Português Fácil

Coesão textual é tema da semana de Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 30.03.2014 às 19:00

É sempre necessário relembrar a definição de coesão textual para que nunca haja sustos nas nossas provas, pois sabemos que muitas vezes o assunto é facílimo, mas o grande problema é a nomenclatura que não faz parte do nosso universo. Então vejamos: “são mecanismos usados para garantir ao interlocutor a compreensão do que se lê e do que se diz. Dentre esses mecanismos destacamos:

1.    Substituição de palavras com o emprego de sinônimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo associativo. 

2.    Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante). 

3.    Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância – resultado da pobreza de vocabulário.  Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima)

4.    Conjunções, adequadas ao contexto situacional, para ligar orações sejam coordenadas, sejam subordinadas.

Vejamos uma questão que envolve mecanismos de coesão:

1.    Assinale a opção em que a estrutura sugerida para preenchimento da lacuna correspondente provoca defeito de coesão e incoerência nos sentidos do texto. 

A violência no País há muito ultrapassou todos os limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil como um dos países mais violentos do mundo, levando-se em conta o risco de morte por homicídio. 
Em 1980, tínhamos uma média de, aproximadamente, doze homicídios por cem mil habitantes. ___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de violência intencional aumentou, chegando a mais do que o dobro do índice verificado em 1980 – 121,6% -, ___3___, ao final dos anos 90 foi superado o patamar de 25 homicídios por cem mil habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em  idade de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a cada queda de 1% do PIB a violência crescia mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990.  
Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que os custos da violência consumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo  masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o preço da escalada da violência no Brasil. 

(Adaptado de http:// www.brasil.gov.br/acoes.htm) 

a) 1 – Tanto é assim que 
b) 2 – Lamentavelmente 
c) 3 – ou seja 
d) 4 – Simultaneamente 
e) 5 – Se bem que

Você tentou encaixar expressão por expressão nos espaços vazios, contudo, quando chegou ao último não conseguiu já que “se bem que” articula ideias em oposição, contraste e as ideias do último período do texto não se opõem e sim confirmam tudo aquilo que já havia sido dito antes. É uma continuação, não uma oposição. Continue treinando, busquemos questões da ESAF e da FCC, um grande abraço e até domingo.







Regência merece atenção na prova da Alepe

Publicado por Thomaz Vieira, em 23.03.2014 às 19:00

É muito comum que ouçamos algumas curiosidades sobre regência que não condizem com o que a gramática normativa prevê. Eu, por exemplo, escuto muito alguns dizerem que “para cada termo regente, existe um termo regido”. Cuidado com essa afirmação, pois nós podemos ter, sim, vários regentes para um só regido, desde que se respeite uma condição:
 
1.    Poderemos dar um só complemento a vários verbos, desde que estes sejam de mesma regência;

Exemplos: 

a)    Vi, comprei e li os livros.
b)    Necessito e gosto de todas essas atribuições.
c)    Creio e confio nas sagradas escrituras

Vamos agora analisar frase a frase: na letra “A”, temos os seguintes verbos: ver, comprar e ler, constatamos que estes três são transitivos diretos, logo houve a possibilidade de usarmos um só complemento para os três. A mesma possibilidade acontece nas letras “B” e “C”, contudo com verbos transitivos indiretos. Os verbos da letra “B” pedem complementos regidos pela preposição “DE”, e os verbos da letra “C”, complementos com a preposição “EM”, portanto um só complemento foi suficiente para todos os verbos.

Outra regra fundamental para que consigamos entender a regência dentro dos períodos compostos é a seguinte: “Havendo pronome relativo, iniciando a oração, e depois dele, qualquer termo que exija preposição, essa se deslocará para antes do pronome relativo.

Exemplos:

d) Não reconheci o aluno de cujos trabalhos gostamos muito.

e) Estas são as procurações em cujos cabeçalhos estão todos os dados dos quais necessitamos.

Vejamos que, na letra “D” encontramos o pronome relativo CUJOS e logo em seguida o verbo GOSTAR que exige a preposição “DE”. Imediatamente deslocamos a preposição para antes do relativo. Lembrando que esse deslocamento é obrigatório. O mesmo ocorreu em dois momentos na frase que está na letra “E”: novamente apareceu o pronome CUJOS, dessa vez, precedido da preposição “EM” proveniente do verbo estar. Nesse contexto, perguntamos: “Onde estão os dados”, e a resposta é “nos (em+os) cabeçalhos”; mais adiante encontramos: “… dados dos quais necessitamos.” quem é o pronome relativo? Os quais. Este se somou à preposição proveniente do verbo necessitar para que resultasse na frase correta em relação à regência.
Espero que tenhamos compreendido bem as particularidades abordadas hoje sobre o assunto de regência, pois elas são muito queridas nas provas da FCC. Muito grata pela companhia de vocês e até o próximo domingo.







