E haja brilho nos looks carnavalescos!

Moda para a folia aceita os excessos que a rotina não perdoa. Grifes pernambucanas apostam nas tramas metálicas do lamê, lurex e cetim

Quimono (R$ 179,90), hot pant (R$ 139,90) e biquíni (R$ 69,90), todos em paetê luxo, da D.uas Design; pochete da Calma Monga (R$ 79,90)Quimono (R$ 179,90), hot pant (R$ 139,90) e biquíni (R$ 69,90), todos em paetê luxo, da D.uas Design; pochete da Calma Monga (R$ 79,90) - Foto: Léo Motta/Folha de Pernambuco

No Carnaval, risada contida vira gargalhada estridente. Passo curto e reto se transforma em cruzadas de pernas que nunca se cansam de pular, enquanto houver orquestra tocando. Cabelos ficam com os fios bagunçados e o suor de felicidade derrete sem culpa a maquiagem exageradamente colorida e brilhante, que consegue ficar bela, ainda que borrada. Só mesmo a alegria para produzir esse efeito! O folião é como um pintor que sempre ultrapassa o limite das linhas do desenho. Não se preocupa em harmonizar cor, nem estampa; só combina felicidade. No guarda-roupa, certo e errado são conceitos que não valem um vintém. A nossa moda foliã esquece o que aceita o senso comum da rotina e perdoa, de coração aberto, os excessos estilísticos.

Nesses tempos de vacas magérrimas, ainda bem que as tendências de moda até que estão bem festivas: o brilho nunca ocupou tanto o dia a dia. Assim como o tropicalismo na melhor versão máxi - pode se inspirar na escala métrica a la boneco de Olinda. E na quitanda também: quanto mais frutas vistosas, melhor. Na versão acrílica, de plástico, de tecido, é claro. Para comer também é bom. Hidrata que é uma beleza. Abacaxis, bananas e cajus estão bombando. E haja lamê, madame! Na blusa, no body, na saia lápis, no quimono, no vestido... O tecido, formado por tramas metálicas, entrou nas altas esferas sociais desde a década de 1930, e agora é o maior representante da tendência brilhosa. Fica bem nas ladeiras repletas de confete e serpentina e depois, no asfalto, para curtir a noite ou o sol.

A composição é que faz a diferença. A Festa de Momo abre alas para os apliques de cortininhas metalizadas nos ombros, com direito a spikes ou tiras de tecido nas mangas. E os acessórios não precisam combinar nas cores. Pense nos anos 1980; agora acrescente mais uma pitada de exagero. Pronto, o espírito é esse. Além do lamê, sempre se pode contar com o cetim e o lurex, que também iluminam qualquer silhueta, de dia ou à noite, ainda que seja Quarta-feira de Cinzas. O estilista Beto Normal criou quimonos, macaquinhos e vestidos em cetim preto decorados com caveiras bordadas de linha, tule e lantejoulas, numa releitura de papangus estampados com Carmem Miranda e Mickey em terceira dimensão. "É um Carnaval meio de luto, em que a realidade está quase pulando para fora da roupa. Só não percebe quem não quer", descreve Beto. Já a D.uas Design apostou no lamê e no lurex. "Pensamos no conforto, sem esquecer as modelagens diferentes, sugerindo cores dos blocos tradicionais com uma pitada de azul", disse a designer Bruna Pontual.

A legging é outra amiga inseparável dos que apregoam aos quatro ventos que a própria carne é de Carnaval. E essa peça, caro leitor brincante, estamos carecas de saber, não sai das vitrines faz tempo. Para compensar o calorzinho, nada como uma cropped fresquinha ou um top tipo bustiê. Outro clássico da indumentária momesca é o tal do tule. Vai em todo canto do corpo, é fresquinho, colorido, transparente. Os tecidos telados em tons vivos são outra opção para atravessar os verdadeiros desertos do Saara nos quais se transformam nossas ruas.

Por baixo, sutiã e calcinha. Simples assim. O corretíssimo bastião do feminismo contemporâneo "deixa ela em paz" funciona ainda mais a partir do Sábado de Zé Pereira, quando underwear de fora merece todo respeito. Ainda mais num calor desses, no meio da multidão, depois de dançar até se acabar. As hot pants saem do armário sem medo do machismo opressor, em cores vivíssimas. Aliás, deveria ser assim o ano inteiro, né não?

Lojas
Rosa Amarela (Fone: 3040-0140; Boa Viagem) - Vende roupas da D.uas Design e pochetes, bolsas e porta-dinheiro em forma de pulseira da Calma Monga.

Trocando em Miúdos (Fone: 3269-7766; Parnamirim) - A grife de brincos, colares e pulseiras criou acessórios de cabeça para o Carnaval e ainda está comercializando peças de outros estilistas, como as cabeças mega sofisticadas e anos 1920 de Carol Azevedo, e os looks de Helena Pontes e da Colombina

Galeria Maumau (Fone: 3221-7900; Espinheiro)
- Está com uma lojinha com produções do estilista Beto Normal que ele chamou de papangus de luto, com caveiras de cetim decoradas com tule, além das peças de algodão impressas com estampas criadas com carimbo manual da Gráfica Lenta, como shorts folgadinhos, capas que viram vestidos e brincos de tecido

Jardim Mon Dieu! (Fone: 99668-9529; redes sociais) - Com as sereias em alta, a marca criou tiaras e headbands com conchas e mariscos naturais e com banhos de dourados adicionadas a pérolas. Outra tendência dos acessórios de cabeça, a referência à pintora mexicana Frida Kahlo, aparece nas peças repletas de flores vermelhas.

Prazeres Accioly & Designers (Fone: 98839-2461; Pina) - A loja investiu nos adereços de cabeça como os da designer Katia Costa Pinto, que criou uns aramados e entortou fios, uniu flores de borracha e fugiu do lugar comum. As golas longas feitas de fios de tecidos coloridos geram ótimo efeito. O espaço ainda conta com fantasias de queijo suíço, brigadeiro, de figuras tradicionais do nosso Carnaval em versão estilizada, como o caboclo de lança.

Coletivo Carnaval - Espaço reúne marcas como Lamê Fantasias, Vitallina e Maria Ribeiro, e ainda um serviço de customização e carnavalização de roupas, para quem quiser dar aquela levantada nos looks de outros carnavais, feito pela estilista Carol Silveira. No Shopping Recife.

Andrea Tom (Fone: 99975-1379; redes sociais) - A estilista voltou ao mercado inspirada no frevo, palavra que usou em camisetas de algodão estampadas em silk-screen com tie-dye. A coleção traz ainda quimonos, chemises, saias e colants de inspiração 80's, com modelo asa delta (bem cavado nas laterais) e costas nuas.

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