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| Vida Saudável - 06/03/2010 | ||
Gripe suína, vale a pena se vacinar? - Foi com este nome que ficou conhecida a gripe causada pelo vírus Infuenza A H1N1.
Até fevereiro passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) contabilizou apenas 16.226 casos de mortes decorrentes deste vírus. Mesmo se considerando que muitas pessoas possam ter morrido por conta desta doença, sem que aquela Organização tivesse tomado conhecimento, a mortalidade foi extremamente menor do que se esperava no início da pandemia. Apenas como comparação, quatro mil pessoas foram assassinadas em Pernambuco no ano de 2009. Enquanto que apenas cinco casos de morte no Estado foram atribuídas ao vírus. Ou seja, um pernambucano tem quase mil vezes mais chances de morrer assassinado do que por aquela virose. Um outro aspecto importante é que a mortalidade por gripe de uma maneira geral foi menor no mundo, em 2009, ano do surgimento da epidemia, do que em anos anteriores. A prevalência da doença, por outro lado, encontra-se estável ou diminuindo. As exceções são alguns países do norte da África e da Europa oriental. Teria a OMS exagerado no destaque que deu àquela virose quando do seu surgimento? Destaque este que, além de ter causado grande apreensão nas populações, imputou em muitos gastos. Na defesa da OMS, existe um forte argumento. No início, a epidemia sugeria ser muito grave, acarretando a morte em crianças, jovens e grávidas, grupos em que raramente ocorre esta terrível complicação com os vírus das gripes comuns. Felizmente, esta expectativa não se confirmou. Os críticos da atuação da OMS, no entanto, argumentam que o grande destaque só ocorreu por conta da doença acometer, indistintamente, pobres, ricos e os jovens. Caso os grupos mais afetados fossem os idosos e/ou pobres, tamanha ênfase não teria havido. Lembram, inclusive, o tratamento que a AIDS (jovens e ricos) e a varíola (pobres) recebem. Além disso, os críticos sugerem ter havido “lobby” por parte dos laboratórios farmacêuticos, em função de lucros, que o futuro tratamento vacinal ofereceria. Já a gripe comum, também chamada sazonal, por ter um aumento de casos em determinados meses, os de menor temperatura. O agente infeccioso é um vírus Inflluenza dos tipos A, B e raramente C. Como sabemos, dura uns poucos dias e dificilmente traz complicações sérias. As complicações, estas, quando ocorrem, geralmente se manifestam em indivíduos com imunidade diminuída: idosos, diabéticos, aidéticos, cancerosos etc. Por conta disso, muitos países, inclusive o Brasil, têm programas para vacinar anualmente estes grupos de pessoas. A vacinação para essa gripe confere uma imunidade que varia de ano para ano de 40% a 90%. O seu emprego, nestes grupos, conseguiu reduzir a incidência do número de casos, de complicações e mortalidade, porém a sua eficiência ainda é menor do que seria desejável. Nos Estados Unidos, nos últimos anos, conseguiu-se aumentar a proporção de idosos vacinados de 25% para 65%. No entanto, a queda da mortalidade por gripe foi diminuta. Quanto à vacina do vírus A H1N1, as interrogações são maiores. Em primeiro lugar, a experiência quanto a sua eficiência e segurança ainda é pequena, em razão do pouco tempo de sua descoberta. A doença não parece ter uma gravidade maior, na maioria os casos, do que a gripe comum. Inclusive é possível que muitos já a tenhamos tido sem que soubéssemos. O número de casos não vem aumentando. Por conta destes aspectos, parte das comunidade médicas e das populações, vem interrogando a validade de se vacinar contra o vírus A H1N1. Como resultado, vários países estão com estoques encalhados: Alemanha, Inglaterra, França estão entre eles. A França comprou mais de 50 milhões de doses e só conseguiu vacinar cinco milhões de pessoas. Está procurando países para que lhe comprem a sua enorme sobra. Apesar da experiência destes países, o Brasil já comprou 83 milhões de doses desta vacina, gastando mais de um BILHÃO de reais. Cifra esta superior a destinada a todos os nossos programas vacinais: pólio, difteria, tétano, sarampo, gripe comum etc. Em um país onde ainda são escassos os recursos destinados a saúde, caso a responsabilidade da decisão fosse sua, você faria esta compra??? Duvido.
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