| Domingo, 28 de Março de 2010 00:00 | ||
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| Escolas podem ajudar a deter obesidade infantil | ||
| Cerca de 15% das crianças brasileiras apresentam o problema | ||
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SÃO PAULO (AE) - Com a obesidade infantil atingindo a marca histórica de 15% das crianças brasileiras, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, muitas escolas resolveram entrar na luta para deter a epidemia. Mas, no esforço de ensinar os alunos a terem uma alimentação saudável, alguns colégios acabam adotando medidas polêmicas, como proibir e até “confiscar” certos lanches. No currículo da escola Carlitos, na zona oeste de São Paulo, o tema educação alimentar é abordado em conjunto com a alfabetização e permeia várias disciplinas, como ciência e matemática. Na hora do intervalo, se os pais não investirem em um lanche saudável, as crianças voltam para casa com a lancheira intacta. Guloseimas e refrigerantes são proibidos: quem leva para a escola não come. “É como se o aluno tivesse esquecido a lancheira. Os colegas dividem seus lanches”, explica Laura Piteri, coordenadora pedagógica da escola. A criança volta também com um bilhetinho para lembrar os pais das regras do colégio. Na Stance Dual, no centro de São Paulo, a política de proibição de alimentos pouco saudáveis é semelhante, mas a reposta à desobediência, menos radical. São itens proibidos: doces, balas e refrigerantes. Quem leva esses alimentos é orientado a comer apenas a parte nutritiva do lanche. Se na lancheira há fruta, iogurte e bolachas recheadas, por exemplo, a criança é estimulada a consumir apenas um biscoito. “Antes devolvíamos esses lanches, mas os pais reclamavam muito”, diz Liliane Gomes, coordenadora pedagógica. Por mais que a escola se esforce, a criança não criará hábitos saudáveis sem a contribuição dos pais, afirma a endocrinologista Angela Spinola e Castro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A escola não pode transferir para si um papel que não é dela. Se a criança vem de uma casa onde as pessoas comem sem restrição, não vai aceitar isso”, diz. Angela defende a discussão na escola e em casa sobre o que se deve comer, mas é contrária a proibições. “Não temos como proibir. Esses alimentos existem e há um marketing forte”. O ‘não’ pode deixá-los ainda mais atrativos.” Foi o trabalho conjunto da farmacêutica Jaqueline Hernandez com os profissionais do colégio Magister que mudou Giovanna, de 5 anos. A menina, considerada difícil para comer, hoje é fã de frutas e legumes. “Já teve tempos em que a lancheira voltava intacta mesmo com muitas opções”, conta Jaqueline. Ao procurar a direção da escola onde a menina estudava, ouviu que deveria deixar a filha passar fome por uns tempos para aprender. “Aquilo me chocou e resolvi trocá-la de colégio”, afirma a mãe que encontrou apoio em outra instituição.
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