Português Fácil

Fabiana Ferreira: Uma amostra do Cespe/UnB

Publicado por Thomaz Vieira, em 29.06.2015 às 10:00

Olá queridos leitores, devemos atentar para o modelo de prova do Cespe/Unb. Por ser um formato diferente, em que o candidato marca Certo e Errado depois de analisar as assertivas, alguns concurseiros acham a prova um tanto complicada. Sem falar que uma assertiva marcada inadequadamente anula outra que você acertou. O enfoque no tocante aos assuntos será o de sempre: uma prova baseada em textos, que explora a contribuição da estrutura gramatical para a compreensão e interpretação de textos. Então vejamos que contribuições principais serão essas:

1.   Em primeiro lugar “Os Pronomes” – nesse caso, não haverá simplesmente o reconhecimento destes como classe gramatical variável… e sim a análise de quem está funcionando como seu referente substantivo. Sabemos que o pronome ou acompanha ou substitui o nome (o substantivo), logo este será o seu referente. Vejamos alguns exemplos:

“Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. O pronome relativo “que” possui um referente ele é “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil”. Para sabermos quem é o referente do relativo, teremos que substituí-lo pelo seu antecedente, se houver coerência nesta substituição, eis o referente do pronome.

2.   Também é muito comum que se aborde a substituição de formas verbais de voz passiva analítica e por voz passiva sintética. Observe: “foi detectado o sumiço, entre 2002 e 2008, de uma área de caatinga com três vezes o tamanho do Distrito Federal.”. O Cespe nos indagou sobre a forma verbal que resultaria da equivalência entre as vozes do verbo. Substituímos, então, foi detectado o sumiço por detectou-se o sumiço; já que a voz verbal formada de verbo SER mais PARTICÍPIO será substituída sinteticamente por VERBO NA TERCEIRA PESSOA mais PARTÍCULA “SE” COMO APASSIVADORA.

3.   Cuidado com as “pegadinhas” que os elaboradores das questões fazem com a relação de explicação e restrição. Lembremo-nos de que, em orações adjetivas restritivas, não haverá a presença da vírgula, para separá-la do restante do período. Já a explicativa possuirá vírgulas, isolando-a completamente da oração principal. Vejamos um exemplo: “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. Já que o intuito da oração adjetiva foi de explicar o termo antecedente, as vírgulas, isolando-as foram obrigatórias.

Espero ter despertado a curiosidade de vocês em relação ao Cespe/Unb. Então vamos procurar questões dessa organizadora e até à aprovação! Um grande abraço e vejo vocês no próximo domingo.







Fabiana Ferreira: Coesão textual – vale a pena revisar

Publicado por Thomaz Vieira, em 22.06.2015 às 10:00

Olá, queridos concurseiros! Vamos hoje relembrar o assunto de coesão textual, enfocando uma questão da Fundação Getúlio Vargas. Essa organizadora está responsável por uma prova na área de educação requisitada pela Prefeitura do Recife. Focaremos bem a nomenclatura utilizada pela maioria das organizadoras quando se trata de coesão textual.

Vamos fazer algumas definições, por meio de tópicos, a fim de facilitar a nossa vida na hora da prova:

-  Coesão textual: Diz respeito aos mecanismos linguísticos, utilizados na superfície textual, permitindo uma sequência lógica entre as partes de um texto.

-  Elementos anafóricos: são termos que auxiliam na coesão textual, retomando palavras, expressões ou orações inteiras. Isso nos ajuda a dar progressão ao texto buscando, a não-repetição e a não-ambiguidade.

Os presidentes de vários países do mundo se reuniram nesta semana para tratar de assuntos do interesse das nações. Eles discutiram sobre economia, política e meio-ambiente.

-  Elementos catafóricos: são termos que também auxiliam na coesão textual, no entanto, neste caso, eles anunciam palavras, expressões ou orações inteiras que, logicamente, ainda serão ditas no texto.

Não aceito isto: preguiça!

-  Elementos dêiticos: São elementos textuais que nos situam no que diz respeito ao lugar e ao tempo em que o enunciado é produzido e à(s) pessoa(s) participante(s) das ações/estados do enunciado no texto. Tomemos como exemplo esta charge que nós já utilizamos antes para falar de outras questões: 

No segundo quadrinho temos um bom exemplo de dêixis espacial: Quando o peixe diz: Alguém colocou essa minhoca aí. Todo esse fragmento tem como objetivo principal dizer “onde” a minhoca está. Note que, no quadrinho 2 assim como no 3 o peixe ainda está distante da minhoca, nada mais esperado do que, então, o uso do pronome de segunda pessoa “Essa” e o uso do advérbio “aí”.

