Português Fácil

Fabiana Ferreira: “Regência e crase, dois assuntos que andam sempre juntos”

Publicado por Thomaz Vieira, em 11.05.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! Estamos mais uma vez aqui na Folha dos Concursos para conversar um pouco sobre assuntos que sempre aparecem nas nossas provas. Assuntos fáceis, mas que merecem nossa atenção e dedicação. Hoje, nosso foco será Regência e Crase. Esses são dois assuntos que sempre andam juntos. Vejamos a possibilidade de um verbo ou de um nome pedir um complemento regido pela preposição “A”; caso tal complemento seja representado por um nome feminino, este virá precedido de artigo -> Ocorrerá Crase na certa! Vejamos um exemplo:

Os professores visam A A formação integral dos alunos.

Quem visa, no sentido de querer, almejar, desejar, ter em vista, visa “A” alguma coisa; exige complemento regido pela preposição “A”; notemos que o substantivo formação é feminino, logo vem precedido de artigo. Então, se nós temos dois “as” a crase ocorrerá de maneira obrigatória. A oração então será:

Os professores visam À formação integral dos alunos.

É importante salientar que a crase não é um fenômeno exclusivamente proveniente da junção da preposição com o artigo. Podemos verificar a crase vinda do uso da preposição com o “A” ou “AS” iniciais dos pronomes relativos “A qual” e “AS quais”. Alguns exemplos desse caso são bem vindos:

“A lei A QUAL se referiu (A) já foi revogada.” Se o pronome relativo em questão é A QUAL e logo depois aparece a forma verbal “se referiu”, que exige a preposição “A”, esta preposição se desloca para antes do pronome relativo. Finalmente temos o seguinte resultado: “A lei À QUAL se referiu já foi revogada.”

Pertencentes a esse mesmo caso, teremos:

A vaga À QUAL aspiras é muito importante.

A novela À QUAL assistes conquistou os espectadores brasileiros.

As alunas ÀS QUAIS nos dirigimos conseguiram nota máxima na avaliação.

Espero que esses exemplos tenham-nos auxiliado na compreensão do assunto de crase. É sempre importante que vejamos: só houve a Crase porque os verbos dos exemplos exigiram a presença da preposição “A”. Um grande abraço para todos e eu os espero no próximo domingo com mais um artigo sobre o vasto universo da Língua Portuguesa. Até lá.







Fabiana Ferreira: Vamos relembrar os usos dos verbos

Publicado por Thomaz Vieira, em 3.05.2015 às 22:00

Olá, queridos leitores! Faz tempo que não conversamos sobre o uso dos verbos em Língua Portuguesa. Vamos observar hoje o comportamento de alguns verbos irregulares e defectivos principalmente:

Começaremos pelos irregulares que são aqueles que não seguem o paradigma verbal da conjugação a que pertencem. As irregularidades podem aparecer no radical – ouvir: ouço, ouves, ouve… − ou nas desinências – estar: estou, estás, está. Em seguida, podemos observar os defectivos que não possuem algumas formas verbais, tais como os verbos: abolir: eu Ø, tu aboles, ele abole, nós abolimos, vós abolis, eles abolem; falir: eu Ø, tu Ø, ele Ø, nós falimos, vós falis, eles Ø. Começamos por esses dois tipos verbais porque ambos produzem um efeito impactante na construção do presente do subjuntivo e consequentemente no imperativo. Já que o presente do subjuntivo é derivado da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, e nos verbos irregulares e defectivos temos problemas nessa forma especificamente, estes afetarão todas as formas de presente do subjuntivo. Então, olhe as tabelas:

Tabela 1

Verbo OUVIR no presente do indicativo

Verbo OUVIR no presente do subjuntivo

Eu ouço

Que eu ouça

Tu ouves

Que tu ouças

Ele ouve

Que ele ouça

Nós ouvimos

Que nós ouçamos

Vós ouvis

Que vós ouçais

Eles ouvem

Que eles ouçam

Tabela 2

Verbo ABOLIR no presente do indicativo

Verbo ABOLIR no presente do subjuntivo

Eu Ø

Eu Ø

Tu aboles

Tu Ø

Ele abole

Ele Ø

Nós abolimos

Nós Ø

Vós abolis

Vós Ø

Eles abolem

Eles Ø

Concluímos a partir da observação da primeira tabela que a irregularidade ocorrida na primeira pessoa do singular do presente do indicativo afetou todas as formas do presente do subjuntivo por meio do radical – ouç. Já na segunda tabela, pelo fato de a primeira pessoa do singular do presente do indicativo não existir, nada no presente do subjuntivo existirá. As ausências, constatadas nos verbos defectivos também afetarão as formas de imperativo. Vejamos:

Tabela 3

Imperativo negativo do verbo ABOLIR

Imperativo afirmativo do verbo ABOLIR

Não Ø tu

Abole tu

Não Ø você

Ø você

Não Ø nós

Ø nós

Não Ø vós

Aboli vós

Não Ø vocês

Ø vocês

                Como o imperativo negativo é a cópia fiel das formas de presente do subjuntivo, então, nele nada existirá também. Já no imperativo afirmativo, temos a transcrição das duas segundas pessoas do presente do indicativo sem o “S”. Sei que esses comentários introdutórios farão com que todos se dediquem mais à análise do subjuntivo e do imperativo. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira: Treinando concordância verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 27.04.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, com a alegria de sempre, escrevo para vocês hoje, tocando num assunto que é muito caro às organizadoras em geral: concordância verbal. Nesse relacionamento entre sujeito e verbo é muito importante enfatizar que haverá concordância em número e em pessoa sempre que o sujeito da oração estiver explícito… seguiremos então observando uma questão importante a fim de abordar algumas especificidades desse assunto:

1.   As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

(A) A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas manifestaram-se, no Brasil, como tímidos protestos.

(B) Devem-se concluir da frequência e da quantidade de mensagens emitidas por celular que os jovens americanos estão escrevendo como nunca.

(C) Segundo alguns especialistas, reserva-se às crianças que deixarem de aprender a letra cursiva indesejáveis surpresas quanto ao desempenho cognitivo.

(D) Não se imagine que ocorram, com o fim dos exercícios de caligrafia, segundo Roberto Lent, quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais.

(E) A alternativa entre retornar à caligrafia ou esquecê-la para sempre podem parecer drásticas, mas é o que se impõe no momento de definição dos currículos escolares.

A primeira regra que devemos observar é a regra geral: “O verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.”. E quem é, afinal, a parte do sujeito que temos que levar em consideração? O SEU NÚCLEO! Então observemos que, se o sujeito da oração na alternativa A é “A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas”, quem é o seu núcleo para que possamos concordar com ele? REPERCUSSÃO. Logo, temos que concordar o verbo pronominal “manifestar-se” no singular: “manifestou-se”.

Outro caso que merece nossa atenção é o caso do sujeito oracional que está associado à partícula SE. Neste caso, ela é partícula apassivadora, pois está ligada a uma locução verbal – “Devem-se concluir”, cujo verbo principal – concluir – é transitivo direto. Logo, concluímos que o sujeito está presente na oração e se isso ocorre, temos que concordar com ele. Mas, a propósito, quem é o sujeito? O que é que se deve concluir? “que os jovens americanos estão escrevendo como nunca”. O sujeito, que é o termo sobre o qual prestamos uma informação verbal, é representado por uma oração inteira. Logo o verbo da primeira oração tem que ficar na terceira pessoa do singular. Concluindo:

“que os jovens americanos estão escrevendo como nunca deve-se concluir”.

Na letra “C”, o sujeito está deslocado, mas me respondam: O que é que se reserva às crianças: surpresas! Na ordem direta, teremos: Surpresas reservam-se às crianças. (surpresas são reservadas).

Na letra “D”, que é a alternativa correta, temos: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais” como sendo o sujeito da oração: “Não se imagine”, por isso imagine ficou na terceira pessoa do singular. Mas dentro da oração: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais”, nós também temos um sujeito de um verbo, quem são eles? “quaisquer ônus” ocorram à sujeito no plural, verbo no plural!

E por fim, na letra E, “A alternativa… pode parecer…”, regra geral à sujeito no singular, verbo no singular. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira faz novas observações sobre a crase

Publicado por Thomaz Vieira, em 13.04.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! É sempre bom compartilhar com vocês essas maravilhas da Língua Portuguesa que, sempre, aparecem nos nossos concursos públicos, para os quais incessantemente nos preparamos. Vamos continuar nossa caminhada com mais uma questão de crase em que regras gerais e especiais serão abordadas:

“A parcela da população mundial que ascendeu …… classe média nos últimos vinte anos passou …… consumir mais, …… um ritmo acelerado, o que põe em risco a sustentabilidade do planeta.”

As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente, por:

(A) à – a – a

(B) à – à – a

(C) à – a – à

(D) a – a – à

(E) a – a – a

Vejamos que há duas hipóteses para a utilização do verbo ascender – que significa subir, alcançar, conseguir – ou ele se comporta como intransitivo, ou seja, não solicita complementos verbais, ou funciona como transitivo indireto, pedindo, assim, um objeto indireto regido pela preposição “A”. Garantimos, então, meio caminho para o fenômeno da crase. Quando olhamos para o termo regido – classe média – constatamos que ele é feminino singular e, claro está, que trará “à tira-colo” o artigo a necessário para fundir-se com a preposição, gerando a CRASE. à “…ascendeu À classe média…”.

No segundo espaço, quem apareceu foi o verbo passar na expressão verbal passou A consumir. Por que eu não pus o sinal indicativo de crase nesse A, porque: NÃO EXISTE CRASE DIANTE DE VERBO! Pela ausência de ARTIGO.

