Petrobras.

De acordo com a matéria da Folha, o pacto ainda não está concluído, uma vez que as empresas envolvidas trabalham para conseguir mais adesões. Entre os pioneiros estão o próprio Banco do Brasil, a Ambev, McDonald’s, Nike, Correios, Itaú e Nestlé, entre outros. Todas essas mantêm investimentos no esporte de ordem superior a meio bilhão de reais.

 







Elicarlos esteve perto de acertar com o Sport

Publicado por José Neves Cabral, em 18.12.2014 às 16:24

José Neves Cabral

Em constante desentendimento com a diretoria do Náutico, o volante Elicarlos esteve perto de acertar com o Sport neste meio de semana.

Ontem, porém, uma fonte nos informou que o Sport desistiu da negociação porque  já acertou com dois volantes, cujos nomes ainda estão sendo mantidos em sigilo.

Elicarlos iniciou a carreira no Porto, veio para o Náutico há seis anos, destacou-se com a camisa alvirrubra e foi negociado ao Cruzeiro. Lá, não conseguiu se dar bem e voltou.

Seu salário no Náutico está em torno de R$ 80 mil, o que é uma bagatela em relação à realidade financeira do clube.

O Náutico não suporta mais pagar um salário desse nível. E seria bom que os próprios dirigentes reconhecem isso. O clube deve cerca de R$ 450 mil ao jogador e quer tentar uma redução salarial.

Mas como  sentar à mesa para negociar uma redução se o clube não cumpre o que estabelece o contrato atual, saldando o débito com o atleta?

A estratégia de desgastar o profissional, tentando vender sua imagem como a de um jogador que não se cuida, que está “gordo” e que é um mercenário não é a mais adequada.

Tal atitude apenas desperta a revolta do atleta, o que poderá custar bem mais caro para o clube se ele resolver cobrar o que tem direito na Justiça.

 







Argumento pouco convincente

Publicado por José Neves Cabral, em 17.12.2014 às 19:13

José Neves Cabral

Os acusados do assassinato do torcedor Paulo Ricardo foram ouvidos esta tarde no Fórum Rodolfo Aureliano.  Seus advogados tentam alegar que não houve intenção de matar, quando seus clientes atiraram um vaso em direção aos torcedores que passavam nas imediações da arquibancada da Rua das Moças no Arruda, saindo do jogo entre Santa Cruz e Paraná.

Claro que a intenção dos advogados é a melhor possível, mas não acredito que seus clientes se livrarão de uma severa punição da Justiça. Como convencer promotor e jurados de que alguém que joga um vaso de uma altura de 14 metros não teve a intenção de matar? O vaso foi arrancado de um dos sanitários do Arruda logo após a partida – ou seja, neste caso, eles também vão responder por furto.

A cobertura feita pelo repórter Gustavo Luchessi, do caderno de Esportes da Folha, é exemplar nos últimos dias, e este blog tem sido alimentado com informações sobre o caso. É lamentável que a Justiça esteja punindo apenas os autores da ação. Mas neste episódio não há apenas estes culpados.

Durante muitos anos, dirigentes de clubes apoiaram membros de torcidas organizadas, os acomodaram em alojamentos das agremiações e fizeram vista grossa para a violência. O primeiro grito de independência em relação a esses marginais foi dado por João Humberto Martorelli, presidente do Sport, logo após assumir o posto com a licença de Luciano Bivar.

Até que se chegasse a este crime hediondo muitos outros foram cometidos sem que as autoridades. Espera-se que a condenação dos três envolvidos sirva de exemplo para jovens que estão sendo cooptados por líderes inescrupulosos que nada têm a ver com o torcedor ordeiro e apaixonado que sempre frequentou nossas praças esportivas.







Vitória construída com títulos e prudência

Publicado por Gustavo Lucchesi, em 16.12.2014 às 21:10

José Neves Cabral 

A vitória de João Humberto Martorelli na eleição para a presidência do Sport estava mais que desenhada.