Um abraço enorme para todos e, para os que vão fazer provas da FGV, uma excelente prova e não deixem de acompanhar as novidades no Blog do Concursos.







[Fabiana Ferreira] Mais uma vez: Partícula SE

Publicado por Thomaz Vieira, em 8.06.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! Por perceber a recorrência no uso da partícula SE em nossas provas de concursos, pensei que seria bom retomarmos sua utilização, enfocando principalmente os aspectos de concordância verbal.

Vamos observar hoje o PRONOME “SE” – como partícula apassivadora e como índice de indeterminação do sujeito. Tais classificações serão decorrentes, na gramática normativa, do verbo com o qual o “SE” une-se. Quando a palavra “SE” se junta com verbos transitivos diretos (que pedem complemento sem preposição), a classificação do “SE” é: PARTÍCULA APASSIVADORA. Caso se junte com qualquer outro tipo de verbo, será classificada como ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. Vamos a alguns exemplos:

 

(1)  Viam-se, através da janela, alunos brincando no pátio.

(2)  Podem-se perceber as mudanças climáticas no decorrer dos anos.

Constata-se, nas frases (1) e (2), a ligação da partícula SE a verbos transitivos diretos – ver e perceber. Aparentemente, na frase (2), a partícula se vincula ao verbo poder, no entanto devemos relembrar que, se existe uma locução verbal, classificamos a partícula a partir da classificação do verbo principal. Se o pronome SE está ligado a verbos transitivos diretos, ele será classificado como PARTÍCULA APASSIVADORA. Constate ainda que o sujeito das orações, respectivamente, são ALUNOS e MUDANÇAS CLIMÁTICAS, por isso houve a concordância dos verbos no plural.

(3)  Deve-se acreditar em pessoas honestas.

(4)  Precisa-se de empregados competentes.

Nas frases (3) e (4), a vinculação do pronome SE ocorreu com os verbos acreditar e precisar, que são transitivos indiretos. Logo concluímos que se trata de ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. É importante ainda que observemos a concordância verbal: quando o SE é índice de indeterminação do sujeito, o verbo ao qual ele se liga tem que ficar na terceira pessoa do singular.

Busquemos exercícios sobre esse assunto durante a semana! Um grande abraço e até lá.







Fabiana Ferreira: Emprego dos pronomes relativos

Publicado por Thomaz Vieira, em 1.06.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, hoje – na Folha dos Concursos – vamos revisar o assunto de pronomes relativos, que, dada a sua importância, nunca é demais que o repitamos.  Ultimamente ele vem aparecendo muito nas nossas provas, portanto cuidemos de observá-lo com atenção

Vamos começar a pensar na definição de pronome relativo: é o pronome que liga duas orações, substituindo, na segunda oração, um termo já expresso na primeira. Observemos, na prática, como essa definição se materializa:

1.      Este é o melhor leite.

2.      Este leite contribui para a melhora da circulação.

3.      Este é o melhor leite, que contribui para a melhora da circulação.

Vemos, assim, que na frase (3) o pronome relativo que introduz a segunda oração, substituindo o termo leite já expresso na primeira oração. É importante que conheçamos todos os pronomes relativos: o qual (e flexões); cujo (e flexões); quanto (e flexões); onde; quem e que.

Sigamos passo a passo a utilização de cada pronome:

·         O relativo que é empregado para fazer referência a pessoa ou coisa:

O noticiário que vemos sempre divulgou a queda da inflação.

O empresário que reconhece nosso valor colhe o melhor dos seus funcionários.

·         O relativo quem é empregado para fazer referência apenas a pessoa; vem em geral precedido de preposição tendo um substantivo como seu antecedente:

O aluno em quem depositei confiança foi o vencedor do concurso.

·         O relativo cujo e suas flexões serve para articular dois termos – geralmente substantivos – que tenham entre si ideia de posse.

As fotos cujos negativos lhe enviei ficaram ótimas.

Obs. É comum que os gramáticos enfatizem a possibilidade de substituição de cujo… por do qual; de quem; de que, no entanto devemos levar em conta que eles estão referindo-se ao sentido e não à estrutura em si.

·         O relativo onde é empregado para resgatar nomes que nos dão ideia de lugar. Não devemos nos esquecer de que o onde indica permanência e o aonde, movimento.

O hotel onde nos hospedamos é excelente.

As praias aonde você vai são fantásticas

·         Usa-se quanto sempre precedido dos infinitivos tudo, todos, tantos…

Sua compreensão foi tudo quanto desejei naquela hora.

Um grande abraço e até o próximo domingo!!!







