Diretor comenta ideia por trás de 'O Poço', filme mais popular entre brasileiros na Netflix

O filme foi disponibilizado na última na última semana de março

O PoçoO Poço - Foto: Divulgação

Lançado há poucos dias na plataforma da Netflix, o filme "O Poço" tem surpreendido seus espectadores e provocado reações diversas inclusive de famosos. Anitta, por exemplo, pediu explicações para o final do filme, que tem dividido opiniões na internet.

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O longa espanhol, classificado como de suspense e terror, é o primeiro entre os Top 10 mais populares entre os brasileiros na Netflix, neste momento. Ele se passa inteiramente em uma grande prisão onde os presos estão divididos por "níveis" de um prédio e são alimentados por meio de uma plataforma, que desce gradualmente por eles. Desta forma, os presos dos níveis superiores podem comer mais, enquanto os dos níveis mais baixos testam sua sanidade ao passar fome.

Em entrevista ao site iHorror, o diretor Galder Gaztelu-Urruti explicou que o roteiro foi originalmente escrito para ser uma peça teatral, que acabou nunca sendo feita. Para ele, o filme fala sobre as diferentes classes sociais, e não necessariamente sobre "mudar o mundo". Ele afirma que a produção não tem a pretensão de ensinar nada, mas sim de fazer com que os espectadores pensem em como se comportariam, a depender do nível em que estivessem.

"O local onde você nasceu é importante -em que país e em qual família-, mas somos todos muito parecidos. Dependendo de onde você estiver, você vai pensar e se comportar de uma maneira diferente. O filme coloca o espectador nessa situação para enfrentar os limites de sua própria solidariedade. É fácil ter solidariedade se você está no nível 6; se você tem muito, pode desistir de parte disso. Mas você terá solidariedade se não tiver o suficiente para si mesmo? Essa é a questão", diz ele.

Ao site Cineuropa, ele completa o pensamento: "Em um determinado momento, a humanidade terá que avançar em direção à distribuição justa da riqueza [...] Devemos insistir para que nossos líderes assumam a responsabilidade, mas eles não devem estar sozinhos nisso; se usarmos eles como desculpa para não fazermos nada, nada mudará. Não há ataque direto a ninguém: o filme não se posiciona contra aqueles dos níveis superiores; [...] o filme critica o capitalismo, mas também o sistema socialista".

Em outra entrevista, ao site Collider, Gaztelu-Urruti diz que não se trata de uma crítica social, mas de uma "autocrítica social". Inspirado em filmes como "Delicatessen", "Blade Runner", "Cubo" e "Próximo Piso", ele conta que o protagonista Iván Massagué (de "O Labirinto do Fauno") precisou perder 12 kg durante as seis semanas de filmagem, para dar credibilidade ao comprometimento corporal e psicológico de Goreng.

Ele também analisa os cenários do filme, criados dentro de um pavilhão pertencente à Cruz Vermelha, no porto do município espanhol de Bilbao: "Esteticamente, a cozinha é representada por cores e máquinas alegres que parecem brinquedos, mas as performances -sem diálogos- e o tom da música nos dizem que algo não está certo na consciência das pessoas de cima".

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