Uninassau Basquete ficou com o vice-campeonato da LBF
Uninassau Basquete ficou com o vice-campeonato da LBFFoto: Flávio Japa/Arquivo FolhaPE

Há uma semana, a Uninassau Basquete encerrava a sua participação na Liga de Basquete Feminino (LBF) 2016/2017 com um vice-campeonato de significativo, uma vez que a equipe pernambucana entrara no certame com um grupo composto, em sua maioria, por meninas abaixo dos 25 anos e, ainda assim, protagonizara um playoff final de extremo equilíbrio diante de um Corinthians/Americana/SP formado por atletas tarimbadas, veteranas em decisões.

Os últimos dias foram de reuniões entre os diversos setores que compõem a Uninassau Basquete. Membros da comissão multidisciplinar, gestores, investidores e jogadoras. Todos participaram do balanço da temporada e, agora, se voltam para o futuro. A continuidade da equipe é uma constatação. A sua composição, contudo, ainda é uma incógnita. De certo, até o momento, somente a saída de três atletas, a armadora Débora Costa, a ala-pivô Raphaella Monteiro e a pivô Kelly; e a pernamanência do grupo mais jovem, que tem as armadoras Carol e Tássia Carcavalli, a ala Bia, a ala-pivô Nicolle Chirinda e as pivôs Lorena e Lorraine.

A última Liga foi uma espécie de laboratório para o time pernambucano, que, diante de um encurtamento orçamentário significativo (em verba de parceiros e atraso na liberação do repasse da Caixa, patrocinadora do Nacional, aos clubes), passou a investir na lapidação de jovens talentos. Os frutos colhidos deram o direcionamento do trabalho a ser feito daqui para a frente. A ideia é continuar tendo uma base formada por jogadoras mais experientes, papel desempenhado na recém-encerrada LBF pelas alas Ariadna Capiró e Tati Pacheco, pelas pivôs Gilmara Justino e Kelly e pela armadora Ineidis Casanova, e mesclar a presença delas com a de meninas mais novas.

“O problema está sendo manter essa base. Hoje fica muito difícil continuar com todas porque algumas receberam propostas altas de outros times antes mesmo do término da Liga. Estamos com prazos, correndo contra o tempo para buscar parceiros e manter peças importantes”, pontuou o técnico Roberto Dornelas, acrescentando que, entre as jovens, também há assédio. “A tendência é sermos um time que revelará atletas, mas não as manterá por muito tempo, porque a cada Liga elas se valorizarão e não teremos condições financeiras de cobrir a permanência delas”, lamentou.

Nos próximos meses, cerca de quatro jovens devem chegar ao Centro de Treinamento da RD Sports, no Colégio Salesiano. Elas se juntarão ao elenco das “novinhas” para cumprir os compromissos do restante desta temporada, em sua maioria eventos universitários, além da recém-lançada Liga Integração. Fora isso, a Uninassau trabalha, através das parcerias firmadas com universidades dos Estados Unidos, durante a viagem feita pelo elenco no ano passado, para a vinda de algumas instituições norte-americanas no segundo semestre. A depender do número de universidades que vierem, serão feitos jogos-treino ou, até mesmo, um minitorneio internacional de caráter amistoso. A próxima LBF só começará em janeiro.

“Teremos cerca de sete meses para trabalhar o elenco, analisar o desempenho dessas meninas, ver quais delas evoluirão ao ponto de conquistarem uma vaga no grupo para a próxima Liga. Dentro disso, sentarmos para observar o grupo que teremos e a necessidade de contratações. E, se necessário, quais as características buscaremos. Isso foi feito na temporada passada e tivemos como retorno um encaixe muito bom.”

A proposta da Uninassau, a médio e longo prazo, tende a contribuir para uma renovação do basquete feminino como um todo. No segmento clubes, é o único no País que possui um CT exclusivo, com estrutura completa de trabalho. Isso, junto a um bom material humano, abre portas para talentos que, muitas vezes, são desperdiçãdos por conta da ausência de uma política esportiva que olhe pelo desporto de base. “Tem excelentes equipes de formação em São Paulo, mas que só competem até o sub-19. Quando as meninas estouram a idade, ficam sem oportunidades, porque os clubes da Liga não costumam olhar muito. Então, estamos buscamos meninas com potencial para trabalhar no CT e brigar por vaga no time que jogará a Liga”, destacou Dornelas.

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