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| O pré-sal é nosso | ||
| Alexandre Santos* | ||
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Em novembro de 2007, o governo federal anunciou a descoberta de grandes reservas de petróleo em camadas pré-sal das águas profundas da plataforma continental numa faixa que se estende ao longo de 800 quilômetros nas bacias sedimentares dos campos de Tupi, Iara e Parque das Baleias. Desde então, os brasileiros foram tomados por justificável onda de otimismo, pois os recursos advindos da exploração poderão financiar projetos de todas as naturezas. Pois bem. Tendo surgido a perspectiva de dinheiro, surgiu também a cobiça - a origem de todos os males. Todos querem o dinheiro. Cumprindo aquilo que parece ser uma vocação de certos setores sudestinos, os governadores do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo resolveram fazer valer o poder político que dispõem para açambarcar impensáveis royalities da exploração do pré-sal. Abrigados sob a referência geral de “Estados produtores”, em atitude impatriótica e que subestima a capacidade intelectual dos brasileiros, estes governadores dizem ser aqueles Estados merecedores de remuneração especial. Como se não houvesse inteligência no País, aqueles senhores imaginam-se capazes de convencer os brasileiros de que algo situado no meio do oceano, quase no limite das águas territoriais brasileiras, a profundidades que beiram oito mil metros de profundidade, possa pertencer a este ou àquele Estado. Qualquer criança é capaz de identificar os limites de um Estado brasileiro. Ele começa e termina nas linhas que demarcam seus limites. No caso dos Estados marítimos, os limites esbarram nas praias. Por isso, embora disponham forças terrestres, os Estados marítimos não têm forças marinhas (ou aeronáuticas) estaduais. Pois, agora, com olho grande no dinheiro do pré-sal, os governadores do Rio de Janeiro, Espírito e São Paulo querem condicionar apoio aos marcos regulatórios necessários à exploração das áreas ao recebimento de uma espécie de taxa de permissão. Parece, até, piada. Será que estes senhores se julgam mais brasileiros que os demais brasileiros? Houve um tempo na história recente do País que, ameaçado pela cobiça estrangeira, para ter o direito de procurar, localizar e explorar o petróleo no território nacional, os brasileiros precisaram ir às ruas bradar “o petróleo é nosso”. A luta foi grande. Alguns chegaram a ser assassinados e presos como subversivos. Ao final, prevaleceu a verdade e o bom senso. Como consequência, a Petrobrás está aí - descobrindo petróleo por todo o planeta. Será que, agora, para conter a cobiça dos egoístas impatrióticos, será necessário uma nova luta nacional? Esperamos que não, mas, se for necessário, não há a menor dúvida de que, por todos os rincões do País, os brasileiros irão às ruas protestar contra os egoístas e gritar “o pré-sal também é nosso”. É hora dos sudestinos saberem que não existem brasileiros de segunda categoria. Todos merecem desfrutar o bem estar advindo da exploração das riquezas que pertencem ao País e, não a este ao aquele Estado. O pré-sal pertence a todos os brasileiros. * Presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco.
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