| Domingo, 16 de Maio de 2010 02:10 | ||
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| Cansaram das feias? | ||
| "Bela, a Feia", da Record, não faz o sucesso que pretendia; e a série americana "Ugly Betty" foi cancelada | ||
| ROMERO RAFAEL | ||
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Em maio de 2002 - há oito anos - estreava "Betty, a Feia", no horário nobre da Rede TV!. Se já é curioso - e de qualidade e gosto duvidosos - uma novela figurar na programação dessa emissora, muito mais intrigante é saber que a tal novela é colombiana ("Yo Soy Betty, La Fea", de Fernando Gaitán) e chegou a ocupar o segundo lugar no Ibope. Em menos de dois anos, devido à boa audiência, o folhetim ganhou reprise no canal. Quer mais? O Brasil não foi o único a dar suas horas pelo drama colombiano. Outros dezenove países (incluindo Israel e China) também trataram de produzir suas "mocinhas" à base da estética invertida - trocando em miúdos: mocinhas feias. A rede mexicana Televisa fez sua versão, "La Fea Más Bella", e acabou vendendo para o SBT, que exibiu com o título "A Feia Mais Bela". Com ela, Sílvio Santos também conseguiu bons números, situando sua emissora na vice-liderança, em audiência. Ainda apegada à moda da mocinha feia, o SBT comprou os direitos da série norte-americana "Ugly Betty", que é, de longe, o maior case de sucesso da fórmula lançada por Gaitán. Diante de toda essa exploração do mesmo enredo, a Record não se segurou e insistiu em experimentar o quanto a feiura é rentável. Investiu e alardeou sua versão: "Bela, a Feia". A trama da Record é, com larga distância, muito melhor que "Betty, a Feia" e que "A Feia Mais Bela". A versão made in Brasil é bem cuidada, da direção ao texto, tendo somente falhas na composição de alguns personagens, que insistem em por exagero numa história latina. Acontece que, diferentemente das outras duas já exibidas aqui, desde sua estreia - em agosto do ano passado - "Bela..." é associada ao facasso e à frustração, por causa da baixa audiência, em contraponto a todo o buxixo e expectativa criados antes da estreia. Somente agora, quando Bela passou pela transformação e ficou bonita, é que a trama tem ganhado mais telespectadores. Em meio à recuperação de "Bela, a Feia", a série "Ugly Betty", produzida pela rede ABC e exibida na Sony, foi cancelada nos Estados Unidos, na quarta temporada. "Ugly..." foi uma versão que deu ainda mais certo do que a trama original, a colombiana. Enquanto "Betty, a Feia" foi adaptada por vinte países; a série foi exportada para vinte. Porque, então, o cancelamento? A audiência declinou e a série passou, ultimamente, por desgastes com trocas de horário. O fim de "Ugly Betty" e o fato de "Bela, a Feia" só deslanchar após a transformação da protagonista, gritam que a fórmula cansou. E a fórmula, nesse caso, é o feio caricato: a breguice do figurino, o jeito estabanado de ser, os calos da pobreza (há sempre a ligação de pobreza com feiura)... Aos telespectadores, resta sentir pena e rir, ao mesmo tempo. A feiura é uma estratégia e o sucesso dessas produções, nos anos passados, não deu status positivo à ela. Tanto que todas as Bettys e Belas só tiveram sua redenção após ficarem bonitas. O mais legal nisso tudo é saber que ninguém mais deve apostar nesse formato e que estaremos livres de uma nova versão.
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