Desde quando assumiu o posto – após o pedido de licença de Luciano Bivar -, ele centralizou atenções para a conquista de títulos que o Sport não ganhava há alguns anos.

Primeiro, a Copa do Nordeste. Na sequência, o Estadual. No segundo semestre, uma razoável campanha na Primeira Divisão, com a permanência do Sport na elite nacional.

Martorelli não se deu bem apenas no futebol. Ganhou num aspecto muito importante para quem dirige: a prudência.

Ao exigir da Engevix a garantia contratual de que o projeto de construção da Arena do Sport seria concluído – com o aval de uma instituição financeira – ele tomou uma decisão acertada, pois não colocou em risco um patrimônio construído em 109 anos de história.

“A construção da Ilha do Retiro custou o suor de muitos rubro-negros”, comentou, durante jantar com jornalistas há uma semana.

A prisão de diretores da Engevix pouco tempo depois da decisão de Martorelli veio mostrar o acerto de sua precaução. Mais do que isso, o zelo com o patrimônio do clube.

Nos próximos dois anos, ele tem o desafio de manter o Sport no caminho das conquistas, mas sem perder o foco na modernização administrativa, além do fortalecimento do trabalho de base.

 







Eleição referenda uma nova liderança

Publicado por José Neves Cabral, em 16.12.2014 às 16:39

(Foto: Jedson Nobre)

José Neves Cabral

Como há muito tempo não acontece, a eleição do Sport ocorre em clima de tranquilidade. Não há acusação de “fabricação de eleitores” de nenhuma das chapas. O atual presidente, João Humberto Martorelli, deve ser reeleito com boa margem de diferença em relação ao oposicionista Bruno Reis. “Bruno vai ter votos porque na Ilha do Retiro é impossível haver unanimidade”, diz, com ironia, um velho leão de densa juba.

Algumas eleições, porém, ficaram na história do clube. Há 40 anos, Jarbas Guimarães superou José Joaquim com o slogan Sport 20 vezes campeão, criado pelo jornalista Celso Rodrigues. Vencedor, Jarbas armou o time que ficou conhecido como Seleção do Nordeste e ganhou o título estadual após 13 anos de jejum. Em 77, voltou a ser campeão estadual e em 78 levou o clube a uma ótima campanha no Brasileiro sob o comando do mineiro Hilton Chaves. O time ficou entre os oito melhores, sendo eliminado pelo Guarani/SP, que se sagraria campeão após derrotar Vasco, nas semifinais, e Palmeiras, na final.

O sucessor de Jarbas, José Moura, assumiu num ambiente de calmaria, sendo campeão estadual em 80 e passando o comando para José Antônio Alves de Melo, bicampeão em 81/82. Arsênio Meira (83/84) e Roberto Massa (1985/86) também se elegeram com tranquilidade, mas o segundo não conseguiu fazer o sucessor, pois em 1986 o clima ficou acirrado. O ex-remador do clube, Homero Lacerda, resolveu candidatar-se e, apoiado por Luciano Bivar, venceu o situacionista Wanderson Lacerda. Homero armou um time que começava com Leão e terminava com Éder, duas ex-estrelas da seleção brasileira, mas perdeu o título estadual de 1987. No entanto, colocou seu nome na história do clube ao levar a equipe ao título nacional, após uma briga jurídica com o Flamengo.

Em 2000, o clube novamente se dividiu, com Wanderson Lacerda de um lado e Luciano Bivar do outro. Bivar ganhou a eleição, mas, enfraquecido politicamente, perdeu o hexampeonato em 2001 para o Náutico. As rusgas entre líderes como Luciano Bivar, Homero, Wanderson e, posteriormente, Sílvio Guimarães (falecido em maio deste ano) se agravaram nos últimos anos. O fato abriu espaço para a entrada em cena de João Humberto Martorelli, favoritíssimo no pleito desta terça-feira. Ele foi eleito vice-presidente na chapa de Bivar, mas assumiu a presidência quando o titular se licenciou. Ambos também se desentenderam durante a gestão Martorelli.

