Livro 'Esther - Uma Estrela na Guerra' trata do holocausto para o público infantojuvenil

O professor e autor Karl Schurster é o primeiro brasileiro a abordar o tema para crianças e adolescentes

Com 26 livros já lançados, esse é o primeiro livro infantojuvenil do autor Karl SchursterCom 26 livros já lançados, esse é o primeiro livro infantojuvenil do autor Karl Schurster - Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco

Sete anos atrás, na Alemanha, o professor de história Karl Schurster se deparou com uma foto de Hannah, uma menina nascida em Berlim nos anos 1930. De roupinha de baixo, malinha na mão e um urso de pelúcia sem perna, Hannah, judia, foi uma das vítimas estimadas 20 milhões de vítimas do Holocausto. Sua história desconhecida - não se sabe se ela sobreviveu ou não a guerra - incomodou Karl, que se prometeu dar uma história àquela criança.

Renomeou-a, mas cumpriu sua promessa: "Esther - Uma Estrela na Guerra", livro ilustrado publicado pela editora Autografia, chega ao público nesta terça-feira (28), às 18h30, durante o I Seminário Internacional sobre Políticas Educacionais, Ensino e Traumas Coletivos, no campus Mata Norte da Universidade de Pernambuco.

“É meu primeiro livro infantil e veio não só de uma inspiração pessoal, de uma história, mas também de uma necessidade. O tema do Holocausto tem virado lei em vários estados do Brasil, mas todo o material de ensino que existe é estrangeiro, traduzido. Esse é o primeiro livro infantojuvenil sobre o Holocausto escrito por um brasileiro”, revela o professor, que conta com 26 livros já publicados.

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“Trabalhar com esse tema hoje é um estudo direto sobre direitos humanos. Estamos vivendo um momento muito difícil, com censura, ódio, violência, e esse é um livro que explica um pouco sobre a única forma de sair disso - o amor”, analisa Karl.

“O nazismo é um anti-sistema e odeia tudo que seja diferente dele, tendo como princípio a disseminação do ódio e a negação do outro. Então, efetivamente, se você ama e aceita o outro, você já é anti-nazista”, explica.

“Voltar a discutir o Holocausto é voltar a discutir a condição humana. O nazismo que fez tudo isso acontecer não vai mais existir como Estado, mas ele continua existindo como ideia - e isso é mais perverso do que o nazismo como Estado, porque como Estado ele tem data para acabar. No final das contas, Estados não odeiam, pessoas odeiam”, sentencia.

O cunho de realidade da história é amenizado para a leitura do público-alvo (entre 10 e 14 anos): Karl se utiliza de eufemismos metafóricos para falar da guerra. Os nazistas viram "homens de preto", a câmara de gás é a "sala da desesperança". É feito com cuidado, sem uma moral dada, para que o leitor interprete a história e entenda as consequências de atos tóxicos.

"Esse é um tema que adverte a sociedade sobre o que todos nós somos capazes de fazer. Pessoas comuns fizeram isso. E se a gente não voltar a discuti-lo, ele vai virar um passado que não passa”, avalia o autor. Como o final do livro determina: "Para que Auschwitz não se repita".

O livro já se encontra a venda online, na Amazon. Há planos para que se torne, também, um filme de animação ou desenho animado.

Capa do livro

Capa do livro "Esther - Uma Estrela na Guerra", publicado pela editora Autografia
Crédito: Divulgação


 

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