Português Fácil

[Coluna] UFRPE: Como ocorre a abordagem textual

Publicado por Belisa Parente, em 16.06.2013 às 10:00

*Por Fabiana Ferreira

Olá, queridos leitores! É do conhecimento de todos que a prova da UFRPE será realizada no mês de agosto de 2013. E como devemos, então, estudar texto para não corrermos o risco de ficar para trás neste pleito? A intertextualidade é a tônica principal da abordagem textual desta banca. Na prova de 2012 – UFPE/UFRPE – foi colocado o primeiro texto, cujo título foi Racismo, não. Deste foram extraídas quatro questões que versavam sobre: 1. O ponto de vista através do qual foi tratado o assunto; 2. As informações principais veiculadas pelo texto; 3. Relações semânticas de expressões extraídas do texto.

Havia um importante diálogo entre o texto 1 e o 2. Vejamos:

Texto 2

 

 

 

 

 

 

 

 

Objetivando transmitir sua mensagem-denúncia, o autor do Texto 2 estabelece uma relação entre:

A) as raças e os coeficientes de inteligência, em nosso país.

B) as raças e os níveis de desnutrição infantil, no Brasil.

C) as raças e a garantia da assistência à saúde, ao longo da vida.

D) as raças e a possibilidade de sucesso em várias áreas.

E) as raças, a garantia à saúde e a expectativa de vida.

Em consonância com o texto 1, a resposta para essa questão está na letra “D”. Pois é ela que explicita às desigualdades referentes aos direitos essenciais que, segundo os dois textos, não são garantidos a todos por puro preconceito. Para respondermos a essa questão é importante que leiamos o texto como um todo, inclusive os elementos não verbais, como os que estão representados nessa figura que polariza o branco e o negro    (de lados opostos e com oportunidades bem distintas).

O artigo de hoje teve o intuito apenas de fazer com que você entenda o quanto leitura e a interpretação textual são importantes: não só para as provas como também para a vida! Um excelente domingo para todos.

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[Coluna] Hoje é crase

Publicado por Belisa Parente, em 9.06.2013 às 12:00

*Por Fabiana Ferreira

Olá, hoje pela manhã eu estava fazendo exercícios de crase com uma das minhas turmas e afirmei para eles que os casos que mais aparecem nas nossas provas são aqueles que dizem respeito a regras mais gerais em que se verifica, principalmente, a fusão de preposição mais artigo, além dos casos em que o uso do sinal é proibido. (diante de verbos; diante de pronomes – exceto com senhora, senhorita, dona e madame – com “a” diante de palavra no plural e diante de palavras masculinas)

 

“A parcela da população mundial que ascendeu …… classe média nos últimos vinte anos passou …… consumir mais, …… um ritmo acelerado, o que põe em risco a sustentabilidade do planeta.”

 

As lacunas da frase acima estarão corretamente preenchidas, respectivamente, por:

 

(A) à – a – a

(B) à – à – a

(C) à – a – à

(D) a – a – à

(E) a – a – a

 

Vejamos que há duas hipóteses para a utilização do verbo ascender – que significa subir, alcançar, conseguir – ou ele se comporta como intransitivo, ou seja, não solicita complementos verbais, ou funciona como transitivo indireto, pedindo, assim, um objeto indireto regido pela preposição “A”. Garantimos, então, meio caminho para o fenômeno da crase. Quando olhamos para o termo regido – classe média – constatamos que ele é feminino singular e, claro está, que trará “à tira-colo” o artigo a necessário para fundir-se com a preposição, gerando a CRASE. à “…ascendeu À classe média…”.

No segundo espaço, quem apareceu foi o verbo passar na expressão verbal passou A consumir. Por que eu não pus o sinal indicativo de crase nesse A, porque: NÃO EXISTE CRASE DIANTE DE VERBO! Pela ausência de ARTIGO.

No último espaço, aconteceram duas coisas importantes para a não configuração do fenômeno da crase. Primeiro: ritmo é um substantivo masculino e NÃO HÁ CRASE DIANTE DE PALAVRA MASCULINA; segundo: mesmo que a palavra usada no termo regido fosse feminina, o artigo escolhido foi um artigo indefinido, não podendo haver artigo indefinido + artigo definido, é impossível que haja crase DIANTE DE ARTIGO INDEFINIDO NO SINGULAR OU NO PLURAL. A um ritmo acelerado.

A alternativa correta então é a letra “A”.

Crase é um assunto que nós temos que exercitar sempre. Não se esqueçam do meu conselho: as questões da ESAF são as melhores para exercitarmos, pois são grandes e dão conta de uma quantidade maior de casos. Um grande abraço e até domingo.

