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Baco & CIa - 27/03/2010
  
O vinho da mulher amada

Como muitos de vocês sabem, de 2ª a 6ª feira, pouco antes das 14 horas, em programa de rádio, Renato Machado responde à pergunta de um ouvinte sobre algum assunto enológico. Pelo horário, quando já estou no consultório, dificilmente ouço seus comentários. Mas aqui, acolá Ana Christina ouve e comenta comigo, por vezes sugerindo que eu pegue uma perna no tema para meus artigos. Dias atrás, ela disse que Renato falara sobre o vinho que devia ser ofertado à mulher amada. Afinal, o Dia Internacional da Mulher terminou virando o mês todo e só se fala nelas. Merecido, é bom que se diga. Bem, achei ótima a ideia e entrei no site da CBN para ouvir o comentário. Um pequeno detalhe. O tema foi “o melhor vinho para agradar uma linda mulher”. Pensei: será que minha cara-metade intencionalmente retocou o cabeçalho para trocar seu leve caráter machista (linda) por um ar mais romântico (amada)? Ih, será que ela quis me dizer alguma coisa? Deixo a dúvida no ar. Mas sou bem doido de discordar da sugestão da esposa?

Renato disse que o vinho mais indicado seria um tinto de Pomerol, subregião de Bordeaux. Ótima escolha. Pomerol produz, além do lendário Château Petrus, alguns dos mais saborosos tintos da França. Feitos basicamente da casta Merlot, são ricos, untuosos e mais delicados que seus vizinhos bordaleses. O Sardenberg, âncora do programa, também versado em vinhos (e em galanteios), acrescentou que dentre todos os vinhos de Pomerol, o mais indicado era o Château Lafleur! Mulher e flor! Difícil discordar, não? Esse cara...

Mas acho que tem coisa mais apropriada. Champagne. Nada mais feminino. Só que lá em casa tem um problema. Um pouquinho mais que um pouco e a cabeça da mulher amada começa a doer. Efeito indesejável que também se aplica aos brancos. Aí, para aliviar esse sofrimento, a escolha deve recair sobre um tinto. Nenhum sacrifício para mim, amigos. Quem sabe, um italiano. Quiçá do Piemonte ou da bela Toscana. Lá no Veneto há um ótimo tinto cujo nome é sugestivo: Amarone. Seu único defeito é um teor alcoólico muito alto (em torno de 14,5%), o que lhe confere muita potência. Mulher amada muito potente? Gostei não. Sou mais pela delicadeza.

E fora da Europa, tem alguma opção? Os argentinos são também vinhos possantes, com alto teor alcoólico. O mesmo se dizendo dos australianos e sul-africanos. Alguns chilenos até mereciam ser escolhidos, mas como eu vou selecionar um vinho que pode trazer terremoto? Que brincadeira sem graça, não? Já os norte-americanos... Tenho cá minhas dúvidas.

Tá bom, vou parar com rodeios. Minha escolha é um vinho aromático, elegante, delicado e sutil, com sabor de rosas. Rosas, amigos, a flor que melhor representa a mulher. Passei a perna no Sardenberg, não? Estou falando dos tintos da Bourgogne. Sobre os quais já falei muito e não vou ser repetitivo. Mas não consigo pensar em vinho mais acertado para Ana Christina. Ou para a sua mulher amada, leitor. E como minha filha fez aniversário esta semana, para ela também, com um tim, tim. Brinde à vida!

EM Destaque

Brasil na Inglaterra

Todo mundo sabe que os ingleses não são bons de garfo. Nem de cálice. Mas só no que diz respeito à produção. No item consumo de vinhos, sobretudo qualitativo, eles estão no topo do mundo. Assim sendo, foi uma boa notícia, a que recebi do Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN). Uma revista inglesa especializada, Harpers Wine & Spirits  (www.harpers. co.uk) vai publicar um caderno especial sobre vinhos brasileiros. Isso depois que alguns jornalistas visitaram vinícolas brasileiras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Como de praxe, ressaltaram os espumantes nacionais, sugerindo que deveríamos nos dedicar preferencialmente a esta produção.

Adega

Maison Albert Bichot

Fone: 9198.7491

Produtor de uma vasta gama de vinhos na Borgonha desde 1831, promoveu uma degustação dias atrás em Recife, cuos detalhes serão motivo de um futuro artigo. Eles produzem brancos e tintos de distintos níveis de complexidade, alguns mais simples, outros bem mais elaborados. Hoje vou sugerir uma das joias da casa, o Vosne Romanée 1er Cru les Malconsorts. As mulheres amadas e lindas merecem.

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