Flaira Ferro fortalecida nos passos da música

Pernambucana colhe o reconhecimento do seu trabalho como cantora e se prepara para novo desafio fora do País

Além dos shows que  apresenta ao longo da  semana, artista se dedica  ao espetáculo que irá  dirigir na FrançaAlém dos shows que apresenta ao longo da semana, artista se dedica ao espetáculo que irá dirigir na França - Foto: Marina mahmood/arquivo folha

 

Em resposta a vários pedidos pela internet, a pernambucana Flaira Ferro publicou recentemente na sua página do Facebook o aviso de que o disco de estreia “Cordões Umbilicais”, lançado em 2015, estava esgotado. Como consequência da nova demanda, a bailarina prometeu encomendar novas cópias em um gesto que cristaliza os novos braços do seu trabalho que, há dois anos, também deu voz aos seus passos. O início da estrada como cantora foi despretensioso, mas agora fortalecida, a artista, que canta esta noite, às 20h, no Terra Café Bar, dentro do projeto Florescência, reconhece que a música foi um caminho sem volta e já se prepara para criar seu próximo disco.

“Quando fiz ‘Cordões Umbilicais’ não pensava no sucesso. No momento, o que me movia era que eu precisava botar para fora de maneira artística algo que estava se movendo com muita força em mim, uma necessidade de me melhorar como ser humano. Fui botando nas redes sociais e ele foi chegando num tempo lento, mas ecoando nas pessoas que tiveram acesso, de modo que, agora, ele está voltando com um feedback muito precioso. Acho que a gente está vivendo uma crise moral e espiritual muito grande e tenho a sensação de que as pessoas estão buscando se relacionar mais verdadeiramente, e o disco coincidentemente fala disso”, opinou ela, sobre a repercussão recente.

Entre aqueles que se identificaram com a mensagem do trabalho, está o ator Reynaldo Gianecchini, que compartilhou nas redes sociais um vídeo em que Flaira apresenta a música “Me Curar de Mim”, despertando a curiosidade de um novo público sobre a artista. Embora sua origem artística e sua principal linguagem seja a dança, ela diz não se sentir incomodada em performar apenas com a voz, como acontecerá esta noite, cuja apresentação voz e violão conta com a participação de Juliano Holanda nas cordas.

“Acho que tem uma transição muito orgânica aí. Durante os shows de música, eu sempre trouxe a dança e a minha vontade de cantar veio de um entendimento que essa linguagem trouxe. É engraçado pensar em um show que não vai tê-la como portal, mas não me vejo como cantora. E sim como uma comunicadora, alguém que usa das habilidades com dança e música para falar de coisas que me tocam”, explica.

A performance mais cheia ganhará espaço neste domingo, às 19h, quando Flaira se apresentará n’A Casa do Cachorro Preto ao lado do trio instrumental pernambucano Wassab, formado por Juliano Holanda, Hugo Lins e Gilú Amaral. Na ocasião, também participarão a bailarina Inaê Silva e cantora caruaruense Isabella Moraes. Ambas as apresentações trazem o repertório de “Cordões Umbilicais” e algumas músicas inéditas que a artista compôs recentemente, refletindo uma aproximação mais intensa com o cenário local. Os ingressos custarão R$ 15.

Casada com o músico conterrâneo Igor de Carvalho, a compositora não nega a influência para o próximo álbum. “Estou passando uma temporada no Recife e tenho me relacionado com muitos artistas e estou vendo uma cena muito bonita de mulheres, como Aninha Martins, Sofia Freire, Isadora Melo e Babi Jaques, e também de homens, como Juliano, Thiago Martins, Igor, Vertin Moura, Marcelo Rangel. Tenho acompanhado e participado desse movimento. Só me vejo continuando na música e automaticamente estão surgindo novas canções sem pressão, que devem sair em um disco neste ano ou no próximo”, adianta ela.

Diretora
À vontade como cantora e firmada como bailarina há vários anos, a nova aventura de Flaira Ferro é o espetáculo de dança e música “4 por 4”, em que, pela primeira vez, atua como diretora artística e dançarina. O convite para dirigir veio do curador do Festival Metropolis, que será aberto pela obra no dia 16 de março deste ano, no Teatro Municipal da cidade francesa Rezé.

“Ele queria alguém que tivesse conhecimento de música brasileira e uma produtora francesa amiga me indicou. Ele entrou em contato, viu o meu material e gostou, daí surgiu o convite. Estou criando à distância e está sendo a maior aventura da minha vida. Chego lá em março e teremos 15 dias para ensaiar tudo”, explicou.

Ela terá como parceiros de cena o bailarino mineiro Pedro Rosa e as francesas Marlene Gibon e Julien Kabwa, além da participação de nove dançarinos do Conservatório de Artes da cidade. A banda que acompanha o espetáculo será formada pelos pernambucanos Guga Santos e Rodrigo Samico, além do paulistano Marcelo Preto e o DJ paraibano Chico Correia.

“O conceito é colocar no palco quatro dançarinos e quatro músicos explorando a cultura brasileira. A princípio é um evento único mesmo, mas dependendo da resposta, vamos tentar circular com ele”, conclui. Da França, Flaira Ferro seguirá para a Itália, onde dará aulas de capoeira em um festival de oficinas.

 

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