No último espaço, aconteceram duas coisas importantes para a não configuração do fenômeno da crase. Primeiro: ritmo é um substantivo masculino e NÃO HÁ CRASE DIANTE DE PALAVRA MASCULINA; segundo: mesmo que a palavra usada no termo regido fosse feminina, o artigo escolhido foi um artigo indefinido, não podendo haver artigo indefinido + artigo definido, é impossível que haja crase DIANTE DE ARTIGO INDEFINIDO NO SINGULAR OU NO PLURAL. A um ritmo acelerado. Logo concluímos que nossa resposta está na letra A.

Continuemos dando ênfase aos nossos estudos a fim de que nenhum concurso nos pegue desprevenidos. Um grande abraço e até domingo.







Fabiana Ferreira: outros aspectos da Redação de Correspondências Oficiais

Publicado por Thomaz Vieira, em 5.04.2015 às 15:00

Queridos leitores, espero que já tenham despertado para a necessidade de estudarem pouco a pouco o Manual de Redação da Presidência da República, pois é lá que aparecem alguns detalhes que envolvem a redação de expedientes oficiais. Trouxemos hoje mais algumas assertivas do Cespe/Unb para acrescentarmos comentários importantes sobre correspondências. Vejamos:

1) CESPE – 2012 – PC-AL

A redação da correspondência oficial deve se pautar pela correção gramatical e pelo uso de linguagem clara; por isso, expressões de cunho regional devem ser utilizadas em documentos expedidos pelo poder público.

Errado!

As comunicações oficiais são concebidas para ser de fácil e imediata compreensão por todo e qualquer cidadão brasileiro. Se necessitamos cumprir com esse pré-requisito a fim de não ferir a clareza e a impessoalidade característicos de tais expedientes, urge que evitemos o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. Sabemos que um texto que possui expressões de circulação restrita, como gírias, regionalismos vocabulares ou jargões profissionais tem sua compreensão prejudicada.

2) CESPE – 2011 – PC-ESs

Julgue os itens seguintes, acerca das correspondências oficiais.

Os adjetivos referidos aos pronomes de tratamento podem concordar com o gênero do interlocutor.

Certo!

Os adjetivos referidos aos pronomes de tratamento podem sim concordar com o gênero do interlocutor e não apenas com o próprio pronome de tratamento. No entanto é necessário que entendamos a existência da possibilidade que temos de concordar com tais pronomes – que são femininos. Assim, se o interlocutor for homem, por exemplo, é correto dizer: "Vossa Excelência está cansado"; ou ainda: "Vossa Excelência está cansada". O Manual nos orienta ainda sobre o seguinte aspecto: Se o aposto estiver explícito, somos obrigados a concordar com ele. “Sua Excelência, o Presidente, está interessado em propor a redação de uma Medida Provisória.” Vimos que interessado concordou com o Presidente.

3) CESPE – 2010 – TRT – 21ª Região (RN)

Memorando, ofício e aviso, expedientes da comunicação oficial que servem ao mesmo propósito funcional, são usados, geralmente, no padrão formal denominado "padrão ofício", em virtude de poderem adotar a mesma diagramação na distribuição das partes.

Errado!

Mesmo que tais documentos sejam redigidos respeitando o padrão ofício, eles não têm o mesmo propósito funcional. Por este último detalhe, a assertiva está errada.

Uma excelente Páscoa para todos e que vocês aproveitem os momentos livres para estudar Redação de Correspondências Oficiais. Um grande abraço e até a próxima.







Fabiana Ferreira: mais sobre correspondência oficial

Publicado por Thomaz Vieira, em 30.03.2015 às 10:00

Queridos leitores, voltamos hoje a falar sobre um assunto que vem aparecendo muito nos nossos concursos que é Redação de Correspondências Oficiais. As questões que vamos observar hoje são todas do Cespe/Unb e envolvem características dos expedientes oficiais tanto no que diz respeito à função quanto às características formais do texto. Vamos lá:

1.   Avisos destinados unicamente a encaminhar documentos devem ser iniciados com a referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se não tiver havido solicitação da remessa, deve constar no campo Assunto a expressão Sem solicitação prévia.

Errado!

Quando se vai meramente encaminhar documentos, a estrutura deve ser esta:

Devemos iniciar o texto fazendo referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, devemos iniciá-lo  abordando a motivação da comunicação (que é encaminhar documentos), indicando a seguir os dados completos do(s) documento(s) encaminhado(s) (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual está sendo encaminhado.

2.   A impessoalidade e o emprego do padrão culto de linguagem garantem a clareza textual, pois evitam que haja ambiguidade no texto.

Errado!

O grande vilão dessa assertiva é a forma verbal "garantem", já que a impessoalidade e o emprego do padrão culto de linguagem são características próprias dos expedientes oficiais, arroladas no Manual de Redação da Presidência da República. Tais características favorecem, é lógico, a clareza textual, no entanto jamais poderíamos garantir que, por seu emprego, o texto estaria livre de ambiguidade.

