Português Fácil

Pronomes oblíquos e suas funções sintáticas

Publicado por Marília Neves, em 22.07.2014 às 18:00

* Por Fabiana Ferreira

Demos um intervalinho no assunto de pontuação e voltamos para os pronomes a fim de concluirmos suas aplicações morfossintáticas. Na próxima semana, daremos continuidade ao assunto de pontuação abordando sua atuação nas orações coordenadas e subordinadas. Vejamos:

 

Vejamos que, em se tratando dos pronomes me, te, se, nos, vos, só saberemos qual é sua função sintática se observarmos o verbo. Analisemos:

Disse-me meias verdades por longos anos.

O verbo “dizer” é um verbo que nos pede dois complementos, pois quem “diz” “diz” algo a alguém. Logo se ele disse “meias verdades”, “meias verdades” é o objeto direto, qual foi então a função que sobrou para o ME? Quem respondeu objeto indireto acertou!

Organizei-me para o jantar de confraternização.

O verbo “organizar” é transitivo direto, ou seja, pede-nos complemento sem preposição, portanto o pronome ME é um objeto direto.

Quando vemos os demais pronomes da tabela utilizados corretamente, sabemos sem dúvidas que eles possuem funções específicas: ou objeto direto ou objeto indireto, vejamos:

Deixei-a em casa logo após a recepção. Objeto direto
Procurei-as para conversar sobre os cursos. Objeto direto

Entreguei-lhe o material do curso de português. Objeto indireto
Informou-lhes que o curso foi adiado. Objeto indireto

Quem costuma abordar muito esse assunto é a fundação Carlos Chagas, o Cespe/Unb, a Fundação Getúlio Vargas, portanto estudemos já que essas organizadoras são muito requisitadas pelos diversos órgãos e entidades públicos por sempre manter excelência na elaboração de suas provas. 

Um grande abraço a todos e até domingo!

* Fabiana Ferreira é licenciada em Língua Portuguesa e Espanhola pela UFPE, especialista em Gramática Normativa e professora de Português do Nuce. Escreve aos domingos na Folha dos Concursos.







Fabiana Ferreira: novos pontos sobre pontuação

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.07.2014 às 09:00

Olá, queridos concurseiros, estamos de volta nesta semana para dar continuidade ao assunto de pontuação. Vamos hoje nos lembrar da máxima que vimos na semana passada: “Não se separa sujeito de verbo por meio de vírgula”. É preciso lembrar, porém, que alguns termos da oração – que podem vir intercalados – são, às vezes, separados de maneira obrigatória por meio de vírgula, duplo travessão ou parênteses. Vamos a alguns casos interessantes.

Usa-se a vírgula:

1.   Para separar ou intercalar vocativos:

Senhor Presidente, muito obrigada por atender às nossas solicitações!

A vida, meu bem, é feita de escolhas.

Vejamos que, estando o vocativo onde estiver, seu isolamento é garantido!

2.   Para separar, em geral, adjuntos adverbiais deslocados de sua posição direta na frase:

De manhã, preferimos comer bastantes frutas.

Fica claro para todos, inicialmente, que não temos recursos para todas as obras.

É importante frisar que o uso das vírgulas que isolam esses adjuntos adverbiais, representados por advérbios e locuções adverbiais é facultativo. Dizem os gramáticos mais preocupados com o estilo que quanto maior o adjunto adverbial, mais se sente a necessidade de usar a vírgula.

3.   Para separar as partículas e expressões de explicação e correção:

Sairá amanhã, aliás, depois de amanhã. (Retificação)

Devemos ser mais claros, ou seja, explicar todos os detalhes do contrato sem rodeios. (Explicação)

4.   Para separar, obrigatoriamente, conjunções deslocadas:

A proposta expressa no contrato, porém, só era satisfatória para uma das partes.

Devemos lembrar que o lugar canônico, direto da conjunção dentro da oração é no início. Logo, se a colocamos depois do verbo, seu isolamento passa a ser obrigatório.

5.   Para indicar, às vezes, a elipse do verbo.

Ele sai agora; eu, daqui a alguns minutos.

Notemos que podemos subentender a presença do verbo sair depois do pronome “EU”, marcamos sua omissão por meio de uma vírgula obrigatória.

Por hoje, queridos, ficamos por aqui. No próximo domingo, dedicaremos nosso espaço à pontuação nas orações. Um grande abraço e até lá.







“Pontuação: algumas reflexões”, por Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 6.07.2014 às 19:00

O perfeito domínio da pontuação representa uma dificuldade séria da escrita. Por duas razões. Primeiro: porque dela depende em grande parte a clareza de um texto; segundo: porque é muito difícil reduzi-la a meia dúzia de regras e mesmo que se conseguisse cada uma delas teria exceções.

