Português Fácil

Olá, queridos leitores. Vamos hoje conversar um pouco sobre figuras de linguagem… estava, nesses dias, escutando uma música belíssima de Chico César, chamada “Estado de poesia”. Peguei-me pensando muito, então, sobre uma diferença física entre a antítese e o paradoxo. O paradoxo é a instalação do conflito; do contraditório; do “ilógico” – dentro de uma lógica formal – no entanto sem que haja a oposição criada pelo uso de palavras semanticamente opostas, esta seria, enfim, a apresentação da antítese: oposição física; antonímia constituída…

Vamos dar uma olhada num trecho da música: para iniciar nossa pequenina análise.

…É belo vês o amor sem anestesia

Dói de bom, arde de doce, queima, acalma
Mata e cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora é o estado de poesia

Vou sublinhar os paradoxos para analisarmos juntos – lembrem-se de que a análise não é literária e sim linguística…

Os pares: dói de bom/// arde de doce///queima e acalma são exemplos de um paradoxo que se instala entre o sofrimento (dói; arde; queima) e o alívio (bom; doce; acalma). Mesmo sem serem palavras antônimas ou ações antagônicas, a oposição, o contraste aparece. Isso é constituinte da Figura de Linguagem rotulada como paradoxo.

Agora vou colocar em negrito, no texto, as antíteses.

Vejamos que, novamente, precisamos analisar as palavras “par a par” a fim de ver onde o antagônico se constrói, desta vez formulado, escrito, posto, por meio de palavras semanticamente contraditórias; por meio de ações antagônicas: Mata e cria///chora e ria///dentro e fora///não fica nem vai embora. Assim concluímos o que é a antítese, calcada na choque entre palavras de sentidos antagônicos…

Espero que vocês, assim como eu, viajem nessa música e aproveitem dela uma pequena fatia de reflexão linguística que possa ser útil para pensarmos mais, emocionarmo-nos mais e, quem sabe, termos mais facilidade com nossas provas de concurso. Até porque esse assunto vai cair na prova da PM. Um grande abraço a todos, um excelente final de semana e bons estudos.


Fabiana Ferreira – Pontuação

Publicado em 25.04.2016 às 10:00

Queridos leitores, é necessário que nos preocupemos com o assunto de pontuação para garantir mais uma questão na prova. Esta questão, em especial, nos trouxe uma mescla de interpretação textual e pontuação. Nada muito explícito no enunciado, o que nos chama a atenção para que levemos em consideração os mais diversos aspectos gramaticais.

1. (TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.
 
Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:
 
(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.
(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências.  
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.
 
Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”
Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… Estruturalmente, essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.
Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo…) está dando idéia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências).  Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Foi nessa assertiva que a minha leitora teve dúvida, pensando se não seria obrigatório o uso da vírgula depois de “Catar”. Seu raciocínio foi: “se no Catar é um adjunto adverbial de lugar, então, o uso de vírgulas isolando o adjunto não seria obrigatório?”. A resposta é “NÃO”. O uso da vírgula é facultativo. Só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.
Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE. 
Um grande abraço a todos e até domingo!


    Queridos leitores, é com o prazer de sempre que escrevo para vocês, na Folha dos Concursos, a fim de observarmos juntos algumas questões do Cespe/Unb. Essa organizadora sinaliza tanto para o trabalho com textos, quanto para o trato das questões gramaticais… Vamos observar algumas interessantes:

O trecho “Esse sucesso influenciou o comportamento e os valores sociais das mulheres” (l.13-14) poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: Esse sucesso influenciou no comportamento e nos valores sociais das mulheres.

Vejamos que nessa questão sobre regência verbal, o Cespe só nos pede para observar a correta reescritura! De acordo com Celso Pedro Luft, na obra Dicionário Prático de Regência Verbal, editora Ática, p. 333, o verbo “influenciar” pode ser: transitivo direto: influencio você. Eu o influenciei. Ou ainda transitivo indireto, na acepção de “exercer influência, influir: Influenciar nas (ou sobre as) decisões de alguém”. Portanto vemos que a reescritura está em pleno acordo com a norma culta da língua. Questão CERTA!

Fragmento de texto:

[...] Podemos dizer que o gênero “relação de trabalho” engloba, além da relação de emprego, outras formas de prestação/realização de trabalho como o trabalho voluntário,[...] Para compreendermos o alcance das expressões relação de trabalho e relação de emprego, é importante termos claro o alcance de alguns termos utilizados no nosso cotidiano. Por exemplo, a carteira de trabalho e previdência social (CTPS) está ligada à relação de trabalho subordinado que corresponde ao vínculo de emprego.

Os termos “como” e “Por exemplo” são usados com a mesma finalidade no texto: ilustrar o que se disse anteriormente.