3.   CESPE – 2013 – TRT – 10ª REGIÃO (DF e TO) O emprego de linguagem simples e vocabulário acessível denota coloquialidade, razão por que deve ser evitado em correspondências oficiais.

Errado!

Linguagem simples e vocabulário acessível não implicam coloquialidade. Isso é bem oposto ao que entendemos como uma das características das Correspondências Oficiais, a clareza. Os textos para serem considerados claros necessitam de vocabulário simples e acessível, a não observância desse uso pode, inclusive, ferir o princípio da impessoalidade. O que a gramática entende como impessoal inclui uma linguagem utilizada no cotidiano, despreocupada com a observância das normas gramaticais.

Na próxima semana, terminaremos nossa série de questões envolvendo Redação de Correspondências Oficiais, buscando sempre assertivas que realmente nos suscitem algumas dúvidas. Um grande abraço a todos e até domingo!







Redação de correspondências oficiais: algumas questões do Cespe/UnB

Publicado por Thomaz Vieira, em 23.03.2015 às 10:00

Olá, queridos amigos concurseiros, é com muita alegria que volto a escrever sobre esse tema. Agora de uma forma diferente, pois partiremos de algumas assertivas propostas em provas realizadas pelo Cespe/UnB para pensarmos um pouquinho sobre esta temática que está a cada dia mais evidente em nossos certames.

Vamos começar:

1.    Os documentos do padrão ofício têm por finalidade exclusiva estabelecer comunicação de temas oficiais de forma eminentemente interna a um órgão público, primando pela agilidade e objetividade no trato de suas matérias.

Vejamos que no padrão ofício temos a inclusão de vários documentos, tais como – o próprio ofício, o memorando, a exposição de motivos – mas precisamos ver que a assertiva é errada, pois a característica de ser de circulação eminentemente interna pertence ao memorando.

2.    Julgue os itens seguintes, acerca das correspondências oficiais: O documento utilizado por ministro de Estado que desejar convidar outro ministro para a mesa de abertura de um seminário é a mensagem.

Assertiva errada, pois a correspondência adequada para esse fim seria o aviso.

3.    Caso o chefe do setor de comunicação social de uma autarquia federal vinculada a determinado ministério queira comunicar-se com o ministro de Estado respectivo, para tratar de assunto de interesse público, o documento oficial a ser por ele utilizado para esse fim será a mensagem, cujo fecho deverá conter a expressão Respeitosamente, por se dirigir a autoridade hierarquicamente superior.

A descrição sobre o uso do termo Respeitosamente está correta. O erro da questão consiste em dizer que a mensagem seria o instrumento adequado para a comunicação entre o chefe de comunicação social da autarquia e o Ministro de Estado, no lugar de ressaltar que o expediente adequado para esse fim seria o OFÍCIO.

É importante salientar que “Mensagem” é o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos; principalmente quando se trata do Chefe do Poder Executivo ao chefe do Poder Legislativo para informar sobre fato da Administração Pública;

Um grande abraço a todos e tenham uma excelente semana. Até domingo!







Fabiana Ferreira fala sobre pontuação

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.03.2015 às 08:00

Queridos leitores, o assunto de pontuação está sempre presente em nossas provas de concursos. É importante observarmos tal assunto mesmo quando o nome dele não aparecer explicitamente no enunciado, como ocorre parcialmente na seguinte questão que mescla interpretação textual e pontuação.

 

(TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.
 
Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:
 
(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.
(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências. 
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.
 

Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”.

Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… estruturalmente essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.

Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo...) está dando idéia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências).  Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Se pensarmos que o uso da vírgula é obrigatório depois de “Catar”, concluiremos que não, pois só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.

Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE.

Tenham todos um excelente domingo e aproveitem para estudar um pouquinho!







Fabiana Ferreira: “Revisitando a partícula SE”

Publicado por Thomaz Vieira, em 9.03.2015 às 08:00

Olá, queridos leitores. Teremos muito prazer de reforçar hoje uma norma muito importante de concordância verbal que eu coloquei em um dos meus vídeos do Português Mastigado – na Folha dos Concursos. Essa norma se refere ao uso da partícula SE como PARTÍCULA APASSIVADORA ou ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. No primeiro caso, precisamos fazer uma retrospectiva sobre vozes verbais que nos afirma categoricamente que só aceitam voz passiva os verbos transitivos diretos.

Tendo em vista essa informação, afirmemos que a partícula SE será apassivadora quando se ligar a verbos transitivos diretos. Reflitamos: o termo que exerce função sintática de OBJETO DIRETO na voz ativa, com a soma da partícula SE ao verbo transitivo direto, passa a ser SUJEITO, que é o guia para a nossa concordância verbal.

