Espetáculo de dança sobre Frida Kahlo é atração do Janeiro de Grandes Espetáculos

Com sessões no Teatro Hermilo Borba Filho, 'Às vezes eu Kahlo' aborda a relação da pintora mexicana com a imobilidade física

"Às vezes eu Kahlo" "Às vezes eu Kahlo"  - Foto: Sabrina Canton van Helden/Divulgação

A influência de Frida Kahlo extrapolou as artes visuais e permanece presente na moda, na fotografia e no teatro, mesmo mais de seis décadas depois da sua morte. O espetáculo de dança contemporânea "Às vezes eu Kahlo" leva para o palco a intensidade da pintora mexicana, revelando uma personagem que vai além do ícone pop estampado em cadernos, canecas e camisetas. A montagem da Geda Cia de Dança (RS) integra a programação do 26º Janeiro de Grandes Espetáculos. As duas apresentações no Recife ocorrem no Teatro Hermilo e Borda Filho, nesta sexta-feira (10), às 19h, e no sábado (11), às 20h30.

Concebida e dirigida pela coreógrafa Maria Waleska van Helden, o solo é interpretado pela bailarina Graziela Silveira. A obra parte da imobilidade da artista, que ao longo da vida sofreu com uma série de problemas físicos. Aos seis anos de idade, Frida contraiu poliomielite, o que a deixou com uma lesão no pé direito. Mais tarde, quando tinha 18 anos, o ônibus no qual ela viajava chocou-se com um bonde. Por causa do acidente, ela precisou passar um longo período no hospital e foi submetida a inúmeras cirurgias.

"O nosso enfoque é o corpo da Frida, que era atravessado por tantas dores. Ela carregava muitas sequelas, mas suas limitações físicas acabaram sendo propulsores da sua arte, porque ela falava disso tudo através das pinturas", aponta Graziela, que além da dança contemporânea também se dedica ao flamenco. Para viver a pintora, a bailarina partiu de uma pesquisa construída em equipe, com a ajuda de sua coreógrafa e de Consuelo Vallandro, que assina o texto da montagem. "Foi complicado, no início, me sentir como Frida. Mas depois de algumas apresentações, fui me aproximando dela e consegui entrar na personagem", conta.

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O espetáculo, que estreou em julho de 2018, conta com cenografia e figurino de Antonio Rabadan. A estética empregada no palco busca mostrar outro lado de Frida, fugindo da imagem estabelecida no imaginário popular. "A gente não traz a Frida colorida que as pessoas estão acostumadas a ver. Temos algumas inserções das pinturas dela em vídeo, mas o tom da montagem em si é outro: mais frio, hospitalar, de luto. Passamos um pouco pelo feminismo e outras lutas também, mas o que nos interessa realmente é a humanidade dela. É um risco que nós corremos. Quando termina as apresentações, muitas vezes o público fica meio sem saber como agir, mas depois nos procuram para elogiar, porque entendem o que a gente quer dizer", pontua.

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