Analisemos: essa questão versa sobre aspectos discursivos/textuais. No primeiro exemplo, o elemento “como” introduz o “trabalho voluntário”, desvelando a informação anterior “outras formas de prestação/realização de trabalho”. O mesmo objetivo é encontrado no termo “por exemplo”, exemplificando a informação “é importante termos claro o alcance de alguns termos utilizados no nosso cotidiano”. Logo, temos mais uma assertiva CERTA.

É nesse “vaivém” que o Cespe/Unb trabalha. Ora querendo que conheças aspectos gramaticais específicos, ora fazendo com que mergulhemos no texto para que, enfim, compreendamos os sentidos nele contidos. Um grande abraço a todos e uma ótima semana de leituras e muito estudo. Até domingo!


Queridos leitores, estamos aqui juntos, novamente, para comentar sobre algumas questões do Cespe/Unb. Não podemos relaxar com elas, pois as provas da Polícia Civil e do INSS serão realizadas em breve, por isso precisamos estar preparados. Vamos lá:

Julgue quanto à correção gramatical:

Questão 1: Graças à políticas públicas realizadas nos últimos anos, como o programa de erradicação do trabalho infantil (…)

Vocês se lembram do quanto nós falamos sobre o A (singular) diante de palavra no plural: NUNCA USAREMOS O SINAL INDICATIVO DE CRASE, pois “a” singular diante de plural, crase “faz mal”. 

Questão 2: A expressão DAS QUAIS pode ser suprimida do período sem prejuízo da correção gramatical ou da coerência do texto.

Por incrível que pareça, nesta frase em especial, a afirmação é correta. Observe as duas versões do texto: “A pobreza é um dos fatores mais comumente responsáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano e pela origem de uma série de mazelas, algumas das quais proibidas por lei ou consideradas crime. // A pobreza é um dos fatores mais comumente responsáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano e pela origem de uma série de mazelas, algumas proibidas por lei ou consideradas crime.” É raríssimo que ocorra a retirada do pronome relativo e não haja mudança de sentido; o que em geral ocorre é a incoerência.

Vejam a questão 3, muito curiosa: Na linha 10, o deslocamento do pronome SE para imediatamente após a forma verbal “concretizar” – NÃO DEVERÁ CONCRETIZAR-SE – não prejudicaria a correção gramatical do texto.

Esta afirmação está corretíssima! Vejam que eu não tenho uma forma verbal simples e sim uma locução verbal. As possibilidades de colocação são: NÃO SE DEVERÁ CONCRETIZAR OU NÃO DEVERÁ CONCRETIZAR-SE. POR QUE O “SE” PODE FICAR DEPOIS DO VERBO PRINCIPAL SEM SER ATRAÍDO PELA PALAVRA NEGATIVA? PORQUE QUALQUER PALAVRA ATRATIVA SÓ INTERFERE NA COLOCAÇÃO RELATIVA AO VERBO AUXILIAR.

Um grande abraço a todos e aproveitem o feriadão da Semana Santa para: Estudar, como sempre. Até domingo!


Fabiana Ferreira – Próclise

Publicado em 21.03.2016 às 10:00

Olá pessoal… semaninha agitada essa… mas, se o foco é passar em um concurso; melhorar nosso conhecimento sobre língua padrão… então não desanimemos e mãos à obra! Conforme prometi na semana passada, devo hoje propor umas questões sobre próclise, ênclise e mesóclise. Para tanto é necessário que reflitamos sobre as normas básicas que nos impelem a usar a  próclise. Ela será obrigatória:

1. Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum… Exs. Nada me perturba.
Ela nem se importou com meus problemas.

2. Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que. Ex. Quando se trata de comida, ele é um “expert”.

3. Advérbios. Ex. Aqui se tem paz.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de atrair o pronome. Ex. Aqui, trabalha-se.

4. Pronomes relativosdemonstrativos e indefinidos.

Ex. Alguém me ligou? (indefinido)
A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)

5. Em frases interrogativas. Ex. Quanto me cobrará pela tradução?

6. Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).

Ex. Deus o abençoe!
Macacos me mordam!
Deus te abençoe, meu filho!

7. Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.

Em se tratando de beleza, ele é campeão.

Vejamos gora uma questão do Cespe:

(CESPE / UNB / AUGE / SUPERIOR / 2009) Não menos   temeroso é o conhecimento que se transmite por gerações   por meio da arte.   A colocação do pronome átono antes do verbo, em “se   transmite”, é obrigatória devido à presença do pronome   relativo “que” no início da oração subordinada.

Sem vacilar, dizemos que essa assertiva está corretíssima por se tratar de próclise obrigatória exigida pelo pronome relativo “QUE”.

Um grande abraço a todos e voltaremos no próximo domingo!


