Português Fácil

Olá, queridos leitores! É com muita satisfação que volto a escrever para a nossa coluna “Português Fácil” para conversar com vocês, hoje, sobre a vigência exclusiva do Novo acordo ortográfico. Eu confesso que acho bem engraçada essa história de Novo… pois o Decreto de nº 6.583 de 29 de setembro de 2008 apenas promulgou o Acordo ortográfico de Língua Portuguesa assinado em Lisboa em 16 de novembro de 1990. Vamos, então, entender algumas das regras que mais aparecem em nossas provas:

·         Não se usa mais o trema, exceto em nomes próprios estrangeiros ou derivados. Exemplos: Müller, mülleriano, Hübner, hüberiano. Logo, estas palavras não serão mais acentuadas: Cinquenta; linguiça; tranquilo; quinquênio.

·         Perdem o acento os ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Então palavras como: apoio (forma do verbo operar); plateia; estreia; colmeia; joia; ideia; assembleia; heroico. Precisamos lembrar que as oxítonas e os monossílabos tônicos continuam acentuados normalmente. Exemplo: céu; dói; rói; chapéu; herói; pincéis.

·          Antigamente, a regra dos hiatos não fazia diferença entre vogal e semivogal precedendo as letras I e U, tônicas, que aparecem sozinhas na sílaba (ou seguidas de –s). No entanto, atualmente, em palavras paroxítonas como: fei-u-ra; bo-cai-u-va; bai-u-ca, em que o “U” está precedido da semivogal “I”, o novo acordo retirou o acento no “U”. Novamente advirto: em palavras oxítonas, tudo permanece como antes: Piauí; tuiuiú.

·         Perdem o acento circunflexo palavras que possuem o encontro com letras idênticas “EE” e “OO”, assim como em: enjoo; perdoo; abençoo; voo; creem; deem; leem, veem.

·         Os dois únicos acentos diferenciais de classes gramaticais que permaneceram foram os das palavras:

PÔDE: FORMA DE PASSADO DO VERBO PODER;

Ex.: Ele, ontem, não pôde contar-me a verdade.

PÔR: VERBO

Ex.: Devemos pôr os assuntos do concurso em ordem enquanto há tempo.

·         Será facultativo o uso do acento diferencial nos seguintes casos:

FÔRMA (MOLDE): A fôrma ou forma do bolo está em perfeito estado.

Em formas verbais de passado, na primeira pessoa do plural, se essas forem iguais a formas verbais de presente. Vejamos:

Eu amo; tu amas; ele ama; nós amamos; vós amais; eles amam à Presente

Eu amei; tu amaste; ele amou; nós amámos ou nós amamos; vós amastes; eles amaram à Passado

No nosso próximo encontro, trataremos das demais questões que envolvem o Novo Acordo Ortográfico. Um grande abraço e até lá! 


Fabiana Ferreira – Sobre ortografia e verbos…

Publicado em 14.12.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, no dia de hoje, teremos a tarefa de discutir sobre dois assuntos que inquietaram alguns dos meus alunos nessas semanas. Primeiro: o uso do termo “Malformação” na mídia escrita; segundo: a utilização de formas verbais de presente com valor de futuro.

Uma aluna, lendo uma matéria sobre os preocupantes casos de microcefalia que assolam a população pernambucana, encontrou o seguinte fragmento: “… sobre o ‘boom’ da microcefalia, malformação congênita na qual o cérebro do bebê se desenvolve menos que o esperado.” (Grifo meu). Pois bem, devo iniciar minha considerações mencionando a palavra do jeito que ela apareceu no texto: a palavra Mal pode ser: advérbio de modo; conjunção subordinativa temporal e substantivo. Vou exemplificar um a um: “Hoje, eu dormi mal.” Nessa frase, a palavra “mal” está modificando o verbo “dormir”, exprimindo o modo como “eu dormi”, por isso chamamos essa ocorrência da palavra “mal” de advérbio. Em seguida, concordamos que “mal” também pode ser uma conjunção subordinativa temporal, podendo ser substituída por “assim que”. Vejamos: Assim que eu saí, ele chegou = Mal eu saí, ele chegou. Por fim, verificamos que mal pode ser ainda um substantivo, assim como qualquer palavra pode ser… Basta ser substantivada. “O mal, quando não é cortado pela raiz, cresce de novo.” Concluímos que, aqui, o artigo substantivou a palavra “mal”. Pois é, por algum momento eu ventilei a possibilidade de “mal” ser adjetivo? De jeito nenhum! Então o que estaria fazendo a palavra “mal” acompanhando o substantivo “formação”. Se a palavra “formação” é um substantivo feminino singular, então o adjetivo que deveria aparecer diante dele seria “má”. Dado o uso constante do substantivo composto “malformação”, alguns dicionaristas trazem tal grafia como alternativa, mesmo sem uma fundamentação gramatical.

