Filme "The square: a arte da discórdia" entra na programação do Cinema do Museu

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2017, filme sueco faz sátira sobre a vida contemporânea

Cena do filme "The square:  a arte da discórdia"Cena do filme "The square: a arte da discórdia" - Foto: Pandora Filmes/Divulgação

"The square: a arte da discórdia" foi o vencedor do Festival de Cannes de 2017, prêmio que faz o filme circular com uma força que talvez não fosse a mesma sem a conquista. Dirigido por Ruben Östlund, o longa sueco conta a história de Christian (Claes Bang), curador de um museu de arte moderna em Estocolmo. No Recife, entra em cartaz a partir desta quinta-feira (4), no Cinema do Museu (Casa Forte).

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Nas primeiras cenas, Christian aparta uma briga no meio da rua, mas depois nota que foi enganado: roubaram seu celular e carteira. Com a ajuda de colegas do museu ele acha o aparelho via satélite: está em um prédio de 15 andares, oito apartamentos por andar. Não é possível precisar a localização. A solução é cômica e dá errado de formas cada vez mais intensas: ele coloca uma carta em cada residência, avisando que está ciente do roubo e quer suas coisas de volta.

O diretor transforma as situações do roteiro em uma sátira sobre os modos contemporâneos, compartilhando suas percepções sobre rotina, classes sociais, hierarquias aparentemente invisíveis, os equívocos da publicidade e do jornalismo, a maneira como a omissão se tornou um tipo grave de violência. O enredo repassa esses temas com humor e um tom delicado de dramaticidade, sem nunca se exceder.

Os personagens agem dentro de certos limites vagamente familiares, na maneira como falam, pensam ou reagem a estímulos, e dessas situações podemos retirar de maneira imediata uma comédia de costumes. Mas com o tempo e a duração prolongada das cenas, no processo gradual de dilatação de ideias, surge uma essência crítica fundamental sobre os dias de hoje, os absurdos que compõem nossa rotina e acabam abafados na confusão de vozes.

O filme parece uma reunião de breves esquetes: a gritaria de um homem com síndrome de Tourette, durante uma palestra sobre a estética de um certo artista; um faxineiro que varre a poeira de uma obra de arte que era composta por pequenos montes de terra; instantes de humor, uma maneira caricata de representar a arte e o comportamento das pessoas desse círculo.

Em certo sentido essas cenas podem vistas de forma desconectada, como uma sequência de eventos que gradualmente transformam a vida pessoal do protagonista em um inferno; embora façam sentido juntas, unidas em um mesmo espaço narrativo, elas também funcionam de forma harmônica ao serem percebidas como pequenas doses de humor, drama ou existencialismo.

É um belo roteiro que trata os momentos como erupções inesperadas de contingências de vida, uma coletânea de instantes decisivos que carregam sentidos em si mas também se conectam com outras cenas.

Há um momento particularmente fundamental. Durante um jantar com a classe rica, em um pomposo salão de festas, o museu organiza uma suposta performance, mas aos poucos se torna um evento bizarro.

Um artista age como macaco, com intensidade e vigor, algo pitoresco e cômico, mas aos poucos os convidados sentem medo. É um momento que consegue condensar a essência do filme: as diferenças sociais, a forma como as pessoas se afastam cada vez mais da gentileza e da bondade, por medo e egoísmo.

Cotação: ótimo


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