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Sabores de Baco 3ª prova: vinhos TINTOS sul-africanos - Claro que a Copa do Mundo de Futebol estava por trás da escolha do tema desta nova prova-degustação. Só que a gente sonhava em publicá-la com a taça na mão. Em agosto de 2006, após nosso fracasso na Copa da Alemanha, escrevi sobre a esperança do hexa em 2010. “E felizmente foi-se Parreira. Ave Dunga! Boa sorte”, dizia eu naquele artigo. Mas não deu não. De novo. Bem, a despeito disso, nosso grupo de degustadores teve muito prazer em provar os vinhos da África do Sul, que nos enviaram o Club du Vin, a Grand Cru e a Lacomex. Das três provas, esta teve a disputa mais apertada, a mais nivelada. Por cima, é bom que se diga. Isso não surpreendeu, visto que a África do Sul, apesar de considerada nova no mundo vinícola, tem grande tradição. E muita respeitabilidade no mercado internacional. Além de exercer preços bem razoáveis. A decisão de restringir a degustação aos tintos foi tomada em face do histórico das duas provas anteriores: vinhos brancos (Chardonnay e Sauvignon Blanc) e espumantes sul-americanos. Estava na hora dos tintos. Só isso. Nunca por desmerecimento dos brancos daquele país, que são muito bons e até mais clássicos que os tintos. A África do Sul produz vinhos em várias regiões, mas a qualidade é encontrada no sudoeste, particularmente no entorno da cidade do Cabo. Que já foi da tormenta e hoje é dos bons vinhos. Na cabeceira, dois grandes distritos: Stellenbosch e Paarl. As castas tintas mais usadas são a Cabernet Sauvignon e a Pinotage. Esta última, fruto do cruzamento da Pinot Noir com a Hermitage (na França, mais conhecida como Cinsaut). Mas outras uvas ganham terreno por ali, sobretudo Merlot, Pinot Noir e Shiraz. Desta vez o restaurante que sediou o evento foi o ótimo Tapioca, onde fomos recebidos com fidalguia por Duca Lapenda e sua equipe. Depois da degustação formal dos vinhos - como sempre inteiramente às cegas - fomos premiados com outra degustação: pratos do cardápio da casa, onde destaco o saboroso arroz de cabidela. Tudo sem reparo. Quer dizer... Desta feita o grupo de degustadores foi reduzido a quatro enófilos, devido a outros compromissos que afastaram três colegas. Mas se o número foi menor, o mesmo não pode se dizer da qualidade de quem lá estava (veja o corpo de jurados, desconsiderando este que vos escreve). Egoísmos à parte, até sobrou mais vinho para nós quatro! Brincadeira. Bem, amigos, vamos ao resultado Na tabela abaixo você encontra os distritos produtores, os nomes dos vinhos e as safras. Depois a faixa de preço, a média de pontos (máximo de 100) e a classificação dos vinhos. Adiante a classificação das lojas fornecedoras, com a pontuação dividida pelo número de garrafas enviadas. Item outra vez liderado pelo Club du Vin. O vinho vencedor foi o Danie de Wet Pinotage Bio 2009, da vinícola Wetshof, 12 décimos acima do segundo lugar, o Simonsig Cabernet Sauvignon. Em terceiro, também poucos décimos abaixo, o Wolftrap, produzido pela vinícola Boekenhoutskloof (conseguiu pronunciar?). Este último, ao contrário dos dois primeiros - varietais das duas mais importantes castas tintas da África do Sul - é um corte de uvas oriundas do Rhône (França): Shiraz, Mourvèdre, Viognier e Cinsaut. Essa é uma nova faceta dos produtores daquele país. Como já disse, até o sexto lugar a diferença de pontos foi bem pequena, expressando uma boa qualidade média dos vinhos testados. Mas essas degustações sempre trazem surpresas. O vinho menos pontuado, um corte com predomínio da uva Merlot, é produzido sob orientação de um dos mais cultuados enólogos do mundo, o bordalês Michel Rolland. No mundo do vinho costumamos dizer que “vinho é medido garrafa a garrafa”. Terá havido algum problema específico com aquela que testamos? Qualquer dia desses vou tirar essa dúvida. Nenhuma casta de uva predominou absoluta. O mesmo podendo se dizer dos distritos produtores. Por fim, uma análise que sempre fazemos: a relação qualidade-preço. Como quase todos os vinhos estavam na faixa de R$ 41a R$ 80 e a pontuação foi próxima, não houve grandes diferenças. Porém, nesse item venceu também o Danie de Wet, seguido pelo Glen Carlou Cabernet Sauvignon e pelo Simonsig Pinotage. Façam seus testes, leitores e vejam se concordam com nossos degustadores. Se possível, lá mesmo, no país das vuvuzelas. Sem elas, claro. Pois daí vai dar para ouvir seu tim, tim. Brinde à vida!
