Português Fácil

As mudanças nas provas de Português em concursos

Publicado por Thomaz Vieira, em 27.10.2014 às 10:00

Olá, queridos companheiros concurseiros!  Hoje nós vamos voltar a conversar um pouco sobre as mudanças gradativas no(s) modelo(s) de concursos públicos no tocante à abordagem de assuntos que envolvem a Língua Portuguesa. Antigamente, era raro utilizarmos textos nos concursos e, quando eram usados, apenas aspectos gramaticais eram ressaltados

Atualmente, há uma tendêcia de abordagem da Língua Portugesa (em concursos) tendo como objetivo prioritário analisar se o candidato possui competência comunicativa como falante, escritor, ouvinte ou leitor. Isto é, se ele capaz de interagir nas diversas situações de comunicação. A competência comunicativa implica duas outras competências: a linguística e a textual.

E como tudo isso é pedido nos concursos? Vejamos fragmentos de uma prova do Cespe/UnB:

Fragmento 1

“Para aumentar o volume de doações e transplantes de órgãos no país, o ministro da Saúde lançou a Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos. “Tempo é Vida” é o bordão da campanha, que expressa o apelo daqueles que estão à espera de um transplante.”

I.          A expressão “estão à espera” (l.3) contribui para a descrição de uma situação que se prolonga por algum tempo.

Essa afirmação está correta, já que a expressão “estão à espera” corresponde à “estão esperando” que nos remete ao presente contínuo, duradouro. O que percebemos nessa questão é que poderíamos ter-nos deparado com uma pergunta puramente gramatical, mas a preocupação não foi só com a estrutura e sim também com o efeito de sentido causado pelo uso dela.

Fragmento 2

“Não utilize medicamentos sem orientação de um médico e leia a bula antes de consumi-los;”

II.        Em “consumi-los”, o pronome “-los” refere-se ao antecedente “medicamentos.

Se estivéssemos numa perspectiva puramente gramatical, a questão se dirigiria ao emprego e à colocação pronominal. Contudo, nessa nova perspectiva foi feita uma relação entre o pronome e o seu referente textual (a quem o pronome se refere).

Continuemos avançando! Um grande abraço e até domingo.







Fabiana Ferreira volta a comentar concordância verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 20.10.2014 às 10:00

Olá, queridos leitores, estamos mais uma vez juntos para conversar sobre Concordância Verbal já que este assunto está sempre presente para nos testar e vale a pena traçar algumas estratégias para não perder essas questões de vista. Vejamos:

1.   As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

(A) A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas manifestaram-se, no Brasil, como tímidos protestos.

(B) Devem-se concluir da frequência e da quantidade de mensagens emitidas por celular que os jovens americanos estão escrevendo como nunca.

(C) Segundo alguns especialistas, reserva-se às crianças que deixarem de aprender a letra cursiva indesejáveis surpresas quanto ao desempenho cognitivo.

(D) Não se imagine que ocorram, com o fim dos exercícios de caligrafia, segundo Roberto Lent, quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais.

(E) A alternativa entre retornar à caligrafia ou esquecê-la para sempre podem parecer drásticas, mas é o que se impõe no momento de definição dos currículos escolares.

A primeira regra que devemos observar é a regra geral: “O verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.”. E quem é, afinal, a parte do sujeito que temos que levar em consideração? O SEU NÚCLEO! Então observemos que, se o sujeito da oração na alternativa A é “A repercussão daquelas alterações curriculares em várias escolas americanas”, quem é o seu núcleo para que possamos concordar com ele? REPERCUSSÃO. Logo, temos que concordar o verbo pronominal “manifestar-se” no singular: “manifestou-se”.

Outro caso que merece nossa atenção é o caso do sujeito oracional que está associado à partícula SE. Neste caso, ela é partícula apassivadora, pois está ligada a uma locução verbal – “Devem-se concluir”, cujo verbo principal – concluir – é transitivo direto. Logo, concluímos que o sujeito está presente na oração e se isso ocorre, temos que concordar com ele. Mas, a propósito, quem é o sujeito? O que é que se deve concluir? “que os jovens americanos estão escrevendo como nunca”. O sujeito, que é o termo sobre o qual prestamos uma informação verbal, é representado por uma oração inteira. Logo o verbo da primeira oração tem que ficar na terceira pessoa do singular. Concluindo:

“que os jovens americanos estão escrevendo como nunca deve-se concluir”.