Se tiver a eleição confirmada esta tarde, o que é muito provável, Martorelli se fortalece como uma nova liderança na Ilha do Retiro.

 







A Era Ricardinho será de cobranças no Arruda

Publicado por José Neves Cabral, em 12.12.2014 às 15:45

José Neves Cabral

Fim de temporada, tempo de especulações, planejamento e decisões. Após um ano para ser esquecido – exatamente o do centenário -, o Santa Cruz tenta recomeçar com Ricardinho como treinador. O ex-meio-campista do Corinthians, pentacampeão mundial, foi um líder dentro de campo. Encerrou a carreira há pouco mais de dois anos para iniciar uma nova etapa no futebol como treinador.

Como referência e exemplo, é uma excelente pedida para os tricolores. Em campo, era hábil e falante, empurrava os companheiros para o jogo e lidera a equipe. Como profissional, nunca foi de baixar a cabeça para dirigentes. Sempre foi incisivo nas entrevistas.

E é aí que mora o perigo. Ricardinho vai chegar no Arruda e conferir o monumental estádio. Mas é bom que os dirigentes logo o cientifiquem da situação do clube. E, certamente, ele não vai gostar de saber dos constantes atrasos na folha salarial, principalmente dos funcionários mais humildes.

O novo presidente, Alírio Moraes, e seu vice, Constantino Júnior, vão precisar de muita habilidade para evitar atritos com o novo treinador.

 

 







São Paulo dá o exemplo

Publicado por José Neves Cabral, em 11.12.2014 às 16:24

José Neves  Cabral

O mercado do futebol é pródigo em fabricar milionários, nem todos eles craques.

A medida do São Paulo é uma espécie de pisada no freio dessa história.

Claro que um teto de R$ 300 mil não é pouca coisa. Um atleta ganhar tal valor por dois ou três anos já será suficiente para  resolver

sua vida.

Mas fixar o teto neste patamar e segurá-lo já é uma grande mudança de mentalidade no futebol brasileiro, onde virou rotina comprometer a receita do clube para pagar salários altíssimos aos jogadores.

Há clubes em situação de penúria no Brasileiro inteiro por causa desse equívoco.

Clube campeoníssimo no Brasil, no continente e detentor de três mundiais de clubes, o São Paulo dá o exemplo.

 







Para o seu próprio bem, Saulo deve sair

Publicado por José Neves Cabral, em 10.12.2014 às 10:46

 José Neves Cabral

Saulo surgiu no Sport como grande promessa. Alto, esguio e ágil, fez bonito em várias partidas quando foi acionado. Falhou em algumas, é verdade, mas pouco para se queimar diante da torcida.

Dos grandes clubes pernambucanos, o Sport é o que mais revelou goleiros nos últimos anos. Albérico, Bosco, Gilberto e Flávio, este campeão brasileiro em 1987, são alguns desses exemplos.

Nada parecia impedir que Saulo se firmasse na Ilha como ídolo dos torcedores. Mas a presença de Magrão acabou inibindo o processo de crescimento do jovem goleiro.

O veterano chegou à Ilha do Retiro no final de 2004 e de um goleiro apenas mediano, que passou boa parte do tempo na reserva, começou a ganhar confiança depois que tomou a posição de Gustavo, herói do título estadual de 2006 nas penalidades contra o Santa Cruz.

Magrão atingiu o seu auge técnico depois dos 30 anos, em 2008, quando o Sport sagrou-se campeão da Copa do Brasil. Na época, tinha como treinador o chileno Rojas, aquele que simulou ter sido atingido por um rojão em 1989 e que, por isso mesmo, foi banido do futebol pela Fifa.

