OPINIÃO

Vitória imensa, essa do Santa

Publicado por José Neves Cabral, em 24.10.2014 às 23:08

 José Neves Cabral

O Santa Cruz é assim. Tropeça, levanta, ameaça cair, mas não cai e vai avançando. A história do Mais Querido é cheia desses capítulos emocionantes. A reação que o levou ao trissuper no Estadual de 1983. Dez anos depois, um título marcado por uma virada histórica em cima do Náutico. E em 1999, uma vitória sobre o Sampaio Corrêa, em São Luís, e o benefício de uma difícil combinação de resultados que levaram o time à segunda fase da Série B e a uma consequente arrancada para conquistar a vaga na Série A.

Na vitória sobre o Ceará, na noite desta sexta-feira, na Arena Castelão, esses momentos épicos devem ter sido revividos na lembrança dos tricolores. Uma vitória de certa forma surpreendente diante de um time forte, que tem o melhor ataque da competição.

Viva Oliveira Canindé, o estrategista dessa vitória. Agora, com 48 pontos, o time está a quatro pontos do Avaí, quarto colocado. A classificação ainda está difícil, mas é possível. O time tricolor nunca foi de fazer papel de coadjuvante.

 







Que o eleito trate o esporte com o respeito que merece

Publicado por José Neves Cabral, em 24.10.2014 às 17:00

José Neves Cabral

Domingo, o Brasil para. A bola fica escondida no armário. E os estádios, em silêncio. O burburinho e  os gritos de vitória, virão lá para as 20h, quando a apuração estiver apontando Dilma ou Aécio para o pódio.

Como cronista esportivo, tenho cá os meus pedidos para o vencedor. Pedidos que, se atendidos, poderiam fazer um bem danado ao esporte.

Os estádios são bonitos, arenas suntuosas, enfeitam as capitais brasileiras. O problema é que os nossos craques estão sumindo.

Craques, craques mesmo, não são fabricados em estádios suntuosos. Eles nascem nas peladas de ruas, nos campinhos esburacados, enladeirados. A urbanização desenfreada acabou com os campinhos de pelada, onde os meninos aprendiam a ser malabaristas com a bola no pé.

Sem os campinhos de pelada, amigos, a bola do jogador brasileiro está ficando cada vez mais quadrada.

Então, quando construir uma praça, uma escola, deixe lá um pedacinho de terra para os meninos correrem atrás de uma bola.

Mas esta é só uma das sugestões.  Também precisamos de gente decente, séria e preparada no segmento esportivo, ocupando o ministério e as secretarias de estados e municípios. Infelizmente, aquela vaguinha de secretário acaba sobrando no final para aquele político derrotado para vereador, deputado…

Não é por aí, senhores. Melhor é ter um especialista ali, alguém de conduta ilibada, que ame o que faz. Um bom trabalho na secretaria de esportes municipal ou estadual pode determinar o surgimento ou não de um grande atleta, além de proporcionar a promoção de competições esportivas bem organizadas para os jovens.

O esporte não é apenas um meio de tornar o jovem mais saudável. O atleta desenvolve a multilateralidade, a capacidade de resolver problemas com mais facilidade. Os sadios ambientes esportivos proporcionam o surgimento de pessoas fortes, competitivas e com liderança. Pessoas que podem fazer a sociedade evoluir.

Esse patrimônio intangível do esporte só aparece com vontade política de quem comanda, principalmente para indicar quem vai atuar em pasta tão importante para a comunidade que ama o esporte.







Tirar Eduardo para botar quem?

Publicado por José Neves Cabral, em 23.10.2014 às 16:19

José Neves Cabral

Conversei com um leão de densa juba no início desta tarde.

O homem estava tranquilo, apesar dos sete jogos sem vitória
na Série A e a cada vez mais real ameaça de rebaixamento.

“Eduardo não cai”, disse.

E lembrou que no jogo com o Goiás o time teve chances reais
de marcar.

“Se houve erros, os maiores foram dos jogadores. Ibson perdeu três gols de frente para o goleiro. Eduardo não tem nada a ver com isso. O time criou boas oportunidades”, alegou.

“E se Eduardo for demitido, vamos botar quem no lugar? Tirar o treinador é fácil, difícil é arrumar outro que já conheça o time para fazer apenas oito partidas até o final da competição”, argumentou.

