Filme sobre Winston Churchill estreia nesta quinta-feira no Recife

'O destino de uma nação', dirigido por Joe Wright, traz o ator Gary Oldman interpretando o protagonista

O destino de uma naçãoO destino de uma nação - Foto: divulgação

É um problema quando filmes sobre a Segunda Guerra Mundial apresentam heroísmos e vilanias sem sugerir dúvidas ou ambiguidades. A impressão que fica de "O destino de uma nação", que estreia nesta quinta-feira (11) no circuito nacional, é que Winston Churchill (1874-1965) foi um ícone fundamental, uma voz potente durante a batalha, um líder forte e sem falhas. A boa ideia inicial de humanizar um homem que teve papel importante aos poucos parece perder espaço para a vontade de repassar um conceito simples e em certo sentido exagerado de heroísmo.

O filme fala sobre Churchill (interpretado por Gary Oldman, que venceu o Globo de Ouro de melhor ator), primeiro ministro da Inglaterra entre 1940 e 45, responsável por conduzir o conflito contra a Alemanha. Seus discursos e estratégias militares são considerados peças importantes na história do Reino Unido. As primeiras cenas mostram como ele tinha uma personalidade diferente dos outros políticos, pela bebedeira, grosseria e ironia. O filme cria a imagem de um líder cativante, um homem bruto que age motivado pelo bem estar da população britânica.

Dirigido por Joe Wright (que assinou as adaptações literárias "Desejo e reparação", baseado no livro de Ian McEwan, e "Orgulho & preconceito", de Jane Austen), o filme não detalha as crises do personagem, citando de maneira corrida suas desastrosas decisões políticas. Aparentemente o único defeito de Churchill é uma certa grosseria. O roteiro insiste em pequenas piadas, instantes de humor pela falta de delicadeza do político. Em uma história baseada em eventos reais sobre um dos piores capítulos da humanidade, abrir espaço repetidas vezes para alívios cômicos parece deslocado e também inconsequente.

A certa altura, em dúvida sobre que decisão tomar, depois de dizer que nunca andou de ônibus ou fritou um ovo, e também depois de duas longas cenas em que olha para as pessoas sofrendo nas ruas de Londres enquanto está dentro de um carro luxuoso, Churchill entra em um metrô pela primeira vez na vida e parece difícil não rir pelo ridículo. Ele é tratado pelas pessoas como uma celebridade. Elas parecem estar diante de algum ser iluminado; mais uma tentativa do filme em transformar esse homem em algo maior que a história.

Toda a cena tende ao absurdo e à caricatura pelo excesso: a devoção, a falsa humildade, a maneira como o primeiro ministro chega a uma conclusão (guerra contra a Alemanha, mesmo que signifique a morte de milhões) como sendo uma decisão do "povo". O roteirista do filme, Anthony McCarten, que também publicou um livro sobre os eventos do Reino Unido durante o período da Segunda Guerra, avisou que esse evento provavelmente não ocorreu da maneira como foi mostrada. Esse tipo de cena parece ocorrer em maior quantidade do que outros instantes mais delicados e sensíveis sobre a rotina da guerra pela ótica de quem não está na linha de frente - as decisões frenéticas que envolvem a vida de milhões de pessoas.

Cotação: regular 

Leia também
Millie Bobby Brown protagonizará filmes sobre irmã de Sherlock Holmes
Filme "The square: a arte da discórdia" entra na programação do Cinema do Museu
Filme 'O Rei do Show' é um espetáculo para os olhos

Veja também

Camila Pitanga e filha testam positivo para malária
TV

Camila Pitanga e filha testam positivo para malária

Marília Mendonça se retratará sobre fala transfóbica em live: 'Passei o dia todo refletindo'
famosos

Marília Mendonça se retratará sobre fala transfóbica em live: 'Passei o dia todo refletindo'