Exemplo:

 

VERBO

OBJETO DIRETO

Fizeram

os exercícios de Língua Portuguesa

VERBO

SUJEITO

Fizeram-se

os exercícios de Língua Portuguesa

 

Lembre-se de que, se a partícula SE estiver ligada a uma locução verbal, diremos qual é a função do SE observando a transitividade do verbo principal. Exemplo: Podem-se calcular as médias dos alunos de forma ponderada. Quem é a locução verbal? PODEM-SE CALCULAR. O verbo principal é o segundo, logo, se este é transitivo direto, ou seja, pede complemento sem preposição, a partícula SE será chamada de PARTÍCULA APASSIVADORA.

Percebe-se claramente, agora, que, se o verbo ao qual a partícula SE está ligada não é transitivo direto, esta será chamada de ÍNDICE DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. Portanto o verbo ficará obrigatoriamente na terceira pessoa do singular. Veja: Aqui, acredita-se em discos voadores. Necessita-se do auxílio de todos. Confia-se em pessoas honestas. ACREDITAR, NECESSITAR E CONFIAR são verbos transitivos indiretos, sendo assim, o SE que se ligou a eles será chamado de índice de indeterminação do sujeito, por isso os verbos ficaram na terceira pessoa do singular. Vamos fazer um teste com locução verbal: Deve-se acreditar em pessoas honestas. Nesse caso, a partícula SE ligou-se a uma locução com verbo principal transitivo indireto, por isso o SE é índice de indeterminação do sujeito e o verbo auxiliar ficou na terceira pessoa do singular. Vejamos a razão pela qual o verbo fica na terceira pessoa do singular caso se ligue à partícula SE como índice de indeterminação do sujeito: o sujeito nesta oração é indeterminado, sabe-se que existe alguém que pratica a ação verbal, mas já que este termo não aparece na oração, não temos com quem concordar, por isso o verbo fica inflexível (na terceira pessoa do singular). Lembremo-nos que, nesses casos, o verbo está na voz ativa.

Podemos transpor para a voz passiva, excepcionalmente, os verbos OBEDECER E DESOBEDECER que são transitivos indiretos e os verbos PAGAR E PERDOAR mesmo quando são usados como transitivos indiretos.

Na voz ativa: Nós obedecemos aos sinais de trânsito. Na voz passiva: Os sinais de trânsito são obedecidos por nós. Vejamos que, para que houvesse a transposição, tivemos que retirar a preposição A do objeto indireto.

Mais uma coisa: mesmo que os verbos TER e HAVER sejam transitivos diretos, eles não aceitam a transposição para a voz passiva.

Vamos treinando concordância verbal! Um grande abraço e até domingo.







Regência, exercício da predicação verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 2.03.2015 às 08:00

Olá, queridos leitores! Em mais um artigo de nossa coluna semanal, trazemos o assunto de Regência verbal. Esse tópico da gramática que nos leva a pensar a relação entre o verbo e a natureza dos seus potenciais complementos é seguro em todas as provas. Vamos, hoje, então, observar uma questão de regência para que possamos entender que nem sempre fórmulas prontas conseguem contemplar a completude desse assunto.

1.   … onde elas gozam de maior liberdade de escolha

 

A mesma relação entre verbo e complemento, grifados acima, está em:

(A) … que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação.

(B) … que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas.

(C) … que lidem com pessoas …

(D) … e permanecem minoritárias na engenharia.

(E) … as mulheres seriam mais felizes …

Observemos que o verbo “gozar” na frase …gozam de maior liberdade de escolha… foi usado como um verbo transitivo indireto. Devemos recordar-nos de que a trasitividade é contextual, temos que observar como a forma verbal foi usada numa dada oração, especificamente. Então, o que estamos procurando? Entre as alternativas temos que encontrar um verbo transitivo indireto – que, como sabemos, é aquele que nos pede complemento regido de preposição. Vamos analisar letra a letra:

a)   “…as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto…” A forma verbal “eram” está funcionando como mediadora entre o sujeito da oração (as diferenças de comportamento entre os sexos) e o predicativo do sujeito (fruto de educação ou de discriminação). Se o verbo SER não se comporta como significativo, e liga sujeito a predicativo, é classificado como VERBO DE LIGAÇÃO.

b)   Já na letra B, o verbo “haver”, no sentido de “existir”, funciona como verbo transitivo direto (pede complemento sem a presença de uma preposição) – cujo complemento é “diferenças biológicas”.

c)   Nossa resposta está na letra “C”, já que o verbo “lidar” pediu complemento regido pela preposição COM (com pessoas). Não nos importa que o complemento exija uma preposição diferente, o que importa é: pede complemento com preposição.

d)   Tanto a letra D quanto a letra E, trazem consigo verbos de ligação: o verbo “permanecer” e o verbo “ser” ligam o predicativo ao sujeito da oração. Quero aproveitar para reforçar justamente isso: verbo de ligação liga o sujeito ao seu predicativo. Se o termo que vem depois do verbo, tido supostamente como de ligação, for um adjunto adverbial, o verbo passa a ser classificado como intransitivo. Vejamos: “O homem está triste.” à “O homem” é sujeito; “estar” é verbo de ligação, porque “triste” é predicativo do sujeito. Mas, na frase, “O homem está no hospital.” à “O homem” continua sujeito; no entanto o verbo “estar” passa a ser classificado como intransitivo, porque veio seguido de adjunto adverbial de lugar (adjunto adverbial de lugar).