Fabiana Ferreira comenta acentuação gráfica

Publicado por Thomaz Vieira, em 25.05.2015 às 10:00

Olá, pessoal, é sempre muito bom tê-los todos os domingos no suplemento Concurso e Emprego e no Blog dos Concursos conosco. Hoje vamos relembrar um assunto que há muito discutimos: Acentuação Gráfica. Observemos as regras gerais de acentuação, que dizem:

  • São acentuadas as palavras oxítonas terminadas em –a, -e, -o, -em,  seguidas ou não de –s. Cajá – pajé – cipó – armazém – parabéns
  • São acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em –l, -n, -r, -x, -i, -is, -us, -ã, -ãs, -um, -uns, -ps e ditongo.

Fóssil – próton – revólver – tórax – biquíni – bônus – ímã – álbum – bíceps – bênção – glória – série – ópio – órgão

  • Todas as proparoxítonas são acentuadas.

Ônibus – cárcere – lâmpada – técnico – tópico

Visto isso, notamos o quão importantes são tais regras, no entanto, insuficientes para darmos conta da completude da acentuação das palavras. Sabendo disso, lançamos mão das regras especiais, dentre elas estão estas que julgamos as mais importantes de serem pontuadas:

  1. Monossílabos tônicos: são acentuados se terminarem em A, E, O (SEGUIDOS OU NÃO DE “S”).

Exemplo: pá, má, Jô, três, pró, ré…

  1. Semelhantemente, são acentuadas as formas verbais terminadas em A, E, O (TÔNICOS) seguidas dos pronomes LO, LA, LOS, LAS.

Amá-la; fazê-la; repô-la; compramo-los (sem acento porque o “o” não é tônico);

  1. Segundo o novo acordo, perderam o acento os hiatos formados por “OO” e “EE”. Nestes casos, residem, inclusive, os verbos: crer, dar, ler e ver no plural.

Creem, deem, leem, veem, enjoo, perdoo, abençoo, voo.

  1. Devemos ter muito cuidado com os verbos TER E VIR e seus derivados, pois acentuação deles pode ser diferencial, no caso dos primitivos e marcar sílaba tônica ao mesmo tempo que é presencial nos derivados.

Ele tem //Eles têm

Ele vem// Eles vêm

Derivados

Ele provém //Eles provêm

Ele detém//Eles detêm

  1. Regra dos ditongos abertos:

São acentuados os ditongos abertos éi, ói, éu, (seguidos ou não de s), desde que a palavra não seja paroxítona – essa foi uma condição do novo acordo ortográfico.

Assembleia, Ideia, Heroico, Herói, Chapéu, Mausoléu, Rói, Dói, Céu, Véu

  1. Regra dos hiatos: Acentua-se a vogal i ou u tônica dos hiatos, desde que ela esteja:

-  Sozinha na sílaba ou seguida de s;

-  Precedida de vogal – não idêntica;

-  Não seguida do dígrafo NH.

Ra-í-zes , Ta-ís, Sa-ú-de, Ba-ús

Um grande abraço e até o próximo domingo.







Fabiana Ferreira: “Regência e crase, dois assuntos que andam sempre juntos”

Publicado por Thomaz Vieira, em 11.05.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! Estamos mais uma vez aqui na Folha dos Concursos para conversar um pouco sobre assuntos que sempre aparecem nas nossas provas. Assuntos fáceis, mas que merecem nossa atenção e dedicação. Hoje, nosso foco será Regência e Crase. Esses são dois assuntos que sempre andam juntos. Vejamos a possibilidade de um verbo ou de um nome pedir um complemento regido pela preposição “A”; caso tal complemento seja representado por um nome feminino, este virá precedido de artigo -> Ocorrerá Crase na certa! Vejamos um exemplo:

Os professores visam A A formação integral dos alunos.

Quem visa, no sentido de querer, almejar, desejar, ter em vista, visa “A” alguma coisa; exige complemento regido pela preposição “A”; notemos que o substantivo formação é feminino, logo vem precedido de artigo. Então, se nós temos dois “as” a crase ocorrerá de maneira obrigatória. A oração então será:

Os professores visam À formação integral dos alunos.

É importante salientar que a crase não é um fenômeno exclusivamente proveniente da junção da preposição com o artigo. Podemos verificar a crase vinda do uso da preposição com o “A” ou “AS” iniciais dos pronomes relativos “A qual” e “AS quais”. Alguns exemplos desse caso são bem vindos:

“A lei A QUAL se referiu (A) já foi revogada.” Se o pronome relativo em questão é A QUAL e logo depois aparece a forma verbal “se referiu”, que exige a preposição “A”, esta preposição se desloca para antes do pronome relativo. Finalmente temos o seguinte resultado: “A lei À QUAL se referiu já foi revogada.”