Na letra “C”, o sujeito está deslocado, mas me respondam: O que é que se reserva às crianças: surpresas! Na ordem direta, teremos: Surpresas reservam-se às crianças. (surpresas são reservadas).

Na letra “D”, que é a alternativa correta, temos: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais” como sendo o sujeito da oração: “Não se imagine”, por isso imagine ficou na terceira pessoa do singular. Mas dentro da oração: “que ocorram quaisquer ônus ao desempenho biológico de grupos neuronais”, nós também temos um sujeito de um verbo, quem são eles? “quaisquer ônus” ocorram à sujeito no plural, verbo no plural!

E por fim, na letra E, “A alternativa… pode parecer…”, regra geral à sujeito no singular, verbo no singular.

Continuemos treinando! Um grande abraço e até domingo







Gramática, compreensão e a interpretação textuais

Publicado por Thomaz Vieira, em 13.10.2014 às 08:00

Olá, queridos leitores, vamos conversar um pouco hoje sobre como a sua concepção de gramática pode influenciar na sua forma de compreender e interpretar textos. Para isso, tomemos como exemplo uma questão da Covest que muitos alunos erraram por ter uma concepção de gramática pautada na dicotomia certo e errado.

A Covest, no concurso para assistente administrativo da UFPE/UFRPE usou um texto do ilustre professor Sírio Possenti intitulado “A Imagem das Gramáticas”. A maioria dos alunos que me procurou para pensar a primeira questão referente a esse texto não consegui encontrar a resposta correta, porque sua concepção de gramática o cegou. É isso mesmo! A concepção de gramática e de seu ensino como algo que corresponde a uma complexa estrutura a ser decorada e seguida à risca não permitiu que os leitores enxergassem a crítica que o professor estava fazendo. Vejamos o que diz início do texto: “Há claros preconceitos em relação às gramáticas. Muitos imaginam que se trata de um campo excessivamente complicado ou apenas chato. As línguas teriam numerosas exceções, e as gramáticas, terminologia demais. Nenhuma das afirmações é verdadeira. Provavelmente, há mais terminologia nas ciências biológicas que na gramática. E a morfologia das plantas talvez seja mais complexa que a das línguas.”

Vejamos o que Sírio Possenti está dizendo em seu texto: antes de falar o que em geral as pessoas acham sobre gramática ele já se posicionou dizendo que isso É PRECONCEITO, o que deixa claro que Sírio jamais defenderia, por exemplo que: “O que leva as pessoas a se desinteressarem pelo estudo da gramática é sua complicada morfologia e a excessiva terminologia com que são designadas suas unidades.”. Essa foi a afirmação que estava presente na letra A e que, estatisticamente, foi a letra que mais foi marcada pelos que erraram a questão. Na verdade o que disse o professor em seu texto? Qual foi o seu protesto quanto à concepção que as pessoas têm gramática? “O desinteresse pelo estudo da gramática decorre de percepções equivocadas acerca da linguagem e da finalidade puramente prescritiva com que esse estudo é feito.”. Essa alternativa estava na letra D. Essa sim retrata a indignação presente no texto proposto pela covest.

Peço que antes de interpretar textos, leiam-nos, tente compreendê-los para que ideias preconcebidas sobre assuntos que fazem parte de nossa vida não interfiram na resposta das questões propostas pelas organizadoras. Um grande abraço e bons estudos!







Interpretação textual: milagre ou exercício diário?

Publicado por Thomaz Vieira, em 6.10.2014 às 10:00

Olá, queridos companheiros de todos os domingos! Vamos fazer uma pequena reflexão inicial sobre interpretação textual: Você está desafiando a preguiça ou esperando que o conhecimento caia do céu? Isso me veio à mente pelo fato de que muitos alunos no nosso primeiro dia de aula me perguntam quando iremos aprender a interpretar textos. O curioso nisso tudo é que a pergunta é recorrente – ocorre em quase todas as turmas que inicio. Mas antes de seguirmos nesse assunto, eu faço a pergunta a você, leitor: O que acha, interpretação de texto se resume a meia dúzia de dicas ou é, antes de tudo, o ato de assumir o compromisso DIÁRIO de botar a “mão na massa”?

Eu ficaria, sem sombra de dúvida, com a segunda possibilidade. Que as orientações sobre interpretação textual são importantes, isso eu não nego, no entanto necessitamos criar o hábito de treinar. Nós escutamos muitos conselhos na vida sobre interpretar e escrever, esses geralmente giram em torno da leitura. – Leia e todos os problemas da humanidade estarão resolvidos! Isso é uma piada. A leitura é uma competência importantíssima a ser desenvolvida, todavia não traz como consequência o domínio da interpretação, tampouco da escrita. Então, o que você está esperando? Vá agora para a frente do seu computador, selecione textos que foram usados em provas e suas respectivas questões e leia um por dia, realizando as questões.

