Exposição no Parque Dona Lindu revela a ingenuidade diante da guerra

Mostra internacional "As meninas do quarto 28" chega ao Recife, expondo desenhos e relatos de quem passou pelo campo de concentração

Exposição "As meninas do quarto 28"Exposição "As meninas do quarto 28" - Foto: Mandy Oliver

Muitas histórias relacionadas ao holocausto judeu, durante a Segunda Guerra Mundial, ainda são pouco conhecidas. Um exemplo é o campo de concentração de Theresienstadt, na atual República Tcheca. Entre 1942 e 1944, o espaço recebeu 140 mil prisioneiros, dos quais apenas três mil sobreviveram. A exposição internacional "As meninas do quarto 28", que aporta nesta quinta-feira (10) no Recife, revela um pouco do dia a dia nesse lugar, a partir do olhar de algumas garotas que viveram lá. A mostra, que fica até 29 de outubro, ocupa a Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu, com entrada gratuita.

A exposição é baseada no livro homônimo da escritora alemã Hannelore Brenner. Nesta obra, a autora traz à tona os relatos de parte das 60 garotas, entre 12 e 14 anos, que dividiram o quarto de número 28 do alojamento L 410. Dessas, 15 sobreviveram.

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Em meio ao sofrimento e péssimas condições de vida, essas meninas encontraram na arte uma espécie de fuga. Uma das responsáveis por isso foi a artista plástica e também prisioneira Friedl Dicker-Brandeis, que dava aulas de pintura e desenho para as crianças. Antes de morrer em Auschwitz, a professora deixou aos cuidados de um amigo uma mala contendo todas as obras. Após a guerra, o material foi resgatado e levado para um museu em Praga.

Restaram cerca de 500 trabalhos produzidos pelas colegas de dormitório, dos quais 50 podem ser vistos na mostra. "Se você reparar, nenhum dos desenhos retrata a guerra, mas apenas histórias fantásticas e paisagens imaginadas. Friedl usava a ferramenta da arte para mostrar que havia uma esperança, um amanhã. Apesar de muito triste, acho que essa exposição tem como missão mostrar a importância do professor e da educação", afirma a arquiteta Karen Zolko, uma das representantes da mostra no Brasil.

Além das pinturas, a versão brasileira da mostra traz uma réplica de 18 metros quadrados do quarto em que as crianças judias ficaram aprisionadas, painéis com detalhes históricos da época e vídeos com depoimentos das sete pessoas que ainda estão vivas. "Na Europa, especialmente na Alemanha, as pessoas estão mais acostumadas com esse tema. Aqui no Brasil, a gente quis criar para o público algo mais informativo e interativo", explica Dodi Chansky, que também integra a curadoria.

De quarta a sexta-feira, a Galeria Janete Costa receberá grupos de escolas públicas e privadas. Nos finais de semana, a exposição abre para o público geral. Serão realizadas oficinas relacionadas à temática. "A intenção é fazer com que os visitantes se coloquem na situação dessas meninas. Hoje em dia, ocorrem vários holocaustos ao redor do mundo. Não estamos falando só dos judeus. A mostra serve para que as pessoas reflitam sobre até onde um governo ditatorial pode chegar", diz Karen.

Serviço:
Exposição "As meninas do quarto 28"
Quando: abertura nesta quinta-feira (10), às 18h. Visitação até 29 de outubro, de quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, sábados, das 14h às 20h, e domingos, das 15h às 19h
Onde: Galeria Janete Costa (Parque Dona Lindu - Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
Entrada gratuita
Informações: (81) 3355-9825

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