Oficina
do sabor: comida regional com requinte
Márcia
Lira
Da Folha Digital

A fama do Oficina do Sabor - restaurante eleito o terceiro melhor
no guia da Veja Recife 2005 - e a presença constante do chef
César Santos nas colunas sociais me fizeram criar certa expectativa.
Esperava um restaurante pomposo, com pessoas vestidas a caráter,
na última moda de Paris, daqueles em que só é
educado cochichar enquanto tilintam as taças de vinho. É
possível imaginar qual não foi minha surpresa quando
adentrei o recinto, na rua do Amparo, e me senti quase tão
à vontade quanto ficaria no quintal da minha casa.
Não que o Oficina do Sabor seja um local desleixado, mas
sim despojado em sua sofisticação. O principal ambiente
parece um varandão: com mesas e cadeiras de vime, plantas.
O vento e uma vista da cidade alta completam a informalidade do
restaurante.
A ambientação, recentemente alterada, é repleta
de elementos regionais, com figuras simbólicas de artesanato
de todo o Nordeste, que, inclusive, estão à venda.
"Muitos turistas vêm no restaurante e não têm
tempo de procurar artesanato, por isso, cedo espaço para
exposição dos artistas nordestinos", justifica
César Santos.
Freqüentado por turistas, artistas, formadores de opinião,
a linha gastronômica não é diferente. O cardápio
é totalmente baseado nos elementos regionais, como as frutas
e frutos do mar. "Procuro usar temperos leves para não
dar muita interferência no sabor dos alimentos", revela
o chef. A especialidade da casa é o jerimum recheado, com
lagosta ao creme de manga (R$ 68), por exemplo.
Se você decidir ir ao Oficina do Sabor, que não vá
esperando um cardápio de pratos triviais: sabores regionais
são misturados de forma nada convencionais. Desde a entrada,
que pode ser um Mix do Chef (R$ 24), leia-se filé de agulha,
queijo com ervas, bolinho de charque e bacalhau, pasta de beringela,
risole de provolone e torradas.
A Charque à Moda do Chef (R$ 44) é uma ótima
pedida para quem teme ousar demais, já que é versão
refinada de uma mistura familiar: charque desfiada frita na cebola,
farofa de jerimum, purê de macaxeira e o molho verde para
quebrar o 'peso' das comidas típicas nordestinas. O leve
sabor doce da farofa (quase um purê) de jerimum quebra o salgado
da charque, e forma uma composição apetitosa junto
à macaxeira e à verdura.
A maioria dos pratos são indicados para duas pessoas gulosas
ficarem satisfeitas por uma tarde inteira, o que torna os preços
justos se for levada em consideração a boa gastronomia
e o ambiente acolhedor, num programa eventual. Com exceção
de raros itens do cardápio, como uma jarra de coco (para
quatro copos), que chega a custar R$ 19.
SERVIÇO
Oficina do Sabor
Rua do Amparo, 335, Olinda
Horário: Terça a Quinta (12h às 16h/18h às
0h)
Sexta (12h às 16h/18h às 1h)
Sábado (12h à 1h) e Domingo (12h às 17h)
Fone: (81) 3429.3331