 

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[Coluna] Pronomes Oblíquos átonos e suas funções sintáticas

Publicado por Belisa Parente, em 2.06.2013 às 12:00

*Por Fabiana Ferreira

Olá, queridos, é um prazer escrever sobre pronomes para compartilhá-los com vocês, pois esse assunto é constante nas provas de todas as organizadoras, principalmente na Fundação Carlos Chagas e na Covest. Atentemos para o fato de que será esta que organizará a prova da UFRPE. Vejamos:

 

A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes no segmento, foi  realizada corretamente em:

 

(A) que pretende construir máquinas multifuncionais = que lhes pretende construir

(B) que desejam limpar seu carpete = que desejam o limpar

(C) precisa processar dados coletados = precisa processá-los

(D) que busque uma caneca = que busque-a

(E) requerem um grande conjunto de habilidades = requerem-nas

 

Na letra “A”, o termo máquinas funcionais, funciona como objeto direto, logo jamais poderia ser substituído por LHES, e, sim, por AS –> “que as pretende construir”. Já na letra “B”, seu carpete, foi corretamente substituíso por “O”, o problema foi a colocação pronominal; teríamos, nesse caso, duas possibilidades: “que o desejam limpar” ou “que desejam limpá-lo.”. Vejamos agora a letra “C”: Como “dados coletados” é  objeto direto, foi, sim, corretamente substituído por “OS”. Mas você pode alegar que não está vendo “OS” e sim “LOS”, pois é, esta última forma é resultado da colocaçõ do pronome “OS” depois de um verbo terminado em R (processar); dele, retira-se a última letra e o “OS” vira “LOS”. Portanto a letra “C” corresponde à alternativa correta. Na letra “D”, “uma caneca”, que é objeto direto, foi corretamente substituída por por “A”, o único problema aí é a colocação pronominal, já que todo pronome relativo atrai o pronome átono para antes do verbo; a oração correta seria: “que a busquem”. Por fim, analisemos a letra “E”, na qual foi feita uma pequena confusão de gênero: requerem pede objeto direto, é verdade, mas esse foi representado pelo núcleo “conjunto” (masculino singular), portanto a frase correta deveria ser: “requerem-no”.

Cuidemos de estudar tais pronomes oblíquos, lembrando que: O, A, OS, AS são objetos diretos; LHE, LHES, objetos indiretos e ME, TE, SE, NOS e VOS, objetos diretos ou indiretos, na dependência do verbo com o qual eles se relacionem. Um grande abraço e até a próxima.

 

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[Coluna] Estudar nunca é demais

Publicado por Belisa Parente, em 19.05.2013 às 10:00

*Por Fabiana Ferreira

É muito comum que as organizadoras de concursos públicos peçam-nos para agrupar diversas orações em apenas um período, quando isso acontece, várias competências têm que ser postas em prática: assim como o domínio dos arranjos gramaticais e a noção de coesão e coerência textuais. Vejamos a seguinte questão:

A tecnologia gera demanda por velocidade.

A velocidade leva ao desenvolvimento de novas tecnologias com resultados cada vez mais rápidos.

Vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável.

 

As frases acima articulam-se em um único período com clareza, correção e lógica, da seguinte maneira:

 

(A) A tecnologia gera demanda por velocidade, onde ela leva ao desenvolvimento de novas tecnologias de resultados sempre mais rápidos, pois vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável.

(B) A velocidade leva ao desenvolvimento de novas tecnologias de resultados cada vez mais rápidos: conquanto a tecnologia gera demanda por ela, onde vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável.

(C) Vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável: a tecnologia gera demanda por velocidade, que, por sua vez, leva ao desenvolvimento de novas tecnologias que resultam em maior rapidez.

(D) A tecnologia gera demanda por velocidade que, por nossa vez, vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável, com a velocidade que leva ao desenvolvimento de novas tecnologias resultantes de cada vez mais rápidas.

(E) A velocidade que leva ao desenvolvimento de novas tecnologias de resultados cada vez mais rápidas, de cuja tecnologia gera demanda por esta, por vivermos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável.

 

Vamos observar os critérios que precisam ser respeitados:

Clareza: é a garantia de sermos entendidos, compreendidos; para sermos claros, precisamos ser objetivos, diretos.
Correção: respeito às normas gramaticais em todos os âmbitos.
Lógica: coerência à o período tem que fazer sentido.

A única alternativa que se apresenta de forma mais fiel às relações de sentido é a letra “C”: Vivemos hoje um círculo vicioso aparentemente inquebrável: a tecnologia gera demanda por velocidade, que, por sua vez, leva ao desenvolvimento de novas tecnologias que resultam em maior rapidez.

O que houve aqui? Uma mudança de ordem nas orações apresentadas sem que houvesse mudança nas relações de sentido. As demais têm problemas sérios. A letra “A” apresenta o relativo ONDE remetendo-se a um termo anterior que não designa lugar. Isso é inaceitável. Um exemplo correto de uso desse termo seria: “Esse é o colégio onde estudo.” Na letra B, o uso do conquanto tornou o período incorreto, já que exprime ideia de concessão e essa não está explícita originalmente. (CONQUANTO = EMBORA). Na letra “D”, a falha grave se situou na inserção de “por nossa vez” que não estava nas frases originais, e consequentemente essa articulação provocou incoerência. Por fim, notamos, na letra “E” que há explicitamente uma falha de concordância: resultados + rápidas = ERRADO; Em seguida, nota-se a presença do relativo CUJO precedido de preposição sem que esta tenha sido solicitada por termos constantes na oração. Concluímos, então, que, se não dominarmos bem a gramática e não tivermos noção de organização textual, a execução desse tipo de questão fica comprometida, portanto: vamos treinar!!!. Um grande abraço e até domingo.

