Artistas pernambucanos experimentam novos caminhos no mercado

Artistas buscam caminhos que mesclam soluções gráficas e visuais para dar vida a trabalhos que vêm ganhando cada vez mais fãs nas redes sociais e fora delas

Produção de Tiago WestProdução de Tiago West - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Quando o poeta gráfico e artista visual Tiago West, de 33 anos, comercializou sua primeira obra pela internet em 2017, ele se viu integrado a um mercado dinâmico. Não apenas pelo caminho ágil e livre de barreiras, que é a venda através da rede social, mas pela aceitação de um trabalho visivelmente fora da curva, que funde palavra e imagem com a ajuda de recursos gráficos. É nessa arte, longe de arrodeio e abastecido de possibilidades, que alguns nomes do cenário pernambucano encontraram a forma ideal de se comunicar com o novo público.

West tem relação antiga com poesia. Desde a infância nutre interesse especial pela escrita, a partir das suas diferentes formas de expressão. Não concluiu o curso de Literatura, mas terminou a graduação de Música, influenciado pelo convívio com artistas plásticos, designers e arquitetos. “Nessa altura eu conhecia a poesia concreta, fundada em São Paulo pelos irmãos Campos e, muito entusiasmado com aquilo, comecei a casar o texto que já fazia anteriormente com as ideias e soluções gráficas atuais”, resume. Baiano de nascença, ele explora o tom pernambucano como ninguém. Não à toa, um dos seus trabalhos mais conhecidos brinca com a megalomania recifense, explorando o fato de sermos os maiores em tudo com certa geometria estética nas letras.

Como numa crônica, seu texto e imagem discursam sobre o cotidiano, a política e o amor. Alguns exibem palavras em formato circular, outros convidam à leitura subjetiva. “Tem um circuito alternativo na cidade que talvez consuma mais porque é onde estou inserido. Mas o público vem ampliado, principalmente depois da exposição que fiz no Centro Cultural Correios [no Bairro do Recife]. Somando todos os acessos em loja e exposições, totaliza 30% da procura hoje. O resto acontece pela internet”, acrescenta. A depender do papel, moldura ou tamanho, uma obra de West varia entre R$ 75 e R$ 300.

De maneira múltipla e acessível, o designer gráfico Daaniel Araújo também consegue oferecer trabalhos palpáveis ao mercado, sem perder a liberdade. A base de muitas de suas obras é a pintura tradicional misturada com formas geométricas. “A vontade de realizar coisas mais autorais foi crescendo e vi a possibilidade de explorar esse universo da pintura. Comprei algumas tintas acrílicas e coletei madeiras na rua. Então, percebi que essa madeira já tinha textura e acabamento que sempre seria algo diferente”, detalha.

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Com esses experimentos na mão, Araújo entrou num circuito menos formal, marcando presença em festivais de música, bares e festas, desde 2012, quando realizou sua primeira exposição. Nas telas, a estética urbana é representada de maneira provocativa, seja por imagens do cotidiano ou frases de efeito. Material esse que encontrou no Facebook uma plataforma democrática de divulgação. “Interessante ter essa possibilidade, talvez por levar esse tipo de arte, que tende a ser tradicional e normalmente fechada às galerias, para uma rede social onde o alcance é amplo. A comercialização também veio por mensagens”, afirma.

Digital

Para o arquiteto e desenhista Roberto Lins, de 59 anos, não há limite criativo quando o suporte artístico é a tela do celular. Com um aplicativo instalado no IPhone, ele consegue criar expressões faciais, objetos e paisagens, trocando o antigo pincel pela ponta dos dedos. Esboça um traço preciso, semelhante ao que desenvolvia ao longo dos anos no papel. Para uma arte essencialmente digital ganhar terreno comercial na internet foi um pulo. “Eu achava a rede social muito repetitiva, até publicar os meus desenhos, autorais e coloridos, com a intenção de distribuir alegria”, conta Lins, que já realizou exposição com seus trabalhos impressos no mês de novembro do ano passado.

Decoração
E como o mercado criativo anda em alta, um quiosque instalado recentemente no piso térreo do shopping RioMar explora a fusão de suportes artísticos através de adornos úteis na decoração. A Frame Up é um espaço com quadros decorativos e peças inspiradas na estética pop art, vendidas a um preço entre R$ 45 e R$ 150, dependo do tamanho e leiaute do produto. Quem passa pelo lugar, enxerga no portfólio uma identidade conhecida na internet, agora materializada para o mundo real. A lista de opções também inclui boxes, feitos por encomenda e impressos em base de madeira reflorestada. Já os quadrinhos com moldura, bastante procurados, transmitem mensagem de positividade e motivação para o dia a dia.

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