Vamos para o nosso segundo caso: Um outdoor de uma escola no Bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, usou em uma de suas peças publicitárias o seguinte enunciado: “Juntos conquistamos o amanhã”. O assombro de muitos leitores diante dessa frase foi provocado pelo uso do verbo “conquistar” no “presente”. Vale salientar que esse é um uso previsto e consagrado pelos gramáticos. Formas de presente podem, sim, ser usadas com valor de futuro assim como com valor de passado. Muitos acham que isso constitui erro, no entanto, não só é tratado pela gramática normativa, como também aparece frequentemente em provas de concurso, como no seguinte exemplo retirado de uma questão do Cespe/Unb: “O biólogo norte-americano Craig Venter acredita que o código genético de microrganismos pode se transformar em um excelente negócio no futuro.” A forma verbal pode – no presente do indicativo – denota na verdade uma noção de futuro, equivalendo assim à expressão “poderá transformar-se” e a mesma referência explícita ao futuro, que há no outdoor (o amanhã) existe na prova do Cespe/Unb (no futuro). Em uma das críticas ao enunciado original, o autor disse ser a frase de mau gosto já que a escola tinha a sublime missão de ensinar o que é certo… Bom gosto ou mau gosto não são critérios linguísticos. Agora, atribuo à escola a sublime missão de fazer pensar e isso a escola propagada no outdoor o fez… e foi além, deixou flagrante o tamanho do nosso preconceito linguístico e a nossa falta de vontade de pesquisar antes de criticar.

Enfim, esses comentários, na verdade, foram frutos de dúvidas de alguns alunos… alunos que buscam, assim como vocês, pensar e refletir independentemente de chegarem a conclusões definitivas… se é que elas existem. Um abraço enorme e até domingo.   


Fabiana Ferreira – Outra vez: Regência

Publicado em 30.11.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, vamos começar nossa conversa de hoje, definindo regência: Regência verbal e nominal estuda a relação que se estabelece entre verbos e nomes na solicitação ou não de complementos; e ainda, se esses (verbos e nomes) pedirem complementos, de que natureza eles são. Conhecendo essa definição correta e ampla, você pode chegar a algumas conclusões:

1.      Verbos e nomes poderão pedir complementos;

2.      Esses complementos virão ou não precedidos de preposição;

Então, prossigamos: os termos que pedem complementos (ou não) são chamados termos regentes e os que os complementam, termo regido. Ser termo regente significa “ditar as normas”. Dizer se quer ou não quer complemento; se quiser complemento, pedirá preposição ou não. Se pedir preposição, que preposição será essa?

Mais adiante, veremos que há duas observações muito importantes para que consigamos organizar esse assunto. Dois ou mais verbos podem pedir um só complemento? Nós poderemos ter vários termos regentes para apenas um termo regido? Claro que sim! Basta que esses verbos ou nomes tenham a mesma regência. Vamos ver alguns exemplos:

1.      Leia e assine a Folha de Pernambuco. Todos os verbos em negrito são transitivos diretos, nada, portanto, vai impedir-nos de dar somente um complemento para ele. Quem é esse complemento? A FOLHA DE PERNAMBUCO à objeto direto.

2.      Ele não se cansa de entrar e sair da sala.  Essa frase, que parece bem certinha, está errada já que a regência dos verbos em negrito é diferente: quem entra entra EM; quem sai sai DE, logo eu terei que dar um adjunto adverbial de lugar diferente a cada verbo. Resultado: Ele não se cansa de entrar na sala e sair dela.

 

Sabemos que, todas as vezes que envolvemos dois ou mais verbos dentro do período, teremos mais trabalho. Não se esqueça do envolvimento das orações adjetivas dentro da oração. Havendo pronome relativo no período, e, depois dele, qualquer termo que exija preposição, essa se deslocará para antes do relativo.

3.      Esta é a aluna de cujos trabalhos necessito.

4.      Não vi os alunos em que confio muito.

5.      Nunca me preocupei com a vaga à qual aspiro.

 

Finalmente, observamos o último exemplo que traz consigo o uso do sinal indicativo de crase. Esse sinal garante, muitas vezes, a integridade da regência dos verbos: Houve nesta frase a união da preposição A à proveniente do verbo ASPIRAR com o A – integrante do pronome relativo A QUAL = À QUAL.

Um grande abraço, tenham uma ótima semana, estudem bastante e até domingo!


Olá, queridos leitores! Tivemos uma grata notícia nesta semana sobre a organizadora da prova da Polícia Civil: Cespe/Unb! Vamos fazer uma panorâmica sobre alguns assuntos que sempre são abordados por este centro de referência na elaboração de provas. Baseada em textos, a prova sempre explora a contribuição da estrutura gramatical para a compreensão e interpretação deles. Então vejamos:

 

1.      Em primeiro lugar “Os Pronomes” – nesse caso, não haverá simplesmente o reconhecimento destes como classe gramatical variável… e sim a análise de quem está funcionando como seu referente substantivo. Sabemos que o pronome ou acompanha ou substitui o nome (o substantivo), logo este será o seu referente. Vejamos alguns exemplos:

 

“Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. O pronome relativo “que” possui um referente ele é “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil”. Para sabermos quem é o referente do relativo, teremos que substituí-lo pelo seu antecedente, se houver coerência, eis o referente do pronome.

 

2.      Também é muito comum que se aborde a substituição de formas verbais de voz passiva analítica e por voz passiva sintética. Observe: “foi detectado o sumiço,entre 2002 e 2008, de uma área de caatinga com três vezes o tamanho do Distrito Federal.”. O Cespe nos indagou sobre a forma verbal que resultaria da equivalência entre as vozes do verbo. Substituímos, então, foi detectado o sumiço por detectou-se o sumiço; já que a voz verbal formada de verbo SER mais PARTICÍPIO será substituída sinteticamente por VERBO NA TERCEIRA PESSOA mais PARTÍCULA “SE” COMO APASSIVADORA.

 

3.      Cuidado com as “pegadinhas” que os elaboradores das questões fazem com a relação de explicação e restrição. Lembremo-nos de que, em orações adjetivas restritivas, não haverá a presença da vírgula, para separá-la do restante do período. Já a explicativa possuirá vírgulas, isolando-a completamente da oração principal. Vejamos um exemplo: “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. Já que o intuito da oração adjetiva foi de explicar o termo antecedente, as vírgulas, isolando-as foram obrigatórias.