Magrão é um especialista em saídas de gol quando o adversário entra na área com a bola dominada. Talvez seja o melhor do mundo neste fundamento. Mas falha nas bolas cruzadas sobre a área, assim como nos chutes de longa distância.

A sua saída perfeita para bloquear as finalizações dos rivais, porém, é algo que chama muito a atenção.

Já Saulo tem muita agilidade, apesar do tamanho, embaixo das traves. Também é bom nas saídas para bloquear chutes dos rivais à queima-roupa.

Ainda sub-20, ele foi convocado algumas vezes para a Seleção Brasileira da categoria, mas o tempo passou, Saulo não virou titular do Sport e acabou tendo a sua ascensão freada .

Acredito que a melhor saída para ele seja deixar o Sport e buscar um clube onde possa jogar e mostrar todo o seu talento. Se ficar na Ilha, vai passar mais alguns anos na reserva, correndo até o risco de perder a motivação.

 







Dores tricolores

Publicado por José Neves Cabral, em 9.12.2014 às 18:07

 

José Neves Cabral

O ano do centenário está terminando e o Santa Cruz coleciona bordoadas dentro e fora de campo.

Após a campanha sem sucesso para tentar mudar de série no Brasileiro, o time perde jogadores importantes para a próxima temporada.

Encaixados na equipe, titulares absolutos, o volante Sandro Manoel e o lateral-esquerdo Tiago Costa seguiram para o Ceará Sporting.

Vão reforçar a boa equipe do alvinegro alencarino. O centroavante Leo Gamalho está com um pé fora do Arruda.

As baixas são fruto da crise financeira. Uma crise que não começou ontem, diga-se. Há anos, os presidentes que assumem o clube apenas administram a “bola de neve” sem que se encontre uma solução.

Nesta quinta-feira, o advogado tributarista Alírio Moraes assume o posto de presidente executivo.

O clube ainda procura um técnico.

Espera-se, também, um projeto definitivo para que o clube feche o ciclo de crise.







Náutico: apenas sete títulos em 46 anos

Publicado por José Neves Cabral, em 6.12.2014 às 08:13

José Neves Cabral

O Náutico ganhou seis títulos estaduais consecutivos  na década de 60, sendo esta série o maior orgulho de sua torcida. Qual o rubro-negro ou tricolor que nunca ouviu um alvirrubro, peito estufado, bradar: “hexa é luxo’’? A frase é uma alusão ao ineditismo da conquista em Pernambuco. Até agora, o Sport foi penta em duas oportunidades, e o Santa Cruz em uma.

Mas o que é um luxo para os alvirrubros parece ser também a sua maldição. Desde o fim da histórica série, há 46 anos, o clube passou a viver de conquistas pontuais. Nesse longo período, ganhou apenas sete títulos estaduais – 1974, 1984, 1985, 1989, 2001, 2002 e 2004. Aqueles jovens que presenciaram a fase de ouro do clube dos anos dourados vivem agora de saudade, a contar aos filhos e netos as façanhas de Bita, Nino, Lalá e Cia.

Na década de 70, o Náutico formou um time de respeito para evitar que sua conquista fosse igualada. Conseguiu. A briga política envolvendo o dirigente que armou o time, Sebastião Orlando, e o grupo de João de Deus Ribeiro, porém, dividiu o clube. Sebastião afastou-se.

A partir daquele racha, o clube passou a ter dificuldades, inclusive para formar novos quadros políticos. Alguns abnegados, como Eduardo Loio, Américo Pereira, entre outros, tocaram o barco. A presença de  Josemir Correia, um ex-remador, na direção a partir dos anos 80, se serviu para novas conquistas, como em 84/85 também trouxe novas rusgas.

Politicamente, há várias línguas nos Aflitos, todas com visões diferentes a respeito de qual direção o time deve tomar. Em 2001, André Campos assumiu e conseguiu arrumar por algum tempo a casa, o que contribuiu para os títulos de 2002 (o bicampeonato) e o de 2004, última conquista do Estadual.