 

 

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[Coluna] Covest: a prova da UFPE está próxima

Publicado por Laiziane Soares, em 12.05.2013 às 09:41

Por Fabiana Ferreira*

Queridos leitores, hoje vamos trabalhar uma questão da Covest que envolve três assuntos que se complementam entre si: regência verbal, emprego dos artigos e o uso do sinal indicativo de crase. Vejamos:

Considerando a regência dos verbos e o uso adequado do artigo definido, o acento indicativo da crase está correto na alternativa:

A) Os estrangeirismos entraram no Brasil já à partir da colonização. À quem responsabilizar?

B) De 15 à 20 do próximo mês, estarão abertas as inscrições do concurso. Estejamos atentos à essa data.

C) Daqui à três meses, teremos novos candidatos à concursos. Estamos à procura de oportunidades.

D) Não é à toa que a função de formar o cidadão tem sido atribuída à educação. Todos têm direito à conquista de sua autonomia.

E) De janeiro à junho, a visita à cidades do interior é bem mais acentuada.

Como sempre fazemos, vamos destrinchar letra a letra para entendermos os erros e acertos:

Letra a: Sabemos que diante de locuções prepositivas com palavra femininas, o uso do sinal indicativo de crase é obrigatório. Mas vejamos que, na letra A, o núcleo da locução é um verbo, e: NÃO EXISTE CRASE DIANTE DE VERBO. Na sequência, outro erro, NUNCA HÁ CRASE DIANTE DO PRONOME “QUEM”.

Letra b: Temos um intervalo em que a palavra diante do primeiro numeral (15) é uma preposição (DE), logo o “A”, diante do segundo numeral (20), tem que ser apenas uma preposição, portanto não haverá crase.

Letra c: O  “A” está diante de um numeral (três), que, além de tudo, está no plural. Lembremo-nos: “A” SINGULAR DIANTE DE PLURALà CRASE FAZ MAL! A única coisa que está correta é a locução “À procura de” à locução prepositiva.

Letra d: Essa é a única alternativa correta! A locução com palavra feminina: à toa; Atribuída a a educação: o primeiro “A” provém de atribuída; o segundo “A” pertence ao substantivo “educação”, logo “à educação” está correta; por fim “à conquista de”à locução prepositiva com palavra feminina.

Letra e: Novamente, outro intervalo: “de janeiro à junho”à preposição diante do primeiro substantivo, só preposição diante do segundo. Na continuação, “à cidades” à “A” singular diante de plural à CRASE FAZ MAL!

Um grande abraço para todos e um excelente dia das mães!!!

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.
 

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[Coluna] Para o concurso do MPU…

Publicado por Belisa Parente, em 5.05.2013 às 12:00

*Por Fabiana Ferreira

 

A Coesão textual é estudada como sendo a organização da superfície textual que, não raras vezes contribui para a consecução da coerência do texto. Há particularidades no que chamamos de coesão referencial, dentre elas verificaremos, hoje o uso de elementos anafóricos – termos que resgatam palavras ou expressões que já foram usadas no texto – representados em geral por pronomes. Afunilando um pouco mais a discussão, focaremos os pronomes demonstrativos e relativos que muitas vezes são usados como anafóricos na construção do sentido.

Vejamos: “O marco da previdência social brasileira é a publicação, em 24 de janeiro de 1923, da Lei Elói Chaves, que determinou a criação da Caixa de Aposentadorias e Pensões para os empregados das empresas ferroviárias.” Neste trecho, percebemos que o único substantivo antecedente do “QUE” que tem potencialidade para determinar a criação da caixa de Aposentadorias e Pensões é a Lei Elói Chaves. Então, nesse caso, comprovamos que a partícula “QUE” tem como referente o antecedente “Lei Elói Chaves”.

Mais um exemplo: “As provas de Juliana, que está na sala ao lado, estão sendo corrigidas pelo reitor da Universidade”. Nesse caso específico, tanto as provas quanto Juliana têm potencialidade para “estarem na sala ao lado”, logo, como será a resolução quanto ao referente do pronome relativo “QUE”? o número do verbo resolverá o nosso problema, pois as provas é plural; Juliana é singular e o verbo que sucede o pronome relativo “QUE” está no singular. Então se Juliana está na sala ao lado, “QUE” = Juliana.

            Vamos relembrar as regras que se referem aos pronomes demonstrativos:

 

Quem resgata…

Usa “esse” e flexões

Fiz todo o exercício. Esse não me causará mais dificuldades.

Quem anuncia…

Usa “este” e flexões

Nunca fiz isto: mentir.

