OPINIÃO

Um leão abatido pelo complexo de vira-lata

Publicado por José Neves Cabral, em 11.08.2014 às 10:19

José Neves Cabral

O complexo de vira-lata é uma definição antiga, do cronista esportivo e dramaturgo Nelson Rodrigues, para tentar explicar o sentimento de inferioridade que abatia os brasileiros em confrontos com os europeus antes da conquista da Copa do Mundo, em 1958. Com a chegada de Pelé, porém, tudo mudou. O Brasil passou a ser a Pátria de Chuteiras, e os títulos de Copa do Mundo vieram em profusão. Viramos o País do Futebol.

Pois bem, o nariz de cera acima é só para falar dessas constantes derrotas do Sport para os times que ocupam a lanterna das competições que o Leão disputa. Agora, na Série A, o time reabilitou dois nas últimas duas rodadas – Figueirense e Flamengo. Em anos anteriores também levantou outras equipes menos favorecidas na classificação.

O jogo com o Flamengo me chamou a atenção porque vi o técnico Eduardo Baptista escrevendo quase uma crônica da derrota anunciada quando escalou quatro volantes no meio-campo. Seria o Flamengo, de Vanderlei Luxemburgo, um supertime? O que estaria, então, fazendo na última posição do Brasileiro?

Tenho pra mim que o complexo de vira-lata abateu o treinador rubro-negro. Sua atitude de respeito ao rival foi exagerada. Mais que isso, equivocada.  O Sport criou poucas jogadas de perigo e seu principal atacante, Neto Baiano, continua sendo uma ilha no setor ofensivo. A bola não chega para que ele finalize.

Curiosamente, são os lampejos de Neto Baiano que fizeram até agora a diferença nesta campanha do Sport. Tirem os gols, as faltas cobradas por ele que geraram rebotes e gols (consequentemente, vitórias) que o Sport estaria hoje na zona de rebaixamento.

 







O nazifacismo das organizadas e a necessidade de reaprender a torcer

Publicado por William Tavares, em 8.08.2014 às 09:24

JOSÉ NEVES CABRAL

No começo, elas surgiram como charangas, fanfarras. Reproduziam hinos e músicas de exaltação ao clube e à cultura de suas respectivas regiões ou cidades. Ganharam a simpatia do público e foram atraindo adeptos. Dos ingênuos gritos de guerra criados para incentivar os jogadores passaram a vomitar slogans de gosto duvidoso. Posteriormente, vieram os chavões que pregavam a violência contra “os inimigos” , simpatizantes de outras agremiações. Mais tarde, esses slogans passaram a ser seguidos dos atos violentos. Então, começaram a morrer torcedores nas imediações dos estádios antes e depois de grandes jogos.

Diante da pressão da sociedade, as autoridades públicas e federações passaram a apertar o cerco. A legislação mudou. A violência começou a gerar multas pesadas, perda de mandos de campo. A violência das organizadas passou a doer no bolso. Seria natural que alguns clubes começassem a reagir. A guerra declarada pelo presidente do Sport à Torcida Jovem, um dos braços da violência no futebol pernambucano hoje, ao lado da Inferno Coral, é legítima.

Esses grupos, além de violentos, assumiram um caráter empreendedor nos últimos 15 anos. Vendem camisas, botons, bonés. Criaram uma marca própria, potencializada quando associada à própria marca do clube. A renda extra financia viagens de seus membros para acompanhar jogos dos times em outros estados. A violência começou a ser exportada, literalmente. As cenas vistas no jogo Figueirense 3×0 Sport, em Santa Catarina, em que dois grupos de organizadas do Sport brigaram nas arquibancadas do Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis, mostram essa realidade.

As organizadas assumiram há muito uma postura nazifascista, onde o objetivo é aniquilar o “diferente”, que, necessariamente, não precisa ser inimigo. A posição do Sport, por intermédio de seu presidente, João Humberto Martorelli, é corretíssima. A suspensão do fornecimento de ingressos e a proibição para que a Torcida Jovem utilize qualquer símbolo do Sport em produtos que vende, além de desocupar as dependências da Ilha do Retiro são medidas necessárias para começar a banir esse grupo dos estádios.

Outras medidas deverão vir. O Sport está fazendo a sua parte. Outros segmentos do Estado também devem fazer a sua parte. A Secretaria de Educação e Esportes, do Estado, deve colocar em prática nos próximos dias o programa Aprendendo a Torcer. Nesse programa, haverá uma inovação com a criação do espaço misto nos estádios. Será uma área reservada para torcedores que gostam de ir aos jogos juntos, mesmo torcendo por clubes diferentes. Neste espaço, cada um poderá ir com a camisa de seu respectivo clube, pois terão proteção da polícia para evitar qualquer incidente vindo dos radicais.

Para mim, uma boa ideia, que deve receber total apoio das autoridades para que, no futuro, o espaço seja ampliado. Quem sabe assim, não possamos recuperar o pedaço de cidadania que foi tomado pela violência no futebol? Antes, há muito tempo, os torcedores de clubes diferentes assistiam aos jogos lado a lado nas nossas praças esportivas. E os desentendimentos eram mínimos.







