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Baco & Cia - 05/06/2010
  
O melhor do mundo - Quem lê esta coluna, ao menos de quando em vez, já me viu elogiar o inglês Hugh Johnson, escritor de vários livros sobre vinhos. Não, não é o viés britânico da minha personalidade, por ter estudado medicina na Inglaterra. Ele é respeitado até pelos franceses, acreditem! Entre seus livros destaco o “Pocket Wine Book”, excelente guia, editado anualmente, com dicas para seleção de vinhos e safras. Essa semana lembrei do artigo que ilustra a edição 2009, onde Johnson aborda o tema que titula esta coluna.

Visando o estoque de sua nova adega, um casal pouco versado em bebidas alcoólicas, mas campeão no bem receber, pediu sugestão para três níveis de vinhos. Um, de alta qualidade, para as visitas apreciadoras da bebida de Baco e de trato mais cerimonioso (pena, não sou desse grupo). Claro, tendo um custo mais elevado, serão menos garrafas. Depois, um elenco de vinhos de boa qualidade, com valor mais acessível e estoque maior, para as visitas “de casa”. Por fim, vinhos mais simples, com um estoque mais avantajado, para a turma que entorna todas e valoriza prioritariamente a quantidade. Com custo bem mais baixo, posto que é alto o risco de se abrir dezenas de garrafas todo final de semana!

Voltando a Johnson, o tal editorial começa por uma frase de Goethe, famoso escritor e pensador alemão: “os ricos querem o melhor vinho; os pobres, apenas muito vinho”. Não consigo conter um aparte. Feliz dele por ter vivido nos séculos XVIII e XIX; nos dias atuais seria processado por discriminação social. Ou coisa do gênero. Se bem que na essência sua frase permanece bem atual: quantidade ou qualidade, eis a questão. Não que os dois sejam totalmente incompatíveis, tolerando-se os preços atuais...

A conta é assim: o dinheiro que se paga por uma garrafa de Château Pétrus ou de Romanée-Conti, alternativamente compra 50 garrafas de um ótimo vinho (podendo ser das mesmas regiões francesas), que você beberá quase com o mesmo prazer. Quer dizer, no meu caso, com prazer redobrado, pois dá um frio na coluna só de pensar em gastar aquela fortuna em 750ml de vinho! Agora vamos para outra conta. Com o dinheiro destas tais 50 garrafas você pode adquirir 150 de um vinho muito bom. Ou 400 de um outro, mais simples, menos trabalhado, porém agradável ao sabor da maioria dos mortais. Afinal, segundo o próprio Johnson, com a globalização, fica cada vez menos comum se fazer um vinho “intomável”. Aqui aproveitando para ressaltar a grande parcela de culpa que esta (por vezes) maldita globalização tem no preço extorsivo dos vinhos de maior qualidade. Já pensou naquele mar de gente da China, dentre eles alguns muito ricos, comprando vinhos de Bordeaux e Bourgogne? É o climax da lei de mercado! Aliás, consta que os chineses gostaram da sonoridade da palavra Château Lafite - além deste 1er cru  ser o primeiro, pela ordem alfabética, na Classificação de 1855 - e aí... Já viu, né?

Pois então, como é que fica a escolha do melhor vinho do mundo? Esqueça esse conceito. Melhor será, se assim lhe parece. A decisão é sua, não do mercado, por vezes tão irreal. Sempre contrabalançando com a robustez da sua conta bancária. Mas entendendo que, como em tudo, há consumidores com distintos níveis de exigência. Variação que se dá em uma só pessoa, ao longo da vida. Portanto, siga a idéia do casal amigo, para nunca deixar de fazer tim, tim. Brinde à vida!

EM Destaque

Dia dos Namorados

É no próximo sábado. Cada ano mais comemorado. Restaurantes fazendo a festa, assim como o comércio em geral. Agora entraram os vinhos.

A Miolo, através da loja virtual (http://loja.miolo.com.br/ch/index.aspx), oferece presentes na compra de seus vinhos. Cuja linha, por sinal, está crescendo. Além do que já produz na América do Sul, em Portugal e Espanha, agora lançou vinhos elaborados (em parceria) no Piemonte e Toscana (Itália) e no Vale do Loire (França). Ponto para a família Miolo.

Brasil e Inglaterra

Os ingleses estão entre os maiores compradores de vinho do mundo. Por isso, a IBRAVIN tem feito um trabalho de divulgação dos vinhos brasileiros naquele país, o “Wines from Brazil”. Além da exposição dos produtos, vendendo também nossa Bossa Nova. Ao que parece, pelas notícias que li, com grande sucesso. Com destaque para as vinícolas Aurora, Miolo, Valduga, Lidio Carraro, Pizzato e a nordestina Rio Sol. Que vai ser nosso representante no projeto Copa do Mundo do Wetherspoons, que reúne seis campeões mundiais de futebol: além do Brasil, Inglaterra, Itália, França, Argentina e Alemanha - vencedoras de Copas do Mundo - terão um vinho, cada, nos mais de 700 pubs do grupo, espalhados pelo Reino Unido.

Adega

Miolo Merlot Terroir 

Preço: R$ 417 (6 garrafas)

Onde: www.miolo.com.br

Consistentemente um dos melhores vinhos tintos nacionais. Apesar do preço um pouco  “salgado”, merece destaque neste espaço. Além de seus méritos, como uma homenagem ao sucesso empresarial da Miolo.


Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.


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