 

Temos um longo caminho pela frente a fim de revisar alguns assuntos, assim como de aprender outros. Aconselho que vocês adquiram um bom material teórico e aproveitem a qualidade de alguns sites abalizados que tratam apenas de questões de concursos. Uma excelente semana para todos e bons estudos.


Fabiana Ferreira – Uso de pronomes: sentidos…

Publicado em 2.11.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! Espero que estejam muito bem para que, em mais este encontro, revisemos algumas questões que aparecem em nossos concursos. Nesta semana falei muito em diversas turmas sobre uniformidade de tratamento e possíveis mudanças de sentido provocadas pelo uso dos pronomes.

Vejamos uma questão muito interessante que brinca um pouco com o uso dos pronomes na construção dos sentidos. Mas, antes disso, vamos conversar um pouquinho sobre como os pronomes possessivos se comportam quando estão na terceira pessoas: seu, sua, seus e suas. Esses são pronomes tanto podem ser usados referindo-se à pessoa com quem se fala (segunda pessoa) quanto à pessoa de que ou de quem se fala (terceira pessoa).

Vamos lá: supondo que eu esteja conversando com alguém e a trate por VOCÊ, logicamente eu vou usar VOCÊ e SEUS amigos, VOCÊ e SUAS amigas. Fazemos uso de dois pronomes de terceira pessoa para que se mantenha a uniformidade de tratamento. Ademais poderemos usar os possessivos seu, sua, seus e suas (o que é mais comum) para referir-nos a terceira pessoa. Veja: “ João, não adianta você ir à casa de Paulo, pois ele saiu com a sua mãe.” Queridos leitores, Paulo saiu com a mãe de quem? Dele próprio ou de João − que é o meu interlocutor. Nunca saberemos, pois nessa situação a frase ficou ambígua.

Questão:

  A diferença entre tu e você

O diretor-geral está preocupado com um executivo que, após trabalhar sem folga, passa a ausentar-se muito. Chama um detetive.

- Siga o Lopes durante uma semana – disse.

Após cumprir o que lhe fora pedido, o detetive informa:

- Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai à sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

- Ah, bom. Não há nada de mal nisso.

O detetive observa o diretor com olhar fixo e comenta:

- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?

- Sim, claro – responde o diretor.

- Bom. Lopes sai ao meio-dia, pega o teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um de teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

(Revista Língua Portuguesa, ano I, nº. 2, 2005,Ed.Segmento)

 

Com base no texto I, responda as questões de 01:

 

1. Com relação às duas respostas do detetive, no que se refere ao uso dos pronomes “seu” e “teu”, respectivamente, pode-se dizer que:

 

a. o pronome “seu” trata-se da pessoa do falante.

b. o pronome “tu”, nas formas “teus”, “tua” e “teus”, dá idéia de posse e no contexto lingüístico empregado fazem referência à pessoa do Sr. Lopes.

c. o pronome “teu” marca uma certa ambiguidade, não identificando claramente a pessoa da qual está falando.

d. a resposta com “teus”, “tua” e “teus” deixa claro que o executivo estava tendo um caso com a mulher do diretor-geral.

e. o uso do pronome “seu” e “teu”, no contexto linguístico empregado, produz a mesma clareza de sentido.

 

            Tendo em vista que a resposta desta questão está na letra D, constatamos que só resolvemos o problema da ambiguidade ao usarmos o grupo de pronomes “teus”, “tua” e “teus”, pois com “seus”, “sua” e “seus” poderíamos estabelecer relação com O DIRETOR-GERAL e com o SR. LOPES. Não sabemos se o Diretor-geral ficou muito feliz com o resultado da investigação, no entanto ficou indubitável a quem se dirigem os substantivos quando acompanhados dos possessivos de segunda pessoa, o que não aconteceu com os de terceira. Pobre Diretor!

            Um grande abraço para todos e até domingo!


Olá, queridos leitores! Vamos continuar nossa batalha com as assertivas do Cespe/Unb, analisando algumas questões que envolvem o uso dos relativos, crase, colocação pronominal… Mãos à obra:

Fragmento de texto

Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, para a classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é o regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a democracia é “o único regime político no qual os conflitos são considerados o princípio mesmo de seu funcionamento”: impedir a expressão dos conflitos sociais seria destruir a democracia. O filósofo francês Jacques Rancière critica a ideia de democracia que tem estruturado nossa vida social – regida por uma ordem policial, segundo ele -, devido ao fato de ela se distanciar do que seria sua razão de ser: a instituição da política. Estamos acomodados por acreditar que a política é isso que está aí: variadas formas de acordo social a partir das disputas entre interesses, resolvidas por um conjunto de ações e normas institucionais. Essa ideia empobrecida do que seja a política está, para o autor, mais próxima da ideia de polícia, já que diz respeito ao controle e à vigilância dos comportamentos humanos e à sua distribuição nas diferentes porções do território, cumprindo funções consideradas mais ou menos adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tão hipnotizados pela “necessidade de um compromisso para se alcançar o bem comum” e pela opinião de que “as instituições sociais já estão fazendo todo o possível para isso”, (…) E essa atualização se dá por ações que irão construir a possibilidade de os “não contados” serem levados em conta…

1.    As formas verbais compostas “estão fazendo” (l.14) e “irão construir” (l.15) poderiam ser substituídas, respectivamente, pelas formas verbais simples fazem e construirão, uma vez que são equivalentes em sentido. (Vejamos, a locução verbal “estão fazendo”, por apresentar auxiliar mais verbo no gerúndio, indica presente contínuo, por isso poderemos, sim, substituí-la formalmente por fazem; já na locução irão construir, o responsável pela indicação de futuro é o próprio auxiliar “irão”, o que nos habilita a substituir o conjunto de verbos pela forma simples “construirão). Assertiva Correta!

