Hely Ferreira *

O falecimento da senhora Marisa Letícia (esposa do ex-presidente Lula), mostrou mais uma vez que o país está dividido. O estarrecedor é que estamos em um momento que nem respeito aos mortos ou a família do mesmo se tem mais.

De um lado assistimos aqueles que responsabilizaram pelo ocorrido o magistrado que tem a competência de julgar os acusados da Operação Lava Jato. Do outro lado, aqueles que afirmam que a postura do agora viúvo e do bispo que realizou a cerimônia fúnebre, foi puramente de aproveitamento para fazer discurso político partidário, visando provocar uma comoção nacional e dividendos eleitorais futuros. Acontece que todas essas posturas adotadas, são refutadas por quem tem no mínimo respeito ao outro. Algo cada vez mais raro de se encontrar na sociedade chamada de pós-moderna.

Bom seria que o falecimento de qualquer pessoa servisse de lição aos que ficam, reconhecendo que nada aqui é eterno e que mais cedo ou mais tarde, terão que passar por ela e enquanto não a enfrentarem, sentirão saudade daqueles que nutriam um sentimento afetuoso e que partiram antes deles.

O fato de alguém morrer, não significa que sua conduta inadequada para o convívio social seja perdoada, mas isso não nos dá o direito de adotarmos postura que nem mesmo os animais tidos como irracionais adotam. Vez que, os mesmos não têm noção de existência, consequentemente para eles não há morte e nem vida, mas o fim, segundo os adeptos da teoria cartesiana.

A mesma também ensina que somos dotados de razão e a religião judaica-cristã que fomos criados segundo a imagem e a semelhança de Deus. Imaginem se não fosse!

* Hely Ferreira é cientista político e escreve no Blog da Folha às quintas-feiras. Excepcionalmente nesta semana publicamos na sexta-feira.

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