Coletânea reúne a obra de Caco Galhardo nos quadrinhos

'Cinco mil anos - E quase todas as tiras' traz histórias dos diferentes personagens criados pelo cartunista e publicados diariamente nos jornais

Caco Galhardo faz tiras para jornais há 21 anosCaco Galhardo faz tiras para jornais há 21 anos - Foto: Patricia Stavis/Folhapress

Os personagens criados por Caco Galhardo estampam as páginas dos jornais desde 1998, viraram animações e até série de televisão. Faltava reunir todo esse material - publicado diariamente ao longo de mais de duas décadas - em uma mesma obra. Lançado recentemente pelo selo de quadrinhos da editora Companhia das Letras, o livro "Cinco mil anos - E quase todas as tiras" chega para preencher essa lacuna existente na carreira do cartunista paulistano.

"O título faz uma brincadeira, porque são 22 anos de tiras diárias, que juntas equivalem a cinco milênios de produção. Organizar uma coletânea era algo que eu queria já há algum tempo. Quem desenha para jornal faz uma tira atrás da outra. Ver esse trabalho condensado traz uma percepção diferente, dá a ideia de uma narrativa", explica o artista, que também é roteirista e dramaturgo.

Com prefácio assinado por Reinaldo Moraes, a antologia conta com tiras, graphic short stories e charges. As mais de 300 páginas apresentam figuras conhecidas das HQs nacionais, como Chico Bacon e Lili, a Ex. Divididas por personagens, as histórias não seguem uma ordem cronológica.

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"O material era muito extenso e a gente queria fazer uma coisa meio caótica, mas que acabou ficando organizada. Sentia que havia algo legal no traço do desenho, que começou de um jeito e hoje é completamente diferente. Mas queria que essa mudança fosse observada sem ter uma sequência temporal. Isso acabou fluindo naturalmente", explica.

"Em time que está ganhando não se mexe" não é uma máxima seguida pelo cartunista. O sucesso de uma tira nunca o impediu de fazer grandes mudanças em seu trabalho. Nesse sentido, ele aponta uma vantagem em produzir quadrinhos no Brasil. "Nos EUA, por exemplo, se você faz o Garfield está condenado a desenhar só isso a vida inteira. Por aqui, a gente mata o personagem, começa a desenhar outro e faz algo completamente diferente daquilo que fazia antes. É uma característica da tira nacional. A gente tem a liberdade de fazer aquilo que der na telha", comenta.

Capa do livro

Capa do livro "Cinco mil anos - E quase todas as tiras" - Crédito: Divulgação



Caco iniciou sua trajetória na Folha de S. Paulo com Os Pescoçudos, tipos esquisitos, com os pescoços tortos e vivendo uma realidade um tanto distorcida. Depois, o cartunista passou a se dedicar a outras ideias. Veio o Pequeno Pônei, que quer ser um poeta underground, mas não consegue ser levado a sério por ninguém. Também criou o Chico Bacon, um personagem sem superego e que podia fazer o que quisesse. "Foi uma libertação para mim. Vinha de um caminho muito crítico e passei para uma coisa mais divertida e fantasiosa", conta.

Chico Bacon

Chico Bacon - Crédito: Caco Galhardo/Divulgação



A criação mais famosa de Caco, no entanto, é Lili, a Ex. A mulher que atrapalha todos os casos do ex-marido virou protagonista de uma série de TV com duas temporadas, exibida pelo canal GNT e protagonizada pela atriz Maria Casadevall. O próprio autor foi um dos roteiristas.

"Lili, a Ex" - Crédito: Caco Galhardo/Divulgação



"Essa história nasceu numa época em que eu tinha várias amigas que haviam se separado e minha ex-mulher passava horas com elas ao telefone, falando sobre os ex-maridos. Achei que isso tinha uma graça. Hoje, a personagem evoluiu. Nem uso mais 'A ex'. Agora ela é simplesmente Lili, uma mulher que passou por tudo aquilo e agora está vivendo um momento meio reflexivo", aponta.

O cotidiano é a matéria-prima principal da obra de Caco. É das relações pessoais e do comportamento humano que o desenhista tira inspiração para a maioria dos seus trabalhos. "Também acabo fazendo tiras que abordam questões políticas, até por conta do cenário que vivemos hoje. Mas nessa coletânea fez questão de não tratar de temas que daqui a cinco anos ninguém vai mais entender. Não queria o registro de apenas um período, mas sim uma coleção de histórias atemporais", afirma.

Serviço

"Cinco mil anos - E quase todas as tiras", de Caco Galhardo
Editora Cia. das Letras, 352 páginas
Preço médio: R$ 129,90


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