Pontuação é o tema da semana com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.03.2014 às 19:00

Caros leitores, a prova da Alepe vem aí, é necessário que nos preocupemos com o assunto de pontuação para garantir mais uma questão na prova. Nesta questão, em especial, a FCC nos trouxe uma mescla entre interpretação textual e pontuação. Nada muito explícito no enunciado, o que nos chama a atenção para que levemos em consideração os mais diversos aspectos gramaticais.

1. (TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.

Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:

(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do Catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências.
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.

Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”

Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… Estruturalmente, essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.

Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo…) está dando ideia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências).  Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Foi nessa assertiva que a minha leitora teve dúvida, pensando se não seria obrigatório o uso da vírgula depois de “Catar”. Seu raciocínio foi: “se no Catar é um adjunto adverbial de lugar, então, o uso de vírgulas isolando o adjunto não seria obrigatório?”. A resposta é “NÃO”. O uso da vírgula é facultativo. Só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.

Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE. 

Até domingo, queridos leitores, e, para os que farão a prova da Caixa Econômica Federal: uma excelente prova!







Coesão e coerência textual: onde entra a análise do sentido?

Publicado por Laiziane Soares, em 23.02.2014 às 19:03

 

Por Fabiana Ferreira*

    Vamos continuar focando nas abordagens do Cespe/Unb, falando um pouco sobre as relações de sentido que podem ser encaminhadas no texto. Vamos focar agora num assunto que é muito comum ser abordado pelo Cespe/Unb que é o uso de elementos anafóricos – termos que resgatam palavras ou expressões que já foram usadas no texto - representados em geral por pronomes. Afunilando um pouco mais a discussão, focaremos nos pronomes demonstrativos e relativos que muitas vezes são usados como anafóricos na construção do sentido.

    Vejamos: “O marco da previdência social brasileira é a publicação, em 24 de janeiro de 1923, da Lei Elói Chaves, que determinou a criação da Caixa de Aposentadorias e Pensões para os empregados das empresas ferroviárias.” Neste trecho, percebemos que o único substantivo antecedente do “QUE” que tem potencialidade para determinar a criação da caixa de Aposentadorias e Pensões é “a Lei Elói Chaves”. Então, nesse caso, comprovamos que o pronome “QUE” tem como referente o antecedente “Lei Elói Chaves”.

    Mais um exemplo: “As provas de Juliana, que está na sala ao lado, estão sendo corrigidas pelo reitor da Universidade”. Nesse caso específico, tanto as provas quanto Juliana têm potencialidade para “estarem na sala ao lado”, logo, como será a resolução quanto ao referente do pronome relativo “QUE”? O número do verbo resolverá o nosso problema, pois as provas é plural; Juliana é singular e o verbo que sucede o pronome relativo “QUE” está no singular. Então se Juliana está na sala ao lado, “QUE” = Juliana.

    Vamos relembrar as regras que se referem aos pronomes demonstrativos:


           Lembre-se de que é fazendo provas (principalmente do Cesp-Unb) que nós vamos tendo mais familiaridade com as questões que envolvem coesão e coerência. Um grande abraço e até o próximo domingo!







Mais uma aula de crase com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.02.2014 às 19:00

Queridos alunos, envio-lhes uma questão de crase que vai aclarar algumas dúvidas sobre esse assunto.

1.    Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.

Mais de 60 milhões de brasileiros usam a Internet,__1__ qual dedicam em média 44 horas mensais. Como se sabe,__2__ rede de computadores é uma importante ferramenta de comunicação, realização de negócios e acesso __3__ informações. Ainda assim, usuários e provedores de serviços não dispõem, no Brasil, de um arcabouço jurídico específico que estabeleça direitos e deveres no ambiente virtual. __4__ insegurança jurídica daí advinda não é desprezível. Criadores e gestores de conteúdo, desde o simples blogueiro aos maiores portais, encontram-se desprotegidos. Não raro, a Justiça os considera responsáveis por opiniões ou informações veiculadas em suas páginas – entendimento que nem sempre considera __5__construção coletiva engendrada na Internet. É bem-vinda, portanto, a iniciativa de levar__6__ discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.

