Janeiro de Grandes Espetáculos celebra 25 anos em meio a polêmicas

Cancelamentos de espetáculos e débitos do ano anterior estremeceram esta edição do Janeiro de Grandes Espetáculos, que começa nesta terça-feira (8)

Cena de 'O evangelho segundo Jesus - Rainha do Céu', com a atriz transexual Renata CarvalhoCena de 'O evangelho segundo Jesus - Rainha do Céu', com a atriz transexual Renata Carvalho - Foto: Luciane Pires Ferreira/Divulgação

Com cerca de 100 atrações de teatro, dança e música, que sobem aos palcos até 14 de fevereiro, o Janeiro de Grandes Espetáculos completa 25 anos de existência. A abertura do festival fica por conta do show "Acerto lírico", que ocorre nesta terça-feira (8), às 19h30, no Teatro de Santa Isabel. Ao lado do Coral Edgard Moraes e do Bloco da Saudade, o cantor e compositor Getúlio Cavalcanti passeia por sua obra lírica.

Com apresentações espalhadas por Recife, Camaragibe e Serra Talhada, o festival traz mais de 20 estreias em sua grade. Entre os destaques, estão o musical "Palavra de mulher", com Lucinha Lins, Tânia Alves e Virgínia Rosa; o show "Sarau de Jackson do Pandeiro", com Silvério Pessoa; e o espetáculo "Um pano que limpa o tempo", da Compassos Cia. de Dança. Confira a programação completa no site do festival. 

O foco desta edição, no entanto, tem sido menos a comemoração e mais as polêmicas. O cancelamento da peça "O evangelho segundo Jesus, rainha do céu", protagonizado pela atriz Renata Carvalho, fez artistas locais retirarem seus trabalhos da programação, abrindo uma discussão sobre o posicionamento do festival.

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A presença do monólogo em que uma transexual interpreta Jesus Cristo havia sido anunciada pelo festival em dezembro do ano passado, durante coletiva de imprensa. As sessões estavam previstas para os dias 12 e 13 deste mês, no Teatro Barreto Junior. Menos de uma semana depois da divulgação, o espetáculo foi removido da grade do evento.

Em carta aberta publicada nas redes sociais, a organização apontou a pressão da bancada evangélica em Pernambuco como um dos motivadores do cancelamento. A decisão foi criticada por artistas locais, que consideraram um ato de censura. Como forma de protesto, o Grupo Experimental, Trema - Plataforma de Teatro, Amaré Grupo de Teatro e o ator Cleyton Cabral retiraram suas montagens da programação.

Na última sexta-feira, o presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), Paulo de Castro, se reuniu com a classe artística para discutir esse e outros problemas. "Outros grupos resolveram continuar por considerarem o Janeiro uma trincheira que não se deve abandonar. Para a próxima edição, decidimos criar uma comissão de artista para que ela possa analisar situações como essa. Além disso, resolvemos que no final de cada espetáculo um artista subirá ao palco para falar sobre resistência no teatro", apontou.

Atraso 
Ainda de acordo com Paulo de Castro, as dificuldades financeiras enfrentadas pelo festival o fizeram abrir mão do monólogo de Renata Carvalho. O evento, que é financiado por meio de incentivo público, acumula dívidas ainda não quitadas da edição anterior. Mais de 130 artistas ainda não receberam os cachês referentes às apresentações realizadas em 2018. Segundo Paulo, a organização esperava captar R$ 250 mil via Lei Rouanet, com a ajuda do Governo do Estado, mas não conseguiu. O produtor afirma que está em negociação para conseguir a verba junto ao poder público.

Procurado pela reportagem da Folha de Pernambuco, o Governo do Estado esclareceu que o único valor destinado à realização da 24ª edição do festival - na ordem de R$ 181.945 - foram integralmente repassados. A incerteza sobre os pagamentos tem preocupado os artistas que ainda aguardam receber seus cachês.

Segundo a atriz Iara Campos, integrante da Trupe Ensaia Aqui e Acolá, os artistas entraram em contato com a produção do festival diversas vezes, mas não obtiveram nenhum retorno satisfatório. "Caso não apontem uma solução para esse problema, vamos nos manifestar de outra maneira. Ficaremos na frente do Santa Isabel, na noite da abertura, com cartazes nas mãos, cobrando esses pagamentos", promete.

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