Juliano Holanda se harmoniza com o silêncio para manifestar sonoridades

Multiartista pernambucano retorna com single 'Eu Cata-Vento', o primeiro para chegar ao álbum 'Sobre a Futilidade das Coisas'

Juliano Holanda, multiartista pernambucanoJuliano Holanda, multiartista pernambucano - Foto: Tiago Calzans

Entre arranjos, produções e composições expostas palcos afora, no universo do multiartista pernambucano Juliano Holanda, cabem silêncios. Daqueles maturados pelo/para o tempo, carregados de vivências que culminam estrategicamente em retornos de grande valia para o coletivo musical brasileiro. “Eu, Cata-Vento”, canção recentemente lançada nas plataformas digitais, ilustra com propriedade a relação amistosa dele consigo mesmo (e com a música que produz).

“Acho que me permiti um tempo. Um período de expansão. Gravei e produzi muitos discos, trabalhei com muitos artistas, fiz curadorias, viajei bastante também, principalmente para o interior do Estado. Foi um espaço necessário. Continuei gravando minhas músicas, mas, em silêncio”, conta ele em conversa com a Folha de Pernambuco.

O single “Eu, Cata-Vento” abre a sequência de outros que virão para o disco, o terceiro da carreira, “Sobre a Futilidade das Coisas”, previsto para este segundo semestre. Nesta “porta de entrada” para mais um trabalho solo, Juliano contou com a participação do músico Paulo Rafael (Ave Sangria). 

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“O mote central do álbum é a ‘coisificação’ das pessoas e a ‘humanização’ dos objetos. ‘Eu, Cata-Vento’ está bem alinhada nesse conceito, além de ter um tratamento de música visual (música e cinema) que tenho buscado. E Paulo é uma das minhas grandes referências como artista, um cara muito humano e um instrumentista extremamente sensível, que joga para a música. A gente tem tocado junto no Ave e isso estreitou mais os laços”, complementa.

Gravado no estúdio Muzak, no Recife, o single sai pelo selo Dubas, com realização da Anilina Produções e Soluções Criativas. Até a chegada do disco a ideia é disponibilizar as faixas individualmente, conduzindo cada uma delas ao tempo que lhes cabe, no contexto de um trabalho que vinha sendo gestado há três anos. “Acho que o exercício artístico busca o gesto natural. Toda técnica deveria apontar para a liberdade do fluxo criativo. Quando componho uma canção, na verdade, eu queria criar uma árvore. Procuro um caminho possível de expressão tão essencial que o produto fosse algo vivo e daí, no final, o que se cria é resultado do que se é, não só da música que se ouve, mas de tudo que se vive”, filosofa Juliano.

Espelhado aos “vários tempos” escolhidos pelo artista natural de Goiana, Mata Norte do Estado, “Sobre a Futilidade das Coisas” findará como “uma foto lenta, ou talvez esteja mais para um filme que ainda está acontecendo”, como afirmou Juliano que tem no single inaugural a primeira cena - levada por movimentos continuados de lirismo, guitarra e poesia.

Zé Manoel, Guilherme Kastrup, Lui Coimbra, Gilú Amaral, Johann Brehmer e Almério são outras das (gratas) surpresas reservadas para os próximos episódios pensados para o disco que se somará aos dois CD’s e ao compatco vinil já lançados por Juliano Holanda.

“Não costumo colocar nos discos as músicas que julgo ‘melhores’, mas aquelas que contribuem com a espinha dorsal da ideia e neste disco há muitos instrumentistas, e cada faixa tem uma formação diferente. Já estava certo que iríamos lançar as canções individualmente e quisemos iniciar agora por julgar que a arte tem um papel crucial nesse momento. O mundo anda precisando muito de arte”.

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