Lembre-se:

· Não fuja ao que está posto no texto;

· Não dê sua opinião sobre questões relativas à sua temática;

· Leia o texto quantas vezes forem necessárias;

· Você perceberá que, à medida que treinar, precisará ler menos vezes os textos e lerá muito mais rapidamente;

· Volte ao texto sempre que for necessário.

Para despedir-me, por hoje, sugiro que você entre no site do PCI concursos e busque provas da FCC. Uma por dia, três questõezinhas e eu garanto o sucesso. Claro que no início você cometerá muitos erros, mas não desanime. Investigue sobre as falhas e o próximo será melhor. E se lembre sempre de que sua opinião jamais poderá sobrepor-se às ideias do texto. Um grande abraço e até domingo.







As nomenclaturas usadas pelas organizadoras

Publicado por Thomaz Vieira, em 29.09.2014 às 10:00

Olá, queridos concurseiros! Vamos a mais uma conversa boa sobre Língua Portuguesa. Neste dia, queremos focar bem na nomenclatura utilizada por algumas organizadoras para determinados fenômenos da língua, principalmente no campo textual.

Vamos fazer algumas definições, por meio de tópicos, a fim de facilitar a nossa vida na hora da prova:

- Coesão textual: Diz respeito aos mecanismos linguísticos, utilizados na superfície textual, permitindo uma sequência lógica entre as partes de um texto.

- Elementos anafóricos: são termos que auxiliam na coesão textual, retomando palavras, expressões ou orações inteiras. Isso nos ajuda a dar progressão ao texto buscando, a não-repetição e a não-ambiguidade.

Os presidentes de vários países do mundo se reuniram nesta semana para tratar de assuntos do interesse das nações. Eles discutiram sobre economia, política e meio-ambiente.

- Elementos catafóricos: são termos que também auxiliam na coesão textual, no entanto, neste caso, eles anunciam palavras, expressões ou orações inteiras que, logicamente, ainda serão ditas no texto. 

Não aceito isto: preguiça!

- Elementos dêiticos: São elementos textuais que nos situam no que diz respeito ao lugar e ao tempo em que o enunciado é produzido e à(s) pessoa(s) participante(s) das ações/estados do enunciado no texto. Tomemos como exemplo esta charge que nós já utilizamos antes para falar de outras 

No segundo quadrinho temos um bom exemplo de dêixis espacial: Quando o peixe diz: Alguém colocou essa minhoca aí. Todo esse fragmento tem como objetivo principal dizer “onde” a minhoca está. Note que, no quadrinho 2 assim como no 3 o peixe ainda está distante da minhoca, nada mais esperado do que, então, o uso do pronome de segunda pessoa “Essa” e o uso do advérbio “aí”.

Um abraço enorme para todos e, para os que vão fazer provas da FGV, uma excelente prova e não deixem de acompanhar as novidades no Blog do Concursos.







Relações semânticas entre orações e conjugação verbal

Publicado por Thomaz Vieira, em 3.09.2014 às 08:00

Olá, queridos leitores, é com muito prazer que voltamos a falar das relações de sentido que se estabelecem entre orações conectadas por conjunções. É sempre bom treinarmos tanto o reconhecimento desses sentidos como as possíveis substituições de uma conjunção por outra. Além disso, escolhi para hoje um assunto que trabalhei com meus alunos durante toda a semana: conjugação verbal, dando ênfase à conjugação de formas derivadas a partir de primitivas. Vamos lá:

“O artigo que previa meia-passagem em transporte interestadual para todos os estudantes com até 29 anos, independentemente da finalidade da viagem, foi retirado. No entanto, a presidenta manteve a reserva de duas cadeiras gratuitas e de duas meias-passagens para jovens de baixa renda em ônibus interestaduais.” Nesse trecho, a expressão utilizada indica que o autor pretendeu:

A) apresentar a causa de um fato.

B) introduzir uma conclusão.

C) acrescentar uma informação, apenas.

D) reformular uma ideia apresentada.

E) opor duas informações.