De acordo com Carlos Alberto Faraco e Cristóvão Tezza “Os sinais de pontuação cumprem a tarefa ingrata e – difícil – de representar graficamente os recursos entonacionais da linguagem oral. A rigor, é uma tarefa impossível. Basta observar que podemos fazer a mesma pergunta de mil modos diferentes, mas dispomos apenas do discreto (?) para transcrevê-la…”

Vemos então o quanto a pontuação é uma convenção redutora, que não se destina simplesmente a imitar a fala, mas ordenar a escrita de acordo com um código padrão específico do texto escrito. Vejamos que, às vezes, essa convenção até contraria a entonação da fala. Basta, por exemplo, termos um sujeito muito grande como em:

Os acontecimentos dos últimos dias na capital do Japão levaram-nos a reflexões sobre a construção de usinas nucleares no Nordeste do Brasil.

Se formos pronunciar essa frase, sentiremos a necessidade da presença de uma vírgula depois de Japão; uma vez que ali se faz uma breve pausa. Leia em voz alta e confira. Mas nem pense em colocar essa vírgula aí, pois a regra máxima de pontuação em língua portuguesa diz que jamais se usa vírgula entre sujeito e predicado independentemente da extensão do sujeito.

Essa é a regra-mãe da pontuação: não poderemos, enfim, separar sujeito de verbo por meio de vírgulas! Um grande abraço a todos e até domingo.







Por Fabiana Ferreira

Olá, queridos leitores! Faz um tempinho que nós não tratamos da partícula SE como índice de indeterminação do sujeito e como partícula apassivadora e sabemos que é muito comum encontrar alguns alunos com dúvida sobre tais classificações. Como poderemos começar a falar sobre esse assunto? Prefiro fazer uma tabelinha, que não contemplaria, é lógico, tudo o que os estudiosos falam sobre o assunto, mas nos daria uma luz para fazermos as nossas provas de concurso com tranquilidade.

Vamos observar alguns exemplos para ilustrar as duas situações, aproveitaremos os exemplos para analisar como se comportam os verbos, acompanhados dessas partículas, quanto à concordância.

1. Ainda que se vejam as fogueiras e se ouçam os gritos dos manifestantes, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima.

R. Vejamos que a partícula SE, que aparece duas vezes na frase acima, classifica-se como partícula apassivadora. Concluímos isso a partir da observação do verbo com o qual ela se une: ambos transitivos diretos. Vemos, então, que estamos diante da voz passiva sintética, que corresponde à voz passiva analítica: "Ainda que a fogueiras sejam vistas e que os gritos dos manifestantes sejam ouvidos, não há sinais de medidas que levem à solução da crise social que a tantos vitima".

2. Naquele lugarejo distante ainda se acredita em discos voadores.

R. A partícula SE é Índice de Indeterminação do Sujeito. Percebemos isso pelo vínculo que se estabeleceu entre o pronome SE e o verbo transitivo indireto. Neste caso, haverá a concordância na terceira pessoa do singular.

Esses estudos estão longe de se esgotar, por isso devemos buscar sempre, por conta própria, exercícios que contemplem esse assunto para que não erremos nenhuma questão que envolva a partícula SE. Um grande abraço e até a próxima semana.







Mais treino de regência verbal com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 24.06.2014 às 12:00

Depois de todas as tempestades que envolveram o concurso da Guarda Municipal do Recife, voltamos à calmaria, prontos para voltar a escrever sobre os diversos assuntos que fazem parte do universo dos concurseiros. Escolhemos regência hoje por sabermos o quanto esse assunto é exigido em diversas provas tanto de nível médio quanto de superior. Vejamos uma questão interessante:

1.      A interiorização das universidades federais e a criação de novos intitutos tecnológicos também mudam a cara do nordeste.

O mesmo tipo de complemento grifado acima está na frase:

a)      …que mexeram com a renda…
b)      …que mais crescem na região…
c)      …que movimentam milhões de reais…
d)     A outra face do novo nordeste está no campo.
e)      …onde as condições são bem menos favoráveis…