2.    A expressão ‘no qual’ (l.3) poderia ser substituída pelo vocábulo onde, sem prejuízo para a correção e para as ideias do texto. (O vocábulo “onde”, em qualquer texto, precisa indicar lugar para ser usado. Ao voltarmos ao texto, verificamos que a expressão “na qual” retoma um sintagma que não denota lugar – único regime político – por isso somos proibidos de usar o pronome relativo “onde”). Assertiva Errada!

3.    A correção do texto seria mantida caso o pronome “se” (l.6), em vez de anteceder, passasse a ocupar a posição imediatamente posterior ao verbo: devido ao fato de ela distanciar-se. (Observemos que todo verbo no infinitivo precedido de preposição nos autoriza a usar próclise ou ênclise. Então notemos: de se distanciar ou de distanciar-se são colocações perfeitamente aceitáveis e indiferentes). Assertiva Correta! 

4.    O emprego do sinal indicativo de crase na expressão “respeito ao controle e à vigilância dos comportamentos humanos” (R.16-17) é facultativo.(Essa assertiva foi imoral… se usamos “respeito A” e evidenciamos a presença do artigo “O” diante de “controle”, como na relação paralela de complementação poderíamos suprimir a crase diante do feminino? Onde ocorre “AO” no complemento masculino é obrigatório que haja “À” no complemento subsequente feminino. Assertiva Errada!

Um grande abraço a todos e continuemos na nossa luta até à posse!


 

Queridos leitores, é com a alegria de sempre que escrevo sobre vozes verbais, assunto muito caro à FCC. É neste espaço de interlocução onde refletimos sobre aspectos relativos à Língua Portuguesa para concurso, que dou ênfase hoje a tal assunto para que não percamos tempo nos nossos estudos para o TJ.

A fim de pensar hoje sobre o assunto de vozes verbais, vamos teorizar um pouquinho:

O assunto que os gramáticos normativos costumam chamar de Vozes Verbais diz respeito ao relacionamento do verbo com o seu sujeito – termo da oração sobre o qual se presta uma informação. Esse sujeito pode ser agente (quando pratica a ação verbal, ou quando recebe um predicativo do sujeito por meio de um verbo de ligação), paciente (quando sofre a ação designada pelo verbo), ou reflexivo (quando o sujeito ao mesmo tempo que pratica, sofre a ação verbal). Logo teremos respectivamente verbos na voz ativa, verbos na voz passiva e na voz reflexiva.

Na frase, “Certas atitudes ameaçam a vida dos animais.” Quando perguntamos a nós mesmos, tendo a frase como base, o que é que ameaça a vida dos animais, respondemos: “certas atitudes”, portanto este é o termo chamado de sujeito que pratica – neste caso – a ação verbal.

Se você observou direitinho o verbo, ele pediu complemento sem que houvesse a anteposição da preposição, logo, esse verbo se chama “transitivo direto”, que é o único tipo a admitir a transposição para a voz passiva (salvo as seguintes exceções: Obedecer, desobedecer, pagar e perdoar).

A voz passiva se apresenta de duas formas:

 

  • Analítica: verbo SER (ou ESTAR — de pouco uso) + verbo no particípio;

  • Sintética: verbo transitivo direto + partícula SE como apassivadora.

 

Observemos:

 

Voz ativa

Voz passiva analítica

Certas atitudes ameaçam a vida dos animais.

Sujeito objeto direto

A vida dos animais é ameaçada por certas atitudes.

Sujeito agente da passiva

 

Na voz passiva sintética, usaremos o verbo transitivo direto recebendo a partícula SE como apassivadora. Constatamos, portanto, que basta a oração receber o SE para modificar toda a sua estrutura: quem era objeto direto passa a ser sujeito da oração e esta característica trará implicações na concordância verbal. “Compraram-se roupas usadas neste brechó.”

 

Compraram

Verbo na terceira pessoa do plural

Se

Partícula apassivadora

Roupas usadas

Sujeito paciente da oração

 

É importante que estudemos esse assunto com afinco, pois as principais organizadoras sempre elaboram questões sobre ele – tanto na exigência de transposição de ativa para passiva, quanto na busca pela equivalência entre a voz passiva analítica e a sintética. Um grande abraço para todos e até domingo!


Olá, queridos leitores! Como estão? Afiados com os preceitos gramaticais? Então vamos a mais uma questão que deve nos chamar a atenção para o assunto de Regência Verbal e para o modo como tal assunto é abordado pela Cesgranrio, que estará no comando da prova do Banco do Brasil.

Vejamos:

Na frase “‘É importante informá-lo dos seus direitos’” (l. 28-29) emprega-se o verbo informar seguido do pronome oblíquo. Entretanto, o redator poderia ter optado por empregar, em vez de lo, o pronome lhe.

A frase resultante, mantendo-se o mesmo sentido e respeitando-se a norma-padrão, seria:

(A) É importante informar-lhe sobre os seus direitos.

(B) É importante lhe informar a respeito dos seus direitos.

(C) É importante informar-lhe dos seus direitos.

(D) É importante informar-lhe os seus direitos.

(E) É importante lhe informar acerca dos seus direitos.

