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| “Dedo de moça” em riste | ||
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Por Mônica Melo Repórter de Programa |
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Para ironizar o estigma de que mulheres que praticam literatura são, em geral, depressivas, passionais e chegam ao extremo de interromper a própria vida, a escritora Silvana Guimarães, militante da cena literária de Minas Gerais, criou o site Escritoras suicidas (www.escritorassuicidas.com.br). Nos últimos cinco anos, mais de 100 colaboradores, entre mulheres e “homens que se fingem de”, participaram do espaço com produção poética e em prosa. Depois de divulgação no Rio de Janeiro e em São Paulo, haverá lançamento, hoje, na Livraria Cultura, a partir das 19h, do livro “Dedo de moça” (Terracota), uma antologia assinada pelo atual grupo de 30 escritoras suicidas. Deste time, destacam-se os pernambucanos Cida Pedrosa, Julya Vasconcelos, Jussara Salazar, Márcia Maia e Raimundo de Moraes. De acordo com o representante masculino, ao contrário do que se costuma imaginar, a revista literária on-line de atualização bimensal não presta homenagem a escritoras que, a exemplo de Ana Cristina César, Sylvia Plath e Virginia Woolf, tenham provocado a própria morte. “O site , na verdade, parodia essas personalidades, que eram trágicas, de vivência depressiva. Mas ele, o site, é vivo, apimentado e flerta com vários temas, não apenas do universo feminino”, explica Raimundo, que assina textos para a página eletrônica e a antologia sob pseudônimo de Dona Cecy, uma figura que saiu do Interior pernambucano para, decididamente, ganhar a vida, no Recife, como prostituta. “Me inspirei na Cecy, que, atualmente, recupera-se de um AVC. Uma mulher refinada, mas cheia de ‘bafón’. Exuberante, mas que escondia um passado negro. Depois de abandonar a vida de sósia da Brigitte Bardot e cafetina, virou microempresária do setor de transportes”, detalha. Sobre a experiência de incorporar uma mulher para escrever, ele diz que vivencia liberdade em dose dupla: “Poesia me angustia. Ficção me liberta. Verdadeiro fluxo de consciência. Os textos sobre Dona Cecy são uma mescla de conto, prosa poética e memória. Vivencio a liberdade como escritor e por traduzir uma vida de completa liberdade. Dona Cecy construiu o próprio destino”. Cida Pedrosa, que assina os poemas “Sihem”, “Milena”, “Kelle” e “O ruído” da publicação impressa, destaca a pluralidade de vozes da página “Escritoras suicidas”, que conta com a colaboração de autoras mais experientes como Virna Teixeira, mas também com contos, crônicas e poemas de iniciantes, caso de Julya Vasconcelos. Além de nomes que ainda não publicaram livro e somente produzem para internet. Entre as ex-suicidas, destaque para Carola Saavedra.
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