1.    A primeira lacuna será preenchida com “À” -> o pronome relativo “A QUAL” uniu-se com a preposição “A” proveniente do verbo dedicar, que é transitivo direto e indireto. Lembremo-nos de que, se houver pronome relativo dentro da oração e depois dele um verbo que exija preposição, esta se deslocará para antes do relativo. “A” + “A QUAL” = À QUAL.
2.    Em “a rede de computadores”, no segundo item, o “A” diante de “rede” é apenas um artigo.
3.    Como não há o fenômeno da crase com um “A” singular diante de palavra no plural devido à ausência de artigo, a frase ficará assim: “… realização de negócios e acesso “A informações.”
4.    Igualmente ao caso descrito no número 2, na frase “A insegurança jurídica daí advinda não é desprezível.” O “A” é apenas um artigo.
5.    “Considera o quê?” como o verbo considerar é VTD, não há preposição, logo não haverá crase. “… nem sempre considera A construção…”
6.    Analisemos a inversão sintática que foi feita nesta frase: “… a iniciativa de levar À discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.” Se colocarmos esta frase na ordem direta, obteremos: “a iniciativa de levar o quê? UM MARCO CIVIL DA INTERNET. “levar aonde?”À DISCUSSÃO PÚBLICA.

A sequência correta então é:  À – A – A – A – A – À







FCC: A prova da Alepe está chegando

Publicado por Thomaz Vieira, em 9.02.2014 às 19:00

Mais uma vez, estamos falando de regência verbal e o faremos até a exaustão, pois é um assunto sempre pedido nas provas da Fundação Carlos Chagas. No geral, a transitividade verbal está sempre em jogo. Vejamos como isso nos é solicitado:

1. A interiorização das universidades federais e a criação de novos intitutos tecnológicos também mudam a cara do nordeste.

O mesmo tipo de complemento grifado acima está na frase:
a) …que mexeram com a renda…
b) …que mais crescem na região…
c) …que movimentam milhões de reais…
d) A outra face do novo nordeste está no campo.
e) …onde as condições são bem menos favoráveis…

Temos que pensar sempre a regência verbal como sendo contextual ou seja, não temos como pensar em regência desvinculados da frase onde o verbo está. Às vezes o verbo pode ser classificado, quanto à sua predicação, de diversas formas. O verbo mexer, por exemplo, que está na letra “A”, pode ser transitivo direto ou transitivo indireto; depende de em que oração a forma verbal esteja inserida. Na letra “A”, o verbo se comporta como transitivo indireto: “com a renda” é o objeto indireto. Já o verbo crescer, que está na letra “B”, é intransitivo; o termo que veio depois dele é um adjunto adverbial de lugar: “crescem onde? Na região.”. tomemos cuidado para não confundir o adjunto com um objeto indireto. A letra “C”, que é a nossa resposta, traz consigo um verbo transitivo direto, assim como aparece na frase-modelo: …mudam a cara do nordeste: o terno grifado anteriormente é o objeto direto do verbo “mudar”. O mesmo ocorre na letra “C”: “…movimentam milhões de reais”, este termo grifado também é um objeto do tipo direto. Curiosamente, o verbo “estar” na letra “D”, por vir seguido de adjunto adverbial de lugar, é classificado pela gramática normativa como sendo “intransitivo”. Vale relembrar o que já vimos antes sobre predicação: os verbos que classificamos normalmente como verbo de ligação, quando são seguidos de adjunto adverbial e não de predicativo do sujeito, serão classificados como intransitivos. Vamos a um exemplo rápido:

Na letra “E”, o verbo “ser” é um verbo de ligação, já que faz a “ponte” entre o sujeito e o predicativo “favoráveis”. Continuemos dando tudo de nós nessa reta final, um grande abraço e até domingo.







Revise frase, oração e período com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 2.02.2014 às 19:00

*Por Fabiana Ferreira

Vamos hoje nos remeter a um assunto bastante recorrente nas provas de todas as organizadoras: relações semânticas entre orações dentro do período. Vamos, então, relembrar alguns conceitos básicos para que não nos confundamos nas nossas provas:

· Oração: é toda e qualquer sentença que possui um verbo, independentemente de esta oração ter ou não sua sintaxe completa;

· Frase: é toda sentença que possui sentido completo; tenha verbo em seu interior ou não.

· Período: é um “espaço” que comporta orações. É a soma da característica primordial da oração e da frase: tem que ter verbo e fazer sentido. O período pode ser simples (com apenas uma oração) ou composto (com duas ou mais orações); mas não nos esqueçamos de que é necessário que o período tenha sentido completo. A delimitação do período deverá ser feita por: (.); (?); (!); (…).

Vamos observar alguns exemplos. A sentença: Ainda que me perguntem muitas vezes pela liberdade, é uma oração? Claro que sim! Pois possui verbo. É um período, claro que não! Já que não possui sentido completo. No entanto, na sentença: Embora me privem dos meus direitos, continuarei lutando por eles. Aqui existe um período? Claro que sim, pois além de possuirmos orações, há sentido completo. Esses são os pré-requisitos para a existência do período: ORAÇÃO e SENTIDO.