Pertencentes a esse mesmo caso, teremos:

A vaga À QUAL aspiras é muito importante.

A novela À QUAL assistes conquistou os espectadores brasileiros.

As alunas ÀS QUAIS nos dirigimos conseguiram nota máxima na avaliação.

Espero que esses exemplos tenham-nos auxiliado na compreensão do assunto de crase. É sempre importante que vejamos: só houve a Crase porque os verbos dos exemplos exigiram a presença da preposição “A”. Um grande abraço para todos e eu os espero no próximo domingo com mais um artigo sobre o vasto universo da Língua Portuguesa. Até lá.







Fabiana Ferreira: Vamos relembrar os usos dos verbos

Publicado por Thomaz Vieira, em 3.05.2015 às 22:00

Olá, queridos leitores! Faz tempo que não conversamos sobre o uso dos verbos em Língua Portuguesa. Vamos observar hoje o comportamento de alguns verbos irregulares e defectivos principalmente:

Começaremos pelos irregulares que são aqueles que não seguem o paradigma verbal da conjugação a que pertencem. As irregularidades podem aparecer no radical – ouvir: ouço, ouves, ouve… − ou nas desinências – estar: estou, estás, está. Em seguida, podemos observar os defectivos que não possuem algumas formas verbais, tais como os verbos: abolir: eu Ø, tu aboles, ele abole, nós abolimos, vós abolis, eles abolem; falir: eu Ø, tu Ø, ele Ø, nós falimos, vós falis, eles Ø. Começamos por esses dois tipos verbais porque ambos produzem um efeito impactante na construção do presente do subjuntivo e consequentemente no imperativo. Já que o presente do subjuntivo é derivado da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, e nos verbos irregulares e defectivos temos problemas nessa forma especificamente, estes afetarão todas as formas de presente do subjuntivo. Então, olhe as tabelas:

Tabela 1

Verbo OUVIR no presente do indicativo

Verbo OUVIR no presente do subjuntivo

Eu ouço

Que eu ouça

Tu ouves

Que tu ouças

Ele ouve

Que ele ouça

Nós ouvimos

Que nós ouçamos

Vós ouvis

Que vós ouçais

Eles ouvem

Que eles ouçam

Tabela 2

Verbo ABOLIR no presente do indicativo

Verbo ABOLIR no presente do subjuntivo

Eu Ø

Eu Ø

Tu aboles

Tu Ø

Ele abole

Ele Ø

Nós abolimos

Nós Ø

Vós abolis

Vós Ø

Eles abolem

Eles Ø

Concluímos a partir da observação da primeira tabela que a irregularidade ocorrida na primeira pessoa do singular do presente do indicativo afetou todas as formas do presente do subjuntivo por meio do radical – ouç. Já na segunda tabela, pelo fato de a primeira pessoa do singular do presente do indicativo não existir, nada no presente do subjuntivo existirá. As ausências, constatadas nos verbos defectivos também afetarão as formas de imperativo. Vejamos:

Tabela 3

Imperativo negativo do verbo ABOLIR

Imperativo afirmativo do verbo ABOLIR

Não Ø tu

Abole tu

Não Ø você

Ø você

Não Ø nós

Ø nós

Não Ø vós

Aboli vós

Não Ø vocês

Ø vocês

                Como o imperativo negativo é a cópia fiel das formas de presente do subjuntivo, então, nele nada existirá também. Já no imperativo afirmativo, temos a transcrição das duas segundas pessoas do presente do indicativo sem o “S”. Sei que esses comentários introdutórios farão com que todos se dediquem mais à análise do subjuntivo e do imperativo. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira: Treinando concordância verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 27.04.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, com a alegria de sempre, escrevo para vocês hoje, tocando num assunto que é muito caro às organizadoras em geral: concordância verbal. Nesse relacionamento entre sujeito e verbo é muito importante enfatizar que haverá concordância em número e em pessoa sempre que o sujeito da oração estiver explícito… seguiremos então observando uma questão importante a fim de abordar algumas especificidades desse assunto:

1.   As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

(A) A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas manifestaram-se, no Brasil, como tímidos protestos.

(B) Devem-se concluir da frequência e da quantidade de mensagens emitidas por celular que os jovens americanos estão escrevendo como nunca.

(C) Segundo alguns especialistas, reserva-se às crianças que deixarem de aprender a letra cursiva indesejáveis surpresas quanto ao desempenho cognitivo.

(D) Não se imagine que ocorram, com o fim dos exercícios de caligrafia, segundo Roberto Lent, quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais.

(E) A alternativa entre retornar à caligrafia ou esquecê-la para sempre podem parecer drásticas, mas é o que se impõe no momento de definição dos currículos escolares.