Murilo Guimarães - e-mail:
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Vinhos míticos: Pétrus - Que já foi Château Pétrus (ver rótulos ao lado). Mas como nunca teve de fato um castelo na sua propriedade, passou a ser só Pétrus. E basta. Há quem o chame de “rei dos vinhos”. Se realeza for definida por preço, ele é pelo menos um príncipe. Consorte! Visto que rei seria o Romanée-Conti, em média, mais caro. Embora nos leilões de safras especiais, o Pétrus sempre tenha altas performances. Recentemente uma garrafa da safra 1982 foi arrematada por 40.000 euros (R$ 92.000). Absurdo, não? Li um artigo analisando itens raros do mundo, equiparados por peso: a onça do Pétrus custa cerca de 75 vezes mais que o Urânio! Bom, extravagâncias à parte, bem que um vinho é bastante melhor que uma bomba atômica. Que, figurativamente, explodiu no colo de seis altos executivos do Barclay’s Bank, oito anos atrás. Demitidos após um jantar em restaurante londrino, quando, comemorando um bom negócio, gastaram R$ 91.000 em três garrafas de vinho. Lembram desta história? Eram três Pétrus, das célebres safras 1945, 1946 e 1947. Sendo esta uma das razões para a fama deste vinho: sua capacidade de envelhecer com qualidade. E o que mais existe por trás deste mito, produzido em uma pequena vinícola de 11,5 hectares em Pomerol, subregião de Bordeaux? Não se pode creditar à sua história, mais recente que muitos dos seus vizinhos do mesmo alto nível. Só se consegue retroagir até o século XIX, quando estava sob direção da família Arnaud e não tinha expressão no mundo vinícola. Tanto que não foi incluído na histórica Classificação de 1855 - como ademais, nenhum vinho da hoje cultuadíssima Pomerol. No fim da segunda Guerra Mundial, passou para o controle de Madame Loubat, que deu início a um processo de melhoria qualitativa, em detrimento do volume de produção. Seu lema: menos, mas melhor. Em 1961, década em que o Pétrus começou galgando os degraus superiores da fama, dois sobrinhos herdaram a propriedade e um deles vendeu suas quotas a Jean-Pierre Moueix, famoso negociante de Bordeaux, há anos responsável pela comercialização do Pétrus. Seus filhos até hoje controlam a vinícola. Historinha sem muita graça, não? Mas faltou dizer que foi um dos vinhos servidos no casamento da Rainha Elizabeth II, em 1947. E que era o preferido da família Kennedy. Os técnicos em vinicultura dirão que o solo puramente argiloso, ideal para cultivo de uvas, é o grande diferencial do Pétrus. Outros defenderão suas vinhas, que chegam até os 70 anos de idade, quando só então são replantadas. Há quem apontará a apurada colheita das uvas - a poda verde é usada sem economia - e a cuidadosa vinificação, que geram uma produção muito baixa (apenas 30.000 garrafas por safra), mas de alto nível. Seja lá qual for a explicação, a verdade é que este vinho, composto de 95% de Merlot e 5% de Cabernet Franc, é um dos grandes mitos da vinicultura mundial. Merecido? Sim. Mas como todo bem de consumo com custo exorbitante - comparado a seus pares - infelizmente restrito a uma parcela muito pequena dos amantes do vinho. Tim, tim. Brinde à vida!