Um excelente final de semana para todos e força nos estudos!







Fabiana Ferreira comenta sobre pronomes oblíquos

Publicado por Thomaz Vieira, em 9.02.2015 às 08:00

Como há muito não fazíamos, vamos tratar hoje do emprego e da colocação dos pronomes oblíquos átonos. Vejamos uma questãozinha da Fundação Carlos Chagas para que possamos aplicar nossos conhecimentos sobre esse assunto.

A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes no segmento, foi  realizada corretamente em:

(A)que pretende construir máquinas multifuncionais = que lhes pretende construir

(B) que desejam limpar seu carpete = que desejam o limpar

(C) precisa processar dados coletados = precisa processá-los

(D) que busque uma caneca = que busque-a

(E) requerem um grande conjunto de habilidades = requerem-nas

Na letra "A", o termo máquinas funcionais, funciona como objeto direto, logo jamais poderia ser substituído por LHES, e, sim, por AS –> "que as pretende construir". Já na letra "B", seu carpete, foi corretamente substituíso por "O", o problema foi a colocação pronominal; teríamos, nesse caso, duas possibilidades: "que o desejam limpar" ou "que desejam limpá-lo.". Vejamos agora a letra "C": Como "dados coletados" é  objeto direto, foi, sim, corretamente substituído por "OS". Mas você pode alegar que não está vendo "OS" e sim "LOS", pois é, esta última forma é resultado da colocaçõ do pronome "OS" depois de um verbo terminado em R (processar); dele, retira-se a última letra e o "OS" vira "LOS". Portanto a letra "C" corresponde à alternativa correta. Na letra "D", "uma caneca", que é objeto direto, foi corretamente substituída por "A", o único problema aí é a colocação pronominal, já que todo pronome relativo atrai o pronome átono para antes do verbo; a oração correta seria: "que a busquem". Por fim, analisemos a letra "E", na qual foi feita uma pequena confusão de gênero: requerem pede objeto direto, é verdade, mas esse foi representado pelo núcleo "conjunto" (masculino singular), portanto a frase correta deveria ser: "requerem-no".

Vou repetir um ditado que eu sempre uso com os meus alunos: Não tenhamos pressa, porém não percamos tempo. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira: Mais um episódio do Ipad

Publicado por Thomaz Vieira, em 2.02.2015 às 08:00

Olá, queridos leitores. Espero que tenham tido uma ótima semana e que os estudos programados tenham rendido bastante!

Volto a tocar num assunto que, se não for bastante debatido com os concurseiros, será mais uma injustiça a ser consolidada. Sei que vocês se lembram do nosso artigo na coluna Português Fácil do dia 18 de janeiro em que relatei uma “troca” de gabarito do Ipad na prova de Guarda Municipal do Recife. Eu não acreditava, até aquele momento, que o Ipad tivesse errado, eu cria numa troca de gabarito, no preliminar, que seria tranquilamente corrigida no definitivo. Engano!

Ao ter acesso ao gabarito definitivo, veio a surpresa: GABARITO MANTIDO. Nós vamos, atentamente, com muita boa vontade, revisitar a frase que o Ipad afirmou estar correta no tocante ao assunto de PONTUAÇÃO.

Vírgula, no texto às vezes tem demais, às vezes de menos, e também muda o sentido da frase. (letra A da questão 8)

Todas as pessoas que, minimamente, estudaram pontuação sabem que o termo “vírgula” funciona sintaticamente como o sujeito da oração. Se tal sujeito vem seguido de vírgula, e nenhuma outra vírgula apareceu com o intuito de isolar (facultativamente) os adjuntos adverbiais “no texto” e “às vezes”, a vírgula imediatamente depois do sujeito está se interpondo entre ele e o verbo. Você não entendeu? Então veja as possibilidades de pontuação para esse trecho:

Vírgula, no texto, às vezes, tem demais…

Vírgula, no texto, às vezes tem demais…

Vírgula no texto, às vezes, tem demais…

Eu sempre falo para os meus alunos: Se usarmos uma vírgula antes de um adjunto adverbial intercalado, teremos que usar outra depois: ou duas ou nenhuma!

Você está pensando que a única falha está aí, engana-se, infelizmente. Serei bem concisa, pois já expliquei tudo isso no artigo do dia 18/01:

- Teríamos que ter uma vírgula depois da segunda ocorrência do adjunto adverbial de tempo “às vezes”, pois ela marcaria a elipse do verbo “ter”. Vírgula obrigatória!