A primeira regra que devemos observar é a regra geral: “O verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.”. E quem é, afinal, a parte do sujeito que temos que levar em consideração? O SEU NÚCLEO! Então observemos que, se o sujeito da oração na alternativa A é “A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas”, quem é o seu núcleo para que possamos concordar com ele? REPERCUSSÃO. Logo, temos que concordar o verbo pronominal “manifestar-se” no singular: “manifestou-se”.

Outro caso que merece nossa atenção é o caso do sujeito oracional que está associado à partícula SE. Neste caso, ela é partícula apassivadora, pois está ligada a uma locução verbal – “Devem-se concluir”, cujo verbo principal – concluir – é transitivo direto. Logo, concluímos que o sujeito está presente na oração e se isso ocorre, temos que concordar com ele. Mas, a propósito, quem é o sujeito? O que é que se deve concluir? “que os jovens americanos estão escrevendo como nunca”. O sujeito, que é o termo sobre o qual prestamos uma informação verbal, é representado por uma oração inteira. Logo o verbo da primeira oração tem que ficar na terceira pessoa do singular. Concluindo:

“que os jovens americanos estão escrevendo como nunca deve-se concluir”.

Na letra “C”, o sujeito está deslocado, mas me respondam: O que é que se reserva às crianças: surpresas! Na ordem direta, teremos: Surpresas reservam-se às crianças. (surpresas são reservadas).

Na letra “D”, que é a alternativa correta, temos: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais” como sendo o sujeito da oração: “Não se imagine”, por isso imagine ficou na terceira pessoa do singular. Mas dentro da oração: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais”, nós também temos um sujeito de um verbo, quem são eles? “quaisquer ônus” ocorram à sujeito no plural, verbo no plural!

E por fim, na letra E, “A alternativa… pode parecer…”, regra geral à sujeito no singular, verbo no singular. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira faz novas observações sobre a crase

Publicado por Thomaz Vieira, em 13.04.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! É sempre bom compartilhar com vocês essas maravilhas da Língua Portuguesa que, sempre, aparecem nos nossos concursos públicos, para os quais incessantemente nos preparamos. Vamos continuar nossa caminhada com mais uma questão de crase em que regras gerais e especiais serão abordadas:

“A parcela da população mundial que ascendeu …… classe média nos últimos vinte anos passou …… consumir mais, …… um ritmo acelerado, o que põe em risco a sustentabilidade do planeta.”

As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente, por:

(A) à – a – a

(B) à – à – a

(C) à – a – à

(D) a – a – à

(E) a – a – a

Vejamos que há duas hipóteses para a utilização do verbo ascender – que significa subir, alcançar, conseguir – ou ele se comporta como intransitivo, ou seja, não solicita complementos verbais, ou funciona como transitivo indireto, pedindo, assim, um objeto indireto regido pela preposição “A”. Garantimos, então, meio caminho para o fenômeno da crase. Quando olhamos para o termo regido – classe média – constatamos que ele é feminino singular e, claro está, que trará “à tira-colo” o artigo a necessário para fundir-se com a preposição, gerando a CRASE. à “…ascendeu À classe média…”.

No segundo espaço, quem apareceu foi o verbo passar na expressão verbal passou A consumir. Por que eu não pus o sinal indicativo de crase nesse A, porque: NÃO EXISTE CRASE DIANTE DE VERBO! Pela ausência de ARTIGO.

No último espaço, aconteceram duas coisas importantes para a não configuração do fenômeno da crase. Primeiro: ritmo é um substantivo masculino e NÃO HÁ CRASE DIANTE DE PALAVRA MASCULINA; segundo: mesmo que a palavra usada no termo regido fosse feminina, o artigo escolhido foi um artigo indefinido, não podendo haver artigo indefinido + artigo definido, é impossível que haja crase DIANTE DE ARTIGO INDEFINIDO NO SINGULAR OU NO PLURAL. A um ritmo acelerado. Logo concluímos que nossa resposta está na letra A.

Continuemos dando ênfase aos nossos estudos a fim de que nenhum concurso nos pegue desprevenidos. Um grande abraço e até domingo.







Fabiana Ferreira: outros aspectos da Redação de Correspondências Oficiais

Publicado por Thomaz Vieira, em 5.04.2015 às 15:00

Queridos leitores, espero que já tenham despertado para a necessidade de estudarem pouco a pouco o Manual de Redação da Presidência da República, pois é lá que aparecem alguns detalhes que envolvem a redação de expedientes oficiais. Trouxemos hoje mais algumas assertivas do Cespe/Unb para acrescentarmos comentários importantes sobre correspondências. Vejamos:

1) CESPE – 2012 – PC-AL

A redação da correspondência oficial deve se pautar pela correção gramatical e pelo uso de linguagem clara; por isso, expressões de cunho regional devem ser utilizadas em documentos expedidos pelo poder público.