É necessário recordar que comumente enunciados se opõem semanticamente, e isso se materializa através de conectivos tanto adversativos quanto concessivos. Se opomos duas orações independentes, usando conjunções ou locuções conjuntivas, necessariamente o fazemos por meio das adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. E foi o que fizemos no trecho: “O artigo que previa meia-passagem em transporte interestadual para todos os estudantes com até 29 anos, independentemente da finalidade da viagem, foi retirado. No entanto, a presidenta manteve a reserva…”. Portanto nossa resposta está na letra “E”, que descreve a relação de sentido da locução conjuntiva “no entanto” como a que é capaz de opor duas informações.

Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está corretamente conjugada.

A) A União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Conselho Nacional da Juventude não intervieram no texto final do Estatuto.

B) Praticamente tudo o que os jovens proporam foi aprovado no Estatuto.

C) Os movimentos dos jovens terão garantida uma vitória, se, de fato, as instituições porem em prática o que preconiza o Estatuto.

D) O Estatuto vem comprovar que os jovens tem força para lutar por seus direitos.

E) Os jovens requiseram seus direitos, e foram ouvidos, ainda que parcialmente.

Devemos associar a conjugação dos verbos derivados aos verbos que lhe deram origem. Logo todos os verbos derivados devem ser conjugados tais quais os seus primitivos. Iniciemos observando a forma perfeita que está na letra “A” – Intervieram, derivada do verbo vir – que se conjuga no passado perfeito do indicativo assim: vim; vieste; veio; viemos; viestes; vieram. Qual seria, então, a forma correta da letra “B”? Propuseram (de puseram). O caso da letra “C” é diferente, o que nos é solicitado é apenas a conjugação do verbo PÔR no futuro do subjuntivo: puserem. Já na letra “D”, a questão nos chama à observação do uso do circunflexo como diferencial de plural. Assim deveríamos dizer: “…os jovens têm força para lutar…”. Por fim, convém lembrar que requerer não é derivado de querer - como já vimos em artigos anteriores. Por isso a forma não é “requiseram” e sim “requereram”. Um grande abraço a todos e continuemos firmes nos nossos estudos!







Fabiana: Funções sintáticas dos pronomes relativos

Publicado por Thomaz Vieira, em 19.08.2014 às 08:00

No último domingo (17), a Folha dos Concursos trouxe mais uma coluna da professora Fabiana Ferreira, falando de Língua Portuguesa. Nesta edição, a docente explicou um pouco sobre funções sintáticas dos pronomes relativos. Confira:

 

Olá, queridos leitores da Folha dos Concursos! É muito bom estar com vocês todos os domingos. Hoje vamos relembrar um assunto que já abordamos em colunas anteriores, mas que nunca se esgota: são as funções sintáticas dos pronomes relativos.

Lembremos que todo pronome relativo substitui um nome que o antecede, logo, tal termo fará ecos na oração iniciada pelo relativo, desempenhando, assim, determinada função sintática nela.

Vejamos então algumas dessas funções e como deveremos proceder para reconhecê-las.

 

- Sujeito

Na segunda oração, devemos substituir o relativo por seu antecedente – como artifício – a fim de descobrir qual é a função do “que”:

Fabiana me emprestou o livro… Se “Fabiana” é o sujeito dessa oração, o relativo, que foi substituído por “Fabiana”, também será classificado sintaticamente como sujeito da segunda oração.

 

- Objeto direto

Vamos à substituição: “O carro nós compramos”. Devemos colocar tudo na ordem direta para identificarmos a função com mais facilidade: “Nós compramos o carro.” Se “o carro” funciona como objeto direto do verbo comprar, logo atribuiremos ao relativo “que” a mesma função – objeto direto.

 

- Objeto indireto

Não podemos esquecer-nos de, na substituição, colocarmos a preposição diante do antecedente. Então: “Do projeto ele participou desde o início.” Organizando: “Ele participou do projeto desde o início.”. “do projeto” é objeto indireto, logo é essa a função atribuída ao pronome “que”.

No nosso próximo encontro, explicitaremos as funções sintáticas de: complemento nominal, predicativo, adjunto adverbial e adjunto adnominal. Um grande abraço e até o próximo domingo.







Pronomes oblíquos e suas funções sintáticas

Publicado por Marília Neves, em 22.07.2014 às 18:00

* Por Fabiana Ferreira

Demos um intervalinho no assunto de pontuação e voltamos para os pronomes a fim de concluirmos suas aplicações morfossintáticas. Na próxima semana, daremos continuidade ao assunto de pontuação abordando sua atuação nas orações coordenadas e subordinadas. Vejamos:

 

Vejamos que, em se tratando dos pronomes me, te, se, nos, vos, só saberemos qual é sua função sintática se observarmos o verbo. Analisemos:

Disse-me meias verdades por longos anos.