Os resultados negativos no Brasileiro, com o time frequentando irregularmente o grupo de elite nacional, levou a uma queda no faturamento do clube, que saiu de R$ 50 milhões, quando disputou a Série A no ano passado, para cerca de R$ 3 milhões este ano. Muito pouco para concorrer com o Sport em âmbito local e lutar por uma vaga na Série A em âmbito nacional.

Novamente, de cofres vazios, o clube alvirrubro encerra a temporada. A diretoria busca um técnico a preço baixo. Moacir Júnior se enquadra no perfil. Mas é preciso contratar novos jogadores e, além disso, cumprir os compromissos em dia, o que não aconteceu este ano. Com as folhas em atraso, a desmotivação toma conta dos jogadores.

Finalizando, podemos dizer que a melhor coisa que o clube fez nos últimos anos foi a construção do Centro de Treinamento da Guabiraba. Resta agora torcer para que o trabalho de base esteja correndo a contento, para que o time consiga aproveitar jovens valores, ganhar títulos e, enfim, recuperar o prestígio perdido nas competições nacionais.







Carências visíveis no time do Sport

Publicado por José Neves Cabral, em 4.12.2014 às 22:00

 

José Neves Cabral

Pouco importa o resultado do jogo com o São Paulo, domingo, na Arena.

Após conquistar o Nordestão, o Pernambucano e garantir sua permanência na elite nacional em 2015, o Sport começa a fazer um balanço da temporada.

Quem aprovou e quem não aprovou. Desta avaliação do técnico Eduardo Baptista e dos dirigentes, serão definidos os jogadores que ficam para a próxima temporada.

É possível concluir que entre os titulares nenhum vai sobrar. E se sobrar será uma surpresa.

Dos que se destacaram na temporada, a única saída certa é a de Neto Baiano, que perdeu espaço.

Felipe Azevedo é uma incógnita. Alternou boas e más atuações, fez gols importantes e mandou outros para a bandeirinha de escanteio.

Rithely está há quatro anos na Ilha. Pesa a favor o fato de ser um jogador jovem, na faixa de 22 anos. Mas pesa contra o fato de não ter evoluído.

É o mesmo Rithely que veio do Goiás há quatro anos e estreou fazendo um gol no Asa, em Arapiraca, e passou o restante da temporada errando passes bobos. Não é um volante confiável, como Rodrigo Mancha, que dá estabilidade ao time.

Dos zagueiros reservas, acredito que Oswaldo, por ser prata da casa, terá mais um ano para ganhar experiência. Os demais correm risco, pois não se mostraram aptos a substituir sequer Ewerton Páscoa, que, quando saiu da equipe por causa de uma contusão, gerou uma crise técnica na defesa.

No ataque, Joelinton e Mike, jovens atacantes, terminam a temporada com prestígio. Ambos como titulares.

Acredito, porém, que devem ganhar uma concorrência de peso, pois se tem ambições maiores a diretoria não vai se conformar com jogadores ainda inexperientes em setor tão decisivo.

Diego Souza acabou o ano aprovadíssimo. Mostrou que não veio ao Recife de férias. E por isso mesmo será assediado por clubes do Sul.

Neste caso específico, acho que o Sport leva vantagem em relação aos concorrentes, pois paga em dia os seus compromissos, algo que no Sul é coisa rara – a exceção é o Cruzeiro.

Nas laterais, Patric, fazendo gols, e Renê, dando assistência, estão consolidados. Mas parecem não ter sombras na reserva. Vitor ainda não disse a que veio, assim como Igor Fernandes.

No meio campo, espera-se, enfim, que Régis deslanche. Ele entrou em alguns jogos e mostrou talento, mas precisa fazer mais jogos para que a torcida se convença de que tem um camisa dez de nível na equipe.