Precisamos pensar um pouquinho sobre o comportamento dos verbos transitivos diretos e indiretos: todo verbo que nos solicita dois complementos pede um objeto direto e um objeto indireto. Nunca dois objetos diretos ou dois indiretos! Então, o verbo informar pode pedir um objeto direto (coisa) + um objeto indireto (pessoa, regido pela preposição “A”) ou ainda um objeto direto (pessoa) + um objeto indireto (coisa, regido pela preposição DE, SOBRE ou A RESPEITO DE, ACERCA DE).

Vejamos: a) Se LHE é objeto indireto, não poderemos usar outro objeto indireto (regido pela preposição SOBRE) para complementar o verbo Informar;

b) O mesmo erro foi cometido na letra “b”. Dois objetos indiretos estão completando o sentido do verbo informar: Um representado por LHE e o outro por “a respeito dos seus direitos”;

c) Mesmíssimo erro… LHE + “dos seus direitos”… todos dois objetos indiretos.

d) Finalmente, na letra D, houve a colocação de um objeto indireto, representado por LHE, somado a um objeto direto, representado por “os seus direitos”. Perfeito! Nossa resposta está aqui na letra “D”.

e) O problema das letras A,B e C se repete na “E”: dois objetos indiretos complementando o sentido de um V.T.D.e I. (informar) – LHE e “acerca dos seus direitos”.

Foi muito bom, como sempre, compartilhar com vocês um pouquinho do assunto de Regência Verbal nos moldes da Cesgranrio. Um grande abraço e até domingo.


Mais uma vez Cespe/UnB

Publicado em 28.09.2015 às 10:00

Olá, queridos alunos, com o entusiasmo de sempre, iremos observar um texto completinho aplicado pelo Cespe/Unb, numa prova da FUB, 2015. É importante verificarmos a união entre gramática e texto nesta prova de nível superior. Vamos lá então:

Texto 1

A originalidade e a capacidade de enxergar o mundo sob diferentes perspectivas são, sem dúvida, características dos maiores pensadores. Exemplo disso é o romeno Serge Moscovici, um dos grandes nomes da psicologia. Quando os olhares na psicologia social estavam voltados para o indivíduo, ele desenvolveu, em 1961, uma teoria que enxerga as representações sociais e as ideias a partir do coletivo e dos grupos sociais. A Teoria das Representações Sociais, como é chamada, revolucionou a ciência nessa área e, até hoje, repercute nos campos da sociologia, da comunicação e da antropologia.

A importância de Moscovici para a ciência mundial foi reconhecida por dez universidades da Europa e da América do Norte, que lhe conferiram o título de Doutor Honoris Causa. Em julho de 2007, a UnB tornou-se a primeira instituição de ensino superior da América Latina a homenagear o especialista com a honraria, outorgando-lhe o título durante a V Jornada Internacional e III Conferência Brasileira sobre Representação Social, em

Brasília – DF. Camila Rabelo. Moscovici é Doutor Honoris Causa. Internet: (com adaptações).

A respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto 1, julgue os próximos itens.

1.    Sem prejuízo para a correção gramatical e os sentidos do texto, a vírgula empregada logo após “Norte” (l.09) poderia ser omitida. Todos nós sabemos que todos os pronomes relativos encabeçam orações adjetivas. A marca visível das adjetivas explicativas é a vírgula; das adjetivas restritivas, a ausência da vírgula. Como poderíamos dizer que se omitíssemos a vírgula depois de Norte” manteríamos o sentido? Se retirássemos a vírgula, deixaríamos de ter uma explicativa e passaríamos a ter uma restritiva. Assertiva Errada!

2.    Depreende-se do texto que, no Brasil, a UnB foi a primeira instituição de ensino superior a laurear o criador da Teoria das Representações Sociais. Houve nessa assertiva uma paráfrase de um fragmento do texto, que está no segundo parágrafo. Vejamos: “A importância de Moscovici para a ciência mundial foi reconhecida por dez universidades da Europa e da América do Norte, que lhe conferiram o título de Doutor Honoris Causa. Em julho de 2007, a UnB tornou-se a primeira instituição de ensino superior da América Latina a homenagear o especialista com a honraria, outorgando-lhe o título durante a V Jornada Internacional e III Conferência Brasileira sobre Representação Social…”. A chave dessa paráfrase está no verbo “laurear”, que significa ao pé da letra: “colocar a coroa de louros”; na realidade, homenagear, premiar por mérito… e foi isso que a UNB fez com Moscovici… Assertiva Correta!

3.    O emprego da forma verbal “são” (l. 01) na terceira pessoa do plural justifica-se pela concordância com os núcleos do sujeito da oração: “originalidade” e “capacidade”, ambos na linha 01. A assertiva é Corretíssima, pois, nessa concordância, segue-se a regra geral que nos diz que o verbo concorda no plural quando o sujeito é composto anteposto ao verbo: “A originalidade e a capacidade de enxergar o mundo sob diferentes perspectivas são, sem dúvida, características dos maiores pensadores.”.

Muito obrigada pela companhia de todos, e, no nosso próximo encontro, continuaremos a responder às questões referentes a essa mesma prova. Um grande abraço e bons estudos!


Olá, queridos leitores… volto hoje a compartilhar com vocês algumas questões do Cespe/Unb que me chamaram a atenção. Como sabemos, essa é uma organizadora cotadíssima para realizar muitas das provas que temos em vista no momento. Devemos analisar atentamente suas manobras para que nunca erremos suas questões… Vamos lá:

Fragmento do texto Sobre o tempo

Quando ainda não havia agendas, palm tops, compromissos inadiáveis, consulta com hora marcada, almoço com clientes… Mesmo quando não havia as chatices da modernidade, ainda assim, o homem contava o tempo. Se depois do Sol vinha a escuridão, e depois do breu novamente a luz, o mundo não poderia ser estático: da necessidade de controlar os períodos da colheita, nossos antepassados esboçaram os primeiros calendários.