O verbo “dizer” é um verbo que nos pede dois complementos, pois quem “diz” “diz” algo a alguém. Logo se ele disse “meias verdades”, “meias verdades” é o objeto direto, qual foi então a função que sobrou para o ME? Quem respondeu objeto indireto acertou!

Organizei-me para o jantar de confraternização.

O verbo “organizar” é transitivo direto, ou seja, pede-nos complemento sem preposição, portanto o pronome ME é um objeto direto.

Quando vemos os demais pronomes da tabela utilizados corretamente, sabemos sem dúvidas que eles possuem funções específicas: ou objeto direto ou objeto indireto, vejamos:

Deixei-a em casa logo após a recepção. Objeto direto
Procurei-as para conversar sobre os cursos. Objeto direto

Entreguei-lhe o material do curso de português. Objeto indireto
Informou-lhes que o curso foi adiado. Objeto indireto

Quem costuma abordar muito esse assunto é a fundação Carlos Chagas, o Cespe/Unb, a Fundação Getúlio Vargas, portanto estudemos já que essas organizadoras são muito requisitadas pelos diversos órgãos e entidades públicos por sempre manter excelência na elaboração de suas provas. 

Um grande abraço a todos e até domingo!

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Fabiana Ferreira: novos pontos sobre pontuação

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.07.2014 às 09:00

Olá, queridos concurseiros, estamos de volta nesta semana para dar continuidade ao assunto de pontuação. Vamos hoje nos lembrar da máxima que vimos na semana passada: “Não se separa sujeito de verbo por meio de vírgula”. É preciso lembrar, porém, que alguns termos da oração – que podem vir intercalados – são, às vezes, separados de maneira obrigatória por meio de vírgula, duplo travessão ou parênteses. Vamos a alguns casos interessantes.

Usa-se a vírgula:

1.   Para separar ou intercalar vocativos:

Senhor Presidente, muito obrigada por atender às nossas solicitações!

A vida, meu bem, é feita de escolhas.

Vejamos que, estando o vocativo onde estiver, seu isolamento é garantido!

2.   Para separar, em geral, adjuntos adverbiais deslocados de sua posição direta na frase:

De manhã, preferimos comer bastantes frutas.

Fica claro para todos, inicialmente, que não temos recursos para todas as obras.

É importante frisar que o uso das vírgulas que isolam esses adjuntos adverbiais, representados por advérbios e locuções adverbiais é facultativo. Dizem os gramáticos mais preocupados com o estilo que quanto maior o adjunto adverbial, mais se sente a necessidade de usar a vírgula.

3.   Para separar as partículas e expressões de explicação e correção:

Sairá amanhã, aliás, depois de amanhã. (Retificação)

Devemos ser mais claros, ou seja, explicar todos os detalhes do contrato sem rodeios. (Explicação)

4.   Para separar, obrigatoriamente, conjunções deslocadas:

A proposta expressa no contrato, porém, só era satisfatória para uma das partes.

Devemos lembrar que o lugar canônico, direto da conjunção dentro da oração é no início. Logo, se a colocamos depois do verbo, seu isolamento passa a ser obrigatório.

5.   Para indicar, às vezes, a elipse do verbo.

Ele sai agora; eu, daqui a alguns minutos.

Notemos que podemos subentender a presença do verbo sair depois do pronome “EU”, marcamos sua omissão por meio de uma vírgula obrigatória.

Por hoje, queridos, ficamos por aqui. No próximo domingo, dedicaremos nosso espaço à pontuação nas orações. Um grande abraço e até lá.







“Pontuação: algumas reflexões”, por Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 6.07.2014 às 19:00

O perfeito domínio da pontuação representa uma dificuldade séria da escrita. Por duas razões. Primeiro: porque dela depende em grande parte a clareza de um texto; segundo: porque é muito difícil reduzi-la a meia dúzia de regras e mesmo que se conseguisse cada uma delas teria exceções.

De acordo com Carlos Alberto Faraco e Cristóvão Tezza “Os sinais de pontuação cumprem a tarefa ingrata e – difícil – de representar graficamente os recursos entonacionais da linguagem oral. A rigor, é uma tarefa impossível. Basta observar que podemos fazer a mesma pergunta de mil modos diferentes, mas dispomos apenas do discreto (?) para transcrevê-la…”

Vemos então o quanto a pontuação é uma convenção redutora, que não se destina simplesmente a imitar a fala, mas ordenar a escrita de acordo com um código padrão específico do texto escrito. Vejamos que, às vezes, essa convenção até contraria a entonação da fala. Basta, por exemplo, termos um sujeito muito grande como em:

Os acontecimentos dos últimos dias na capital do Japão levaram-nos a reflexões sobre a construção de usinas nucleares no Nordeste do Brasil.