Decadência do futebol brasileiro refletida nos números

Publicado por Tiago Freitas, em 6.08.2014 às 17:18

Médias dos times da Série A estão muito ruins (Foto: Peu Ricardo/Folha PE)

TIAGO FREITAS/BLOG DE PRIMEIRA

Não precisa ser tão saudosista e voltar tão longe no tempo para afirmar que o futebol brasileiro anda em baixa. Quem acompanhou o nível de atuação dos times nacionais nos anos 90 sabe que a queda de qualidade é um fato. Um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo deixou isto ainda mais evidente.

As médias da Série A de gols marcados, finalizações certas, lançamentos certos, dribles e cruzamentos certos caíram drasticamente e são as piores desde 2006. Os números podem ser explicados por duas grandes frentes. A primeira delas é a qualidade técnica dos jogadores mesmo. Os atletas de hoje não são tão bons como eram há alguns anos. Este é um ponto importante, de fato.

O segundo motivo tem a ver com a transformação do futebol. Não apenas no Brasil, mas na maioria dos lugares, o futebol de destruição vem ganhando cada vez mais espaço. Em todas as ligas – e a brasileira está longe de ser exceção – é possível notar que a maioria dos times joga fechadinho, esperando o contra-ataque.

Para mudar o cenário, de cara, é preciso cuidar melhor do nosso futebol. Especialmente no que diz respeito às categorias de base. Se o Brasil voltar a formar grandes jogadores, de capacidade técnica inquestionável, é mais fácil que os treinadores sintam-se à vontade para escalar um time de forma ofensiva.

Obviamente, uma mudança apenas não é capaz de alterar toda uma estrutura. E os resultados práticos não serão colhidos agora. Mas é preciso fazer algo, com certa urgência inclusive. Ter mais carinho com a base já é um começo.







Tão perto, tão longe

Publicado por José Neves Cabral, em 5.08.2014 às 16:04

Foto: Peu Ricardo/Folha PE

JOSÉ NEVES CABRAL

O Cruzeiro nada de braçadas em direção ao título da Série A do Brasileiro. Claro que no futebol as reviravoltas são incontáveis. Estamos apenas na 13ª rodada da competição. Faltam 25. Mas prefiro não falar das rodadas que faltam. Interessa a mim as que já foram realizadas com o time estrelado jogando o fino. Bola de pé em pé, defesa bem postada, meio de campo organizado, ataque eficaz.

São essas as características que fazem um bom time. Do Gabão a Kathmandu.  E é com elas que o Cruzeiro vai chegando. Dos 13 jogos, ganhou nove, empatou dois e perdeu dois. Marcou 29 gols, sofreu 13. Ou seja, para cada gol tomado, o time faz dois, vírgula alguma coisa. Seu aproveitamento é de 74%, dez a mais do que o segundo colocado, o Fluminense.

O futebol e os números confirmam a superioridade da raposa mineira na competição.  Um olhar mais próximo sobre a campanha também indica que o time joga um futebol ofensivo, pra frente. O sucesso do Cruzeiro faz bem ao futebol. Que os outros clubes do Brasil mirem-se neste exemplo para que os espetáculos fiquem mais bonitos.

Tenho visto o Sport jogar e, como bom pernambucano, festejo a boa campanha do campeão do Nordeste, que está na briga para entrar no G4, zona dos classificáveis para a Libertadores. Mas vejo o time tão perto, na distância por pontos, e tão longe dessa meta, exatamente porque o futebol que o Sport joga é pobre em ofensividade. O time tem um bom sistema defensivo, escorado por uma coluna chamada Durval. Mas o meio de campo não demonstra a mesma qualidade, e essa deficiência contribui para o baixo rendimento do ataque, onde Neto Baiano vive de seus próprios lampejos.

O centroavante, porém, já vem sendo criticado pela baixa média de gols do time na competição. Seus críticos desconhecem a importância dele nesta boa campanha. Tirem a prova dos nove, subtraindo desta campanha do Sport os gols de Neto Baiano, os lances em que ele participou e companheiros seus marcaram. Depois, coloquem o saldo na tábua de classificação. Sem ele, o Sport estaria ali, na zona de rebaixamento.







Culpar Everton Sena e Renan é covardia

Publicado por Tiago Freitas, em 28.07.2014 às 13:21

Foto: Hesíodo Goes/Folha PE/Arquivo

TIAGO FREITAS/BLOG DE PRIMEIRA

Dez gols em três jogos na Série B. Obviamente, algo está errado com o Santa Cruz. É natural que o torcedor atribua a responsabilidade na dupla de zaga coral. Contudo, a culpa pelo mau momento não passa nem perto de Everton Sena e Renan Fonseca. Os defensores não são perfeitos, mas estão longe de comprometer o rendimento do time. O verdadeiro culpado pelo desempenho do Tricolor nem sequer entra em campo: o técnico Sérgio Guedes.

Em um esquema de jogo tão exposto como o de Guedes, a zaga pode ser formada por Hummels e Boateng. O Tricolor continuaria sofrendo mesmo assim. O atual treinador tenta colocar em campo um time ofensivo. Mas nem alcança um nível alto no setor de ataque, e muito menos garante a consistência e o equilíbrio defensivo que a equipe necessita.