Temos que pensar sempre a regência verbal como sendo contextual. Às vezes o verbo pode ser classificado, quanto à sua predicação, de diversas formas. O verbo mexer, por exemplo, que está na letra “A”, pode ser transitivo direto ou transitivo indireto; depende de em que oração a forma verbal esteja inserida. Na letra “A”, o verbo se comporta como transitivo indireto: “com a renda” é o objeto indireto. Já o verbo crescer, que está na letra “B”, é intransitivo; o termo que veio depois dele é um adjunto adverbial de lugar: “crescem onde? Na região.”. tomemos cuidado para não confundir o adjunto com um objeto indireto. A letra “C”, que é a nossa resposta, traz consigo um verbo transitivo direto, assim como aparece na frase-modelo: …mudam a cara do nordeste: o terno grifado anteriormente é o objeto direto do verbo “mudar”. O mesmo ocorre na letra “C”: “…movimentam milhões de reais”, este termo grifado também é um objeto do tipo direto. Curiosamente, o verbo “estar” na letra “D”, por vir seguido de adjunto adverbial de lugar, é classificado pela gramática normativa como sendo “intransitivo”. Vale relembrar o que já vimos antes sobre predicação: os verbos que classificamos normalmente como verbo de ligação, quando são seguidos de adjunto adverbial e não de predicativo do sujeito, serão classificados como intransitivos. Vamos a um exemplo rápido:

Paulo

Está

doente

sujeito

Verbo de ligação

Predicativo do sujeito

Paulo

Está

no hospital

sujeito 

Verbo intransitivo 

Adjunto adverbial

Na letra “E”, o verbo “ser” é um verbo de ligação, já que faz a “ponte” entre o sujeito e o predicativo “favoráveis”. Um grande abraço a todos e até domingo.







Fabiana Ferreira comenta prova da Guarda do Recife

Publicado por Thomaz Vieira, em 8.06.2014 às 19:00

Uma pausa para um pouco de reflexão…

Queridos leitores, hoje não estou tão contente quanto de costume. Tenho um prazer enorme em escrever para vocês as nossas dicas de Língua Portuguesa, mas também uma obrigação sócio-política de chamá-los a refletir comigo sobre os efeitos devastadores produzidos por uma organizadora mal preparada.

No dia 1º de junho de 2014, foi realizada a prova da CTTU, considerada por muitos a prova do ano. Muitas organizadoras foram cotadas para realizar esse certame de grande vulto, mas a escolhida foi o IPAD. Gostei, muito, particularmente, da escolha, pois, EM SE TRATANDO DE LÍNGUA PORTUGUESA, a equipe elaboradora da PROVA nunca me trouxe decepções. No entanto, dessa vez, a tristeza foi generalizada: a prova de Língua Portuguesa foi sofrível e a organização do evento, principalmente no que concerne ao preparo dos FISCAIS para eventuais “sinistros”, uma lástima.

Vamos por partes: O EDITAL… Conhecimentos Básicos (Língua Portuguesa e Matemática)… Eu me debruçarei sobre o conteúdo programático de Português, claro: Leitura e interpretação de textos (e todos os seus desdobramentos); relações semânticas de causa, tempo, condição[...], ortografia, pontuação expressiva, concordância nominal e verbal, flexão nominal e verbal. Poucos assuntos, mas assuntos extremamente importantes quando abordados à luz da construção dos sentidos do texto. E o que foi que se efetivou, enfim, na citada prova da CTTU? Resposta: Um texto de duas páginas corridas, texto imenso, cansativo, do qual derivaram 08 das 10 questões de Português da prova da CTTU. Questões do tipo: “O autor deixa implícito”… “Fica explícito no texto”… “Qual o tema mais relevante abordado no texto?” Deixo na mão de vocês o julgamento sobre esse tipo de enunciado.

Continuemos. Olhem a questão de ortografia: “Indique a alternativa cujo emprego da letra H está correto…”. Queridos, o que nós esperávamos de uma pessoa que tem o costume de elaborar provas de concurso? Que ao menos abordasse ortografia das expressões, pois tal abordagem leva em consideração os dizeres contextuais do texto. Minha decepção estava quase no ápice, quando virei a página e deparei-me com a questão de pontuação. Observemos a frase dada como incorreta na questão 10: “O saber, viver, é a chave da paz.”. Se o candidato sabe que o artigo substantiva qualquer palavra/expressão, sabe também que a expressão “saber viver”, ao ser substantivada pelo artigo, passa a desempenhar (nesta pequena frase) a função sintática de sujeito, sendo assim absurda a colocação das duas vírgulas isolando “viver”. Esperávamos, sem dúvidas, uma questão melhor, mas pasmem: essa não foi das piores da prova…

Onde estão os assuntos que envolvem as relações semânticas das orações? Concordância verbo-nominal? Flexão nominal e verbal? Para mim, o que houve foi um desrespeito com todos os profissionais que se preocupam seriamente em preparar os alunos para os concursos e acima de tudo com os concurseiros, que param suas vidas para correr atrás de um sonho tão facilmente frustrado por uma organizadora que mostrou sua falta de comprometimento com seu público-alvo: todos os cidadãos pernambucanos.