Temos que pensar também nas relações de sentido que uma oração desempenha em relação à outra dentro do período. Tendo isso em vista, observemos estas duas questões abaixo:

1. “Dá trabalho, mas vale cada minuto dedicado”, no lugar do termo sublinhado também se poderia escrever a expressão:
A) sem que   B) mais   C) no entanto   D) portanto   E) pois

Como nós percebemos, há uma relação de oposição, de contraste entre as duas orações, por isso, além de caber o mas, caberá também no entanto. RESPOSTA LETRA “C”

2. Em: “Chamei um amigo e decidi fazer um estudo para saber a situação em Lagoa Santa, que tinha 50 mil habitantes”, a palavra sublinhada indica que foi estabelecida uma relação de:
A) conformidade   B) concessão   C) finalidade   D) condição   E) adição

Se bem observarmos, a preposição para introduz uma oração que exprime a finalidade da oração anterior, assim sendo. Nossa resposta para a segunda questão está na LETRA “C”.

Por hoje, valem esses lembretes! Estudemos para valer, afinal de contas temos provas a serem organizadas pelas três principais organizadoras (CESPE; FCC e ESAF) e todas gostam muito das relações semânticas que se estabelecem entre as orações. Um grande abraço e até domingo!







Fabiana Ferreira: concordância verbo-nominal na FCC

Publicado por Thomaz Vieira, em 26.01.2014 às 19:00

Olá, queridos leitores! Hoje, vamos analisar juntos uma questão de concordância verbo-nominal, fazendo alguns comentários sobre este assunto muito frequente em provas de concursos. Quem elaborou esta questão foi a Fundação Carlos Chagas que não costuma abordar casos muito complexos e sim, principalmente, a regra geral de concordância verbal que diz: o verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.

A concordância está feita corretamente na frase:

(A) Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduz o risco de doenças cardíacas.

(B)) Com as comodidades da vida moderna, ocorreram mudanças de hábitos alimentares em todos os níveis sociais.

(C) A prática diária de esportes nem sempre são suficientes para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.

(D) Um dos maiores problemas atuais das crianças estão na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.

(E) Já está se manifestando em crianças certas doenças típicas de adultos, principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras.

A letra A é bem interessante, pois há nela dois motivos claros para que o verbo reduzir vá para o plural: em primeiro lugar, o primeiro núcleo do sujeito composto já está no plural, isso seria suficiente para que o verbo já fosse ao plural; vejamos ainda que uma das mais básicas regras de concordância diz: “sujeito composto anteposto ao verbo, verbo no plural”. Frase correta: “Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduzem o risco de doenças cardíacas.”

Sabemos que a letra B está correta, porque “mudanças de hábitos alimentares” é o sujeito da oração, e a regra diz que o verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.

“A prática diária de esportes” é o sujeito da oração, como ele se dirige a um verbo de ligação que traz depois de si um predicativo representado por um adjetivo, temos que envolver aí concordância nominal e verbal. Então a frase correta deveria ser: “A prática diária de esportes nem sempre É SUFICIENTE para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.”

“Um dos maiores problemas atuais das crianças ESTÁ na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.” Com quem “está” concorda? Com o numeral um da expressão “UM dos maiores problemas”. Essa concordância é obrigatória.

Vamos colocar a letra E na ordem direta para que o sujeito fique mais evidente e evitemos fazer concordância inadequada: “Certas doenças típicas de adultos já ESTÃO manifestando-se em crianças principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras”. Feita a organização, visualizamos bem que a concordância do verbo com o seu sujeito foi feita de forma incorreta na questão, corrigimos, escrevendo “ESTÃO”.

Um grande abraço e até o próximo domingo!







Fabiana Ferreira comenta concordância verbo-nominal

Publicado por Thomaz Vieira, em 19.01.2014 às 19:00

*Por Fabiana Ferreira

Olá queridos, hoje vamos fazer juntos uma questão de concordância verbo-nominal, lembrando-nos de que: na concordância verbal “O verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito” e, na nominal, o artigo, o pronome adjetivo, o numeral e o adjetivo concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem.

“A vida em um país nórdico, como a Finlândia, nos faz refletir mais profundamente sobre a relação entre liberdade, igualdade, autonomia e formatos sociais que podem propiciar vidas mais plenas e felizes aos seus cidadãos. Para alguém habituado a desigualdades, uma sociedade igualitária, com amplo respeito pela vida humana, excelentes índices de educação, burocracia inteligente e serviços públicos voltados (de fato) para melhorar a vida do cidadão, soa como um caminho para a produção de seres humanos mais plenos e sociedades mais inspiradoras. Talvez não seja assim.