Sérgio Guedes resolveu dar mais liberdade para Danilo Pires. O volante/meia coral agora tem certeza que é apenas um meia. E a recomposição fica comprometida. O volante Memo é instigado a ir para o ataque, mas não tem qualidade para tal. O máximo que consegue é dar um contra-ataque ao adversário.

Renatinho jogar da forma que joga é um absurdo. Tudo bem que o baixinho tem certa qualidade no ataque, mas não pode exercer o que Guedes quer. O atleta não consegue cumprir bem a função de lateral porque o tamanho e a força lhe impedem de marcar com qualidade.

O Santa Cruz tem muitos problemas. E poucos deles estão relacionados ao talento do time. O elenco coral não é o melhor da Série B, nem sequer está entre os três melhores, mas pode render muito mais do que está rendendo. E se isto não acontece, a culpa – quase que – total é de Sérgio Guedes.







De cabeça baixa é difícil de jogar, Felipe Azevedo

Publicado por Tiago Freitas, em 27.07.2014 às 10:19

JOSÉ NEVES CABRAL/BLOG DE PRIMEIRA

Costumo observar as deficiências dos treinadores pelos erros que vejo alguns jogadores cometerem durante os jogos. Há três anos, me chama a atenção a forma como o atacante Felipe Azevedo consegue se manter entre os titulares do Sport.

Cabe aí duas culpas: a primeira é dos treinadores que já dirigiram o clube e não conseguiram encontrar ou preparar outro atleta para ser titular no lugar deste atacante. A outra é dos dirigentes que não conseguiram encontrar um jogador melhor para a posição. Mas por que a minha implicância com Felipe Azevedo?

A pergunta é justa, pois, além dele, outros jogadores de baixo nível técnico, também jogaram no Sport. Alguns ainda jogam, até. Mas a resposta também é simples: basta observar este jogador quando domina a bola. Ele abaixa a cabeça, e dificilmente exerce aquele olhar periférico que diferenciava Pelé e Zico de outros mortais.

Com essa postura equivocada, Felipe Azevedo tenta acertar passes. Às vezes, consegue. Tenta chutar em gol. Às vezes, consegue. E raras vezes marca. Não tenho estatísticas em mãos, mas acredito que esteja entre os atacantes com menor média de gols que já passaram pela Ilha do Retiro.

Ananias, que jogou um número de partidas bem menor do que Azevedo, provavelmente tem uma média maior. Mas chega treinador, saí treinador e lá está Felipe Azevedo entre os titulares. Enfim, que qualidade extraordinária tem este atleta? Eis outra pergunta que não cala.

Afinal, será que todos os técnicos que passaram pelo Sport são burros? Geninho, Vagner Mancini, Sérgio Guedes, Hélio dos Anjos, Givanildo. O número é extenso. Os defensores do atacante dizem que ele é um excelente marcador, por isso tem a preferência. Ora, ora, mas a função principal dele é atacar, fazer gols, convenhamos. E gols ele faz poucos.

E aí vem outra pergunta. Mas se ele marca mais do que ataca por que não muda de posição? Ali na frente, penso eu, é lugar de atacante, de quem faz gols. Quando vou aos jogos na Ilha do Retiro sempre fico atento ao desespero de alguns torcedores em todas as vezes que Felipe Azevedo pega na bola.

Os comentários são lacônicos, irônicos: “Lá vai ele pra bandeirinha de escanteio. Um dia ele casa com ela…”, brinca um torcedor. “Ah, se ele andasse assim no meio da rua, já tinha rachado o chifre num poste”, diz outro. Certa vez, numa penalidade perdida, antes mesmo de fazer a cobrança, eu me arrisquei como vidente: “Vai perder”.

Mas não era nenhuma tentativa de adivinhação. Estava constatando o óbvio: é difícil chutar de cabeça baixa. E Felipe bate pênalti de cabeça baixa, facilitando as coisas para o goleiro. No Brasil, há muitos goleiros que se consagram nas penalidades exatamente por isso. Há uma penca de Felipes Azevedos correndo e chutando de cabeça baixa.

O defeito virou uma epidemia do futebol brasileiro. A falha neste fundamento denuncia não apenas uma deficiência comum do jogador na atualidade, mas, principalmente, a falta de atenção dos treinadores com os fundamentos do futebol. O domínio da bola, o passe certo, o cabeceio, o posicionamento em campo, o agrupamento da equipe, tudo isso está em cheque neste momento em que a goleada que a Alemanha aplicou na Seleção Brasileira, nessa Copa do Mundo, ainda dói em nossa alma.







Dunga carrega mais culpa do que tem

Publicado por William Tavares, em 21.07.2014 às 18:03

JOSÉ NEVES CABRAL/BLOG DE PRIMEIRA

Começamos uma nova Era Dunga na Seleção Brasileira. Carlos Caetano Bledorn Verri, o gaúcho capitão do tetra, reassume o comando sob uma saraivada de críticas e muita desconfiança. Ele talvez nem saiba direito, mas é vítima da própria crise de credibilidade que atinge a Confederação Brasileira de Futebol.