Eu me perguntaria ainda, e, para finalizar: Merecem os alunos estudiosos ver, em suas salas, alunos outros com celulares em punho fotografando as provas, cartões-resposta e publicando em mídias sociais? Merecem ver pessoas fazendo provas em grupo, iluminando-as com as telas dos seus celulares? Quem usa celular para iluminar uma prova, usa-o para compartilhar gabaritos e outras coisas mais. Enfim, fica aqui a nossa pequena contribuição na busca de concursos cada vez mais decentes.







Revise acentuação gráfica com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 1.06.2014 às 19:00

Olá, queridos leitores, hoje vamos reforçar o assunto de acentuação gráfica, dando ênfase, principalmente, à acentuação dos verbos. Vejamos:

(FGV-RJ) Assinale a alternativa que completa as frases:


I – Cada qual faz como melhor lhe ……. .
II – O que ……. estes frascos?
III – Nestes momentos os teóricos ……. os conceitos.
IV – Eles ……. a casa do necessário.


a) convém, contêm, reveem, proveem
b) convém, contém, revêem, provém
c) convém, contém, revêm, provém
d) convêm, contém, revêem, provêem
e) convêm, contêm, revêem, provêem
 

No item I, o verbo convir está na terceira pessoa do singular, então se conjuga convém. Como a conjugação da terceira pessoa do plural é igual, usamos o acento agudo para o singular e o circunflexo para marcar o plural. No II, lembremo-nos: sujeito no plural, verbo no plural! Logo, teremos: O que estes frascos contêm? No item III, temos um verbo derivado de ver, neste caso, há a duplicação do “ee” e, segundo o novo acordo, não haverá acento: reveem. O verbo prover significa abastecer; se ele é derivado de ver, haverá a duplicação do “ee”: proveem.
 

Vamos para a segunda questão:

(CESCEM) Sob um ….. de nuvens, atracou no ….. o navio que trazia o ….. .
a) veu, porto, heroi
b) veu, pôrto, herói
c) véu, pôrto, heróis
d) véu, porto, heroi
e) véu, porto, herói

Nos ditongos éi, ói, éu, haverá acento quando as palavras forem oxítonas ou monossílabas e os ditongos forem abertos. É justamente o caso de réu.  Porto não possui acento, pois é paroxítona terminada em o, além do mais o acento diferencial de timbre não existe… Em herói, apareceu acento porque há nela ditongo aberto em palavra oxítona.

Espero que essas questões possam “abrir o apetite” de vocês no que diz respeito ao assunto de acentuação, tão importante para os nossos concursos. Um grande abraço!







Mais treino de concordância com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 11.05.2014 às 19:00

Queridos leitores, como nós sabemos, concordância nunca é demais. Temos consciência de que as questões de concordância são as que mais aparecem nas nossas provas, portanto dar ênfase a elas nunca é demais. Vejamos: 
A concordância está feita corretamente na frase:

(A) Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduz o risco de doenças cardíacas.
(B)) Com as comodidades da vida moderna, ocorreram mudanças de hábitos alimentares em todos os níveis sociais.
(C) A prática diária de esportes nem sempre são suficientes para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.
(D) Um dos maiores problemas atuais das crianças estão na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.
(E) Já está se manifestando em crianças certas doenças típicas de adultos, principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras.

A letra A traz dois motivos claros para que o verbo reduzir vá para o plural: em primeiro lugar, o primeiro núcleo do sujeito composto já está no plural, isso seria suficiente para que o verbo já fosse ao plural; vejamos ainda que uma das mais básicas regras de concordância diz: “sujeito composto anteposto ao verbo, verbo no plural”. Frase correta: “Refeições saudáveis, com base em verduras e legumes, além da prática de exercício físico, reduzem o risco de doenças cardíacas.”

Sabemos que a letra B está correta, porque “mudanças de hábitos alimentares” é o sujeito da oração, e a regra diz que o verbo concorda em número e em pessoa com o seu sujeito.

“A prática diária de esportes” é o sujeito da oração, como ele se dirige a um verbo de ligação que traz depois de si um predicativo representado por um adjetivo, temos que envolver aí concordância nominal e verbal. Então a frase correta deveria ser: “A prática diária de esportes nem sempre É SUFICIENTE para controlar os altos níveis de colesterol em jovens.”

“Um dos maiores problemas atuais das crianças ESTÁ na falta de controle do hábito de comer diante da televisão ou do computador.” Com quem “está” concorda? Com o numeral um da expressão “UM dos maiores problemas”. Essa concordância é obrigatória.

