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Bruno planejou crime durante Copa
Segundo delegado, Mundial foi usado porque não haveria jogos do Flamengo
  
BELO HORIZONTE (AE) - O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, disse ontem que o goleiro do Bruno Fernandes planejou usar o período da Copa do Mundo da África do Sul para sequestrar e matar Eliza Samudio, de 25 anos, sua ex-amante. Para Moreira, o período foi escolhido pela ausência de jogos do clube. “Já estava tudo previamente planejado desde maio”, disse o delegado. Nas palavras de Moreira, Bruno é o “autor intelectual” do crime e, ainda segundo o delegado, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, já estava contratado desde fevereiro para executar o crime

Moreira disse já ter sido solicitada a conversão das prisões temporárias dos suspeitos em preventivas, que valem até o fim de um possível julgamento. A polícia pediu ainda a prisão preventiva de Fernanda Gomes de Castro, de 31 anos, amante do goleiro, por suspeita de envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza. Ela é a única dos nove indiciados que está em liberdade.

O inquérito sobre o caso foi concluído anteontem. Bruno e mais oito pessoas foram indiciadas por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Bola, apontado como executor, foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

O Ministério Público de Minas Gerais informou que já recebeu o inquérito no início da tarde de ontem. O promotor Gustavo Fantini tem até 6 de agosto para decidir se oferece denúncia contra os indiciados. A promotoria também pode pedir novas diligências.

PROVAS

As provas técnicas incluídas pela Polícia Civil de Minas Gerais no inquérito destacaram os registros feitos pelas antenas de telefonia celular. Segundo o relatório, o sistema de telefonia registrou trajetos que coincidem com o deslocamento de Eliza do Rio de Janeiro a Minas Gerais e com a ida dela do sítio de Bruno até a casa de Bola, onde a polícia afirmou que ela foi morta, em 10 de junho. A polícia afirma que os dados obtidos com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos coincidem com os depoimentos e demonstram a ligação entre eles. O sangue encontrado no carro de Bruno é da vítima.

As provas técnicas incluem também a fralda tamanho P/M encontrada em uma das suítes do motel em Contagem onde o grupo ficou, além das fotos queimadas da criança encontradas próximo à cerca do sítio do goleiro. Também foram incluídos diversos laudos de perícias nos computadores de Eliza e Macarrão, que demonstraram a existência de fotografias da criança e de Bruno; um contrato a ser firmado entre Eliza e Bruno, com data de 8 de junho de 2010 (quando ela estava no sítio); e uma procuração em branco.

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