Que mal fez Dunga ao futebol brasileiro? Como jogador teve de carregar o fardo de uma “Era” por causa da derrota para a Argentina, que custou a eliminação do Brasil na Copa da Itália. Mas ele foi apenas mais um dos sete ludibriados pela genialidade de Maradona. Depois, o passe perfeito para Caniggia driblar Taffarel e decretar a derrota verde-amarela.

Como jogador, reconheçamos, Dunga não era nenhuma sumidade. Volante regularíssimo, de passe preciso. Às vezes, arriscava até alguns lançamentos de longa distância. Se o leitor raivoso que está lendo essa crônica reprisar alguns teipes dos jogos do Brasil em 94 verá gols de Romário com passes de (pasmem!!!) Dunga.

Pois é. O bicho não é tão feio quanto parece, nem era tão grosso como dizem. Como treinador, Dunga tem histórico melhor do que alguns monstros sagrados que já ocuparam o cargo. Ganhou Copa América, Copa das Confederações, fez ótima campanha nas Eliminatórias. Olhando com mais cuidado sua história na Seleção veremos que seu maior pecado foi brigar com o saltitante repórter global Alex Escobar.

O gaúcho deu uma peitada no repórter, chamou-o de babaca, entre outras coisas. O negócio pegou na Copa de 2010. Privilégios da cobertura global à Seleção também foram cortados pelo treinador. A queda da do Brasil diante da Holanda, muito mais por falhas individuais de Júlio César e destempero do volante Felipe Melo, fizeram a terra fugir dos pés de Dunga.

De repente, ele não era mais um daqueles humildes anões protegidos por Branca de Neve. Dunga virou a própria bruxa que envenenou a princesa, ou melhor, a Seleção Brasileira. A crônica passou a vociferar impropérios contra o treinador. Dunga virou a besta do sétimo livro. Passou alguns anos apagado. Foi campeão pelo Internacional. Depois, demitido.

A queda de Felipão e Parreira abre novamente espaço para ele nesta Seleção. A CBF tem poucos nomes em vista. Vanderlei Luxemburgo tem menos credibilidade dos que os demitidos recentemente. Muricy não atravessa boa fase e tem pouca experiência internacional. Tite não caiu nas graças de Marim e Del Nero.

Sobrou pra Dunga. Mas o que esperar dele? Trata-se de um sujeito educado, que conhece o futebol mundial. Jogou na Alemanha e na Itália, domina os idiomas desses dois países. É antenado com o futebol. Na certa, agora, mais traquejado, vai evitar bater de frente com a Globo e tentar fazer seu trabalho com a experiência adquirida na primeira passagem.

Há quem já profetize um fracasso retumbante. Não creio que seja assim. Até porque para conquistar títulos ele vai precisar contar com talentos, algo em falta no futebol brasileiro atualmente. O trabalho de base nos clubes não tem revelado tantos jogadores de qualidade quanto em outras épocas.

A CBF, por sua vez, tem uma registradora bem azeitada. Ganha dinheiro da venda dos direitos de imagens dos jogos, do percentual das rendas, da publicidade com a Seleção. É uma mina, mas esse dinheiro não é devolvido ao futebol em promoções de trabalho de base, apoio aos jovens atletas e incentivo ao futebol. O resultado é o que estamos vendo.







Resumo 11ª rodada da Série A

Publicado por William Tavares, em 21.07.2014 às 12:46

Cruzeiro: Cada vez mais líder. Flamengo: cada vez mais lanterna. A 11ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A foi de confirmações. Quem estava na parte de cima fez o seu papel se manteve entre os melhores da competição. Na zona de rebaixamento, quem estava acostumado a perder nessa temporada…voltou a ser derrotado.

São Paulo 0×1 Chapecoense

O São Paulo tentou repetir a estratégia que deu certo na última rodada, contra o Bahia. Manteve a posse de bola, investiu na troca de passes e tentou chegar ao gol fazendo a bola girar entre os meias. Não deu certo. A forte marcação da Chapecoense foi melhor e os catarinenses venceram por 1×0.

Atlético/MG 1×1 Bahia

O Bahia estava há sete jogos sem vencer. Acumulava quatro derrotas seguidas e beirava a zona de rebaixamento. Esperar uma derrota para o Atlético/MG, no Independência, era apenas uma constatação. Mas o Tricolo de Aço ganhou uma sobrevida. Saiu de Minas Gerais com um empate e continua fora do Z4. O Galo só não foi derrotado graças ao gol salvador de Luan.

Figueirense 0×1 Grêmio

Giuliano, ex-Internacional, fez o gol da vitória do Grêmio por 1×0 sobre o Figueirense, fora de casa. Depois de três jogos seguidos empatando sem gols, os tricolores voltou a sonhar com a zona da Libertadores. O Figueira permanece no Z4.

Botafogo 1×0 Coritiba

Com pênalti desperdiçado por Zeballos e boa atuação do goleiro Jefferson, o Botafogo derrotou o Coritiba por 1×0. Bolatti fez o gol salvador que deixou os alvinegros no meio da tabela. O Coxa é o vice-lanterna, atrás apenas do Flamengo.