Errado!

As comunicações oficiais são concebidas para ser de fácil e imediata compreensão por todo e qualquer cidadão brasileiro. Se necessitamos cumprir com esse pré-requisito a fim de não ferir a clareza e a impessoalidade característicos de tais expedientes, urge que evitemos o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. Sabemos que um texto que possui expressões de circulação restrita, como gírias, regionalismos vocabulares ou jargões profissionais tem sua compreensão prejudicada.

2) CESPE – 2011 – PC-ESs

Julgue os itens seguintes, acerca das correspondências oficiais.

Os adjetivos referidos aos pronomes de tratamento podem concordar com o gênero do interlocutor.

Certo!

Os adjetivos referidos aos pronomes de tratamento podem sim concordar com o gênero do interlocutor e não apenas com o próprio pronome de tratamento. No entanto é necessário que entendamos a existência da possibilidade que temos de concordar com tais pronomes – que são femininos. Assim, se o interlocutor for homem, por exemplo, é correto dizer: "Vossa Excelência está cansado"; ou ainda: "Vossa Excelência está cansada". O Manual nos orienta ainda sobre o seguinte aspecto: Se o aposto estiver explícito, somos obrigados a concordar com ele. “Sua Excelência, o Presidente, está interessado em propor a redação de uma Medida Provisória.” Vimos que interessado concordou com o Presidente.

3) CESPE – 2010 – TRT – 21ª Região (RN)

Memorando, ofício e aviso, expedientes da comunicação oficial que servem ao mesmo propósito funcional, são usados, geralmente, no padrão formal denominado "padrão ofício", em virtude de poderem adotar a mesma diagramação na distribuição das partes.

Errado!

Mesmo que tais documentos sejam redigidos respeitando o padrão ofício, eles não têm o mesmo propósito funcional. Por este último detalhe, a assertiva está errada.

Uma excelente Páscoa para todos e que vocês aproveitem os momentos livres para estudar Redação de Correspondências Oficiais. Um grande abraço e até a próxima.







Fabiana Ferreira: mais sobre correspondência oficial

Publicado por Thomaz Vieira, em 30.03.2015 às 10:00

Queridos leitores, voltamos hoje a falar sobre um assunto que vem aparecendo muito nos nossos concursos que é Redação de Correspondências Oficiais. As questões que vamos observar hoje são todas do Cespe/Unb e envolvem características dos expedientes oficiais tanto no que diz respeito à função quanto às características formais do texto. Vamos lá:

1.   Avisos destinados unicamente a encaminhar documentos devem ser iniciados com a referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se não tiver havido solicitação da remessa, deve constar no campo Assunto a expressão Sem solicitação prévia.

Errado!

Quando se vai meramente encaminhar documentos, a estrutura deve ser esta:

Devemos iniciar o texto fazendo referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, devemos iniciá-lo  abordando a motivação da comunicação (que é encaminhar documentos), indicando a seguir os dados completos do(s) documento(s) encaminhado(s) (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo encaminhado.

2.   A impessoalidade e o emprego do padrão culto de linguagem garantem a clareza textual, pois evitam que haja ambiguidade no texto.

Errado!

O grande vilão dessa assertiva é a forma verbal "garantem", já que a impessoalidade e o emprego do padrão culto de linguagem são características próprias dos expedientes oficiais, arroladas no Manual de Redação da Presidência da República. Tais características favorecem, é lógico, a clareza textual, no entanto jamais poderíamos garantir que, por seu emprego, o texto estaria livre de ambiguidade.

3.   CESPE – 2013 – TRT – 10ª REGIÃO (DF e TO) O emprego de linguagem simples e vocabulário acessível denota coloquialidade, razão por que deve ser evitado em correspondências oficiais.

Errado!

Linguagem simples e vocabulário acessível não implicam coloquialidade. Isso é bem oposto ao que entendemos como uma das características das Correspondências Oficiais, a clareza. Os textos para serem considerados claros necessitam de vocabulário simples e acessível, a não observância desse uso pode, inclusive, ferir o princípio da impessoalidade. O que a gramática entende como impessoal inclui uma linguagem utilizada no cotidiano, despreocupada com a observância das normas gramaticais.

Na próxima semana, terminaremos nossa série de questões envolvendo Redação de Correspondências Oficiais, buscando sempre assertivas que realmente nos suscitem algumas dúvidas. Um grande abraço a todos e até domingo!







