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Baco & Cia - 10/07/2010
  
A caipirinha saiu com laranja - Amarga. Com tal acidez que desceu ardendo. No esôfago e na alma! Também, entregar a canarinha nas mãos da versão nacional do missionário Tim Jones... Não se lembra? Foi aquele pastor, com jeitão de general, que levou seus fiéis seguidores ao suicídio coletivo. Lá nos States. Mas ele tinha que reencarnar justo no Brasil?
Aos holandeses, minhas desculpas pelo desabafo. Não estou desfazendo de seu futebol não. Até torço por vocês na final de amanhã. Não só por seus méritos, como por termos sido conterrâneos. Mas é que a gente podia fazer bem melhor. Quem sabe, em 2014.
Como será que comemoram as vitórias, esses descendentes de Nassau? Com suco de laranja é que não é. Se bem que tem um amigo que não troca um suquinho desse nem pelo melhor vinho do mundo! Bom, mas a maioria gosta de algo mais “caliente”. Falando nisso, nos livramos da “maldição do obelisco” (ver o Maradona nu). Bom demais, hein?
Quem advinha qual a bebida mais popular da Holanda? Se pensou em vinho, deu-se mal. Embora vizinhos da França, consomem comparativamente pouco e não são bons vinicultores. Produzem um volume mínimo, sem nenhuma expressão qualitativa no mundo da enologia. Mas, paradoxalmente, usam uma grande diversidade de castas de uvas, algumas de nome não familiar, na elaboração de seus vinhos. Aliás, isso não costuma ser bom sinal. Quer saber mais sobre a enologia holandesa? Acesse www.dewijnhoek.nl/nederland.
Você acha então que é cerveja? Chegou perto. A lourinha está em segundo lugar e é muito popular na Holanda, tal qual na vizinha Bélgica. Quem não conhece a Heineken? É a maior cervejaria daquele país e a terceira maior do mundo (com este e outros rótulos, como Amstel). E a marca Grolsch, lhe diz alguma coisa? É a cerveja mais amada pelos holandeses, que consomem localmente quase toda produção. Diferentemente de outras marcas, que fazem da Holanda a maior exportadora de cervejas do mundo, relativa a sua produção (exporta mais de 50% do que fabrica). Bavaria, Leeuw, Oranjeboom e Breda (essas duas, marcas da Skol), além da Trappist (feita pelos monges trapistas) são outras cervejas de prestígio por lá. Onde prevalece a pilsener, embora também se faça vários outros tipos, alguns desconhecidos do consumidor brasileiro. Muitas cervejas holandesas são engarrafadas sem pasteurização. Ponto para elas, pois este processo, importante para maior preservação da bebida - como consomem rápido, preservar pra quê? -, deixa-a mais “pesada”. Lá o assunto é levado tão a sério que anualmente ocorre uma olimpíada para eleger e premiar o melhor “tirador” de cerveja dos bares.
Mas a grande bebida para os holandeses é a Jenever. Também conhecida como Junever, Genievre, Genever, Jeniever, Peket, é um destilado aromatizado com zimbro. Em outras palavras, é o gin holandês, berço desta bebida. Até onde sei, difere do mais famoso gin britânico pela menor gradação alcoólica deste último. Mas vou estudar melhor o assunto e depois lhe conto. Por hoje, chega de Holanda. Afinal, foi quem acabou com o “barato” deste tão sofrido povo brasileiro. Mas faço concessão - de fato um saudosista retorno à época onde o futebol brasileiro era pura arte - e, com o perdão dos espanhóis, vou torcer pela Holanda, com um bom gin e tônica. Tim, tim. Brinde à vida!
EM Destaque
Pernambuco fazendo vinho
A Vinícola Vale do São Francisco já produz mais de 500 mil garrafas de vinhos por ano. Dona da marca Botticelli e uma dúzia de rótulos, a vinícola, em Santa Maria da Boa Vista, lança este mês mais dois vinhos tintos: o Equilibrium Cabernet Tannat e o Equilibrium Ruby Cabernet Tannat. Os rótulos são os primeiros produzidos na vinícola pelo sistema de envelhecimento em carvalho francês e atestam o estágio de amadurecimento da empresa: são vinhos de corte. Vamos provar.   
SABORES DE BACO
Na próxima semana teremos a 3ª prova-degustação da nossa confraria. Desta feita, em homenagem à Copa do Mundo, o tema será “vinho tinto sul-africano”. Aguardem a divulgação do resultado.
Uma coisa eu garanto, eles são muito mais agradáveis do que aquelas insuportáveis vuvuzelas.
Adega
Cerveja Grolsch
É de fato uma indireta homenagem ao time holandês, única seleção a vencer todas as partidas que disputou nesta Copa.
Ademais, esta cerveja é realmente muito boa. Elaborada desde 1615 - isso é que se chama uma marca com história - é engarrafada neste casco bem característico.
Pode ser encontrada no Brasil, mas não sei se consegue manter o mesmo padrão de qualidade do seu país de origem.

Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
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Baco & Cia - 26/06/2010
  
Sabores de Baco: 2ª Prova - Aos leitores que já conhecem este projeto, sugiro que pulem esta introdução, que se destina aqueles "marinheiros de primeira viagem".
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Baco & Cia - 19/06/2010
  
Copa, Maradona e a Bodega Norton - Copa do Mundo na África. Só se fala nisso. Nas duas, uma e outra. Aí a turma do ego exacerbado, do “falem mal, mas falem de mim”, não se sustentou. Para atrair os holofotes, vale tudo, acha esse pessoal. Foi o caso do cocalero Maradona. “Se ganhar a Copa, vou ficar nu no Obelisco de Buenos Aires”, disse ele. Fiquei imaginando quem teria interesse nessa cena grotesca. O bicho já é feio vestido, imagine pelado. Questionei o amigo Juan. “Nem as mulheres dele tem essa curiosidade, Murilo, talvez os maricóns”, respondeu. Tiro e queda. Logo surgiu o primeiro deles, o Diretor Técnico da seleção argentina, um tal de Billardo, que prometeu... Como é que eu vou contar isso aqui? Bem, prometeu sentar (pelado) no “obelisco” (pelado) do jogador que fizesse o gol da vitória! Já pensaram? Logo a Argentina, que sempre povoou meu imaginário com o tango másculo de Carlos Gardel. Esse mundo está virado, amigos. Mas parece ter salvação. Pegando marola nessa onda “sexo-nudista”, a bela chilena Claudia Conserva prometeu ficar nua em seu programa de TV, caso o Chile vença essa copa. Pena que é zebra demais para ser verdade. Aqui no Brasil essa onda não chegou. Melhor assim. Já pensou no Dunga pelado? E se Lula decidisse destampar sua famosa verborréia e ... Valha-me Deus!
Mas a Argentina não é só feita de Maradona e Billardo, tem muita coisa boa. Além de sua bela capital e de outros atrativos turísticos, produz ótimos vinhos. Semana passada Winebrands e Lacomex se uniram para promover uma degustação de alguns produtos da Bodega Norton. Fundada em Mendoza no fim do século XIX pelo engenheiro inglês Edmund Norton e adquirida em 1989 pela família Swarovski - aquela dos cristais - é uma vinícola muito respeitada na Argentina e nos países para onde exporta.
Degustamos cinco exemplares das linhas especiais da Norton, que também produz vinhos menos trabalhados e de custo mais baixo. O espumante Cosecha Especial Extra Brut, elaborado com 100% da casta Chardonnay, agradou no sabor e na relação qualidade-preço (R$ 39). O Reserva Cabernet Sauvignon foi uma grata surpresa. Depois vieram os vinhos da Finca Perdriel, vinhedo nobre da Bodega Norton, devido à melhor qualidade de seu solo. Provamos o Perdriel Malbec, o Perdriel Centenario e o Perdriel Single Vineyard, esses dois últimos cortes de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot. Todos bem vinificados e muito agradáveis ao paladar e à boca. A maioria das pessoas presentes elegeu o Single Vineyard como o melhor da noite, todavia seu preço na faixa dos R$ 250 terminou jogando o troféu no colo do Centenario (R$ 86). No final ficou uma boa impressão dos vinhos da Norton, que sob a batuta do Michael Halstrick, têm obtido crescente destaque na imprensa especializada mundial. Com méritos. Ao contrário do Maradona (falo do técnico, não do jogador) que apela para qualquer coisa a fim de atrair holofotes - ou “hofolotes”, como dizia jocosamente um tio meu. Falando nisso, Dunga, já que você não o quis, manda o Ganso para Dieguito e Billardo! E vê se consegue que o time do Brasil jogue. Tim, tim. Brinde à vida!
EM Destaque
Sabores de Baco
No final de maio, fizemos a segunda prova-degustação da nossa confraria. Desta vez avaliamos nove espumantes sulamericanos, a maioria do Brasil. O resultado final, que vai ser publicado no próximo sábado, dia 26, neste Caderno, deixou algumas lições para o grupo de seis degustadores. Imagino que também vai lhe ensinar alguma coisa. Não percam. E já decidimos que a próxima degustação será de vinhos tintos sulafricanos, em alusão à Copa do mundo. Vamos ver se eles são melhores do que os “Bafana Bafana”!
Adega
Norton Reserva Cabernet Sauvignon
Preço: R$ 57,02
Onde: Lacomex, 3081.2133
Um dos varietais da linha Reserva, feito com 100% de uvas Cabernet Sauvignon e amadurecido por 12 meses em carvalho francês de primeiro e segundo uso (de boa qualidade, portanto), seguido de dez meses na garrafa, me agradou bastante, apesar de sua elevada gradação alcoólica (14,5%). Tem um preço justo para sua qualidade.

Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
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Baco & Cia - 05/06/2010
  
O melhor do mundo - Quem lê esta coluna, ao menos de quando em vez, já me viu elogiar o inglês Hugh Johnson, escritor de vários livros sobre vinhos.
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