Brasil revisitado em restaurante pop up

Cobra abre segunda temporada de cozinha nacional, nas Graças

Carpaccio de sol é estreia da 2ª temporada sob o comando de Lucas MunizCarpaccio de sol é estreia da 2ª temporada sob o comando de Lucas Muniz - Foto: Ed Machado

Lá vem a Zona Norte trazendo bons ventos novamente. Em uma pacata rua no bairro das Graças funciona o restaurante Cobra - Cozinha Brasileira Revisitada, um projeto temporário, no esquema pop up, que estreou no segundo semestre de 2018, funcionou por três meses, fechou, e acabou de voltar para mais um cronograma.

Dessa vez, diz a sócia, a jornalista Nina Wicks, o Cobra vai se estender ao longo do semestre e com a previsão de também abrir para o jantar a partir do mês de março. Nina é idealizadora do projeto junto à amiga Monize Guimarães.

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No comando da gastronomia dessa temporada - sim, também há rodízio de chefs - está Lucas Muniz, do descolado Ursa Bar e Comedoria, nos Aflitos, que, além de reforçar a brasilidade nata do cardápio, ainda trouxe sua expertise com coquetelaria para a carta da casa.

A sangria branca com frutas e ervas aromáticas é a estrela etílica, sem dúvida alguma, mas quem provoca curiosidade é o drinque ‘umbujambu’, um martini de umbu com jambu (erva paraense que adormece as papilas) e cachaça de amburana (R$ 18).

No prato, não espere nada menos que um Brasil abordado de ‘cabo a rabo’, como se diz. O carpaccio de filé de sol maturado na casa, mais aïoli de pimenta de cheiro, picles de pimenta biquinho, pesto de cheiro verde e lascas de queijo (R$ 29) é uma das entradas assinadas por Lucas.

O sururu ao coco, servido dentro de uma quenga de coco seco, é absolutamente fabuloso. Com tempero presente, sem meio termo, vem acompanhado de farofa de dendê (R$ 20). Pediria novamente sempre que fosse lá. Com uma pegada asiática, o charuto de barriga de porco com arroz japonês no dendê e tarê de rapadura surpreende pelo sabor e cuidado na apresentação (R$ 22).

A seleção de pratos principais, mesmo enxuta, propõe dúvida, com descrições atraentes aos olhos de quem aprecia os ingredientes brasileiros - no caso, revisitados. O barreado, entretanto, é quase uma inovação nos menus recifenses s, portanto, já valeria pedir por essa escassez.

A receita paranaense vem com carne bovina cozida lentamente na redução de vinho e mel de engenho, acompanha banana da terra frita e farofa (R$ 42). O virado à paulista é prato de combate, para aplacar qualquer ressaca: vem com bife de maminha acebolada, linguiça toscana, arroz de alho frito, tutu de feijão preto, couve frita e ovo poché. Serve um, como todos os principais, e custa R$ 39.

A dupla da moda porco com molho de goiabada é um dos únicos repetecos da edição anterior do Cobra, por motivos de: caiu nas graças da clientela. É picanha suína na brasa ao molho de goiabada e pimenta, tropeiro de feijão vermelho (linguiça, farofa, bacon e legumes salteados) e sai a R$ 37.

O termo revisitar a culinária nacional ainda dá as caras no peixe e caju acevichado, com água de coco, e no acompanhamento do prato com chambaril - um petit gâteau de inhame com queijo de manteiga. A casa ampla, com terraço invadido por luz natural e quadros de Suzana Costa completam o climinha de conforto e paz desse projeto que tem tudo para entrar na rota de comfort food do Recife.

SERVIÇO
Cobra - Cozinha Brasileira Revisitada
Endereço: rua Jacobina, 58, Graças
Funcionamento: sexta-feira das 11h30 às 15h e sábado e domingo, das 11h às 17h
Informações no Instagram: @cobrarestaurante

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