Vamos colocar a letra E na ordem direta para que o sujeito fique mais evidente e evitemos fazer concordância inadequada: “Certas doenças típicas de adultos já ESTÃO manifestando-se em crianças principalmente por causa de alimentos ricos em gorduras. Feita a organização, visualizamos bem a concordância do verbo com o seu sujeito.

Sigamos estudando regência, crase, concordância, pontuação, já que esses são assuntos que nunca deixam de cair nas nossas provas. Um grande abraço e até domingo.







Fabiana Ferreira: transposição de vozes verbais

Publicado por Thomaz Vieira, em 4.05.2014 às 19:00

Queridos Leitores, todos já estão sabendo que a prova da Polícia Rodoviária Federal será realizada pela Funcab. Essa organizadora adora transposição de voz ativa para voz passiva, muito semelhante, neste ponto, à Fundação Carlos Chagas. Vamos relembrar um pouco desse assunto:

1. A forma verbal da voz passiva correspondente exatamente à construção:

(A) Se examinarmos as fábulas populares é: Se as fábulas populares forem por nós examinadas.
(B) um jovem a conduza é: fosse por um jovem conduzida.
(C) exprimem o desejo popular é: têm expressado o desejo popular.
(D) representam apenas uma ilusão miraculosa é: estão apenas representando uma ilusão miraculosa.
(E) deve reconquistar seu reino é: terá reconquistado seu reino.

Esta é uma questão da FCC, vamos analisar juntos letra a letra:

(A) como “As fábulas populares” é o objeto direto na voz ativa, tornar-se-á sujeito na voz passiva. Lembremo-nos ainda de que: se o verbo “examinarmos” está no futuro do subjuntivo, o verbo SER (da voz passiva) assumirá o mesmo tempo e o mesmo modo.

Se as fábulas populares (sujeito) forem examinadas (verbo ser + particípio) por nós (agente da passiva)

(B) “um jovem a conduza”. O objeto direto agora é representado pelo pronome oblíquo “A”, que irá transformar-se em sujeito na voz passiva.

Que “ela” (sujeito) seja conduzida (verbo ser +particípio) por um jovem. (agente da passiva)

(C) “exprimem o desejo popular”

“O desejo popular” (sujeito) é expresso (verbo ser + particípio)

(D) “representam apenas uma ilusão miraculosa”

Uma ilusão miraculosa (sujeito) é representada. (verbo ser + particípio)

(E) “deve reconquistar seu reino”

“Seu reino (sujeito) deve ser reconquistado.” (verbo ser + particípio)

 

Devemos lembrar-nos de que, na letra E, existem dois verbos na voz ativa (DEVE RECONQUISTAR), logo haverá três (DEVE SER RECONQUISTADO) na voz passiva.

Vamos treinar essas transposições, pois, é provável que apareça na prova da Polícia Rodoviária Federal. Um grande abraço e até o nosso próximo encontro.







[Fabiana Ferreira] Produção textual: algumas dicas

Publicado por Thomaz Vieira, em 27.04.2014 às 19:00

Queridos leitores, sabemos que a demanda por produção textual é cada vez maior nas nossas provas de concursos. Por isso vamos olhar alguns exemplos daquilo que podemos fazer, ou não, nas nossas dissertações. Vejamos o que você não pode fazer:

1. Inadequações à norma culta: "Em bora o governo não si concientize de sua culpa pelo crescimento do trabalho infantil, pois o mesmo não está dando o devido valor ao Brasil. Além disso ele não imagina que o mesmo é prejudicado, pois é através de impostos que o mesmo depende a sua arrecadação, pois é as empresas que produzem verbas que o mesmo necessita para pagar seus gastos exorbitantes".

Esse fragmento acima transcrito foi produzido por um candidato a uma vaga oferecida por um órgão federal. Vamos, sem dúvida, ocultar todos os detalhes que possam identificá-lo:

a)    “Embora” é uma conjunção, nunca deveria ser escrita separadamente. Vejamos ainda que, dentro da mesma oração, a forma verbal “conscientize” foi usada inadequadamente, esquecemos o “s”, (atitude bem comum quando estamos com pressa). Ah! Quase nos esquecíamos do “si”. Esse pronome só pode ser usado precedido de preposição; quem pode se relacionar diretamente com o verbo é o pronome “se”, logo a frase correta seria “Embora o governo não se conscientize de sua culpa pelo crescimento do trabalho infantil,”.

