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Um mergulho no mar de André Mantovanni
Por MÔNICA MELODe Programa   

Reduto que inspira a criação de pinturas, canções e poesia, o mar volta a ser reverenciado em novo livro de André Mantovanni. A coletânea de poemas “Mar de mim” é dedicada à cantora Maria Bethânia, nome já conhecido pela devoção ao mesmo universo. Basta lembrar o álbum “Mar de Sophia”, lançado em 2006.

Em “Mar de mim”, o autor dedica-se a compartilhar, já nas primeiras páginas, o que representa para ele o fazer literário: “Uma arte que não quer dar nome às coisas, mas transformar a vida em vestes poéticas”. É a viagem pelo oceano interior que habilita Mantovanni para o fazer poético. Afinal, nesse mergulho no seu eu mais profundo, ele alcança lembranças de maresias distantes, memórias perdidas e vem à tona tudo que ainda lhe resta vivenciar.

Seres desse universo onde o eu lírico se sente acolhido ganham forma: a sereia é a sua “mocinha das águas”; Maria, de tão sacra, encontra-se “guardada no fundo do rio”. A Santa Aparecida nos versos reconhecida como a “Nossa Senhora do Silêncio”. Já a infinitude da solidão se traduz na imensidão do mar, evocada nas páginas.

O autor se vale, reiteradamente, da observação do movimento das águas para traduzir suas emoções. Assim, a correnteza do rio a desaguar no mar, tal como a vida em seu curso, é capaz de trazer o novo, que alenta. Já as ondas levam consigo “um barco carregado de esquecimento”, após conduzir e deixar, em terra firme, a saudade.

Alma

No próximo dia 13, poetas participantes da primeira edição da FreePorto, realizada em 2009, reúnem-se na Livraria Cultura, no Bairro do Recife, para relançamento de livros. Além de Pedro Américo e Glauco Guimarães, o paraibano Aldo Lins participa, a partir das 19h, para apresentação aos pernambucanos da obra “Alma de vidro”.

Frequentador da antiga livraria Livro 7, tradicional point cultural recifense, Aldo traz, na nova obra, versos carregados de drama. No poema “Pegadas Noturnas”, por exemplo, o desvario de uma alma inquieta, perdida nos espirais dos seus pensamentos. Já em “Foto-síntese”, uma das passagens mais líricas do título, reminiscências do poeta são atreladas a cada estação do ano. “Quando escrevo poesia/ Lembro andaimes e quadros encadeados/ Ou ar crescente na primavera./ Quando falo amor/ Lembro pétalas e espinhos alternados/ Ou fogo repleto no verão (...)”.

Ainda que entre os sonetos haja belas criações, a exemplo de “Sonâmbulo”, a saga de um “coração indigente em agonia”, é na construção de poemas livres de formas fixas que Aldo se mostra mais à vontade e inventivo. Destaque para “Duas faces”, por trazer a epifania do poeta ao constatar que o lado belo da vida padece do obscurantismo.

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