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A caipirinha saiu com laranja - Amarga. Com tal acidez que desceu ardendo. No esôfago e na alma! Também, entregar a canarinha nas mãos da versão nacional do missionário Tim Jones... Não se lembra? Foi aquele pastor, com jeitão de general, que levou seus fiéis seguidores ao suicídio coletivo. Lá nos States. Mas ele tinha que reencarnar justo no Brasil? Aos holandeses, minhas desculpas pelo desabafo. Não estou desfazendo de seu futebol não. Até torço por vocês na final de amanhã. Não só por seus méritos, como por termos sido conterrâneos. Mas é que a gente podia fazer bem melhor. Quem sabe, em 2014. Como será que comemoram as vitórias, esses descendentes de Nassau? Com suco de laranja é que não é. Se bem que tem um amigo que não troca um suquinho desse nem pelo melhor vinho do mundo! Bom, mas a maioria gosta de algo mais “caliente”. Falando nisso, nos livramos da “maldição do obelisco” (ver o Maradona nu). Bom demais, hein? Quem advinha qual a bebida mais popular da Holanda? Se pensou em vinho, deu-se mal. Embora vizinhos da França, consomem comparativamente pouco e não são bons vinicultores. Produzem um volume mínimo, sem nenhuma expressão qualitativa no mundo da enologia. Mas, paradoxalmente, usam uma grande diversidade de castas de uvas, algumas de nome não familiar, na elaboração de seus vinhos. Aliás, isso não costuma ser bom sinal. Quer saber mais sobre a enologia holandesa? Acesse www.dewijnhoek.nl/nederland. Você acha então que é cerveja? Chegou perto. A lourinha está em segundo lugar e é muito popular na Holanda, tal qual na vizinha Bélgica. Quem não conhece a Heineken? É a maior cervejaria daquele país e a terceira maior do mundo (com este e outros rótulos, como Amstel). E a marca Grolsch, lhe diz alguma coisa? É a cerveja mais amada pelos holandeses, que consomem localmente quase toda produção. Diferentemente de outras marcas, que fazem da Holanda a maior exportadora de cervejas do mundo, relativa a sua produção (exporta mais de 50% do que fabrica). Bavaria, Leeuw, Oranjeboom e Breda (essas duas, marcas da Skol), além da Trappist (feita pelos monges trapistas) são outras cervejas de prestígio por lá. Onde prevalece a pilsener, embora também se faça vários outros tipos, alguns desconhecidos do consumidor brasileiro. Muitas cervejas holandesas são engarrafadas sem pasteurização. Ponto para elas, pois este processo, importante para maior preservação da bebida - como consomem rápido, preservar pra quê? -, deixa-a mais “pesada”. Lá o assunto é levado tão a sério que anualmente ocorre uma olimpíada para eleger e premiar o melhor “tirador” de cerveja dos bares. Mas a grande bebida para os holandeses é a Jenever. Também conhecida como Junever, Genievre, Genever, Jeniever, Peket, é um destilado aromatizado com zimbro. Em outras palavras, é o gin holandês, berço desta bebida. Até onde sei, difere do mais famoso gin britânico pela menor gradação alcoólica deste último. Mas vou estudar melhor o assunto e depois lhe conto. Por hoje, chega de Holanda. Afinal, foi quem acabou com o “barato” deste tão sofrido povo brasileiro. Mas faço concessão - de fato um saudosista retorno à época onde o futebol brasileiro era pura arte - e, com o perdão dos espanhóis, vou torcer pela Holanda, com um bom gin e tônica. Tim, tim. Brinde à vida! EM Destaque Pernambuco fazendo vinho A Vinícola Vale do São Francisco já produz mais de 500 mil garrafas de vinhos por ano. Dona da marca Botticelli e uma dúzia de rótulos, a vinícola, em Santa Maria da Boa Vista, lança este mês mais dois vinhos tintos: o Equilibrium Cabernet Tannat e o Equilibrium Ruby Cabernet Tannat. Os rótulos são os primeiros produzidos na vinícola pelo sistema de envelhecimento em carvalho francês e atestam o estágio de amadurecimento da empresa: são vinhos de corte. Vamos provar. SABORES DE BACO Na próxima semana teremos a 3ª prova-degustação da nossa confraria. Desta feita, em homenagem à Copa do Mundo, o tema será “vinho tinto sul-africano”. Aguardem a divulgação do resultado. Uma coisa eu garanto, eles são muito mais agradáveis do que aquelas insuportáveis vuvuzelas. Adega Cerveja Grolsch É de fato uma indireta homenagem ao time holandês, única seleção a vencer todas as partidas que disputou nesta Copa. Ademais, esta cerveja é realmente muito boa. Elaborada desde 1615 - isso é que se chama uma marca com história - é engarrafada neste casco bem característico. Pode ser encontrada no Brasil, mas não sei se consegue manter o mesmo padrão de qualidade do seu país de origem.
Murilo Guimarães - e-mail:
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Sabores de Baco: 2ª Prova - Aos leitores que já conhecem este projeto, sugiro que pulem esta introdução, que se destina aqueles "marinheiros de primeira viagem". |
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