Enfim, o Sport precisa de reforços para encontrar uma concorrência forte, pois a simples ausência de dois jogadores (Páscoa e Mancha) por um período de dois meses durante o Brasileiro causou uma visível pane técnica no time. E sem eles nem  o prestigiado Eduardo Baptista conseguiu fazer a equipe render.







O lado bom e o lado ruim

Publicado por José Neves Cabral, em 4.12.2014 às 16:30

José Neves Cabral

Árbitro vinculado ao quadro da Fifa, Marcelo de Lima Henrique acertou seu ingresso no quadro da Federação Pernambucana de Futebol na semana passada.

Ocupará o espaço aberto por outro ‘estrangeiro’, Sandro Meira Ricci, que deixou o quadro  da Ceaf este ano.

A presença de um árbitro experiente e reconhecido nacionalmente é um fato positivo para o futebol pernambucano.

Mas vejo com preocupação a queda do nível dos árbitros locais nos últimos anos. Após a aposentadoria de Valdomiro Matias e Wilson Souza – o segundo chegou a fazer parte do quadro da Fifa -, abriram-se duas lacunas que ainda não foram preenchidas na arbitragem local.

Cláudio Mercante queimou-se definitivamente com a desastrosa arbitragem na primeira partida da decisão entre Sport e Santa Cruz, na Ilha do Retiro, em 2011.

Gilberto Castro chegou a despontar, mas até agora não se firmou. Assim como Sebastião Rufino Filho, que também cometeu erros graves no ano passado, um deles ao anular um gol lícito do Sport na fase final do Pernambucano com o Santa Cruz.

 







Seleção dos melhores não empolga

Publicado por José Neves Cabral, em 3.12.2014 às 18:00

José Neves Cabral

A fase final do Campeonato Brasileiro é oportuna para que os cronistas do Oiapoque ao Chuí façam suas análises, apontem os craques que lhe chamaram a atenção e escolham a seleção dos melhores da competição.

A seleção eleita no momento, de acordo com a Confederação Brasileira de Futebol, é esta: Jefferson, Marcos Rocha, Dedé, Gil e Egidio; Lucas Silva, Souza, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart; Diego Tardelli e Guerrero.

A relação em si já nos causa um certo desconforto, que vem sendo atenuado ano a ano (leia-se conformismo) pela realidade que apresenta: não temos mais um grande craque.

Este ano o jogador considerado craque é o meia Everton Ribeiro, do Cruzeiro. De fato, um jogador com técnica acima da média. Sabe dar assistências e finalizar, assim como seu companheiro Ricardo Goulart, outro selecionado.

Na frente da área, dois jogadores de técnica razoável – Souza e Lucas Silva. Detesto ser saudosista, mas há alguns anos, teríamos um meio-de-campo assim – Falcão, Cerezo, Zico e Sócrates como os melhores. Ou então, Carpeggiane, Batista, Jorge Mendonça e Zenon. E ainda sobrariam Andrade, Vitor, Adílio, Assis, Pita, Silas…

Atacantes, então… Roberto Dinamite, Renato Gaúcho, Baltazar, Reinaldo, Nunes, Careca.

É claro que o futebol brasileiro caiu de produção na revelação de valores. E a exportação de craques sempre foi um importante meio para os clubes fazerem caixa e saldar débitos. Daqui pra frente, veremos jovens valores saindo em menor velocidade do Brasil para o exterior.

A meu ver o fato não tem uma única causa. São várias. As que mais chamam a atenção são a falta de espaços urbanos adequados para a garotada jogar futebol, exercitar a técnica longe dos “professores”. Pesa também o trabalho de base mal feito dos clubes, onde os olheiros desapareceram. Se não houver uma mudança de paradigma na formação de jogadores, o futebol brasileiro vai descobrir que o vexame diante da Alemanha na Copa do Mundo que realizamos no Brasil não foi um mero acidente.

