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Livro registra ligação de Jorge Amado com Sergipe
Mônica Melo/ Da editoria de Programa   

Comunista declarado, o escritor Jorge Amado foi obrigado ao confinamento na cidade de Estância, interior de Sergipe, durante os anos 1930, por ocasião do Governo Vargas. A ligação afetiva do romancista com o município, desconhecida do grande público, serviu de mote para Rui Nascimento, oriundo de Estância, construir a biografia “Jorge Amado, uma cortina que se abre”. A terceira edição do livro terá lançamento nesta quarta-feira (03/02), a partir das 18h, no auditório da Fiepe.

Durante o período em que o escritor, já afamado, instalou-se em Estância, ele manteve amizade com um grupo de intelectuais da cidade. Na livraria do pai de Rui Nascimento, os pensadores se reuniam, ao fim de tarde, para conversar sobre lançamentos literários, a Guerra que se instalara e a vida alheia. Diante do forte vínculo com o livreiro, Jorge Amado se dirigia ao pequeno Rui como sobrinho. Ligação valorizada por Paloma Amado, filha do romancista, no prefácio afetivo incluído na biografia.

De acordo com Nascimento, Estância exerceu influência sobre a obra do escritor. “A mortalidade infantil era alta na cidade, o que pode ser traduzido na abordagem da infância esquecida em ‘Capitães da Areia’. Jorge escreveu boa parte da obra em Estância”, salienta. Para o biógrafo, “Gabriela, Cravo e Canela”, “Tereza Batista Cansada de Guerra” e “Tieta do Agreste” são outras três obras que mantêm relação com a cidade.

O livro revela que também Estância se beneficiou do escritor. No município, ele criou uma casa de assistência a mulheres grávidas e a Biblioteca Monsenhor Silveira, ainda existente. “A biografia é um testemunho do amor que Estância devotou a Jorge. O resgate de uma fase importante, fértil, criativa dele”, arremata Nascimento.

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