Palmeiras 1×2 Cruzeiro

Cada vez mais líder. O Cruzeiro precisou de apenas 10 minutos para marcar dois gols e praticamente definir a vitória sobre o Palmeiras. O verdão diminuiu, mas ficou só nisso. Parte da culpa deve-se a pontaria descalibrada do atacante Henrique, que perdeu um gol feito embaixo das traves.

Vitória 0×0 Corinthians

Em jogo de poucas chances, Vitória e Corinthians ficaram no 0×0. Vice-líder na competição, o Timão perdeu a chance de encostar no Cruzeiro, enquanto os baianos poderiam muito bem ter jogado o rival para a zona de rebaixamento. Lamentação para as duas partes.

Internacional 4×0 Flamengo

Um massacre. O Internacional atropelou o Flamengo no Beira-Rio, em dia de homenagem ao ídolo Fernandão. Rafael Moura, D’Alessandro, Fabrício e Alex marcaram os gols. O Colorado encostou no G4, assumindo a quinta posição. Os cariocas  não sabem o que é vencer desde a terceira rodada e continuam na lanterna.

Fluminense 1×0 Santos

Contra o Criciuma, o golaço de Conca não ajudou o Fluminense a evitar a derrota. Ontem, o meia voltou a marcar um belo gol, mas desta vez pode bater no peito e dizer que foi o da vitória, o que deu os três pontos ao tricolor carioca sobre o Santos.

Atlético/PR 2×0 Criciúma

Bem-vindo ao G4, Atlético/PR. No primeiro jogo na nova Arena, o Furacão bateu o Criciúma por 2×0. Paulo Baier, que agora defende os catarinenses, teve atuação apagada. Os comandados de Doriva assumiram a quarta posição da Série A. O Tigre é o 14º.

Goias 0×0 Sport

Neto Baiano fez falta. Sem ele, o Sport não soube encontrar o caminho do gol diante do Goias. O Esmeraldino, time com o segundo pior ataque da competição, também fracassou ao tentar a vitória. Merecido 0×0.







Dunga, uma esperança no “paredão”

Publicado por Tiago Freitas, em 21.07.2014 às 10:39

GILBERTO PRADO/Colaborador

Consta que um jovem se encontrava em barzinho no interior, possivelmente em Porto de Galinhas, quando lhe chamou a atenção um cidadão um tanto estranho que entrava no estabelecimento. O recém-chegado tinha um cabelinho na testa, olhos evidenciando ligeiro estrabismo, além de um bigodinho parecendo uma mosca presa entre o seu nariz e a boca. Era o ex-ditador nazista Adolf Hitler “melado e cuspido”. Não resistindo a curiosidade, o rapaz comentou com o estranho cliente, logo que ele se acomodou:

– Desculpe se lhe incomodo, mas é impressionante como o senhor se parece com Hitler. A resposta foi imediata: — Parece não. Eu sou Adolf Hitler. Estabeleceu-se então o diálogo: — Mas… o senhor não morreu?! — Claro que não. Você não está conversando comigo? Essa história sobre minha morte, que me suicidei, é toda mentirosa. — E por que o senhor está no Brasil? — Porque aqui no Brasil o povo esquece tudo. Diante da resposta, o curioso rapaz rebateu: — Discordo. O senhor então acredita que o povo brasileiro esquece que o senhor matou seis milhões de judeus? — Claro. E digo mais; se me derem outra oportunidade vou matar seis milhões de judeus e dois desembargadores. — Dois desembargadores?! – espantou-se o rapaz – Por que dois desembargadores? Após uma gargalhada, com ar vitorioso, Adolf Hitler respondeu: — Está vendo como o brasileiro esquece tudo? Você está indagando sobre os desembargadores. Já esqueceu os seis milhões de judeus.

Essa história contada por Luis Fernando Veríssimo (com texto melhor, claro) pode ser relacionada à possível escolha de Dunga para treinar a Seleção Brasileira. Com toda certeza, assim que seu nome for anunciado cairá uma avalanche de incrédulos. Um surto ou vírus oportunista virtual cujos portadores e transmissores são alguns analistas brasileiros, principalmente no futebol, denominado “amnésia pessimista” voltará a atacar.

A amnésia é explicada pela psicopatologia como uma perda de memória total ou parcial. A adjetivação ou termo “pessimista” tem como base o fato dos seus portadores apegarem-se aos defeitos ou supostos defeitos, esquecendo totalmente das virtudes. Isso a ciência ainda não explicou. Não precisa ser vidente ou ter outra qualquer qualidade paranormal para ter a certeza de que, ao ser anunciado o nome de Dunga para o exercício do mais importante cargo público do “País do futebol” uma tempestade de críticas cairá sobre o suposto futuro técnico da Seleção Brasileira. E o mote será quase único.

A Copa de 2010, na África do Sul, quando a equipe saiu nas quartas de final, em condições fora do controle de um treinador. Depois de bater a Holanda por 1×0 no primeiro tempo viu-se mais um “sonho de hexa” se desmoronar após duas falhas individuais. A primeira ocasionada em um choque entre Felipe Melo e Júlio César, à época considerado um dos melhores do mundo em sua posição. Por companheirismo o goleiro assumiu a culpa. A segunda em um erro de posicionamento de Luiz Fabiano que resultou no gol de cabeça de Sneijder.