As manifestações mais primitivas da tentativa de contar o tempo datam de 20 mil anos atrás. Com ossinhos, os homens marcavam o intervalo entre as fases da lua. Em 5000 a.C., os sumérios criaram um calendário parecido com o que temos hoje: l2 meses de 30 dias cada um totalizavam um ano de 360 dias. O dia e a noite eram divididos em 12 intervalos de tempo. No Egito, o ano tinha 365 dias, diluídos 16 em 12 meses. No fim do ano, eram somados cinco dias, chamados epagômenos. [...]

I.     Os objetos diretos do verbo haver (l.1) representam exemplos em que a contagem do tempo se faz necessária. Vejamos nessa assertiva que, apesar de o Cespe fazer referência à linha 1 do texto, a resposta só é encontrada por nós se lermos os dois primeiros períodos do primeiro parágrafo que termina com a frase “o homem contava o tempo”. Quando se afirma que os objetos diretos do verbo haver representam exemplos nos quais a contagem do tempo se faz necessária, estamos falando de quê? Das agendas, palm tops, compromissos inadiáveis, consulta com hora marcada, almoço com clientes… todos esses complementos do verbo haver são submetidos à contagem do tempo. ASSERTIVA CORRRETA.

II.    A expressão “ainda assim” (l.2 e l. 3) é uma conjunção, empregada no texto com sentido temporal. De forma nenhuma! A expressão ainda assim expressa uma relação semântica de oposição, de quebra de expectativa, de contraste… ASSERTIVA ERRADA.

III.   Estabelecida a concordância adequada, o termo “homem” (l.3) pode ir para o plural sem que o sentido do trecho se altere. Claro que sim! Já que “O homem” está sendo usado em seu sentido geral, genérico, relativo à humanidade, nada nos impediria de, FAZENDO A DEVIDA CONCORDÂNCIA, substituir “o homem” por “Os homens”. A nossa frase ficaria assim: …ainda assim, os homens contavam o tempo. Lembremo-nos de que essa assertiva só é verdadeira porque o elaborador da questão nos deu carta branca para fazermos as devidas alterações na concordância (verbal). ASSERTIVA CORRETA.

IV.  Segundo o texto, pelas oposições “Sol”/“escuridão” (l.3) e “luz”/“breu” (l.3-4), o homem percebeu que o tempo passa. A resposta para essa questão está na leitura de todo o período no qual tais contraposições aparecem. É a partir de uma relação de conclusão que vemos tal fenômeno: o mundo não poderia ser estático já que depois do sol vem a escuridão e depois da escuridão o sol aparece novamente… daí concluímos o quão cíclico é o tempo…

V.    Preserva-se a correção gramatical, se os dois-pontos empregados na linha 8 forem substituídos por travessão. Nem todos os gramáticos abordam esse caso, no entanto já é matéria consolidada entre eles que, no anúncio de enumeração e de explicação, os dois pontos poderão sim ser substituídos por travessão sem que haja alteração nem na função sintática dos termos nem nas relações semânticas.

Por hoje ficaremos por aqui, com o compromisso de trazermos mais reflexões importantes no nosso próximo encontro. Até domingo e bons estudos!


Olá, queridos leitores! Vamos hoje pensar um pouquinho juntos sobre o assunto de Concordância verbo-nominal. Dessa vez, usaremos uma questão bem produtiva da Fundação Carlos Chagas para Lembrar que a concordância verbal se fundamenta na combinação em número e pessoa do verbo com o seu sujeito; já a nominal, na combinação em gênero e número entre o substantivo e seus adjuntos – artigo, pronome, numeral e adjetivo. Vamos lá:

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em:

 

(A) Pareceriam natural para as minhocas, mas não para os homens, locomoverem-se por grandes distâncias embaixo da terra.

(B) A lembrança dos antigos trens, em que fez tantas viagens, despertaram no autor imagens nostálgicas e poéticas.

(C) Economiza-se trinta ou quarenta minutos quando se preferem utilizar o metrô ou um táxi, em lugar de ônibus.

(D) Os movimentos apressados a que se assiste, quando se está no centro de uma metrópole, traduzem bem a ansiedade moderna.

(E) Fazem parte das nossas experiências metropolitanas esse ir e vir atarantado pela cidade, na luta ingente contra o relógio.

 

É importante colocar as orações na ordem direta, pois isso nos auxilia a fazer a concordância: SUJEITO + VERBO.

A)  “locomoverem-se por grandes distâncias” PARECERIA NATURAL… Quando o sujeito é oracional, o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular, e não no plural como foi colocado na letra A da questão.

B)  A lembrança dos antigos trens DESPERTOU NO AUTOR… O núcleo do sujeito é o substantivo lembrança – que está no singular, por isso o verbo também tem que ficar no singular.

C)  ECONOMIZAM-se trinta ou quarenta minutos… – trinta ou quarenta minutos são economizados. Sujeito − trinta ou quarenta minutos, no plural à verbo, no plural.

D)  Os movimentos apressados a que se assiste, quando se está no centro de uma metrópole, TRADUZEM bem a ansiedade moderna. Aqui, o sujeito de “assistir” e “estar” é indeterminado, por isso que o verbo ficou na terceira pessoa do singular; já o sujeito de “traduzir” é plural – os movimentos apressados – por isso a forma verbal ficou “TRADUZEM” para concordar com ele.

