Marquinhos Gabriel, Felipe Azevedo e Roberson comemoram virada (Foto: Heuler Andrey/AE)

Ainda não dá para ficar tranquilo. Mas se o Sport queria respirar aliviado, conseguiu. Mesmo jogando contra os reservas do Coritiba, o Leão sofreu 2×0. Não desistiu. Brigou como nunca havia feito nesta Série A e virou para 3×2, em um jogo que expôs tanto as falhas rubro-negras, quanto a capacidade de reação.

O Leão entrou em campo no 4-4-2, com três volantes. Na organização de jogadas, um ‘falso’ meia: Marquinhos Gabriel, atacante de origem e pau para toda obra no Sport. E que, coincidentemente ou não, foi o grande destaque da partida.

Assim como aconteceu contra o Internacional, na última rodada, o Sport entrou disperso em campo. E, da mesma maneira que o clube gaúcho fez no domingo, o Coxa não perdoou e fez logo 2×0. Curiosamente, dois lances que aconteceram em erros de posicionamento da defesa rubro-negra.

Foi pelo lado direito da área do Leão que surgiram as duas jogadas letais dos mandantes. Claro que, além dos erros de colocação, houve muita preguiça e dispersão por parte dos defensores, sobretudo de Edcarlos, que parece carregar uma camisa mais pesada que a de seus companheiros.

Para piorar, os rubro-negros abusavam dos erros de passes. Principalmente no campo adversário. Aí coube a Marquinhos Gabriel devolver a tranquilidade ao Sport. O atacante fez o papel de maestro no primeiro gol. E foi privilegiado com a mudança de Mancini na segunda etapa.

O técnico acionou Willians no lugar de Rivaldo. O que ‘forçou’ o adiantamento de Marquinhos Gabriel para o ataque. E foi jogando na frente que ele fez a diferença. Comportou-se como um autêntico atacante oportunista no segundo gol. E mostrou que pode fazer a diferença com boa movimentação, como aconteceu no terceiro gol.

Ainda falta um padrão de jogo definido ao Sport. E isso não poderia acontecer agora, já que o time ainda espera pelos reforços de Cicinho, Felipe Menezes e Magno Alves. Mas fez o suficiente para respirar tranquilo. O momento pede mais atenção do que empolgação. Afinal, ainda falta um bom caminho para o Leão mostrar quem vai ser nesta Série A.

Não foi contra os titulares do Coritiba. Mas isso não tira o mérito da inesquecível reação do Sport nesta tarde. Em pleno Couto Pereira, o Leão sofreu dois gols em pouco tempo de bola rolando. A equipe foi modificada e lutou até os minutos finais. A garra foi premiada e o Rubro-negro venceu por 3×2, com gols de Henrique, Marquinhos Gabriel e Felipe Azevedo. Anderson Aquino e Tcheco haviam marcado para o Coxa.

O primeiro gol foi justamente de um ex-jogador do Sport. O atacante Anderson Aquino recebeu belo passe de Tcheco, em um buraco gigante deixado pela má posicionada defesa rubro-negra. Sem preocupações, entrou na área, esperou Magrão sair e bateu rasteiro, na saída do goleiro, abrindo o placar, aos 12 minutos.

Não demorou muito para o Sport ser golpeado novamente. Aos 24 minutos, Tcheco mandou linda bola para Lincoln no lado direito da área rubro-negra. O meia avançou e cruzou fraco, mas alto. A bola passou pela defesa do Leão e achou o próprio Tcheco, livre, para marcar e ampliar o placar.

E foi preciso tomar dois gols para o Sport ‘entrar’ no jogo. A recompensa veio aos 36 minutos de jogo. Marquinhos Gabriel, mesmo acossado pela marcação adversária, acertou bonito passe, nos pés de Henrique. O atacante dominou e bateu rasteiro, cruzado, para diminuir o placar: 2×1, até o intervalo.

O Coritiba até ameaçou ampliar no começo do segundo tempo. Rafael Silva arrancou pela direita e cruzou rasteiro. Geraldo pegou de primeira, mas a bola foi na trave. O lance mostrou que o Coritiba seguia superior. Do lado rubro-negro, muitos erros de passes. Bastou ao time acertar um toque preciso para mudar a história do jogo.

Aos 30 minutos, Willians ficou com a bola na intermediária. O meia visualizou e deu um toque rasteiro, em profundidade. Marquinhos Gabriel correu e protegeu a bola. Ficou cara a cara com Victor Brasil e não desperdiçou. Conseguiu o empate. E deu o gás para a jogada que garantiria a virada rubro-negra.

O próprio Marquinhos Gabriel entrou pela direita da área e cruzou. A bola passou por todo mundo e sobrou para Felipe Azevedo. O atacante encheu o pé, mas não acertou o chute com precisão. A bola explodiu na trave, voltou nas pernas de Luccas Claro e entrou no gol. O lance de sorte que o Sport precisava para voltar a vencer e ganhar fôlego nesta Série A.

Coritiba: Victor Brasil, Jonas, Luccas Claro, Demerson e Chico; Sérgio Manoel, França (Robinho), Tcheco e Lincoln; Anderson Aquino(Rafael Silva) e Marcel (Geraldo). Técnico: Marcelo Oliveira

Sport: Magrão, Moacir, Bruno Aguiar, Edcarlos e Reinaldo; Tobi, Rivaldo (Willians), Marquinhos Paraná (Rithelly) e Marquinhos Gabriel; Felipe Azevedo e Henrique (Roberson). Técnico: Vágner Mancini.

Estádio: Couto Pereira
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)
Assistentes: Vicente Romano Neto e Gustavo de Oliveira (SP)
Gols: Anderson Aquino, aos 12 do 1T; Tcheco, aos 24 do 1T; Henrique, aos 36 do 1T; Marquinhos Gabriel, aos 30 do 2ºT; Felipe Azevedo, aos 42 do 2ºT.
Cartões Amarelos: Rafael Silva (Coritiba); Marquinhos Paraná, Edcarlos e Bruno Aguiar (Sport)
Público e Renda: Não divulgados

Melhor do Sport: Marquinhos Gabriel. Não fez uma partida exuberante. Mas foi extremamente decisivo, participando de todos os gols. Méritos também ao treinador Vágner Mancini, que reorganizou a equipe no vestiário.

Pior do Sport: Edcarlos. Disperso e lento, mostrou muita desatenção nos gols do Coritiba. Além disso, errou passes simples. Melhorou na segunda etapa, mas o time já havia sofrido dois gols.

Coritiba: Mesmo jogando com o time reserva, o Coxa mostrou ter um elenco de qualidade. Os experientes meias Lincoln e Tcheco comandaram o jogo no primeiro tempo, mas faltou força de vontade para segurar o resultado.