Quem resgata dois elementos

Usa “este”para o mais próximo e “aquele” para o mais distante

Lula e FHC entraram na história: este, na dos ricos; aquele, na dos pobres.

As provas do Cespe/UnB não costumam usar os rótulos todos que a linguística textual utiliza, no entanto esse é um assunto que está sempre presente nas nossas provas. Estudem! Um grande abraço e até domingo.

 

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[Coluna] Vozes verbais

Publicado por Belisa Parente, em 21.04.2013 às 12:00

*Por Fabiana Ferreira

Vamos voltar mais uma vez a falar sobre vozes do verbo relembrando que apenas os verbos transitivos diretos admitem voz passiva. Por quê? Porque, na transposição, é importante que usemos o objeto direto como o sujeito da nova oração (na voz passiva). Vamos ao primeiro exemplo:

  1. O mapeamento genético resultante de pesquisas recentes levará a ciencia a descobrir a cura de inúmeras doenças.

 

  1. “A ciência”, que é o objeto direto, é o sujeito da oração na voz passiva.
  2. “O mapeamento genético resultante de pesquisas recentes”, que é o sujeito da ativa, tornar-se-á agente da passiva. Portanto a frase tansposta ficará:
  3. A colocação da expressão formada de verbo ser + particípio é fundamental para a consecução da transposição.
  4. Precisamos lembrar-nos de que, se o verbo levar está no FUTURO DO PRESENTE DO INDICATIVO, o verbo SER da passiva também ficará no mesmo tempo e no mesmo modo. Será por isso que a forma verbal resultante da transposição será: SERÁ LEVADA.

A ciência  será levada a descobrir a cura de inúmeras doenças

SUJEITO                 SER + PARTICÍPIO

pelo mapeamento genético resultante de pesquisas recentes.”

AGENTE DA PASSIVA

Temos que manter sempre em mente que, se já houver dois verbos na voz ativa, na passiva haverá três: “Os concurseiros irão realizar duas provas no mesmo dia.” Na transposição da voz ativa para a passiva teremos: “Duas provas irão ser realizadas, no mesmo dia, pelos concurseiros.”

Lembremo-nos: voz ativa com um só verbo à Voz passiva com dois verbos;

Voz ativa com dois verbos à voz passiva com três verbos.

Um grande abraço e até domingo!

 

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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[Coluna] Correspondências oficiais

Publicado por Belisa Parente, em 7.04.2013 às 12:00

*Por Fabiana Ferreira

 

Olá queridos leitores, deveremos hoje falar um pouco sobre as formas de cortesia na correspondência oficial, isso inclui principalmente o uso dos pronomes. Todos terão que estudar esse assunto para a prova do MPU que será elaborada pelo CESPE/unb. Vamos lá:

NORMAS DA CORRESPONDÊNCIA OFICIAL FORMAS DE CORTESIA

São expressões utilizadas para o encerramento de uma correspondência dirigida a uma autoridade. Sua finalidade é a de saudar o destinatário e marcar o fim do texto. As formas de cortesia atualmente em vigor foram reguladas pela Instrução Normativa nº. 4, de 6 de março de 1992, da Secretaria da Administração Federal.

 

FORMAS DE CORTESIA UTILIZADAS NO FECHO DA CORRESPONDÊNCIA OFICIAL

 

De acordo com a Instrução Normativa nº. 4/92 da Secretaria de Administração Federal, atualmente em vigor, há dois tipos de fecho para todas as modalidades de comunicação oficial:

“Respeitosamente”, para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República.

“Atenciosamente”, para autoridades da mesma hierarquia ou hierarquia inferior.

 

Observação importante:

Conforme o Manual de Redação da Presidência da República de 1991 e de acordo com o decreto nº 468/92 e com a Instrução Normativa nº 4/92 da Secretaria de Administração Federal:

 

Fica abolido o uso dos tratamentos:

Digníssimo (DD.), Mui Digno (MD.) e Ilustríssimo (ILMO.), sendo desnecessária a sua evocação.

 

FORMAS DE TRATAMENTO

        

As formas de tratamento mais usuais na correspondência oficial são:

Senhor (Sr.) – Senhora (Srª. Ou Sra.)  – Senhores (Srs.) – Senhoras (Sr.ªs ou  Sras.) – para pessoas com quem se tem um certo distanciamento respeitoso.

Vossa Senhoria (V. S.ª ou V. Sa.)– Vossas Senhorias (V. S.ªs ou V. Sas.) – para pessoas de cerimônia, em correspondências comerciais e oficiais.

Vossa Excelência (V. ou V. Exa.)– Vossas Excelências (V. Ex.ªs ou V. Exas.) – para altas autoridades.

Vossa Eminência (V. Em.ª ou V. Ema.) – Vossas Eminências (V. Em.ªs ou V. Emas.) – para cardeais.

Vossa Magnificência (V. Mag.ª ou V. Maga.) – Vossas Magnificências (V. Mag. ªs ou V. Magas.) – para reitores de universidades.

