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Impressões de um antigo escritor jovem
Entrevista: Daniel Galera "escritor e tradutor"
De Programa   
Membro da primeira geração de autores brasileiros a explorar a internet como suporte para publicação, o escritor e tradutor Daniel Galera fala sobre sua participação na sétima Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, a ser realizada a partir da próxima sexta. O autor de ficção em livros impressos já publicou contos em sites pessoais, editou a revista literária on-line “Proa da palavra” e participou do badalado fanzine eletrônico “Cardosonline”. Empreendeu com os parceiros Daniel Pellizzari e Guilherme Pilla, com a criação, em 2001, do selo editorial “Livros do Mal”, destinado à publicação impressa da produção de autores atuantes na internet.

Ainda que haja, durante sua participação na Bienal do Livro, um mediador para conduzir o debate, o que você pretende lançar de reflexões na mesa que terá por tema “Vozes contemporâneas na literatura brasileira”?

Espero que a conversa gire em torno da obra dos autores mais interessantes da geração atual. Que possamos comentar sobre seus livros, temas favoritos e estilos. Minha opinião é a de que a geração contemporânea é marcada por uma grande heterogeneidade de temas e estilos, em um contexto no qual todas as formas de arte e discurso se tornaram referências válidas para cada autor, do cânone literário ao cinema e os videogames.

Você também compõe a mesa que irá abordar Mário Quintana. Que inquietações você vai estar trazendo sobre a influência do poeta na produção gaúcha de hoje?

Fui apenas leitor de alguns de seus poemas e livros infantis, mas espero contribuir com algumas impressões. Como essa mesa também abrange a produção literária gaúcha atual, posso ter algo consistente para comentar, já que sou integrante dela e conheço muitos jovens autores do Rio Grande do Sul e suas obras.

Quais os próximos projetos? Você tem se debruçado sobre a criação de um novo livro?

Estou trabalhando uma história em quadrinhos junto com o desenhista paulistano Rafael Coutinho. Chama-se “Cachalote” e deverá ser publicada em abril de 2010. Estou também traduzindo artigos do escritor americano David Foster Wallace para uma antologia com publicação prevista para o próximo ano. Confesso que dei início à produção de um novo livro, mas ainda é cedo para falar dele.

O que você vislumbra para o livro impresso em um cenário no qual se consolida o compartilhamento livre de conteúdo pela internet?

Mesmo com o avanço das tecnologias de e-books como o Kindle, as editoras e o livro impresso continuarão essenciais. Nada substituirá definitivamente o livro em papel, embora o mercado possa se transformar bastante. O livro eletrônico e o compartilhamento livre pela internet levarão as pessoas a ler mais, mantendo uma demanda significativa pelo livro impresso.

Como os autores podem se adequar à nova realidade de acesso gratuito a obras literárias?

O segredo para aproveitar o futuro mercado editorial é aprender a usar o compartilhamento de conteúdos a favor do autor. Colocar um texto ou trecho de livro para download gratuito, por exemplo, é uma forma inteligente hoje de promover a obra. O antigo “boca a boca” é hoje uma rede mais complexa de sites de relacionamento. A experiência de fruição literária passa hoje necessariamente por esses espaços virtuais. Não é somente uma questão de marketing, é parte da própria atividade de produzir e ler literatura. Se, no compartilhamento gratuito, os autores estão sendo privados de potenciais direitos autorais da venda de seu trabalho, a difusão maior desse conteúdo não raro se reverte em vendas ainda maiores dos produtos, como livro impresso, filme em cinema. O compartilhamento de conteúdos pela rede é uma realidade irreversível. Acredito que será possível conciliar compartilhamento e retorno financeiro aos autores. As fórmulas para viver de obras culturais nesse novo contexto estão sendo testadas e, aos poucos, o mercado vai se adaptando. Negar que a realidade mudou é a única opção equivocada.

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