Ficou escrito e ficou gravado

Quando pesavam disparos contra Lula e Eduardo Campos, no 2º turno da campanha de 2006, Ariano Suassuna foi a estrela no guia eleitoral a desmontar os algozes. Como fator de convencimento, recorria a bem-humorada promessa: “Parem de fazer acusações injustas a Eduardo e a Lula que eu paro de cantar Madeira do Rosarinho”. Na sequência, subia a música com a imagem do escritor em cima do trio elétrico. Ariano gravara, também, naquele ano, para o horário eleitoral de Lula. “É a primeira vez que um [candidato] do povo, que saiu do Brasil real, chegou à Presidência”, dizia ele ao declarar voto. Em 2012, aparaceu pedindo voto para Geraldo Julio. Não deu tempo de gravar fala específica para Paulo Câmara, nem para Eduardo, este ano, mas imagens dele nos atos da campanha estão salvas. “Vamos homenageá-lo sem dúvida nenhuma. Foi uma pessoa importante. Como Dr. Arraes e Pelópidas Silveira, merece toda nossa deferência”, observou Paulo Câmara, por telefone, a caminho do hospital.

Ariano chegou à caminhada de Geraldo Julio, no centro do Recife, sem avisar para não preocupar. “Não sou político. Sou um escritor que sabe da importância da política”, comentara naquele dia

Próximos capítulos
“A dor é profunda e pessoal. A política aí é totalmente secundária”. A observação é do marqueteiro Edson Barbosa que acompanhou a captação de inúmeras imagens do convívio entre o escritor e Eduardo Campos. “Tem muita coisa legal que ele dizia sobre Eduardo gravada e podem ser usadas”, considerou Edson, que, hoje, está à frente da campanha eleitoral de Paulo Câmara.

Adeus - Assim como Eduardo Campos, Paulo também tinha Ariano como padrinho. A última vez que esteve com o escritor foi no “Encontro com Amigos de Paulo”, no último dia 7. “Agradeci por ele ser um dos meus padrinhos, me deu abraço forte e disse que contasse com ele sempre’, recorda Câmara.

Presente
- A despeito da idade avançada, Ariano não se poupava dos atos políticos. Marcou presença no lançamento da candidatura de Paulo Câmara, na convenção, no encontro com artistas.

Quase - Ariano não chegou a gravar depoimento, mas Paulo havia feito visita à casa do escritor e a relação ia se estreitando a caminho de uma aparição no guia.

Suspenso - Em atenção, Paulo Câmara suspendeu sua campanha por 24 horas. Eduardo Campos também não terá compromissos. Acompanham velório e enterro de Ariano durante o dia, hoje.

Herança
- Com uma das heranças do período que passou como secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar carrega a amizade com a família do cantor Dominguinhos. Ontem, o candidato a deputado federal cancelou visita a Campus Party para comparecer à missa de um ano de falecimento do cantor.

Benção
- Casada com o deputado Raimundo Pimentel, que migrou, recentemente, para base de apoio da coligação Pernambuco Vai Mais Longe, Socorro Pimentel terá sua candidatura lançada, em Araripina, sábado. Armando Monteiro Neto vai ao Araripe prestigiar o evento.

Dublê
- Na impossibilidade de Eduardo Campos deixar o Recife, hoje, sua candidata a vice, Marina Silva o substituirá em palestra que ele iria proferir, no encontro anual da SBPC, no Acre. Além de Campos, Jarbas Vascocelos, Raul Henry e João Lyra foram ao hospital ontem.

"Ariano para nós é um tio, um avô, um pai, um amigo, companheiro, referência. Esta manhã me despedi dele aqui, agradecendo tudo que ele fez por muitas gerações" - Do presidenciável Eduardo Campos, definido por Ariano como seu “pai caçula”.


Blog

  • BLOG DA FOLHA

Twitter


Cartello