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| ARTIGO - | ||
| SUDENE: 50 anos de esperança | ||
| Alexandre Santos* | ||
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Há 50 anos, sob a égide do desenvolvimento e querendo fazer o País avançar cinquenta anos em apenas cinco (anos), o presidente Juscelino Kubitschek salpicou o Brasil com motores econômicos. A região Sudestina, por exemplo, foi aquinhoada com acertos de longo prazo para consolidar a indústria automobilística; o Centro-Oeste foi brindado com a instalação da nova capital federal na recém construída Brasília; cada região recebeu um vulcãozinho na proporção correspondente às prioridades do governo. Ao Nordeste - uma área com 1.558.196 km2, marcada pela seca e desmandos feudais em processo cujas evidências maiores chegavam ao público através de fenômenos sociais e políticos bem expressos nas figuras de coronéis violentos e corruptos e de lideranças como Antônio Conselheiro e de Virgulino Lampião -, o presidente JK reservou a criação de uma superintendência cujo objetivo era impulsionar o crescimento econômico da região. Assim, surgiu a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a SUDENE, com a missão de capitanear um processo de crescimento capaz de impulsionar o desenvolvimento do Nordeste e fazê-lo deixar de ser a ‘região-problema’ do País - referência depreciativa e injusta decorrente de campanhas preconceituosas de um já centenário movimento skinhead, que, recorrendo a inconsistentes argumentos baseados em fenômenos climáticos, sociais e políticos, insiste em desconsiderar a realidade que faz do Nordeste uma solução e, não problema para o País. E, sob este desígnio, a SUDENE chegou, trazendo esperança para milhões de brasileiros confiantes na possibilidade de conversão de potencial econômico em riquezas efetivas e, mais ainda, na possibilidade de redução das injustiças que dificultam o reconhecimento político e a realização da dignidade política e social. A criação da SUDENE, naturalmente, criou um ambiente propício para a atuação de grupos de todas as índoles - desde aqueles sinceramente comprometidos com o crescimento e desenvolvimento da região até aqueles interessados em fazer fracassar o esforço e, assim, confirmar o discurso skinhead, passando pelos oportunistas e espertalhões, que em tudo vêem apenas uma chance a mais de ganhar dinheiro. Naqueles cinco anos, o Nordeste não avançou cinquenta (anos), como desejava o presidente JK, mas, nos cinquenta anos subsequentes, a região cresceu muito. Não tanto como seria capaz de crescer, é verdade - especialmente porque, em momento algum deixou de enfrentar sérios obstáculos - uns naturais, como as intempéries, outros artificiais, como a ação daqueles, que, intencionalmente ou não, fizeram e fazem escamotear direitos da região em benefício de outras, especialmente através de investimentos diretos e indiretos - mas, cresceu bastante, o suficiente para atingir médias superiores à média nacional. Nestes cinquenta anos, a SUDENE foi alvo de muitos salteadores e de muitas injustiças. Houve, inclusive, quem se amparasse na ação isolada de assaltantes do erário público para, em nome de uma moralidade questionável, tentar aplicar rudes golpes na região. Foi o caso do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, submisso a interesses subalternos internos e externos, tentou extinguir a SUDENE com uma canetada. Mas, a SUDENE e o Nordeste são maiores que estes interesses menores e, graças a renitência altaneira dos nordestinos, o governo foi forçado a recriá-la. Hoje a região comemora a passagem dos 50 anos de SUDENE. E comemora alegre e, ao mesmo tempo, preocupada com as ameaças que ainda pairam sobre ela. As comemorações seriam maiores se a SUDENE estivesse livre das amarras que tentam fazê-la um faz-de-conta. Que sejam removidos os vetos que a atrapalham. Que o orçamento da União seja regionalizado. Que, para além do crescimento econômico, a SUDENE almeje o desenvolvimento social da região! Viva a SUDENE! Que venham os próximos 50 anos! * Presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco.
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