 







O coração partido de Neto Baiano

Publicado por José Neves Cabral, em 3.12.2014 às 13:40

José Neves Cabral

Ainda vamos demorar muito para entender a vertiginosa queda de produção de Neto

Baiano no segundo semestre. Especificamente, a partir do início da Série A do

Brasileiro.

No primeiro semestre, o atacante foi o jogador mais importante do Sport. Fez gols

decisivos, deu assistências e um show de marketing pessoal.

A torcida do Sport viu nele, bem a seu feitio, um ídolo. Mas começou o Brasileiro e o

futebol de Neto Baiano dissolveu.

Mesmo assim, para ser justo, não podemos deixar de lembrar que no primeiro turno da

competição os seus “lampejos” ajudaram e muito o Leão.

Fez gols em partidas importantes e também deu assistências.

Mas apagou-se completamente no segundo turno. Perdeu a posição.

Há quem veja nisso um cisma porque Diego Souza chegou ganhando mais.

É possível, mas pouco provável. Seria uma falha de caráter que acredito que ele não tem.

O problema pode ser mesmo emocional. Neto Baiano tinha todos os refletores

voltados para si.

E de repente passou a dividir com o ex-craque palmeirense a preferência das câmeras.

Não se pode esquecer neste aspecto também o papel de Eduardo Baptista.

O treinador mudou várias vezes o esquema da equipe. Em algumas partidas, o artilheiro ficou solitário, sem assistências.

Virou uma presa fácil para os zagueiros, uma vez que a mobilidade não é seu forte.

Na capa do caderno de Esportes desta Folha, Neto se confessa de coração partido ao preferir sair da Ilha por se ver alijado dos planos do treinador.

Apesar de seu desempenho sofrível no turno final do

Brasileiro, vai ficar na memória da torcida os belos gols que fez.

As críticas pelas jornadas ruins não vão superar o que ele fez de bom no Sport.

 

 







Crise e choque de gestão no futebol

Publicado por José Neves Cabral, em 1.12.2014 às 21:31

José Neves Cabral

São inúmeras as notícias sobre clubes brasileiros em crise. O Botafogo caiu no Rio de Janeiro por causa de sua precária situação financeira.

Em Pernambuco, Santa Cruz e Náutico sucumbiram num momento importante da Série B, exatamente por desmotivação dos jogadores, ou coisa pior, em razão de salários atrasados.

Em participação num Fórum de Treinadores, em Itu, nesta segunda-feira, o ex-técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, pregou um choque de gestão no futebol brasileiro.

O treinador tetracampeão do mundo em 1994 citou a escolha dos melhores do mundo pela Fifa este ano. Entre 15 meio-campistas apontados entre os melhores não há nenhum brasileiro.

Tenho minhas dúvidas a respeito dessa observação de Parreira. A queda de qualidade do futebol brasileiro começou exatamente pelo excesso de pragmatismo de técnicos como ele, que pregavam o futebol de resultados.

A Seleção Brasileira campeã do mundo de 1994 era um exemplo de como não se devia jogar futebol. Burocrática. Vivia do talento de Romário e Bebeto. E por isso mesmo foi campeã.

Já a Seleção de 1982 é inesquecível, mesmo tendo perdido a Copa. A diferença entre uma e outra era o número de craques.

Os pragmáticos, certamente, lembrarão que o importante é vencer, mesmo jogando feio. Mas, sem arte, o futebol tende a perecer.

Acho que o choque de gestão no futebol deve ser feito a partir da filosofia de formação dos jogadores. Menos treinos táticos, menos engessamento, mais liberdade para que os jovens desenvolvam suas habilidades.

Quanto à questão financeira dos clubes, é necessário que se estabeleça um teto salarial. Há jogadores ganhando salários acima da capacidade do que os clubes  podem pagar. Tudo pela ânsia de ganhar a qualquer custo dos dirigentes, apostando em “craques” que nem fazem tanta diferença.

Aliás, craque, é um produto em extinção no futebol brasileiro.