Fabiana Ferreira – Colocação pronominal

Publicado em 14.03.2016 às 10:00

Olá queridos, leitores! Tudo bem? Espero que sim, é claro. Ontem, eu estava trabalhando com meus alunos que se preparam para o concurso do INSS o assunto de emprego e colocação pronominal. Esse é um assunto abordado pelo Cespe/Unb que sempre se alterna com a utilização dos pronomes como elementos coesivos textuais. É importante que tenhamos clareza sobre os dizeres do texto para que não erremos esta aplicação. Já aquela depende um pouco do nosso conhecimento gramatical para que resolvamos tais questões.

Vamo-nos focar em algumas questões especificamente do Cespe/Unb e trabalhar, enfim, regras de próclise, ênclise e mesóclise. Lembrando: Os pronomes oblíquos átonos – me, te, se, nos, vos, o, a, os, as, lhe, lhes – podem ser usados (preferencialmente) antes do verbo e isso se chama Próclise; depois do verbo, ênclise; no meio do verbo, mesóclise….

  1. (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Elas sempre   se estão transformando a partir dos conflitos e das   contradições que as fazem mover-se e transformar-se.   Preservam-se a coerência dos argumentos e a correção   gramatical do texto ao se deslocar o pronome “as” para depois do verbo “fazem” do seguinte modo: fazem as   mover-se.

É importante que tenhamos muita atenção com as nossas prioridades: se antes do “as fazem” aparece o pronome relativo “que”, ele puxa o pronome “as” para antes do verbo de maneira obrigatória. E mesmo que isso não fosse verdade, o deslocamento do “as” para depois de “fazem” resultaria na seguinte frase: Fazem-nas mover-se. Pois formas verbais terminadas em “m” e em “ditongos nasais” não admitem “as” depois de si e, sim, “nas”; além de tudo, vocês notaram que eles se esqueceram de usar o hífen? (fazem as, não! E sim, fazem-nas). Portanto essa é uma assertiva Errada.

  1. (CESPE / UNB / TCE AC / ANALISTA / 2009) Não mais direitos que apenas se cristalizam em leis ou códigos, mas   que se constituem a partir de conflitos, que traduzem as   transformações e os avanços históricos da humanidade.   Não se pode mais entendê-los como fruto de uma  sociedade abstrata…   Em “entendê-los”, o pronome substitui o vocábulo “conflitos”.  

Em se tratando de substituição de um substantivo por um pronome dentro do texto, é importante que compreendamos o que o texto está dizendo; importante ainda é substituir o pronome pelo termo que afirmam ser o referente do pronome. Assim teremos certeza se a proposta semântica faz ou não sentido. Vejamos, então, que se lêssemos o texto e substituíssemos “Não se pode mais entender os conflitos como fruto de uma sociedade abstrata…”, constataríamos a manutenção das relações de sentido. Logo, resposta Certa.

Um grande abraço a todos e um excelente final de semana. Continuaremos com esse assunto na próxima semana, explicitando as regras de próclise, ênclise e mesóclise. Até lá!


Olá, queridos leitores! Vamos hoje relembrar o assunto de coesão textual, enfocando uma questão da Fundação Getúlio Vargas. Essa organizadora está sendo responsável pela maioria dos concursos, na área de educação, requisitada pela Prefeitura do Recife e pelo governo do Estado de Pernambuco. Focaremos bem a nomenclatura utilizada pela maioria das organizadoras quando se trata de coesão textual.

Vamos fazer algumas definições, por meio de tópicos, a fim de facilitar a nossa vida na hora da prova:

- Coesão textual: Diz respeito aos mecanismos linguísticos, utilizados na superfície textual, permitindo uma sequência lógica entre as partes de um texto.

- Elementos anafóricos: são termos que auxiliam na coesão textual, retomando palavras, expressões ou orações inteiras. Isso nos ajuda a dar progressão ao texto buscando, a não-repetição e a não-ambiguidade.

Os presidentes de vários países do mundo se reuniram nesta semana para tratar de assuntos do interesse das nações. Eles discutiram sobre economia, política e meio-ambiente.

-  Elementos catafóricos: são termos que também auxiliam na coesão textual, no entanto, neste caso, eles anunciam palavras, expressões ou orações inteiras que, logicamente, ainda serão ditas no texto.

Não aceito isto: preguiça!

-  Elementos dêiticos: São elementos textuais que nos situam no que diz respeito ao lugar e ao tempo em que o enunciado é produzido e à(s) pessoa(s) participante(s) das ações/estados do enunciado no texto. Tomemos como exemplo esta charge que nós já utilizamos antes para falar de outras questões:

 

No segundo quadrinho temos um bom exemplo de dêixis espacial: Quando o peixe diz: Alguém colocou essa minhoca aí. Todo esse fragmento tem como objetivo principal dizer “onde” a minhoca está. Note que, no quadrinho 2 assim como no 3 o peixe ainda está distante da minhoca, nada mais esperado do que, então, o uso do pronome de segunda pessoa “Essa” e o uso do advérbio “aí”.

