É sertanejo ou não é? Como o gênero musical se transformou e ganhou popularidade

Para o historiador Gustavo Alonso, pode tudo na música sertaneja, pois ela vai incorporando e outros ritmos

Marília Mendonça acredita que segredo das cantoras do "feminejo" está na forma de expressar um sentimento de angústiaMarília Mendonça acredita que segredo das cantoras do "feminejo" está na forma de expressar um sentimento de angústia - Foto: Globo/Mauricio Fidalgo

"Música sertaneja pra mim é outra coisa, não isso que a Marília Mendonça faz", fiz um trecho da carta aberta divulgada pelo músico Maciel Melo, no dia 14 de junho, em apoio à campanha "Devolvam o nosso São João". A frase reforça o que foi expressado também pelo cantor Alcymar Monteiro no áudio em que ele desfere duras críticas à artista. "Não venha dizer que essa porcaria que você canta é sertanejo, que isso é 'breganejo'", detona.

Essa não é uma opinião restrita aos dois forrozeiros. Assim como ocorre com o chamado forró estilizado, o sertanejo produzido atualmente também é acusado de distorcer a essência do ritmo. Mas afinal, essa música que está na "boca do povo" pode ou não ser chamada de sertaneja? Para o historiador Gustavo Alonso, autor do livro "Cowboys do asfalto: Música sertaneja e modernização brasileira", a resposta é sim. 

Leia Mais: Entenda a polêmica deste São João: o forró corre atrás do virote

"Desde que surgiu, o gênero sertanejo sofre a acusação de estar deturpando uma determinada raiz da música rural brasileira. O sertanejo começa a ganhar especificidade a partir da década de 1950, quando a música importada entra com força na cultura brasileira. Nessa época, uma série de duplas começa a fazer sucesso incorporando ritmos como o chamamé argentino e guarânia paraguaia. Depois, vem o rock, o country, o brega, o forró e, hoje em dia, o funk e o eletrônico. Pode tudo na música sertaneja. Ela vai incorporando e antropofagizando outros ritmos", explica. 


No áudio que tornou-se público e gerou polêmica na internet, Alcymar Monteiro deixa bem claro que para ele quem faz o sertanejo de verdade são os artistas das gerações passadas, como a dupla Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho. Na opinião de Gustavo, há um romantismo estético por trás dessa resistência às novidades na música. "O termo 'sertanejo de raiz' é recente e é usado sempre para louvar a geração anterior. Zezé de Camargo, por exemplo, hoje é sertanejo de raiz, mas nos anos 1990 era chamado de deturpador da raiz", aponta.

O mercado do sertanejo é atualmente o mais popular do Brasil. Um levantamento feito pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) mostra que, das dez músicas mais ouvidas no Brasil em 2016, quatro fazem parte do estilo. "Essa popularização se deve à vontade dos músicos sertanejos de dialogarem com o Brasil. A cada incorporação que o gênero faz, ele vai sendo ampliado", defende.

Para Marília Mendonça, que faz uma média de 25 shows por mês, o segredo do sucesso dela e de outras cantoras que formam o chamado "feminejo" (sertanejo cantado por mulheres) está nas letras cantadas e na forma de expressar um sentimento que causa angústia. "Acredito que estamos mostrando que somos capazes de dominar o palco", comemora.

 

 

 

 

 

 

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