- Não poderia haver vírgula antes da conjunção aditiva “E”, pois ela só aceita vir precedida de vírgula se estiver repetida ou se separar orações com sujeitos diferentes.

Deixei o pior do Ipad para o fim: A justificativa para manter o gabarito da questão. Vou transcrevê-la:

“Resposta do recurso contra a questão 8 justificativa: a alternativa correta, letra A: Usa-se vírgula para separar aposto explicativo, separar palavras repetidas, separar termos de mesma função sintática numa enumeração e não se usa vírgula para separar verbos. GABARITO MANTIDO.”

Queridos leitores, essa “organizadora” quer subestimar nossos conhecimentos gramaticais, eu não consigo entender de outra forma. Onde existe, na frase escrita na letra A da questão 8, aposto explicativo, palavras repetidas, termos com a mesma função? Onde? Gente, a resposta para uma infinidade de recursos apresentados contra a questão 8 não corresponde em nada às características da questão 8.

Como professora de Língua Portuguesa, sinto-me afrontada com a manutenção desse gabarito e com essa absurda tentativa de justificativa que em nada condiz com o apresentado na questão. Organizemo-nos para lutar contra esse tipo de desmando. Não poderemos ser vítimas de uma organizadora que erra e mantém seus erros. Somos, sim, agentes de nosso destino. Vamos à luta! Até domingo, queridos leitores e espero trazer boas notícias sobre mais esse episódio do Ipad.







Fabiana Ferreira comenta sobre pronomes pessoais

Publicado por Thomaz Vieira, em 26.01.2015 às 10:00

Olá, queridos concurseiros! Mais tranquilos em relação à prova da Guarda Municipal, vamos lembrar inicialmente os pronomes que só podem, no Brasil, ser usados como reflexivos.

Pois então vamos lá: é inquietante às vezes o uso que se faz dos pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO; aqui no Brasil esses pronomes só podem ser usados como reflexivos, isto é, só podem corresponder-se com sujeitos de terceira pessoa seja do singular, seja do plural. Vejamos:

1.   Os alunos mantêm-se calmos. Na hora da prova, é realmente cada um por si.

2.   Ela já não estava bem; falava consigo mesma.

Observemos nos exemplos acima que os pronomes destacados foram usados sempre em paralelo a substantivos e a pronomes de terceira pessoa. É comum escutarmos frases como: “e nós temos facilidade para se manter…” o que percebemos da fala desse cidadão?  Que ele desconhecia a regra de utilização dos pronomes SE, SI, CONSIGO, usando o pronome SE associado ao pronome pessoal do caso reto NÓS. Aqui no Brasil isso é impossível. Em Portugal, é comum escutarmos nas ruas: “Eu gostaria de falar consigo.”, mas nesse ponto, a gramática de língua portuguesa no Brasil é bastante diferente. Mesmo com esse novo acordo que prometeu a ilusória unificação da língua portuguesa, nós não passamos a dizer, no Brasil, “Eu gostaria de falar consigo”.

Concluindo, desejo ainda mencionar um ponto importante: o uso dos pronomes oblíquos ME, TE, NOS, VOS, LHE e LHES como pronomes possessivos, consequentemente, na análise sintática, terão a função sintática de adjunto adnominal. Exemplos:

1.   Roubaram-me a bolsa. Podemos traduzir assim: Roubaram a minha bolsa.

2.   Arranharam-te o carro. Traduzindo: arranharam o teu carro.

Lembremo-nos de que a FCC não deixa de abordar pronomes – emprego e colocação – por nenhuma hipótese. Então sigamos estudando os pronomes pessoais do caso reto, oblíquo e de tratamento. Um grande abraço e até o próximo domingo.







Fabiana Ferreira: “Mais uma vez Ipad”

Publicado por Thomaz Vieira, em 18.01.2015 às 08:00

Queridos leitores do Blog dos Concursos, no nosso encontro de hoje, não poderíamos deixar de lado as polêmicas que envolvem a organizadora do concurso da Guarda Municipal: o Ipad. Devo limitar-me apenas à minha disciplina, mesmo sabendo que muitos professores de outras matérias têm queixas semelhantes. Imagino que a mesma pessoa que elaborou a prova anterior tenha igualmente elaborado essa também, dado o tamanho do texto escolhido: enorme. Texto excelente, mas, enorme! Questões interpretativas bem simples e um pequenino equívoco de gabarito na questão 8 de pontuação. Sinceramente, queridos, não acredito em erro e, sim, numa desatenção na divulgação do gabarito dada a facilidade da questão. A dúvida da maioria dos alunos girou em torno das letra A e B que tinham redações semelhantes, diferindo apenas na pontuação. Vamos ver:

A) “Vírgula, no texto às vezes tem demais, às vezes de menos, e também muda o sentido da frase.” A primeira vírgula só poderia ser considerada correta se houvesse outra vírgula logo após o adjunto adverbial de lugar “no texto”. Segundo Ernani Terra, no Curso Prático de Gramática (2011, p. 321), “Geralmente, quando um termo é deslocado de seu lugar original na frase, deve vir separado por vírgula.” A segunda vírgula foi a única a ser empregada corretamente, pois separa orações coordenadas – mesmo que o verbo da segunda oração esteja elíptico. No entanto, depois da segunda ocorrência da expressão “às vezes”, é obrigatório o uso da vírgula para marcar a elipse (do tipo zeugma) do verbo “ter”. Por fim, o uso da vírgula antes da conjunção “e” está incorreto, pois, de acordo com Ernani Terra, no Curso Prático de Gramática (2011, p. 322): “Quando os termos coordenados estiverem ligados pelas conjunções e, ou, nem não se usa vírgula”.

B) “Vírgula no texto, às vezes, tem demais, às vezes, de menos e também muda o sentido da frase.”. As duas primeira vírgulas, mesmo que facultativas, isolam corretamente a primeira ocorrência do adjunto adverbial de tempo “às vezes”; a terceira vírgula separa corretamente as duas primeiras orações que se coordenam entre si; e, finalmente, a quarta vírgula marca a elipse (do tipo zeugma) do verbo “ter”. Por isso, gente, jamais poderíamos marcar a letra A e sim a letra B. Agora vamos elencar outras possibilidades de correção para esse período:

1. “Vírgula, no texto, às vezes, tem demais, às vezes, de menos e também muda o sentido da frase.”

2. “Vírgula no texto às vezes tem demais, às vezes, de menos e também muda o sentido da frase.”

3. “Vírgula, no texto, às vezes tem demais, às vezes, de menos e também muda o sentido da frase.”

Um grande abraço para todos e vamos à luta, preparando-nos para outros concursos. até domingo!







Fabiana Ferreira: Vamos intensificar nossos estudos para o Banco do Brasil

Publicado por Thomaz Vieira, em 11.01.2015 às 19:00

Olá, queridos leitores. É com a alegria de sempre que escrevo sobre algumas relações semânticas entre orações coordenadas e subordinadas, focando principalmente numa questão interessante da Cesgranrio. Essa organizadora é sempre muito ortodoxa quando nos exige esse tipo de conteúdo. Muitas vezes nos basta conhecer as conjunções para resolvermos as questões, mas é claro que não devemos confiar nessa mansidão toda e sim também focar na análise de orações que usam conjunções iguais para exprimir sentidos distintos. Vamos à questão:

A relação lógica estabelecida entre as ideias do período composto, por meio do termo destacado, está explicitada adequadamente em:

(A) “Não necessito dizer que, para mim, não há verdades indiscutíveis, embora acredite em determinados valores e princípios” (ℓ. 8-10) – (relação de condição)

(B) “No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos eram os que questionavam” (ℓ. 13-15) – (relação de causalidade)

(C) “os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis” (ℓ. 35-38) – (relação de finalidade)

(D) “a mudança é inerente à realidade tanto material quanto espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.” (ℓ. 41-44) – (relação de conclusão)

(E) “Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado.” (ℓ. 45-48) – (relação de temporalidade)

Na letra A, encontramos a conjunção que mais aparece na nossa vida quando queremos subordinar uma oração à outra, estabelecendo ideia de oposição, de contraste: embora. Se para o autor da questão não existem valores indiscutíveis, seria esperado que ele não acreditasse em determinados valores e princípios. Eis o contraste, eis a oposição e não a condição como sugerem na questão.

Já na letra B, “poucos eram os que questionavam”… essa é a oração principal. Olhando para a subordinada, perguntamos: quando isso ocorria? “quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas”. Notamos que a conjunção quando estabelece ideia de temporalidade indiscutivelmente e, para confirmar essa relação de sentido, encontramos o termo antecedente à oração que é “No passado distante”, portanto nem se cogita causalidade assim como aparece entre parênteses e, sim, temporalidade.

A letra C tenta de novo nos enganar trocando a classificação do porque, que é causal/explicativo, por finalidade. Haveria relação de finalidade se tivéssemos um objetivo a ser alcançado, para isso usaríamos o auxílio da expressão “para que; a fim de que”…

Finalmente encontramos o nosso acerto na letra D, Na qual aparece a classificação correta do portanto, já que a oração iniciada por ele exprime uma conclusão possível de uma ideia expressa na oração antecedente.

A letra E, que traz equivocadamente a classificação de temporal, na realidade exprime ideia de oposição/contraste. Por se tratar de uma estrutura coordenada, chamamos tal conjunção de adversativa.

No nosso próximo artigo, mostraremos a importância de fazermos análises de orações que compartilham conjunções, assim como de memorizarmos algumas conjunções estranhas ao nosso dia a dia. Um grande abraço e até a próxima!