Vossa Excelência – Sua Excelência – é a forma de tratamento mais elevada. Aplica-se  aos três Chefes de Poder (Presidente da República, Presiden-te do Congresso Nacional e Presidente do Supremo Tribunal Federal) para os quais não se deve usar as correspondentes abreviaturas (V. Exª e  S. Exa.ª).

 

CONCORDÂNCIA

Embora de 3ª pessoa, as formas de tratamento, chamadas formas de reverência, como possessivo Vossa se aplicam à pessoa a quem falamos e a quem nos dirigimos. A concordância, no entanto, é feita com a forma verbal e com as formas pronominais da 3ª pessoa:

“Vossa Excelência deve apresentar o Relatório…”

“Vossa Senhoria já pode divulgar a sua Ordem de Serviço…”.

Nas leis, decretos, resoluções e portarias, a autoridade é indicada na 3ª pessoa:

            “O Presidente da República decreta…”.

            “O Diretor resolve…”.

 

OBSERVAÇÕES

1 – Não se usa artigos diante de pronomes de tratamento, à exceção de senhor, senhora e senhorita:

“Esperei Sua Excelência por mais de duas horas”.

“Esperei a senhora por mais de duas horas…”.

2 – Os pronomes de tratamento são formas rigorosamente femininas. Quando se tratar de homem, é aceitável a concordância com o masculino (concordância ideológica).

“Sua Excelência estava preocupada ou preocupado com o processo”.

Se houver aposto faz-se a concordância obrigatória com o aposto:

“Sua Excelência, o presidente, parece preocupado”.

“Sua Excelência, a desembargadora, parece preocupada”.

3 – Usa-se Vossa Excelência quando nos dirigimos à pessoa:

“Convido Vossa Excelência a participar da sessão…”.

Usa-se  Sua Excelência quando falamos a respeito da pessoa:

“Aguardamos a assinatura de Sua Excelência para dar andamento ao processo”.

Até a próxima semana e estudem!

 

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[Coluna] Crase

Publicado por Belisa Parente, em 24.03.2013 às 14:00

Por Fabiana Ferreira*

 

Na semana passada, abordamos o assunto de crase fazendo a contração de preposição com o “a” inicial dos pronomes demonstrativos “aquele” e flexões. Hoje elegemos uma questão da ESAF para treinar esse fenômeno.

 

  1. Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.

 

Mais de 60 milhões de brasileiros usam a Internet,__1__ qual dedicam em média 44 horas mensais. Como se sabe,__2__ rede de computadores é uma importante ferramenta de comunicação, realização de negócios e acesso __3__ informações. Ainda assim, usuários e provedores de serviços não dispõem, no Brasil, de um arcabouço jurídico específico que estabeleça direitos e deveres no ambiente virtual. __4__ insegurança jurídica daí advinda não é desprezível. Criadores e gestores de conteúdo, desde o simples blogueiro aos maiores portais, encontram-se desprotegidos. Não raro, a Justiça os considera responsáveis por opiniões ou informações veiculadas em suas páginas — entendimento que nem sempre considera __5__construção coletiva engendrada na Internet. É bem-vinda, portanto, a iniciativa de levar__6__ discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.

 

  1. A primeira lacuna será preenchida com “À” à o pronome relativo “A QUAL” uniu-se com a preposição “A” proveniente do verbo dedicar, que é transitivo direto e indireto. Lembremo-nos de que, se houver pronome relativo dentro da oração e depois dele um verbo que exija preposição, esta se deslocará para antes do relativo. “A” + “A QUAL” = À QUAL.

  2. Em “a rede de computadores”, no segundo item, o “A” diante de “rede” é apenas um artigo.

  3. Como não há o fenômeno da crase com um “A” singular diante de palavra no plural devido à ausência de artigo, a frase ficará assim: “… realização de negócios e acesso “A informações.”

  4. Igualmente ao caso descrito no número 2, na frase “A insegurança jurídica daí advinda não é desprezível.” O “A” é apenas um artigo.

  5. Considera o quê?” como o verbo considerar é VTD, não há preposição, logo não haverá crase. “… nem sempre considera A construção…”

  6. Analisemos a inversão sintática que foi feita nesta frase: “… a iniciativa de levar À discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.” Se colocarmos esta frase na ordem direta, obteremos: “a iniciativa de levar o quê? UM MARCO CIVIL DA INTERNET. “levar aonde?”À DISCUSSÃO PÚBLICA.

A sequência correta então é:  À – A – A – A – A – À

 

 Continuemos treinando e rumo ao sucesso nas nossas seleções. Um grande abraço e até o próximo domingo!

 

 

 

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[Coluna] Uso do acento grave indicativo de crase

Publicado por Laiziane Soares, em 17.03.2013 às 09:36

Por Fabiana Ferreira*

            Queridos leitores, é sempre uma alegria encontrá-los aos domingos para trocarmos algumas ideias sobre concursos públicos. É muito comum pensarmos em crase, unindo a preposição “a” com o artigo “a”, mas, hoje, devemos refletir sobre o fenômeno da crase que ocorre pela fusão da preposição “a” com o “a” inicial dos pronomes demonstrativos “aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo”.