Se formos pronunciar essa frase, sentiremos a necessidade da presença de uma vírgula depois de Japão; uma vez que ali se faz uma breve pausa. Leia em voz alta e confira. Mas nem pense em colocar essa vírgula aí, pois a regra máxima de pontuação em língua portuguesa diz que jamais se usa vírgula entre sujeito e predicado independentemente da extensão do sujeito.

Essa é a regra-mãe da pontuação: não poderemos, enfim, separar sujeito de verbo por meio de vírgulas! Um grande abraço a todos e até domingo.







Por Fabiana Ferreira

Olá, queridos leitores! Faz um tempinho que nós não tratamos da partícula SE como índice de indeterminação do sujeito e como partícula apassivadora e sabemos que é muito comum encontrar alguns alunos com dúvida sobre tais classificações. Como poderemos começar a falar sobre esse assunto? Prefiro fazer uma tabelinha, que não contemplaria, é lógico, tudo o que os estudiosos falam sobre o assunto, mas nos daria uma luz para fazermos as nossas provas de concurso com tranquilidade.

Vamos observar alguns exemplos para ilustrar as duas situações, aproveitaremos os exemplos para analisar como se comportam os verbos, acompanhados dessas partículas, quanto à concordância.

1. Ainda que se vejam as fogueiras e se ouçam os gritos dos manifestantes, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima.

R. Vejamos que a partícula SE, que aparece duas vezes na frase acima, classifica-se como partícula apassivadora. Concluímos isso a partir da observação do verbo com o qual ela se une: ambos transitivos diretos. Vemos, então, que estamos diante da voz passiva sintética, que corresponde à voz passiva analítica: "Ainda que a fogueiras sejam vistas e que os gritos dos manifestantes sejam ouvidos, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima".

2. Naquele lugarejo distante ainda se acredita em discos voadores.

R. A partícula SE é Índice de Indeterminação do Sujeito. Percebemos isso pelo vínculo que se estabeleceu entre o pronome SE e o verbo transitivo indireto. Neste caso, haverá a concordância na terceira pessoa do singular.

Esses estudos estão longe de se esgotar, por isso devemos buscar sempre, por conta própria, exercícios que contemplem esse assunto para que não erremos nenhuma questão que envolva a partícula SE. Um grande abraço e até a próxima semana.







Mais treino de regência verbal com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 24.06.2014 às 12:00

Depois de todas as tempestades que envolveram o concurso da Guarda Municipal do Recife, voltamos à calmaria, prontos para voltar a escrever sobre os diversos assuntos que fazem parte do universo dos concurseiros. Escolhemos regência hoje por sabermos o quanto esse assunto é exigido em diversas provas tanto de nível médio quanto de superior. Vejamos uma questão interessante:

1.      A interiorização das universidades federais e a criação de novos intitutos tecnológicos também mudam a cara do nordeste.

O mesmo tipo de complemento grifado acima está na frase:

a)      …que mexeram com a renda…
b)      …que mais crescem na região…
c)      …que movimentam milhões de reais…
d)     A outra face do novo nordeste está no campo.
e)      …onde as condições são bem menos favoráveis…

Temos que pensar sempre a regência verbal como sendo contextual. Às vezes o verbo pode ser classificado, quanto à sua predicação, de diversas formas. O verbo mexer, por exemplo, que está na letra “A”, pode ser transitivo direto ou transitivo indireto; depende de em que oração a forma verbal esteja inserida. Na letra “A”, o verbo se comporta como transitivo indireto: “com a renda” é o objeto indireto. Já o verbo crescer, que está na letra “B”, é intransitivo; o termo que veio depois dele é um adjunto adverbial de lugar: “crescem onde? Na região.”. tomemos cuidado para não confundir o adjunto com um objeto indireto. A letra “C”, que é a nossa resposta, traz consigo um verbo transitivo direto, assim como aparece na frase-modelo: …mudam a cara do nordeste: o terno grifado anteriormente é o objeto direto do verbo “mudar”. O mesmo ocorre na letra “C”: “…movimentam milhões de reais”, este termo grifado também é um objeto do tipo direto. Curiosamente, o verbo “estar” na letra “D”, por vir seguido de adjunto adverbial de lugar, é classificado pela gramática normativa como sendo “intransitivo”. Vale relembrar o que já vimos antes sobre predicação: os verbos que classificamos normalmente como verbo de ligação, quando são seguidos de adjunto adverbial e não de predicativo do sujeito, serão classificados como intransitivos. Vamos a um exemplo rápido:

Paulo

Está

doente

sujeito

Verbo de ligação

Predicativo do sujeito

Paulo

Está

no hospital

sujeito 

Verbo intransitivo 

Adjunto adverbial

Na letra “E”, o verbo “ser” é um verbo de ligação, já que faz a “ponte” entre o sujeito e o predicativo “favoráveis”. Um grande abraço a todos e até domingo.







Fabiana Ferreira comenta prova da Guarda do Recife

Publicado por Thomaz Vieira, em 8.06.2014 às 19:00

Uma pausa para um pouco de reflexão…

Queridos leitores, hoje não estou tão contente quanto de costume. Tenho um prazer enorme em escrever para vocês as nossas dicas de Língua Portuguesa, mas também uma obrigação sócio-política de chamá-los a refletir comigo sobre os efeitos devastadores produzidos por uma organizadora mal preparada.

No dia 1º de junho de 2014, foi realizada a prova da CTTU, considerada por muitos a prova do ano. Muitas organizadoras foram cotadas para realizar esse certame de grande vulto, mas a escolhida foi o IPAD. Gostei, muito, particularmente, da escolha, pois, EM SE TRATANDO DE LÍNGUA PORTUGUESA, a equipe elaboradora da PROVA nunca me trouxe decepções. No entanto, dessa vez, a tristeza foi generalizada: a prova de Língua Portuguesa foi sofrível e a organização do evento, principalmente no que concerne ao preparo dos FISCAIS para eventuais “sinistros”, uma lástima.

Vamos por partes: O EDITAL… Conhecimentos Básicos (Língua Portuguesa e Matemática)… Eu me debruçarei sobre o conteúdo programático de Português, claro: Leitura e interpretação de textos (e todos os seus desdobramentos); relações semânticas de causa, tempo, condição[...], ortografia, pontuação expressiva, concordância nominal e verbal, flexão nominal e verbal. Poucos assuntos, mas assuntos extremamente importantes quando abordados à luz da construção dos sentidos do texto. E o que foi que se efetivou, enfim, na citada prova da CTTU? Resposta: Um texto de duas páginas corridas, texto imenso, cansativo, do qual derivaram 08 das 10 questões de Português da prova da CTTU. Questões do tipo: “O autor deixa implícito”… “Fica explícito no texto”… “Qual o tema mais relevante abordado no texto?” Deixo na mão de vocês o julgamento sobre esse tipo de enunciado.

Continuemos. Olhem a questão de ortografia: “Indique a alternativa cujo emprego da letra H está correto…”. Queridos, o que nós esperávamos de uma pessoa que tem o costume de elaborar provas de concurso? Que ao menos abordasse ortografia das expressões, pois tal abordagem leva em consideração os dizeres contextuais do texto. Minha decepção estava quase no ápice, quando virei a página e deparei-me com a questão de pontuação. Observemos a frase dada como incorreta na questão 10: “O saber, viver, é a chave da paz.”. Se o candidato sabe que o artigo substantiva qualquer palavra/expressão, sabe também que a expressão “saber viver”, ao ser substantivada pelo artigo, passa a desempenhar (nesta pequena frase) a função sintática de sujeito, sendo assim absurda a colocação das duas vírgulas isolando “viver”. Esperávamos, sem dúvidas, uma questão melhor, mas pasmem: essa não foi das piores da prova…

Onde estão os assuntos que envolvem as relações semânticas das orações? Concordância verbo-nominal? Flexão nominal e verbal? Para mim, o que houve foi um desrespeito com todos os profissionais que se preocupam seriamente em preparar os alunos para os concursos e acima de tudo com os concurseiros, que param suas vidas para correr atrás de um sonho tão facilmente frustrado por uma organizadora que mostrou sua falta de comprometimento com seu público-alvo: todos os cidadãos pernambucanos.

Eu me perguntaria ainda, e, para finalizar: Merecem os alunos estudiosos ver, em suas salas, alunos outros com celulares em punho fotografando as provas, cartões-resposta e publicando em mídias sociais? Merecem ver pessoas fazendo provas em grupo, iluminando-as com as telas dos seus celulares? Quem usa celular para iluminar uma prova, usa-o para compartilhar gabaritos e outras coisas mais. Enfim, fica aqui a nossa pequena contribuição na busca de concursos cada vez mais decentes.