Para completar, impedindo aos brasileiros de reação, o destemperado Felipe Melo provocou estupidamente sua expulsão, agredindo Robben. Esses detalhes certamente não serão observados. Ninguém lembrará que, sob o comando de Dunga, a seleção brasileira fez uma preparação quase perfeita. Tropeçou em um único jogo. Claro que não será observado que a safra de valores em 2010 não era das melhores. Uma das nossas esperanças, para que se tenha ideia, chamava-se Luís Fabiano.

Também pesa às costas do treinador o mau relacionamento com a Imprensa. Ao contrário da última Copa, o treinador atuava em linha direta com a mídia. Não é exagero dizer-se também que Dunga, se confirmado, estará voltando para o lugar do qual nunca deveria ter saído. Que sua demissão foi precipitada. Infelizmente, prevalecerá a assertiva do escritor Luis Fernando Veríssimo, “ressuscitando” um Hitler virtual: No Brasil o povo esquece tudo.

Gilberto Prado é  jornalista, ex-técnico de futsal e apaixonado por esporte. Como jornalista, Betoca foi editor de Esportes e editor-geral do Jornal do Commercio, da Gazeta de Alagoas e secretário de imprensa do Recife. Como salonista, dirigiu a Associação Atlética de Afogados, entre outras equipes do Recife.







Especialistas no 1×0

Publicado por William Tavares, em 19.07.2014 às 14:04

(Foto: Peu Ricardo/Folha PE)

Um detalhe neste início de Série A do Sport tem chamado a atenção. Das cinco vitórias da equipe rubro-negra, quatro foram por 1×0. Foi assim contra Coritiba, Bahia, Vitória e Botafogo. Apenas contra o Chapecoense o triunfo foi por 2×1. Na frieza da matemática, os números pode não significar tanto, mas uma análise mais cuidadosa pode apontar alguns motivos para o padrão de vitórias rubro-negra.

Neto Baiano é bom, mas não é 2

Das quatro vitórias por 1×0, metade delas teve Neto Baiano como o marcador solitário. Contra o Vitória, o camisa 9 soltou uma bomba em cobrança de falta para garantir os três pontos para os pernambucanos. Diante do Botafogo, um golaço do meio da rua. O centroavante também participou diretamente no gol de Rithely, na vitória sobre o Coxa. O jogador tem decidido em praticamente todas as vitórias do time. O problema está nos companheiros de ataque. Além de Neto, apenas Mike balançou as redes. Do atual ataque, Felipe Azevedo e Erico Junior ainda não marcaram. O mesmo vale para Leonardo. Quando Neto não decide, o jeito tem sido apelar para os volantes. Rithely tem dois gols, enquanto Augusto Cesar já deixou o dele na competição. Ananias e Patrik completam os 9 tentos marcados pelo clube.

Meias não estão ajudando

Eximindo de culpa o recém chegado Régis e Zé Mário, ainda se adaptando ao time, a verdade é que o Sport tem sofrido muito em achar um jogador que leve a bola até os atacantes. O último gol com uma assistência direta de um meia foi contra a Chapecoense, na distante segunda rodada. Passe de Aílton para gol de Ananias. Patric e Renê muitas vezes tem precisado atuar de garçom pela carência de jogadas no centro de campo. Quem sabe a dupla citada acima não possa mudar esse panorama.

1×0 é goleada

Em três das quatro vitórias por 1×0, o Sport só abriu o placar na segunda etapa. Contra o Vitória, gol aos 2 minutos. No Bahia, tento aos 27 e aos 40 da etapa final o Leão fazia seu gol no Coritiba. Nos outros casos, era marcar o gol e se fechar para evitar o empate. Desses jogos, apenas diante dos baianos o time rubro-negro estava em casa e nessa ocasião só não ampliou o marcador pelo desperdício de chances. A opção na maioria dos jogos têm sido se fechar para evitar o pior.







Que Náutico enfrentará o Boa?

Publicado por William Tavares, em 18.07.2014 às 20:02

(Foto: Peu Ricardo)

Uma posição e várias opções. O técnico Sidney Moraes ainda não definiu quem será o substituto do volante Paulinho, pelo terceiro cartão amarelo. O mistério deve se seguir até momentos antes do confronto contra o Boa Esporte. Na lateral-esquerda, não há segredo: o lesionado Roberto dará espaço para o retorno de Raí.

No treino desta sexta (18), Sidney Moraes montou o time com Alessandro; Rafael Cruz, William Alves, Flávio e Raí; Gilmak, Elicarlos, Leleu e Tadeu. Apenas 10 jogadores. Na vaga de Paulinho, o treinador tem quatro candidatos. Vejamos as possibilidades de formação tática do Náutico para o jogo.