            Observemos:

            Refiro-me A + Aquele rapaz. à Refiro-me Àquele rapaz.

            O que devemos pensar quando observamos o termo “refiro-me”? Que ele pede um complemento regido pela preposição “a”. Quando esse complemento é iniciado pelo pronome demonstrativo “aquele…”, há necessariamente a união entre a proposição “a” e o “a” inicial dos demonstrativos aquele (s); aquela (s); aquilo.

            Continuemos exemplificando:

            Diga a verdade, mas limite-se a + aquilo que lhe perguntarem. à Diga a verdade, mas limite-se àquilo que lhe perguntarem.

            Entregue o documento a + aquela aluna. à Entregue àquela aluna.

            O Estado deu resposta a + aquelas crianças. à O Estado deu resposta àquelas crianças.

            Dirijo-me a + aqueles alunos com muita atenção. à Dirijo-me àqueles alunos com muita atenção.

            Cuidado, então, com algumas máximas que não condizem com a realidade quando tratamos de crase com os demonstrativos:

·    Não estamos colocando crase diante de palavra masculina quando usamos “àqueles…”, por exemplo; pois na verdade não nos preocupamos com o gênero e o número dos demonstrativos; estamos preocupados com o “a” de tais pronomes;

·    Não estamos colocando sinal indicativo de crase diante de pronomes, pois o uso do sinal indicativo de crase ocorre, aqui, dentre do pronome demonstrativo e não antes dele.

            Estudemos! Precisamos articular todas as particularidades quanto ao uso do sinal indicativo de crase para não errar nas provas. Um grande abraço e até domingo.

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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[Coluna] Sentidos…

Publicado por Belisa Parente, em 10.03.2013 às 12:00

 

* Por Fabiana Ferreira

 

Olá queridos, nesta semana um aluno me perguntou se haveria alguma estratégia para trabalhar as questões de coesão e correção textual, isso como fruto do que conversamos na coluna do domingo passado. Então me arrisquei: − você tem que treinar muuuuuito!  Vamos a mais uma questão para ver se tudo isso fica mais claro:

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

 

(A) Muito leitor curioso não deixará de pesquisar o famoso relatório de que trata o texto, providência de que não se arrependerá. (correta)

(B) Aos leitores curiosos caberão promover pesquisas para encontrar esse relatório, com o qual certamente não se deverão frustrar.

(C) Espera-se que os leitores habituais de Graciliano invidem todos os seus esforços no sentido de ler o relatório, cujo o valor é inestimável.

(D) É tão primoroso esse relatório que os leitores de Graciliano romancista acharão nele motivos para ainda mais orgulhar-se do mesmo.

(E) Sendo pouco comum admirar-se um relatório de prefeito, verão os leitores de Graciliano que não se trata aqui deste caso, muito ao contrário.

Na letra B, houve uma concordância inadequada, pois o termo AOS LEITORES é objeto indireto e, por isso, jamais deveria ser referência para a concordância do verbo; nota-se que a dica é: o verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito; nessa frase, o sujeito do verbo CABER é uma oração inteira – promover pesquisas – quando isso ocorre, o verbo que solicita a oração como sujeito fica obrigatoriamente na terceira pessoa do singular. Frase correta: “Aos leitores curiosos caberá promover pesquisas…”

Na letra C, foi usado um verbo que não existe – invidar – seu uso provocou incoerência textual; alguns, contudo, sabem da existência do verbo envidar que significa empenhar-se. Na continuação da frase, encontramos uma falha comum que passa sem que alguns percebam: o uso do relativo CUJO seguido de artigo; isso não pode! Período adequado: “Espera-se que os leitores habituais de Graciliano envidem todos os seus esforços na leitura do relatório, cujo valor é inestimável.”

Letra D: “É tão primoroso esse relatório que os leitores de Graciliano romancista acharão nele motivos para ainda mais se orgulhar dele.” A colocação do pronome antes do verbo é obrigatória, já que hove uma atração exercida pelo advérbio mais. Além disso, não use a expressão O MESMO, visto que há uma saturação no uso desse termo, prefira a sua substituição por outros pronomes.

Finalmente, na letra E: “Sendo pouco comum admirar-se um relatório de prefeito, verão os leitores de Graciliano que não se trata aqui deste caso, muito ao contrário.” Com muita boa vontade, o que foi que você entendeu ao ler essa oração acima? O período está completamente incoerente. Não há informação ordenada, objetiva e, com isso, não sabemos o que quis dizer aquele que escreveu esse período. Deveremos, também, chamar atenção para o verbo admirar + pronome SE, ele pede a preposição COM.

Um grande abraço e continuemos treinando. Até domingo com mais algumas questões!

