Leopoldina e José Bonifácio
Leopoldina e José BonifácioFoto: divulgação/Carla Denise

Mais de 50 bonecos utilizados na série Brasil 500 anos, exibida na TV Escola, além de figurinos, fotografias e imagens em vídeo serão expostos na Galeria Corbiniano Lins, no Sesc Santo Amaro. Personagens da história do Brasil, como Dom Pedro I e II, compõem a mostra, que será aberta dia 10 de maio

A série “Brasil 500 anos”, um dos trabalhos mais significativos da trajetória do Mão Molenga Teatro de Bonecos, serviu como mote para a exposição em comemoração aos 30 anos do grupo pernambucano. A mostra “Mão Molenga – Cenas de uma história” será aberta no dia 10 de maio, às 17h, na Galeria Corbiniano Lins, no Sesc Santo Amaro, e fica em cartaz até 28 de julho. A visitação será de segunda a sexta, das 9h às 17h, com entrada gratuita e visitas guiadas sob agendamento para grupos e escolas. A exposição, com curadoria de Marcondes Lima, é uma parceria com o Sesc Pernambuco, com apoio da Massangana Multimídia Produções e incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura).

Exibida entre os anos de 1998 e 2003, inicialmente pela TV Escola (e depois retransmitida em diversos canais e disponível na internet), a série “Brasil 500 anos” contou com quatro temporadas: Um Novo Mundo, Brasil Colônia, Brasil Império e Brasil República, totalizando 30 episódios. Mais de 800 personagens, todos bonecos idealizados pelo Mão Molenga, ajudaram a contar a história do Brasil desde o tempo dos navegadores até os anos 2000, quando o país comemorou 500 anos.

Para a exposição, cerca de 50 bonecos foram restaurados, entre eles personagens da família real, como Dom Pedro I, Dom Pedro II em várias fases, a princesa Leopoldina, dona Maria I, além de nomes como José Bonifácio, Zumbi dos Palmares, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco. Há ainda personagens que existiram somente na ficção, para ajudar a recontar a história sob a perspectiva do cidadão. É o caso da vedete Virgínia, que não era uma personagem histórica, mas recebeu destaque e terá o cenário que aparecia na série recriado na mostra. Figurinos, croquis, além de mais de 100 fotografias, também vão compor a exposição.

“Para cada personagem, era desenhado um ou mais croquis. Fazíamos uma pesquisa para saber as roupas de cada época, além de um estudo que envolvia desde a criação do boneco até a sua relação e as especificidades com a linguagem audiovisual”, explica Carla Denise, uma das integrantes do Mão Molenga, que assinou a direção de manipulação e dublagem durante toda a série. O Mão Molenga Teatro de Bonecos é formado pelos mesmos artistas desde a sua criação, em 1986: o encenador Marcondes Lima, a roteirista Carla Denise e os bonequeiros Fátima Caio e Fábio Caio. Os bonecos que compuseram a série de TV eram manipulados através de uma técnica mista, de luva e vara. Parte deles foi confeccionado em papel machê, e os corpos feitos de espuma, couro e metal. Entre as curiosidades, algumas delas: os bonecos mediam, em sua maioria, entre 50 e 60 centímetros; eram pintados com tinta de parede, porque não podiam brilhar no vídeo; muitos experimentos foram realizados para simular as cores de pele de portugueses, indígenas e negros; os bonecos precisavam ser maquiados com produtos feitos para humanos; e a peruca era um dos itens mais caros na composição.

A exposição é dividida em quatro etapas. O processo de criação e execução dos bonecos, desde a pesquisa até a finalização, vão compor o primeiro estágio. Algumas peças estarão à disposição para serem tocadas pelos visitantes. No segundo momento, os bonecos serão mostrados como objetos de arte, representando diferentes etnias e o universo dos personagens históricos. Uma linha do tempo de figurinos, desde o período colonial até os anos 2000, será montada nesse espaço. No terceiro trecho da mostra, o espectador terá contato com os bonecos em atuação: imagens em vídeo e fotografias estarão expostas. E, por fim, há um registro dos profissionais envolvidos na série. Cerca de 60 atores pernambucanos participaram do projeto como dubladores, como Irandhir Santos, Marilena Breda, Luciana Lyra, Leidson Ferraz, Quiercles Santana e Nilza Lisboa. A direção geral da série contou com Luiz Felipe Botelho, Fátima Accetti, Cynthia Falcão e Nilza Lisboa. A direção de arte reuniu nomes como Marcondes Lima e Walter Holmes, além de Maria Pessoa e Beto Martins na direção de fotografia.

Durante a temporada da mostra, o Mão Molenga vai realizar uma programação paralela, com oficinas, rodas de conversa, sessões especiais de três espetáculos do repertório do grupo (Babau, O fio mágico e Algodão doce), além de exposição virtual.

“Mão Molenga – Cenas de uma história”, em cartaz na Corbiniano Lins, terá trechos acessíveis a espectadores surdos ou com baixa audição, e cegos, ou com baixa visão, e poderá ter visitas guiadas sob agendamento para esses públicos específicos, sob a supervisão de Andreza Nóbrega, profissional da área de acessibilidade.

Mão Molenga Teatro de Bonecos

O primeiro espetáculo do grupo Mão Molenga Teatro de Bonecos foi o Retábulo da Barafunda, que ficou em cartaz na então Galeria Metropolitana de Arte Aloísio Magalhães, em 1987. Dedicado ao teatro de animação, especificamente ao teatro de bonecos, o grupo possui 18 espetáculos no seu repertório, em 31 anos de atividade ininterrupta. O Mão Molenga já se apresentou em todas as regiões do Brasil, em projetos como o Palco Giratório e inúmeros festivais, como o Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos.

Serviço:

Exposição “Mão Molenga – Cenas de uma história”
Abertura: 10 de maio, às 17h
Visitação: De segunda a sexta, das 9h às 17h, até 28 de julho
Na Galeria Corbiniano Lins (Sesc Santo Amaro – Rua Treze de Maio, 455, Santo Amaro)
Entrada gratuita
Informações e agendamentos: (81) 3216-1728

Programação paralela:

Oficina Dramaturgia do movimento no teatro de animação
Quando: de 2 a 9 de maio; e de 6 a 9 de junho
Horário: 19h às 22h
Onde: Sesc Santo Amaro
Quanto: Gratuita
Inscrições: Sesc Santo Amaro ou pelo telefone (81) 3216-1728

Oficina Construção de bonecos
Quando: 20 de maio a 17 de junho, aos sábados, das 9h às 12h
Onde: Sesc Santo Amaro
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (comerciários e dependentes)
Inscrições: Sesc Santo Amaro ou pelo telefone (81) 3216-1728

Roda de conversa
Tema: 500 anos, a série. Os bonecos no audiovisual pernambucano
Quando: 23 de maio, às 19h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro). Entrada gratuita
Debate sobre teatro de animação em Pernambuco. A atividade integra a Mostra Pernambucana de Teatro de Bonecos
Quando: 31 de maio, às 19h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro). Entrada gratuita

Lançamento da exposição virtual
Quando: 30 de junho, às 17h, na Galeria Corbiniano Lins (Sesc Santo Amaro)

Espetáculos: 

- Babau

Quando: 27de maio, às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)

- O fio mágico

Quando: 28 de maio, às 16h, no Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)

- Algodão doce*

Quando: 28 de julho, às 10h, no Teatro Marco Camarotti
*Nos 20 anos do Palco Giratório

Ingressos para os espetáculos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Classificação indicativa dos espetáculos: 6 anos

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