Ou seja, na visão, deste Leão de densa juba a culpa não é apenas de Eduardo. Ele diz que alguns jogadores não estão se empenhando como deveriam, mas não quis apontar nomes.







Cabeça de Eduardo está à mesa

Publicado por José Neves Cabral, em 22.10.2014 às 23:59

José Neves Cabral

O pragmatismo é uma marca desta diretoria do Sport. E o time contribuiu bastante para isso no primeiro semestre. O clube viveu uma fase de sonhos. Ganhou o Estadual e o Nordestão, encheu-se de moral para a Série A do Brasileiro. Começou a competição espalhando brasa, somando pontos dentro e fora de casa.

Eis que veio a Copa do Mundo, o intervalo de 45 dias em que se esperava que o treinador Eduardo Baptista aproveitasse para aprimorar algumas jogadas, ensaiar outras, enfim, azeitar sua máquina para os jogos restantes da competição. Havia uma esperança no ar de que o Leão iria brigar por uma vaga no G4.

O orçamento foi esticado, vieram Diego Souza e Ibson, além do cobiçado Régis. A Copa do Mundo acabou, o time começou a jogar, mas não conseguia mais ser o mesmo Sport de antes.

O que vimos hoje na Ilha do Retiro foi basicamente um resumo do que o Sport fez até agora no Brasileiro. Um início avassalador, gols perdidos, bola na trave. A impressão era de que a vitória viria a qualquer momento, mas o tempo passou, a bola não entrou, ora por boas intervenções do goleiro e da defesa do Goiás, ora por falta de pontaria dos anfitriões.

No finalzinho, quando a torcida já parecia conformada em ver o time ganhar um ponto amargo, o que parecia ruim ficou pior. Esquerdinha aproveita um cruzamento, chuta e a bola passa por entre as pernas de Magrão. Não dava mais tempo pra nada.

O que era frustração pelo provável empate virou revolta. Vaias eclodiram sob a cabeça do treinador Eduardo Baptista. O clima pesou.

E agora? A pragmática diretoria vai demitir o treinador a sete rodadas do fim da competição ou prefere mantê-lo para o restante da disputa? No futebol, o pragmatismo torna-se sinônimo de erro, quando não se leva em conta a emoção. Há muito que o time do Sport não joga em sintonia com o discurso do treinador.

E Eduardo Baptista e a torcida do Sport já não atuam na mesma frequência. A diretoria do Sport errou em não trocá-lo antes, acreditando numa reviravolta. Agora se vê ameaçada pela onda de revolta dos torcedores.

Eduardo já disse em entrevistas recentes que não erra. Está convicto de que vem fazendo tudo certo. Mas a questão é que o time está errando, e ele é o responsável pelo time.

O clube não pode brigar com a lógica.  O time parou. A torcida está pedindo a cabeça do treinador.

 







Sport ganha um ponto após nove jogos fora de casa

Publicado por José Neves Cabral, em 19.10.2014 às 19:41

José Neves Cabral

O Sport precisava encerrar a sequência de derrotas fora de casa. E o Botafogo era o “prato desejado”. Em crise, com vários jogadores deixando o clube, estava ali, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, sobre a mesa, como um suculento filé. Mas não conseguiu. Acabou ficando com um frustrante empate depois de sofrer um gol no segundo tempo.

No primeiro tempo, o Leão foi um time exemplar. Aguerrido, pegador, ciente de suas limitações, mas sem deixar de ser ambicioso. Marcava e contra-atacava de forma equilibrada.

E com o talento de Diego Souza foi fácil chegar ao primeiro gol. Ele recebeu uma bola na intermediária, livrou-se de dois zagueiros e chutou na saída de Jéferson. Antes, o Sport já havia acertado uma bola na trave em cabeçada de Mancha.

O gol abriu um leque de possibilidades para os rubro-negros. Era preciso matar o jogo e o Botafogo dava espaços generosos. Mas o alvinegro carioca contou com a arte do goleiro Jéferson, responsável direto pelo primeiro tempo terminar apenas em 1×0.

No segundo tempo, o Sport arrefeceu, parecendo querer administrar o resultado cedo demais. E o futebol não perdoa quem assim tenta jogar.