            Um abraço enorme para todos e bons estudos!


Olá, queridos leitores. Vamos conversar hoje sobre o estabelecimento de algumas relações semânticas entre orações coordenadas e subordinadas. Muitas vezes nos basta conhecer as conjunções para resolvermos as questões, mas é claro que não devemos nos confiar tanto e sim focar também na análise de orações que usam conjunções iguais para exprimir sentidos distintos. Vamos a uma questão:

A relação lógica estabelecida entre as ideias do período composto, por meio do termo destacado, está explicitada adequadamente em:

(A) “Não necessito dizer que, para mim, não há verdades indiscutíveis, embora acredite em determinados valores e princípios” (ℓ. 8-10) – (relação de condição)

(B) “No passado distante, quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas, poucos eram os que questionavam” (ℓ. 13-15) – (relação de causalidade)

(C) “os defensores das mudanças acreditavam-se senhores de novas verdades, mais consistentes porque eram fundadas no conhecimento objetivo das leis” (ℓ. 35-38) – (relação de finalidade)

(D) “a mudança é inerente à realidade tanto material quanto espiritual, e que, portanto, o conceito de imutabilidade é destituído de fundamento.” (ℓ. 41-44) – (relação de conclusão)

(E) “Ocorre, porém, que essa certeza pode induzir a outros erros: o de achar que quem defende determinados valores estabelecidos está indiscutivelmente errado.” (ℓ. 45-48) – (relação de temporalidade)

Na letra A, encontramos a conjunção que mais aparece na nossa vida quando queremos subordinar uma oração à outra, estabelecendo ideia de oposição, de contraste: embora. Se para o autor da questão não existem valores indiscutíveis, seria esperado que ele não acreditasse em determinados valores e princípios. Eis o contraste, eis a oposição e não a condição como sugerem na questão.

Já na letra B, “poucos eram os que questionavam”… essa é a oração principal. Olhando para a subordinada, perguntamos: quando isso ocorria? “quando os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas”. Notamos que a conjunção quando estabelece ideia de temporalidade indiscutivelmente e, para confirmar essa relação de sentido, encontramos o termo antecedente à oração que é “No passado distante”, portanto nem se cogita causalidade assim como aparece entre parênteses e, sim, temporalidade.

A letra C tenta de novo nos enganar trocando a classificação do porque, que é causal/explicativo, por finalidade. Haveria relação de finalidade se tivéssemos um objetivo a ser alcançado, para isso usaríamos o auxílio da expressão “para que; a fim de que”…

Finalmente encontramos o nosso acerto na letra D, Na qual aparece a classificação correta do portanto, já que a oração iniciada por ele exprime uma conclusão possível de uma ideia expressa na oração antecedente.

A letra E, que traz equivocadamente a classificação de temporal, na realidade exprime ideia de oposição/contraste. Por se tratar de uma estrutura coordenada, chamamos tal conjunção de adversativa.

Um grande abraço a todos e até a próxima!

 


Olá queridos leitores, vamos novamente pensar um pouquinho nas diversas concepções de gramática e, consequentemente, de estudos linguísticos e de como eles influenciam na nossa maneira de compreender e interpretar textos.  

Lembrando de uma prova antiga da Covest, no concurso para assistente administrativo da UFPE/UFRPE, vi um texto de Sírio Possenti intitulado “A Imagem das Gramáticas”. A maioria dos alunos que me procurou para pensar a primeira questão, referente a esse texto, não conseguiu encontrar a resposta correta, porque sua concepção de gramática o cegou. É isso mesmo! A concepção de gramática e de seu ensino como algo que corresponde a uma complexa estrutura a ser decorada e seguida à risca não permitiu que os leitores enxergassem a crítica que o professor estava fazendo. Vejamos o que diz início do texto: “Há claros preconceitos em relação às gramáticas. Muitos imaginam que se trata de um campo excessivamente complicado ou apenas chato. As línguas teriam numerosas exceções, e as gramáticas, terminologia demais. Nenhuma das afirmações é verdadeira. Provavelmente, há mais terminologia nas ciências biológicas que na gramática. E a morfologia das plantas talvez seja mais complexa que a das línguas.”

            Vejamos o que Sírio possenti está dizendo em seu texto: antes de falar o que, em geral, as pessoas acham sobre gramática ele já se posicionou dizendo que isso É PRECONCEITO, o que deixa claro que Sírio jamais defenderia, por exemplo que: “O que leva as pessoas a se desinteressarem pelo estudo da gramática é sua complicada morfologia e a excessiva terminologia com que são designadas suas unidades.”. Essa foi a afirmação que estava presente na letra A e que, estatisticamente, foi a letra que mais foi marcada pelos que erraram a questão. Na verdade o que disse o professor em seu texto? Qual foi o seu protesto quanto à concepção que as pessoas têm gramática? “O desinteresse pelo estudo da gramática decorre de percepções equivocadas acerca da linguagem e da finalidade puramente prescritiva com que esse estudo é feito.”. Essa alternativa estava na letra D. Essa sim retrata a indignação presente no texto proposto pela covest.