Revise acentuação gráfica com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 1.06.2014 às 19:00

Olá, queridos leitores, hoje vamos reforçar o assunto de acentuação gráfica, dando ênfase, principalmente, à acentuação dos verbos. Vejamos:

(FGV-RJ) Assinale a alternativa que completa as frases:


I – Cada qual faz como melhor lhe ……. .
II – O que ……. estes frascos?
III – Nestes momentos os teóricos ……. os conceitos.
IV – Eles ……. a casa do necessário.


a) convém, contêm, reveem, proveem
b) convém, contém, revêem, provém
c) convém, contém, revêm, provém
d) convêm, contém, revêem, provêem
e) convêm, contêm, revêem, provêem
 

No item I, o verbo convir está na terceira pessoa do singular, então se conjuga convém. Como a conjugação da terceira pessoa do plural é igual, usamos o acento agudo para o singular e o circunflexo para marcar o plural. No II, lembremo-nos: sujeito no plural, verbo no plural! Logo, teremos: O que estes frascos contêm? No item III, temos um verbo derivado de ver, neste caso, há a duplicação do “ee” e, segundo o novo acordo, não haverá acento: reveem. O verbo prover significa abastecer; se ele é derivado de ver, haverá a duplicação do “ee”: proveem.
 

Vamos para a segunda questão:

(CESCEM) Sob um ….. de nuvens, atracou no ….. o navio que trazia o ….. .
a) veu, porto, heroi
b) veu, pôrto, herói
c) véu, pôrto, heróis
d) véu, porto, heroi
e) véu, porto, herói

Nos ditongos éi, ói, éu, haverá acento quando as palavras forem oxítonas ou monossílabas e os ditongos forem abertos. É justamente o caso de réu.  Porto não possui acento, pois é paroxítona terminada em o, além do mais o acento diferencial de timbre não existe… Em herói, apareceu acento porque há nela ditongo aberto em palavra oxítona.

Espero que essas questões possam “abrir o apetite” de vocês no que diz respeito ao assunto de acentuação, tão importante para os nossos concursos. Um grande abraço!







Mais treino de concordância com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 11.05.2014 às 19:00

Queridos leitores, como nós sabemos, concordância nunca é demais. Temos consciência de que as questões de concordância são as que mais aparecem nas nossas provas, portanto dar ênfase a elas nunca é demais. Vejamos: 
A concordância está feita corretamente na frase:

(A) Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduz o risco de doenças cardíacas.
(B)) Com as comodidades da vida moderna, ocorreram mudanças de hábitos alimentares em todos os níveis sociais.
(C) A prática diária de esportes nem sempre são suficientes para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.
(D) Um dos maiores problemas atuais das crianças estão na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.
(E) Já está se manifestando em crianças certas doenças típicas de adultos, principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras.

A letra A traz dois motivos claros para que o verbo reduzir vá para o plural: em primeiro lugar, o primeiro núcleo do sujeito composto já está no plural, isso seria suficiente para que o verbo já fosse ao plural; vejamos ainda que uma das mais básicas regras de concordância diz: “sujeito composto anteposto ao verbo, verbo no plural”. Frase correta: “Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduzem o risco de doenças cardíacas.”

Sabemos que a letra B está correta, porque “mudanças de hábitos alimentares” é o sujeito da oração, e a regra diz que o verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.

“A prática diária de esportes” é o sujeito da oração, como ele se dirige a um verbo de ligação que traz depois de si um predicativo representado por um adjetivo, temos que envolver aí concordância nominal e verbal. Então a frase correta deveria ser: “A prática diária de esportes nem sempre É SUFICIENTE para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.”

“Um dos maiores problemas atuais das crianças ESTÁ na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.” Com quem “está” concorda? Com o numeral um da expressão “UM dos maiores problemas”. Essa concordância é obrigatória.

Vamos colocar a letra E na ordem direta para que o sujeito fique mais evidente e evitemos fazer concordância inadequada: “Certas doenças típicas de adultos já ESTÃO manifestando-se em crianças principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras. Feita a organização, visualizamos bem a concordância do verbo com o seu sujeito.

Sigamos estudando regência, crase, concordância, pontuação, já que esses são assuntos que nunca deixam de cair nas nossas provas. Um grande abraço e até domingo.