b)    A próxima oração só apresenta inadequação no tocante ao uso da palavra “mesmo”; esse termo não deve ser usado como anafórico, ou seja, não deve resgatar outros termos que já foram usados anteriormente. Aproveito para falar um pouco sobre a questão da coerência: infelizmente a soma dessas duas orações que compõem o período torna-o incoerente, já que precisaríamos de uma oração principal depois da subordinada iniciada por “embora”.

c)    Vejamos: nós não podemos usar “o mesmo” como anafórico, imaginem repeti-lo como está sendo feito no decorrer desse texto!

d)    Quem depende depende “de”, logo a correção para esse trecho da frase seria “depende de (ou da) sua arrecadação”

Resumindo, o que não está bom nesse fragmento de texto é a falta de coesão textual que nos leva à falta de coerência. Como a coesão diz respeito à organização superficial do texto, nesse caso, a sua falta implica tão grande falta de coerência. Buscamos o sentido, mas não o encontramos…

Um grande abraço e até a próxima.

 







Coesão textual é tema da semana de Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 30.03.2014 às 19:00

É sempre necessário relembrar a definição de coesão textual para que nunca haja sustos nas nossas provas, pois sabemos que muitas vezes o assunto é facílimo, mas o grande problema é a nomenclatura que não faz parte do nosso universo. Então vejamos: “são mecanismos usados para garantir ao interlocutor a compreensão do que se lê e do que se diz. Dentre esses mecanismos destacamos:

1.    Substituição de palavras com o emprego de sinônimos ou de palavras ou expressões de mesmo campo associativo. 

2.    Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante). 

3.    Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância – resultado da pobreza de vocabulário.  Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima)

4.    Conjunções, adequadas ao contexto situacional, para ligar orações sejam coordenadas, sejam subordinadas.

Vejamos uma questão que envolve mecanismos de coesão:

1.    Assinale a opção em que a estrutura sugerida para preenchimento da lacuna correspondente provoca defeito de coesão e incoerência nos sentidos do texto. 

A violência no País há muito ultrapassou todos os limites. ___1___ dados recentes mostram o Brasil como um dos países mais violentos do mundo, levando-se em conta o risco de morte por homicídio. 
Em 1980, tínhamos uma média de, aproximadamente, doze homicídios por cem mil habitantes. ___2___, nas duas décadas seguintes, o grau de violência intencional aumentou, chegando a mais do que o dobro do índice verificado em 1980 – 121,6% -, ___3___, ao final dos anos 90 foi superado o patamar de 25 homicídios por cem mil habitantes. ___4___, o PIB por pessoa em  idade de trabalho decresceu 26,4%, isto é, em média, a cada queda de 1% do PIB a violência crescia mais do que 5% entre os anos 1980 e 1990.  
Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostram que os custos da violência consumiram, apenas no setor saúde, 1,9% do PIB entre 1996 e 1997. ___5___ a vitimização letal se distribui de forma desigual: são, sobretudo, os jovens pobres e negros, do sexo  masculino, entre 15 e 24 anos, que têm pago com a própria vida o preço da escalada da violência no Brasil. 

(Adaptado de http:// www.brasil.gov.br/acoes.htm) 

a) 1 – Tanto é assim que 
b) 2 – Lamentavelmente 
c) 3 – ou seja 
d) 4 – Simultaneamente 
e) 5 – Se bem que

Você tentou encaixar expressão por expressão nos espaços vazios, contudo, quando chegou ao último não conseguiu já que “se bem que” articula ideias em oposição, contraste e as ideias do último período do texto não se opõem e sim confirmam tudo aquilo que já havia sido dito antes. É uma continuação, não uma oposição. Continue treinando, busquemos questões da ESAF e da FCC, um grande abraço e até domingo.







Regência merece atenção na prova da Alepe

Publicado por Thomaz Vieira, em 23.03.2014 às 19:00

É muito comum que ouçamos algumas curiosidades sobre regência que não condizem com o que a gramática normativa prevê. Eu, por exemplo, escuto muito alguns dizerem que “para cada termo regente, existe um termo regido”. Cuidado com essa afirmação, pois nós podemos ter, sim, vários regentes para um só regido, desde que se respeite uma condição:
 
1.    Poderemos dar um só complemento a vários verbos, desde que estes sejam de mesma regência;

Exemplos: 

a)    Vi, comprei e li os livros.
b)    Necessito e gosto de todas essas atribuições.
c)    Creio e confio nas sagradas escrituras

Vamos agora analisar frase a frase: na letra “A”, temos os seguintes verbos: ver, comprar e ler, constatamos que estes três são transitivos diretos, logo houve a possibilidade de usarmos um só complemento para os três. A mesma possibilidade acontece nas letras “B” e “C”, contudo com verbos transitivos indiretos. Os verbos da letra “B” pedem complementos regidos pela preposição “DE”, e os verbos da letra “C”, complementos com a preposição “EM”, portanto um só complemento foi suficiente para todos os verbos.