            Peço que antes de interpretar textos, leiam-nos, tente compreendê-los para que ideias preconcebidas sobre assuntos que fazem parte de nossa vida não interfiram na resposta das questões propostas pelas organizadoras. Um grande abraço e bons estudos! 


Olá, queridos leitores! É com muita satisfação que volto a escrever para a nossa coluna “Português Fácil” para conversar com vocês, hoje, sobre a vigência exclusiva do Novo acordo ortográfico. Eu confesso que acho bem engraçada essa história de Novo… pois o Decreto de nº 6.583 de 29 de setembro de 2008 apenas promulgou o Acordo ortográfico de Língua Portuguesa assinado em Lisboa em 16 de novembro de 1990. Vamos, então, entender algumas das regras que mais aparecem em nossas provas:

·         Não se usa mais o trema, exceto em nomes próprios estrangeiros ou derivados. Exemplos: Müller, mülleriano, Hübner, hüberiano. Logo, estas palavras não serão mais acentuadas: Cinquenta; linguiça; tranquilo; quinquênio.

·         Perdem o acento os ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas. Então palavras como: apoio (forma do verbo operar); plateia; estreia; colmeia; joia; ideia; assembleia; heroico. Precisamos lembrar que as oxítonas e os monossílabos tônicos continuam acentuados normalmente. Exemplo: céu; dói; rói; chapéu; herói; pincéis.

·          Antigamente, a regra dos hiatos não fazia diferença entre vogal e semivogal precedendo as letras I e U, tônicas, que aparecem sozinhas na sílaba (ou seguidas de –s). No entanto, atualmente, em palavras paroxítonas como: fei-u-ra; bo-cai-u-va; bai-u-ca, em que o “U” está precedido da semivogal “I”, o novo acordo retirou o acento no “U”. Novamente advirto: em palavras oxítonas, tudo permanece como antes: Piauí; tuiuiú.

·         Perdem o acento circunflexo palavras que possuem o encontro com letras idênticas “EE” e “OO”, assim como em: enjoo; perdoo; abençoo; voo; creem; deem; leem, veem.

·         Os dois únicos acentos diferenciais de classes gramaticais que permaneceram foram os das palavras:

PÔDE: FORMA DE PASSADO DO VERBO PODER;

Ex.: Ele, ontem, não pôde contar-me a verdade.

PÔR: VERBO

Ex.: Devemos pôr os assuntos do concurso em ordem enquanto há tempo.

·         Será facultativo o uso do acento diferencial nos seguintes casos:

FÔRMA (MOLDE): A fôrma ou forma do bolo está em perfeito estado.

Em formas verbais de passado, na primeira pessoa do plural, se essas forem iguais a formas verbais de presente. Vejamos:

Eu amo; tu amas; ele ama; nós amamos; vós amais; eles amam à Presente

Eu amei; tu amaste; ele amou; nós amámos ou nós amamos; vós amastes; eles amaram à Passado

No nosso próximo encontro, trataremos das demais questões que envolvem o Novo Acordo Ortográfico. Um grande abraço e até lá! 


Fabiana Ferreira – Sobre ortografia e verbos…

Publicado em 14.12.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, no dia de hoje, teremos a tarefa de discutir sobre dois assuntos que inquietaram alguns dos meus alunos nessas semanas. Primeiro: o uso do termo “Malformação” na mídia escrita; segundo: a utilização de formas verbais de presente com valor de futuro.

Uma aluna, lendo uma matéria sobre os preocupantes casos de microcefalia que assolam a população pernambucana, encontrou o seguinte fragmento: “… sobre o ‘boom’ da microcefalia, malformação congênita na qual o cérebro do bebê se desenvolve menos que o esperado.” (Grifo meu). Pois bem, devo iniciar minha considerações mencionando a palavra do jeito que ela apareceu no texto: a palavra Mal pode ser: advérbio de modo; conjunção subordinativa temporal e substantivo. Vou exemplificar um a um: “Hoje, eu dormi mal.” Nessa frase, a palavra “mal” está modificando o verbo “dormir”, exprimindo o modo como “eu dormi”, por isso chamamos essa ocorrência da palavra “mal” de advérbio. Em seguida, concordamos que “mal” também pode ser uma conjunção subordinativa temporal, podendo ser substituída por “assim que”. Vejamos: Assim que eu saí, ele chegou = Mal eu saí, ele chegou. Por fim, verificamos que mal pode ser ainda um substantivo, assim como qualquer palavra pode ser… Basta ser substantivada. “O mal, quando não é cortado pela raiz, cresce de novo.” Concluímos que, aqui, o artigo substantivou a palavra “mal”. Pois é, por algum momento eu ventilei a possibilidade de “mal” ser adjetivo? De jeito nenhum! Então o que estaria fazendo a palavra “mal” acompanhando o substantivo “formação”. Se a palavra “formação” é um substantivo feminino singular, então o adjetivo que deveria aparecer diante dele seria “má”. Dado o uso constante do substantivo composto “malformação”, alguns dicionaristas trazem tal grafia como alternativa, mesmo sem uma fundamentação gramatical.