O gol de Wallison, de falta, determinou a igualdade do placar e a permanência do Sport na 12ª posição. O único fato a comemorar é que o time ganhou um ponto fora de casa, o que não acontecia havia nove rodadas.

Mas não pode cochilar, pois tem Figueirense, 35, Palmeiras e Chapecoense, 34 pontos, em seu encalço. Sete pontos o separam da primeira vaga no clube dos rebaixáveis, ocupada exatamente pelo  Botafogo, 30.

 







O tempo dos mecenas acabou no Arruda

Publicado por José Neves Cabral, em 16.10.2014 às 19:00

José Neves Cabral 

Eis que quando o Santa Cruz ensaia um embalo na Série B para tentar encostar no G4, os jogadores ameaçam uma greve em virtude de compromissos salariais e direitos de imagens, no Arruda.

Oliveira Canindé e a diretoria vão precisar de muita habilidade para conter os ânimos e administrar a crise.

Dinheiro não cai do céu. E os mecenas que um dia lançaram mão de seus talões de cheque para esfriar ânimos e conquistar títulos já não existem mais.

James Thorp, em 1970, deu um fusca a cada jogador do time campeão estadual. O “Galego” era o principal acionista da White Martins no Brasil.

Na década de 80, Raimundo Moura, dono da Rolimap, maior distribuidora de rolamentos do Nordeste, também ajudou o clube a conquistar títulos.

Raimundo e James fizeram história. São lendas e suas histórias circulam pelos corredores do  Arruda ainda  hoje.

José Neves Filho, nos anos 80, não tinha dinheiro. Mas se virava como podia. Certa tarde, chegou no Arruda e encontrou os jogadores em estado de greve.

Foi ao vestiário, pegou um par de chuteiras e foi para o gramado. Disse que ia fazer gols, daria um banho de bola no treino, prometeu pagar o bicho logo após a vitória no domingo à tarde.

E, como num passe de mágica, os jogadores treinaram. A  nuvem negra dissipou-se. O time venceu no domingo e o dinheiro, realmente, apareceu.

Mas a realidade agora é outra. A tampa da chaleira está pressionada.

Devemos registrar também que o presidente Antonio Luiz Neto é um hábil negociador.

E é com essa habilidade que consegue atrair ajuda de tricolores de todas as correntes políticas do Arruda.

Certamente, ele vai encontrar uma saída. Acredito.







Um motivador profissional na Ilha

Publicado por José Neves Cabral, em 15.10.2014 às 18:33

(Foto: Divulgação)

José Neves Cabral

A contratação de um motivador profissional, Paulo  Storani,  mostra que a diretoria do Sport considera que o time tem qualidade suficiente para se manter na Primeira Divisão do  futebol brasileiro.

E que atribui os resultados negativos, principalmente fora de casa, a uma fragilidade emocional do grupo de jogadores.

A saída, então, foi trazer o homem do Bope, que inspirou o filme Tropa de Elite para levantar o moral do time, trabalhar seu lado emocional.

Não podemos criticar aqui a atitude da diretoria. Até porque é um esforço para tirar o Sport de uma situação desconfortável na Série A do Brasileiro.

Pelo desempenho no returno da competição, o time estaria no grupo de rebaixamento. Não está porque fez um bom primeiro turno.

Faço apenas a ressalva de que há limitações visíveis na equipe, principalmente em relação à estratégia de jogo.

O Sport tem dificuldades para penetrar na defesa dos adversários por não contar com estratégias de ataque. Se as tem, elas não aparecem durante as partidas e isso é o que mais nos chama a atenção.

Algumas equipes neste brasileiro apresentam jogadas de aproximação da área do adversário, trocando passes rápidos em diagonal. Há triangulações, tabelas, deslocamentos. Não se vê isso neste time do Sport.

O time é estático no ataque, troca poucos passes. Limita-se aos cruzamentos dos laterais Renê e Patric. Nem sempre a estratégia dá certo.

Como um estudioso do tema, acho que Storani será importante se mostrar ao técnico Eduardo Baptista a diferença entre tática e estratégia.







O homem que valia por uma torcida

Publicado por William Tavares, em 15.10.2014 às 08:02

(Arte:Thiago Lucas)

Lenivaldo Aragão

“Se a Seleção Brasileira vier jogar aqui e em outro estádio estiver o Íbis jogando, vou ver o jogo de meu time”. Não pensem que se trata de basófia. Quem dizia isso, com muita convicção, era o paraibano pernambucanizado Francisco Imperiano, conhecido como Chico do Táxi. Sua paixão pelo Pássaro Preto não tinha limites.

