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Enfim, sós! Enfim?
Por MÔNICA MELO
De Programa
  
Opulência, flores, véu, alianças. Não importa se de uma igreja lotada ou de um cartório ocupado somente por pessoas mais próximas, o fato é que os recém-casados saem do recinto com a esperança de seguirem harmoniosamente unidos “até que a ‘morte’ os separe”. Mas o desejo de convivência pautada na cumplicidade, seja na saúde, seja na doença, na alegria ou em momentos de tristeza, muitas vezes, não resiste à rotina, à incompatibilidade de visão de mundo, discussões frequentes, entre outros penosos fatores. Daí, o que não figurava como alternativa passa a ser encarado como panacéia: o divórcio. Com o objetivo de facilitar para mulheres e mesmo para homens o enfrentamento dessa experiência dolorosa, a autora Eliane Santoro criou dois guias de sobrevivência da separação: “Divórcio para elas” e “Divórcio para eles”.

Na versão destinada ao público feminino, a autora expoe casos de mulheres que revelam como perceberam a necessidade da separação, como conduziram o processo e alcançaram a renovação. Santoro, inclusive, contextualiza historicamente a percepção da sociedade dirigida a uma mulher divorciada. Baseada em um estudo, a autora relata que o Brasil encabeça o ranking dos países mais tolerantes à prática do divórcio. Entre os trechos de maior destaque, o tópico no qual ela lista situações que as mulheres não costumam cogitar, mas integram o “pacote” da experiência. Por exemplo, como lidar com o fato de o ex já ter “voltado à ativa”? Ou o eventual afastamento de antigos “amigos”.

Santoro elenca dicas de como conduzir, junto aos filhos, a conversa sobre a novidade. A pensão para os rebentos e a divisão de bens figuram entre os itens pertinentes abordados. Além desses assuntos mais delicados, detalhados, ainda assim, em linguagem coloquial, a autora lista alternativas para as mulheres manterem o bem-estar e aliviarem a tensão comum ao processo de separação.

Mas, justamente por representar o gênero oposto, a autora se supera ao explorar o universo masculino. No guia para eles, Santoro procura orientá-los no caso de a prática sexual não integrar mais o dia a dia da dupla. Se existe algum resquício de amor, terapia de casal pode ajudar. Consulta médica é a dica quando há indícios de que a inexistência de relação íntima esteja atrelada a um problema de saúde. Se o encanto, contudo, minguou, o comodismo em permanecer casado reina como a pior opção.

E, claro, a famigerada “DR” tem espaço garantido no livro. Para a autora, a  dificuldade dos homens em discutir a relação contribui para um cenário favorável ao pedido de separação. Destaque para o trecho da obra em que ela discorre sobre a contrariedade sentida por homens diante do êxito feminino no campo profissional. Para muitos, lidar com o fato de elas alcançarem maior soma em dinheiro não é tarefa das mais fáceis. No caso delas, a estagnação da carreira entre os homens pode vir a incomodar o mulherio que investiu na escalada profissional. No quesito convivência, contrariedades, de fato, transbordam. E se a saída mais acertada for a separação, os guias podem vir a ser bons companheiros.          

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