Sai Paulinho, entra Marinho

Dessa forma, o Náutico jogaria com praticamente quatro jogadores de ataque. Quadrado mágico? Longe disso. O Timbu teria uma formação mais ofensiva, com Leleu, Vinicius, Marinho e Tadeu. Na lateral-esquerda, Raí também é mais de apoio do que Roberto. Tática que faria – na teoria – o Timbu pressionar os visitantes, principalmente pelas jogadas laterais. O que preocupa é a cobertura defensiva. Um time exposto a contra-ataques e com o miolo de meio-campo desprotegido seria presa fácil

Sai Paulinho, entra Neilson

Com o lateral-direito Neílson, o Náutico teria um desenho tático mais propenso ao 4-3-2-1. Gilmak teria as presenças de Elicarlos pelo lado esquerdo e Neílson pelo direito, ambos apoiando na marcação. Na frente, Leleu e Vinicius se aproximariam dos meias para tentar municiar Tadeu no ataque.

Sai Paulinho, entra Gustavo Henrique

Mudança que não afetaria no esquema. Sidney Moraes já testou a formação contra o Sampaio, justamente na saída de Paulinho.

Sai Paulinho, entra Marcos Vinícius

Outra formação com o Náutico bastante ofensivo. Marcos Vinicius daria mais presença no meio-campo e poderia liberar Leleu para atuar próximo de Tadeu no ataque.







Dunga, o remédio da CBF

Publicado por José Neves Cabral, em 18.07.2014 às 14:56

JOSÉ NEVES CABRAL /BLOG DE PRIMEIRA

Após a perda do hexa, em casa, a CBF passa por um momento de perda de credibilidade.

As figuras de seu atual presidente, José Maria Marim, e do próximo, Marco Polo Del Nero,  geram apenas suspeitas sobre os bastidores da entidade.

E o anúncio de Gilmar Rinaldi para assumir o cargo de coordenador de Seleções da CBF elevou ainda mais essa desconfiança sobre a seriedade da instituição.

Gilmar era até pouco tempo um atuante empresário de jogadores de futebol.

Como colocar uma raposa para tomar conta de um galinheiro?

Em meio às críticas, começam a surgir as especulações de que Dunga pode voltar a dirigir a Seleção Brasileira.

Dunga foi capitão do Brasil na conquista do tetra, em 1994, e dirigiu a Seleção Brasileira na Copa da África do Sul, em 2010.

O gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri é um sujeito sério e tem muita credibilidade junto aos torcedores por ter realizado um bom trabalho à frente da Seleção, mesmo não tendo sido campeão na África do Sul.

Não dá pra duvidar que seja o escolhido.

A pergunta que fica é se a Rede Globo vai aceitar. Dunga peitou a emissora, cortando os privilégios de sua equipe na cobertura da Seleção em 2010.







A morte do juiz

Publicado por José Neves Cabral, em 18.07.2014 às 07:30

GILBERTO PRADO (BETOCA)/COLABORADOR

Tudo bem. Armando Marques foi um árbitro polêmico. Talvez o mais polêmicos de todos. Mas somente não erra quem nada faz. Consta na sua vida passagens históricas. Algumas até engraçadas. Um dia entendeu que o Campeonato Paulista, disputado com tantas emoções, tantos jogos empolgantes e craques renomados, não poderia ser encerrado em uma simples disputa de pênaltis. Conseguiu fazer, ao seu modo, que a competição tivesse dois vencedores e nenhum perdedor.

Faixas e medalhas iguais para os atletas da Portuguesa de Desportos e Santos. Somente falam no que acham ter ele feito de errado no “lado de cá”. Sequer atentam para a proporcionalidade às vezes que foi requisitado para arbitrar jogos, não apenas no Brasil como também no Exterior. Relembram seus erros, sem nenhuma referência à sua lisura. Esquecem um detalhe. Nunca alguém levantou a menor suspeita à sua honestidade.

Junto com Mário Vianna foi o mais destacado árbitro do futebol brasileiro do século passado. “Invadiu” o atual ocupando cargos importantes no futebol mundial dentro da sua especialidade. Com crédito pessoal na FIFA, Concacaf e CBF. Quando foi possível, ajudou árbitros brasileiros, particularmente de Pernambuco. Agredido várias vezes. Covardemente, diga-se de passagem.

Não era de briga (talvez por questões genéticas). Em nenhum momento proporcionou a punição dos seus agressores. Foi feito o sândalo, “perfumou” os “machados” que o feriram. Merece, portanto (assim penso), maior respeito. Que o deixem em paz. Pelo menos nos sete dias de luto reservados aos cristãos.







Pernambucanos x Goianos no fim de semana

Publicado por William Tavares, em 17.07.2014 às 17:07

(Foto: André Nery)

O fim de semana terá um duelo à parte entre pernambucanos e goianos. Na Série A, o Sport, terceiro colocado, encara o Goiás, em nono. Pela Segundona, o Santa, em 11º, vai enfrentar o lanterna da competição, o Vila Nova. Os jogos terão o mesmo palco, o estádio Serra Dourada.

É cedo para dizer que o Sport embalou na Série A, mas a terceira posição no torneio mostra que o clube tem conseguido manter uma regularidade na competição. Tirando o 4×1 diante do Corinthians, nos demais jogos é possível dizer que o Leão tem atuado de igual para igual com os adversários. Invicto em casa, o Goiás é o favorito, mas quem sabe Neto Baiano não se vinga do ex-clube e decide “frescar” para cima do Esmeraldino.