Figura folclórica do futebol pernambucano, Chico chegou ao Recife em 1942, quando o Íbis ainda engatinhava, pois tinha sido fundado em 15/11/1938. Passou a residir junto da TSAP-Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco, onde o Íbis nasceu e se abrigava. (O íbis é uma ave pernalta, venerada no antigo Egito, possivelmente porque surgia na época da cheia anual do Nilo, que possibilitava a agricultura e a própria sobrevivência dos egípcios). O nosso personagem veio servir o Exército, no Recife, e logo fez amizade com os jogadores ibienses.

Mais tarde, no seu táxi, muitas vezes carregava o material do time para treinos e jogos até mesmo em cidades vizinhas. Era respeitado e querido pelos jogadores. Não adiantava pilheriar com o clube de sua paixão, pois ele não estava nem aí, e tinha a resposta na ponta da língua para torcedores do Náutico, Santa Cruz e Sport: “Podem gozar, mas já dei em todos eles”.

Era verdade. O hoje chamado pior time do mundo vivia outra realidade. Os empregados da fábrica faziam uma doação mensal, descontada em folha, o que permitia ao Pássaro Preto manter um elenco razoável.

Chico não cansava de repetir uma façanha de sua equipe. Campeonato Pernambucano, década de 60. O Central tinha boas chances para levantar o turno, quando o Pássaro Preto apareceu no seu caminho. O jogo estava programado para o Recife, o que se constituiria num autêntico fracasso em termos de renda. Prejuízo para os dois. Vai daí que os dirigentes da Patativa fizeram uma proposta para que a partida fosse transferida para Caruaru. O Central pagaria ônibus e hospedagem, incluindo alimentação, claro, e daria mais um dinheiro por fora à equipe da Capital, além da participação normal na renda líquida, que era de 60% para o vencedor e 40% para o perdedor.

O Íbis que não tinha nada a perder, topou. De cara. A torcida centralina se animou. Se, mesmo jogando no Recife, o Alvinegro já era considerado favorito, imaginem sendo o jogo em casa. Estavam enganados, pois dentro de campo a situação foi outra. O Íbis tinha um centroavante chamado Loloca, que estava endiabrado nesse dia. Balançou a rede quatro vezes, e com isso os ibienses obtiveram uma memorável vitória de 4 a 0 sobre a Patativa e ainda saíram de Caruaru com uma boa grana no bolso. Reviver esse fato levava Chico ao êxtase.

Certa vez, o pau quebrou na arquibancada do Arruda. O Íbis perdia para o Santa Cruz por 1 a 0, quando o centroavante Ramón Ventinha (nada a ver com o célebre artilheiro tricolor), decretou o empate. Mesmo pisando em terreno minado, com tricolores por todos os lados, Chico não se conteve, abriu os braços e soltou o grito. Não teve nem tempo de arriar os braços. Levou uma tapa num ouvido e antes de esboçar qualquer gesto para se defender, foi carimbado do outro lado. Quando conseguiu se equilibrar, meteu a pernada pra cima. Mas era um, sozinho, contra a multidão. O sururu estava armado e o corajoso torcedor ibiense só não levou uma senhora surra porque foi reconhecido por Pantera Negra um participante dos programas de luta livre, que fazia as vezes de chefe de torcida do Santa. “Soltem o homem porque se vocês matarem ele, o Íbis não vai ter mais torcedor em campo”. A ordem de Pantera foi cumprida, e assim, Chico salvou a sua pele.

Um dos episódios mais marcantes na carreira de Francisco Imperiano, como torcedor do Íbis, aconteceu em 1972. Santa Cruz e Sport realizavam, no Arruda, o famoso Clássico das Multidões. Ali perto, nos Aflitos, Íbis e Ferroviário jogavam para arquibancadas vazias. Não totalmente vazias, uma vez que Chico estava lá, dando aquela força ao seu time de coração. O juiz era Gilson Cordeiro, que fora do futebol exercia o ofício de delegado de polícia. É também formado em jornalismo, mas nunca exerceu a profissão. Lá para as tantas, por achar que o Íbis estava sendo prejudicado pelo apito, o torcedor solitário resolveu desabafar. “Vigia de Rubem Moreira!”, gritou para o árbitro, reduzindo-o à condição de vigilante do presidente da federação. Gilson nem precisou olhar para as cadeiras, de onde tinha partido o “grave insulto.” Parou o jogo, chamou o responsável pelo policiamento e pediu-lhe que retirasse das cadeiras aquele cidadão que estava prejudicando seu trabalho.