Quando nos referimos à igualdade, não tratamos de mera distribuição equitativa da renda. A igualdade e a dignidade humana que uma sociedade pode produzir referem-se à possibilidade de o cidadão ter condições materiais e subjetivas à sua disposição, para que, atendidas suas necessidades básicas e diárias de bem-estar, ele se ocupe com questões outras que a sobrevivência. Essas necessidades básicas de bem-estar incluem uma ilimitada oferta de bens públicos: de excelentes creches, escolas, universidades, sistema de saúde e previdência a todos, piscinas públicas, parques, transporte confortável e excelente, seguro-desemprego por tempo indefinido, licença maternidade de 10 meses, muitas bibliotecas públicas…

No entanto, a Finlândia tornou-se uma sociedade tão igualitária quanto apática. Pouco criativa, reproduz o mundo com extrema facilidade, mas tem limitada capacidade transformadora. A maioria de seus educados cidadãos são seres pouquíssimo críticos: questionam pouco a vida que levam e são fisicamente contidos. E isso não parece ter forte relação com o frio. É um acomodamento social, um respeito quase inexorável pelas regras. Esse resultado não foi causado, é evidente, pelo formato social igualitário. Em outros termos, não foi a igualdade que deixou o país apático. Ademais, sociedades desiguais podem ser tão ou mais acríticas e reprodutoras. O ponto que nos intriga é que a igualdade, o respeito e a dignidade dados a todos não levaram à autonomia, ao pensamento criativo e crítico, e a processos transformadores.”

(Adaptado de Isabela Nogueira, Do bem-estar ao pensamento crítico:
um olhar sobre o norte,outubro 3, 2009 por Coletivo Crítica Econômica
http://criticaeconomica.wordpress.com/2009/10/03/ – acesso em 12/12/2011)

Assinale a opção correta a respeito das relações de concordância no texto.
a) A flexão de singular em “soa” (l.5) justifica-se pela concordância com “uma sociedade igualitária” (l.3).
b) Na linha 2, a enumeração de vários elementos, “liberdade, igualdade, autonomia e formatos sociais”
justifica a flexão de plural em “podem”.
c) Devido ao uso do pronome “se”, o plural em “referem-se” (l.15) é opcional: estaria igualmente correto empregar o singular: refere-se.
d) Por se referir a “sociedades desiguais” (l.37), o infinito em “podem ser” (l.37) admitiria também a flexão de plural, serem.
e) Na linha 39, o plural no pronome “todos” justifica a flexão de plural em “levaram”.

Para realizar determinadas questões de concordância, às vezes somos obrigados a voltar ao texto para analisar as afirmações, logo ponhamos a preguiça de lado e vamos à luta: na letra A, ocorreu o que várias organizadoras fazem bastante: deslocam o sujeito para o distanciá-lo ao máximo do verbo que lhe é correspondente. … uma sociedade igualitária, com amplo respeito pela vida humana, excelentes índices de educação, burocracia inteligente e serviços públicos voltados (de fato) para melhorar a vida do cidadão, soa como um caminho. Alternativa correta. Na letra B, a forma verbal “podem” concorda no texto com os núcleos “Relação e formatos” -> Sujeito composto, verbo no plural. Na letra C, jamais poderíamos concordar com essa afirmação já que o verbo referir-se é pronominal; só se conjuga, com a presença do pronome. Na letra D, também não podemos aceitar que o verbo principal se flexione ficando assim: “podem serem ou pode serem”, já que é função do auxiliar estabelecer a concordância com o sujeito. Por fim, na letra E, “… que a igualdade, o respeito e a dignidade não levaram à autonomia…” Novamente, sujeito composto -> verbo no plural.

Continuemos treinando concordância a fim de naturalizar esse assunto para a tão esperada “hora da prova”, um grande abraço e até domingo.







Professora Fabiana Ferreira dá dicas sobre vozes verbais

Publicado por Robson André, em 22.12.2013 às 19:00

Vozes Verbais

*Por Fabiana Ferreira

Queridos leitores, é com muita alegria que termino este ano na companhia de vocês. Para mim, é um prazer enorme ter este espaço de interlocução para refletir sobre aspectos relativos à Língua Portuguesa para concurso.