E)  …esse ir e vir atarantado FAZ PARTE… SUJEITO NO SINGULAR, VERBO NO SINGULAR…

 

Colocando as orações na ordem direta, fica mais fácil estabelecermos as relações de concordância verbo-nominal, pois tudo o que envolve concordância perpassa as relações com a compreensão do período em si. Um grande abraço e continuemos a estudar. Não esqueça: o horário determinado para estudar diariamente é muito importante para um bom rendimento a longo prazo!


Olá, queridos leitores! Espero que estejamos lendo bastante, estudando bastante para que possamos alcançar os nossos objetivos. Hoje vamos dar uma olhadinha – atenta – em quatro questões do Cespe/Unb a fim de comprovarmos de uma vez por todas como elas são tranquilas. Vejamos:

1.    Na construção “Uma e outro aspiravam à morte” (l.13), ao se substituir a conjunção “e” por ou, flexionando-se o verbo na terceira pessoa do singular, mantém-se a correção gramatical. Na verdade, quando trocamos a conjunção “E” por “OU”, deparamo-nos com uma nova expressão “um ou outro” que exige de nós concordância no singular. Então devemos, sim, memorizar essas regras a fim de que a nossa resposta seja automática: “Uma ou outro aspirava (3ª pessoa do singular) à morte Certíssimo!

2.    Em “Cada vez que eu tentava reconciliar-me com ela” (l.15), a expressão “Cada vez que” pode ser substituída por À medida que, sem alteração de sentido. “Cada vez que” é uma expressão que denota Tempo. Como nós poderíamos substituí-la, em qualquer contexto, por “uma vez que” se esta última denota uma relação de proporção? Às vezes vemos que até cabe uma expressão no lugar da outra no que diz respeito à gramática, mas, quanto ao sentido, as duas orações não têm a mesma classificação. Assertiva Erradíssima!

3.    Com o deslocamento da conjunção “pois” para o início da oração “Escrevi, pois, toda a minha vida poemas, narrativas, contos, tratados, ensaios” (l.26-27), com os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas, preserva-se o sentido original do período. Escutamos desde a nossa infância a seguinte afirmação de nossas professoras: “Pois” antes do verbo da segunda oração é explicativo; “Pois” depois do verbo da segunda oração é conclusivo. Então, a frase me diz: “Escrevi, pois, toda a minha vida poemas…” se disséssemos: Pois escrevi toda a minha vida poemas, a relação de sentido que se estabeleceria seria a de Explicação. Erradíssima!

4.    Em “Porém, mal experimentava a ilusão (…) a minha pobre alma acabrunhada” (l.28-32), o termo “mal” é empregado com sentido temporal. A palavra “mal” pode ser sim classificada como conjunção temporal, provocando um efeito de sentido na oração subordinada de “tempo”. Vejamos o período completo: Porém, mal experimentava a ilusão de pela poesia ter exorcizado a perseguição dos meus pavores, logo outras alucinações, outros pesadelos, outras bizarrias macabras e fúnebres assaltavam sem trégua a minha pobre alma acabrunhada. Viu? Mal (assim que) experimentava a ilusão… logo outras alucinações… assaltavam… Certíssima!

Vimos como as questões que trouxemos hoje – todas de uma só prova de nível superior – foram tranquilas para nós? Deixemos de lado o mito de que Cespe é difícil e estudemos com alegria até passar! Fiquemos em paz e até domingo! 


Queridos leitores, depois da nossa maratona da FGV, vamos voltar ao Cespe/Unb, analisando algumas assertiva muito interessantes… elas são importantes para nós não só pelo seu conteúdo, mas também pelo fato de nos servirem como modelo para a realização de outras questões. Vamos lá:

(fragmento de texto)

As iniciativas são louváveis. Caso a população, porém, se sinta apenas punida ou obrigada a uma atitude, e não parte da comunidade, os benefícios não se tornarão duradouros.

1.   A substituição de "Caso" ( .15) pela conjunção “Se” preservaria a correção gramatical da oração em que se insere, não demandaria outras modificações no trecho e respeitaria a função condicional dessa oração.

Parece sempre uma bobagem para os alunos quando abordo substituição de conjunções de mesma classificação em sala de aula… mas olha aí aparecendo no Cespe… nós sempre achamos que, se a conjunção é de mesma natureza, ela pode ser substituída por qualquer outra sem os demais ajustes, principalmente quanto à conduta verbal. Vejamos: “Se a população, porém, se sinta apenas punida ou obrigada a uma atitude, e não parte da comunidade, os benefícios não se tornarão duradouros.”. “Se a população se sinta”? Essa construção faz sentido ou deveríamos ajustar o verbo para: “Se a população se sentir”? Vemos que, se substituirmos o caso pelo se sem fazermos as devidas alterações perdemos por completo o sentido da oração. Concluímos, então, que a assertiva está errada.

Mais uma:

Os fragmentos contidos nos itens seguintes, na ordem em que são apresentados, constituem reescrituras sucessivas de parágrafos de notícia assinada por Julita Lemgruber e publicada no Jornal do Brasil (Internet: Acesso em ago./2004).

2.   Os jovens apresentaram à um público, ora perplexo, ora emocionado, mas sempre profundamente impactado, cenas de seu cotidiano: a violência à que estão submetidos dentro de casa; o jovem traficante pegado no flagrante; a relação dos meninos infratores com a polícia e entre eles e o tráfico.