Vamos para o nosso segundo caso: Um outdoor de uma escola no Bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, usou em uma de suas peças publicitárias o seguinte enunciado: “Juntos conquistamos o amanhã”. O assombro de muitos leitores diante dessa frase foi provocado pelo uso do verbo “conquistar” no “presente”. Vale salientar que esse é um uso previsto e consagrado pelos gramáticos. Formas de presente podem, sim, ser usadas com valor de futuro assim como com valor de passado. Muitos acham que isso constitui erro, no entanto, não só é tratado pela gramática normativa, como também aparece frequentemente em provas de concurso, como no seguinte exemplo retirado de uma questão do Cespe/Unb: “O biólogo norte-americano Craig Venter acredita que o código genético de microrganismos pode se transformar em um excelente negócio no futuro.” A forma verbal pode – no presente do indicativo – denota na verdade uma noção de futuro, equivalendo assim à expressão “poderá transformar-se” e a mesma referência explícita ao futuro, que há no outdoor (o amanhã) existe na prova do Cespe/Unb (no futuro). Em uma das críticas ao enunciado original, o autor disse ser a frase de mau gosto já que a escola tinha a sublime missão de ensinar o que é certo… Bom gosto ou mau gosto não são critérios linguísticos. Agora, atribuo à escola a sublime missão de fazer pensar e isso a escola propagada no outdoor o fez… e foi além, deixou flagrante o tamanho do nosso preconceito linguístico e a nossa falta de vontade de pesquisar antes de criticar.

Enfim, esses comentários, na verdade, foram frutos de dúvidas de alguns alunos… alunos que buscam, assim como vocês, pensar e refletir independentemente de chegarem a conclusões definitivas… se é que elas existem. Um abraço enorme e até domingo.   


Fabiana Ferreira – Outra vez: Regência

Publicado em 30.11.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores, vamos começar nossa conversa de hoje, definindo regência: Regência verbal e nominal estuda a relação que se estabelece entre verbos e nomes na solicitação ou não de complementos; e ainda, se esses (verbos e nomes) pedirem complementos, de que natureza eles são. Conhecendo essa definição correta e ampla, você pode chegar a algumas conclusões:

1.      Verbos e nomes poderão pedir complementos;

2.      Esses complementos virão ou não precedidos de preposição;

Então, prossigamos: os termos que pedem complementos (ou não) são chamados termos regentes e os que os complementam, termo regido. Ser termo regente significa “ditar as normas”. Dizer se quer ou não quer complemento; se quiser complemento, pedirá preposição ou não. Se pedir preposição, que preposição será essa?

Mais adiante, veremos que há duas observações muito importantes para que consigamos organizar esse assunto. Dois ou mais verbos podem pedir um só complemento? Nós poderemos ter vários termos regentes para apenas um termo regido? Claro que sim! Basta que esses verbos ou nomes tenham a mesma regência. Vamos ver alguns exemplos:

1.      Leia e assine a Folha de Pernambuco. Todos os verbos em negrito são transitivos diretos, nada, portanto, vai impedir-nos de dar somente um complemento para ele. Quem é esse complemento? A FOLHA DE PERNAMBUCO à objeto direto.

2.      Ele não se cansa de entrar e sair da sala.  Essa frase, que parece bem certinha, está errada já que a regência dos verbos em negrito é diferente: quem entra entra EM; quem sai sai DE, logo eu terei que dar um adjunto adverbial de lugar diferente a cada verbo. Resultado: Ele não se cansa de entrar na sala e sair dela.

 

Sabemos que, todas as vezes que envolvemos dois ou mais verbos dentro do período, teremos mais trabalho. Não se esqueça do envolvimento das orações adjetivas dentro da oração. Havendo pronome relativo no período, e, depois dele, qualquer termo que exija preposição, essa se deslocará para antes do relativo.

3.      Esta é a aluna de cujos trabalhos necessito.

4.      Não vi os alunos em que confio muito.

5.      Nunca me preocupei com a vaga à qual aspiro.

 

Finalmente, observamos o último exemplo que traz consigo o uso do sinal indicativo de crase. Esse sinal garante, muitas vezes, a integridade da regência dos verbos: Houve nesta frase a união da preposição A à proveniente do verbo ASPIRAR com o A – integrante do pronome relativo A QUAL = À QUAL.

