Cepe investe no nicho infantojuvenil como forma de incentivar a formação de leitores

Com as crianças no papel de leitores, a crítica é feroz. A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) vem investindo neste filão há dez anos e até o fim de 2018 terá 53 títulos dedicados a este público em seu catálogo

Editor da Cepe, Wellington de Melo avalia que o livro infantil é feito para o público mais exigente que existe Editor da Cepe, Wellington de Melo avalia que o livro infantil é feito para o público mais exigente que existe  - Foto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

A importância da literatura infantil vem sendo reconhecida no Brasil e em Pernambuco, onde algumas editoras procuram investir no segmento. Este é o caso da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), que vai fechar 2018 contando com nada menos que 53 títulos em seu catálogo, construído ao longo dos últimos dez anos.

"Estamos nos aperfeiçoando cada vez mais nesse nicho, pois acreditamos que é uma missão da editora contribuir para a formação do leitor. Nos últimos anos, nossa produção teve avanços qualitativos inegáveis, auxiliados pela presença de um Conselho Editorial que seleciona as obras. Já somos referência nacional, há autores de todo o País nos procurando para submeter seus textos", conta o editor da Cepe, Wellington de Melo.

"Trabalhamos com diversas vozes, várias dicções. Pois a literatura infantil engloba tanto um livro voltado para crianças na fase pré-escolar como outro feito para pré-adolescentes, e ainda tem as obras para o público juvenil", descreve.

Wellington avalia que o livro infantil "é feito para o público mais exigente que existe". "O adulto pode relevar um problema ou outro, tentar dar uma chance ao livro. Mas a criança, se não gostar de cara, vai abandonar o livro no segundo seguinte. É um crítico feroz. Não há espaço para o erro", afirma. Apesar disso, alguns segmentos do mercado e até os consumidores costumam subestimar a importância do livro infantil.

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"É preciso ter o mesmo grau de seriedade na produção, e a mesma valorização do produto voltado para o público infantil e adulto", diz o editor, relembrando a polêmica que aconteceu no último mês de junho e que acabaram levando a renúncia do curador do Prêmio Jabuti, o principal do País. Em sua 60ª edição, o prêmio promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) fundiu as categorias 'infantil' e 'juvenil' e mudou a categoria 'ilustração', causando insatisfação entre autores e editores e levando a críticas e boicotes. "Muitos imaginam que o autor que trabalha para o público infantil tem menos qualificação de que quem escreve para adultos, quando é justamente o contrário", alerta.

Acervo de livros infantis da Cepe alcançou 53 títulos, ao longo de dez anos

Acervo de livros infantis da Cepe alcançou 53 títulos, ao longo de dez anos - Crédito: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

Para Wellington, um dos aspectos mais importantes no que diz respeito à narrativa e à capacidade de cativar a atenção da criança são as ilustrações. "A educação estética também faz parte da educação cultural de qualquer ser humano, e o livro precisa dialogar com isso. É possível ensinar o belo, e o trabalho do ilustrador é algo essencial nesse processo. Como editor, temos o papel de ajudar nisso, como se fosse uma agência matrimonial que vai buscar o par adequado para determinado projeto, a partir das características do texto e do público que se quer alcançar", explica.

Entre os lançamentos da editora, todos com forte apelo visual, podem ser citados "Dianimal", de Alexandre Revoredo (com ilustrações de Stuart Marcelo), um livro-jogo com formato interativo voltado para crianças entre 5 e 7 anos; "Pequeninas histórias para gente pequenina", de Xico Bizerra (com ilustrações de David Alfonso); "Um novo abraço", de Henrique Vale (ilustrado por Luísa Vasconcelos, que também foi a responsável pelo visual de "Os filhos do deserto combatem na solidão", livro infantojuvenil de Lourenço Cazarré); e "O que é isso que eu sinto?", de Marcela Egito (com desenhos de Higor Cayo).

   Selo editorial

Em novembro, a Cepe completa uma década como selo editorial e planeja lançar novos títulos voltados para esse público, além de divulgar o resultado do Prêmio Cepe de Literatura Infantil e Juvenil (que vai oferecer R$ 10 mil aos primeiros colocados em cada uma das categorias). "Cada novo livro que se lança é uma aposta, ainda mais se tratando de um público exigente, como já falei. A gente só tem realmente a certeza da aceitação do novo título a partir do momento em que o livro vai se consolidando", relata.

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