Quando os policiais chegaram para cumprir a determinação do homem de preto – hoje já o juiz já é multicor –, o cabo que comandava a patrulha reconheceu Chico e ainda procurou fazer-lhe uma concessão. Permaneceria onde estava, desde que assumisse o compromisso de não meter mais o bico na arbitragem. A resposta foi incisiva: “Isso nunca. Prefiro ir embora”. E foi, levando o narrador Rubem Souza, da Rádio Clube, que dava flashs sobre o jogo, a dizer: “Neste momento está sendo retirada do estádio a torcida do Íbis…”

*Lenivaldo colabora com o Blog de Primeira toda as quartas







Sentimentos antagônicos

Publicado por José Neves Cabral, em 13.10.2014 às 16:34

José Neves Cabral

Os torcedores de Náutico, Santa Cruz e Sport vivem sentimentos antagônicos nesta fase do Brasileiro. Na Série A, a esperança dos rubro-negros em ver o time alcançar o G4 – zona de classificação para a Libertadores – virou apreensão. A derrota para o Vitória, por 2×1, em casa, trouxe uma realidade que o elenco e a comissão técnica não haviam vivenciado: a insatisfação da torcida, os apupos próximos ao banco de reservas.

Pior é que o técnico Eduardo Baptista não aceita fazer mea-culpa. Na coletiva após o jogo não perdeu a soberba. “Não errei, não errei”, exclamava, ao tentar justificar a substituição de Diego Souza. Há muito, ele vem dando sinais de que não consegue encontrar o time ideal, pois a cada partida modifica a escalação, o que deixa os jogadores inseguros, além da própria torcida.

Entre  os alvirrubros, o sentimento é de esperança. O time está a sete pontos da zona de classificação, ainda distante, é verdade, mas tem dez jogos para tirar a diferença. A vitória sobre o ABC e a confirmação da boa fase de Sassá, agora artilheiro do time na temporada, com sete gols, deixam os torcedores do Náutico empolgados com a possibilidade real de conquistar uma vaga na elite nacional.

Já os tricolores atravessam um momento de incerteza. O time está três pontos atrás do Náutico, tem um jogo a menos, mas as falhas da defesa comprometem a confiança da torcida. Sábado, a boa exibição diante da Ponte Preta, só não foi coroada com a vitória porque, mais uma vez, o setor defensivo, pecou. No gol de empate, o atacante da Macaca estava livre, por trás do lateral-esquerdo. Tiago Costa ainda deu outra bobeira, mas o goleiro Tiago Cardoso salvou.

Devemos registrar, porém, que ao menos uma qualidade o Santa Cruz exibiu diante da Ponte. O time procurou tocar a bola, evitando rifá-la. A evolução com a bola de pé em pé é uma característica que Oliveira Canindé preza muito em suas equipes.

 







A bola de neve cresce quando não é destruída

Publicado por William Tavares, em 10.10.2014 às 17:29

José Neves Cabral

O caso Paulo André x Corinthians (notícia abaixo) está começando a virar uma bola de neve.

Qualquer semelhança com o que já ocorreu, e ainda ocorre, com alguns clubes pernambucanos, não é mera coincidência.

Má gestão acontece em qualquer lugar.

A diferença é que por ser um clube rico, o Corinthians pode pagar.

Aqui, o negócio é mais embaixo.

O Santa Cruz, por exemplo, tem débitos trabalhistas num valor de R$ 400 milhões.

Este é o saldo de anos e anos de descaso com os débitos e as reclamações trabalhistas.

O clube não negociava, empurrava com a barriga.

A conta chegou na gestão de Antonio Luiz Neto, que vem administrando como pode.

Mensalmente, a Justiça do Trabalho sangra as arrecadações do clube para saldar parte deste débito.