Outra regra fundamental para que consigamos entender a regência dentro dos períodos compostos é a seguinte: “Havendo pronome relativo, iniciando a oração, e depois dele, qualquer termo que exija preposição, essa se deslocará para antes do pronome relativo.

Exemplos:

d) Não reconheci o aluno de cujos trabalhos gostamos muito.

e) Estas são as procurações em cujos cabeçalhos estão todos os dados dos quais necessitamos.

Vejamos que, na letra “D” encontramos o pronome relativo CUJOS e logo em seguida o verbo GOSTAR que exige a preposição “DE”. Imediatamente deslocamos a preposição para antes do relativo. Lembrando que esse deslocamento é obrigatório. O mesmo ocorreu em dois momentos na frase que está na letra “E”: novamente apareceu o pronome CUJOS, dessa vez, precedido da preposição “EM” proveniente do verbo estar. Nesse contexto, perguntamos: “Onde estão os dados”, e a resposta é “nos (em+os) cabeçalhos”; mais adiante encontramos: “… dados dos quais necessitamos.” quem é o pronome relativo? Os quais. Este se somou à preposição proveniente do verbo necessitar para que resultasse na frase correta em relação à regência.
Espero que tenhamos compreendido bem as particularidades abordadas hoje sobre o assunto de regência, pois elas são muito queridas nas provas da FCC. Muito grata pela companhia de vocês e até o próximo domingo.







Pontuação é o tema da semana com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.03.2014 às 19:00

Caros leitores, a prova da Alepe vem aí, é necessário que nos preocupemos com o assunto de pontuação para garantir mais uma questão na prova. Nesta questão, em especial, a FCC nos trouxe uma mescla entre interpretação textual e pontuação. Nada muito explícito no enunciado, o que nos chama a atenção para que levemos em consideração os mais diversos aspectos gramaticais.

1. (TRT 4ª – Tec. administrativo) Lá, as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências e adotam as burcas como trajes.

Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é:

(A) Adotarem as burcas como trajes é porque no Catar é vetado às mulheres a exibição de seus rostos na arte exterior de suas residências.(B) Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje.
(C) Burca é traje do Catar, adotado por mulheres tendo em vista que vetam-nas de mostrar os seus rostos à exceção do interior de suas residências.
(D) As mulheres do Catar se vestem com burca à medida que são proibidas de terem os rostos expostos externamente às residências.
(E) O Catar é onde se interdita as mulheres a exibição de seus rostos fora de suas residências e assim adotam as burcas como trajes.

Em primeiro lugar, vejamos o enunciado: Outra redação para o segmento acima, clara e correta, é… então, quem elaborou a questão pediu clareza e correção. Ser claro é ser objetivo, direto e correto significa enquadrar-se nas normas da gramática. Como essa questão foi baseada num texto, onde está escrito “lá”, lê-se “no Catar”. Vejamos que entre as duas orações existentes no período há uma relação de causa e consequência, pois “já que as mulheres não podem exibir seus rostos fora de suas residências, adotam burcas como trajes.”

Letra A: Não conseguimos identificar sentido na frase: Adotarem as burcas como trajes é porque… Estruturalmente, essa frase está em desacordo com o previsto pelo uso da língua.

Letra B: Neste período, Atendendo à imposição de não exibir os rostos para além dos limites de suas residências, no Catar as mulheres adotam as burcas como traje. A oração que contém o verbo no gerúndio (Atendendo…) está dando ideia de causa em relação à oração seguinte. Vejamos também que, como estamos diante de uma oração subordinada causal, anteposta à oração principal, a presença da vírgula separando as duas orações é obrigatória (depois de residências).  Logo a alternativa a ser marcada é justamente a letra B. Foi nessa assertiva que a minha leitora teve dúvida, pensando se não seria obrigatório o uso da vírgula depois de “Catar”. Seu raciocínio foi: “se no Catar é um adjunto adverbial de lugar, então, o uso de vírgulas isolando o adjunto não seria obrigatório?”. A resposta é “NÃO”. O uso da vírgula é facultativo. Só existe vírgula obrigatória se o adjunto adverbial for representado por uma oração.

Em todas as outras orações (letras C, D e E), o problema de fidelidade de sentido em relação ao texto original é gritante. Devemos observar principalmente a relação de sentido de uma oração para a outra. Na letra D, por exemplo, existe uma relação de proporção explicitada pela locução À MEDIDA QUE. 

