Filme 'Bate coração' usa bom-humor para falar de coisa séria

Com a proposta de conscientizar sobre doação de órgãos e transfobia, a comédia dirigida por Glauber Filho chega às telonas no início de novembro

Pernambucano Aramis Trindade dá vida à travesti Isadora e é um dos protagonistas da históriaPernambucano Aramis Trindade dá vida à travesti Isadora e é um dos protagonistas da história - Foto: Divulgação

Embora tenha avançado nos últimos anos, a doação de órgãos ainda enfrenta muitos desafios no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, foram realizados 13.263 transplantes em todo o País no primeiro semestre deste ano. No entanto, mais de 40% das famílias não autorizam a doação. Abordar esse tema tão relevante de maneira bem-humorada e sensível é a proposta de "Bate coração", novo longa-metragem produzido pela Estação Luz Filmes, com direção de Glauber Filho e distribuição da Downtown Filmes.

Com estreia prometida para o dia 7 de novembro, a comédia parte de uma premissa no mínimo curiosa. Sandro (André Bankoff), um homem mulherengo e cheio de preconceitos, sofre um ataque cardíaco durante uma festa de Réveillon. À beira da morte, ele passa por uma operação de urgência e recebe o coração de Isadora (Aramis Trindade), uma travesti que morreu atropelada na mesma noite. Ainda apegado ao plano material, o espírito dela começa a seguir os passos do publicitário, na tentativa de transformá-lo em uma pessoa melhor. Influenciado por essa presença invisível, ele vai mudando de comportamento aos pouco e passa a enxergar a vida de outra maneira.

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As filmagens ocorreram em 2017, com todas as locações em Fortaleza, no Ceará, terra natal de Glauber Filho. O cineasta tem experiência com filmes de temática espiritualista, pois já dirigiu "As mães de Chico Xavier" (2011) e "Bezerra de Menezes: O diário de um espírito" (2008). Embora as referências à doutrina espírita estejam claras, o novo longa traz uma abordagem cômica, algo inédito em produções brasileiras que se dedicam a abraçar tal universo. O roteiro é uma adaptação das peças "Acredite, um espírito baixou em mim" e "O coração safado", ambas de Ronaldo Ciambroni.



Apostando no riso como instrumento que pode levar à reflexão, o diretor apostou na experiência do pernambucano Aramis Trindade. Apesar de já ter atuado em mais de 60 longas, ele vive seu primeiro protagonista na telona só agora. "A gente não queria que a personagem fosse caricata, mas tivesse uma leveza. Aramis estudou muito para isso e acho que conseguiu fazer isso com muita elegância", comenta Glauber, que também trouxe para o elenco artistas do coletivo cearense As Travestidas, cujas peças costumam tratar de temas ligados a gênero e sexualidade. "Espero que as pessoas, ao assistirem ao filme, desconstruam seus preconceitos e entendam que uma sociedade só é sadia quando é diversa", torce o cineasta.

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