Paulo André explica que cobra prêmios do Corinthians

AE – O zagueiro Paulo André publicou nesta sexta-feira uma nota de esclarecimento sobre a ação que moveu contra o Corinthians. O jogador, um dos líderes do movimento Bom Senso FC, admitiu que encontrou na Justiça contra o ex-clube, mas negou que esteja reivindicando pagamento de horas extras por trabalhar aos domingos.

“Falta com a verdade quem diz que processei o S.C. Corinthians Paulista reivindicando horas extras por trabalhos aos finais de semana. Isto é um absurdo, puro desconhecimento da lei e da ação. É lamentável ver como esse tipo de ‘notícia’ é replicada sem o menor critério”, escreveu ele em seu perfil no Facebook.

O zagueiro, que atua no futebol chinês, deixou o Corinthians em fevereiro. Ele entrou com uma ação na Justiça no valor de cerca de R$ 2,5 milhões reivindicando premiações atrasadas e direitos de arena. Paulo André disse que tentou entrar em acordo com o Corinthians antes de entrar na Justiça.

“Busquei incessantemente um acordo com o clube para que me pagasse a premiação do título do Campeonato Paulista, do título da Recopa e dos jogos do Campeonato Brasileiro de 2013, além da diferença do saldo da renovação contratual de trabalho que aconteceu em janeiro de 2012. Depois de muitas tentativas, um acordo verbal foi estabelecido mas, infelizmente, o prazo estipulado não foi respeitado por parte do clube”, disse em nota.

“Assim sendo, optei por acionar o clube na justiça no mês de setembro, buscando os meus direitos legais enquanto trabalhador e cumpridor dos meus deveres durante o tempo em que fui atleta do clube. A ação decorre de acordos/promessas descumpridos pelo clube – ou seja, o assunto da premiação – direito de arena que é algo já reconhecido pelos tribunais e ausência de descanso devido aos atletas”, concluiu.







De 0 a 73%: o aproveitamento do Sport nos últimos 10 jogos da Série A

Publicado por William Tavares, em 9.10.2014 às 19:00

(Foto: Site oficial Grêmio)

William Tavares/Blog de Primeira

Dentro de casa, o time é aguerrido, joga para cima e mantém sua invencibilidade. Fora, é ineficiente, desperdiça chances e sempre é penalizado pelos erros. O Sport é o time mais bipolar nesta Série A do Campeonato Brasileiro. E nem é preciso analisar todo o desempenho do Rubro-Negro na competição. Basta observar os últimos dez jogos para perceber que não existe meio-termo no Leão.

Fora de casa: 0%

Nos últimos cinco jogos realizados fora de casa, uma coleção de derrotas. Não importa se eram times que brigam pela Libertadores (São Paulo, Grêmio e Corinthians) ou que lutam para permanecer na Série A (Bahia e Chapecoense). O problema não era o adversário, era o mando de campo. Quando atua longe de Recife, o Sport não põe medo. Injusto dizer que o time não cria chances, mas os rivais parecem perceber que o perigo do Leão não passará de “fogo de palha”. Um aproveitamento de 0% nos últimos cinco jogos. Tão ruim quanto o rendimento de equipes que brigam para não cair na competição

Em casa: 73%

Para a sorte do Sport, seu desempenho em casa tem sido acima da média. Dos últimos cinco jogos, o Leão venceu três e empatou duas. Está momentaneamente invicto em seus domínios. Derrotou Criciúma, Santos e Coritiba e segurou o resultado contra times que brigam pelo título, como Internacional e Cruzeiro. Um aproveitamento de 73%. Se tivesse desempenho melhor como visitante, não seria muito exagero sonhar com uma classificação mais acima da tabela.







Passes curtos na entrada da área

Publicado por José Neves Cabral, em 9.10.2014 às 18:30

O clima de eleições tira o futebol de foco nos principais veículos, mas há notícias curiosas e entrevistas também para se ler no mundo virtual.

POSITIVO – A NBA, que dirige com muito sucesso a principal competição de basquete norte-americana, vai assumir a gestão da Liga Nacional de Basquete. Essa simples entrada de um parceiro poderoso já vai triplicar a verba de organização da Liga Nacional, saltando de R$ 4,5 para R$ 15 milhões. A Rede Globo, que apoiou o projeto da Liga desde o início, ficará apenas com as transmissões dos jogos em canal fechado.