Vamos pensar um pouquinho hoje sobre o assunto de vozes verbais. Pois tanto a FCC quanto o CESPE/Unb abordam-no com frequência. Vamos lá:

O assunto que os gramáticos normativos costumam chamar de Vozes Verbais diz respeito ao relacionamento do verbo com o seu sujeito – termo da oração sobre o qual se presta uma informação. Esse sujeito pode ser agente (quando pratica a ação verbal, ou quando recebe um predicativo do sujeito por meio de um verbo de ligação), paciente (quando sofre a ação designada pelo verbo), ou reflexivo (quando o sujeito ao mesmo tempo que pratica, sofre a ação verbal). Logo teremos respectivamente verbos na voz ativa, verbos na voz passiva e na voz reflexiva.

Na frase, “Certas atitudes ameaçam a vida dos animais.” Quando perguntamos ao verbo o que é que ameaça a vida dos animais, ele responde: “certas atitudes”, portanto este é o termo chamado de sujeito que pratica – neste caso – a ação verbal.

Se você observou direitinho o verbo, ele pediu complemento sem que houvesse a anteposição da preposição, logo, esse verbo se chama “transitivo direto”, que é o único tipo a admitir a transposição para a voz passiva (salvo as seguintes exceções: Obedecer, desobedecer, pagar e perdoar)

.
A voz passiva se apresenta de duas formas:

  • Analítica: verbo SER (ou ESTAR — de pouco uso) + verbo no particípio;
  • Sintética: verbo transitivo direto + partícula SE como apassivadora.

Observemos:

Voz ativa

Voz passiva analítica

Certas atitudes ameaçam a vida dos animais.

Sujeito                          objeto direto

A vida dos animais é ameaçada por certas atitudes.

Sujeito                            agente da passiva

 

Na voz passiva sintética, usaremos o verbo transitivo direto recebendo a partícula SE como apassivadora. Constatamos, portanto, que basta a oração receber o SE para modificar toda a sua estrutura: quem era objeto direto passa a ser sujeito da oração e esta característica trará implicações na concordância verbal. “Compraram-se roupas usadas neste brechó.”

Compraram

Verbo na terceira pessoa do plural

Se

Partícula apassivadora

Roupas usadas

Sujeito paciente da oração

É importante que estudemos esse assunto com afinco, pois as mais requisitadas organizadoras sempre elaboram questões que o apresentam como base – tanto na exigência de transposição de ativa para passiva, quanto na busca pela equivalência entre a voz passiva analítica e a sintética.

Um grande abraço para todos, um Feliz Natal e muita dedicação para que possamos passar no concurso dos nossos sonhos. Que venha 2014!!!

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Gramática, gramática e gramática…Confira a coluna da semana de Fabiana Ferreira

Publicado por Marília Neves, em 15.12.2013 às 18:00

* Por Fabiana Ferreira

Queridos leitores, nos últimos artigos abordamos bastante como pensar em textos nas nossas provas de concurso. No entanto, é sempre bom refletirmos sobre a possibilidade de nos depararmos com alguma organizadora que goste de trabalhar a gramática dura, então, vamos tomar hoje duas questões que se baseiam nesse princípio mais gramatical.

1. Observe o seguinte excerto: “A intensidade e a velocidade dos transtornos climáticos no futuro vão depender do que fizermos agora em busca de formas menos poluidoras para reproduzir riqueza e conforto.” Em relação à oração em destaque, assinale a alternativa que identifica corretamente seu sujeito.

a) Sujeito composto por dois núcleos: intensidade e velocidade.
b) Sujeito composto por um núcleo: A intensidade e a velocidade.
c) Sujeito da oração é “transtornos climáticos”, sendo sujeito simples por conter apenas um núcleo.
d) Os sujeitos da oração são intensidade, velocidade e transtornos.
e) O sujeito é simples e seu núcleo é a intensidade.

Vejamos que a questão em destaque prima simplesmente por análise sintática e não semântica. A única coisa que temos que analisar nela é a quantidade de núcleos do sujeito (termo DA ORAÇÃO sobre o qual se presta uma informação). Esse sujeito, por possuir dois núcleos − intensidade e velocidade – é composto. Qual é problema da letra D? Afirmar que transtornos é núcleo do sujeito. Nunca poderia ser. Afinal não existe núcleo do sujeito regido de preposição, portanto concluímos que a alternativa correta é a letra A.

2. “O fenômeno é resultado da emissão de gases poluentes na atmosfera da Terra.” Quanto aos elementos destacados, assinale a alternativa correta.

a) Trata-se de um adjunto adverbial com valor temporal.
b) Trata-se de um adjunto adnominal que modifica o verbo, complementando seu sentido.
c) Trata-se de um complemento nominal.
d) Trata-se de um adjunto adverbial com noção espacial.
e) Trata-se do predicado da oração.

