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| Audiolivros alcançam visibilidade | ||
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Por MÔNICA MELO De Programa |
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O setor de automóveis acumulou, em 2009, aumento de vendas da ordem de 11,4% com relação ao ano anterior, conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Mesmo com o fim da redução de IPI para os carros flex, em março, a entidade estima, para este ano, crescimento de vendas em torno de 8,2%. Tal estimativa rebate em outro mercado: o de audiobooks ou livros para ouvir. De olho, sobretudo, nos motoristas entediados com o trânsito das grandes cidades, editoras se especializam e lançam títulos em áudio que flertam com diversas áreas. Histórias, muitas vezes, narradas por grandes personalidades. “A pessoa em um engarrafamento tem a sensação de tempo perdido. O audiolivro vem justamente atender a essa demanda. É a possibilidade de ouvir uma boa história enquanto está parado no trânsito”, exemplifica Cristina Albuquerque, diretora da Plugme, selo da Ediouro voltado exclusivamente ao lançamento de livros para ouvir. Prova de que os grandes grupos editoriais estão atentos a este nicho de mercado. No catálogo, são 70 títulos disponíveis para download, além de 50 na versão CD. O ranking de audiobooks mais vendidos pelo selo demonstra o investimento na diversificação da oferta por parte de empresários da área. Destaque para “Vale Tudo”, de Nelson Motta, narrado pelo próprio autor, “Quando Nietzsche chorou”, na voz de José Wilker, “As mentiras que os homens contam”, de Luis Fernando Veríssimo, a biografia “O mago”, interpretada por José Mayer e “Como passar em provas e concursos”. A editora Nossa Cultura, fundada há cinco anos e especializada em audiolivros, segue a mesma linha de procurar abrigar um mix amplo de títulos. A empresa possui 150 livros em CD nas áreas de educação, infanto-juvenil, humor, biografias, negócios e variedades. “O mercado de audiobooks vem crescendo ano a ano. De 2008 para 2009, duplicamos nosso faturamento. Esperamos manter esse ritmo este ano”, pontua Paulo Lago, diretor da editora. Segundo Sergio Herz, diretor financeiro e de novas tecnologias da livraria Cultura, a comercialização de audiolivros sofreu, em 2009, um incremento de 23% com relação a 2008. Ele credita a boa aceitação do produto pelo público a um maior nível de especialização das editoras. “Elas passaram a disponibilizar produtos mais atraentes, com embalagens de forte apelo visual. Mas ainda que esse mercado esteja em crescimento, predominam os produtos importados, a maioria em inglês”, salienta. A VOZ DO ESCRITOR Os autores Rubem Alves e Valéria Walfrido se lançaram na narração das próprias histórias, estimulados pelo contato com deficientes visuais. A terapeuta sexual tem, em áudio, um manual sobre sexualidade. Já o escritor e professor Rubem Alves coleciona 10 audiolivros, com faixas referentes a crônicas e artigos publicados em jornais. Conforme Rubem Alves, o audiobook funciona para o leitor como introdução à obra do escritor: “Não há argumento para convencer uma pessoa a ler. Ela tem de provar para se render. O audiolivro serve como um convite à minha obra. Pois ler é importante. Favorece a relação com o objeto, a possibilidade de voltar a trechos e de escrever nas margens”.
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