Um grande abraço, tenham uma ótima semana, estudem bastante e até domingo!


Olá, queridos leitores! Tivemos uma grata notícia nesta semana sobre a organizadora da prova da Polícia Civil: Cespe/Unb! Vamos fazer uma panorâmica sobre alguns assuntos que sempre são abordados por este centro de referência na elaboração de provas. Baseada em textos, a prova sempre explora a contribuição da estrutura gramatical para a compreensão e interpretação deles. Então vejamos:

 

1.      Em primeiro lugar “Os Pronomes” – nesse caso, não haverá simplesmente o reconhecimento destes como classe gramatical variável… e sim a análise de quem está funcionando como seu referente substantivo. Sabemos que o pronome ou acompanha ou substitui o nome (o substantivo), logo este será o seu referente. Vejamos alguns exemplos:

 

“Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. O pronome relativo “que” possui um referente ele é “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil”. Para sabermos quem é o referente do relativo, teremos que substituí-lo pelo seu antecedente, se houver coerência, eis o referente do pronome.

 

2.      Também é muito comum que se aborde a substituição de formas verbais de voz passiva analítica e por voz passiva sintética. Observe: “foi detectado o sumiço,entre 2002 e 2008, de uma área de caatinga com três vezes o tamanho do Distrito Federal.”. O Cespe nos indagou sobre a forma verbal que resultaria da equivalência entre as vozes do verbo. Substituímos, então, foi detectado o sumiço por detectou-se o sumiço; já que a voz verbal formada de verbo SER mais PARTICÍPIO será substituída sinteticamente por VERBO NA TERCEIRA PESSOA mais PARTÍCULA “SE” COMO APASSIVADORA.

 

3.      Cuidado com as “pegadinhas” que os elaboradores das questões fazem com a relação de explicação e restrição. Lembremo-nos de que, em orações adjetivas restritivas, não haverá a presença da vírgula, para separá-la do restante do período. Já a explicativa possuirá vírgulas, isolando-a completamente da oração principal. Vejamos um exemplo: “Único bioma de ocorrência exclusiva no Brasil, que já ocupou 10% do território nacional, a caatinga experimenta um processo acelerado de desmatamento.”. Já que o intuito da oração adjetiva foi de explicar o termo antecedente, as vírgulas, isolando-as foram obrigatórias.

 

Temos um longo caminho pela frente a fim de revisar alguns assuntos, assim como de aprender outros. Aconselho que vocês adquiram um bom material teórico e aproveitem a qualidade de alguns sites abalizados que tratam apenas de questões de concursos. Uma excelente semana para todos e bons estudos.


Fabiana Ferreira – Uso de pronomes: sentidos…

Publicado em 2.11.2015 às 10:00

Olá, queridos leitores! Espero que estejam muito bem para que, em mais este encontro, revisemos algumas questões que aparecem em nossos concursos. Nesta semana falei muito em diversas turmas sobre uniformidade de tratamento e possíveis mudanças de sentido provocadas pelo uso dos pronomes.

Vejamos uma questão muito interessante que brinca um pouco com o uso dos pronomes na construção dos sentidos. Mas, antes disso, vamos conversar um pouquinho sobre como os pronomes possessivos se comportam quando estão na terceira pessoas: seu, sua, seus e suas. Esses são pronomes tanto podem ser usados referindo-se à pessoa com quem se fala (segunda pessoa) quanto à pessoa de que ou de quem se fala (terceira pessoa).

Vamos lá: supondo que eu esteja conversando com alguém e a trate por VOCÊ, logicamente eu vou usar VOCÊ e SEUS amigos, VOCÊ e SUAS amigas. Fazemos uso de dois pronomes de terceira pessoa para que se mantenha a uniformidade de tratamento. Ademais poderemos usar os possessivos seu, sua, seus e suas (o que é mais comum) para referir-nos a terceira pessoa. Veja: “ João, não adianta você ir à casa de Paulo, pois ele saiu com a sua mãe.” Queridos leitores, Paulo saiu com a mãe de quem? Dele próprio ou de João − que é o meu interlocutor. Nunca saberemos, pois nessa situação a frase ficou ambígua.

Questão:

  A diferença entre tu e você

O diretor-geral está preocupado com um executivo que, após trabalhar sem folga, passa a ausentar-se muito. Chama um detetive.

- Siga o Lopes durante uma semana – disse.

Após cumprir o que lhe fora pedido, o detetive informa:

- Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai à sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

- Ah, bom. Não há nada de mal nisso.

O detetive observa o diretor com olhar fixo e comenta:

- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?

- Sim, claro – responde o diretor.