 

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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[Coluna] O que é coesão textual

Publicado por Laiziane Soares, em 3.03.2013 às 08:37

Por Fabiana Ferreira*

            Faz muito tempo que não falamos sobre esse assunto. Para não nos esquecermos dele, vejamos uma definição simplificada de coesão textual segundo Marcuschi (1983, p.12): “Estudo das operações lingüísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos e orais". Podemos dizer, então, que ao estudar a coesão textual, visualiza-se como se tramam os elementos na superfície textual, em prol da construção dos sentidos. Dentre os mecanismos coesivos usados no texto, podemos destacar:

1.      Substituição de palavras com o emprego de sinônimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo associativo.

2.      Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante).

3.      Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância – resultado da pobreza de vocabulário.  Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima)

4.      Conjunções, adequadas ao contexto situacional, para ligar orações sejam coordenadas, sejam subordinadas.

Vejamos uma questão que envolve mecanismos de coesão:

1.      Assinale a opção em que a estrutura sugerida para preenchimento da lacuna correspondente provoca defeito de coesão e incoerência nos sentidos do texto.

A violência no País há muito ultrapassou todos os limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil como um dos países mais violentos do mundo, levando-se em conta o risco de morte por homicídio.
Em 1980, tínhamos uma média de, aproximadamente, doze homicídios por cem mil habitantes. ___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de violência intencional aumentou, chegando a mais do que o dobro do índice verificado em 1980 – 121,6% –, ___3___, ao final dos anos 90 foi superado o patamar de 25 homicídios por cem mil habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em  idade de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a cada queda de 1% do PIB a violência crescia mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990. 
Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que os custos da violência consumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo  masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o preço da escalada da violência no Brasil.

(Adaptado de http:// www.brasil.gov.br/acoes.htm)

a) 1 – Tanto é assim que
b) 2 – Lamentavelmente
c) 3 – ou seja
d) 4 – Simultaneamente
e) 5 – Se bem que

Você tentou encaixar expressão por expressão nos espaços vazios, contudo, quando chegou ao último não conseguiu já que “se bem que” articula ideias em oposição, contraste e as ideias do último período do texto não se opõem e, sim, confirmam tudo aquilo que já havia sido dito antes. É uma continuação, não uma oposição. Continue treinando, busque questões da ESAF, que gosta muito de abordar coesão dessa forma.  Um grande abraço e até domingo.

*Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

 

 

 

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[Coluna] Transposição de vozes verbais

Publicado por Belisa Parente, em 24.02.2013 às 14:00

*Por Fabiana Ferreira

É muito comum que organizadoras, como a FCC, peçam constantemente o assunto de transposição de vozes verbais conforme já vimos em artigos anteriores. Como já temos a teoria, passemos à prática:

 

  1. … viu pedrinhas ali perto.

A passagem para a voz passiva da frase acima resulta na seguinte forma verbal:

(A) são vistas.

(B) tinha visto.

(C) foram vistas.

(D) viu-se.

(E) é visto.

 

  1. Tanto as fontes quanto a própria historiografia falavam a linguagem do poder

Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

(A) eram faladas.

(B) foi falada.

(C) se falaram.

(D) era falada.

(E) tinha-se falado.

Como constatamos as duas pedem a transposição para a voz passiva. Esse tipo de questão é uma marca registrada nas provas da FCC. E saibam que a primeira questão está numa prova de nível médio e a segunda de nível superior. Como deveremos proceder para resolvê-las? Perceba que as duas frases a serem transpostas possuem verbos transitivos diretos. Como regra geral, apenas esse tipo de verbo admite voz passiva. Os únicos verbos transitivos indiretos que não admitem voz passiva são: obedecer, desobedecer, pagar e perdoar.

Mas vamos, então, à transposição:

Primeira frase: “viu pedrinhas ali perto” traz consigo a palavra pedrinhas como objeto direto; será este que na voz passiva se transformará em sujeito. E o verbo ver se desmembrará em dois: ser mais particípio. Se o verbo ver está no passado perfeito do indicativo, o verbo ser da voz passiva assumirá este mesmo tempo e modo. Resultado: “pedrinhas foram vistas ali perto” A resposta está na letra C.

Na segunda frase,  “Tanto as fontes quanto a própria historiografia falavam a linguagem do poder …” a linguagem do poder era falada tanto pelas fontes tanto pela própria historiografia. A resposta para esta questão está na D.

Lembremo-nos de que também é comum a transposição de ativa para passiva com mais de um verbo. Veremos isso na próxima semana. Umgrande abraço.

*Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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Regência verbal: insistindo nesse assunto

Publicado por Laiziane Soares, em 17.02.2013 às 12:30

*Por Fabiana Fereira

Ao passo que a análise das vozes do verbo diz respeito ao modo como ele se relaciona com o seu sujeito, a regência verbal trata das diversas possibilidades de relacionamento entre verbos e seus possíveis complementos. Por que possíveis? Porque quando os analisamos percebemos que, às vezes, podem não pedir complementos – estes são os chamados INTRANSITIVOS. Observe o que eu te disse: ser intransitivo, segundo a norma culta, significa não pedir complementos (objetos diretos e objetos indiretos); isto não quer dizer que o verbo não possa te pedir outro termo da oração que o suceda, auxiliando-o na transmissão do conteúdo verbal, esse termo é o adjunto adverbial. Observe os seguintes exemplos: As críticas do torcedor contra o juiz não procedem. Veja que o verbo proceder neste sentido de ter fundamento não nos pediu absolutamente nenhum complemento. Já quando visualizamos a frase: Muitos torcedores não foram ao estádio de futebol. Perceba que o termo sublinhado – ao estádio de futebol não é um complemento verbal (mesmo que a frase não sobreviva semanticamente sem esse termo) é na verdade um adjunto adverbial de lugar, por este motivo o verbo é chamado simplesmente de intransitivo ou ainda, segundo Rocha Lima, transitivos circunstanciais.

Existem ainda os transitivos diretos e os transitivos indiretos, que pedem complementos: os primeiros, sem preposição e os segundos, com preposição. Na oração: Devemos conhecer os bons caminhos. Percebe-se que os bons caminhos é um termo que representa o objeto direto da oração – termo que complementa o sentido de um verbo sem a presença da preposição. Nesta outra: Os jovens necessitam de mais apoio. O sintagma de mais apoio complementou o sentido do verbo necessitar exigindo a preposição DE, logo será chamado de objeto indireto.

Os verbos de ligação são aqueles que – por não representarem uma ação verbal – limitam-se a ser uma ponte entre o sujeito da oração e o predicativo (atributo dado ao sujeito por intermédio de um verbo). Observe que, na frase, As alunas estão doentes, o verbo estar liga as alunas ao seu estado atual, doentes; mas uma classificação completamente diferente poderia ser aplicada ao verbo estar numa frase como esta: As alunas estão no hospital. Note que, dentro deste contexto específico, quando se observa o verbo estar, pergunta-se onde? Portanto a resposta para esta pergunta será classificada como adjunto adverbial de lugar, e o verbo passará a ser INTRANSITIVO.

Observemos esta questão da Fundação Carlos Chagas: Afinal, o verdadeiro tradutor precisa de formação teórico-prática sólida… O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o do grifado acima está na frase:

(A) O tradutor é um dos principais responsáveis pelo intercâmbio cultural entre as nações.

(B)… pois espelha textos numa língua diferente…

(C)… para tomar a melhor decisão diante de uma expressão nova…

(D) O reconhecimento de seu trabalho levaria a cursos superiores…

(E)… para contabilizar sua importância…

Observa-se na frase dada pela questão que o verbo é precisar no sentido de necessitar – verbo transitivo indireto que exige a preposição DE – e a única alternativa que nos traz um verbo transitivo indireto também é a letra D, que mostra a estrutura: levaria a cursos superiores, esse termo grifado é objeto indireto regido pela preposição A. Queridos, não importa que a preposição seja diferente, o que é preciso notar é a presença de qualquer preposição diante do objeto. Vamos revisar periodicamente esse assunto, pois ele vem aparecendo constantemente nas nossas provas.

*Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

 

*Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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[Coluna] Predicação Verbal

Publicado por Laiziane Soares, em 3.02.2013 às 11:05

Por Fabiana Ferreira*

Sem adentrar pelos verbos notáveis – que apresentam mais de uma regência a depender de alguns fatores semânticos ou sintáticos – mostraremos hoje como muitos verbos se comportam de acordo com a sua regência. Afinal, como se conceitua realmente o assunto chamado de regência, o que é regência? É o assunto da gramática que consiste no estabelecimento de uma relação entre um verbo e os seus potenciais complementos.

Vejamos, juntos, uma tabelinha informativa dos vários tipos de verbo quanto à sua predicação:


 

Vejamos que a regência do verbo é contextual. O que isso quer dizer? Que nós temos que classificar os verbos de acordo com a frase que nós temos. Por exemplo: o verbo “pagar” pode ser só transitivo direto; só transitivo indireto ou ainda transitivo direto e indireto. DEPENDE DO CONTEXTO!

         Vamos agora pensar na complementação dos verbos por meio de pronomes pessoais do caso oblíquo:

         Os pronomes o, a. os, as serão sempre objetos diretos; lhe e lhes, objetos indiretos; me, te, se, nos e vos, objetos diretos e objetos indiretos. Qual é a relação que isso tem com a regência? Se a regência está ligada com a transitividade dos verbos e os pronomes complementam verbos de determinadas transitividades = regência, então jamais poderemos usar certos tipos de pronomes com os verbos que não foram destinados a eles. Exemplo: Será que poderíamos dizer: Nunca mais lhe vimos! Jamais, pois existe aí uma incompatibilidade entre o LHE – objeto indireto e o verbo VER – verbo transitivo direto. Para escrevermos de acordo com os preceitos da norma culta teríamos que dizer, por exemplo: Nunca mais o vimos!

         Deveremos, no nosso próximo encontro, fazer algumas questões da FCC, sobre esse assunto. Aproveite o seu domingo e até a próxima!    

*Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.

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