A profissionalização do basquete brasileiro há muito era esperada. O objetivo da NBA é transformar a modalidade no segundo esporte nacional – a briga vai ser feia com o vôlei.

PATÉTICO – O lateral Daniel Alves deu entrevista na Espanha, garantindo que só perde para Pelé em títulos. O desabafo do lateral vem em razão das críticas que sofre no próprio Barcelona, e também de seu afastamento da Seleção Brasileira após uma péssima Copa do Mundo. Daniel pode até ter conquistado um grande número de títulos, mas na hierarquia do futebol brasileiro estará sempre abaixo de ídolos como Zico, Falcão e Sócrates, só para citar alguns.

PEGOU MAL – Quase um ano após a negociação, transferido do Santos para o Barcelona, surge a revelação de que o pai de Neymar já havia recebido dinheiro do clube catalão seis dias antes da decisão do Mundial entre os dois clubes, em 2012. O craque brasileiro já estava comprometido com o Barça. A diretoria do Santos está minimizando o assunto, mas que pegou mal, pegou.







Uma viagem que não saiu do papel

Publicado por William Tavares, em 8.10.2014 às 08:00

Lenivaldo Aragão*

Trotes há em qualquer profissão, e na época do jornalismo romântico sempre se pregava uma peça num colega menos avisado. Geralmente, a farsa não tinha vida longa e, descoberto o embuste, tudo terminava em altas gargalhadas e, na maioria das vezes, em rodadas de chope no Bar Savoy.

Era comum, o candidato a jornalista, no primeiro ou segundo dia de redação ser instruído por alguém a ir até setor gráfico pedir ao chefe da oficina para lhe entregar a calandra. Estava cumprindo uma missão que lhe havia sido dada pelo chefe da Redação. O responsável pela oficina, já calejado, no que se refere a esse tipo de brincadeira, mostrava ao aprendiz de jornalista o objeto que ele procurava, na verdade um objeto enorme, de ferro, que pesava toneladas. Imagine só o susto que o novato tomava. Logo concluía que tinha sido vítima de uma tremenda gozação, que ficava bem flagrante quando ele, com cara de jerimum azedo retornava à Redação. Pronto, o foquinha estava batizado e apto a seguir o longo caminho que teria pela frente.

Eu era do Diário de Pernambuco e cobria a Federação Pernambucana de Futebol, aonde ia diariamente. Não ficava restrito ao noticiário burocrático da FPF. Ali é uma fonte inesgotável de notícias porque sempre aparecem dirigentes, uns queixando-se dos árbitros, outros para pedir dinheiro adiantado, e por aí vai. Vivia conversando com o pessoal que surgia por lá.

Lenilson Cavalcanti, o famoso Lelé Facadinha, fazia a cobertura para o Jornal do Commercio. Não saía do meu calcanhar. Era dar um passo, e ele junto. Um dia, por gozação, peguei o telefone e travei uma conversa de araque com o vice-presidente do Náutico e diretor de banco José Calazans de Moura, anotando o que supostamente o dirigente me dizia, sempre repetindo em voz alta. Tudo chutado. E Lenilson copiando.

“Então, seu Calazans, o Náutico acertou três jogos na Bahia, é isso?”

Lenilson escrevia tudo.

“Um momento, seu Calazans, deixe eu anotar com calma… Domingo contra o Vitória, quarta contra o Bahia e no outro domingo em Feira de Santana”.

Sempre fazia ligeiras pausas, dando a entender que estava ouvindo meu interlocutor. Às vezes murmurava alguma coisa, como “OK, hum-hum, entendi”, Voltava a falar:

“Delegação de 25 pessoas, viagem no Eletra (da Varig), hospedagem no Hotel da Bahia e 50 mil cruzeiros por jogo. Certo”.

Novas declarações imaginárias emanadas do outro lado da linha, e eu escutando, para depois comentar:

“É, para um time que está parado, enquanto aguarda o início do campeonato, é ótimo. É até bom porque Ivan está vindo de contusão e vai voltando aos poucos à equipe”.

