Gabriel Jardim mostra as diferentes mulheres dentro de uma só na HQ "Matrioska"

Quadrinista radicado na Paraíba permite ao leitor acompanhar a angústia da protagonista em sua terceira obra

Gabriel Jardim, quadrinistaGabriel Jardim, quadrinista - Foto: Divulgação

 

Dentro de uma, outra, e mais outra, e tantas mais. Costumam ser cinco o conjunto de bonecas russas que são popularmente conhecidas pelo título de matrioska. O símbolo russo transmite uma ideia geracional - de uma mulher que dá origem a outra - e é aprendido pelo quadrinista alocado em João Pessoa, Gabriel Jardim, para transmitir outro conceito. Nesta HQ, matrioska representa uma mulher que comporta várias, permitindo que diferentes mulheres existam dentro de um único corpo. Diferentemente das múltiplas personalidades descritas no filme “Fragmentado”, a outra face da protagonista só é vislumbrada no final aberto para ser redefinido e complementado por cada leitor.

Na história, apenas vislumbramos essas personas. Olga, a protagonista, é uma fotógrafa com dificuldade de se inserir no grupo de expositores em sua cidade, uma capital como qualquer outra, e a narrativa se detém nessa trajetória em busca do reconhecimento e os meios degradantes oferecidos para consegui-lo.

Que preço estamos dispostos a pagar pelo sucesso?
Os conflitos internos da personagem diante da questão e das ofertas veladas (e promíscuas) são apenas pincelados, sem fazer dessas páginas um verdadeiro drama. A leitura é rápida. O desenho é gracioso e simples. Mas não é uma obra para menores de dezoito. Extremamente sexy e aparentemente dona de si, Olga revela pouco do que sente ao leitor. Podemos acompanhar sua angústia diante de propostas, mas o conflito é dela, apenas olhamos pelo buraco da fechadura.

Rápida e violenta, “Matrioska” é o Trabalho de Conclusão de Curso de Comunicação e Mídias Digitais de Gabriel Jardim na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Filho de pais pernambucanos e natural de Tübingen, na Alemanha, o artista vive em João Pessoa (PB), onde consegue produzir e articular a materialização de suas obras de maneira independente, graças ao financiamento coletivo.

Por esse meio também chegaram ao público “Café” (que rendeu uma indicação na categoria Novo Talento Desenhista no prêmio Troféu HQmix), em 2014, e “De Dentro da Couraça”, no ano seguinte. “Matrioska” é sua terceira obra e pode ser adquirida com o autor via e-mail [email protected] ou pelo instagram @ogabrieljardim. O valor é R$ 30. São 88 páginas.

Veja entrevista

Você é alemão?
Não (risos). Na Alemanha o que vale são os laços sanguíneos, então, só fiz nascer lá mesmo. Aos dois anos vim para Patos, na Paraíba e, aos seis, passei a morar em João Pessoa. Então, sou brasileiro mesmo.

Como é publicar quadrinhos de forma independente?
Sabia que queria ser quadrinista desde criança. Me inspirei muito no Mike Deodato Jr., minha maior referência. Fiz curso de desenho, e minha graduação é nesse segmento, voltado para a produção de vídeo, música e desenho. Então usei esse tempo para experimentar. “Café” mesmo tem três estilos diferentes de desenho. “De Dentro da Couraça” é colorido, num formato maior. O bom de publicar “sozinho”, com ajuda de quem apoia, né? É porque eu tenho total controle sobre o que eu quero fazer, que papel quero usar, quantas páginas, se acrescento cores ou não. Mas quero publicar com editoras também, experimentar como é.

Você já tem outro projeto em mente?
Estou elaborando o próximo, mas vai demorar para ficar pronto ainda. Não sei se volto a lançar pelo Catarse ou se vou procurar uma editora. O começo foi bem cru mesmo, aprendi na raça, também experimentando. A repercussão tem sido legal, mas sei que não é a mesma coisa que tendo uma editora, pois a distribuição é outra. Mas “Café” mesmo esgotou esse ano, junto ao lançamento de “Matrioska”, na CCXP Tour, no Recife.

 

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