Até domingo, queridos leitores, e, para os que farão a prova da Caixa Econômica Federal: uma excelente prova!







Coesão e coerência textual: onde entra a análise do sentido?

Publicado por Laiziane Soares, em 23.02.2014 às 19:03

 

Por Fabiana Ferreira*

    Vamos continuar focando nas abordagens do Cespe/Unb, falando um pouco sobre as relações de sentido que podem ser encaminhadas no texto. Vamos focar agora num assunto que é muito comum ser abordado pelo Cespe/Unb que é o uso de elementos anafóricos – termos que resgatam palavras ou expressões que já foram usadas no texto - representados em geral por pronomes. Afunilando um pouco mais a discussão, focaremos nos pronomes demonstrativos e relativos que muitas vezes são usados como anafóricos na construção do sentido.

    Vejamos: “O marco da previdência social brasileira é a publicação, em 24 de janeiro de 1923, da Lei Elói Chaves, que determinou a criação da Caixa de Aposentadorias e Pensões para os empregados das empresas ferroviárias.” Neste trecho, percebemos que o único substantivo antecedente do “QUE” que tem potencialidade para determinar a criação da caixa de Aposentadorias e Pensões é “a Lei Elói Chaves”. Então, nesse caso, comprovamos que o pronome “QUE” tem como referente o antecedente “Lei Elói Chaves”.

    Mais um exemplo: “As provas de Juliana, que está na sala ao lado, estão sendo corrigidas pelo reitor da Universidade”. Nesse caso específico, tanto as provas quanto Juliana têm potencialidade para “estarem na sala ao lado”, logo, como será a resolução quanto ao referente do pronome relativo “QUE”? O número do verbo resolverá o nosso problema, pois as provas é plural; Juliana é singular e o verbo que sucede o pronome relativo “QUE” está no singular. Então se Juliana está na sala ao lado, “QUE” = Juliana.

    Vamos relembrar as regras que se referem aos pronomes demonstrativos:


           Lembre-se de que é fazendo provas (principalmente do Cesp-Unb) que nós vamos tendo mais familiaridade com as questões que envolvem coesão e coerência. Um grande abraço e até o próximo domingo!







Mais uma aula de crase com Fabiana Ferreira

Publicado por Thomaz Vieira, em 16.02.2014 às 19:00

Queridos alunos, envio-lhes uma questão de crase que vai aclarar algumas dúvidas sobre esse assunto.

1.    Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.

Mais de 60 milhões de brasileiros usam a Internet,__1__ qual dedicam em média 44 horas mensais. Como se sabe,__2__ rede de computadores é uma importante ferramenta de comunicação, realização de negócios e acesso __3__ informações. Ainda assim, usuários e provedores de serviços não dispõem, no Brasil, de um arcabouço jurídico específico que estabeleça direitos e deveres no ambiente virtual. __4__ insegurança jurídica daí advinda não é desprezível. Criadores e gestores de conteúdo, desde o simples blogueiro aos maiores portais, encontram-se desprotegidos. Não raro, a Justiça os considera responsáveis por opiniões ou informações veiculadas em suas páginas – entendimento que nem sempre considera __5__construção coletiva engendrada na Internet. É bem-vinda, portanto, a iniciativa de levar__6__ discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.

1.    A primeira lacuna será preenchida com “À” -> o pronome relativo “A QUAL” uniu-se com a preposição “A” proveniente do verbo dedicar, que é transitivo direto e indireto. Lembremo-nos de que, se houver pronome relativo dentro da oração e depois dele um verbo que exija preposição, esta se deslocará para antes do relativo. “A” + “A QUAL” = À QUAL.
2.    Em “a rede de computadores”, no segundo item, o “A” diante de “rede” é apenas um artigo.
3.    Como não há o fenômeno da crase com um “A” singular diante de palavra no plural devido à ausência de artigo, a frase ficará assim: “… realização de negócios e acesso “A informações.”
4.    Igualmente ao caso descrito no número 2, na frase “A insegurança jurídica daí advinda não é desprezível.” O “A” é apenas um artigo.
5.    “Considera o quê?” como o verbo considerar é VTD, não há preposição, logo não haverá crase. “… nem sempre considera A construção…”
6.    Analisemos a inversão sintática que foi feita nesta frase: “… a iniciativa de levar À discussão pública e legislativa um Marco Civil da Internet.” Se colocarmos esta frase na ordem direta, obteremos: “a iniciativa de levar o quê? UM MARCO CIVIL DA INTERNET. “levar aonde?”À DISCUSSÃO PÚBLICA.

A sequência correta então é:  À – A – A – A – A – À