Delegado Ígor Leite
Delegado Ígor LeiteFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Sete pontos que operavam como casas de jogos ilegais foram descobertos durante a Operação Moralização, deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (18) e detalhada em entrevista coletiva na tarde desta quinta (20), no Recife. Foram apreendidas 88 máquinas caça-níqueis, 27 delas em três boxes da feira livre de Afogados, na Zona Oeste do Recife. Os investigadores suspeitam da omissão de agentes públicos na fiscalização do esquema, já que o local é sujeito à concessão da Prefeitura. Outro ponto ficava a apenas 70 metros da delegacia do bairro.

Ao todo, 12 pessoas foram detidas, entre elas, creditadores (responsáveis pelo controle das máquinas) e vigilantes. Todos vão responder em liberdade, já que a atividade de exploração de jogos de azar tem pena de um ano de detenção. Podem ir para a cadeia, no entanto, se for configurado o crime de associação criminosa. Isso depende de investigações mais detalhadas sobre as lideranças do esquema, que, segundo o delegado de Afogados, Igor Leite, seriam ex-presidiários e agentes públicos donos dos pontos de jogos. “Podem surgir outros crimes. Mas essas informações ainda estão sendo mantidas em sigilo”, afirmou.

Luxo


Além dos flagrantes em Afogados, os policiais civis encontraram uma casa de jogos de azar no bairro de Areias. O local tinha serviço diferenciado, como manobrista e bebidas grátis. Chegava a arrecadar, por mês, segundo a Polícia Civil, mais de R$ 100 mil e atraía pessoas de outros estados. Conforme Igor Leite, o esquema mantinha como funcionárias pessoas que não conseguiam quitar suas dívidas de jogo. “Temos relatos de aposentadorias inteiras gastas nesse tipo de atividade. E percebemos que há crimes, como roubos, furtos e homicídios, com relação indireta com o jogo. O vício levava pessoas a perderem tudo e irem para as ruas, e as ruas levavam ao crime”, alertou o delegado.

Questionado sobre as casas de jogo que ficavam próximas à delegacia ou dentro da feira de Afogados, Leite afirmou que os criminosos, provavelmente, tinham uma “sensação de permissividade”. “Assim que essas informações chegaram ao nosso conhecimento, fizemos a operação e mostramos que isso não é admitido”, completou.

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