O termo grifado acima deve ser classificado como adjunto adverbial de lugar, pois imprime à oração inteira (anterior a ele) uma noção espacial ou de lugar. O termo espacial aparece menos nas gramáticas de língua portuguesa no Brasil. O fenômeno é resultado da emissão de gases poluentes onde? R. Na atmosfera da terra. Assim podemos afirmar que a resposta correta está na letra “D”.
Vemos, com o exemplo dessas duas questões, que as mais diversas bancas são capazes de abordar os assuntos contidos no edital de várias formas: de modo mais textual; às vezes de maneira mais gramatical… Seja qual for a forma de abordagem das questões, estejamos preparados. Um grande abraço e até domingo.

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Fabiana Ferreira fala das relações de sentido

Publicado por Marília Neves, em 8.12.2013 às 19:00

* Por Fabiana Ferreira

Vamos pensar um pouco em algumas das questões do Cespe-Unb em que nos é proposta a substituição de um termo por outro sem que haja mudança de sentido. A prática nos mostra que nem sempre tal troca é possível.

Vejamos um pequeno exemplo: Falou da diretora… Falou com a diretora… Falou sobre a diretora… Apenas a mudança da preposição já foi suficiente para mudarmos as relações de sentido, por isso, se nos propuserem uma troca, mantendo o sentido, isso não será possível.

Uma simples vírgula pode torná-lo um conselheiro cruel ou uma pessoa gentil e caridosa. Se por um acaso você vir alguém querendo exaltar-se poderá dizer: “Não discuta com o rapaz!”; ou ainda: “Não, discuta com o rapaz!”. Note que, na primeira frase, a ligação direta entre o advérbio de negação e o verbo, efetivamente, estabelece uma ideia de negação.

No entanto, na segunda frase, o uso do não, separado por vírgula do seu verbo, dá-nos uma ideia de intensa afirmação, portanto tomemos cuidado com nossos usos e interpretações. É por esse motivo que jamais poderemos dizer que basta a um adjunto adverbial está deslocado para que ele receba vírgulas. Temos na realidade que estudar caso a caso.

Vamos observar bem o uso dos verbos e suas regências, nesse caso específico a gramática normativa dá conta da mudança de sentido. É justamente a mudança de regência que determina a mudança de sentido.

Nas frases: “Nós aspiramos os perfumes franceses.” e “Nós aspiramos aos perfumes franceses.”, veja que houve uma alteração completa no sentido. Na primeira, aspirar está no sentido de cheirar.

Para que isso fosse marcado, houve a ausência da preposição “A”. Já na segunda, aspirar tem o sentido de querer, almejar, desejar e, para que isso, ocorresse houve apenas a colocação da preposição “A”.

A prova da Polícia Federal já está marcada. Estudemos com foco e objetividade para que consigamos a aprovação no concurso dos nossos sonhos. Um grande abraço e até domingo.

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Professora Fabiana Ferreira comenta mais sobre o Cespe/Unb

Publicado por Robson André, em 1.12.2013 às 19:00

Vamos continuar conversando sobre o Cespe/Unb

* Por Fabiana Ferreira

Olá queridos leitores, todos nós já sabemos que a prova da Polícia Federal será organizada pelo Cespe-UNB. Devemos atentar para o modelo de prova dessa organizadora, pois é seguro que, em vez de realizar provas de múltipla escolha, optará, como de costume, pelo tipo de prova em que o candidato marca Certo e Errado depois de analisar as assertivas. O enfoque no tocante aos assuntos será o de sempre: uma prova baseada em textos, que explora a contribuição da estrutura gramatical para a compreensão e interpretação de textos. Então vejamos que contribuições principais serão essas:
1. Em primeiro lugar “Os Pronomes” – nesse caso, não haverá simplesmente o reconhecimento destes como classe gramatical variável… e sim a análise de quem está funcionando como seu referente substantivo. Sabemos que o pronome ou acompanha ou substitui o nome (o substantivo), logo este será o seu referente. Vejamos alguns exemplos:

“Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. O pronome relativo “que” possui um referente ele é “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil”. Para sabermos quem é o referente do relativo, teremos que substituí-lo pelo seu antecedente, se houver coerência nesta substituição, eis o referente do pronome.

2. Também é muito comum que se aborde a substituição de formas verbais de voz passiva analítica e por voz passiva sintética. Observe: “foi detectado o sumiço, entre 2002 e 2008, de uma área de caatinga com três vezes o tamanho do Distrito Federal.”. O Cespe nos indagou sobre a forma verbal que resultaria da equivalência entre as vozes do verbo. Substituímos, então, foi detectado o sumiço por detectou-se o sumiço; já que a voz verbal formada de verbo SER mais PARTICÍPIO será substituída sinteticamente por VERBO NA TERCEIRA PESSOA mais PARTÍCULA “SE” COMO APASSIVADORA.