Redação de correspondências oficiais: algumas questões do Cespe/UnB

Publicado por Thomaz Vieira, em 23.03.2015 às 10:00

Olá, queridos amigos concurseiros, é com muita alegria que volto a escrever sobre esse tema. Agora de uma forma diferente, pois partiremos de algumas assertivas propostas em provas realizadas pelo Cespe/UnB para pensarmos um pouquinho sobre esta temática que está a cada dia mais evidente em nossos certames.

Vamos começar:

1.    Os documentos do padrão ofício têm por finalidade exclusiva estabelecer comunicação de temas oficiais de forma eminentemente interna a um órgão público, primando pela agilidade e objetividade no trato de suas matérias.

Vejamos que no padrão ofício temos a inclusão de vários documentos, tais como – o próprio ofício, o memorando, a exposição de motivos – mas precisamos ver que a assertiva é errada, pois a característica de ser de circulação eminentemente interna pertence ao memorando.

2.    Julgue os itens seguintes, acerca das correspondências oficiais: O documento utilizado por ministro de Estado que desejar convidar outro ministro para a mesa de abertura de um seminário é a mensagem.

Assertiva errada, pois a correspondência adequada para esse fim seria o aviso.

3.    Caso o chefe do setor de comunicação social de uma autarquia federal vinculada a determinado ministério queira comunicar-se com o ministro de Estado respectivo, para tratar de assunto de interesse público, o documento oficial a ser por ele utilizado para esse fim será a mensagem, cujo fecho deverá conter a expressão Respeitosamente, por se dirigir a autoridade hierarquicamente superior.

A descrição sobre o uso do termo Respeitosamente está correta. O erro da questão consiste em dizer que a mensagem seria o instrumento adequado para a comunicação entre o chefe de comunicação social da autarquia e o Ministro de Estado, no lugar de ressaltar que o expediente adequado para esse fim seria o OFÍCIO.

É importante salientar que “Mensagem” é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos; principalmente quando se trata do Chefe do Poder Executivo ao chefe do Poder Legislativo para informar sobre fato da Administração Pública;

Um grande abraço a todos e tenham uma excelente semana. Até domingo!







Fabiana Ferreira fala sobre pontuação

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.03.2015 às 08:00

Queridos leitores, o assunto de pontuação está sempre presente em nossas provas de concursos. É importante observarmos tal assunto mesmo quando o nome dele não aparecer explicitamente no enunciado, como ocorre parcialmente na seguinte questão que mescla interpretação textual e pontuação.

 

(TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.
 
Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:
 
(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.
(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências. 
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.
 

Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”.

Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… estruturalmente essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.

Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo...) está dando idéia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências).  Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Se pensarmos que o uso da vírgula é obrigatório depois de “Catar”, concluiremos que não, pois só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.

Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE.

Tenham todos um excelente domingo e aproveitem para estudar um pouquinho!







Fabiana Ferreira: “Revisitando a partícula SE”

Publicado por Thomaz Vieira, em 9.03.2015 às 08:00

Olá, queridos leitores. Teremos muito prazer de reforçar hoje uma norma muito importante de concordância verbal que eu coloquei em um dos meus vídeos do Português Mastigado – na Folha dos Concursos. Essa norma se refere ao uso da partícula SE como PARTÍCULA APASSIVADORA ou ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. No primeiro caso, precisamos fazer uma retrospectiva sobre vozes verbais que nos afirma categoricamente que só aceitam voz passiva os verbos transitivos diretos.

Tendo em vista essa informação, afirmemos que a partícula SE será apassivadora quando se ligar a verbos transitivos diretos. Reflitamos: o termo que exerce função sintática de OBJETO DIRETO na voz ativa, com a soma da partícula SE ao verbo transitivo direto, passa a ser SUJEITO, que é o guia para a nossa concordância verbal.

Exemplo:

 

VERBO

OBJETO DIRETO

Fizeram

os exercícios de Língua Portuguesa

VERBO

SUJEITO

Fizeram-se

os exercícios de Língua Portuguesa

 

Lembre-se de que, se a partícula SE estiver ligada a uma locução verbal, diremos qual é a função do SE observando a transitividade do verbo principal. Exemplo: Podem-se calcular as médias dos alunos de forma ponderada. Quem é a locução verbal? PODEM-SE CALCULAR. O verbo principal é o segundo, logo, se este é transitivo direto, ou seja, pede complemento sem preposição, a partícula SE será chamada de PARTÍCULA APASSIVADORA.