Agradeci ao ‘dirigente’ do Náutico e botei o telefone no gancho. No outro dia, o JC anunciava com grande estardalhaço uma temporada de três jogos que o Náutico faria na Bahia, com data e tudo. A diretoria timbu endoidou, pois ninguém sabia de nada. Descoberta a barriga, Lenilson Cavalcanti levou um bruto esporro por ter dado a notícia sem a preocupação de checá-la. Fiquei com um pouco de remorso, mas hoje acho graça ao relembrar o fato. Não esperava nunca que ele fosse soltar a informação assim, sem obter uma confirmação junto ao clube. Sempre tivemos ótimas relações, e depois de uma semana de cara feia, ele voltou às boas comigo. Sinceramente, pensava que tudo morreria ali na Federação mesmo e a coisa entrasse por uma perna de pinto e saísse por uma perna de pato. Mas não foi…

*Lenivaldo escreve toda as terças para o Blog de Primeira







Esperança não se calcula

Publicado por William Tavares, em 4.10.2014 às 20:00

William Tavares/Blog de Primeira

Toda vitória na Série B dá três pontos. Algumas, com um viés mais animador, dão esperança. E isso não se calcula. O Náutico com Dado Cavalcanti é de longe outro time, um time que pode até oscilar, mas que está em evolução. Não foi um primor de jogo técnico esse diante do Avaí, mas o Timbu não só respirou como venceu os medos.

As derrotas para Vasco e Joinville, times do G4, desanimaram. Um time que sonha em subir precisa duelar pelo menos de igual para igual com um outro postulante pelo mesmo sonho. Neste sábado, o Náutico mostrou que pode. Defensivamente, William Alves e Renato Chaves se superaram. Júlio Cesar foi seguro e, quando precisou, contou com a sorte. No ataque, o questionado Tadeu sobressaiu. Até o medo de entregar a partida nos momentos finais foi esquecido. Pelo contrário, foi no final que o Náutico sacramentou o resultado.

Agora, o Náutico tem dois jogos em casa – contra América/MG e ABC. Uma oportunidade incrível de somar seis pontos e ficar ainda mais próximo de sua meta. Depois, restarão nove partidas. Inevitavelmente alguns pontos vão se perder no meio do caminho, mas o Timbu tem condições de manter uma regularidade para crescer e ter bem mais do que os 6,9% de chances de acesso apontadas pelo site Matemática do Futebol.

Vencer os adversários é importante. Vencer os medos, essencial.  Os números ainda mostram um Timbu longe do G4, mas os alvirrubros não podem perder a esperança. E ela, diferente da matemática, não se calcula.







Os candidatos e os times de futebol

Publicado por José Neves Cabral, em 3.10.2014 às 11:03

José Neves Cabral

Futebol e eleição não se misturam em tese, mas… Basta fazer um exercício que dá até para comparar o discurso dos candidatos com o perfil de algumas equipes de futebol.

Dilma bem que poderia encarnar aquele “time de chegada”. Saiu como favorita, balançou no meio do caminho, mas reapareceu altiva, na reta final, liderando as pesquisas, com possibilidade de ganhar sem precisar de extra.

Marina despontou como favorita, dando uma arrancada impressionante após entrar em campo. Mas não soube aproveitar o espaço que o adversário lhe deu para matar a partida, defendendo-se quando deveria atacar e atacando quando deveria apenas administrar a vantagem. E seu barco começou a fazer água quando os adversários começaram a prestar mais atenção em seu jogo.

Aécio faz o bom estilo mineiro. Vai comendo pelas beiradas e tem possibilidade de levar a decisão para uma extra. Desde o início da disputa que ele se mostra competitivo, pois sempre apareceu pontuando. Habilmente, tenta chegar na fase final da competição sem jogar pesado com adversários que podem “facilitar” algumas partidas para ele na reta final.

Levy Fidelix está mais para aquele time que briga para não cair, mas acaba caindo, pois não consegue somar pontos nem dentro, nem fora de casa. Seu esquema de jogo é antigo, da década de 30, não se modernizou, por isso tem tão poucos “torcedores”.

Luciana Genro é a zebra que não deu certo.  Aquele time que está tentando jogar o futebol-arte. Encanta pelo bom toque de bola e pela proposta, mas não consegue transformar em vitórias a sua filosofia de jogo, porque para emplacar precisa de mais estrutura.

Eduardo Jorge é aquele time “porra-louca” que tanto faz vencer o líder, quando perder do lanterna.