O Santa Cruz era até o meio de semana o time a ser batido na Série B. Invicto, com uma escalação decorada pelos torcedores e estilo de jogo consistente. Mas veio uma goleada acachapante do Vasco e tudo ruiu, certo? Errado. Não foi o melhor jogo do Tricolor na temporada, mas o placar não reflete diretamente tudo que aconteceu na partida. O Vasco explorou melhor os momentos de fraqueza da equipe coral, mas não a atuação não foi diretamente proporcional ao placar. Diante de um adversário mais frágil, os comandados de Guedes podem se reerguer. O Vila vai para mais um “tudo ou nada”, já que ainda não venceu na Série B. Letal nos contra-ataques, o Santa pode se beneficiar do desespero do adversário.

Histórico de confrontos

Goiás e Sport tem um histórico acirrado de confrontos. Ao todo, nos 25 jogos entre as duas equipes, os goianos venceram 11 e os pernambucanos 10. A maior vitória dos leoninos foi por 4×0, nos anos de 1981 e 2007. O revés mais forte foi em 1992: 5×2 para os Esmeraldinos. O último confronto entre as equipes foi em 2011 e o Goias bateu o Sport por 1×0, pela Série B.

Quando se trata de enfrentar o Vila Nova, o Santa tem boas lembranças. Em nove jogos, foram cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota. No último jogo, porém, o Vila venceu os tricolores por 1×0, na Série B de 2005. Um ano antes, os corais aplicaram a maior goleada nos histórico dos confrontos, um 5×2 no Arruda.

Jogos no Serra Dourada

Pegando apenas os jogos no Serra Dourada, os pernambucanos ficam em desvantagem. Nos quatro jogos que fez contra o Vila fora de casa, o Santa perdeu dois, empatou um e venceu um. O Leão também sofre ao encarar o Goias no Serra. Um saldo de oito derrotas, quatro empates e apenas duas vitórias.







Ressaca da Copa 2014: O efeito cascata

Publicado por José Neves Cabral, em 15.07.2014 às 13:31

JOSÉ NEVES CABRAL/BLOG DE PRIMEIRA

O vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não foi provocado apenas por erros de Felipão e Parreira, embora eles estejam na ala de frente dos culpados por aceitarem o modelo de gestão que lhes é imposto pela Confederação Brasileira de Futebol.

A goleada por 7×1 sofrida em pleno Mineirão, no último dia 8, diante da Alemanha, expôs uma ferida aberta há anos nesta pátria de chuteiras: a cada vez mais frágil qualidade técnica dos nossos jogadores e, consequentemente, dos nossos times.

A fragilidade técnica somada à má gestão desaguou numa catástrofe, que abalou a confiança dos brasileiros no futebol pentamcampeão mundial. A especulação de que a diretoria da CBF poderá trazer um técnico estrangeiro para dirigir a Seleção, e a defesa que se faz desta tese por boa parte da crônica esportiva, demonstra bem como os treinadores brasileiros perderam crédito.

Mas por que perderam? Simples: desde a década de 90, quando os empresários começaram a ganhar força no futebol, gerenciando tanto a carreira de jogadores, como de técnicos, é impossível para um cronista dizer se foi realmente o treinador quem indicou ao clube a contratação de um jogador ou se foi o empresário. Do jogador e do técnico.

Às vezes, essa contratação é casadinha. O treinador, naturalmente, chega antes para indicar o “cardápio” a ser engolido pela torcida do clube que o contratou. Nesse cardápio, aparecem pernas-de-pau em profusão. O clube faz contratos de 12 meses com os “reforços” e tem que cumprir o compromisso, mesmo depois de demitir o técnico que não conseguiu ficar um mês no cargo! Ele vai embora, mas os jogadores ficam lá, faturando. E o empresário idem.

E a presença de um treinador comprometido com empresários dentro de um clube é nefasta, pois suas ações causam prejuízo em cascata. Ao privilegiar sua “turma” no elenco principal, ele deixa de dar oportunidade aos jovens formados nas divisões de base. Sem chances no grupo principal, os jovens talentos vão sumindo. Uns desistem da profissão, outros buscam clubes de menor expressão, e outros tantos vão para as baladas.

Não se sabe até agora como se resolver isso. Os clubes são entidades privadas, se guiam pelo próprio estatuto. Seus dirigentes, soberanos. Só devem satisfação, oficialmente, ao Conselho Deliberativo. Este por sua vez tem seus componentes escolhidos pelo presidente na montagem da chapa.

José Maria Marin e Marco Polo del Nero são duas velhas raposas. E sabiam tanto do risco que o Brasil sofria nesta Copa do Mundo, que fizeram a eleição na entidade bem antes da Copa. Del Nero ganhou, mas só assume ano que vem. Uma distância de tempo entre e eleição e a posse que dá para desconfiar…

Agora, já se especula a vinda de um estrangeiro para a Seleção. É uma boa saída para tentar recuperar a credibilidade, mas qual o nome de peso entre os técnicos europeus, por exemplo, que aceitaria se submeter ao esquemão de amistosos da CBF, à imposição de alguns jogadores bancados por patrocinadores da entidade?