3. Cuidado com as “pegadinhas” que os elaboradores das questões fazem com a relação de explicação e restrição. Lembremo-nos de que, em orações adjetivas restritivas, não haverá a presença da vírgula, para separá-la do restante do período. Já a explicativa possuirá vírgulas, isolando-a completamente da oração principal. Vejamos um exemplo: “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. Já que o intuito da oração adjetiva foi de explicar o termo antecedente, as vírgulas, isolando-as foram obrigatórias.

Nossa prova da PF será realizada no mês de fevereiro, temos tempo de sobra para revisar todo o conteúdo programático. Um grande abraço e até domingo.

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Fabiana Ferreira aborda concurso da Polícia Federal

Publicado por Marília Neves, em 24.11.2013 às 19:00

*Por Fabiana Ferreira

O CESPE-UNB, ultimamente, tem sido a organizadora mais requisitada pelos órgãos públicos em todo o Brasil. Um mito que precisa com urgência ser derrubado é a abordagem textual. Muitas vezes escuto: “no CESPE só cai interpretação de texto…”. E isso é falso. O que ocorre com muita discrição é o uso do texto como elemento integralmente trabalhado: interpretação, gramática, trabalho com coesão e coerência textuais e abordagem semântica das palavras dentro do contexto no qual está inserida.

Vamos observar agora um fragmento de texto do qual serão retiradas algumas questões:

Sobre o tempo

Quando ainda não havia agendas, palm tops, compromissos inadiáveis, consulta com hora marcada, almoço com clientes… Mesmo quando não havia as chatices da modernidade, ainda assim, o homem contava o tempo. Se depois do Sol vinha a escuridão, e depois do breu novamente a luz, o mundo não poderia ser estático: da necessidade de controlar os períodos da colheita, nossos antepassados esboçaram os primeiros calendários.

 

Julgue os itens a seguir, com relação à tipologia, às estruturas gramaticais e às idéias do texto.

1. Os objetos diretos do verbo haver (l.1) representam exemplos em que a contagem do tempo se faz necessária.

2. A expressão “ainda assim” (l. 3) é uma conjunção, empregada no texto com sentido temporal.

3. Estabelecida a concordância adequada, o termo “homem” (l.3) pode ir para o plural sem que o sentido do trecho se altere.

4. Segundo o texto, pelas oposições “Sol”/“escuridão” (l.4) e “luz”/“breu” (R.5-6), o homem percebeu que o tempo passa.

Note-se que o item de número 1 traz consigo a mistura da nomenclatura textual com a sintática: o verbo haver exige complementos sem preposição – que são os Objetos Diretos. O que se confere no texto. Em segundo lugar, trabalham-se as relações de sentido, de conteúdo dos núcleos do objeto direto que realmente também condizem com as informações prestadas no texto.

Não é a expressão “ainda assim” que indica tempo e sim a conjunção “quando” anterior à expressão que o faz. Logo o item 2 está errado.

No item 3, percebe-se que o termo o homem é usado como sinônimo de humanidade, sendo assim, poderia ser substituído por os homens – lembrando-se de que o CESPE propõe alteração na concordância dos demais elementos. Fazendo essa observação, a alternativa é correta.

Alternativa correta! Constatamos isso pela leitura do fragmento: …ainda assim, o homem contava o tempo. Se depois do Sol vinha a escuridão, e depois do breu novamente a luz, o mundo não poderia ser estático…

Diante do que observamos, não poderemos deixar nada de lado: gramática, compreensão textual, coesão e coerência textuais (estudadas por nós em outras edições). Prova CESPE é análise do melhor conjunto, então seja o melhor conjunto. Um abraço para todos e até a próxima.

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Pontuação é debatida por Fabiana Ferreira

Publicado por Marília Neves, em 17.11.2013 às 19:00

*Por Fabiana Ferreira

Queridos leitores, o assunto de pontuação está sempre presente em nossas provas de concursos. É importante observarmos tal assunto mesmo quando não aparecer explicitamente o nome dele no enunciado, como ocorre parcialmente na seguinte questão que mescla interpretação textual e pontuação.

(TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.

Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:

(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.
(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências.
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.

Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”

Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… estruturalmente essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.

Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo…) está dando idéia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências). Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Se pensarmos que o uso da vírgula é obrigatório depois de “Catar”, concluiremos que não, pois só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.

Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE.

Um grande abraço e até domingo!

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.