Exposição 'Carimbos', no Mamam, revela faceta menos conhecida do pernambucano José Cláudio

Com curadoria de Clarissa Diniz, mostra reúne obras que ele mesmo confeccionava com borrachas escolares talhadas com estilete. Cerca de 80% desta produção é inédita

Carimbos criados por José ClaúdioCarimbos criados por José Claúdio - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco

A pintura é, sem dúvidas, a faceta mais reverenciada da obra do pernambucano José Cláudio, 85 anos, que ao lado de nomes como Abelardo da Hora e Gilvan Samico participou da criação do grupo Atelier Coletivo (1952-1957).

Sua produção artística, no entanto, não pode ser resumida a essa única técnica. "Carimbos", exposição que entra em cartaz no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), a partir desta quinta-feira (31), revela um lado menos conhecido - mas não menos inventivo - do artista plástico. A abertura para convidados ocorre nesta quarta-feira (30), às 19h.

Com curadoria de Clarissa Diniz, gerente de conteúdo do Museu de Arte do Rio, a mostra reúne 100 trabalhos produzidos entre 1968 e 1972. "A fase que a exposição apresenta corresponde ao uso de carimbos, que ele mesmo confeccionava, na maioria das vezes, com borrachas escolares talhadas com estilete", descreve a curadora.

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"Através desse signo, ele foi brincando com diversas formas e construindo diferentes narrativas. Foram mais de 200 obras produzidas dessa forma, de quatro anos. Algumas delas estão reunidas pela primeira vez, nesta mostra. Cerca de 80% do material é inédito", afirma Clarissa. Metade das peças vem do acervo pessoal do artista e outra parte integra coleções privadas.

José Cláudio começou a se interessar pela técnica quando trabalhava como desenhista na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Para facilitar a marcação de grandes mapas rurais, o artista teve a ideia de desenvolver os tais carimbos.

"Na verdade, ele retomou uma prática da infância, desdobrando cada vez mais as possibilidades. Numa experiência que remete à xilogravura, ele passou a fabricar carimbos a partir de qualquer superfície, de casca de cajá até tocos de madeira", conta.

Os carimbos do artista pernambucano acabaram sendo incorporados pelo poema/processo, movimento de vanguarda desenvolvido entre 1967 e 1972, lançado simultaneamente em Natal e no Rio de Janeiro.

"Muito importante para a poesia visual brasileira, o movimento marcou o pensamento gráfico e conceitual do final dos anos 1960. Além de mostrar a grandeza de José Cláudio, a mostra traz visibilidade à participação dele dentro do poema/processo", diz.

Realizada com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), "Carimbos" também abrange também atividades de formação. Além de oficinas e vivências gratuitas para mediadores, o próprio espaço expositivo funciona como um laboratório de experimentação da técnica do carimbo.

O público que visitar a mostra encontrará mesas, materiais e orientadores para ajudar na investigação. "A ideia é que mais e mais pessoas se apropriem desse modo de fazer arte", afirma.

Serviço:

Exposição "Carimbos", de José Cláudio
Abertura nesta quarta-feira (30), às 19h. Visitação até 29 de outubro, de terça a sexta-feira, das 12h às 18h, e sábados e domingos, das 13h às 17h
Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães - Mamam (Rua da Aurora, 265, Boa Vista)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3355-6871

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