Livro mostra os bastidores da criação musical

Jornalista Ruy Godinho detalha qual o diferencial de canções da nossa MPB no quarto volume de 'Então, foi assim?', lançado na Passa Disco

Das praias do litoral brasileiro à exuberância da floresta amazônica, escritor entrevistou artistas para saber qual a inspiração das suas composiçõesDas praias do litoral brasileiro à exuberância da floresta amazônica, escritor entrevistou artistas para saber qual a inspiração das suas composições - Foto: Luiz Clementino/Divulgação

O jornalista Ruy Godinho compara sua tarefa a das filhas do rei Dánao, da mitologia grega, condenadas a carregar água usando jarras furadas. "É um trabalho interminável, elas vão passar a vida inteira preenchendo as jarras", conta. De forma semelhante, vê sua jornada com a série de livros "Então, foi assim?", em que explora os detalhes da composição de grandes títulos da música brasileira.

"Dificilmente vou conseguir abraçar esse universo por inteiro", diz. O autor vem ao Recife nesta quinta-feira (22) para o lançamento do quarto volume da série na loja Passadisco, no Espinheiro, às 19h, onde participará de uma roda de conversa com os músicos Marcelo Melo, do Quinteto Violado; e o forrozeiro Maciel Melo, além do público.

Fruto de mais de 20 anos de pesquisas, a série reconstrói os bastidores do processo criativo de canções da Música Popular Brasileira, que vem cheio de histórias, inspirações e parcerias.

“Eu exploro o que os músicos sentiram na hora de compor, quem foi homenageado na música, quem escreveu a letra, quem fez a melodia, qual era a conjuntura que o artista vivia naquela época”, revela Godinho, que seleciona os músicos cujas histórias são mais conhecidas e possuem maior projeção nacional para que o público, ao ler o livro, lembre da música em questão.

"Quem vive na região litorânea do País tem todo aquele mar maravilhoso para se inspirar, quem mora em Minas Gerais pode se inspirar naquela forma mineira de ser, quem mora no Norte é a exuberância das florestas amazônicas. Cada um tem uma resposta para a inspiração e eu queria abordar justamente isso", compartilha.

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No livro, Ruy procura pontuar, também, o contexto em que a composição foi feita e lançada, chegando a trazer diversas épocas e movimentos sociais. "Pego tudo isso e arranjo uma forma interessante de contar essa história, transformo cada uma em uma crônica”, diz. Para ele, seu papel é o de recontar histórias com uma linguagem tranquila, como que em “um bate-papo de amigos ao redor de uma fogueira”. "Eu sou apenas um facilitador", diz, modesto.

Para explicar as novidades do quarto volume da série, Godinho faz uma retrospectiva. "O projeto todo, desde o primeiro volume, é sobre a biografia das canções, como foi que elas surgiram. No segundo volume, acrescentei os processos criativos e a relação de parcerias - me inspirei nas histórias como ‘passei quatro meses para escrever uma letra’ ou ‘eu escrevi em 20 minutos e nunca pesquisei sobre esse assunto, foi quase que uma psicografia’.

No terceiro volume, acrescentei qual a relação da criação musical com o divino, porque os compositores, inclusive Luis Vieira, falam que ‘em coisas de Deus não se deve bulir’. Senti que muitos compositores se referiam à composição musical como um dom de Deus. No quarto volume, agora, trago a pergunta de qual seu diferencial, porque você sabe que é só uma projeção nesse mercado musical brasileiro, no qual o cara tem que ter um diferencial forte", avalia.

Serviço:
Lançamento do livro "Então, foi assim? Os bastidores da criação musical brasileira - Vol.04", de Ruy Godinho
Nesta quinta-feira (22), às 19h
Rua da Hora, 345, Espinheiro
Gratuito
Preço médio do livro: R$ 40; 327 págs; Editora: Abravideo

10 músicas que estão no livro:

"Fênix" (Flávio Venturini/ Jorge Vercillo)
"Paciência" (Lenine/ Dudu Falcão)
"Tropicana" (Vicente Barreto/ Alceu Valença)
"Brincar de viver" (Jon Lucien/ Guilherme Arantes)
"Maria Fumaça" (Kleiton/ Kledir)
"Samba da Zona" (Joyce)
"Coração de estudante" (Wagner Tiso/ Milton Nascimento)
"Zanzibar" (Armandinho/ Fausto Nilo)
"Pavilhão de espelhos" (Lula Queiroga)
"Senhora liberdade" (Wilson Moreira/ Nei Lopes)

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