O item está ERRADO. Vamos corrigi-lo:  Os jovens apresentaram A (1) um público, ora perplexo, ora emocionado, mas sempre profundamente impactado, cenas de seu cotidiano: a violência A (2) que estão submetidos dentro de casa; o jovem traficante PEGO EM (3) flagrante; a relação dos meninos infratores com a polícia e entre eles e o tráfico. 1 – Não há crase diante de artigo indefinido; 2 – Não há crase antes de “que” a não ser com o A que funciona como demonstrativo; 3 – devemos usar particípio irregular quando acompanhado de “Ser ou estar” – Veja: Ele foi pego em flagrante. Mesmo que o verbo ser – auxiliar – esteja subentendido.

Espero que tenhamos matado a saudade do Cespe/ Unb! Um grande abraço e domingo nos encontraremos mais uma vez!


 

Estamos chegando ao fim desta série de quatro artigos baseados em questões da FGV. Essa organizadora possui suas peculiaridades que merecem a nossa atenção. Vejamos:

         1.    “Organize sua empresa, um nível de organização deve ser mantido dentro da empresa, isso implica em definição clara de cada função e tarefas executadas, controle de estoque e caixa com boletins e relatórios diários e prestações de contas por parte dos responsáveis por esses setores, regras;”. Nesse segmento 1 do texto há um erro quanto à norma culta, que é:

(A) o mau emprego do possessivo “sua” em “sua empresa”;

(B) a má utilização da expressão “um nível de”;

(C) a má concordância do adjetivo “executadas”;

(D) a regência desaconselhável de “implicar”;

(E) a má colocação do adjetivo “diários”.

Observemos que: o único problema – e grave – é no mau uso da regência verbal do verbo “implicar”: Implicar no sentido de acarretar, de trazer é VTD. Como é muito comum o uso de tal verbo com a preposição EM, confundimos isso com norma culta. Resposta letra “D”.

2.    “Controle das senhas, todas as senhas devem ser trocadas no mínimo a cada três meses”; o segmento colocado após a vírgula, em relação ao segmento anterior, expressa:

(A) conclusão;

(B) retificação;

(C) concessão;

(D) consequência;

(E) explicação.

O que é, no texto, “controle de senha”? “Todas as senhas devem ser trocadas no mínimo a cada três meses…” Vê-se, claramente, que este último termo explica, esclarece o significado da expressão anterior “controle de senha”… logo, mesmo sem conectivo explícito, o valor explicativo é inegável. Resposta: letra “E”.

Muito grata a todos os leitores da Folha dos Concursos pela companhia nessa primeira série sobre a Fundação Getúlio Vargas e esperamos todos vocês no Blog dos Concursos com  vídeos, contendo resoluções das questões da FGV. Um grande abraço e até domingo.


Olá, queridos leitores. Viemos hoje dar continuidade ao nosso trabalho com o terceiro artigo baseado na organizadora FGV. Estude – tendo como base essa organizadora – e verá!

Hoje vamos entender, na prática, as funções do vocábulo “mais”, FGV adora isso! Além disso nos centraremos em algumas questões que enfocarão o uso de elementos coesivos para dar continuidade ao texto. Os elementos que mais aparecem em nossas provas são os “anafóricos” encarregados de retomar termos que já usamos antes. Então, seguindo o ritmo do artigo da semana passada, observemos o seguinte fragmento de texto e uma questãozinha baseada nele:

É justo que as mulheres se aposentem mais cedo?

A questão acerca da aposentadoria das mulheres em condições mais benéficas que aquelas concedidas aos homens suscita acalorados debates com posições não somente técnicas, mas também com muito juízo de valor de cada lado.

Um fato é certo: as mulheres intensificaram sua participação no mercado de trabalho desde a segunda metade do século 20.

Há várias razões para isso. Mudanças culturais e jurídicas eliminaram restrições sem sentido. [...]

1.    “Há várias razões para isso.” A forma do pronome demonstrativo sublinhado é justificada pelo fato de

(A) se referir a um fato futuro na progressão do texto.

(B) fazer alusão a um acontecimento do momento.

(C) localizar o tema como de autoria do interlocutor.

(D) se prender a uma afirmação feita anteriormente.

(E) realizar a seleção entre dois termos, destacando o mais distante.

Fica bem fácil a questão quando sabemos a regra: esse(s), essa(s), isso são pronomes usados para retomar termos únicos que já foram usados antes. E foi o que aconteceu no texto! “Há várias razões para quê? “Para que as mulheres intensifiquem sua participação no mercado de trabalho…”. Essa oração inteira foi retomada pelo anafórico isso. Logo, vamos assinalar a alternativa que está na letra “D”: “se prender a uma afirmação feita anteriormente”.

2.    O segmento do texto em que o vocábulo “mais” pertence a uma classe diferente das demais é

(A) “A questão acerca da aposentadoria das mulheres em condições mais benéficas…”. (B) “um dos maiores e mais antigos bancos do Brasil”.

(C) “Filhos estudam por mais tempo”.

(D) “recebem salários mais baixos”.

(E) “uma aposentadoria em idade mais jovem”.

Vejamos: quando os vocábulos: mais, muito, pouco, bastante se relacionam com adjetivos, advérbios e verbos, eles são classificados como advérbio de intensidade; já quando se remetem a substantivos, funcionam como pronome indefinido. Assim em: mais benéficas; mais antigos; mais baixos; mais jovem, o mais intensifica o valor do adjetivo, sendo, portanto classificado como advérbio de intensidade. O único lugar em que o mais é pronome indefinido é na letra “C”: mais tempo. Um grande abraço para todos vocês e até a próxima semana com nosso artigo e vídeos no Blog dos concursos.