- Bom. Lopes sai ao meio-dia, pega o teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um de teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

(Revista Língua Portuguesa, ano I, nº. 2, 2005,Ed.Segmento)

 

Com base no texto I, responda as questões de 01:

 

1. Com relação às duas respostas do detetive, no que se refere ao uso dos pronomes “seu” e “teu”, respectivamente, pode-se dizer que:

 

a. o pronome “seu” trata-se da pessoa do falante.

b. o pronome “tu”, nas formas “teus”, “tua” e “teus”, dá idéia de posse e no contexto lingüístico empregado fazem referência à pessoa do Sr. Lopes.

c. o pronome “teu” marca uma certa ambiguidade, não identificando claramente a pessoa da qual está falando.

d. a resposta com “teus”, “tua” e “teus” deixa claro que o executivo estava tendo um caso com a mulher do diretor-geral.

e. o uso do pronome “seu” e “teu”, no contexto linguístico empregado, produz a mesma clareza de sentido.

 

            Tendo em vista que a resposta desta questão está na letra D, constatamos que só resolvemos o problema da ambiguidade ao usarmos o grupo de pronomes “teus”, “tua” e “teus”, pois com “seus”, “sua” e “seus” poderíamos estabelecer relação com O DIRETOR-GERAL e com o SR. LOPES. Não sabemos se o Diretor-geral ficou muito feliz com o resultado da investigação, no entanto ficou indubitável a quem se dirigem os substantivos quando acompanhados dos possessivos de segunda pessoa, o que não aconteceu com os de terceira. Pobre Diretor!

            Um grande abraço para todos e até domingo!


Olá, queridos leitores! Vamos continuar nossa batalha com as assertivas do Cespe/Unb, analisando algumas questões que envolvem o uso dos relativos, crase, colocação pronominal… Mãos à obra:

Fragmento de texto

Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, para a classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é o regime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a democracia é “o único regime político no qual os conflitos são considerados o princípio mesmo de seu funcionamento”: impedir a expressão dos conflitos sociais seria destruir a democracia. O filósofo francês Jacques Rancière critica a ideia de democracia que tem estruturado nossa vida social – regida por uma ordem policial, segundo ele -, devido ao fato de ela se distanciar do que seria sua razão de ser: a instituição da política. Estamos acomodados por acreditar que a política é isso que está aí: variadas formas de acordo social a partir das disputas entre interesses, resolvidas por um conjunto de ações e normas institucionais. Essa ideia empobrecida do que seja a política está, para o autor, mais próxima da ideia de polícia, já que diz respeito ao controle e à vigilância dos comportamentos humanos e à sua distribuição nas diferentes porções do território, cumprindo funções consideradas mais ou menos adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tão hipnotizados pela “necessidade de um compromisso para se alcançar o bem comum” e pela opinião de que “as instituições sociais já estão fazendo todo o possível para isso”, (…) E essa atualização se dá por ações que irão construir a possibilidade de os “não contados” serem levados em conta…

1.    As formas verbais compostas “estão fazendo” (l.14) e “irão construir” (l.15) poderiam ser substituídas, respectivamente, pelas formas verbais simples fazem e construirão, uma vez que são equivalentes em sentido. (Vejamos, a locução verbal “estão fazendo”, por apresentar auxiliar mais verbo no gerúndio, indica presente contínuo, por isso poderemos, sim, substituí-la formalmente por fazem; já na locução irão construir, o responsável pela indicação de futuro é o próprio auxiliar “irão”, o que nos habilita a substituir o conjunto de verbos pela forma simples “construirão). Assertiva Correta!

2.    A expressão ‘no qual’ (l.3) poderia ser substituída pelo vocábulo onde, sem prejuízo para a correção e para as ideias do texto. (O vocábulo “onde”, em qualquer texto, precisa indicar lugar para ser usado. Ao voltarmos ao texto, verificamos que a expressão “na qual” retoma um sintagma que não denota lugar – único regime político – por isso somos proibidos de usar o pronome relativo “onde”). Assertiva Errada!

3.    A correção do texto seria mantida caso o pronome “se” (l.6), em vez de anteceder, passasse a ocupar a posição imediatamente posterior ao verbo: devido ao fato de ela distanciar-se. (Observemos que todo verbo no infinitivo precedido de preposição nos autoriza a usar próclise ou ênclise. Então notemos: de se distanciar ou de distanciar-se são colocações perfeitamente aceitáveis e indiferentes). Assertiva Correta! 

4.    O emprego do sinal indicativo de crase na expressão “respeito ao controle e à vigilância dos comportamentos humanos” (R.16-17) é facultativo.(Essa assertiva foi imoral… se usamos “respeito A” e evidenciamos a presença do artigo “O” diante de “controle”, como na relação paralela de complementação poderíamos suprimir a crase diante do feminino? Onde ocorre “AO” no complemento masculino é obrigatório que haja “À” no complemento subsequente feminino. Assertiva Errada!

Um grande abraço a todos e continuemos na nossa luta até à posse!