Percebe-se claramente, agora, que, se o verbo ao qual a partícula SE está ligada não é transitivo direto, esta será chamada de ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. Portanto o verbo ficará obrigatoriamente na terceira pessoa do singular. Veja: Aqui, acredita-se em discos voadores. Necessita-se do auxílio de todos. Confia-se em pessoas honestas. ACREDITAR, NECESSITAR E CONFIAR são verbos transitivos indiretos, sendo assim, o SE que se ligou a eles será chamado de índice de indeterminação do sujeito, por isso os verbos ficaram na terceira pessoa do singular. Vamos fazer um teste com locução verbal: Deve-se acreditar em pessoas honestas. Nesse caso, a partícula SE ligou-se a uma locução com verbo principal transitivo indireto, por isso o SE é índice de indeterminação do sujeito e o verbo auxiliar ficou na terceira pessoa do singular. Vejamos a razão pela qual o verbo fica na terceira pessoa do singular caso se ligue à partícula SE como índice de indeterminação do sujeito: o sujeito nesta oração é indeterminado, sabe-se que existe alguém que pratica a ação verbal, mas já que este termo não aparece na oração, não temos com quem concordar, por isso o verbo fica inflexível (na terceira pessoa do singular). Lembremo-nos que, nesses casos, o verbo está na voz ativa.

Podemos transpor para a voz passiva, excepcionalmente, os verbos OBEDECER E DESOBEDECER que são transitivos indiretos e os verbos PAGAR E PERDOAR mesmo quando são usados como transitivos indiretos.

Na voz ativa: Nós obedecemos aos sinais de trânsito. Na voz passiva: Os sinais de trânsito são obedecidos por nós. Vejamos que, para que houvesse a transposição, tivemos que retirar a preposição A do objeto indireto.

Mais uma coisa: mesmo que os verbos TER e HAVER sejam transitivos diretos, eles não aceitam a transposição para a voz passiva.

Vamos treinando concordância verbal! Um grande abraço e até domingo.







Regência, exercício da predicação verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 2.03.2015 às 08:00

Olá, queridos leitores! Em mais um artigo de nossa coluna semanal, trazemos o assunto de Regência verbal. Esse tópico da gramática que nos leva a pensar a relação entre o verbo e a natureza dos seus potenciais complementos é seguro em todas as provas. Vamos, hoje, então, observar uma questão de regência para que possamos entender que nem sempre fórmulas prontas conseguem contemplar a completude desse assunto.

1.   … onde elas gozam de maior liberdade de escolha

 

A mesma relação entre verbo e complemento, grifados acima, está em:

(A) … que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação.

(B) … que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas.

(C) … que lidem com pessoas …

(D) … e permanecem minoritárias na engenharia.

(E) … as mulheres seriam mais felizes …

Observemos que o verbo “gozar” na frase …gozam de maior liberdade de escolha… foi usado como um verbo transitivo indireto. Devemos recordar-nos de que a trasitividade é contextual, temos que observar como a forma verbal foi usada numa dada oração, especificamente. Então, o que estamos procurando? Entre as alternativas temos que encontrar um verbo transitivo indireto – que, como sabemos, é aquele que nos pede complemento regido de preposição. Vamos analisar letra a letra:

a)   “…as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto…” A forma verbal “eram” está funcionando como mediadora entre o sujeito da oração (as diferenças de comportamento entre os sexos) e o predicativo do sujeito (fruto de educação ou de discriminação). Se o verbo SER não se comporta como significativo, e liga sujeito a predicativo, é classificado como VERBO DE LIGAÇÃO.

b)   Já na letra B, o verbo “haver”, no sentido de “existir”, funciona como verbo transitivo direto (pede complemento sem a presença de uma preposição) – cujo complemento é “diferenças biológicas”.

c)   Nossa resposta está na letra “C”, já que o verbo “lidar” pediu complemento regido pela preposição COM (com pessoas). Não nos importa que o complemento exija uma preposição diferente, o que importa é: pede complemento com preposição.

d)   Tanto a letra D quanto a letra E, trazem consigo verbos de ligação: o verbo “permanecer” e o verbo “ser” ligam o predicativo ao sujeito da oração. Quero aproveitar para reforçar justamente isso: verbo de ligação liga o sujeito ao seu predicativo. Se o termo que vem depois do verbo, tido supostamente como de ligação, for um adjunto adverbial, o verbo passa a ser classificado como intransitivo. Vejamos: “O homem está triste.” à “O homem” é sujeito; “estar” é verbo de ligação, porque “triste” é predicativo do sujeito. Mas, na frase, “O homem está no hospital.” à “O homem” continua sujeito; no entanto o verbo “estar” passa a ser classificado como intransitivo, porque veio seguido de adjunto adverbial de lugar (adjunto adverbial de lugar).

Um excelente final de semana para todos e força nos estudos!